quarta-feira, 23 de março de 2016

ERROS REITERATIVOS

     Nada expungiria da minha memória estertorada, a esquálida efígie do meu mestre em Língua Portuguesa – Irmão Luciano, precisamente com relação ao ano de 1968. Nesse tempo, ainda se aprendia o básico necessário quanto à manutenção do aluno – visando sempre a sua classificação porvindoura – dentro do concorridíssimo mercado de trabalho!
     Hodiernamente, após o transbordo do número de concorrentes com relação ao número de vagas, houve uma lassidão progressiva no que se refere ao ato de estudar, tendo por finalidade precípua uma imane antinomia: desaprendizagem do conteúdo anterior, comutando-o por outro – de eficiência menor.
     O mestre Luciano – luminar em vernáculos neolatinos – mormente os idiossincrásicos –, e, também, sabia respeitar todos aqueles que demandavam novos horizontes. Sim, o venerável mestre ficava sempre à cata de adendos capazes de comutar palavras gastas e erros contumazes e reiterativos, os quais, sem exceção, iam, paulatinamente, contaminando as gerações prístinas.
     O catedrático em Língua Portuguesa, não confutava a náusea que sentia – “quase vômito” - quando premoniciava a reiteração de palavras, oral e graficamente, singradas com estigmas indicativos de erros crassos, durante todo o ciclo de aprendizagem escolar, dando a especiosa impressão de que o discente resolvera ad-rogar a repetência, permanecendo na mesma série – por quatro vezes consecutivas – sem que houvesse usufruição com relação as probabilísticas derivativas!
     Durante as aulas de Português, o emérito especialista em semiótica, comentava, por meio de acirradas diatribes, a obsessão reiterativa de equívocos irrefutáveis, estando presentes na linguagem escrita e falada. Destarte, estes vaticínios realísticos iam sendo inoculados nas cachimônias das gerações porvindouras! Consequentemente, não havia quem os contivesse, já que vinham sendo escutados no ramerrão; pois, tomavam a direitura que aduz ao inumamento cognominado de sossego eterno!...
     Essas incorreções palindrômicas podem ser incorporadas, indistinta e sutilmente, aparatando imanes recrudescências arraigadas contendo percucientes estremaduras..., e outros absconditismos escusos, com máculas degenerativas irreversíveis!
     Os induzimentos corroboram a ressumbração, à miúde, fazendo com que o proponente aprendiz opte direcionadamente, avocando o descortino para a linha vetorial do átimo colimador da arguição, mormente na prova relacionada ao supersaturado mercado de trabalho, cuja concorrência é determinada consoante as vagas oferecidas através de concursos públicos.
     No cotidiano, em geral, acentua-se indevidamente a palavra rubrica, transformando-a em proparoxítona. Em princípio, sabemos que o lídimo vocábulo não ostenta o designado acento, e permanece na classificação de paroxítona, que é a sua real acepção plausível.
     Por que essa tendência deletéria em primaziar os vocábulos, induzindo-os em direitura à fileira implacável dos falaciosos proparoxítonos, ainda que não o sejam quanto à adesão do que se denomina de “corretivismo vocabular”, ressumando uma inusitada expressão neológica.
     Também, arquetipa-se o “pudico”, em vez de – pudico – (que é o paroxítono escorreito). Assim, é o termo “ávaro” – cabalmente equivocado, em vez de – avaro – (que é considerado um lídimo paroxítono). De igual maneira, temos, também, a terminologia “azíago”, provinda da frase proverbial “dia azíago”, que é plenamente execrável. Pronuncia-se corretamente, no ínterim em que não a acentuamos quanto aos manifestos: gráfico e fonético.
     Mais uma vez, deparamo-nos com o errôneo prevalecendo no vernáculo. Então, por mais que se abomine, devamos prolatar a prosódia assertiva para todos os casos circunstanciais, ratificando sempre o vernáculo Português, sobremodo no que concerne ao exatorial abrangente!...
     O hodiernismo agruroso estabelece a fonética correlacionada ao ominoso, que é, propriamente, o reiterativo – aziago – aclamado por todos aqueles que, de fato, amam o escorreito em sentido lato e irrestrito, sem que haja hesitações correlacionadas aos estudiosos dos diferentes idiomas.
      O meu saudoso mestre – Irmão Luciano – vocacionava a devida atenção do aluno para com este tipo de círculo vicioso, assimilado desde os pródromos até chegar ao período de maturidade máxima, onde o inveteranismo medeia em todas as diagonais, randomicamente, em direitura às emergenciais circunstâncias, podendo ou não redimensioná-las de conformidade com os pendores de cada individualidade assimilatória. O implexo é ser um lídimo epígono. Caso isso acontecesse, poderíamos nos revestir de cabal respaldo, adquirindo, dessa maneira, condições propícias para repassar as lições dos egrégios mestres, abrangendo todos os itens relacionados a uma polimatia de caráter panacéico!  A educação exige a presença de legítimos educadores!

