domingo, 23 de outubro de 2022

A DIVINA PROVIDÊNCIA

 

    Digo sempre e requesto, recrudescentemente, o seguinte: “Se não fosse a Divina Providencia, não estaria fazendo a perpendicular com o substrato”. Ademais, é de bom alvitre exarar os diferentes amparos e proteções que a mim tem sido proporcionados pelo Deus Pai, Deus Filho, Deus Espirito Santo. Para sequenciar e fortalecer a minha fé e gratidão, tenho tido a presença constante de Maria Santíssima, de São Benedito e de todos os meus fortíssimos Anjos da Guarda.

     Se eu fizer uma trajetória, abrangendo desde o meu nascimento até o presente átimo do meu viver, ficaria álacre e grato perante as potestades celestiais! Ajudai-me sempre – Senhor Jesus Cristo – aumentando a cada dia a minha fé em tudo o que preciso realizar. Deus é a força maior de todo o universo. É capaz de realizar quaisquer prodígios! Para o Pai Eterno – “Deus Todo Poderoso” – tudo é possível por mais complexo que possa parecer. Tenhamos essa convicção desde o encetamento educacional da fase de pueridade.

     O lídimo cristão está sempre pronto para perdoar! Sejamos como o sândalo que perfuma o machado que o fere. Assim sendo, estaremos a trilhar os caminhos de Deus. Carreguemos as nossas cruzes, independentemente do imane sacrifício que elas nos ofereçam no ramerrão existencial!...

     A Divina Providencia toma conta de nossas vidas em tudo aquilo que fazemos e pretendemos alcançar. Altaneira se torna em todas as dimensões, sentidos e direções que almejamos no decurso das atividades! Ela nos vocaciona, mostrando-nos os erros que, antecipadamente, nos querem atingir. Não deixa que sejamos prejudicados intencional e inintencionalmente pela falta de organização e observação das pessoas que trabalham em especificados setores do serviço público e em determinada repartição do Governo Municipal, Estadual, Federal etc.

     Devemos, eternamente, ser gratos a Deus pelo bem que recebemos da Santíssima Trindade: Deus Pai, Deus Filho, Deus Espirito Santo. De comum acordo, é salutar o exaramento: “Para Deus nada é impossível”. Ele consegue fazer com que o problema mais difícil, indubitavelmente, torne-se possível dentre todas as impossibilidades lobrigadas! Salve Deus da Misericórdia, em toda sua plenitude e potencialidade infinita.

     Na semana anterior, solicitei a minha filha – Gláucya – a verificação do meu processo de aposentadoria. Todas as vezes que ela se dirigia ao computador, surdia a mesma frase: “Está aguardando encaminhamento”. Propus-lhe que me levasse até a Secretaria da Educação. Lá chegando, esperamos ser atendidos pelo setor de protocolo. Em seguida fomos a SAGEP.

     Descemos as escadarias, e ao abrirmos a respectiva porta da seção, a senhora Jerusa mostrou-nos uma documentação escarcelada, constando o processo anterior, no qual eu ainda tinha 67 anos, e que havia sido indeferido.

     Deus fez com que vislumbrássemos, dentre um amontoado de processos, a letra ‘W’ de Wilson Cerveira Marques, em que fora localizado meu processo recente. Não caberia a mim nenhuma imputabilidade a respeito de algum outro prazo a ser obedecido. O processo foi encaminhado pela URE, após ser liberado pela advogada – Dra. Márcia Gomes.

     O erro maior da mencionada secretaria residia no não arquivamento do processo, o qual ainda se encontrava sobre a mesa. Educadamente, observei a funcionaria – Maria Jerusa, que, pelo amor de Deus, me ajudasse a dirimir aquela situação que fugia inteiramente de minha responsabilidade!

     O Divino Espirito Santo absorveu a minha prece com certa premência. De tal modo que a funcionária Maria Jerusa remeteu o processo deferido para outra seção protocolar, com o objetivo de sofrer remanejamento, porquanto já havia saído da URE, obedecendo os dois meses de prazo dado ao professor para que permaneça na escola que o havia acolhido anteriormente.

     Eu, que, em determinados casos, sou possuidor de uma certa timidez; não hesitei em trata-la muito bem, coligindo todas as regras de etiqueta e polidez. Em se tratando de processo, não podemos denegar que esses comportamentos e atitudes surpreendentes causam um certo grau evolutivo com relação a sua condução e despacho de uma seção a outra; e, assim, sucessivamente.

     A Divina Providência é a lídima fortificação de todo o orbe. As obsecrações dirigidas a ela com fé impertérrita, jamais serão obliteradas, visto que promanam do interior de cada ser humano. Devamos exarar o seguinte: “Que, por gratidão, a Divina Providencia alumbre nossos caminhos”. “Que nossas vidas sejam cheias ou repletas do Espirito Santo”.

     Paremos a cada instante do trinômio: vivencia, experiência e sofrência para agradecer a Santíssima Trindade: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espirito Santo. Também, temos os respaldos da Mãe Santíssima, de São Benedito, dos nossos fortíssimos anjos da guarda e de Todos os Santos.

     Realmente, não olvidemos quanto ao ato de rezar ou orar diuturnamente, para que as bênçãos venham em nossos sentidos e direções, lenindo-nos das percucientes tensões que nos causam vários transtornos no sistema nervoso, obnubilando as resoluções dos problemas que nos circundam no acrimonioso ou agruroso hodierno.

     É com muita gratidão que venho agradecer a Divina Providência pelo bem que tem proporcionado a minha singularíssima pessoa. Caso não fosse a interferência Divina, estaria a complicar as agruras ou acrimônias ocorrentes no ramerrão do hodierno existencial.

     Ajude-me Senhor Jesus Cristo; pois, tenho a premência quanto a resolução do processo que se encontra na tal Fazenda do Estado. Também, é salutar que tenha comprovantes no sistema computacional correlacionado ao tempo em que fora declinado os devidos valores pecuniários solicitados para despacho do que havia sido perquirido. Outrossim, Santíssima Mãe Celestial não podemos ser usurpados criminosamente. Com a ajuda concomitante de São Benedito, dos Anjos da Guarda e de Todos os Santos; jamais, em tempos algum, seremos abandonados!... E, com certeza, trata-se da venda da casa na qual residíamos a meia centúria aproximadamente.

     Igualmente, obsecro as vossas providencias – Meu Deus – quanto a agilização do meu processo de aposentadoria que foi remanejado da SAGEP para a SUMOF. Santa Maria, São Benedito, meus fortíssimos Anjos da Guarda, e, também Todos os Santos, peço-lhes a intercessão, para que não haja protraimentos!...

     Resolvi escrever este artigo com o título de – A DIVINA PROVIDÊNCIA, com o objetivo de fortificar celestialmente. Só as Graças de Deus têm o poder de desobstruir todos os impasses e impedimentos formulados pelos funcionários dessas Secretarias!...

     Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo – A Santíssima Trindade – dissolvei as amarras constituintes por aqueles que exercem suas funções nessas respectivas Secretarias da Fazenda e da Deseducação em termo cabal.

     As orações e preces são poderosas quando requeridas diretamente a Deus, Pai Celestial de todo o orbe. É imprescindível a Vossa Benção Celestial. O Vosso Poder é inigualável em todas as dimensões do Universo. Assim sendo, aguardo os vossos devidos providenciamentos mais prementes!

 

 

São Luís, MA, 22 de outubro de 2022

                                      Wilson Cerveira

 

IMPRUDÊNCIA CABAL

 

    Lituerto, tetraneto de Cabalino, gostava de contar as lições que recebera do seu tetravô, principalmente a que se relacionava a travessia das pessoas imprudentes, as quais faziam a devida transversal em cima dos cantos! Não refletiam o imane risco que corriam durante o transitar deseducado das diversas pessoas que dirigiam seus veículos nas ruas, virando os seus carros de uma só vez em vários becos e ruas transversais.

