sexta-feira, 29 de março de 2013

O HODIERNISMO DO HOMO SAPIENS E SEUS ULULANTES TRANSTORNOS



     Quanto mais objetos de comunicação venham a ser ostentados em dias hodiernos, o espécime sapiente está se descomunicando cada vez mais. De antemão, vive a aparatar a crônica síndrome do espetáculo e do simulacro – sem precedentes na história da humanidade --, abrangendo todos os referenciais sensórios de maquinação!
     Em nossa desabrida hodiernidade, o sujeito homem se utiliza de ardis estrambóticos, sobremaneira no que concerne ao átimo em que manuseia os mais rebuscados aparatos tecnológicos. Surge, quase sempre, com dois ou mais celulares e vários chips. Realmente, é seduzido pelos vezos negativos, numa sintomatologia de espalhafatos sucessivos, sem as mínimas interrupções plausíveis.
      O Homo sapiens expunge o informante sob a condição de enxerimento. Deveras, o que está a ocorrer é uma prova geratriz oriunda de um percuciente distúrbio denominado aprosexia (desatenção mórbida), sobremodo para com o proferimento perpetrado. Então, no que se relaciona ao recrudescimento do quadro sindrômico, há também outro adendo cognominado abulia, que é a manifestação patológica referente a uma total ausência de vontade.
     As criaturas, em dias de sarças ígneas, preferem ad-rogar o infenso. Nesse caso, com exclusividade, estarão se submetendo á condição infanda de experimentar a sensação nefasta de ser expurgado abruptamente numa dessas madrugadas sinistras.
     De repente, embora o sistema telefônico seja incipiente para consignar o desatendimento – de quem necessita de redarguimento premente. Nesse caso, a omissão do remisso fica registrada em função do seu progressivo parâmetro deseducacional. Mesmo assim, ele não sufraga as circunstâncias de corroborar as suas próprias vesânias, prescindindo, de alguma forma, as diferentes anomalias ostentadas no decurso impiedoso da padecente existência!...
     Em princípio, o perquiridor esgueira-se diante das circunstâncias envolventes, desaparatando – de modo especioso – uma percuciente defecção, sem que houvesse quaisquer distinções sindrômicas..., e essas pessoas que passam por anamneses consecutivas, e cada vez mais se esquivam, e não se aprestam para nenhum tipo de acorrimento em caso de emergência, onde o escopo é salutar no que se trata ao ato de salvaguardamento de vidas que se esbroam vertiginosamente!
     De modo geral, esses indivíduos não conseguem manter a palavra, e, dessa maneira, não cumprem nunca com as responsabilidades estabelecidas nos ramerrões de serviço.
     Em determinados átimos enigmáticos, essas pessoas ressumbram o estado de sadomasoquismo, e somente se satisfazem quando tentam elucubrar a consternação sofrida pelo ser -- de fenótipo apropinquado -- em toda a sua grandeza física dimensional! E, destarte, após elucubrações metafísicas, exaram o seguinte pensamento: “No mundo hodierno, onde o homem passou a ser inumano, somente o lídimo sentimento de amizade poderia resgatar a imagem que lhe foi atribuída, mas que destoa do real ícone divino!”
     Este ser problematizante, com características híbridas, -- entre humano e inumano – aparenta ser do tipo enternecido e consternado, e ainda vislumbra vaticínios de mau agouro, sobretudo com relação ao escatológico da humanidade desertora em tempo crástino.
