sexta-feira, 15 de abril de 2022

O PSIQUIATRA BI-PSICOPATA


     Eis a anomalia bilateral. Ambas desenvolvem a mesma síndrome em si próprio. O psiquiatra Ricardo é portador de uma síndrome do bi-psicopata que ressumbra em si mesmo por tempo indeterminado. Só existe um sujeito suspeito, trazendo as irregularidades de um outro fictício. De fato a ação incide num só personagem. O bi-psicopata é o mesmo psiquiatra Ricardo. Ele tenta curar-se e não consegue; pois, consulta a imane lista de medicamentos.

     As medicações proveem de diversos países – os mais evoluídos em se tratando de divergentes psicopatias. Os componentes contidos nas fórmulas mudam apenas de idiomas, e às vezes de miligramas.

     Isso não equivale o grau de argucia, solércia ou sagacidade de ambos. Destarte a relatividade está ocupando todos os âmbitos neuronais do cérebro.

     O grau de distúrbio intrínseco etológico fica bem afastado de quaisquer variâncias. Não se pode questionar o normal do anormal. Às vezes, a anormalidade é determinante em todas as direções de sentido!...

     As percucientes elucubrações fluem de uma alteração para o positivo inexato. Desse modo, os grandes gênios aparatavam os seus benéficos distúrbios, notadamente no instante em que buscavam os intrincados inventos ou invenções.

     Não há como obiciar o diploma de doutor para um psiquiatra bi-psicopata. Ele reúne alucinações nunca dantes vista num elemento aparentemente normal.

     O normal apresenta limitações de ideias e pensamentos. A sua capacidade evagatória é restrita. Algum outro engenho torna-se obra de complexa realização, principalmente no âmbito científico.

     O psiquiatra bi-psicopata reserva os remédios que são adquiridos em países estrangeiros para o seu uso em particular. São amostras grátis de altíssima confiabilidade. Enquanto pratica essa inequanimidade para com os seus clientes. Para desmenti-lo é muito difícil; pois, remanescem as amostras grátis dos laboratórios nacionais de pequena garantia.

     Neste átimo o psiquiatra bi-psicopata vai recrudescendo os passos para chegar nas apropinquações de seu abscôndito recinto, no qual reserva os seus enigmáticos mistérios.

     Ao adentrar confronta-se com a mais linda imagem de santo – “Nossa Senhora de Fátima”, a Santa milagrosa traz-lhe uma paz reconciliatória para com os seus diversificados distúrbios heteróclitos ou bizarros!...

     Essas anomalias acompanhavam os seus estugados ou açodados passos – desde o período em que estava ainda no jardim. As suas letras sempre foram complexas e abstrusas. Dava-nos a impressão de que, em época alguma, jamais amavam as letras, decerto, as quais iriam compor o seus livros – Miscigenação entre o científico e o literário.    

     Todos acreditavam em suas consultas. Voltava-se para o paciente, sem inquietações, e pedia-lhe que mostrasse o seu ritmo de maior predileção; enquanto, alguns ficavam vexados quanto ao ato de amostragem. Ao passo que outros não se importavam. Paulão como o chamavam, pegava as pontas de cigarro e as cheirava longamente cada uma delas; enquanto outros cheiravam por tempo indeterminado os fundilhos das sungas estendidas nos varais.

     As manias iam se proliferando bastante. O psiquiatra bi-psicopata ficava concentrado em sua cátedra de doutor, e estendia o olhar para outras manias. Alguns mordiam os lábios e sugavam com certa aspereza o nariz obstruído.

     O psiquiatra bi-psicopata ostentava manias esdrúxulas. Uma delas, por incrível que pareça, era a de conduzir os dedos do pé até a boca. Em seguida, com certeza escarrava consecutivas vezes!... Tudo era praticado no escuro, bastante, para que os outros não o vissem. Dr. Delos era o nome do psiquiatra bi-psicopata. Ele brincava com eles reiterando suas manias no pátio do manicômio – “São José”.

     Lá, decerto, fazia os despautérios ou dislates ou estultícias bem planejadas, com toda arquitetura existente no orbe. Ele, realmente era, de modo indubitável o psiquiatra bi-psicopata.

     Ele isolava-se no recinto em que dormia, fechando os olhos – para, então, elucubrar os ardis ou ciladas ou emboscadas mais periclitantes. Vestia-se de cabeça aos pés com roupão preto – colocando-o, praticamente, na abrangência total do seu corpo!...

     Ninguém, poderia evagar aquele que se encontrava no interior da imane capa preta – fosse o psiquiatra bi-psicopata – Dr. Delos. Os movimentos eram diversificados, uma vez que possuía todos os quadrantes de um homem com recrudescimento patológico, notadamente no que se refere aos neurônios cerebrais. Decerto, precisaria de uma elucubração pormenorizada da intrincada rede de seus neurônios, adrede, os mais absconditados.

     A Ciência ainda estava a carecer de uma aparelhagem muito mais complexa – ultrapassando os neurônios armazenados no cérebro daquele psiquiatra bi-psicopata – no que tange aos muitos psicodelismos existentes!...

     O psiquiatra bi-psicopata, por debaixo da capa preta, ia soltando seus grunhidos mais diversificados quanto aos sons estridentes. Um funeral mistificador e repleto de estroinices. Melodias merencórias vinham sobrepor-se ante o silêncio sorumbático extrínseco e intrínseco!...

     Estrambóticos eram os ritmos musicais recrudescidos das emanações que se iam burilando desde o espaço hermético, indubitavelmente, até que se evolassem no escancarado novelo de abertura. Logo abaixo do avental que o reconditava – sem ter nem paraquedas para ampará-lo na ensancha ou comenos de mais alta tecnologia quanto ao calibre de detonação.

     O psiquiatra bi-psicopata armava as suas artimanhas ou ardis ou ciladas bem diferentes das demais anteriores. Vislumbravam-se ou lobrigavam-se suas emboscadas mais sinistras ou nefastas. De repente retumbava a potência explosiva das balas dando-nos a impressão que uma multidão de desordeiros, com certeza estava sendo vítima de suas objurgações, escarmentos ou cautérios.

     No entanto, somente o psiquiatra bi-psicopata estava se autopunindo. Tanto assim, que as pistolas automáticas estavam, em sentido circular, voltadas para o psiquiatra bi-psicopata. O que restavam finalmente eram um amontoado de cinzas. Não se sabia mais de nada.

     Nenhum exame poderia ser realizado – todas as diretrizes foram cerceadas de uma única vez, já que não se distinguia nada naquele local de percuciente estado ignatório.

      O desvairo acaba em fogo ardente, proveniente do próprio mal que se alastrava por todos os cantos, sem que houvesse uma dimensão capaz de desmarcar o terreno. Eis, entretanto, a história amaríssima de um homem – no decurso da vida – que se constituía na mais avassaladora degenerescência humana – cognominada de um baita psiquiatra bi-psicopata!... 


                                                                                            Wilson Cerveira