terça-feira, 31 de dezembro de 2013

DESIDERATO PROBATÓRIO

    Dra. Ortiega, ao redebuxar o seu sorriso esquálido, remanescente de um prístino longínquo, esquecera-se de lembrar o desiderato probatório, que fora uma férula extemporânea, após considerar-se sazonalizada nos pródromos fastigiosos de sua própria decrepitude.
     O tão decantado desiderato probatório atingia muito mais a Lídia, sua amiga de jardim, já que ambas cresceram juntas, alfabetizadas num único salão da casa de Dona Lucrécia. Nutriram-se da vã quimera de ver o suscitar da espontaneidade irmanada, como se o probatório representasse um equilíbrio basilar entre o que fora polemizado de maneira acirrada, assim como, sem pestanejar, a analogia do elucubratório em iminência!...
    Antes que a madidez aflore aos derredores túmidos e ignescentes da nau capitânea, Lídia suspirou, em plena vacuidade, as deblaterações que tomavam conta do corpo da experimentada Ortiega, uma baita psiquiatra do inquirido comportamento inumano, sobretudo nestes dias de inevolução ou involução ululante!
    A ânsia de palinodiar a ânsia sobeja, pronta para retumbar a casta das fruições reprimidas, tem obiciado as dilacerações das amarras cerceantes, que se cerram em círculos circunscritos concêntricos. E, como sopitação, evola o vórtice voraz que degringola as esquipáticas repressões psicossomáticas vigentes nestes dias agrurosos de um hodiernismo degenerescente!...
    Há ainda alentos nas paginas dos livros, quase todos, sem exceção, que facilitam os trabalhos dos que ostentam síndromes de dislexia, alexia, agrafia, abulia, aprosexia etc.
    Deveras, Ortiega, em sua palingenesia, não sabia precisar por onde escorria a luz da manhã, a mesma que desfigurara o vaticinador despenhadeiro das opressões sociais. E, envolta numa luz bruxuleante, vislumbrava clarões de pretéritos remanescidos nos aposentos da puerilidade indelével!...
    Ao passo que, sem titubear, Lídia hauria as febritações provindas dos termômetros cominuídos nos entrechos das labirínticas lateralidades genitais. E, por sobre as fruições imperiosas, assomava a madidez decorrente do roçagar espúrio, que fora anteparado pelas fímbrias encarquilhadas de uma epiderme em provectude.
    Muitas personas, em dias hodiernos, estão a requerer cilícios de vários tipos – do perfunctório ao percuciente. E, a princípio, os acúleos, quando imolados estritamente nas dimensões epidérmicas, produziam os efeitos desejados, uma vez que são perpetrados ao longo das fibras nervosas.
    Desencadeiam-se torturas espirituais, físicas e psicológicas. Assim sendo, é crudelíssimo conter a sanha equânime do desiderato probatório, porquanto venha a viajar a partir de uma espontaneidade benfazeja, nutrimentos adquirentes de blandícies afloradas na perfunctoriedade das células de revestimento, notadamente as de maior estesia.

    E, pelo fato, de não conter a célula perdulária, surgem, de abrupto, as aplicações simultâneas dos três cilícios exprobrantes, aparatando, cada um deles, uma plangência acomodativa nos olhares, e madidez nas cúspides da cálida nau capitânea.  

                                   Wilson Cerveira 

ABTRUSOS NÍVEIS REINANTES DA DESEDUCAÇÃO

    Em plena hodiernidade tecnológica, o “SER”, em cabal dessentimento, sucumbe, prematuramente, em tudo o que recebera nos pródromos da sua formação, tanto como pessoa, quanto na qualidade de profissional.
    A deseducação, desenvolvida ao longo dos vários anos, estorva a probabilidade de percepção atinente ao incorrespondente. Experimenta-se a resposta – positiva ou negativa –, normal ou anormal, mandando-lhe um convite de lançamento de um livro. E, a partir desse novo experimento, fica-se a anotar as variâncias constantes dos diferentes níveis de deseducação, podendo ser reversíveis ou irreversíveis.
    As pessoas de maior notoriedade, em sentido de escol, passam a ser os alvos do sistema de colimação, diuturnamente monitorizado. Existem cidadãos que ostentam variabilidade quanto ao nível representativo de sua idiossincrásica condição de inumanidade aquisitória. Chegam a rejeitar o invite escrito, galhardamente confeccionado, como se estivesse diante de um artefato de periclitância comprobatória.
    Em sua grande maioria, a população, abrangendo todos os níveis e dispares estratificações sociais, responde, irrestritamente, pelas ações educativas especiosas, sobremodo as que ostentam ações e reações desabridas, sendo atreladas a um tipo de insolência maior, que é o boçalismo máximo.
   O sujeito, independente da sua desnudez, ou grau de encapamento, pode redarguir de tal forma, dando o testemunho cabal de sua crassa insipiência.
    O indivíduo, cheio de ondismos imprevisíveis, programa-se e reprograma-se de varias formas ardilosas, com o propósito de ofender o que, galhardamente, o convidou a participar de um evento multimacetado e de altíssimo nível cultural.
    A trinômia: inconstância, dessentimento e deslembrança, toda ela reunida no cerne, pode, de igual modo, aparatar a lidimidade repulsiva dos sentimentos de natureza não humana, redundando na proporcionalidade degenerativa do ego, em seu simbolismo despersonificativo percuciente.
    Você, de maneira surpreendente, poderá ter diante de si a representatividade de um infenso gratuito, à medida que lhe oferece o produto eficaz, conquanto na substância de marca, apontando-lhe, diante dos olhos esgueirados, o real sentido vetorial do colimador estigmatizante.
     O abrupto pode ser eclodido através da premência de mentes mórbidas em fortuidade, as quais tem por etiologia – o “decerto” de recompor e reimplantar o liame neurológico, através das reações mais cruentas – onde as estruturas servem muito como ponto de analogia para cominações remanescentes de ideias exaradas erroneamente.
    Não importa ter os nomes das pessoas que jamais conheceríamos quanto ao suscitamento de metamorfismos decorrentes de suas hesitantes personalidades, uma vez que são indivíduos altamente deseducados, desprovidos de quaisquer sentimentos de qualificação humanitária, se bem que se considerem o escol de uma sociedade em defecção progressiva!...


