terça-feira, 29 de dezembro de 2015

UM OBSERVADOR COM OLHOS DE DETETIVE

  Um simples observador está longe de ser, mesmo em tempo crástino, um detetive. Falta-lhe uma visão geral em torno de tudo o que, possivelmente, ocorreria nesse ambiente. Não basta o aspecto fixador com relação a uma pessoa, um objeto ou, até então, um ponto verde perdido na extensibilidade do próprio quadro verde.
     O seu adentramento no ambiente merece sutileza. Ninguém precisa saber o instante em que, na aparência de um vulto cabalístico, tenta detectar a presença de algum intruso, malfeitor, ou elemento periculoso quanto à regência em voga.
     Se, linhas realmente, for um observador com olhos de detetive, ele ostentará um esgueiramento imperceptível, passando por entre as mesas, traçando diagonais, circunferenciais, tangenciais, perperpendiculares, ortogonais etc, num lídimo cruzamento, onde as posições vão se invertendo, pouco a pouco, sem que as outras pessoas percebam a presença do elemento perquiridor no ambiente em questão.
     Qualquer estrépito, por menor que seja, pode ser perigoso com referência à manutenção de percucientes observações a serem perpetradas no recinto. Tanto assim, que as frases desconcertantes devem surdir em momento adequado, evitando os estorvos da postremeira ensancha. Ao passo que os demais comenos devam ser analisados acuradamente, a fim de que possam ser ressumbradas as irregularidades presentes!... Os códigos assoberbam-se cada vez mais, enquanto não se pressagia a acepção feita por um insólito observador com olhos de detetive.
     Em princípio, esse homem, observador emérito, aparatará todas as condições de olhar com ambos os olhos, deslocando-os sob uma sorumbática visão de esconso, com a finalidade de observar os quatro cantos da sala, sem que as pessoas percebessem, mesmo que os demais ficassem à sorrelfa dos outros indivíduos, deixando-os volitivamente, como se nada estivesse ocorrendo naquele ambiente, onde os elementos se reuniam para beber e comer ao longo do dia mantendo a permanência dos hábitos – com parcimônia, ou prodigalidade, dependendo das educacionais lembranças e das diversas maneiras ostentadas pelas criaturas frugais.
     Nicolau, de fato, era muito mais sagaz, quando comparado ao seu colega, o perito Levegildo, que muito o influenciou na condição de ser um lídimo observador com olhos de detetive.
     O senhor Nicolau aparatava uma praticidade a toda prova.  Sempre  fora experto quanto ao ato de realizar as tarefas de manuseamento; ao passo que, sem tartamudeios, o Levegildo habilitava-se cada vez mais no que tange ao cognitivo teórico. Sabia organizar, com perfeccionismo, as logopeias, sobretudo as que requeriam um silogismo onde as premissas – menor e maior – se acoplavam no ponto inerente à basicidade do pensamento formulado.
     Um observador, com olhos de detetive, não deixa passar nada, absolutamente nada. Os seus apontamentos são minuciosos em todos os aspectos. Quaisquer movimentos são perceptíveis, conquanto o observado não saia do lugar em que ocupa. Os cruzamentos das pernas  e braços, ou suspensões verossimilhantes, são detectados pelo perito, em vigilância plena, no exato átimo em que a ação se principia, e muito antes que a sentença reacional se encerre no decorrer do parágrafo.
     Todos os objetos localizados sobre a mesa são dignos de muita atenção por parte do senhor detetive, uma vez que, sem suspeição, o sujeito observado está sendo aduzido à cata de adendos inusitados. Tanto assim, sem prolegômenos, que, à guisa, figurarão novas fisionomias. As novas técnicas utilizadas para os exercícios das cirurgias, notadamente os que refocilam as irregularidades presentes na pele do paciente, não remanescendo estigmas do prisco – recente ou distante – não importando a terminologia do sujeito ao longo da ação verbal expressa.

     Os criptogramas podem ser absconditados em pequenos lenços de papel. A criatura dissimula, nesse caso, uma cleptomania, e, desse modo, vai colocando uma série de guardanapos descartáveis no bolso do colete, e, no meio deles, à socapa, deposita as cabalísticas simbologias. Elas designam o itinerário a ser seguido, pois, sem ignávia, ostentam a chave especificando, de maneira concomitante, o ritual de abrir e fechar os cofres confidenciais. E, nesses artefatos de ferro consolidado, vão sendo ressumbrados todos os enigmas presenciados no decorrer das exposições com ressaibos de percuciente misticismo.

                                           Wilson Cerveira

AD-ROGADA PSICOLOGIA ESCOLAR ERRÔNEA

  Nos tempos de “Antanho”, na rigidez dos métodos da Escola Régia, obedeciam-se às regras do comportamento do aluno, desde o seu trajeto de casa até a escola, e vice-versa. Durante este interregno de tempo, a família exercia a sua voz de comando, independente de quaisquer outras circunstâncias que, no caso, poderiam advir repentinamente.
     Não havia acompanhantes e más índoles. Sem coleguismos adquiridos dentro e fora do ambiente escolar. Nesse tempo prisco, decerto, não se cobravam pedágios de passagem. Os riscos de contaminação eram bem menores e as digressões do comportamento humano não alcançavam proporções consideráveis.
     Quando fizermos uma analogia com os tempos hodiernos, não teremos inusitada vislumbração. Também, sem precisar fazer a ressumbração de algum esburnimento, detectar-se-ão vários subterfúgios deletérios. Desde os pregressos contatos viciosos até os que são cognominados de livre arbítrio. À margem das sendas meândricas, independente do lado – esquerdo ou direito – oferecem-se os mais diversificados tipos de drogas: lícitas e ilícitas.
     Deveras, o orbe vai se demudando, de modo degradante, sem suspeitar os limites dos que almejam alcançar alguma meta presente na rota das direituras previamente vislumbradas na qualidade de erro.
     Aplaudem-se as garatujas dos alunos, sobretudo nos pródromo escolares, como se os mestres fossem resolver os traumas, ou, então, evitá-los de modo profilático. Os discentes partem da ideia de aceitação, e dessa forma, não irão à cata de adendos para melhorar suas cacografias. Destarte, inumam o vocábulo “caligrafia”, porquanto jamais conhecerão a escrita bela. Com certeza, a grafologia aliada à grafotecnia, ambas servirão de penhor, justificando por todos os meios a escrita, visto que as letras são marcas da personalidade – diz calmamente a professora Judite. Com o estugamento abrupto, os aspectos literais vão se tornando ininteligíveis em todos os quadrantes minuciosos do amplo âmbito grafotécnico. Os alunos, com as páginas quase soltas, vão servindo de exemplo de maus tratos. Dobram-lhes as páginas, no sentido de frugalizar o espaço compreendido bilateralmente. A lógica manda um recado salutar, exarando as ensanchas de absorção do que se denomina de útil e progressivo.
     O centro de interesse passou a ser o erro perpetrado pelo próprio aluno, banindo por completo o senhorio do “Mestre”, notadamente no que se refere ao acerto, estabelecendo uma margem diferencial recrudescente. E, nesse caso, Paulo brada a Sérgio, de modo incessante, as questões erradas, primaziando-as com relação as corretas. Uma miragem ressumará erros em sequência, visto que a intenção, sem tartamudeios, é a de indicar o número de quesitos incorretos.
     Parece-nos, de maneira especiosa, a aclamação da psicologia do errôneo, porquanto, em dias hodiernos, não se computa mais o direito de acertar, mas, em sua cabal aparência, os deveres relacionados ao ato de desestudar (vai-se  desaprendendo o que se havia aprendido). Prova-se, por todos os meios, que a base é frágil – em todos os prismas  generalizantes – mesmo que se tenha de expurgar o inexpugnável. O âmbito cognitivo sucumbe a cada ano, de tal modo que não se percebe as sutis direituras do soçobramento.
     O discente não se preocupa com os afazeres da escola, desde que, sem destinação específica, busca outros meios de entretenimento. Um deles é a jogatina diária, recurso que o aduz ao fanatismo, constituindo um círculo vicioso agrilhoado, não deixando espaço para o divagatório. A mente assoberbar-se cada vez mais, acumulando várias tipologias derivativas.
      O professor dirige-se ao quadro de pincel, em plena vacuidade, já que o aprendiz está a manusear outro modelo de aplicativo, totalmente diferente do assunto abordado para o restante da turma, que também padece em função do binômio patológico: aprosexia e abulia. Não há como condená-los, visto que, sem hesitação, não respondem aos estímulos sensoriais de uma aprendizagem insalutar.
     O discente, de modo agruroso, arroga-se o senhor absoluto de todos os direitos contidos nos estatutos apaniguadores de jovens adolescentes, os quais buscam prerrogativas para os seus atos irresponsáveis; e, desse modo, olvidam os seus basilares deveres quanto aos exercícios e demais tarefas escolares.