     Na época do seu tetravô Cabalino, o número de veículos que circundavam na cidade era bem menor, sem comparação. Tanto assim, que os acidentes automobilísticos não ocorriam no ramerrão das cidades, independentemente de outras alternativas. O fatídico era raro e difícil de ser executado num pragmatismo a toda prova de existência cabal.

     Uma centúria depois representa um interregno respeitável em todos os pontos referenciais. Ninguém, indubitavelmente, consegue governar o seu móvel com a mesma prudência pretérita. A deseducação recrudesceu de maneira descomunal! Também, o número de automóveis subiu de modo assustador. Em cada casa, em sua maioria, há o aparato de três ou quatro moveis. Não se sabe, ao certo, como foram adquiridos. Ilicitamente é quase que uma prova insofismável e contundente, uma vez, a curto prazo, isso se torna insuportável em virtude dos valores exorbitantes exibidos pelas diferentes marcas de veículos existentes nas mais diversificadas concessionárias de automotores!...

     As peças, separadamente, aparatam valores pecuniários avassaladores. Não há compensação que mereça libração, entre as partes automobilísticas. Sendo assim, não teríamos equilíbrio financeiro, a não ser que o móvel fosse de segunda ou terceira mão, indicando datas pristinas quanto ao marco aquisicional!

     Com o recrudescimento progressivo dos carros, as ruas foram obrigadas a ostentar mão dupla; e, dessa forma o perigo de colisão tornou-se a cada passo descomunal. A maioria das ruas eram estreitas por demais, e, os móveis passavam bem próximos uns aos outros, deixando uma margem de amarfanhamento a toda prova – durante a ida de alguns e a vinda de outros...

     As esquinas dos cantos constituíam-se um risco de paralisia ou morte, mormente a quem se arriscasse a atravessar bem em cima da linha de viração repentina. O motorista deseducado vira de uma só vez, não dando chance ao indivíduo imprudente!

     Ao passo que, em se tratando de um motorista cortês, não teríamos a menor hesitação quanto ao preceptor do automóvel cujo governante obedece as leis do transito em gênero, número e grau. O essencial é fazer uma paradinha antes de virar o carro! Dessa maneira, sem tartamudeios, estaríamos respeitando uma vida, e, evitando os imprevistos de última hora, os quais poderão levar o indivíduo ao estado de invalidez permanente ou morte irremediável sob todos os pontos nevrálgicos!

     Essa história de não atravessar em cima do canto de uma rua, indubitavelmente, foi se estendendo com o passar dos anos, décadas, centúrias etc...

     O tetravô Cabalino foi deixando que essa exortação fosse passando de pessoa para pessoa, no interior das próprias famílias. Os trinetos enveradavam essa imprudência cabal para os bisnetos, estes, decerto estenderam para os seus netos até chegar nos filhos mais velhos, partindo em direitura aos mais jovens, com faixa etária a partir dos seis anos!

     Temos a verdade cientifica, a de atropelamento notadamente nos cantos das ruas sem ladeira e com ladeira – impérvia, íngreme ou ínvia – até chegar ao patamar inferior e irregular do plano freático! Todavia, devemos prestar o máximo de atenção, visto que, sob o alumbramento da Divina Providencia, queremos preservar as nossas vidas e a dos outros, com respeito e espirito de elevada cristandade. Somente Jesus Cristo dar-nos-á uma educação cristã e lídima.

     Regressando ao verificar da verdade quanto ao âmbito cientifico, a apologia do hesterno pode ser diferente do apanágio hodierno; enquanto o encômio do crástino pode profligar toda a veracidade da tempos pristinos, priscos etc. No orbe cientifico, pode-se desmoronar no porvindouro o que se se acreditava ser verdade hodiernamente!...

     A analogia de verdades dispares aparatam somatoriais cabalmente divergentes em todos os pontos de vista, quer sejam plausíveis ou não. Tenhamos a convicção plena das realidades contundentes. Sendo assim, não haverá entreveros de curto, médio e grande alcance... Haja vista os paradigmas existentes nestes nossos dias hodiernos.

     Até o presente átimo, o ato de atravessar em cima dos cantos dos becos transversais, sem hesitação torna-se uma iminência cabal de um desastre que pode conduzir a duas destinações: paralisia e morte. É de bom alvitre evitar de quaisquer maneiras; pois, é um desrespeito irrestrito ao continuar da vida humana!

     As restrições existem em cada canto, mas, muitas vezes, não são respeitadas por ambos: motoristas e transeuntes. E a vida vai correndo o perigo de iminente morte trágica...

     Enquanto o automóvel ostentar quatro pneus, continuará dobrando em cima dos cantos dos diversos becos que tangenciam as várias ruas que se dispõem em série ao longo da trajetória. Dizem que toda verdade é comutável com relação ao tempo evolutivo tecnológico. Novas peças de acepilhamento vão tomando as engrenagens dos veículos mais rebuscados ou requintados. As acelerações e velocidades vão recrudescendo com os novíssimos tipos ou modelos automotivos.

     Em outros âmbitos do cognitivo, as veracidades ou lidimidades vão se modificando aos poucos com o decurso itinerário do tempo de renovação. Mas, em se tratando de carros, não se detecta vaticínio algum, por mais moderno tecnologicamente, que venha atrever-se ao metamorfoseamento das quatro rodas: duas anteriores e duas posteriores. Denotam-se leveza, rapidez, automatismos quanto à aceleração e ao freio. Nada mais de diferenças notáveis, tais como: altura, largura, estreiteza etc.

     Essa história de não atravessar em cima dos cantos dista desde o encetamento do mais rudimentar de todos os veículos de roda. Com o progresso tecnológico, os automóveis foram se aprimorando cada vez mais. Não há como frear, para que evitemos um desastre fatídico sobre a linha que margeia a parte superior de todos os cantos que incidem sobre as linhas de cada beco. Devemos nos precaver sempre, pois não existe outro vocativo para suster os riscos iminentes a cada dia que se passa e transpõe os becos transversais das ruas que compõem as grandes cidades!...

 

São Luís, 08/09/2022

Wilson Cerveira

O OPERÁRIO ATOR

 

    Quem seria o Nicolau em meio aos eventos ocorridos nos telhados dos sobrados, inclinados sobre as ruas históricas das pequenas cidades de Ouro Preto. As centúrias estigmatizam com seus briófitos, isto é, notadamente os musgos, que tomam as laterais de pedra, fazendo com que se apoiem os telhados intrincados de curvas, argamassas de cimento...

     Nicolau fazia malabarismos quando subia nos vértices do casario resvalador. Sabia andar em passos largos; e, às vezes, experimentava uma leve corrida com as sutilezas dos seus pés ainda dispostos para retirar as goteiras que surgiam, ocasionalmente, em função das pisadas espaçosas dos gatos sobre as telhas. Em cada andada, o gato levanta a telha, tirando-a da posição inicial, e fazendo com isso uma nova goteira.

     O pedreiro tirava goteiras como um ator que toca violino assentados numa cadeira, num palco principal de um teatro vetusto. O pedreiro Nicolau conseguia retirar as mais implexas goteiras dos telhados das casas vizinhas. Nenhum outro pedreiro obtinha o sucesso do Nicolau, nome que lhe era cognominado por todas as pessoas que residiam nas circunvizinhanças!