                                   Wilson Cerveira

sábado, 7 de dezembro de 2013

A DESCARACTERIZAÇÃO DO HUMANO EM DIAS DE ACRIMONIOSO HODIERNISMO


    Hodiernamente, numa comutação de valores personificativos, as criaturas se preparam, de modo tendencioso, para não cumprir com o que fora dito e firmado em cartório e em presença de várias testemunhas reunidas.
    Em tempos de crúcia premente, o vocábulo “não” se tornou insustentável no que concerne ao ato repressivo de sua raiz basilar; e não, abruptamente, passou a ser ovacionado na postremeira ensancha, por mais que seja a lídima acepção miracular de sua própria redundância peremptorial.
    As influencias do orbe, em generalizante premissa, fazem com que as pessoas ressumbrem uma demudação esquipática, embaindo-se, pouco a pouco, em metamorfismos deliquescentes, partindo do preceptor  imanente, numa abrangência tridimensional: o físico, o psicológico e o espiritual.
    Os humanos, sentindo o carencial de uma reeducação sentimental, confutam a própria raiz basilar formacional, e, de modo torpe e protervo, proclamam a deseducação hodierna como uma forma empenhada, buscando, quase sempre, a manutenção das plausíveis medidas geratrizes e objurgatórias reinantes!...
   Os seres viventes, em dias hodiernos, demandam a abdução, cada vez maior, de suas origens controvertidas. Tanto assim, depois de muito estudo analítico sobre as derivadas do comportamento, que se atribuiu um ponto limítrofe para conter a sanha das exegeses acirradas!...
    Os indivíduos, aturdidamente, seriam capazes de açambarcar buçais díspares e estúrdios, a fim de que pudessem dissimular existências crástinas, contidas nos espectros – tangíveis ou intangíveis – atinentes às percepções extrassensoriais.
     Os personagens que habitam o orbe, nestes agrurosos dias hodiernos, são lídimos proteus, mudando facilmente de opinião, de hábitos, de sistema. Tem-se, em principio, por alusão a Proteu, um dos deuses da “Mitologia Grega” o qual mudava de forma e figura à vontade.
     O que mais prevalece é o arcabouço, servindo de aparato protetório a outros ícones, peças absconditadas nas lâminas em série, componentes de um álbum computacional, ainda que não lobriguemos o desiderato de desvelar as suas inúmeras minudências secretas.
     Neste mostruário de retratos, em quase penumbra, ainda vislumbramos as reminiscentes efígies das vetustas bonecas de pano e de porcelana. Realmente, encontramos na superfície dos seus corpos lassos, laivos de prístinos inumados pelo tempo de inopinada procrastinidade.
     Vivemos, merencoriamente, no abstratismo de um orbe protético, ostentando prova refutatória ao natural, já que a prótese requer a substituição de um órgão ou de uma parte dele, por outra parte ou órgão artificial, que é o comutativo ou sucedâneo de uma porção que fora dilacerada.
     Os seres, que chamamos de humanos, têm perdido a identidade, parcial ou totalmente. Inconformam-se em ter a mesma todos os dias. Também, inquietam-se em ser a mesma criatura, no exato átimo em que alvorece o dia seguinte. Buscam, também, com sofreguidão, a sua identificação espiritual, fundando novos templos, se bem que Deus seja onipresente, onisciente e onipotente, independente da apostasia, ou adesão, que fora realizada.
     De fato, a desidentidade está em voga e com muitos ondismos, neste imane orbe de sofrências prolatadas. O artificialismo exacerba-se a cada dia, com os préstimos das cirurgias de reparação epidérmica. Moldam-se novas bocas, narizes, testas, olhos coloridos, sobrolhos suspensos, orelhas pitorescas etc. E, após esses transformismos físicos, dificulta-se cada vez mais o trabalho perpetrado pela polícia especializada. Os erros e os crimes se proliferam desde os facínoras pertencentes aos “Três Podres Poderes” até as mais diversas estratificações sociais.
O psicológico das pessoas está em delíquio sucedâneo. Hoje, em estado de neurose; amanhã, em mórbido estado de avassalamento psicótico – numa intermitência questionável --, pois a redundância incorre em direitura ao sindrômico da neurose obsessiva compulsiva e tantos outros rótulos portando transtornos de natureza delírio-alucinatória. E, desse modo heteróclito, problematiza-se a psiquiatria vulnerável, assim como, sem pestanejar, os seus especialistas de borla e capelo, com pós- doutoramentos nos países mais progressistas do continente europeu.

     O espiritual, sucumbido em face ao decréscimo de fé no Criador – Pai Celeste e Todo Poderoso – contribui para que percamos a volição de permanecer sob a tutela atinente ao mesmíssimo dogma doutrinal. Novas  igrejas são fundadas, com o propósito de atender a insatisfação dos que buscam uma paz interior impossível, já que o problema não está na escolha da religião estabelecida pelos homens, mas na luta aguerrida e constante em manter a fé e fazê-la incrementar cada vez mais, banindo a probabilidade de quaisquer falências concernentes ao humano, nestes dias de acrimonioso hodiernismo, em que a descaracterização do ser pensante progride em âmbito infrene.

                          Wilson Cerveira

SENTIMENTOS PARADOXAIS


    Por ordem das propelências projetivas, vocacionam-se as duas imanes tergiversações: culpas e desculpas. Durante uma nova crise sutil, o remorso de não ter assumido o ato, o mesmo que rutilou naquelas interregnidades, suspiros de eterno viver, ressumando o assomamento de uma canoa motorizada, na qual as criaturas têm os seus momentos sintomatológicos, e podem contactar com seus delírios alucinatórios.
   João José não erra nunca, apenas transfere para o outro as traumáticas e projecionais culpas atinentes a todos os seus fracassos vitais. Marieta, porém, é diferente, pois se desculpa diante do que fez de errado, mas, em tempo algum, sentiu-se conivente perante os transtornos evidenciados para com terceiros, vítimas de suas negligências no trânsito.
    Os comportamentos contrastantes evoluem a cada dia, acompanhando os heteróclitos sentimentos contraditórios. Há casos em que o individuo, em analise, somente é capaz de pagar o que ficara devendo, se a pessoa a quem ele deve, vier acolitada por outra, notadamente do sexo oposto. Assim sendo, o encalistramento, em presença de terceiros, impele-a ao ato de adimplimento compulsório.
    Hodiernamente, a inercia de pronunciar o vocábulo, por inteiro, com todos os afixos, faz com que a tropa de desestudantes – praticamente a maioria – estrangule-o usando os artifícios de aférese ou, então, da apócope. Dessa forma, o termo fica apenas com o seu cerne desvelado, que é o seu respectivo radical, podendo de quaisquer origens e idiomas ascendentes!
    O abominar sobre algo, em sua essência paradoxal, está a encargo de quem aprova ou reprova. Uma atitude, ora aceita, ora condenada, dependendo do que a pronuncie. A mesma palavra que fere, às vezes, está a depender dos lábios que a proferem, independente do clima que se constitui no interior ou no exterior das pessoas indicadas ou desindicadas para tal assunto de ordem educacional.
    Exarar que gosta antes da prelibação, e, após a consecutória lascívia, refutar o quanto havia de fruição no interregno, mostra a existência de uma palinódia patológica, justificando apenas a rejeição ao invite de permanência diuturna.
    A pior fissura pode estar na comissura de quem prioriza em plano de épura estabelecido para aquele lugar de implexo acesso regenerativo. Piora-se por não cumprir a finalidade reciproca do que está sendo perseguido reciprocamente, partindo em direitura com relação a um centro gravitacional estipulativo e inconfessionável.
    Ao chamar pelo nome completo – Maria Prolina dos Reis Firmino, pensa-se no correto, conquanto seja o secretário Pires Consuelo, que, já nos acenou dizendo do trauma que sofrera desde o instante em que ele morrera para o referencial telúrico.
    Mesmo em sala de aula, desculpa-se dizendo que é demais, e, após listas visuais, chama os alunos tendo por referencial as suas numerações em vez de ordenação completa dos seus respectivos nomes extraída das certidões de nascimento. Igualmente, o ato de nominar inteiramente a pessoa, dá-nos a impressão de que é um vocativo expresso por um delegado ou pelo próprio juiz.
    Que tipo de cristão sou eu, disse Petrúcio, que inverto a cada dia os sentimentos, refutando-os como se fosse um meio pertencente à terapia panacéica. É necessário que nos reparemos a cada instante, a fim de não incorrermos em erros contumazes, advindos de um prisco estigmatizado por traumas consecutivos e perdurantes.
    Que ruas são estas, com toponímias contrastantes?!... A Rua dos Remédios, por incrível que pareça, não tem farmácia; a do Passeio, de modo controverso, serve de corredor, para não sermos assaltados na esquina; na Praça da Alegria, se chora de solidão e tristeza; na Praça da Misericórdia, não se dá esmola; na Praça da Saudade, constrói-se a “Passarela do Carnaval da Cidade de São Luís – MA”. E tudo vai se conduzindo na orquestração desabrida dos sentimentos paradoxais.

    O sujeito de cútis branca, insolentemente, é denominado de “Bruno”; a pessoa que não manqueja um só instante é chamada de Cláudia; a criatura rústica, por natureza, ela é denominada de Urbano, e assim vão se constituindo todos os escândalos de uma sociedade sem visão, sem fumos de fidalguia, tampouco raciocínio de caráter percuciente. Finalmente, lavra-se o binômio – Amor e Desamor –, como forma de ocultar o sentimento palinódico de uma mente em estado de estertoramento progressivo.