     Em antinomia abstrusa, exara a mesma sentença execrável, e, em contrapartida, termina perpetrando o mesmo erro que houvera condenado com rigor máximo!
     Decerto, esses transtornos são inerentes àquelas criaturas que deixam a ligação morrer em cabal apostasia, e, geralmente, reconditam, de modo ob-reptício, a ligação telefônica no escaninho, na gaveta, no sapato, na meia, no bolso, no guarda-roupa, no recôncavo da palma da mão semicerrada, ou até mesmo, em última hipótese, no intrínseco do conduto pertinente à greta do aparelho genitálico feminino...
      A deseducação do Homo sapiens, em dias de degradante hodiernidade, é tão exacerbante que chega ao postremeiro, demandando o fastígio quanto ao ato de deletar os mais criminosos arautos recebidos! Com certeza, o procedimento será o de acatar as mensagens recebidas através de vários e-mails remetidos ao longo salutar do ponto nevrálgico, em direitura ao sistema vetorial certificante. Assim sendo, caminha-se para o vetorial estigmatizante em todos os aspectos de relevante plausibilidade.
     O arquétipo, que é gerado a partir da especiosidade humainumana, ressuma, em sua taciturnidade estróina, pesadelos horripilantes, dilucidando meios esconsos – cuja descomunicação recrudesce, cada vez mais, tornando a efígie uma ínsula de percuciência egocêntrica.
      O dessentimento progride, aberrantemente, com a degenerescência avassaladora do Homo sapiens, que está a sucumbir a cada dia as suas reais características psicossomáticas, em detrimento de um sindrômico esfíngico e de implexa anamnese.
     As imanes anormalidades tendem ao limite de ultrapassar as estremaduras do transigível, redundando em baita cominação de etiologia abstrusa.
     O agente da ação infringidora se recolhe em seu falacioso buçal espectral. Após longo período de latência, egressa à sorrelfa como quem jugula os escolhos de uma senda de mau agouro!... E, de súbito, parece embair para si, sem tartamudeios, os vocacionamentos perseverantes de uma capciosa mídia eletrônica.
     O homúnculo, resultante de uma palinódia, regressa ao seu escalafobético cerne de pleno heteroclitismo, demandando inúmeros simulacros quanto aos possíveis estafermos utilizados sob forma de pseuda-visibilidade. De supetão, pensa-se, em estado de cabal delírio-alucinatório, estar perante um novíssimo “ser” – cognominado de tecnófilo. Em seguida, desembainha vários celulares contendo muitos chips coligidos. E, do interior de um bolsetão, o esqueleto humano (ainda constituído de células, tecidos, órgãos e sistemas) deixa vazar as presenças de revestimentos externos superiores dos seguintes arquétipos eletronizados: notebook, netbook, tablet, smartphone, iphone e demais aparatos do devir apocalíptico!
     Em verdade, esses ostentórios esdrúxulos são maquinações de vacuidades que se dispõem a servir como manobra de uma                                                              provável ressumação espectral, dando a impressão embuçalada do embusteirismo funcional. Mesmo assim, em função do filoneismo hiperbólico, preconiza-se a comutação de todos os aparelhos prístinos, tais como: gramofone, vitrola, eletrola, radiola, aparelho de som com discos de vinil!...                 