     De todos os pedreiros residentes nas discretas cidades de Ouro Preto, era o mais procurado com relação as goteiras bisonhas, as quais não seriam jamais retiradas por outra mão de pedreiro, a não ser as de Nicolau – o mais experiente – o mais gabaritado. Ostentava o trinômio: vivência, experiência e sofrência em todos os âmbitos vitais. Decerto, via-se livre das goteiras de intricamento maior; e, ao passo que as simples iam ficando para depois...

     As grandes chuvas de março e abril determinavam a eficiência máxima de Nicolau. Os demais não sabiam tirar as goteiras crônicas e de persistência avassaladora. Ninguém jamais poderia saber os pequenos afastamentos de telhas feitos pelos gatos nas madrugadas chuvosas.

     Chamava para si, outros pedreiros, a fim de que ele mesmo, com astúcia sorrateira perpetrava, logo que o dia recebesse a escuridão da noite. Vagas e mais vagas eram proliferadas com o decurso impiedoso do tempo! O tempo é impertérrito com relação a inoxidável vetustez!...

     Nicolau chamava os seus colegas pedreiros para que pudessem retirar as goteiras simples, as quais apresentavam afastamentos pequenos, médios e grandes. Os gatos iam pouco a pouco aumentando os seus números, independentemente de raça, idade e tantos outros fatores enigmáticos.

     Tão logo, Nicolau foi eleito Mestre de Obra, pois somente ele sabia indicar a posição correta e o número de goteiras simples localizadas nos vários casarios. Desta maneira, somente a sua consciência, após uma percuciente letargia... suspiros e mais suspiros no ranger contrincado dos vários afastamentos de telhas!...

     Realmente, o número de residências correspondia a um milhar de telhas. Nicolau, mestre de obras, aconselhou os pupilos que colocassem sempre cimento nos beirais das casas. Isto era um teste de proteção aos inopinados vendavais que ocorriam naquela região descampada da cidade de Belém do Pará.

     Se não fizessem deste modo, veriam as séries de telhas irem levantando uma após outra, despedaçando-se ao longe, pois voariam em diversas direções e sentidos! Os vetores dispersivos distribuir-se-iam quebrando outros telhados adjacentes aos que estavam em voga, não mais limitando o escancarado número de prejuízos consecutivos...

     Nicolau ensinava a todos os seus alunos operários uma maneira mais segura de como subir e andar com mais segurança, principalmente nos telhados de maior inclinação. O resvalo dar-se-ia em função do não adestramento dos pés sobre a ripagem protetora!

     O Tataramelo e o Rizoldo eram os mais eficientes dos pedreiros que trabalhavam em companhia do Mestre de Obra – Nicolau. Procuravam obedecê-lo ao máximo, seguindo todos as diretrizes traçadas. As pequenas e médias goteiras estavam sempre sendo solucionadas, ao passo que as grandes goteiras, indubitavelmente, requeriam as mãos do mais eficiente pedreiro – Nicolau dos Anjos Barbosa Filho.

     Nesse conglomerado de casas retelhadas de cima até em baixo, somente as peripécias de um excelente preceptor solucionaria as diversas avarias reiteradas em todos os invernos reinantes, nos quais a chuva e o vento em ritmo de vendaval. Dessa maneira, os prejuízos com telhados somariam uma avantajada pecúnia peremptória.

     Nicolau deixava sempre a noite cair sobre os inúmeros telhados posicionados em série, para que pudesse vislumbrar as falhas existentes em meio as telhas – usando uma potentíssima lupa agregada ao lado de uma gigante lanterna, portadora de uma luzerna em alto nível de lobrigação reinante!

     Somente o Mestre de Obra seria capaz de detectar as falhas existentes nos intervalos das conexões das telhas! Os demais operários não possuíam esses artifícios visuais usados apenas na escuridão tenebrosa existente nas diversas coberturas das casas dispostas em fileiras continuas. Não haveria entreveros propícios ao ato refutatório, já que as corroborações eram feitas pelas exídrias representadas por chuvas e pancadas recrudescentes de ventos consecutivos.

     Como sabia andar em telhados, não esperava pela luz solar. A luz artificial do objeto cognominado de lanterna de altíssima resolução – representava todas as possibilidades que ele auferia no desalinhar das telhas cujos afastamentos, decerto, não seriam deletérios aos moradores e seus utensílios. As goteiras molhariam apenas os assoalhos confeccionados pela madeira chamada de pau d’arco. Essa tessitura tornava-se resistente. A resiliência se fazia necessária com o passar do tempo invernoso dos anos subsequentes.

     O preceptor tornava-se cada vez mais eficiente. Sabia tirar as mais implexas goteiras; assim como, seria capaz de multiplicar pequenas goteiras, abrangendo ao somatorial das coberturas existentes.

     Certamente, o Nicolau fora abençoado pela Divina Providência. De fato, então, conseguira aprender um pouco. Tinha uma elucubração bastante aguçada. Ao ouvir os protótipos sons do violino, fora armazenando o que lhe chegava aos ouvidos sensitivos... De quando em quando, ia visitar um amigo; por sinal, violinista que alcançara o ápice quanto aos diversos toques executados com harmonia.

     Logo no encetamento deste relato, vinha sendo ressumbrada a mestria do operário – senhor de todos os toques – ao violino – seu instrumento musical de elevadíssima predileção. Sendo assim, fora tomando posicionamento expressivo por si mesmo – na escala musical do violino plangente!

     Numa dessas madrugadas de lua cheia e esplendorosa, resolvera subir até a cumeeira da casa centralizada, para com o violino executar as mais sentimentais melodias. Então as cordas do violino soltavam as mais deslumbrantes notas sonoras!...

     Os seus colegas pedreiros ficaram estarrecidos, quando presenciaram a descomunal habilidade do mestre de obra. Realmente era polivalente, e de uma versatilidade a toda prova regimental. Estava sendo provado – em diversas atividades – a sua competência inigualável – posicionamento impar referente a capacidade de exarar determinada tarefa no âmbito diversificatório.

     Os residentes tomavam a direitura de fazer-lhe muitos panegíricos, haja vista aquilo que aparatava de tão insólito. De fato, ele era perito naquilo que realizava primordialmente, aparatando uma destreza nunca dantes lobrigada!...

 

 

São Luís, MA, 24 de setembro de 2022

Wilson Cerveira

sábado, 10 de setembro de 2022

A SÍNDROME DA SUPEROCUPAÇÃO PSICOSSOMÁTICA II

 

      Francieldo, em tempo algum, nunca se sentira tão ocupado, como nestes recentes dias hodiernos! A sua superocupação abrangia por completo as dicotomias: psíquica e somática. Nem com a administração de medicamentos específicos – melhores indutores do sono – permanecia sendo excruciado por uma insônia crônica e irredutível.

     Herdara de ancestrais distantes, conforme a própria genealogia. Geneticamente, com maior apropinquação, recordara-se do seu avô, e, também, da senhora sua mãe, os quais enfrentaram esse estigma malévolo desde a idade de dezoito anos! O seu avô Marivaldo dormia apenas três horas em vinte quatro; enquanto a sua mãe – Anatércia – sem hesitação, acrescia apenas sessenta minutos.

     Reiterando, pode-se exarar que Francieldo recebera a mais atroz de todas as heranças orgânicas. O sono é um grande alimento, reconfortando o corpo quanto a reparação das energias perdidas no somatório inclemente com relação aos sequencial das horas diuturnas. Percorrera vários especialistas, mas, mesmo assim, continuava a padecer a excruciância, a lancinância e a pungência da vigília torturante. Também, auxiliava-se com o uso da maceração ou trituração de diversas folhas colhidas e cozidas pela sinhá dona Ubaldina, especialista em tais chás!