                          Wilson Cerveira 

domingo, 24 de novembro de 2013

SINESTESIA EM CAMPO ABERTO

     Dr. Lídio Camosinis, em seu microscopismo de visão europeia especializada, jamais pensara dimensionar a lancinância, a que é dispersa no macrocosmo das estesias mais percucientes, onde não se sabe avaliar as estremaduras dos pontos nevrálgicos suportáveis com relação aos díspares graus de variância extrapolante.
     Antes de quaisquer prontidões, -- corroborava em seus testemunhos --, temos que reexaminar no mapa do corpo os referenciais dos pontos nevrálgicos mais contundentes, principalmente os que servem de transecto aos demais marcadores sinestésicos. E, destarte, esses vetores oscilam, constantemente, apontando muitas direções e sentidos contrários e meândricos. Nesse caso, há obiciamento localizado mostrando a fonte protótipa quanto ao nevralgismo irradiado, partindo de um mensurativo intersecto.
     Diante dos olhos perscrutadores e esfíngicos, forma-se um dédalo de sensações antinômicas, banindo, cada vez mais, o especialista pertinente ao estudo que concerne a reestruturação da origem propulsora das dores promanadas em círculos de uma cabalística indecifrável!...
     Pode haver mais de uma fonte – quase imperceptível – a emanar reflexos desconcertantes quanto ao encetamento dos locais estratégicos do considerável somático. Então, os demarcadores excitatórios, com propensão relativa ao emaranhado expressivo, resultante idealizada, como se fosse uma provável irreversibilidade parcial, mas de caráter, posteriormente, reversível!...
     A presença dos aparelhos captadores das incitações edematosas, partindo das ramificações nervosas de muitos feixes fibro-musculares, representa um grande avanço tecnológico, capaz de dirimir as hesitações de todos estes especialistas em dor, sobretudo os reumatologistas e ortopedistas que assistiam o paciente Joeldo, após apresentar percucientes paroxismos palindrômicos, provenientes, concomitantemente, de uma lancinante tendinite e, também, de uma excruciante bursite trocantérica.
     Joeldo, em meio à orquestração ululante de dores dispersas ao longo da fibra axial, não continha a meandricidade dos espasmos recalcitrantes. Ei-los, então, a bailar, de modo pungente, dando a impressão de ser a postremeira prova de uma existência castigada, conquanto não se soubesse a origem de descomunal desconforto questionante.
     Após minuciosos exames, verificou-se que o paciente Joeldo Licurgo, em que pese não transportar fardos, apresentava a síndrome da lancinância generalizante, numa dispersão, ocupando todos os quadrantes demarcatórios e anatômicos do somático, independentemente dos basilares pontos de excruciamento máximo, onde os picos pungentes chegam aos píncaros de um nevralgismo insuportável!...
     De fato, Licurgo, dentro de sua insipiência, não sabia que o tendão é um feixe fibroso – ou cordão – situado  na extremidade dos músculos, e que serve para ligá-los aos ossos, às aponeuroses ou à pele. E, infelizmente, as circunstâncias lhe são adversas, num bruxuleio que o encarcera cabalmente, conquanto não tenha condições plausíveis de perceber a desabridez dolorosa da realidade circunscrevente.
     Os tendões comprometeram-se em série, provocando inúmeros paroxismos palindrômicos, estabelecendo tendinites em vários locais do  corpo. E, para complicar as recrudescências das sinestesias recorrentes, surgiu-lhe – conforme resultado de ressonância magnética – a presença de algumas microfibrilas invertidas em determinados tendões situados nas costas, obiciando-lhes os relaxamentos atinentes aos diversos  segmentos da musculatura, diuturnamente sob tensão – de natureza mórbida.

     Os remédios à base de substâncias corticoides não conseguiam sopitar as dores sinestésicas singrantes, passando por pontos meândricos, e, simultaneamente, debuxando interseções contidas em raízes nevrálgicas, e que estejam a circunspectar uma esfinge de abstratismos localizantes em espaços escancarados, e de dificílima ilação diagnóstica, sobretudo nestes dias de heteróclito hodiernismo!

                                   Wilson Cerveira

O INUMATÓRIO RECIDIVANTE


     Hodiernamente, por nequícia, inumam-se o físico, o psicológico e o espiritual, sem que se busquem justificativas plausíveis para dilucidar as razões heteróclitas dessa etologia de natureza, recrudescentemente, onírica.
     O prazer mórbido de sucumbir a imagem rompante – antes  mesmo do seu protótipo surgimento – simboliza uma energia deliqüescente, que é dimanada a partir dos delíquios enigmáticos, os quais, em sua razão de corroborativa biológica, tentam incrementar o sentimento – por demais patológico – da egolatria grassante, nestes tempos ígneos e de cabal iniqüidade mental.
     Os objetos, artes de uma tecnologia comprometida e comprometedora, servem para o exercício de enfatuados inoculatórios recidivantes, com escopo de perpetrar a deposição de números criptogramáticos, senhas, cartões magnéticos e demais aparatos propendentes. Eles, também, acumulam os dísticos diferenciais das redes – modelares sepulcrais – ostentando  os mais cabalísticos meios, lídimos reconduzintes, para a recomposição dos artigos que farão parte integral da presença, dos que a memória jamais olvidará em sua essência de perene porvir, que é a antítese despautérica existente nos meandros das ideias de contumácia descomunicabilidade.
     Os sepultamentos rotineiros e exacerbantes contendo  informações acumuladas, em suas generalidades amplamente diversificadas, que instigam a comutação constante de dados expositores, aparatando novidades efêmeras permutáveis, nas quais as etiquetas fornecem marcas de inusitados preceptores.
     As pessoas, de modo geral, metamorfoseam-se durante o exercitar de descomunais refregas, sobremaneira nestes dias de percuciente crúcia, verazes arraigamentos atinentes aos soçobros existenciais – aparatadores de distúrbios proliferantes!
     Os simulacros podem ser representados pelos vários aparelhos de tecnologia recente. Dessa forma, sem hesitações temerárias, haverá o probabilismo de muitas inumações sucessivas, -- numa prova insofismável de expungência, abrangendo, concomitantemente, vários caracteres atuantes: parcial, reversível, irreversível, fatal etc.
     As  predisposições genéticas, espontaneamente eclodidas no genoma de uma  geração conflitante, onde os traumas e decepções estigmatizam os preliantes da refrega, não lhes oportunizando destinação diferente, pois esses seres receberiam o respaldo dos mais estúrdios artefatos, que provêm de uma cibernética dualística quanto aos meios de peremptório vaticínio.
     As criaturas se submetem às ablações de extensas áreas de superfícies epidérmicas, mormente as que sofreram engelhamentos, ostentando recrudescência da flacidez dos diferentes tônus musculares e tecidos de preenchimento neuro-esquelético.
     Esses espectros, revestidos por uma substância verossimilhante ao estrutural de carne e osso, representam lídimas vacuidades sentimentais, quando respiram o respiram o pó cronificado e remanescente das catacumbas em aberto, num resfolegar regressivo quanto ao ponto funesto dos cinéreos etológicos e obscuros!...
     Lajedos de blaterações em asfixia, em seus respectivos quadrantes de épura, demandam as mais inusitadas crucias – férulas de um devir expungitório --, oriundos concretos pertinentes a um postergar crucial itinerante, em que vetustas teorias são afixadas – quase sempre – nos cérebros das escolaridades!...
     Ninguém conseguiu, através da miragem, ablacionar a prisca visão obumbrada, para que haja condições de lobrigamentos reparatoriais de premência!... Em pleno balido ostentórico, num insopitável suplementar de provas cabais, vê-se a extrema necessidade de requerência do imprescindível, facultando ensanchas de exequibilidades meritórias.
     O inumatório recidivante abrange toda uma descartabilidade, não importando a direitura dos vetoriais – onde direções e sentidos são, assimetricamente, a simbologia de uma pseudo-anti-imagem invertida. E, assim sendo, a reversibilidade auscultativa se recomporá em direção dicotômica angulatória, prestes a estribar os fardos agrurosos das divergentes sendas meândricas.

     Os estados inumatórios recidivantes propendem para o sucumbimento, redobrando máximo, numa tentativa de coalescer o coercível, mesmo estando em presença de comenos latibulares. Por ilação, ante a pressurosa labuta, suscitam os fúlgidos átimos de uma palingenesia salutar, com o escopo de amainar as imanes dores sincipuciais, sobretudo onde o ramerrão existencial é ressumbrado sob a óptica de uma pungência reiterativa elucubrática.