                                                   Wilson Cerveira



sexta-feira, 22 de março de 2013

O RETRATO INCÓLUME DO MEU AVÔ PATERNO -- UM PANEGÍRICO A SUA MEIA-CENTÚRIA DE TRESPASSAMENTO


    Quem é, de fato, esse homem – de terno de brim – e de estatura mediana, portando um petromax pendurado em sua mão esquerda, com o sincipúcio em plena calvície, e que assomava ao suporte de proteção da soleira da porta?!... Este homem, senhores, era o meu avô paterno: Marcial Ramalho Marques, que ostentava na cintura um revólver calibre-38 – de cano longo – da marca “Taurus” portando um tambor repleto de balas substitutas, para casos de extrema emergência; enquanto a sua mão direita mantinha, como desiderato idiossincrásico, a irretocável posição de soco!...
      A imagem que evoco é a mesma que ficou absconditada em meu subconsciente, desde janeiro de 1957, quando percebi primicialmente que estava diante do ícone inequívoco e lídimo do meu avô paterno, que me punha sobre o balcão, e, segurando em minhas mãos, passeava comigo devagar em direitura das extremidades, indo e voltando sucessivas vezes!
     O homem que vos falo é o mesmíssimo que, após colocar as trancas nas portas internas de sua casa de comércio, vinha para o lado externo, sem pestanejar, e com o devido escopo de experimentar – de baixo para cima --- todas as portas laterais e frontais – cerradas de modo hermético, sem deixar frinchas para réstias de luz reticencial!...
      Esta é a réplica legítima do senescente senhor, o qual comia frutos ou doces caseiros à meia-noite, para, em seguida, cochilar na cadeira preguiçosa do varandão, indo até as duas horas da madrugada, tempo em que ouvia a voz de Dadá: -- meu padrinho! – padrinho!... Não se esqueça de que está passando da hora do senhor se recolher em seu tradicional aposento de dormir, obedecendo a direitura horizontal do descanso do corpo inteiro!
     Três horas depois, pontualmente às cinco horas, ainda em pleno dilúculo, Dadá reitera o vocativo, agora na porta do quarto, lembrando-lhe que estava na hora de levantar. E, quebrando a resistência do estremunhamento, punha-se de pé no encostado da cama, junto ao candeeiro que se localizava sobre o banco alto, e que permanecia em estado bruxuleante por longo tempo de espera! Em seguida, buscava a cadeira de palhinha ao seu redor, para que pudesse enfiar as meias em ambos os pés. E, ainda, meio reclinado na lateral do guarda-roupa, empurrava, ritmicamente, as pernas meio grossas, e, destarte, facilitaria o acesso da calça até chegar ao nível circular do cinto. Postremeiramente, vestia a camisa de manga longa, colocando-a por dentro da calça. E, por final, no encerramento do ritual da indumentária, e, acrescendo um arremate aos demais aparatos, ele recobria-se, de modo cerimonioso, com o consagrado paletó de brim, exibindo uma cor cinza pronunciada!
      Às seis horas, sentado na cadeira-preguiçosa, estando situada na varanda interna da casa de morada, dirigia um longo olhar em direção à mesa, e, de modo simultâneo, lobrigava o vetusto abafador absconditando o bule. Então, sentava-se à mesa com o objetivo de degustar algumas torradas e pedaços de pão torrado. Tinha por vezo mergulhar cada fatia no próprio café preto, conservando-lhe as reais características do produto, tais como: cor, sabor e cheiro legítimos – segundo ele próprio afirmava em alto bom som.
     Às seis horas e trinta minutos, numa exação a toda prova, já estava posicionado na soleira da porta da rua, examinando as reais possibilidades de egressão, traçando uma direitura entre a casa residencial e a de comércio, esta última localizada no final da própria Rua das Mercês, onde residia desde o ano de 1934.
     Mesmo que houvesse bátega, o seu objetivo maior seria o de chegar ao comércio estugando os passos, e, consequentemente, deparar-se com as suas duas clientelas de espectadores: a real e a espectral, e ambas ansiavam por sua chegada, pois tinham como desiderato precípuo o atendimento sem dilação!