     Ela, também, entendia de benzimentos, notadamente usando os galhos folhosos de arruda, emergindo-os num copo d’água, e, consequentemente, borrifando-os da cabeça aos pés. Rezava, em seguida, confronte aos santuários ou oratório, requestando a paz celestial. Assim sendo, ia complementando os diversificados receituários que lhe eram repassados pelos mais gabaritados médicos do sistema nervoso.

     Elizeuda, Professora dos “Bons Tempos da Escola Normal”, martirizava-se perante a superocupação psicológica e corporal. Não deixava interregno mental para desagregar os inúmeros fundamentos das múltiplas disciplinas. De todos, sabia o suficiente para propugnar os óbices surdidos diariamente, neste ramerrão!

     Em determinada manhã – tácita e macambúzia – experimentara-se o superlotamento somático. Tanto assim, no sentido ocupacional pleno, escarcelas e livros ocupavam os vãos articulatórios superiores e inferiores dos seus membros. Se alguém tentasse vocacioná-la a uma certa distância, não conseguiria ouvi-la de modo algum... Saltitava na vertical, formando um plano cartesiano com o substrato.

     A senhora dos seus sessenta anos, indubitavelmente, aterrorizava todos os assistentes da sua singularíssima pessoa, e, também construía o famoso sistema vetorial – com sentido e direção, de conformidade com o referencial!

     Elizeuda seria, de fato, a representatividade máxima para os diferentes epígonos. Não compreendia a estigmatização temporal, abrangendo horas, minutos e segundos...

     As sensórias, de igual modo, podem se encontrar ocupadas também. A gustação com a salivação progressiva de uma pastilha, a visão a aparatar as gotas do colírio ‘Cristalin’; a olfação, de permeio com a aspiração de um descongestionante nasal, para lenir a hipertrofia dos cornetos nasais.

     A audição, bem tamponada de cerume, é obstaculada quanto a propagação sonora; ao passo que o tato em seu amplo sentido, sendo obiciado pelo ato de contactar com as superfícies rugosas e lisas. Caso houvesse alguma anomalia, o tato seria capaz de mitigar as alterações decorrentes dos diversos fluxos! 

     As criaturas, com raras ou raríssimas exceções, sentem-se muito ocupadas; e, com isso não atendem praticamente a ninguém, nem mesmo no momento da valetudinariedade! A cristandade dessas pessoas servem só para si mesmas, e, dessa maneira, adentram ao estado mais atroz, que é o egocentrismo!

     O ególatra é um lidimo e repugnável câncer social. Ele, o demônio deletério, portador do ‘eu exclusivo’, não se incomoda nem com os sofrimentos da senhora sua mãe. Tudo que lhe sai da boca diariamente representa um imane simulacro de uma farsa execrável. O egocentrismo deveria ser considerado um crime inafiançável em todos os quadrantes da vida em suspensão metafórica.

     Se alguém necessita de sangue para salvar a vida, ele nega com desfaçatez, embora o seu sangue seja inteiramente compatível. Prefere a morte do irmão. Ele só se importaria se fosse consigo mesmo. Caso contrário faz ouvido de mercador e ostenta uma indiferença insólita. Se a lei existisse de forma lícita, ele estaria atrás das grades, as descomunais ignomínias que perpetra todos os dias! O catastrófico sujeito é tão hecatômbico que expurga o remanescente alimento do prato, ao invés de dar aos animais sem dono, que enfrentam o drama da fome desesperadora...

     Em que pese ou não, ególatras não causaram mal algum às criaturas de Deus; eles, também, deixam muito a desejar quanto ao ato de serem prestativas para com os outros! Sempre mostram de uma forma ou de outra, que se encontram abarrotadas psicossomaticamente em todas as direções e sentidos pertencentes ao plano vetorial.

     As pessoas comportam-se de maneira mais heteróclita possível. Caso estejam sentadas à mesa; e sejam interrogadas por algum motivo; fazem um sinal com dedo colado à boca – dizendo que, no momento, não podem responder devido a porção de comida contida no orifício da mastigação. Para tudo, arruma-se um motivo para olvidar, e não redarguir a perquirição feita anteriormente!

     Se quiser exarar alguma coisa, antes de fechar a porta do sanitário, não consegue devido a micção prolongada. E, caso sinta, também, a vontade dejetória, a qual se delonga por tempo postergado. Então, a síndrome da superocupação torna-se insuportável em todos os sentidos e direções plausíveis.

     Fica-se estupefato perante tanta mirabolância ocorrida no decurso inexorável do tempo protraído. Doravante fica-se sabendo das impossibilidades de perpetrar determinadas prolações... O átimo, com certeza, é um enigma temporal, visto que suas necessidades ratificadas ou corroboradas por todos aqueles que desideram alcançar os diversos pontos volitivos.

     Há, também, pessoas que tomam dez ou mais remédios por dia. Não há horário suficiente para a manutenção da hipnose. Isto recrudesce ainda mais a superocupação em todos os plausíveis quadrantes vitais. Conheço casos de escrever as medicações, por ordem numa folha de papel; assim como, marcar toda a cronologia nos despertares do celular!

     Esses pacientes vêm mantendo essa metodologia através de décadas consecutivas. Não sentem mais o pesadelo do sono, pois despertam quase naturalmente, sem que se sintam estremunhados. Dessa forma, vão se deixando conduzir pelas extremas necessidades de fazer uso intermitente e somatorial dos medicamentos prescritos com o passar fugaz do tempo, abrangendo horas, minutos e segundos...

     Com o decorrer das consultas, passando por vários especialistas, remanescem o recrudescimento das dosagens mais a inclusão de novos medicamentos. Assim sendo, as superocupações vão sendo acrescidas vertiginosamente. Além os de via oral, têm-se os intramusculares, endovenosos e tópicos. Estes últimos, geralmente, estão inclusos os remédios cognominados cremes, pomadas etc.

     Todas essas drogas acham-se organizadas em cada espaço do armarinho e das estantes embutidas. Caso falte a luz inopinadamente, não será difícil de identifica-los por hierarquia, já que são lhes falta agrupamento, indicação para cada síndrome contumaz, com caráter reiterativo.

     Muito implexo é montar – em plena síndrome da superocupação psicossomática II – este quadro dilucidativo com relação ao etológico orgânico. A maioria não entende a importância de imane hierarquia medicamentosa! Saibais que a superioridade abrange a matemática dos elementos disciplinados e com educação de primeiríssima grandeza no âmbito cabal das variegadas sintomatologias!...

 

MÉDICOS, MEDECOS E MEDICUS

 

    Em dias hodiernos, devido a carência de tudo, pronunciam-se em descomunal proporção os Médicos, Medecos e Medecus. Geralmente, todos eles, quase sem exceção, deixam muito a desejar – tanto com relação ao conhecimento, quanto ao que se apregoa de conhecimento em polidez e etiqueta!

     A qualquer momento, podem errar por causa do fragilismo no âmbito cognitivo! Surdem efeitos indesejáveis, recaindo sobre aqueles mais carentes, e muito – sem dúvidas – não possuem conhecimento para avaliar os médicos, medecos e medecus.

     Esses sujeitos réprobos ostentam um título de hipócrita de médico, o qual é adquirido através de altas transações de dinheiro – nessas tais Faculdades Particulares – com anuência cabal do desonroso MEC – Ministério da Educação e Cultura.

     Há pais tão deseducados, abarganhados e cheios de benesses, que propõem a essas tais faculdades, uma altíssima quantia em dinheiro, para obter fraudulentamente um tal diploma de “Médico do Erro”, pois vai aumentar o número de mortos nos hospitais, principalmente os que estejam ligados ao SUS – Sistema Único de Saúde.