                                      Wilson Cerveira

ESPECIOSO ARAUTO HODIERNO

     Ainda na soleira da casa onde morava por mais de três décadas, Hermenegildo, -- pós-doutorando em Ciências da Computação --, decodificava a mensagem escrita contida no basilar do estereótipo, remetendo-a para o espaço – via satélite, para que pudesse conectá-la com o som e com a imagem que a inoculou por um período de acuidade visual. Destarte, refocilou-lhe a raiz da permissibilidade, de maneira concomitante, readquirindo uma forma paradigmática contra as intempestivas reações – tanto positivas quanto negativas.
     Em todos os ramos da atividade humana, -- sem meticulosidades falaciosas --, o arauto  submeter-se-á ao emaranhamento da demudação abrupta, e ele assumirá, no devir das circunstâncias inopinadas, caracteres inerentes ao meio estático, precisamente no ponto de inserção, no qual a efígie – em seu grau de especulatoriedade máxima – está sendo cabalisticamente promanada.
     A especiosa proclamação, em algumas ensanchas, já se apresentava na condição de ilação peremptória, embaindo um tipo de embuste em que os preliantes ainda buscavam as consuetudinárias sindicâncias da leitura meditativa, visto que estivesse sob a semiótica de ângulos flabelares.
     Em sofisma de alta percuciência, o especioso pregão assomava – encapelado e de maneira embornal – exarando o seguinte conteudismo  tripudiante: “SORTUDO! VOCÊ ACABA DE GANHAR UM CARRO E UMA CASA TODA  MOBILIADA. SENDO ASSIM, NÃO LHE RESTA OUTRA OPÇÃO, A NÃO SER GOZAR DESSA SORTE NÃO ESPERADA, PROPORCIONADA PELOS BONS VENTO DO SEU HORÓSCOPO. REALMENTE, É A SUA ÚLTIMA CHANCE!
     Em todos os setores abrangentes quanto aos díspares profissionalismos, perquiria-se, custosamente, a real imagem da falácia contemporânea e sua capciosa dimensão reverberante. A princípio, requestava-se o labirinto elo impregnante inserido no vocativo de natureza dispersa, trazendo-o, de modo sub-reptício, para o grupo espectral da picardia reinante.
     Os anúncios eclodem com mirabolância, sem que se possa ter a imagem do que se poderia declinar como sendo de caráter lídimo e, de fato, não excrescente quanto ao compositório deambulante. E, ainda, remanesciam as apropinquações atinentes aos variegados âmbitos das virtualidades existentes nestes tempos acrimoniosos, onde as nequícias se alastram em todos os quadrantes do espaço.
     As mensagens surdem na premonitória orquestração do delírio, estando em meio às suas multiplicidades tergiversantes. Não se sabe, ao certo, quem ela é, e, também, de onde proviera. Geralmente, esse tipo de arauto tranquibérnico, numa sintomatologia impressionante, vem impregnado de embaimentos esfíngicos. Uma argamassa de pseudo-impressões variegantes compõe-na, por inteiro, em sua estrutura externa continental, -- que é uma lídima mixagem contendo informações de vários tempos, números, gêneros e pessoas.
     Os pregões irrompem, de modo aparatado ou em furna percuciente, emitindo apenas os criptogramas detonados, maviosamente, por uma série de sensores interpolados nos interregnos de uma fonte geratriz, com velocidade e aceleração ultrapassando aos limites de suportabilidade do operador mais eficiente.
     A imagem virtual, que é suscetível de exercer-se, conquanto não se encontre em exercício, representa algo que esteja como faculdade – mas sem efeito atual, potencial, possível. Em Física, essa efígie virtualística é vista na simbologia do foco de uma lente ou espelho, determinando a intersecção dos prolongamentos dos raios luminosos. Em se tratando de informática, o virtualismo imagético se predispõe para designar os dispositivos emulados ou simulados e, portanto, não-reais, tendo como paradigmas: memória virtual, realidade virtual etc.
     A virtualidade do delineamento, no inverso insólito de sua realidade plausível, ostenta, com certeza, uma força incoercitível em toda sua suntuosa grandeza de espacionalidade. O suscitar do desenho, através de raros efeitos produzidos por sensores, consegue dilacerar os pontos nevrálgicos das inúmeras barreiras obiciantes, projetando-se, por intermediação de satélites, de um continente a outro, com a mesma fulgurância contida em relevos primiciais – do ponto de origem ao ancoradouro final, numa visão generalizante de tudo o que se passará nas dimensões gravitacionais do planeta – Terra, que é o sustentáculo peremptório.
     O arauto, contido no escorço visual, aparata diversos tipos de sensores, em seus díspares graus de implexidade, servindo para dilucidar porciúnculas enigmáticas – de materiais enfurnados nas profundidades de mares e oceanos, por meio de dispositivos como radar, sonar, ecobatímetro etc.
     O sujeito tranquiberneiro evola um cabalístico arauto, representando um arquétipo de altíssima resolutividade evagatória, que é o ostentório significativo do próprio aparelho tecnologizado, -- numa dissonância de encontros, aflorando, posteriormente, em direção ao extrínseco – de modo esquipático, confutando o seu estado de ausência, malgrado esteja a redarguir os paroxismos palindrômicos de uma síndrome que comina, contundentemente, os especialistas de maior reputação no ramo da psiquiatria – a despeito de ser um questionamento de algum transtorno ainda não ressumbrado no implexo âmbito da rede neuronal!...

                                     Wilson Cerveira

sábado, 26 de outubro de 2013

INUMANIZAÇÃO NAS AMIZADES EM DIAS DE COMBALIDO LACRE

As amizades tendem a ocupar círculos concêntricos e excêntricos, com raízes basilares alicerçadas na tripudiação. Assim sendo, o mundo dos viciados em psicotrópicos e entorpecentes de tarja preta, geralmente aviados nas farmácias, -- com requisição de receita periódica --, vai proliferando a cada dia, em que pese uma das vias ficam em poder do estabelecimento farmacêutico, tendo por supervisão diária a presença do profissional farmacêutico.
    Os produtos ilícitos, também chamados de drogas pesadas ou pesadíssimas, por não serem liberados, permanecem sob a regência das sanções de curto ou médio prazo, dependendo do usuário e do parentesco com o juiz. O seu alvedrio pode ser de cunho menor ou de maior venalidade, dependendo da quantia pecuniária a ser especulada.
    Todos esses grupos - legal ou ilegalmente – são amigos remitentes da pratica degenerativa, que concede a partilha dos prazeres, sofrimentos, dores e da própria morte.
    Há, também, os que exercitam, amiúde, a felonia, ou, então, desfrutam da imane fruição mórbida, no exato átimo em que são perfidiadas com máximo ultraje as vítimas de inescrupulosos indivíduos perfidiados.
         Esses sujeitos conclamam a fruição buscando a raiz basilar do mesmíssimo cerne, que é abstraído do substrato comum, então, balidos são auscultados na algidez dos ambientes lascivos, onde os canibais vociferam no átimo do descomunal diceramento epidérmico.
    Não há como confutar as blaterações estigmatizantes no âmagos das placas acrílicas. Existem em cada ponto dessas concrescências, laivos de perquirição conclamante.
     Denegar o próprio desiderato, em sua máxima caliência, é ergastular-se perante as cúspides invertidas, de cuja proveniência incognoscível – de extrema dimensão – não se aufere a etiologia protótipa.
    Por que infligir a ressecção do somatorial das partes de uma criatura humana, ainda em estado de refocilamento. Nesse caso, não se deve banir das demais criaturas, de modo estróina, os pródromos de um onanismo infrene e sem égides, colapsalmente, convergindo para uma meteórica exteriorização.
    Às vezes, como intercurso percussional, é necessário ensandecer vertiginosamente, após o encanecimento sazonal, para que possamos cotejar os diversos tipos de dores reinantes, respeitando os limites que nos atingem de modo arrostado.
     Hodiernamente, as amizades – desumanizantes e dessentimentais – demandam derivadas que se direcionam em sentidos degenerescentes. Então, os círculos viciosos confinam-se para a formação de inusitados grupos participantes de ações malévolas, incorrendo sobre o comportamento social do meio onde habitam, com a finalidade de expender o seu consuetudinário. E, desse modo, os elementos variegados vão se recombinando quanto à implementação de suspeitadas atividades.
     As amizades ergastulatórias, de modo geral, ressumbram lídimas vacuidades dessentimentais. E, a partir dessa vulnerabilidade, constroem-se grupos heterogêneos que se apropinquam por interesse, locupletando-se através de barganhas e benesses multidirecionais e emulativas.
     Hoje, por prazer mórbido, as amizades são colocadas em prova, no momento em que os preliantes decretam o entrevero acirrado entre as forças beligerantes que se contendem em pleno espaço de escancaramento inopinado.
     As criaturas declinam para os sentimentos negativos, propendendo em direitura ao maleficismo psicossomático, abordando as ressumações etiológicas promanadas de um psicopatismo logogrífico.
     Cravando e descravando as garras do tempo inumatório, ainda haverá tempo suficiente para lobrigar os perfis do prístino, sobretudo na época em que se humanizavam as amizades, não as relegando em direção ao despenhadeiro.
     A picaretagem está presente, de modo estigmatizante, em todas as hierarquias sociais vigentes. É uma forma capciosa de auferir primazias e lucros pecuniários, em detrimento do esforço praticado por outrem. As pessoas que procedem dessa maneira, em regra de generalização, são ovacionadas com o título de solertes. Neste hodiernismo estropiante, a sociedade de consumo elucubra um círculo vicioso inerente ao seu próprio ramerrão, tendo por binômio basilar: ofertas e demandas – de natureza vária.
     Há, também, conglomerados inumanos em todos os locais, responsáveis diretamente pelos recrudescentes exterminadores – dos mais simples até os mais complexos.
     Existem aqueles que ficam a aprender os atos de fixação pornofônica e pornográfica, para, então, arremessá-los por meio de direcionamentos antagônicos, sobrevindo, em seguida, os argumentos procazes – dispersando-os em direitura aos pontos de nevralgismo carencial.
     Os que ressumbram capacidade de suporte, no âmago do capitólico apanágio, lancinam- se quanto à manutenção dos seus equilíbrios homeostáticos. Caso contrário, permaneceriam em cabal desprimazia – mesmo estando no decurso de amplas desinibições – estimulando a fuga peremptória do estado de inclemente caos.
     As energias libidinais investem recursos provenientes da própria sinergética luxuriante, que é acumulada em gradações sucessivas e recrudescentes.