                                       Wilson Cerveira

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A RESPEITOSA ESCOLA TRADICIONAL

    Decerto, soçobra em percuciente letargia, banida do tempo, a Escola Régia da cidade de Alcântara do Maranhão. A imane vacuidade preencheu-lhe todos os espaços, remanescendo apenas a recrudescência cabalar de uma voz estentórica, podendo retumbar em tessituras deblaterizantes, blateradoras e vociferais. E, desse modo, meio bisonho, fundamentalizavam-se as raízes arraigadas em longetudinalidade, o atrelar do basilar fulcro do sentimento patriótico: forjado ou espontâneo, com abrangência na sua extensibilidade analítica.
     Dessa forma, incutia-se no aluno as honrarias reverenciais à família. E, também, a exortar a pessoa do professor, colocando-a em primeiríssimo plano, com todas as deferências.
     Encarar a disciplina, estabelecendo ordens no decurso de sua assimilação. Refocilar sempre as bases primárias, mantenedoras de outras aplicabilidades posteriores, para que não houvesse declínio quanto ao grau de sapiência.
     Sabia integralizar o tempo, emprestando, dessa forma, caráter exatorial para cada disciplina ministrada, sem que existisse a tal ultrapassagem de um segundo sequer na escala cronométrica. E, assim, não haveria interregnos entre as matérias lecionadas. Sendo assim, o ritmo sequencial era rigorosamente obedecido, mesmo que a ressumbração delimitasse alguma preferência por parte de determinados discentes.
     Os castigos, sem exceção, eram infligidos na hora precisa e de conformidade com a transgressão perpetrada em cada normativa contida no regimento escolar dos tempos de Antanho.
     As notas apresentavam caracteres reais em todos os parâmetros estabelecidos quanto às técnicas e métodos avaliativos. Tanto assim, sem hesitação exatorial, os pontos amiudavam-se de tal maneira, milimetricamente, pormenorizando os décimos, centésimos e milésimos.  Caso houvesse carência de um indicativo, numérico minucioso, a aferição seria realizada no término de cada aula independente da disciplina! ...
     De fato a aferição seria interrompida por tempo indeterminado, e o discente ficava prejudicado no que diz respeito à passagem ascensional do ano letivo.
     As cadernetas simbolizavam a vida do estudante, tanto a pregressa quanto a progressiva, globalizando todos os seus itinerários etológicos e assimilatórios. Não era uma só caderneta; pelo contrário, tínhamos três, sendo que, cada uma delas ostentava a sua razão de ser. Uma, a mais espessa, destinava-se às anotações do comportamento do aluno, contudo todas as minudências peripeciais ocorridas, diariamente, sobretudo no período concernente ao ato de ministração das respectivas disciplinas escolares.
     Os inspetores de sala de aula auxiliavam sobremaneira a manutenção comportamental dos alunos. Ninguém, caso atrevesse a algum tipo de estropício, deixaria de ser cominado, deveras, de conformidade com os rigores regimentais da famosa escola tradicional, sobremodo quanto ao ato de transmitir conhecimentos basilares e imprescindíveis para o prosseguimento de estudos, muito necessários para o possível e probabilístico ingresso no mercado de trabalho, já bastante saturado nestes nossos dias hodiernos.
     Nessa época, de castigos e penitências, o professor entregaria o peralta do aprendiz para o inspetor; e, este sabia infligir a objurgatória necessária para cada desvairo praticado pelo aluno infrator. Realmente, os escarmentos eram de uma pungência insólita. Os alunos daquele vetusto tempo da férula, tremiam na base, pois a velha cafua lhes esperava repleta de várias modalidades ciliciais, ostentando em todos os sentidos e direções os seus esdrúxulos objetos de tortura.
     Nesse interregno, a turma, no intuito de eximir-se do cautério, ficava à cata de recursos para a assimilação de uma inusitada aprendizagem muito necessária ao refocilamento das matérias do currículo colegial.

     De fato, nesse tempo do ensino austero, aprendia-se muito mais, sobretudo o que era de mais salutar para a vida do educando, no preciso átimo em que se tornava egresso com relação às lides estudantis. De quaisquer modos, formava-se uma base sólida, de modo geral, abrangendo todas as disciplinas, para que os neófitos adquirissem novas erudições, sobremaneira, sem quaisquer perplexidades, com o intuito de vencer a descomunal concorrência, totalmente desleal quanto à disputa de uma vaga em concurso público. Nestes dias de acrimônia expurgatória, as provas são elaboradas com o propósito de eliminar as pretensões dos candidatos. Se houver, por acaso, erro no primeiro quesito, as questões subsequentes vão sendo revogadas. O objetivo maior é o de refutar, na peroração, o que fora dito no pródromos; para tanto, com muita magia, vislumbra-se a ensancha de assimilação, que é a mais inexpugnável, para, em seguida, ir extirpando do texto as ideias perfunctoriais, não remanescendo sequer os labirintos das ideologias mais percucientes! ... 

                                           Wilson Cerveira

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O "ISSO" DO MOTORISTA BOÇAL

    O tempo não expunge as capciosas máculas de um facínora, malgrado a sua etiologia genética confute por completo todos os labéus desolados no meio da senda, remanescendo resquícios de uma memória sensitiva, intensificada pelos emaranhados existentes nas variegadas redes neuronais.
     Este diminuto pródromo faz reacender aquela manhã soturna do dia quatro de abril de mil novecentos e sessenta e oito, em que, desde as três horas da madrugada, a chuva recrudescia em borbotões intermitentes. Um lidimo alardeamento realçaria a exídria declarativa, desde que as pancadas de chuva ressoassem em ritmo de tambores – “taróis” e “surdos” – sendo reorquestrados pelo interlúdio das cornetas. Estas retumbâncias provinham de um prisco que não fremia em cabalísticos suspensórios. Pelo contrário, progredia sempre, sem óbices, até alcançar a cadência das agulhadas de chuva, sempre em harmônicos compassos.
     A estesia, quando ocorre ao longo da existência consumada, parece exigir a presença de maestros mais enérgicos capazes de enfatizar a importância sucessiva das inúmeras gotas d’água sobre os vitrais de janelas e portas; assim como, sem tartamudeios nas vidraças dos automóveis que iam, pouco a pouco, perpetrando a ablação dos filetes de H2O, amplamente aglutinados em meio ao vento frio que assopra a partir do pólo sul. A impressão especiosa surde, de modo subitâneo, enlevando as situações mais atrozes – através das quais – todos nós passamos; e, às vezes, despercebidamente.
     Em meio a inúmeras laminas d’água, eu e meu pai fizemos com que parasse junto a nós um automóvel. Não havia condições de chegar ao antigo “Colégio Maristas”. Logo que adentramos, as portas automaticamente foram sendo cerradas uma a uma. O que se via e ouvia era o chover a cântaros, como se estivéssemos a experimentar um dilúvio em menor proporção.
     Após várias desmanches, no estabetamento das postremeiras laminas d’água, o automóvel conseguiu estacionar no átrio do Colégio Maristas, nas apropinquações da marquise maior, a qual se projetava até o terço medial da alfombra rociada pela chuva e, também, abrangendo a madidez de brumas subsequentes.
      Antes que descêssemos do carro, meu pai já havia efetuado o pagamento da corrida – espaço compreendido na distância estabelecida entre a “Praça do Cemitério”, cognominada de “Praça da Saudade” até o prédio onde fora localizado o Maristas, isto é, no intermédio superior da própria Rua  Grande, antiga “Quinta do Barão” – sendo um dos mais espaçosos terrenos, estando localizado na área nobre da cidade de São Luís.
     Meu pai estava sentado na frente, ao lado do motorista, enquanto a minha pessoa estava situada na cadeira subsequente e posterior ao motorista. No ato de descer do móvel, perquiri ao condutor do veículo, sem maiores hesitações, como se abria isso – “objeto metálico” da porta. De repente, para estarrecimento nosso, o motorista boçal estrugiu, sem que desse o testemunho do que fora dito pelo adolescente: – Como se abre “isso”?, o motorista boçal não tartamudeara em exarar: “Isso não é palavra que se diga!..., mocinho”. Meu pai, com o objetivo de calar a ira do motorista, dissera-lhe: “O senhor deve ficar sabendo que o vocábulo pronunciado pelo meu filho, de modo altissonante, não passa de pronome demonstrativo neutro, sem que haja conotação diferente. Está longe de ser um impropério, um vilipêndio, um vitupério, ou algo que venha a suscetibilizar quaisquer criaturas, por mais que aparatem a estesia do átimo em apreço”.
     Decerto, o motorista estaria pronto para ceifar uma vida, caso houvesse contundência quanto ao hábito de estabelecer quaisquer controvérsias entre a frase inocente do jovem rapaz, e a protérvia prolatada pela desabridez de um motorista boçalíssimo.