     Esses Médicos, Medecos e Medecus apresentam-se com uma fala delicada para absconditar a imane falta de conhecimento na tal “área médica”. Parece que estamos cominados pelos deseducados meios em voga nos cruentos dias hodiernos, cabalmente sobrecarregados dias de lacrimônias e agruras recrudescentes...

     Vamos deixar passar o tempo, e eles, que se consideram médicos, vão errando aqui e acolá, conduzindo o paciente à morte. Depois, dizem que era um caso sem jeito! Este fraudulento argumento é para reconditar as suas irresponsabilidades criminosas!

     Os médicos, medecos e medecus assenhoriam-se de quase tudo. Não respeitam a opinião do paciente, mesmo sabendo que o cliente é polímata, isto é, portador de instrução variada. Este, praticamente é o meu caso – o escritos que vos fala – Wilson Cerveira. Além disso, tenho idade suficiente para ser respeitado, segundo a Ouvidoria e a Defesa do Idoso, avaliando com cautela, discernimento e sensatez – conforme a queixa que fora relatada.

     Disse para quem me atendeu o seguinte: ‘Há oito anos submeti-me a uma cirurgia de varizes localizadas nos membros inferiores, e ostentava este mesmo número de plaquetas ou trombócitos: 78.000! Por que não posso fazer no presente momento uma postecotmia e uma hidrocelectomia, sabendo-se que são cirurgias de menor risco?’

     O Medeco não aceitou meu argumento, num desrespeito cabal com relação a minha singularíssima pessoa. Também, dissera que o anestesiologista não concordava. Eu precisaria de um laudo médico de um hematologista!...

     Desacreditou cabalmente na minha palavra. Eu passei a ser réu do Medeco. Deu-me alta, antes de providenciar quaisquer recursos. Até o presente átimo, arrependo-me de ter deixado o quarto do hospital. Uma vez que sou senescente – sendo amparado por lei – conforme o regimento da Defensoria Pública. Poderia ter levado dentro do próprio Hospital ao parecer da Ouvidoria, a qual atende a todos, independentemente dos anos de provectude.

     Outrossim, fiz referência ao saudoso médico Dr. Dario Itapary Nicolau, o qual aprovava essas 78.000 plaquetas. Ele me dizia assim: ‘Dr. Wilson, esse número de plaquetas não vai lhe prejudicar em nada’. Com desfaçatez, o medeco foi desabrido ou protervo quando dissera: ‘Mas ele já morreu...’. Imanou também as minhas palavras, as declinações que fizera sobre o meu estado de saúde...

     Desde o ano passado, venho lutando para realizar esta cirurgia. Outrossim, ano pretérito havia feito todos os exames, incluindo o risco cirúrgico. Tudo deu compatível. Fui ao Dr. Dario Itapary Nicolau, para que ele revisse as 78.000 plaquetas, ele me disse para fazer a cirurgia, que não iria ocorrer absolutamente nada, como acontecera com a cirurgia de varizes dos membros inferiores. O medeco do hospital não quis acreditar na minha palavra. É uma reptação desrespeitosa em gênero, número e grau.

     Ademais, quando estava pronto para fazer a cirurgia ano passado, fui surpreendido por um derrame! Com as graças de Deus me recuperei sem que houvesse grandes sequelas! Agora que já estava internado, fui destratado por um medeco, o qual me deu alta sem nem pensar duas vezes...

     Sobranceiramente, em dias hodiernos, faz-se uma abstrução completa para discernir as verossilhantes ululantes entre os três prismas! Não se consegue sensatez que equipare a figura do Médico, que é aquele que procura acertar a patologia agressiva. Os medecos e medecus são inconfiáveis em todos os aspectos implausíveis. Erram diuturnamente, transferindo as falhas ao próprio paciente, o qual já vinha, segundo ele, aparatando comorbidades avassaladoras.

     Ninguém confia nesses réprobos profissionais, cuja mediana cognitiva deixa muito a desejar, já que o fragilismo do conhecimento médico deixa um lacuna aberrante, incalculável e adimensional!

     Peçamos ao Senhor Jesus Cristo que nos exima desses péssimos profissionais, uma vez que queremos viver mais um pouco, orientados pelas graças de Maria Santíssima!

     Confiemos em Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Sendo assim, nos afastamos de todos os criminosos erros médicos nestes dias agrurosos e acrimoniosos do hodierno!...

 

 

 

 

 

 

 

São Luís, MA, 07 de setembro de 2022

                                                Wilson Cerveira

terça-feira, 30 de agosto de 2022

MEDECOS ESCROQUES

 

      A deseducação progride dia após dia, numa lidima desabridez e protérvia diuturnamente!... Hodiernamente, os medecos escroques assumem uma posição ímpar de iniquidade e nequicidade em todos os quadrantes vitais... No caso desses medecos, os quais se proliferam em todos os Estados e Países – ressumbram frágil conhecimento e cabal deseducação psicossomática.

   Há o medeco psicopata criminoso, chamado hipocritamente “anestesiologista”, que vinha sedando parturientes, aplicando-lhes altas doses de anestesia e realizava o seu instinto sexual abominável. Há o relato também do medeco da Bolívia que se dizia “cirurgião plástico”, que aleijava centenas de mulheres. Se era para realizar reparação do umbigo, o sacana fazia o deslocamento para o pescoço...

     E existia o Nerinildo. Casado com a senhora Francielda, costumava partir para a chácara, depois que ela se deslocasse da casa em direitura à trajetória que realizavam – desde o casarão onde moravam no centro da cidade de Belém do Pará, após percorrer cinco horas de deslocamento com uma velocidade de 100km/h.

     Em dias de domingo, Nerinildo, não parava para atender ninguém. Ele mudava de estrada. Para tanto, usava vidro fume bem escuro, além do seus óculos de lentes verdes! Esse sujeito era desalmado, perverso – no mais alto grau!...

     Outrossim, quando ele lobrigava um desastre, este tal medeco escroque acelerava ainda mais o carro, aumentando-lhe a velocidade; a fim de que não prestasse nenhum tipo de socorro às vítimas. Além de ter um conhecimento paupérrimo, aparatava uma deseducação catastrófica.

     A senhora mãe desse medeco nunca lhe deu nenhuma informação sobre polidez e etiqueta. Sujeito de caráter malévolo e de instrução péssima, a qual só servia para aniquilar a vida dos seus pretensos pacientes. De antemão, execro as atitudes hecatômbicas desse elemento medeco – também criminoso e de altíssima periculosidade abominável em todos os sentidos perquiridos.

     Apenas tomei um arquétipo dentre milhares de medecos escroques. Eles se acham dispersos no orbe, contaminando-o de nequícias ou iniquidades... Nerinildo, na casa dos cinquenta anos, tinha por esposa Francielda e duas filhas gêmeas univitelinas: Gertrudes e Gina, aparatando dez anos de vida.

     Nos dias de domingo e feriados, Francielda tomava o seu automóvel e partia primeiro, levando em sua companhia as filhas do casal – Gertrudes e Gina. Duas horas depois, Nerinildo em seu carro de luxo, ostentando vidro fumê bem escuro, além do seus óculos de lentes verde-escura, o escroque do tal medeco pisava no acelerador, recrudescendo a velocidade. Centenas de vezes deixou de socorrer muitas pessoas que morreram em virtude de horrendos acidentes via transito.

     O seu dia sinistro aparatava uma premonição fatídica e inelutável. Após chegar a sua bela chácara, recebera um telefonema nefasto. A voz – quase desconhecida – dilucidava o seguinte: ‘a sua mulher e suas duas filhas estão mortas aqui na calcada’ – com apropinquações à sarjeta, há mais de uma hora, visto que a ambulância da Prefeitura não está funcionando devido a problemas no motor.

