segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A TRÍADE VOCABULAR DO MESTRE --- IR. LUCIANO


   De súbito, para estupefação de todos nós seus alunos, assomou à soleira da porta a imagem imponente do mestre em Língua Portuguesa – Ir. Luciano, portando uma sotaina negra, a inspirar o máximo de austeridade. Ainda no ângulo médio do frontispício retangular dos umbrais, podíamos vislumbrar-lhe os sobrolhos sobrecarregados de angústias prístinas, como se viesse trazendo consigo, nos abscônditos do intrínseco, os gravíssimos problemas do orbe. Naquele ínterim de investidura magisterial, quiçá, preludiasse o que, realmente, teria de expressar naquela outra ensancha, antes mesmo que adentrasse definitivamente à sala de aula, para que pudesse deblaterar, com fremência, as seguintes palavras: beócio, onagro e cavalgadura. Em seguida, ao transpor o limiar de estremadura,  dirigiu os vocábulos supracitados, de chofre, sob a ferrenha forma de equivalência biunívoca, para três colegas nossos pertencentes à turma Maristiana, ímpar, do reminiscencial ano nostálgico de 1968, exprimindo-se, desabridamente, do seguinte modo: tu, que estás sentado aqui, na vanguarda, és simplesmente uma cavalgadura; esse ali, que se posicionou no renque intermediário, representa um baita de um onagro; enquanto aquele outro, localizado na retaguarda, dá-me a impressão especiosa de ser um lídimo e inquestionável beócio.
    Deveras, algo se fazia necessário com premência, para mitigar as acrimônias acirradas proporcionadas pela Língua de Luiz Vaz de Camões. No entanto, o preceptor requisitou os seguintes aprestos: um dicionário do Idioma Português, de preferência o do Silveira Bueno; uma gramática da Língua Portuguesa, tendo por primazia a que era do ínclito --- Domingos Paschoal Cegalla; ademais, como adendo, requestava um pequeno cronômetro ou relógio despertador, com alarme indicativo de somente um minuto, que era o prazo máximo, sem hesitação, estabelecido para responder a um dos sinônimos suscitados. Caso contrário, a caneta de rabo de tartaruga, na qual havia um porquito, mergulhado numa solução aquosa, fazia-o descer desesperadamente, decretando declínio de pontos na média mensal.
   Após a descrição sumária dos resignados, não havia outra impressão, que fosse menos engabeladora, para tal justificativa, a não ser uma prática emergente, que decorrera de uma objurgatória imerecida, uma vez que, partindo do silogismo menor, estávamos no primeiro dia de aula, e, ainda sob suspeição das porvindouras exações do lente, o qual exigia rigorosamente o essencial para a aquisição de uma nova parcela  cognitiva. De fato, as premissas do mestre – Ir. Luciano, sem perplexidade, e de maneira plausível, eram outras bem diferentes das que já tinham sido elucubradas anteriormente. Sim, estávamos perante inusitados vocábulos, tendo por parâmetro, basilar e imprescindível, aquela frontispícia amostragem significativa, para com todos os âmbitos analisados de maneira acurada.
   Então, os sinônimos, em profusão, proliferar-se-iam, de tal forma, anuindo ao modo discricionário. Deveras, o vernáculo ressumbraria uma esplendência de ascensão positiva nos estudos. Destarte, lembrar-me-ia o desaire pelo qual foi inoculada a aterrorizante infensidade, logo, demonstrada, quando o mestre se deparou com o acervo de termos pronunciados erroneamente pela maioria dos discentes maristianos; ou escrita, igualmente, de modo incorreto, instigando suspeições com relação ao denodado ato da respeitabilidade eruditiva, ressumbrando, decerto, o inverso, que é o fragilismo dos deficientes conhecimentos adquiridos em anos pretéritos.
   Se no ato da leitura, o aluno pronunciasse uma palavra cujo acento não recaísse na sílaba escolhida através dos critérios do próprio idioma, o preclaro ministrador das lições gramaticais, com certeza, vocacionaria o arguido, titulando-o pelo nome que fora escrito ou pronunciado cincadamente, obedecendo aos severos caprichos de um interregno de trinta ou mais dias de excruciante expiação.
    Os principais erros detectados pelo lente, se alguma outra tibieza, seriam: prosódicos, ortográficos, etimológicos, semânticos, e demais aparatos e afloramentos de procedência linguística. Assim sendo, íamos, pouco a pouco, melhorando nossas erudições, assim como os demais ostentórios de origem vernacular. Sendo assim, íamos a miudamente reparando os graus relativos ao conjunto de nossas insipiências, na convicção de termos assimilado a lidimidade dessas novíssimas terminologias.
   Quantas e quantas vezes, nossos colegas, em sua totalidade expressiva, integrados ao mesmo grupo de estudo, sentiam-se fragilizados diante das reutilizações dos motejos sobejantes. Desse modo, vaticinaríamos uma gramática mais interessante, induzindo-nos a uma sutileza de possíveis acertos conjugatórios revigorantes em ambos os âmbitos --- literário e científico.

                                                             WILSON  CERVEIRA