                                             Wilson Cerveira

REALIDADE ESPECTRAL

     O sujeito diz uma determinada coisa a fazer, tal como: “marcaria presença”. No dia em que o evento fora indicado, o mesmo elemento palinodiou totalmente, e passou a asseverar: “não irei mais”. Ocorrera, de fato, a ausência. Momento algum tomou a iniciativa quanto ao ato de justificar-se, mesmo de modo embusteiro, engabelando a si próprio e ao outro – que ficou como sendo seu ouvinte!...
     O “X” pode avocar todas as datas, e na última hora, com um cinismo a toda prova, retratar tudo o que se dissera posteriormente, remarcando dia, hora e local. Insinua-se como se fosse capaz de perpetrar o feito. De repente, refuta e revoga a frase que escrevera ou pronunciara – como se não houvera dito: nem na mensagem de texto (acima rubricada), tampouco na mensagem de voz (estropiada de modo cabal), gerando, de maneira concomitante (estropícios e estrupidos).
     Jamais conseguira persuadir o “Y” (em constante estado de sujeito valetudinário enfermiço). As patologias respondiam a gravidade dos males acometedores. Reiterava as ações, sobremodo as maléficas e de amplo espectro deletério.
     Os pregões terapêuticos estavam direcionados à divulgação da droga, recentemente lançada pela “Indústria Farmacêutica”, ainda com a denominação de amostra grátis, o único exemplar infalível, pois se encontra em período de teste corroborativo.
     O elemento “Z” intercomunica-se com o elemento “K”, usando o seguinte pensamento externativo: “De onde falas, que quase não percebo o eco melancólico de tua voz!... Creio que tua boca ainda tenha lábios, para que possas me dizer, em cabal silencio da confissão abscôndita, o que ainda, omericamente pretendes me exarar em surdina, mesmo que eu tenha de me prosternar junto ao telúrico, numa apropinquação abrupta de todas as minhas sensórias coligidas!... Gentilmente, caso seja possível, desidero auscultar o retumbar da tua voz, quase em plena expunção!...”
     As circunstancias despauteriais do hodierno instigam a perquirição: “Estás doente? Tenho telefonado, e não tenho sido atendido. Educadamente aguardo resposta”. Para complementar: “Estou a estranhar a indelicadeza quanto ao ato de responder. Sempre o julguei bastante educado. Fico no aguardo de uma reflexão e uma resposta convincente. O amigo do hesterno, do hodierno e do crástino!...”
     Hoje, de modo estapafúrdio, não se responde mais nem as mensagens de aniversário. A culpa e a desculpa, ambas se restringem na superocupação, que é, também, um tipo de distúrbio obsessivo compulsivo. A pessoa, depois de algumas horas ou dias; ou meses, ou até mesmo ano; após ter visto a mensagem anterior relacionado ao natalício, resolve abrir a seguinte: “Pêsames pela tua desabridez, em decorrência de não teres respondido a mensagem natalícia. De fato, você degeneresceu, e não percebeu a tempo de tentar dissimular a sua demudação abrupta. Dificilmente, você terá o simulacro suficiente para redarguir o que está sendo arguido por possível reconhecimento em cartório – dizia reiteradamente o “Caburé”, apelido dado ao sujeito feio, desengonçado.
     Mui implexo, ouvir-se o seguinte: “Apesar de ter operado o olho esquerdo nesta manhã, não me esqueci da data do seu aniversário! Parabéns, felicidades. Se possível, aguardo acusação de recebimento”. O destinatário pode ser taciturno, ainda que não queira replicar de imediato o que fora reenviado para ele. Sendo assim, amigo não é aquela pessoa que faz alardeamento, mas a que você pode contar mesmo em cabal silencio. O amigo de hesterno, do hodierno e do sempre crástino. A aplicabilidade, de modo contundente, aflora na prostremeira e educacional requisição: “Donairosamente requesto redarguimento premente”.
     A pessoa recebe um telegrama indicando a requisição de um livro. De posse do documento, a criatura desloca-se até à casa do expedidor. Ao abrir-lhe à porta, em meio passo, sendo o esquerdo no encetamento do vestíbulo; enquanto o direito posicionava-se no centro da soleira, sendo guarnecido pelos umbrais laterais e superior. O telegrama ostentava cópia confirmatória. Deveras, simbolizava uma completa deferência, uma vez que o convidado não pudera comparecer ao evento, – para o qual fora convidado –, tendo por natureza basilar o prisma da trilogia centurial: amizade -> amor -> amizade. O abstruso antinômico e heteróclito, em que todos os casos é sobrevir para a adequação do plano de épura.
     A realidade espectral nestes cruentos dias hodiernos, onde as demudações são diárias está alicerçada numa palinódia constante. O ato de retratação passa a ocupar um local primaziado, visto que os dispositivos eletrônicos, sem falta de retorno, aciona-se uma artificialidade a toda prova de complementação.
     É menos doloroso ter a inequívoca presença, somatorizando todas as minudencias existentes, desde o ombro, parte integral da cintura escapular até a prostremeira sentença da missiva, na qual a criança, o adulto, o pré-senescente, e os demais senescentes – 1ª, 2ª, 3ª, 4ª e 5ª etc fases, isto é, sentem-se entre o telúrico, o libratório e o gravitacional.
     Nem mensagens de natividade são penhoradas; somente são respondidas quando palavras extremas vem complementar a protérvia: “Meus pêsames pela tua questão de assunção da terminologia: edudeseducacional em linhas que regulam a convergência, a divergência, o reversível e o irreversível, todos esses parâmetros em amplo espectro verificatório”!...
      Que realidade proterva nos agrilhoa por todos os lados; e, então, ficamos atônitos perante as criaturas. Deveras, as mensagens que evolam dessas bocas, sem lábios, não têm os mesmos caracteres de um pristino recente. Ostentam demudações abruptas incognoscíveis, independente do quadrante referencial a que se posicionam. Após sucessivas cominuições, umas partindo da direitura esquerda, enquanto outras surdem de uma vacuidade inelucidável. Não há como reconstituir essas efigies resseccionadas. A ablação de uma delas, por menor que fosse, não compensaria a outra – em dimensão alguma – ainda que a prostremeira remanescera em algum ponto abscôndito do prisma.
     Não haveria meios de identificá-las, mesmo estando em recintos herméticos, e tendo por perto a presença de testemunhas e testemunhos. Destarte, voltariam em átimos de um crástino recente. Sutilmente, expungiriam os estigmas expenditivos, não deixando sequer laivo capaz de preencher as imanes vacuidades existenciais vigentes.
     Ninguém assinaria o livro de ocorrência: diária, semanal, mensal, trimestral, semestral, anual. É um único compendio cuja divisão em partes, decerto, designará o sujeito ou o objeto, ambos em compasso harmônico, ou cizânico, sendo do tipo binário, terciário, quaternário etc.
     As fraudes são incontáveis em todas as páginas. Sofismas aduzem à vereda de muitas astúcias. Não há como contê-las, pois minam assustadoramente em âmbito semicerrado, e, desse modo, não proporcionando ensanchas ressumbratórias.

     Obliteram-se as sendas postas no crepúsculo ou no dilúculo, uma vez que as esfinges se proliferam em todos os sentidos e direções vetoriais.