     O grupo se forma, de maneira extemporânea, visando à constância inoperante das pândegas realizadas diuturnamente. Assim sendo, as glutonarias implementam serviços completos, permeando inusitadas mirabolâncias, as quais são reutilizadas em  tarefas de crônicas fornicações, onde os estrugidos lúbricos detonam na presença de cada emissão vocabular.

                                      Wilson Cerveira

sábado, 19 de outubro de 2013

REMINISCÊNCIAS NOSTÁLGICAS DO AMIGO ENGENHEIRO CIVIL -- DR. LUÍS CARLOS PINTO DIAS

    Vi-o, a princípio, no Centro de Ensino Médio – Almirante Tamandaré, -- naquela quarta-feira da segunda quinzena do mês de setembro de 1982. No encetamento da confabulação, não pôde haver vislumbração dos perfis atinentes a ambas as partes. Uma porta semicerrada obiciava meu constrito ângulo de visão, e vice-versa. O que ainda assomava na intersecção entre dois blocos de concreto, -- na penumbra fechada --, era-lhe a imagem esguia, que transcrevia através do fenótipo os seus três decênios e doze meses de vida presencialmente vivida. Naquele ínterim, ele já ostentava os títulos de Engenheiro Civil e Professor. E, amortecendo o passo acelerado, consegui transpor a diagonal que me conduziria em sua direitura, possibilitando cumprimentá-lo. Esboçou-me um sorriso esquálido, e disse-me confidencialmente: -- o que remanesce é resistir ao carencial de base em matemática! A maioria sente dificuldade em solucionar a problemática das quatro operações. A partir deste parâmetro implexo, tem-se a ideia do imane trabalho a ser propugnado, arduamente, em decorrência do combalimento primicial da vetusta aritmética.
     Em detrimento da degustação de dois minutos de silêncio, dirigi-lhe outra vez a palavra, numa atitude tácita de quem dilacera a vacuidade ao redor. Aturdi-me de súbito, e somente vim a reinteirar-me a respeito da inusitada recomposição do diálogo intermitente, quando lhe disse que eu era torcedor do MAC (Maranhão Atlético Clube), também denominado de “Bode Gregório”, ou, então: “O Demolidor de Cartazes”. E, destarte, dando um interregno ao resfôlego, vocacionou-me para junto de si, e deu-me um abraço fraterno.
     Depois de uma abdução procrastinante, reencontrei-o no Liceu Maranhense, no turno vespertino, precisamente no dia 09/05/1985. De pronto, lobriguei-o perfilado, no canto esquerdo da lousa, em uma das salas de aula do corredor correspondente ao andara superior. E, sob a latência de um delíquio abstrato, estive a perambular, oniricamente, em sentido oposto, quiçá obiciando o átimo de rever o amigo, o mesmo que perpetuei na memória, recompondo de modo indelével o somatorial das lembranças colhidas no interior do prédio da Escola “Almirante Tamandaré”.
     Estuguei os passos em sentido neutralizante, dando-lhes uma nova forma de açodamento, para a condução do material que fora armazenado, de modo acurado, com o escopo de ilustrar as aulas teóricas, conquanto ainda estivesse nas apropinquações dos atos macerativos e cerceantes!... 
     Após palmilhar várias linhas meândricas das cerâmicas do piso do corredor, posicionei-me afinal no parapeito da janela, exatamente naquela em que ele estava a ministrar a sua aula magistral: “equações exponenciais. Tinha por vezo colocar sempre duas mais difíceis, numa atitude de quem busca uma provocação jocosa. Estas, ele me disse sussurradamente, são para o Sued. Depois do reexame, gostava de ouvir-lhe dos lábios a seguinte frase:” – alunos do Luís Carlos Pinto Dias, se não me engano, transpuseram a barreira da normalidade, e não ficaram presos na pragmática do ramerrão, resolvendo apenas o óbvio, o ululante, sem entreveros sucursais!
     Esquadrinhando a efígie de Luís Carlos Pinto Dias, chegaremos a vetores que não convergem, mas que sofrem esgueiramentos ao longo da trajetória a ser palmilhada. Um não desvela a projeção do outro, empeçando – em revertério – um provável rebatimento do plano de épura. O engenheiro, o professor e a pessoa de Luís Carlos Pinto Dias  posicionam-se, de tal modo, como se as três projeções representassem um flabelo escancarado tridimensionalmente. Assim sendo, no mais dilucidatório ponto parametral, jamais haveria probabilidade de colimação. Ao passo que, de maneira vocativa, -- a pessoa – em dias hodiernos, está sobressaindo aos mais excrescentes dislates.
     Em se tratando do Engenheiro Civil – Dr. Luís Carlos Pinto Dias, sempre assomava diante de mim, a criatura que se fazia ouvinte, prestando a máxima atenção no que eu lhe dizia. Antes de quaisquer dirimições, compulsava a minha singular pessoa da seguinte maneira: -- Dr. Wilson Cerveira Marques, meu nobre amigo, precisaria de que você me ajudasse a resolver uma questão de organismo, que é muito pior – conforme ele me dizia – do que qualquer quesito inerente aos percalços oriundos da geometria espacial. E, numa dialética intermitente, compunha a chama regenerativa de algum vislumbre resolutivo. Antes que nos despedíssemos, já havia colocado em suas mãos a chave conveniente, capaz de expungir as perplexidades predecessoras.
     É de bom alvitre exarar os recursos utilizados, não deixando de acompanhar-me – quase sempre – à soleira da porta de saída, para que pudesse reiterar o gesto de um breve adeus de despedida. Esta mesma ação foi se tornando crebra, conservando os laivos de uma etiologia inócua e amistosa – na suntuosidade do ser, quando em estado capitólico, prosternando-se ante a imagem maternal do perpétuo devir!...
     Em continuidade, trabalhamos juntos no Liceu Maranhense – de 1987 a 2000, sendo nove anos no turno vespertino, e, somente, quatro anos – no turno noturno. E, após o ato peremptório, fomos refocilando combalimentos priscos, e partimos em direções e sentidos opostos, sendo que, em contrapartida, tínhamos por receptáculo basal os colimadores de referência – a minha casa e a dele, e ambas nos serviam de égide. Em 2001, primeiro ano do séc. XXI, ele foi para o Lara Ribas; e, enquanto eu partia em direitura ao CEGEL.