   Para o encetamento, confabularia com os assistentes espectrais – os mesmos que lhe causavam distúrbios de comportamento. Quem o visse naquele instante de percuciente demudação, pensaria, decerto, que ele fosse outra pessoa!... Sua voz era um lídimo grunhimento! Andava de um lado para outro, de modo estroinado, e, simultaneamente, ia batendo no balcão, aplicando verdadeiros carolos ao longo da madeira do empedernida, constituída de pau d’arco. Em determinado momento, sentia-se vilipendiado por uma assacadilha, e tentava desferir prjéteis na vacuidade negra que se lhe deparava, sobretudo no ínterim em que estava em cabal delírio-alucinatório. Infelizmente, esses fantasmas não podiam ser nutridos ao ribombar das balas!
   Neles, sem perplexidade, perlustrava a sua própria imagem, desde o ponto tangível no qual sofrera o excruciamento das protótipas cominuições do hecatômbico exício peremptório, ostentando os ares agressivos de quem estabelece uma direitura atitudicional.
   Durante o dia, sem hesitações cabíveis, demandava as exequibilidades dos rituais, que consequentemente eram ordenados em sequências predeterminadas, para que fossem cumpridas as diferentes etapas das disseminantes e variegadas comutações metamorfoseantes!
   As peças de fazenda se dispunham nas prateleiras obedecendo à combinação proporcional de cores – passando por todos os matizes – até chegar aos esbatimentos de progressividade plausível.
   As sacas de arroz, feijão, farinha e tantas outras, e sem maiores titubeações, ele as recolocava solicitamente umas sobre as outras, deixando que houvesse diferença entre as muitas superfícies de sobreposição. Era, de certo modo, uma análise combinatória bem acurada, para que pudesse vislumbrar a certa distância. Assim, enumerá-las-ia, precisamente, no que concernisse ao seu somatorial quantitativo.
   Após algum tempo dilatatório, recalcularia os demais dispositivos numéricos oferecidos pelos mais sofisticados observadores de reserva. Assim sendo, seria salutar demonstrar a capacidade de perpetração dos pequenos afazeres comerciais vigentes.
   Nas prateleiras posteriores, ainda conseguia armazenar nos desvãos os múltiplos documentos mercantis. Também, havia uma camada de interstício obicial, dificultando a localização dos títulos e demais documentos, a despeito de estarem numerados acuradamente, e com indicação literal variante.
   O seu almoço e jantar eram enviados em marmitas, uma vez que não misturava nenhum tipo de alimento nos recipientes. Comia-os no prato de louça, como se isolasse no interior do organismo as substâncias constituintes dos diferentes nutrientes, obedecendo ritualisticamente a sequência da complexa racionalidade degustatória.
     Depois, sem dilucidações convincentes, permanecia um bom tempo em pé, junto ao balcão, como se estivesse a cumprir uma penitência que lhe fora ordenada pela própria consciência.
     De fato, era todo militar no vestir, no comportar-se e em todas as resistências esboçadas. Testava os jejuns e as insônias prolongadas, digladiando-se em todos os sentidos e direções vetoriais. Sentia, no ar, o presságio de um clima de guerra súbito, como se as protótipas deflagrações estivessem em cabal iminência catastrófica!
     Os tempos são inexoráveis em todas as dimensões: hesterno, hodierno e crástino. Nada consegue resistir a ação deletéria do tempo. Ele varre com sua nequícia avassaladora todos os prístinos pertinentes a eras longínquas – desde as epigenesias inimagináveis!
     Ninguém consegue ser detentor do tempo! Ele exerce o excídio de quem ostenta o vaticínio de um tigre faminto, no exato átimo em que entra em contato direto com presa, não deixando como testemunho as remanescências do próprio esqueleto fragilizado!
     O coração do meu avô – Marcial Ramalho Marques – não suportou essa imane refrega, que é a própria vida, onde as hastas sofrem o roçagar impiedoso dos brandimentos diuturnos. E, na madrugada do dia 14 de março de 1963, inesperadamente, fora vítima de um infarto fulminante!...
     Deste homem impulsivo, mas generoso, ainda precato na intrinsidade da memória as postremeiras lembranças dos símbolos de natal e dos brinquedos de corda, sempre em triplicata, com os quais me presenteava todos os anos de minha infância inolvidável!