                                          Wilson Cerveira

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

SILENCIOSA PRESENÇA ESFÍNGICA

     Levegildo, soçobrado em cabal tacitez, fora eximido de quaisquer estrupícios, frêmitos e mexericos – alarmantes ou não – desde o ínterim em que fora fecundado e gerado no terço médio das trompas de Falópio; e, adendando, para melhores dilucidamentos, durante a sua permanência de nove meses no interior do útero materno.
     Ao nascer, diferenciou-se das demais crianças, não emitindo vagido sob a forma de pranto. Depois, vinha sendo cercado pelas solicitudes maternas. Foi refocilado, quiçá, pelo choro coincidente de outra criança, nascida logo depois na casa contigua, que era a bisneta da senhora Florentina. Sabe-se, de antemão, que o ato de chorar é extremamente necessário durante o parto, já que é o basilar imprescindível para a abertura simultânea das massas pulmonares, representando uma oportunidade de desprendê-las ao nascer.
     Desde que nascera, tinha a santa paciência de esperara os horários das mamadas e dos mingaus, sem que emitisse um choro deblaterativo. Comportamento esse, totalmente diferente das demais crianças da maternidade. Aguardava também quando se encontrava com a fralda molhada de urina ou suja de excrementos. Por sinal, não incomodava as enfermeiras de plantão tampouco a senhora sua mãe e as respectivas babás.
     Durante o banho, com água quebrada da frieza, que é uma expressão muito usada pelas famílias interioranas, o recém-nascido Levegildo sorria um sorriso do tipo compassivo! Não batia as pernas e os pés no volume de água contida na banheira. Ao redor da bacia não deixava que se visse a vislumbração de alguns pingos d’água. O local em volta permanecia seco, não dando a demonstração da existência de ablução do corpo inteiro.
     Levegildo era uma criança saudável e providencial, pois não ocupava ninguém para que lhe pudesse calçar as meias, e, em seguida, enfiar-lhe os sapatos. As demais crianças do “Jardim de Infância” esperavam os providenciamentos das suas mucamas. A dependência de espera, assim como o círculo vicioso, ambos estavam formados, atendendo as demais crianças.
     O pequeno Levegildo não se fazia notar. Exibia sempre, em quaisquer locais que estivesse, a ad-rogação de uma fleugma impressionante. De fato, não era percebido em momento algum; tanto assim que pisava nas pontas dos pés, dando a falsa efígie de um detetive à cata de adendo de buscas informativas imprescindíveis. Cursou todo o “Curso Primário”, sem que desse algum trabalho para a sua professora. Aparatava versatilidade em todas as matérias, não deixando que suas notas ficassem abaixo de oito. Afeiçoava-se mais no interregno compreendido a partir de nove até dez. Fazia distinção tanto nas sabatinas intercaladas entre tabuada e verbos. Sobressaía sempre com louvor, ocupando o primeiro lugar com relação aos demais colegas. Todos os anos, sem exceção, recebia uma medalha de honra ao mérito.
     Aprazia-lhe como algo fulgurante tal condecoração, pois ressumava o grande esforço perpetrado durante todo o ano, abrangendo todas as matérias contidas no curriculum escolar vigente no final da década de sessenta do século XX, previamente determinado pela Secretaria de Estado da Educação.
     Não incomodava ninguém – nem a ele próprio! Quando tomava banho, forrava o banheiro com um tipo de fibra têxtil, que amortizava os pingos de água caídos sobre o piso do banheiro. Dava-nos a aparência penumbrosa da inexistência de qualquer criatura no interior do lavabo. Quando fazia as suas necessidades fisiológicas imprescindíveis, hermetizava-se completamente, não deixando ressudar o impacto das dejeções no fundo aquoso do sanitário. Para tanto, sentava-se na parte superior e circular do vaso, facilitando a descida silenciosa dos excretas através das paredes indinadas do aparelho adequado ao ato defecatório. As mercaptanas pareciam sair filtradas, sem acústica e sem odor. Obiciava serviços de má postura. Dessa maneira, assentava-se à beira do túmulo, e, por algum tempo respirava por ambos os lados das narinas.
     Os demais membros da nova Diretoria do Lítero, sem titubeação, devem prestar a devida atenção, já que não sofriam, aparentemente dos dois grandes males que assolam os dias de cruenta hodiernidade.
     Não admitiria escutar ruídos, zumbidos e quaisquer outros efeitos sonoros. Tinha-se por exemplo basilar em tudo que fazia com esmero. Eximia-se de quaisquer promiscuidades de seus estridentes, sobremodo os que não transmitem a vacuidade sentimental dos dislates proporcionados por aqueles que usam como defesa a palinódia, periodicamente transformada em caracteres degenerescentes.
     Onde estivesse – perto ou longe – Levegildo não causava nenhum, por acaso, tipo de estrépito. Quando se utilizava do aparelho mictorial, fazia-o de tal forma, que não se ouvia o jato de urina cair sobre o resto de água contido no fundo do vaso. De modo verossimilhante, deixava que a massa fecal resvalasse pelas inclinações do assento sanitário lentamente, até que chegasse ao fundo. Nada se percebia, e, com isso liberava a expressão produzida: “Não deixava marcas no fundo do vaso”.
     De quando em vez, vinha-lhe a nefasta nota fatídica. Um dos seus colegas de Primário, o João José, acabara de expirar fisicamente – “para nunca mais regressar sob a forma materializada”. No mundo das almas, decerto, não teria mais as preocupações reinantes. De fato, segundo Coelho Neto, “a eternidade é um oceano sem praias”. As novas almas soçobrariam pela imensidão do orbe espiritual. Sim, na vacuidade anímica não haveria apropinquações de grupos visando objetivos comuns. Contubérnios surdiriam em tempo prolatório. Nada mesmo se divagava, a não ser que fosse a voz cavernosa a eclodir entre os túmulos cerrados e semicerrados.
     Tudo o que realizava era com extrema solicitude, não remanescendo pegadas. Eles, alguns apenas, analisavam os estigmas labirínticos deixados na areia; enquanto o Levegildo não imprimia marca naquilo que realizava com acertado bom gosto.
     Não se sabia, ao certo, de quem eram os traços! Perdia uma boa parte do seu tempo, remodelando um calendário que se adaptasse as mais heteróclitas nuances.

                                             Wilson Cerveira

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

OS ÓBICES LABIRÍNTICOS DE UMA READAPTAÇÃO

     Readaptar-se é algo complexo em todos os sentidos, visto que o organismo contrai hábitos permanentes e de caráter irreversível, podendo tornar-se inveterado para todo o sempre, indo desde as remanescências peremptórias.
     O horário, – de compasso binário –, é registrado com precisão milimétrica. O tempo, armazenado no velho relógio de pêndulo, não podendo ser retroagido tampouco postergado. Muito implexa se tornaria a demudação abrupta dos vários costumes, não importando a sua natureza: positiva ou negativa.
     Leonildo, de fato, era britaníssimo em tudo o que fazia. Nada conseguia realizar de mal ou de bem, caso não atendesse aos reclames de sua atividade – prazerosa ou deletéria, independendo do grau nequicial, anteriormente imposto.
     Se educar em tempos hodiernos é um tipo de normativa abstrusa, o que, então, redundaria daqui a alguns anos as diretrizes provindas de uma vacuidade no âmbito cientifico. Destarte, as mais heteróclitas tecnologias teriam uma linguagem de vasta variabilidade diuturna. E, assim sendo, inusitadas aprendizagens surdiriam partindo de parâmetros aparatadores de vários eixos divergentes.
     E, assim, conhecimentos comutativos, numa série sem precedentes na história da humanidade seriam inumados no decorrer da imprevisibilidade de reações ressumadas por ciborgue, que, num cálculo de percuciente abstração, tivessem as devidas condições quanto ao simples ato de revelar as variegadas maneiras, posteriormente assumidas, em detrimento dos posicionamentos em desiguais planos de épura implantados pelas bizarras readaptações funcionais.
     Ninguém, nesse caso, estaria a ressumbrar esburnimento, já que, sem hesitações porvindouras, o elemento determinante estaria reconditado na idiossincrásica ação perpetrada pelo seu próprio ego, simbolizando as atinências dos seus atributos, pessoais e impessoais.
     Realmente, Leonildo, em sua insensatez abrupta, não conseguira manter as correções perpetradas, em face de estar em demudações estabelecidas por diversificadas ações e reações, com certo grau de antagonismo entre os seus contundentes pontos reptativos.
      De que modo, Dr. Levegildo Aroucha, no jubilar de suas funções de magistrado, ainda poderia manter no encetamento da senescência a tão difundida RPG (Reeducação Postural Global). Se além da protrusão do disco vertebral, e outros adendos, foi detectada uma artrose na região cervical! É proverbial ser uma anomalia degenerativa. E, a partir desse ponto nevrálgico, de complexidade corroborativa, jamais houvesse probabilidade para que se pudesse conseguir devolver ao organismo a flexibilidade indolor.
     As cartilagens, os ossos e as articulações vão sucumbindo, pouco a pouco, restringindo a capacidade geratriz de comando maior e de elevada condição de refocilamento. Teríamos, então, de comutar especificados trechos já combalidos pelas lancinâncias proporcionadas pelas vértebras em desalinho quanto ao basilar eixo ortogonal.
     Às vezes, sem percepção assertiva, podemos perlustrar microscopicamente um seriado de filetes nervosos coalescidos às raízes conectivas das interseções da coluna espinhal, decretando espondilites, que é a inflamação dorsal. A partir daí, evidencia-se uma percuciente excruciância, redundando, sob a condição de vários prismas, a ostentação pungitiva de sinestesias coligidas em direções e sentidos entrecruzados, não havendo necessidade de reencontro mantenedor.
     O ato de ficar em pé, por tempo delongativo, causa dor aporrinhante. Se o sujeito se mantiver sentado, ultrapassando a restrição do horário prolativo, haverá, também, os aguçados dolorosos sindrômicos paroxísticos provindos de diversas palindromias.
      E as reeducações posturais globais transformam-se em pesares irreversíveis, uma vez que, em tempos hodiernos, ainda não existe a transposição de trechos degenerativos, na condição de comutatividade, com o objetivo de acrisolamento perpetrado do decurso da trajetória, e, de modo concomitante, resipiscenciá-los sob a forma de ossificação dilatativa! ...