     O alfarrábio que servia de preceptor – como timoneiro da destinação, reaproximou-nos mais uma vez, reconduzindo-o para o Colégio Bernardo Coelho de Almeida (BCA). No entanto, os turnos divergiam. Eu já me encontrava lecionando Biologia – no turno noturno, quando ele chegou para ministrar a disciplina Matemática – no turno matutino.
     De quando em quando, Luís Carlos Pinto Dias vocacionava-me para que pudesse colaborar com a anamnese orgânica, através dos paroxismos palindrômicos que apresentava no sistema digestivo, com especificidade entérica, todas as vezes que consumia hidroxilas presentes em bebidas contendo um recrudescente grau de fermentação. Novamente, depois de um silêncio prolongado, voltou a bater-me no ombro, bradando: -- Dr. Wilson Cerveira Marques, não posso mais tomar cerveja, pois passo três dias consecutivos com diarréia!... Aventei-lhe ser uma das parasitoses mais frequentes – e, numa chave dicotômica assinalei-as: giardíase ou amebíase. Disse a ele, na qualidade de profissional Farmacêutico, que fizesse, de imediato, exame parasitológico de fezes. Obedecia-me, e após dois ou, no máximo, quatro dias, trazendo-me o resultado de negativação suspenso na mão esquerda. E, agora, meu nobre amigo, o que devo fazer para descobrir esta irregularidade repetitiva?  Para efeito de complementação, caro amigo, deves proceder buscando outro tipo de exame, que é a coprocultura (cultura de fezes com antibiograma). Disse-lhe, estentoricamente, se for bactéria a localizaremos, no interregno de catorze dias, assim como, sem perda de tempo, saberemos o antibiótico específico, capaz de jugular a síndrome recidivante. Com dezoito dias, veio-me, outra vez, para dizer-me do seu enfado, pois o resultado era negativo, conquanto a sintomatologia intestinal recrudescesse com o decurso dos anos.
     Em 2009, primeira década do século XXI, submeteu-se a uma colonoscopia, cuja ilação diagnóstica a presença de quatro polipos, situados, circunscritamente, no colo intestinal. Depois da exérese, o cirurgião solicitou o exame histopatológico do material ablacionado. E, após o período regimentar de duas semanas, veio-lhe o diagnóstico laboratorial, apontando apenas um dos polipos como sendo de natureza neoplásica maligna. 
     Em 2011, esteve comigo na Noite de Natal, e degustou um “bodega privada”, vinho argentino – de boa qualidade. No ano seguinte, no meu aniversário, ele não pôde se fazer presente, como costumara ao longo de vários anos, e trazendo-me sempre uma dádiva. Desta feita, sem maiores dilações, houvera sido vítima de um heteróclito paroxismo palindrômico de tosse renitente.
     Telefonou-me, após noites de sono conturbado, meio aturdido, solicitando uma orientação. Disse-lhe que procurasse um pneumologista, e, através de exames radiológicos mais sofisticados, chegaria a um diagnóstico dilucidador.
     O especialista requereu o “PET”, como sendo a prova dos nove, segundo me confidenciara matematicamente. E, após o resultado pronto, me ligou com emergência, requestando a minha presença premente no Canto da Fabril, na Rua General Osório ou Catulo da Paixão Cearense, nº54, onde morava em companhia do seu irmão – Zeca Gordo, para os mais íntimos.
     Nesse dia, ao receber-me na soleira da porta lateral do terraço, a mesma que dava acesso ao seu quarto-de-estar, no qual permanecia a maior parte do tempo, em que se recolhia no valhacouto residencial; não esboçou o sorriso costumeiro, e sim uma tensão extrapolante, longe de quaisquer perspectivas de saída!...
     Com aspecto sorumbático, apresentou-me a ilação diagnóstica. Ficou em silêncio, tentando remediar o mal que o agredia sorrateiramente. Depois de um longo silêncio contristador, permaneceu macambúzio, -- ansiando sempre --, com o escopo de que lhe desse algum ânimo penumbral! As imagens me indicavam conspícuas infiltrações em ambos os pulmões!...
     Reiterei as mesmas atitudes que tomei quando ele fez a primeira cirurgia, passando a visitá-lo no espaço de quinze dias, e, durante esses interregnos, telefonava para o seu celular, com o escopo de manter-me atualizado quanto a sintomatologia – de natureza metastática – que se tinha decretado em seu organismo combalido. Entre silêncios intermitentes, perquiriu-me sobre as dosagens de quimioterapia que enfrentaria por doze vezes consecutivas.
      Andou em meio ao vazio da sala, demarcando a linha de uma bissetriz incompleta, para, em seguida, partir em diagonal direitura até minha singularíssima pessoa, e perscrutar-me se, desta feita, sofreria menos com as novas aplicações de quimioterapia. Não tentei iludir-lhe, apenas sopitei-o, visto que não havia outra saída diante do fatídico, suscitado negativamente pelo seu próprio organismo.
     As novas dosagens de aplicação quimioterápica, indubitavelmente, estavam lhe causando desconfortos maiores. A agressividade redobrou em meio ao depauperamento orgânico. Na quinta aplicação, após alguns dias, sentiu-se mal, com queda súbita da pressão arterial.
     Nas postremeiras visitas, por um motivo que foge ao controle de quem tenta agendar uma porciúncula de imperiosa significação. Caso ele telefonasse requerendo a minha presença, sobremodo em detrimento de outros afazeres, atender-lhe-ia, prestimosamente, rumando em direção a sua residência.
      Não pude dar-lhe o derradeiro adeus ao pé do túmulo, já que me encontrava na cidade de Santa Inês. E logo que lá cheguei, no dia 18 de julho de 2013, precisamente às vinte horas e trinta minutos, acionei o celular para que lhe compulsasse o estado de saúde, e pude ouvir-lhe a voz embargada por uma percuciente comoção de tristeza, ao confessar-me que não estava bem, pois sua pressão arterial oscilava para o grau de uma hipotensão deflagrada pela própria medicação contendo substâncias agressivas ao organismo.

     No sábado, dia 20 de julho de 2013 – dia do amigo – a notícia do seu trespassamento veio-me através do seu sobrinho Gustavo, que ficara em posse do seu telefone celular, e avisava a todos os seus conhecidos, colegas e amigos, que Luís Carlos Pinto Dias havia partido em direção ao oceano sem praias, com o escopo de estudar a geologia dos campos santos. E, destarte, num atonismo de abrupto luto, deixei resvalar sobre o chão, em aberto, a remanescente lágrima de eterna saudade!...