     Quando Nerinildo chegou ao local, apanhou os corpos mortos, e os reconduziu ao necrotério para os respectivos exames cadavéricos a fim de que fossem liberados para o sepultamento no Cemitério Central da cidade de Belém do Pará. Um único ataúde albergava a mãe e as duas filhas gêmeas univitelinas. Ele pagava com a mesma moeda, a permissividade que vinha perpetrando no decurso impiedoso do tempo por agruras e acrimônias...

     Nerinildo, desgraçado humano, escolheu uma outra companheira – Laurinha, a qual reproduzia a mesmíssima rotina!... Dirigia o seu carro em direitura à chácara mais cedo, chegando duas horas antes do Nerinildo, iniquo médico ortopedista, porquanto não atendia acidentados em dias de domingo e feriados. Fazia com que não visse os acidentados estendidos nas calçadas que ladeavam o caminho...

     Nerinildo desideraria engravidar Laurinha. Após algum tempo, conseguiu o seu intento voluptuoso. Assim sendo teve um casal de filhos: Laurinéia e Lureto, ambos portadores da síndrome de Down. Teria, entretanto, que educá-los numa escola especial. Ela transformou-se, tornando-se mais humana e prestativa. A empatia é um santo remédio para aqueles que não se colocam nos lugares de tantos outros, carentes de maiores cuidados. Nesta ensancha a incúria tornou-se deletéria em gênero, número e grau!

     O Nerinildo, ortopedista impostor e altamente desumano, prosseguia da mesma maneira, como se nada tivesse ocorrido com o transcorrer efêmero do tempo ladeado! Esse “medeco escroque” era a representatividade máxima da desumanidade de caráter cabalmente execrável... Os filhos não representavam as anomalias! Dava-nos a falsa impressão que eram normoanormais de fato e de direito comprovados em todos os âmbitos da vida projetada!

     O tal medeco ortopedista criminoso prossegue no perpetrar da iniquidade. Domingo e feriados – em seu carro de luxo, continua a sua desídia quanto ao ato de não socorrer os mortos e paralíticos encontrados nas margens das calçadas.

     Nerinildo vai receber em comutação a incúria perpetrada nequicialmente! Não se sabe quase nada a respeito desse medeco deletério em todos os aspectos plausíveis. Mais uma vez, de modo inclemente, recebera um telefonema de um cliente seu, decerto exarando a morte de sua segunda mulher Laurinha e de ambos os filhos: Laurinéia e Lureto...

     Jesus Cristo, filho de Deus Pai, mostre-me quem é este monstrengo medeco de ferro, indiferente aos sofrimentos aleatórios e, também, os relacionados a sua própria família. Um baita de um ególatra deletério e execrável em todos os âmbitos vitais.

     Após trinta dias apenas, partia ao encontro da outra mulher, a qual faria parte integrante de um crástino fatídico. Não aprendia a lição – por ser de um egolatrismo obnóxio e amplamente abominável.

     Nerinildo, após um interregno de tempo, encontrou uma outra mulher – Nilenda, a qual, sem hesitação, também voltou a contrair matrimonio. O seu ex-marido Leopoldo morrera, vítima de um atropelamento, em cabal semana de núpcias! O volitivo do ortopedista era a manutenção da prole, uma vez que, sem exceção, todos pereceram de desastre, quando se encontravam quanto de suas respectivas matronas.

     Todos ególatras não importando a profissão, são metidos consigo mesmos, cabalmente ensimesmados! Se a senhora sua mãe encontra-se em companhia de um filho; e, se ele fraturar o pé, o sujeito ficará indiferente, já que o pé não foi dele.

     Assim, sucessivamente, vai desenvolvendo a sua psicopatia do egocentrismo. A recrudescência vai sendo cada vez mais percuciente... A sua rotina de medeco prosseguirá sempre a mesma. Mesmo na qualidade de medeco escroque, por tempo indeterminado, exercerá peremptoriamente os mesmos atos criminosos. A protótipa, antes do subsequente, é a de não prestar socorro às vítimas, visto que passou por todas as criaturas que jaziam ao longo das calçadas, formando o itinerário por onde trafegava em seu carro de luxo – notadamente aos domingos e feriados.

     Sempre a mesma senda: em direitura a sua chácara repleta da mais ostensiva pomposidade. Com a sua conduta espetaculosa e herege, fugia-se estugadamente de quaisquer probabilidades de caráter humanitário.

     Houve, em átimo fatídico, a sua horrenda morte, a qual fora proporcionada por um caminhão de carga – numa colisão frontal com seu carro de ampla opulência tecnológica. Perecera sem que pudesse receber nenhum tipo de socorro médico. O desastre automobilístico fatalizou o medeco Nerinildo, e fez com que seu automóvel remanescesse em fragmentos, uma vez que o choque frontal ocorrera em altíssima velocidade!...

 

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

ALVITRES DO MESTRE SERRÃO


     É de bom alvitre exarar a efígie do Mestre serrão desde os pródromos dos seus vinte e dois anos, tempo em que cursava Farmácia; e, aproveitando a ensancha viera a lecionar a disciplina Química no Ateneu Teixeira Mendes, cujo proprietário era o Solano Rodrigues, mestre em Ciências Exatas ou Matemática. Nesse comenos, ocupando um dos cômodos do internato, precisamente em 1934, encontrava-se meu pai – Walter Ricardo Guimarães Marques, estando, também, em companhia do seu primo de primeiro grau – Constantino, afilhado de batismo do meu avô – Marcial Ramalho Marques.

     De fato, a presença do Mestre Serrão era avassaladora em todos os aspectos plausíveis. Desde a mesa e a cadeira do professor; ambas ficavam atinadas sobre um estrado de madeira, um tanto alto em concernência a sua verticalidade. Os objetos em si, ressumbravam a superioridade do professor com relação aos diferentes níveis da turma. Assim sendo, o lente aparatava uma visão geral e mais nítida de cada discente.

     As turmas não ultrapassavam o número limite de no máximo trinta alunos em cada turma. Então, os diários de classe ostentavam devidos espaços, para que fossem registradas as explanações imprescindíveis nas respectivas linhas que, decerto, não ultrapassavam a metade da referida folha diarista.

     Em face do Mestre Serrão ser um polímata, que é aquele que apresenta instrução variada, não se podia olvidar de sua capacidade ou competência de promanar aspectos diversificadas sobre assuntos relacionados às demais disciplinas. Tanto assim, indubitavelmente, lia sempre quase todos os livros. Jamais, em tempo algum, era visto sem um desses livros!...

     A incipiência dos seus discípulos fazia com que não depreendessem o que ele desideraria exarar com o seu vasto conhecimento sobre todas as matérias que compunham o “Curriculum escolar”, sobremodo no encetamento do decênio dos anos de 1930 a 1940. Nesse interregno, com certeza, cobravam-se dos alunos, com rigor, as lições atinentes, as quais são requisitadas, diariamente, nos bancos escolares!... Caso contrário, vinham os respectivos castigos.

     Ei-los, então, sob forma de indisciplinado ou desobediente punha-se de pé, voltado em direitura à parede, com o livro aberto e segurado por ambas as mãos – estando em posição de sentido – no ponto máximo – onde as pernas ficam, cabalmente, coladas uma a outra, não deixando atravessar, sequer uma réstia de luz. O tempo de duração do castigo correspondia a aprendizagem total das páginas designadas conforme o capitulo da lição enumerada.