                                                Wilson Cerveira

sexta-feira, 15 de março de 2013

PSICOPATIAS VARIANTES E TRAUMÁTICAS


  Porventura, estejamos diante de traumas causados em função de acidentes variados; ou, então, distúrbios originados em detrimento de constrangimentos impostos por sujeitos facínoras, no exato átimo em que perpetram as mais periculosas ações malévolas?!...
   A refutação proporcionada pela omissão do volitivo e de pandorgas, que são músicas desafinadas e ruidosas, causando várias disfunções auditivas; enquanto o binomial, preteritamente descrito, definirá o grau desse tipo de psicopatia variante.
   Poluições ambientais, alterando a integridade da composição química do telúrico, e o uso indiscriminado de drogas potencializadas que conturbam o funcionamento homeostático dos neurônios, sobremodo os que formam os milhões de sinapses cerebrais.
   A insegurança dando sequência à intranquilidade mórbida e ao pavor (causados por assaltos, sequestros e torturas, que são orquestradas por armas de fogo de altíssimas detonações), redundando no transtorno denominado de neurose do medo.
   Destarte, constitui-se a companhia recrudescente das drogas, especialmente as de alto poder alucinógeno, coniventes – de primeiríssima ordem – no que concerne ao surgimento de inusitadas e heteróclitas psicopatias proliferantes, sendo inseridas nestes dias de urgente entorpecimento-- basilar e imprescindível--para com a sobrevivência do viciado crônico, que é o sujeito inveterado.
   Tem-se a necessidade de relutância, com o escopo de evitar a incorporação de um possível ambiente de terror, em que as criaturas experimentariam todas as sensações patológicas atinentes ao sindrômico decorrente do traumático, e com destinação direcionada ao incontrolável!...
     Dependendo do nível genético assentido pela agressividade grassante, o individuo propenderá a ressumbrar a possibilidade adquirida, ou fortuita, com relação ao ad-rogatório das mazelas psíquicas e, também, dos inóculos de altíssima periculosidade infensa.
   O homem, em sua inumanidade, carreia no intrínseco do seu genótipo – numa oscilação cabal – os genes mutantes, incapazes de preceptar as determinações das inusitadas e postremeiras psicopatias vigorantes.
   As psicopatias, em suas variâncias diuturnas, tendem a ser reestimuladas à medida que afloram ao convívio interno e externo, sobretudo as que estão em latência a partir de átimos procrastinantes!...
   De modo abrupto, o psicológico traumático se habilita em decretar o dimensional da lesividade causada por fatores de natureza infensa e infanda, simultaneamente.
   Urge, nesse caso, precatar-se contra a ação malévola da ad-rogação do êmulo réprobo, que ostenta a capacidade de decapitar a própria pessoa valhacoutadora, caso venha infringir o estabelecimento da dosagem especificada no tempo prisco.
   Há, contudo, matizes que ressumam a intensidade das psicopatias de etiologia traumática. De fato, tendem ao esbatimento proporcional de seus meandros intercalares, porquanto assumem implicações variegadas entre indivíduos hodiernistas; e, também, com relação aos mesmos ícones projetados em direção ao crástino.
   Existem clientes que desenvolvem, morbidamente, propendência a psicopatias etiológicas, sem importar as causas geratrizes, visto que estão absconditadas em raízes prístinas.
   Esses pacientes aparatam o vislumbre sintomatológico – de natureza menos recrudescente, e, tendo, por referencial basilístico, em caso antinômico, a própria representatividade patológica neuropsíquica.
   A prosexia, que é a falta de atenção, vem se desenvolvendo nas sociedades de consumo da aprendizagem em dias atuais, abrangendo pessoas nefelibatas (que vivem nas nuvens). Os nomes dessas criaturas somente são lembrados na hora da chamada. Vivem cabalmente absortas em suas evagações.
   A revista “Veja” publicada no primeiro lustro do decênio do século XXI, aparata um dado estupefato ocorrente nos Estados Unidos da América do Norte, onde um terço das crianças na faixa etária escolar – sem hesitação – tomava ritalina e outros remédios à base de metilfenidato.
   Segundo alguns estudiosos, esse vertiginoso aumento está relacionado à divulgação maciça dos conceitos neuropsiquiátricos de déficit de atenção e hiperatividade, normalmente reunidos na sigla TDAH.
   O medicamento à base de metilfenidato existe desde a década de 50, mas essa popularização aconteceu paralelamente à divulgação de tal transtorno na mídia e nas escolas.
   Hodiernamente, é prosaico a própria criança, com o desiderato de justificar alguma disfunção em seu organismo, exarar o seguinte: “Fiz isso porque tomo ritalina”, ou, então, “Fiz aquilo porque não tomei meu remédio”.
   Perante a polêmica médica, pais e educadores têm aparatado passividade descomunal, sufragando, de modo simultâneo, tanto os diagnósticos como as prescrições, sem que haja muito questionamento, obliterando muitas vezes as causas desencadeantes, e, desse modo, obiciando a depreensão da maioria dos casos de alunos irrequietos, ou até dos que não se concentram na aula, e que, também, ostentam a morbidez da abulia, empeçando a assimilação de inusitadas aprendizagens
   Os estados pachorrentos e acatatórios podem redundar no que cognominaríamos de drogadição outorgada ou assentida, pois o fármaco, ao se popularizar, acaba fugindo ao controle dos especialistas e até mesmo abrindo portas para outras drogas de maior potencialização detonatória.