                                    Wilson Cerveira


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

DESCOMUNCOMUNICAÇÃO CABALÍSTICA

     Em dias hodiernos, está em voga, de modo generalizado, o não redarguimento do que se perquire ao interlocutor. Quem não recebe o arauto, dependendo do grau de edudeseducação (não abre; ou, quando ressumbra, faz apenas a leitura, somente do título, ou, então abrange através de uma leitura dinâmica o conteúdo, não o interpretando posteriormente). A incúria, juntamente com a aprosexia e abulia, esse trinômio, sem hesitação, proporcionará o desacionamento do tato, que é responsável pela grafia, assim como a plena eximição da oralidade. Destarte, surde o binômio: descomundescomunicação mais agrafismo, que é um tipo de etologia heteróclita, vivenciada, experimentada e sofrida por aqueles que fazem uso dos variegados modelos de mídia, nestes umbrosos dias do ingentil.
     Os aparatos cibernéticos ostentam diversos modos de pronunciamento, tais como: a implantação de um ciborgue, que substitui comutativamente o sujeito, dilucidando o seguinte: “recebi sua mensagem, obrigado pelo envio, ok, fico grato, terminei de ler seu arauto etc”.
     É a mania da superocupação, que é uma derivada psicopática de altíssima obsessão. O indivíduo sente-se sempre ocupado em quaisquer momentos, não importando a superlotação psicossomática da criatura. Talvez seja uma forma de absconditar os desideratos do ego, não partilhando com outros as necessidades de ocorrência ao parceiro. Insula-se em si mesmo, ressumbrando um elucubratismo ególatra.
     Há outras cavilações concernentes às tergiversações verificadas nas diferentes maneiras de procedimento. O sujeito, nestes dias de protervas farsas, não se deixa desembuçalar em atitudes de posicionamento. Nesse caso, prefere reconditar-se no arcabouço de vários aparatos. E, no final das contas, sem turbilhonamento, surde, de repente, a descomundescomunicação cabalística.
     O sujeito se submete a um estado de degeneração incognoscível, passando por numerosas demudações. Em determinados casos, pensa-se em interná-lo, pois todas as circunstâncias do seu organismo, – abrangendo todos os eixos plausíveis e implausíveis--, ostentam os devidos colimadores.
     Não se sabe ao certo, mesmo estando na era cibernética, qual seria o sujeito, dentre muitos, o que, de fato, se verossimilhasse ao ciborgue (tanto assim, sem hesitações posteriores, que o elemento da ação verbal prefere ressumar o fastígio da sua horrenda deseducação prodrômica). Caso você remeta para ele algo de importância coletiva, jamais conseguirá auferir as prerrogativas concernentes ao seu comportamento repleto de esdruxulias aberrantes e outras digressões espurcatórias!
     No final das contas, não se discernem as fontes e os causadores dos distúrbios heteróclitos. Os subterfúgios se proliferam em vários âmbitos, neutralizando as mínimas dissensões reinantes. O elemento premedita, de modo iníquo, reservar-se ante as inversões sensoriais ocorridas e presenciadas através das nequícias perpetradas diuturnamente.
     Pergunta-se, com certa procacidade, o seguinte: “você, quem diria, preferiu ad-rogar o binômio: comundescomunicação mais agrafismo?”. Essa inquirição é prolativa em seus vários quadrantes. Não se evaga a dimensão do transtorno que o obumbrou ao longo da tarde vazia, e o demudou cabalmente, obliterando seus sentimentos penumbrosos, remanescendo apenas as cominuições da extensibilidade soturna! ...
     Lúgubres são todos aqueles que retroagem ante as reptações de natureza estúrdia. Independem de diplomas e outros aparatos edudeseducacionais. São procazes inaprendizes de nascença, pois trouxeram consigo o estigma da irreverência e da salacidade!
       Lôbregas são todas as imagens que se personificam com o propósito tacanho de cercear os pensamentos, frases, sentenças, parágrafos e textos, restringindo-os em siglas obscuras, monogramas, digramas, trigramas, tetragramas, pentagramas. Esses vocábulos com cinco letras, os quais ultrapassam os modernicismos dos dias de decadência hodierna, desfulguram quaisquer perspectivas rutilantes! ... Não podemos expungir completamente os criptogramas, as linguagens ininteligíveis, expressas em símbolos secretos, muito dificilmente traduzidas.

     Geralmente, a tendência que aduz ao cabal da deseducação reinante, tem por abrangência os focos que induzem a pertinácia de um agrafismo forjado, que é uma das redundantes da expurgação de todos os minuciosos e implexos distúrbios mentais não mensuráveis com relação ao grau de plausibilidade ocorrente no orbe! ...

                                    Wilson Cerveira

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

MISTIFÓRIO SENSORIAL

     Os órgãos sensoriais dessinergizam-se desde o preencetamento; e, dessa forma, mitocondriam-se quanto ao modo da utilização de seus remanescentes quanta de energia. Estamos diante de um resfolegamento estertoroso; e, a partir desse ponto crudelíssimo, eclodem todos os helmintos, bactérias e fungos; produzindo, na ação deletéria dos seus parasitismos, a música assônica de um silêncio aniquilador imperceptível, situado nas apropinquações de uma área constituída por cominuições de esqueletos decompostos nas terras desertoras dos campos santos.
     Nos tempos de Antanho, apenas um dos ouvidos cumpria a missão de ouvir os velhos discos de vinil, com alguns arranhões vislumbrados nos centros angulares de umas obsoletas vitrolas adquiridas nos pródromos da segunda década do século XX.
     O ato de saciar-se não sofria nenhum tipo de cerceamento, desde que fossem cumpridos todos os desígnios traçados pelas veredas salutares das sinas premonitórias. Somente uma sensória seria capaz de atender a ausência das demais estruturas de comprovada estesia.
     Com a involução volitiva dos encalistrados tempos de sanha, lobrigam-se laivos sensitivos ainda não utilizados pelos sistemas ressonantes. Divulgam-se os extremos e os meios fechados em si, redundando em expressões equacionais, de total significância, cuja resultante corresponde ao zeramento das situações polêmicas mais acirradas.
     Hodiernamente, as imagens sobrepujam os pontos circunferenciais que delimitam a extensibilidade acústica. O som, mesmo isolado, não perde o hábito do reiteramento; enquanto a imagem, em seu máximo fulgor, vai se expungindo com o decorrer do tempo de sua visualização. Nem sempre impera a ordem do desfile. Às vezes, sem muitos tartamudeios, a efígie posta-se em meio ao nada, ficando aos poucos obliterada, mesmo estando no cerne atinente de uma cibernética reptativa quanto ao nível de recorrência existencial!
     O tato, também, busca recursos correlatos aos acompanhamentos sensoriais dos instrumentos a serem utilizados durante a orquestração da peça musical; dependendo, sobremaneira, da escolha adequada da partitura. Igualmente, vale ressaltar a tessitura (vocalização consoante ao timbre, melodia e pausas intervenientes...).
     O órgão do tato, de conformidade com o objeto musical, requer determinado grau de especialização. Sente-se a forma diferente e característica, no exatorial átimo, em que se apalpa cada artículo móvel encaixante, que faz parte da composição estrutural de cada instrumento. E, desse modo, formaliza-se o saxofone, ou flauta, ou clarinete, ou trompete, ou trombone..., tendo a assessoria do violoncelo, do violino, do piano, do harmônio, do órgão e demais aparelhos sonoros que compõem uma orquestra.
     O maestro, coluna vertebral de uma filarmônica, é o fulcro basilar e, concomitantemente, o fastígio mantenedor de toda uma sincronização sonora despertadora para um sequencial aparato!...
     Não há suspensório capaz de deter a recorrência de proliferantes meios sensórios. Para os dias de fragor intenso, reúnem-se as mais avançadas tecnologias. Os matizes ressumbram todas as luzes prismáticas e suas derivações, com adendos referentes aos diferenciais de potencialização calorifica. O ambiente torna-se tépido perante àqueles que o utilizam como instigador de novos sinergismos perfunctoriais de superfície e de profundidade.
     Ninguém atende aos restritos meios auditivos e visuais, mas também assimilam outros adendos que estão à cata constante da gustação, do tato e da olfação. Nesses ambientes, mais de que um manicômio em chamas, os tresloucados elementos se envolvem em nuances. Algumas são pré-elaboradas com todos os sinais premonitoriais sem alardeamento. E, logo em seguida, sem tardança, evolui-se a própria involução, – em sentido direcional positivo ou negativo --, dependendo das predações ocorrentes nos intercursos meândricos de inusitadas degenerescências, cujos recrudescimentos estão sendo partilhados, integralmente, em direitura ao estado decretado pela irreversibilidade sempre constante.