     Mestre serrão, após longa ensancham deixou de ministrar aula. Esse tempo, sem outra alternativa, correspondia ao termino da Segunda Guerra Mundial. Dessa maneira, viajaria para o Rio de Janeiro – com a finalidade de submeter-se ao vestibular para o Curso de Medicina. Após duas fracassadas intervenções consecutivas, lograra êxito pela terceira vez.

     A sua irmã – dona Maria José, também professora, ficara álacre com o resultado obtido pelo seu querido irmão – Mestre Serrão. Dessa maneira, ele lhe fizera uma missiva – tomando para si todas as responsabilidades quanto a sua manutenção no Estado do Rio de Janeiro. Então, mandar-lhe-ia a pecúnia necessária para as suas diversificadas despesas ou dispêndios, abrangendo todos os itens – da alimentação, roupas, calçados e livros!...

     Das pessoas pertencentes à família, tinha pela sua irmã – Mestre Maria José – uma deferência toda especial – digna de ser escriturada em livros. Caso não fosse essa irmã querida, não teria a mínima condição financeira de manter-se num pensionato simples, acrescendo os demais dispêndios. Reparando bem, sem hesitação, quatro salários mínimos ainda era insuficiente para tantas despesas!..., uma vez que estava na Cidade Maravilhosa – Rio de Janeiro.

     Após a conclusão do Curso de Medicina, submeteu-se a uma residência cuja duração estaria estipulada para o prazo correspondente a dois anos. Dessa maneira, permaneceria no RJ por mais dois anos consecutivos. Os diferentes dispêndios foram sendo acrescidos cada vez mais – ultrapassando – decerto quatro salários mínimos!...

     É bíblico em toda a sua dimensão religiosa, pois estava retirando das próprias necessidades basilares de sobrevivência, enfrentadas pela Professora de Ciências – dona Maria José – nesta cidade de São Luís – MA, que é tal qual uma Jerusalém, que há muito, vem apedrejando os seus mais gabaritados profetas!...

     Dessa maneira, sem maiores procrastinações, haveria de regredir a São Luís – no final do ano de mil novecentos e cinquenta e três, precisamente, sem quaisquer perplexidades imaginéticas! E, com as graças do generosíssimo Deus, voltou à casa de sua irmã, localizada na Praça da Alegria, confronte ao “Jardim de Infância”.

     A Deus e a ela, o Mestre Serrão teria que agradecer eternamente tudo o que conseguira, uma vez que a sua estada no Rio de Janeiro correspondera um pouco mais de oito anos. A sua manutenção fora um fardo pesado, visto que os dispêndios com livros ultrapassavam o limite basilar de uma compra plausível!

     Ao retornar definitivamente à cidade de São Luís – MA, Dr. Serrão implantara um consultório provisório, que durara em torno de dois decênios. O seu ideal, decerto, ostentava amplitude maior – descortinando horizontes nosocomiais. Seria, uma ajuda de Jesus Cristo, Diretor do famoso Hospital Geral. Lá, sim, comandaria os demais médicos e acadêmicos de Medicina; e, também, prescreveria uma ou outra consulta, caso fosse de premência, isto é, uma internação – por breve ou longo prazo.

     Lá mesmo no dito Hospital Geral ministrava aulas de Ética Médica, e, concomitantemente revisava os ensinamentos de Farmacologia e Anestesiologia. Realmente, e com toda comprovância, era um polímata dos mais aclamados!

     Mestre Serrão exacerbava-se com a desfaçatez de alguns alunos! Para tanto, desde a mocidade prevenia-se usando no bolso interno do paletó uma bereta alemã... Outrossim, fiava-se nela, sobremaneira ao lobrigar a sinistra possibilidade de uma tal discente – tipo touro dissimulado – com uma massa muscular avantajada no tórax, estendendo-se simultaneamente no braço, abrangendo bíceps e tríceps. Dessa forma, o sujeito poderia a qualquer átimo, partira de onde estivesse em direção ao Mestre Serrão, com a finalidade soqueá-lo abruptamente...

     Se esse valentão se arrogasse, aparatando tal atitude cretina, proteger-se-ia usando as balas contidas na bereta, para furar-lhe a musculatura enfurecida! Seria, então, um ato de conter a fúria exasperadora de um acadêmico cretino, e sem a mínima educação, pois, jamais, seria adquirida em tempo algum!...

     No encetamento da década de mil novecentos e sessenta, o Mestre Serrão fora, com justa causa, um dos “Fundadores” da FUM (Fundação Universidade do Maranhão). Outrossim, não seria qualquer outro tipo de irrelevância que o expurgava da diretriz regente do Corpo desta Universidade Federal do Maranhão.

     Sobremodo, para melhores dilucidamento, os anos básicos funcionariam no “Campos do Bacanga”. Ei-los: 1º, 2º, 3º e 4º períodos – de todos os cursos – sem que houvesse – sequer nenhuma prerrogativa de ordem extracurricular.

     Malgrado os anos decorridos, lembra-me bem daquela tarde, onde, fortuitamente, um burro adentrou ao pátio do Hospital Geral. Nesse interim, todos os seus alunos se encontravam no local, e, incontinenti, pediram-lhe que mandasse o vigilante retirar dali aquele animal!... Prematuramente, a solicitação não fora acatada pelo Mestre Serrão. De fato, ele era portador de uma opinião paradoxal em gênero, número e grau. Enquanto os discentes relutassem, não mandaria – de hipótese alguma – expulsar o burro, devidamente alojado no postremeiro compartimento do nosocômio!...

     Ao anoitecer – num retângulo de papelão – amarrado em um cordão escrevera com letras graúdas: “Sou acadêmico de Medicina”, o qual pusera no pescoço do burro. Assim sendo, no dia seguinte, a turma se deparou com estes ultrajantes dizeres! Alguns se revoltaram perante o que viram, porém, não havia outro jeito... Com a continuidade do tempo decorrido os discípulos foram obliterando aos poucos!...

     Quando ninguém mais dizia absolutamente nada!..., o Mestre Serrão requestou ao vigilante Luizão, com certa prestimosidade, que soltasse o animal da corda, e o deixasse sair pela mesma porta em que houvera adentrado ao referido “Hospital Geral”. E, sobretudo, tantas outras peripécias foram se sucedendo no mencionado nosocômio, tendo por Diretor – o Mestre Serrão.

     O Mestre Serrão, também, fora – indiscutivelmente – preceptor do Escritor que vos fala nesta ensancha ou comenos: Wilson Cerveira Marques, quando ministrara aulas de Farmacologia na antiga Faculdade de Farmácia, situada defronte da Igreja de São João. Essas lidimas lições de vida eram acolitadas de per si por uma Cultura Geral do mais acendrado nível exponencial! Jamais o vi – em tempo algum – sem que estivesse lendo. Foi passando de um livro para outro. Lia Física, Química, Matemática, Biologia, Inglês, Alemão, Francês, Espanhol, Italiano..., assim também Farmacologia (sua especialidade desde em que terminara o Curso de Medicina – na Faculdade do Rio de Janeiro).

     Na metade da década de mil novecentos e setenta, tempo correspondente no qual havia sido seu epígono, comportava-se da melhor maneira possível, a fim de que eu pudesse absorver todo o conhecimento... A erudição ostentada pelo Dr. Serrão, indubitavelmente, tornava-se por demais polivalente – e de uma versatilidade a toda prova cognitiva – escoimando ou acendrando a mais lidima e cabal poligrafia!

     A sala na qual ele ministrava aula de Farmacologia e de Cultura Geral, vivia quase sempre com as portas hermeticamente cerradas; somente sendo abertas por ele; assim sendo como o laboratório da aula prática. As chaves vinham-lhe presas na extremidade lateral esquerda do seu descomunal cinto de couro legítimo.