                                             Wilson Cerveira

quinta-feira, 7 de março de 2013

INDISTINTAS PSICOPATIAS


      Há psicopatias não-rotuladas; tanto assim, não fazem parte do arrolamento dos múltiplos transtornos contidos nos manuais de diagnósticos psiquiátricos.
     Os indivíduos, em sua maioria, independendo da estratificação social, são mantidos fora dos manicômios, exercendo as suas mais excêntricas funções de natureza neuropsíquica, desde as mais simples até as mais complexas, aparatando um especioso aspecto de uma provável normalidade declinante.
     O fator sócio-econômico deblatera e contribui, decisivamente, para a descaracterização epigráfica desses distúrbios de pouca intensidade, em que não se sabe discernir o ponto de inserção entre o funcional e o disfuncional.
     A progressão etária outorga um permeio de liberalidade orgânica, cuja cadeia de reações encerra os mais contundentes reagentes e produtos resultantes, numa indicação vetorial de proporcionalidade corpórea.
     Também, a senescência progressiva corrobora no átimo de desidentificação do patológico, como sendo um meio para a expunção das mais esbatidas e indistintas psicopatias, cabalmente incorporadas no ramerrão de uma sociedade que, em pleno fastígio, sufraga e privilegia o círculo vicioso!
     A própria dramaturgia, aparatada em seus embuços de choro e riso compulsivos, simulacra as mais tresloucadas atitudes de desfaçatez – sobretudo as que são vivenciadas neste ramerrão existencial pertencente ao falacioso hodiernismo metamorfoseador, onde o sujeito sofre demudações ao longo das frações temporais – cônscio ou inconscientemente.
     As psicopatias indistintas, principalmente, não se encontram catalogadas nos canhenhos psiquiátricos. As manias, de menor ou de maior expressividade, abrangem as meticulosidades, os escrúpulos – de modo indubitável – e tendem estar inseridas nesse bojo cernial, numa visão que retrata a fuga constante com relação aos perigos que nos cercam, e sempre obsecrando o auxílio da Divina Providência.
     Nesses arquétipos indiferenciados de comportamento, detectam-se portas e janelas cerradas, ostentando gradeados de ferro, revestindo-as interna e externamente – numa tentativa válida de resguardo ao perigo iminente, com escopo de obiciá-lo drasticamente.
     Os espairecimentos liberados suscitam esses esquipáticos arquétipos etológicos, os quais se deixam incorporar na intrinsidade, ou perfunctorismo, conforme a adesão da etiquetagem social em voga. Para tanto, verifica-se – antes de qualquer análise priorística – os meandros multidirecionais, aparatados pelo seriado de ondismos e modismos existentes neste sistema de hodiernismo estropiador.
     O ópio futebolístico foi, paulatinamente, incorporado na recreatividade, devido ao seu grau de fanatismo avassalador, e, de modo concomitante, sendo aceito em todas as estratificações de grande massa populacional. De maneira indistinta, é moda viciosa e ondismo pernicioso, pois o jogo da pelota é praticado, em dias hodiernos, em todo o orbe, prescindindo de quaisquer estigmas sintomatológicos de imputação. Nesse tipo de “esporte das multidões” – vislumbra-se a tendência a atacar, a agredir. É uma energia geradora de força obstinante, sem que se pondere a existência das possíveis redundâncias negativas e devastadoras do pebolístico de maior preferência. Então, a agressividade será representada por um conjunto de manifestações reais ou fantasmáticas da pulsão de agressão, que é o simbolismo da pulsão de morte à serviço da pulsão sexual,que se pronuncia através da agressividade estabelecida grupalmente, envolvendo situações de força entre os preliantes da tão decantada pugna esportiva de todos os tempos!
     O tédio, no sentido de volúpia do aborrecimento, é considerado responsável por muitos dos nossos problemas -- de atitudes anti-sociais até ações autodestrutivas --, o misto de marasmo, sensação de vacuidade percuciente e desinteresse cabal pela vida. Tudo isto parece estar se tornando uma espécie de robe nos flagelados dias atuais.
     O ócio, vínculo proporcionador de todos os vícios, tem demonstrado ser o basilar referencial para as não empreitadas concorrências do mercado de trabalho!  
     Nas culturas orientais, recolhimento e introspecção não são considerados negativos, e sim vistos como parte importante do processo de conhecimento de si mesmo.
     A pornofonografia anda solta, em dias de hoje, já que não há censura que a proíba neste momento de eterna decrepitude das instituições sociais. Adentra em todos os ambientes de trabalho, ostentando um tipo heteróclito de cumprimento atualizado, mas sempre a demover suspeitas arbitrárias.
      A sexualidade, em sua essência imprescindível, arrebentou todas as amarras de coibição, invadindo todos os espaços disponíveis, independente de faixa etária, de tempo de exposição e locais apropriados para o ato de exibição contínua, em que os protagonistas são flagrados em cabal ginástica copulatória acrobática. Desse modo, as perversões sexuais tomam novos âmbitos de expansibilidade – como sendo palcos disponíveis para o átimo ressumbratório do que se denomina ainda de indiferenciados mecanismos de saciamento intransferível quanto ao usufruto da energia lascivial.
                                                 