                                            Wilson Cerveira

terça-feira, 8 de setembro de 2015

MIXÓRDIA ACÚSTICA

     Os dantescos tamanhos das caixas de som amedrontam os espaços dos móveis menores, cabendo apenas nas gigantescas carrocerias dos grandes caminhões aparatando um seriado de pneus altos e de espessos calibres. O som é tão estentório em sua intensidade acústica, quase insuportável, que é ouvido no arrabalde inteiro, filtrando para os demais bairros que se localizam em suas circunvizinhanças. O mistifório gritante faz calar as vozes mais deblaterativas. Assim sendo, encerram-se todas as vociferações em uma única direitura inumatória. O próprio telúrico, de modo especioso, parece tripudiar em todos os sentidos e direções, num entrecruzamento de ecos, estampidos e estrugidos de natureza vária.
     Não se escuta a voz do cantor nem as buzinas dos carros entupigaitados nas ruas de difícil circulação, tampouco as colisões entre os automóveis, passageiros dos bancos da parte da frente e de trás, fora os transeuntes que cortam em diagonal as faixas estabelecedoras de parada, dando acesso ao deslocamento dos que atravessam no devido ínterim da estugação dos passos. Tudo ressumbra açodamento, indo da cabeça aos pés, e alterando por completo o funcionamento extrínseco e intrínseco dos demais sistemas orgânicos.
     O imbróglio acústico vai tomando as dimensões dos espaços por onde se passa, independentemente do nível – baixo ou alto do terreno, a blateração do estropiado som vai grassando obliterativamente, como se fosse o postremeiro átimo peremptório de todas as mixagens produzidas através de todos os meios de percussão. Não se sabe ao certo diferenciar os instrumentos tocados por grupos diferenciados, uma vez que a transgressão percutória expunge a identidade dos aparelhos que participam do impacto turbilhonado em variegadas posições, demandando inusitados ouvidos, com percepção ou sem condições de absorver e filtrar a descomunal carga acústica, chegando a incomodar até os que vivem da indiferença de pratos e porções alimentares representando a quantificação saciatória dos animais mais sensíveis, independentemente de suas racionalidades.
     Adendos relacionados ao volume, rotação, promiscuidades de batuques e ritmos, formando uma mixagem inextrincável. As coreografias metamorfoseiam-se devido as consequentes demudações dos dançantes. O pé direito sobe à altura do sincipúcio, ao passo que o esquerdo se contrai até o ponto de intersecção da patela, indo tocar na região central de cada um dos glúteos invertidos! A descomunal dissonância vai crescendo cada vez mais, chegando a um nível sonoro, de tão abstrusa complexidade, em que se desconhecem a letra e a música. O imbróglio ultrapassou ao limite estabelecido durante a execução dos instrumentos acionados para o evento, de natureza esfíngica, sem nominação correspondente.
     Os decibéis transgridem a plausibilidade do ouvido humano. Os surdos não percebem o grau de degenerescência acústica. O som é tão forte, insuportável para quem se apropinqua de sua fonte emissora. As caixas de receptação acústica trepidam como se quisessem ziguezaguear, promovendo uma estúrdia não presenciada nos pátios dos maiores manicômios do orbe.
     Conquanto não se saiba definir a letra antagônica e a música, ambas reproduzidas em aparelhos portadores de potências enigmáticas, provindas de estertores aberrantes, causando surdez em quem se aproxima de um deles, faltando a devida equivalência. Moucos serão todos aqueles que participaram da tresloucada mixórdia acústica implantada nestes dias de modismo psicodélico degenerescente!
     A esquipatia ascendeu muito nestes nossos dias de perturbação mental. Talvez, a maioria dos energúmenos busquem o ininteligível da promiscuidade sonora, demandando fórmulas abstracionais de tomar novos rumos quanto à direitura dos possíveis libratórios harmodesarmônicos; hoje, sendo lobrigados em todos os rincões do labirínticos orbes giratórios, sendo, nesse caso, imprevisíveis em todas as circunstâncias vitais vigentes.

     A dissonância, com certeza, tem sido um dos fatores de conivência. Joanderson, teve a má sina de ser vizinho, morando numa casa contígua a um clube de roqueiros, cabalmente deseducados, que aprovam com todas letras o “som altíssimo”, fazendo com que as próprias tábuas, tijolos e tetos trepidem perante a estridência de um eco ensurdecedor, ultrapassando todos os decibéis de tolerância auditiva.

                                    Wilson Cerveira

terça-feira, 1 de setembro de 2015

A DESEDUCAÇÃO REIVINDICA O BADALO DO ARAUTO

     Quantas vezes o badalo se fazia necessário, mesmo em casos extremistas, em que se expungia, temporariamente, a condição basilar manutentória dos princípios adquiridos no encetar da vida instrucional! O ato de badalar poderia surdir através de várias simbologias sinérgicas. Destarte, acionava-se o criptograma indicado, variando de conformidade com o número estipulado de vezes. Após, sem ínterins prolatórios, inoculava-se a mensagem, com ou sem atavios. De fato, esses exornamentos ficavam a critério de quem os utilizava, servindo, às vezes, para instigar o interlocutor, sobremodo quando lhe surgia uma hesitação abrupta, sem a lobrigação porvindoura de um possível interregno confabulatório!
     Lidar o delíquio redundante relacionado ao deseducacional das pessoas, quase em todas as profissões existentes, impetrando um interesse descomunal, de maneira grassante, que ficava situado nos meandros das numerosas apropinquações do zênite friotório.
     O badalo do arauto ressuda a deplorável ausência de comunicação em dias hodiernos!... Até você, caro leitor, encontraria óbices de manter um tipo heteróclito de indeterminada mídia, cuja cognominação ficaria por conta da aberrante comundescomunicação.”
      Incluindo o protervo ser, brutamontes criatura, encontraria estorvos sensoriais, aos quais se submetessem, sem exceção, a uma natureza formada por uma percuciente interação patológica entre o especialista e o paciente, cuja diferença consistia apenas na utilização do diploma, que o eximia de ficar ao lado do psicopata, fazendo-o companhia no próprio pátio do manicômio!
   
    O badalo regressa para ressumar o seguinte: “De onde falas, que quase não percebo o eco melancólico de tua voz! ... Creio que a tua boca ainda tenha lábios, para que possas me dizer, em cabal silêncio da confissão abscôndita, o que ainda, oniricamente, pretendes me exarar em surdina, mesmo que eu tenha de me prosternar junto ao telúrico, numa apropinquação abrupta de todas as minhas sensórias coligidas! ... Gentilmente, casos seja possível desidero auscultar o retumbar da tua voz, quase em plena expunção!...

     Hodiernamente, o arauto surde assim: “Caso você ainda me considere seu amigo, gostaria de proceder, de modo antinômico, perguntando, de maneira donairosa, como você está perante a descomunal turbulência do orbe?” Nesse caso, a resposta poderia não vir sob a forma gráfica, mas em plena oralidade do texto, desconsiderando o sinal de interrogação. Para suplementar a frase, incitando-a ao redarguimento, podemos lavrar mais o seguinte: “Obedecendo aos princípios da polidez e da etiqueta, desideraria o seu louçã argumento.”
     Decerto, tu ouves de modo diferente, conquanto tenhas pouca maneira para ressudar a sentença: “De modo desabrido, implodiste os e-mails que te enviei! Falta-te educação, e, também, concordo a ausência de personalidade, para requereres o mesmo arauto, servindo-te para uma autorreflexão proveitosa. Mandei-te duas mensagens em duplicata, e tu não tiveste a devida cautela para perquirir sobre o meu estado de saúde.
     Em presença de uma cabal deseducação, o deblaterar da mensagem sucumbe os laivos atinentes a uma probabilística ressonância. Em meio à soturnidade do arauto, quase em extinção, soçobrará os vestígios de uma lôbrega efígie esfíngica. Desse modo, lúgubres fisionomias se posicionam perante inúmeras obliterações comutativas.

      A deseducação é o itinerário que vai em direitura a todos os caminhos e descaminhos da vida em sociedade. Não temos meios de contê-la, já que é aprendida nos pródromos existenciais. Caso não tenhamos conseguido, já mais a teremos em tempo algum, independente do estado volitivo em tempos porvindouros!...