     Fiquei deveras estarrecido quando adentrei pela primeiríssima vez no seu laboratório particular, o qual vinha mantendo no interior da Faculdade de Farmácia, localizado notadamente nos baixos do prédio – em confrontação posterior com a escada de cimento, a qual dava acesso aos alunos, professores e demais servidores administrativos, vigilantes etc.

     Cuidei que estava ao meio de uma tribulação mística, com ares de museu e laboratório. Na parte central da parede interna do fundo, localiza-se um vetusto relógio de pêndulo, portando seus postremeiros entortados para o horário em que falecera alguém da sua família. Outras tantas efigies exóticas pontilham as extremidades da descomunal pia, na qual se faziam as devidas abluções do material utilizado, e, pronto – certamente – para a reutilização imediata!...

     Em certa distância, perlustrava-lhe a imagem carismática e repleta de excentricidades!... Nunca lhe disse absolutamente nada, pois, o que ele aparatava pertencia somente a si mesmo. Dois bolsos superiores do casaco, cheios de canetas!... Mestre Serrão era zeloso aos extremos. No ângulo superior da roupa externa, lobrigava-se uma outra camisa de mangas curtas, e, sob ela, para incorporar os espaços com suas respectivas vacuidades, ainda vislumbrava-se uma camiseta com o objetivo de proteger-lhe a caixa torácica. Vários bolsos ostentavam essas peças de roupa. Espaço suficiente para absconditar revistas e jornais. Os artigos científicos se faziam aparatar em número proliferante!...

      A calça comprida do Dr. Serrão ostentava determinada invídia, uma vez que, decerto, comportaria caso fosse necessário os seguintes instrumentos ou objetos de uso comum: um pequeno rádio de pilha, uma lanterna e uma bereta alemã infalível, principalmente nos átimos mais preciosos, decretando a defesa do corpo!

     Reiterando, o que fizera anteriormente, sempre fora afeito a chegar uma hora antes de encetar o seu horário de ministração dos conhecimentos a serem abordados. Pontualmente às 13h encontrava-se no interior da sala de aula, visto que o seu horário era o primeiro, começando sempre às 14h.

     Determinada feita um aluno cujo nome denominara-se –Barbosa, adentrara à sala de aula muito tardiamente às 15h. Desta forma, prorrompeu-lhe a entrada, lançando-o com força sobre o tórax o pesado e volumoso livro de Farmacologia. De fato, caíra, cabalmente desamparado. Não admitia nenhum tipo de atraso, no que tange ao adentramento à sala de aula. Ficara aporrinhado com as atitudes. O tal sujeito Lucieto dava mais atenção às aulas de musculação do que as de Farmacologia.

     Outro dia, em pleno hesterno, Lucieto dirigia-se à sala de aula – somente às 16h. desta feita, de braços escancarados, assimilara um imane protraimentos de duas horas!... Reiterou-se mais uma vez adentrando de braços bem abertos, indo em direitura ao Mestre Serrão. Quando o catedrático Dr. Serrão percebeu aquele volume muscular perpassar-lhe junto ao rosto. Ele – Dr. Serrão – não pensara duas vezes: deu-lhe dois tiros de bereta alemã, perfurando-lhe o bíceps e tríceps.

     Lucieto dirigiu-se ao Pronto Socorro, com a finalidade de fazer a extração dos dois projéteis localizados na musculatura do braço esquerdo. Em seguida, deslocara-se até a Reitoria para poder confabular com o Reitor Dr. Pires.

     O magnifico reitor Dr. Pires tentava a persuadir o aluno Lucieto. Peço-te, caro jovem, que retire a queixa – quase crime – que fora dada na Delegacia Central da cidade de São Luís do Maranhão. Após várias persuasões, chegou a persuadi-lo para que o fizesse, pelo amor do Nosso Senhor Jesus Cristo. Prometeu-lhe uma bolsa para seu futuro pós-doutoramento.

     Reitero em exarar-lhe o seguinte – conforme o Magnifico Reitor Dr. Pires. Ouça-me meu acadêmico Lucieto – o Dr. Serrão – Mestre de Várias Gerações, hoje, neste comenos, neste átimo, nesta ensancha está a expender uma percuciente provectude. Também, não haveremos de olvidar a sua participação efetiva quanto aos ímpetos basilares da Fundação Universidade do Maranhão, sendo, um dos maiores expoentes!...

     Na antiga Faculdade de Farmácia – como sabemos, tinha uma sala exclusiva para ministrar suas aulas de Farmacologia; assim como, sem hesitação, um laboratório de aulas práticas, uma vez reiterados. Outrossim as chaves de ambos os compartimentos eram de privacidade exclusivista do Mestre – Dr. Serrão. Antes de quaisquer possíveis anomalias, frequentávamos com seriedade as aulas práticas ministradas pelo Mestre Serrão. Ele montava os reagentes e os produtos resultantes. Fazia as devidas análises: quantitativa e qualitativa, respectivamente.

     Um becilóide acadêmico de Farmácia, e, por maldição secreta, ostentava o errôneo epiteto de “Gentil” cominou inúmeras vezes o Mestre Serrão, fazendo-lhe somente o execrável átimo torturante! O badernista Gentil pintou o armário branco do Mestre Serrão – com tinta preta, imprimindo-lhe o retrato do abominável escroque – ‘Lula’. Com certeza fora uma provocação das maiores, uma vez que tinha lidima rejeição dos aspectos fisionômicos facínoras desse tal elemento – de altíssima rejeição com relação ao Dr.
Serrão – “Mestre” de sucessivas gerações no decurso compadecido do próprio tempo...

     Dr. Serrão não pensou duas vezes, subiu a escada que dava acesso ao interior da Faculdade de Farmácia, portando uma potente bereta automática alemã. No decurso da caminhada, fora contido pelos professores: Garrido e Pecegueiro, os quais conseguiram sustentar-lhe os braços, um de cada lado, evitando que o Mestre executasse o tiro horizontal. De braços para cima, formando uma perpendicular com o chão, adentrou à sala de aula, em que estava o insubordinado discente Gentil – dando deste modo alguns tiros em direitura ao teto – numa atitude legitima de respeito.

     Mestre Serrão não admitia a desfaçatez, a ignomínia, o opróbio, e tudo mais que o levasse ao grau de desonra. Não pudesse – no caso – resolver a braço, puxava, então a bereta alemã, e disparava contra a massa muscular do sujeito valentão!

     Durante toda sua vida, Mestre Serrão, mantinha seus hábitos de colecionar centenas de livros diversificados. Não importava o conteúdo, pois lia todos os compêndios: Química; Física; Biologia; Matemática; Cálculos I, II, III e IV. A Farmacologia direcionou-se somente as aulas que ministrava diuturnamente na Faculdade de Farmácia e Medicina.

     O Mestre saía da Faculdade – exatamente – às 18h, e partia em direitura à casa de sua irmã Professora Maria José. Ela, de fato, o aceitava do modo que ele era. A mulher que o desposou não deu certo, pois rejeitava os seus hábitos de ser!

     Dr. Serrão dormia de sete da noite até meia noite. Acordava, então para ler os múltiplos livros contidos em sua Biblioteca particular. Caso fizéssemos o somatório de todos os compêndios, teríamos uma média aproximada de vinte mil livros. As bibliotecas estendiam-se pela casa inteira, tanto assim, sem perplexidade, as prateleiras iam até a cozinha...

     Nunca vi, na vida, quem gostasse mais de ler! Lia com prazer descomunal. Enquanto usasse a saciedade da leitura, afastava de si mesmo a chamada volúpia do aborrecimento!...

 

 

São Luís, MA, 25 de julho de 2022

Wilson Cerveira