                                             Wilson Cerveira 

PSICOPATIAS DIFERENCIADAS



   Poucas são as pessoas que reconhecem as suas próprias psicopatias. De fato, como tergiversação plausível, esses transtornos psíquicos aparatam entre si um sutil grau de diferenciação, dificultando, desse modo, as suas identidades psicopatológicas.
   Um olhar clínico de desfaçatez é capaz de ostentar a aparente capacidade de apontar a psicopatia existente na pessoa a qual não conhecemos. E, dessa maneira, verificar-se-á que a criatura não exerce a empatia concernente à contigüidade do sindrômico em comum.
   Ninguém concebe ser portador da mesma psicopatia; quer possuí-la de modo diferente, aparatando características peculiares, e com ostentação quanto ao ato de eximir maiores comprometimentos. E, sob o acalanto da xenofilia, buscam-nas na Europa, em continente afastado, não assentindo a presença do mesmo estereótipo, notadamente as anomalias que estejam reinando no território nacional.
   Os distúrbios psicossomáticos ressumbram estrugidas aversões, delatando determinados comportamentos esboçados por outrens. Ademais, as recrudescências das síndromes palindrômicas tipificam as implexas e diferenciadas psicopatias.
   Tendo por raiz basilar o compulsar; é, então, de salutar alvitre exarar as redundâncias proporcionadas pelas fortes emoções, sobretudo as que mascaram, com certa percuciência, as psicopatias diferenciadas – imprimindo-lhes especiosamente o esfíngico delírio capitólico.
   A força lascivial, ao assumir o cimo da insânia, apresenta a devida compelência de ressumar os balidos mais abstrusos!... Nesse átimo agônico, esses paroxismos passam a ser sufragados no âmbito da permissividade aparatada por uma sociedade em constante estado de metamorfismo degenerescente reversível!...
   Do intrínseco, sem arremedos, ressurgirão as imagens adormecidas, comutando, vagamente, as disfunções orgânicas das mentes rompantes quanto aos graus distintos de desvairo oculto.
   Em dias hodiernos, mais do que em tempos prístinos, as reações orgânicas responsivas estão atreladas ao intumescimento gradatório do míssil muscular eréctil, ladeado pelos grandes e pequenos lábios vulvares. E, então, as reações de vocacionamento só acontecem quando esses aparatos genitálicos chegam a exprobrar o zênite da concupiscência ignescente. A partir daí, restabelecem-se os diversos meios de comunicação, enquanto os sentimentos absconditados – em latência vernal – exumem-se em cabal rompância!...
     As psicopatias diferenciadas irmanam-se como se tentassem expugnar as defectividades. Nessa ensancha obscura, não se vislumbra a extensão da beleza que intermedeia o espaço tangível, assim como a distância que regula o intangível da aparente normoanormalidade.
    Também, podemos enunciar que a mais controversa é a síndrome psicótica atenuada, que é um conjunto de sinais que alguns pesquisadores acreditam preceder os delírios e alucinações que caracterizam o transtorno. O objetivo, em dias hodiernos, é diagnosticar jovens em situação de risco e, concomitantemente, fazer a profilaxia evolutiva da patologia – de natureza neuropsíquica. Assim sendo, é muito complexo definir se estamos, ou não, diante de um quadro sintomatológico que identifique, de modo coadunante, a possível disfunção especiosa!...
   É polêmico exarar que alguns críticos argumentam, no entanto, que dois terços das crianças que se qualificam nos critérios de risco não desenvolvam psicose. Mesmo assim, com diretrizes de anamneses inconvincentes, podem ser vítimas de drogas poderosas e tóxicas!...
   Afinal, cerca de 10% da população mundial, por vezes, ouve vozes ou passa por momentos nos quais predomina o pensamento mágico de forma intensa, sem que isso seja motivo maior de algum desconforto.
   Algumas psicopatias tomam de empréstimo outras denominações cientificas, embora o tratamento prossiga com a administração dos mesmos princípios ativos medicamentosos.
   Ainda há, também, outra forma atenuada de psicopatia: o transtorno psicótico compartilhado, que ocorre quando a pessoa desenvolve os mesmos delírios apresentados pelo cônjuge, parente ou amigo muito próximo com esquizofrenia.
   As psicopatias diferenciadas estão sob a regência dos enfoques observados nos “Manuais de Diagnósticos Psiquiátricos”. Ninguém, por mais experiente, tem se livrado dos agrilhoamentos palindrômicos proporcionados pelos mais heteróclitos distúrbios neuropsíquicos.
   Os paroxismos disfuncionais, em sua grande maioria, estão contidos, intrinsecamente, nas anomalias das sinapses neuronais. Destarte, é por demais a implexidade relativa, sobremodo no que concerne a localização dos pontos vulneráveis, servindo de referenciais basilares para possíveis detecções das anomalias neurológicas.
  Assim sendo, essas psicopatias rotulares ainda se prestam ao caráter de subqualificação, mesmo que tenham sido discernidas quanto ao grau de aparatamento disfuncional!...

                                  Wilson Cerveira