                             Wilson Cerveira

terça-feira, 18 de agosto de 2015

SUJEITO ESPETACULOSO

     Este tipo heteróclito de individuo introjeta, decerto, as suas recrudescentes psicopatias, projetando-as na imagem do outro, embora não seja capaz de identificá-las como sendo um arquétipo involutivo de uma anomalia, incisivamente, deletéria no que se refere ao basilar estigmatizante das idiossincrasias incrementadas por ele.
     A valetudinariedade varia de conformidade com a situação a que se lhe afigure, independente de quaisquer ritualidades ou fanatismos abruptos.
    À cata de adendos escandalizantes, a persona não-grata refaz a inversão hiperbólica da sua própria imagem. E, à guisa, ressumbrando o intrínseco cabalístico, aparatava os seus tachamentos em diversos pontos da controimagem; diga-se de passagem: do que se desideraria, com assertiva, perverter a essência real das ideias, sobrepujando a abrangência das acepções positivas, negativas, evolutivas, involutivas; ou, então, em estado degradatório, estabelecendo um padrão de suborno irresistível em todos os posicionamentos plausíveis ou implausíveis! ...
     O personagem espectral é promotor de numerosos escandalismos exacerbantes, e se omite quando surde a deblateração proclamante, abrangendo seixos e vórtices vesânicos!
     Com toda a extensão da prova cavilosa, o sujeito cabalístico vocifera, estentoricamente, dando a especiosa impressão de alguém, sem que se distinga o vulto, e que demanda inusitados átimos acrimoniosos. Destarte, buscam-se providências prementes – dentre tantas outras – de neófitas anomalias psicopáticas, absconditadas na visceralidade da persona em voga.
      Do seu intrínseco, surdem as imagens que ele execra com asco. Essas efígies nunca lhe causaram nem um dos males secretos cognoscíveis, se bem que as vislumbrava em estado prematuro, e, em que, nessas características comportamentais, estão sempre a colimar o mesmo ponto de uma determinada premonição vaticinadora ominosa.
     Se o Arnaldo Negreiros escuta várias marteladas no andar superior do prédio onde mora, presume ser um ardil aprestado pelo próprio síndico, – o tal Jeremias –, numa tentativa abstrusa e malévola de gerar deleteriedades em alguns apartamentos, sobremodo no andar em que estava localizado o apartamento – 908. De fato, o interlocutor da vacuidade era portador de muitas psicopatias esfíngicas!
     Deveras, esse esqueleto refuta qualquer ideia, por mais benéfica que seja, preferindo apelar para os esdruxulismos, sentenças ultrajantes e expressões desrespeitosas para com o idoso, como se ele, – o réprobo elemento capcioso, – não fosse jamais chegar aos umbrais da senescência.
     Ninguém, até os dias hodiernos, saberia, por mais solerte que fosse, ressudar com exação os desígnios de Deus, conquanto a fé no Criador, indubitavelmente, fosse capaz de remover penhascos e montanhas de todas as alturas, intermediando espaços e interregnos ínvios, adendando alcantilados e escarpas variegadas.
     Alguns o chamavam de Arnaldo, enquanto tantos outros, preferiam o seu sobrenome de Negreiros, e bem poucos, denominavam-no pelo prenome e sobrenome – Arnaldo Negreiros. É, então, de bom alvitre reminiscenciar que ele, o arguto sujeito espetaculoso, estava sempre à cata de recrudescimentos para as enigmáticas alegorias mirabolantes. Desideraria respaldo irrestrito para tudo o que lhe aflorasse da mente em estado conturbatório.
     Aliás, se houvesse certa redução de som, o defeito teria sido provocado por outro elemento que integralizava a componência da diretoria do condomínio cognominado pela expressão de – “Serra Negra”. Ninguém, nas três dimensões do tempo – hesterno, hodierno e crástino – preocupar-se-ia, com alguma melhoria do imóvel, e todos optariam pela depredação da estrutura de pedra – se bem que tenha o seguro e a garantia de escrituração de “compra e venda”, abrangendo ambos os documentos, e sendo encontrados, corroborativamente, em todos os cartórios de São Luís do Maranhão, como forma irrefutável de respaldo inconfutável!
     Os escandalismos faziam parte do seu etológico introvertido. Teria, de fato, de evagar uma construção onírica de uma bomba atômica em pensamento, arremessando múltiplos estardalhaços durante os seus delírios-alucinatórios – em vários setores nevrálgicos do Edifício “Serra Negra”.
      A complicação do Arnaldo e suas elucubrações e sandices transpunham todas as estremaduras do suportável. Seria, em caso de emergência premente, um sujeito apassivado ao largo da vacuidade que o assistia diuturnamente.
     De sua prodigiosa divagação, das mais percucientes de todas as que já foram analisadas, sobremaneira as que ressumbrariam o arquivo real do abstruso, obedecendo os compassos ditâmicos regimentais dos propulsores elementos taciturnos.


                              Wilson Cerveira

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O DESEDUCACIONAL ESTIGMATIZA O HODIERNO

     A entrada do aluno na escola dá-se, hodiernamente, aos dois anos de idade. Quais seriam as primeiras observações a fazer, já que o encetamento basilar tornar-se-ia prescindível em sua totalidade! ... Outros fatores de menor relevância, caso fossem necessários, fulgurariam de modo meteórico, mas não necessariamente!
     O protótipo recurso a ser utilizado constaria quanto ao hábito correto de sentar os alunos em suas respectivas cadeiras. Algo que, aparentemente, apresentar-se-ia repleto de estorvos. As crianças não saberiam – ao menos – permanecer sentadas por alguns minutos. Em princípio, exibir-se-iam efígies de estafetas, como paradigmas preceptoras. Depois de algum tempo de perlustração, essas crianças iriam assimilando as normativas do posicionamento escorreito do corpo em seu respectivo anteparo de assento.
     As professoras, as psicopedagogas, os mestres e os próprios diretores não  demonstravam a esses neófitos aprendizes um arquétipo salutar; tanto assim, que, ao redor da mesa principal, posta sobre um tablado de madeira, encontravam-se mal sentados, com o cóccix pendendo para a extremidade da cadeira, deixando um vazio entre as costas e o espaldar, a descrever uma curva que daria acesso à acomodação de objetos, tais como: bolsas de mão, valises e outros aparatos condutores de artefatos apropriados à viagem e deslocamentos de pequeno, médio e longo percurso.
     De que modo esses pseudo-educadores ostentariam cobranças corretivas de postura, porquanto demonstravam os caracteres atinentes ao deseducacional lobrigado sob a contundência estigmatizadora de um estereótipo hodierno, cabalmente estropiado em todos os sentidos e ações perpetradas diuturnamente.
     As falhas somatorizavam a cada instante, aparatando um seriado de defeitos contumazes; e, assim sendo, obiciavam os costumes morigerados absorvidos; alguns deles, desde os primeiros passos orientados sobre o telúrico, tendo por fulcro o basilar entre o gravitacional e o ponto de levitação acima referendado.
     As práticas seguintes só poderiam ser iniciadas, depois de reexames pormenorizados, sendo concernentes aos demais fatores que subsequenciariam os pré-existentes, demandando maiores denodos de acepilhamento ao longo da trajetória anteriormente descrita em seus minuciosos aspectos correlacionados ao ético.
     Em seguida, esses pequenos discentes aprenderiam as regras básicas referentes ao ato de como deglutir os alimentos, após terem exercido a prática correta da mastigação em tempo adequado. Proporcioná-la-ia de conformidade com a devida aceitação pelo organismo. A princípio, aprenderiam a separar com cautela quantidade que deve ser assimilada durante a digestão, deixando a remanescência alimentar para uma próxima refeição. E o pragmatismo do peso e o da medida certa, ambos seriam aferidos, a princípio, para que não houvesse sobejamento emético com relação ao metabolismo orgânico.
     Ensinar-lhes na própria escola encetadora o basilar imprescindível quanto ao manejo correto dos talheres, pratos, pires, guardanapos e demais apetrechos. Desse modo, facilitaria a mecânica correspondente à manipulação mantenedora das normativas atinentes ao binômio: polidez e etiqueta.
     Depois das refeições, buscar-se-iam os meios apropriados quanto ao desempenho correto da escova. Em tese, apresentar-se-lhes-iam a pasta, e como pegá-la, de modo escorreito, retirando somente a quantidade de dentifrício necessária para uma escovação anti-cárie dos dentes da arcada superior e inferior. Há surpresas que devem ser vistas em tempo certo, notadamente no colégio, para que os alunos não percam a vontade de fazê-las corretamente.                                                                                                     Os maus costumes vêm de casa, onde as pessoas mais idosas sentam incorretamente. Além do mais, não leem jornais, revistas, livros etc. Preocupam-se apenas com pregões sobrevindos através de fontes da mídia, as quais, nem sempre, são fidedignas. Substituem os aparatos de notoriedade pelos sites de notícias, que são hesitatórias informações internetizantes. As condutas são estropiadas pelo deseducional estigmatizador, afigurando um hodierno decadente – repleto de sarças ígneas!
     Imorigeradamente, irão ainda à cata de aprender os bons hábitos, conquanto o sistema atual não chegue a acompanhá-los em toda a sua extensão integralizatória.