                                            Wilson Cerveira

terça-feira, 8 de outubro de 2013

A RESSUMBRAÇÃO DO DESAPEGO EM DIAS HODIERNOS

     Ludemira, após noites de insônia macerante, deu luz ao candeeiro de porcelana, localizado, em apenso, no espaldar do largo tálamo, como se estivesse à cata de demanda dirimitiva quanto à probabilidade de perquirir as comutações constantes – em sua grande maioria – verificadas neste hodiernismo deformante e degenerescente, as quais aduzem ao desapego, que é uma das fontes primiciais do dessentimento humano.
     De fato, o interlocutor, em sua plenipotência, consegue intuir a carência de sentimentos existentes em milhões de pessoas, fazendo com que as criaturas, em suas raízes basilares de gradativos egocentrismos, busquem o banimento de apropinquação, mormente no que concerne aos seres humanos, que, numa atitude alardeante e inequívoca, vêm a ressumbrar o execrável sentimento do frígido desapego.
     A relação binominal – pessoa e objeto --  quando perscrutada em percuciência minucial, vai se expendendo paulatinamente, e, depois remanescerão os laivos do esburgamento sem limites, numa atitude de suspeita quanto a origem desse perfunctório aparato de compra e venda.
     A falta de convivência requesta uma obliteração em gradações – quase imperceptíveis --, num somatorial impreciso de um extenso tempo a ser transcorrido milenarmente. Também, a evolução infrene, que é proporcionada por uma tecnologia de alto risco, suscita vários paradigmas de desprendimento.
     O tempo, em sua transitoriedade rompante, requesta meios de interpelar as razões ululantes dos uivos, urros e rosnamentos. Em sua imagética especiosidade contribui, direta ou indiretamente, para as varreduras meândricas, de natureza inopinada, da ressumbratória atinente ao hiperbólico desapego denotado neste hodiernismo metamorfoseante!
     Para acompanhar os modelismos psicodélicos, inaugurados a cada dia, induzindo-nos a experimentar, de maneira esturdiante, o imane trinômio existencial: vivência, experimentação e sofrência!...
     A composição das urdiduras da abdução, em regra generalizante, é heteróclita em sua raiz de latência; pois, em direitura, expende – quase sempre -- o criptograma de uma inusitada nau esquipática e de altíssimo grau cabalístico.
     O ser inumano, no cerne da sua desumanidade, desvencilha-se até das implexas imanências existentes em si mesmo. Assim sendo, relega o prestimoso atendimento de uma porciúncula do ego expeditivo, remanescendo no cabal soçobro percuciente do seu absconditismo.
     Os membros e demais aparatos, contidos em seus variegados escaninhos, ainda permanecem por longo tempo no telúrico, posto que a minoria das estruturas anatômicas seja denominada de próteses de elevada comutabilidade, acirrando as mais esdrúxulas ensanchas de readaptação funcional.
     Os indivíduos mundanos, mirabolâncias quadráticas de açodamentos, sucumbem no ramerrão componente do estrutural, ainda que estejam arraigados nas imanências obstinantes – na intrinsicidade dos seus próprios objetos de uso exclusivamente pessoal.
     Hodiernamente, em plena inversão dos parâmetros regem o comportamento humano, as criaturas estão partindo de um ponto da linha imagética do intrínseco para o extrínseco, e não vice-versa, expressando, com rigor, os ditames que estabeleciam os basilares e imprescindíveis indicadores da sustentabilidade digladiadora!...
     Neste desapego progressivo e estroinado, não se consegue demarcar, com exação, as margens territoriais, não tendo outra derivada cerceativa e capaz de desestugar os passos de quem parte, ou, então, de quem chega como timoneiro da enigmática destinação, que é obra exclusiva da Divina Providência, se bem que não tenha eclodido das numerosas intersecções biológicas de origem!...

     A meândrica senda virtual cerra o escopo do descortino, numa antinomia que desobicia os óbices existentes nas bizarras probabilidades de lobrigamento, perpassando ao largo das estúrdias sendas feéricas!

                                    Wilson Cerveira

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

APOLOGIA AO ERRO

    Dr. Laerth, após percuciente interregno de elucubração, estira as pernas e soergue os braços, aduzindo-os para os limites de extrapolamento máximo, uma vez que se encontra recolhido na concavidade da lona de uma vetusta cadeira preguiçosa, tendo como anteparo um travesseiro localizado na altura correspondente à linha sincipucial de sutura.
    Em direitura à casa de Lamiércia, sua antiga noiva de romance, o egrégio Laerth Carmesinus, numa atitude de quem anseia, com premência, a palingenesia, rebusca um pormenor do prisco, para inseri-lo, de modo interpelativo, no período em que cursava o consagrado “Curso Primário”.
    O provecto Carmesinus necessita de dois tempos díspares, para que possa cotejá-los quanto ao referencial do conhecimento. Desventuradamente, não há analogias entre ambos. E, no devir, a tridimensionalidade tomará caráter de maior interregnidade, pois os saberes possuirão embasamentos totalmente diferentes. No que diz respeito ao entendimento, não existirá liame de apropinquação, capaz de reger a desanalogia do desatrelamento entre o hesterno, o hodierno e o crástino.
    Neste hodiernismo metamorfoseador, manifestam-se ostensivamente os desincentivos primaciais deletérios, fazendo com que os falsos elogios cronifiquem o erro, no decurso temporal das desaprendizagens de inconcorrência!
    O ato de placitar o incorreto, em sua plenitude avassaladora, tem como escorço as partilhas de equivalência, sobremaneira as que estão atreladas aos vaticínios do devir.
    Hodiernamente, num descalabro a toda prova, fala-se do erro, com tanta ênfase, apontando-lhe todos os sindrômicos sinistros, como se estivéssemos prosternados – numa atitude de asceta – perante um insólito tipo de acerto! Em dias atuais, sobretudo em casos atinentes ao número de quesitos de um propalado concurso público, lobriga-se que a descomunal concorrência se preocupa com o número de questões erradas, dando a pseudo-impressão de que as certas, antigamente corretas, demudaram-se, de igual modo, alcançando o baixíssimo nivelamento dos erros considerados crassos.
    Hoje, a dimensão proporcionada pelo erro, sem parâmetro de equipolência, pontificou, altaneiramente, suscitando da antinomia entre a interpelação e o redarguimento. Então, está provada por todos os sistemas de cálculo, a real situação, que é de uma cizânia paradoxal. De tal modo, deblatera-se a frase: “exatamente errado”, dando a impressão de que houve a confirmação do acerto infringido, que é a solução ressumbrática do próprio erro, estando sob os efeitos nefastos de uma latência confrangida.
    Lamiércia, mesmo enfrentando as agruras do trabalho de artesã, acrescenta as prerrogativas dilucidatórias, ressumando a dilucidação seguinte: “comentários tomam proporções adimensionais, todas as vezes que os erros se proliferam ao longo da trajetória discursiva. Destarte, o erro, pouco a pouco, está sendo incorporado nos diferentes canais da ‘Mídia Propagandista, ’ aparatando características sorrelfas pertinentes a um ardiloso acerto, de capa dissimulatória, e, sendo, nesse caso, o ultimato quanto ao elucubratório e postremeiro átimo do polêmico comenos!...”
     Existem erros, nestes dias de evolução negativa, que passaram, com o prosseguimento gradativo dos anos, a serem acertos, e vice-versa. Tanto assim que, no final da década de mil novecentos e sessenta, se escrevêssemos a palavra “sobre”, teríamos, inelutavelmente, que usar o acento circunflexo na protótipa sílaba. Hoje, quando a digitamos, a partir de 1972 até os dias atuais de 2013, prescindimos a presença do acento.
     No término da década de setenta, as pornofonias e as pornografias eram vistas e sentidas como se fossem lídimas desonras para quem as escutasse. A sociedade as maculava como sendo laivos de opróbrio, isto é, ignomínias de banimento com relação ao convívio anterior. Ao passo que, hodiernamente, são aceitas na condição de ênfases vocacionais, que, na linguagem corriqueira, no sentido da hermenêutica, auxilia facilitando as apropinquações de pausas indicativas de verrena.
     Criaram-se, randomicamente, as leis de permissividade ignominiosa, legítimas imputações, em direitura ao pessoal familiar, identificando-as através de invectivas, consideradas aparentemente inócuas, tais como: avô- porrão, pai- porra e filho-porrinha, numa cabal homenagem degenerativa prestada nestes contristantes dias de torpe hodiernidade!...
     As possíveis respostas com relação às mensagens de congratulações, pêsames e tantas outras de maior importância, neste hodiernismo metamorfoseante, em tempos de mandriice e dessentimento. Esses reposteiros, de fato, tornaram-se indistintos, indiferentes, constando no somatorial de um prospecto agendário, abrangendo um amplo processo declinante da deseducação na educação brasileira. É a mais autêntica prova do relegamento direcionado à vacuidade existente nestes penumbrosos tempos sem registro, pois estamos a conviver, condicionalmente, com o encetamento de uma neófita geração do tipo ágrafa, que, no porvir, lavrará a ausência dos sinais convencionais da escrita.
     De igual maneira, a ad-rogação dos erros, de modo generalizado, é uma triste realidade. Há reiterações dessas cincadas, notadamente ao longo do tempo, fazendo com que esses equívocos sejam repensados como lídimos acertos. Um verossímil arquétipo reside no vocábulo aziago, sobremodo em sua ortoépia, onde a população insipiente prefere acentuar-lhe o “í”, demudando a supracitada palavra, infringindo a regra estabelecida, para, então, denominá-la de – “azíago”. Também, há outros erros que se consagraram com o tempo, que é o caso da expressão: “levêdo de cerveja”. Se a chamarmos de “lêvedo”, ainda que esteja absolutamente correta quanto à prosódia, passa para os ouvidos de quem a escuta, sobremaneira no que concerne ao vulgo, que, por muito tempo se adaptou com a pronúncia viciosa, uma imagem auditivamente errônea!