        Lamentam-se as lacunas proporcionadas por uma mídia falaciosa, na qual o lídimo passará a ter caráter de embuste, já que não se sabe ao certo onde termina a ficção, propriamente dilucidada, e principia o que se denomina de realidade dolorosa, que está sendo vivida, experimentada e sofrida, mormente nestes dias de cabal carnificina! ...

                                  Wilson Cerveira

OMINOSO VATICÍNIO

     O enigma está no ato de ouvir o nome de quem se encontra ausente. Não se sabe até que ponto a ausência marca a presença. E este fator, com características realistas, tem seus estigmas impressos na memória, independendo do grau de perfeccionismo a que fora intentado, durante a captação do som emitido através da própria imagem concentrada em seus pensamentos reiterados de obsessão diuturna.
     Era, pontualmente, a hora do Ângelus, em que fora redita pelo monsenhor Florisberto, com certa pausa na pronúncia, a postremeira lista nominal dos falecidos, não importando sequer as características fenotípicas adquiridas no telúrico. Todos já haviam partido para estudar a geologia dos campos santos, com exceção daqueles que ainda ostentavam tendências ateístas.
     A senhora Diures, que morava nas contiguidades da casa do psiquiatra Egberto, fora a primeira a escutar dos lábios do pároco esta divulgação tristíssima. Em seus pensamentos – dissera ela – morreu o tão delicado profissional das ciências médicas, cognominado, carinhosamente, por uma expressão relevante: “o queridíssimo Egbertinho”.
     Houve uma paradoxia quanto ao ato de transmissão da macabra notícia. Quem morrera, de fato, fora dona Florisberta, a senhora mãe do doutor, que já vinha aparatando um certo mal secreto, devido a complicações de enfermidades prístinas e inerentes à sua faixa etária.
     Egberto, Clínico Geral e Psiquiatra, era o seu unigênito – o mais querido – arrimo de família. Um não poderia deixar o outro sozinho, mesmo que contrariasse o soneto de Júlio Salusse, intitulado: CISNES (Um dia um cisne morrerá por certo...)
     Dona Diures sorvia o hálito de rosas em cabal fenecimento. Vislumbrava, através de um delírio-alucinatório, um esquife, contendo em seu interior o corpo da Senhora Florisberta, a estimada mãe do dr. Egberto – superprotegido desde o nascimento até a fase de sazonalidade. Todos, mormente os moradores da casa onde habitava, chamavam-no de príncipe, aparatando os regalos de maior opulência.
     Dona Florisberta não era a pessoa que se afigurava no intercurso das ondas cerebrais da senhora Diures; o que, deveras, lhe vinha na exaustão do evagatório, em suas percuciências labirínticas, simbolizava a efígie do Egberto, coberta de luto da cabeça aos pés, estando localizada no interior do ataúde! ...
     Num heteroclitismo a toda prova, o médico estaria com os seus dias de vida contados. Dava a especiosa aparência de uma pena de morte, onde o verdugo, em sua soledade intrínseca, registrava o tempo na turbidez de um relógio abscôndito. Já se ouvia, de maneira falaciosa, o ranger estentório de quem morre, sem que se soubesse a destinação malograda de um velho marinheiro, perdido ao sabor das ondas tempestuosas de um mar bravio, cujas ondas desmoronam as descomunais vacuidades entre um escarcéu e outro, numa turbulência ascendente.
     A evagação causava insânias naquele presságio da efêmera momentaneidade. Exatorialmente, os dias estariam assinalados em tinta preta em todos os calendários. Realmente, Egberto pereceria no dia 3 de novembro de 2004, no exato dia em que a senhora sua mãe completara dois anos, tempo esse dedicado, segundo a Divina Providência, para o compulsar das anotações geológicas referentes aos campos santos.
     Os áugures saberiam exprimir a marcha destinatória, e, destarte, a ressumbração predispor-se-ia a uma direitura correlacionada ao evento nefasto. A ave de mau augúrio pousaria sobre a cumeeira da casa, numa indicação prévia de luto iminente. Sim, Dona Diures parecia adivinhar as minudências das sinas abruptas, no preciso átimo em que velas e marinheiros se expungem em mar aberto, no qual os vagalhões se obliteram, sutilmente, na soturnidade somatorial dos tempos priscos.
     Os sinos não dobraram com percuciente funebridade, apenas os badalos premoniciaram, com tristura estigmatizante, a próxima data fatídica, em que se celebrariam as exéquias do Dr. Egberto (à cata de adendos plausíveis, poder-se-ia exarar que ele, de fato, aparatava anomalias comportamentais recrudescentes! ...)
     Em determinada noite de 2004, resolvera participar de uma esbórnia, sendo acompanhado por diversos elementos de má índole. E, no decurso dessa curra, fora escorchado pelos réprobos comparsas.
     Dr. Egberto não previa jamais, por mais que o tempo fosse cruel e inexorável, que aquela estava sendo a sua postremeira noite na face do telúrico, ostentando ainda todo o arcabouço ósseo e demais órgãos e glândulas do sistema endócrino. Desideraria fruir por todos os poros e orifícios orgânicos. Felações e inoculações profundas é que não lhe faltavam. Cada sujeito far-lhe-ia um tipo de correspondência biunívoca – da mais prazerosa até a mais ciliciante de todas. Era uma lídima ablução de sêmen generalizante, não poupando tampouco as articulações dos membros superiores e inferiores.
     Os cinco facínoras estavam todos empunhando armas brancas, que foram postas nas ripas que sustentavam o substrato da cama, servindo de anteparo imprescindível com relação ao assento do colchão. As molas subiam e desciam, obedecendo a propulsão dos corpos submetidos a esfregaços revoluteantes, a fim de que resistissem notadamente a variância dos respectivos pesos atinentes aos seus glúteos e demais alardeamentos genitais, os quais exibiam paroxismos palindrômicos insaciatórios. Nesse caso, não existiam meios locupletórios cabais! Tanto assim, que, sem hesitações contundentes, as insânias fruitivas do regalo iam se proliferando incomensuravelmente.
     Os escroques extorquiam-lhe os cartões de crédito, os de saque, os de poupança, além dos dois automóveis seminovos, guardados na garagem do imenso quintal pertencente ao casarão antigo, que ainda ressumbrava um seriado de janelas com as dimensões correspondentes às vetustas portas de bacuri, portando trincas, argolas, aldrabas e demais apetrechos úteis. Em princípio, amarraram-no na cama, usando todos os tipos de grilhões, tanto para as mãos como para os pés; e, assim como, correntões de ferro de grosso calibre para o resto do corpo, empertigando-o de modo cerceatório, com probabilidades restritas e concernentes a uma respiração ofegante, ressumando um sindrômico exacerbante de uma iminente asfixia.
     Ninguém desideraria uma empatia verossimilhante. Jamais o sujeito resistiria descomunal lancinância, mesmo que todo o seu sangue fosse esvaído do organismo, obliterando quaisquer estesias, sobremaneira as que percorrem os meandros dos nervos, músculos, tecidos, órgãos e interligamentos entre os vários sistemas do organismo.
     De fato, o silêncio sepulcral das bocas, braços e pernas atadas; e, com a soturnidade horripilante da noite macabra, tendo ainda o hermetismo do ambiente, decretou-se definitivamente uma carnificina anatômica perpetrada na extensão do corpo do psiquiatra, o qual estava sendo acossado pelo mais cruel de todos os cilícios! ...
     Dr. Egberto não mereceria uma sina tão hedionda, repleta das mais percucientes barbáries. Naquele átimo fatídico, cada bandido ia exercendo as suas horrendas nequícias em vários pontos e regiões do soma. As armas brancas agiam, de modo feroz, como ocorre nos açougues, extirpando-lhes as vísceras, resseccionando as alças intestinais, abrangendo as ablações de órgãos e as exéreses completas dos demais sistemas.
     O conjunto anatômico do esqueleto ficou disperso pelos aposento da casa, comprovando um esquartejamento, com todos os requintes de malignidade estigmatizante, nunca dantes experimentados. A putrefação encetou a impregnar os ares internos e externos, não deixando margens para que houvesse uma respiração salubre – dentro dos limites do salutar!

     A vizinha se reuniu para pedir providências às repartições atreladas à Vigilância Sanitária. Os peritos do Instituto Médico Legal foram vocacionados até o local. A deterioração orgânica havia progredido além dos limites, obiciando um arquétipo de esquadrinhamento pormenorizado pelos médicos legistas. Não se sabia ao certo aferir as causas que induziram tamanha iniquidade. Deveras, sem perplexidade, houvera um latrocínio. Os aposentos estavam esvaziados de objetos e demais pertences, e, em lugar deles, existiam cominuições do seu próprio corpo, completamente mutilado, num estado de irreconhecimento cabal. Todas as identidades foram consumadas no término desses catorze dias de criminalidade abscôndita, na ausência absoluta de testemunhas e testemunhos.

                                  Wilson Cerveira