     A grande maioria da população, assim como, em decorrência do tempo de uso e desuso, tomando por basilar referencial este hodiernismo degradante, em que as pessoas, com certeza, são capazes de transformar erros em acertos, e vice-versa, numa interminável polêmica acirrada!...

                                        Wilson Cerveira

sábado, 21 de setembro de 2013

O ESPECIALISTA EM SUA CÁTEDRA DE PÓS-DOUTORAMENTO

     Rivaldi, a princípio, ficou aturdido quando – de esconso – vislumbrou o perfil do Dr. Resmurato, o especialista dos especialistas, envergando o consagrado traje doutoral, aparatando capelo e borlas, além do brilhante anel de doutoríssimo. E, por um instante de síncope, sentiu-se prosternado ante aquela imagem a insuflar em todos os quadrantes o fastígio da sapiência no ramo da ortopedia. Tinha diante de si, envolto num pesadelo incomum, a palavra abalizada e o parecer irrefutável de quem outorga e lavra o laudo, dando-lhe provas corroborativas e inconfutáveis perante as esferas administrativas e a opinião pública, revalidando-o de modo peremptório. 
     De fato, o paciente tivera outra impressão quando cerrara os sobrolhos sobre a pessoa do Dr. Resmurato, o mais  renomado Médico do esqueleto humano, sobremodo em se tratando das proliferantes e meândricas anomalias intrínsecas, as quais obiciam um discernimento dilucidatório. Pelo contrário, o reputado homem, atrelado ao âmbito científico, estaria a carecer de dados clínicos para compor a anamnese, e somente o paciente ajudá-lo-ia nessa difícil tarefa. Nesse caso, apenas a simplicidade pode determinar o sucesso quanto à demanda dos esquadrinhamentos científicos.
     É ressumbrável a parceria existente entre ambos, com o fito de recompor, de modo acepilhado, o diagnóstico clínico do paciente, ajudando-o quanto ao enumeramento dos sintomatológicos palindrômicos. Os adendos sindrômicos remanesceriam como sendo os pormenores expendidos no rodapé da postremeira página de anotações.
     Ao ritmar da vênia nímia, Dr. Resmurato redargüia convincentemente aos interpelatórios do seu cliente. E, desse modo, o contexto estaria  consubstanciado, e o médico especialista, -- numa atenção a toda prova --, coseria  os ouvidos nas apropinquações dos lábios do Rivaldi, para que pudesse escutar-lhe o pontificar do assunto, -- em direitura ao seu cerne basilar --, apontando-lhe todas as anomalias verificadas no seqüenciar de vértebras desalinhadas, conforme os testemunhos das radiografias, tomografias, densitometrias ósseas e ressonâncias magnéticas, estando as essenciais minudências, de maneira abrangente, exaradas nos respectivos laudos, -- como  basilar condição imprescindível ao encetamento primordial, no que tange aos procedimentos necessários quanto aos mecanismos de anteparação de inusitadas excrescências.
     Estes osteófitos, doutor, servem para exacerbar a dorsalgia ao longo do eixo vertebral. Como é de seu inteiro conhecimento, meu prezadíssimo pós-doutor, estas estruturas são verossimilhantes quanto à lidimidade morfológica, dando aspectos reais de agulhas ósseas que se apropinquaram das emaranhadas ramificações nervosas. E, se nos voltássemos para o vulgo, seriam denominados de bicos de papagaio. Assim sendo, ele nos dava a impressão de que havia regressado à escola dos seus tempos de adolescência, a fim de prestar a devida dissertação, estando novamente em presença de um olhar de soslaio – percuciente e inquisitorial – verossimilhante ao do insigne mestre – Dr. Esternalício, um egrégio perito no ramo das Ciências Biológicas.
     Rivaldi, apesar de ter ao seu redor uma montanha de tempos sepultados, não conseguia afastar-se do passado e render-lhe o que ainda remanesce de mais sublime: “o eterno culto de gratidão”. Nessa ensancha, de circunspecto silêncio confidencial, as bocas sem lábios prostrar-se-iam no intrínseco esfíngico dos sepulcros lacrados, numa atitude de quem reverenciou o prístino, de forma meditativa, e aprendeu salutares lições!
     O especialíssimo especialista, ao reexaminar o seu próprio laudo, numa vetusta manhã, -- de sol canicular --, estarreceu-se perante a ilação diagnóstica. Verificou, através de analogias radiográficas, as verossimilhanças com ao laudo do paciente, precisamente o que estava sendo reexaminado por ele, obedecendo a mesma equiparação cronológica.
     Na ante-sala, Rivaldi, cosido à parede, entre um cicio e outro, ainda pôde escutar o relato da paciente Elízia, que discorria a um especialista, situado ao seu lado, a etiologia dos paroxismos palindrômicos, tendo por encetamento basilar a região cervical, causando-lhe uma constante cervicalgia, abrangendo, também, várias algesias sinestésicas, assim como, uma dorsalgia no decurso do tempo, em detrimento do somatorial das  inúmeras anomalias ressudadas no eixo vertebral, no enveredar desta fase prodrômica de provectude.
     Há tantos outros arquétipos que integram o teste reptador do especialista. Nesse caso, ele, o doutoríssimo, é o próprio paciente, ostentando todas as carências orgânicas, e que se colocou na condição infensa, -- em pleno gládio --, propugnando uma das patologias atinentes à sua enfatuada especialidade médica. É  uma reptação impertinente a exarar o seguinte: “Cura-te a ti mesmo, já que te achas dono de uma verdade científica amplamente mutável, no decorrer das experimentações substituíveis e das mais inusitadas tecnologias concernentes ao hodierno e ao devir.
     O especialista especialíssimo tem por propendência o beneplácito, máxime no que concernia ao ato de resistir ao máximo o grau de rejeição estabelecida. E, por ilação, teremos o flabelo indicativo das mais diversificantes especialidades existentes no atroz mercado de trabalho.
     Com altivez, disse, então, o personagem protagonista: “tenho por desiderato precípuo ajudá-lo na composição da anamnese”. Doutor, há muito tempo, sem estigmas prístinos, declarou o cliente: “meu organismo ressumbra paroxismos palindrômicos ao longo do eixo vertebral”. O encetamento desse transtorno, altamente excruciante, deu-se na região cervical. Assim sendo, a cervicalgia vem recrudescendo paulatinamente. No hodierno, a dorsalgia é uma evidência ululante. Também, em dias recentes, Rivaldi aparata uma bursite trocantérica, com algesia sinestésica percuciente.
     O especialista, escudado em seu título de pós-doutoramento, encontra-se estribado quanto aos argumentos formulado, demandando redarguimentos plausíveis e convincentes no que diz respeito ao ressumbratório dos caracteres somatorizados ao longo do tempo de desvelamento.
     O reputado especialista estava diante de si mesmo, em presença de um espelho testemunhal, onde havia o ressumar de um ângulo hermético, no qual a imagem produzida é vista, de modo amplo, em detrimento da auto-especialização. Dependendo das circunstâncias carenciais de determinada região, chega-se a um ponto antinômico, tendo como resultante a desespecialização do aclamado homem especialista.

     A imane primazia das grandes especializações, em suas acepções capitólicas, o pós-doutoríssimo assina, com solércia esfíngica, o seu próprio laudo condenatório, antes que tenha, indubitavelmente, de enfrentar a geologia dos campos santos, para que possa partilhar – em cabal putrefação – das épulas bacterianas!

                                                 Wilson Cerveira