     Assim sendo, em tempo prisco, o mestre ostentava do senhorio – indicador precípuo – para que ele se mantivesse como ponto parametral diante de uma turma de estudantes, com aparatos diversificados em vários âmbitos da cognosia humana! O mais complexo de todos os fatores plausíveis, seria a utilização adequada da empatia quanto ao comportamento do aluno e suas díspares aplicabilidades funcionais! ...

                                         Wilson Cerveira

quinta-feira, 3 de março de 2016

DOIS PSIQUIATRAS AGRILHOADOS

   Dois psiquiatras plantonistas foram algemados por dois psicopatas que os deixaram no interior das próprias salas de seus consultórios, estando situadas no respectivo manicômio, no qual revezavam atendimentos mais prementes àqueles que careciam de psicotrópicos mais fortes, mormente no que tange aos percentuais de concentrações estabelecidas nos receituários.
     Nestes compartimentos restritos dos hospitais, lobrigam-se junto à parede uma pequena cama móvel, com dobradiças bilaterais, facilitando, desse modo, a abertura e o fechamento dos respectivos beliches.
     Os doutores em psiquiatria, notadamente os plantonistas – Gumesino e Guilhermino –, ambos necessitavam também de uma medicação que os induzisse ao sono. Logicamente, para que não houvesse ressumbramento do silêncio da confissão, mandavam buscar esses barbitúricos em países estrangeiros. Os seus pacientes não conseguiriam ler os bulários, visto que os caracteres gráficos implicavam conhecimentos dos idiomas: chinês e japonês. O risco seria bem menor, pois, decerto, naquele manicômio, mal sabiam ler e escrever o vernáculo “Português”, assim como algumas frases comezinhas em idiomas neolatinos, tais como: francês, italiano, espanhol, castelhano etc.
     Os esquipáticos, também, ressumam lampejos ao seu derredor e dentro de si mesmos, numa tentativa intermediária, à qual estaremos direcionados com atitudes de normoanormalidade, que é uma variância entre o normal e o anormal, com relação a relatos atinentes aos díspares comportamentos aparatados, mormente em circunstâncias de descomunal adversidade.
     Nada impediria que os insanos do Manicômio Santo Antônio, em determinado átimo de lucidez, fossem à cata de inusitados adendos que, em analogia, com percuciente cunho gnóstico, confrontar-se-iam com elementos de alta capacidade de raciocínio; porém, aparatando as minudências de um perscrutar impressionante oscilando entre o bem-querer e o malquerer. Várias noites de insônia renitente foram-lhes impostas por aqueles implexos comportamentos advindos de suas próprias índoles malfazejas.
     Todos esses sujeitos disturbiantes e portadores de proliferantes sindrômicos, ainda aduzem os mais experientes requintes quanto ao âmbito vaticinatório. Todos podem melhorar temporariamente. Uma pianista, com problemas disfuncionais do sistema nervoso, poderia tocar os grandes clássicos, sem hesitação, com veemência!
     Decerto, era pianista de mão cheia, pois entendia as partituras dos mais conceituados clássicos. Tocava-os divinamente bem, dedilhando as teclas maviosamente, como se fosse sempre mostrar extrema habilidade – acelerava as teclas do vetusto piano; e, posteriormente, em surdina, desacelerava pouco a pouco, para então, voltar a exprimir a sua maestria diante do maestro de Bologna – cidade italiana de altíssimo recurso quanto as apropinquações inseridas nos diversos aparelhos eletrônicos – da derradeira geração.
     Realmente, os dois psiquiatras tomavam altas dosagens de remédio controlado. As concentrações eram além do suporte normal do organismo. Para neutralizar e anteparar os hepatócitos fazia uso diário de Xantinon, Metiocolin B12, alcachofra (redução de colesterol e triglicerídeos). A manutenção é basilar, assim como, sem expiar algo hesitante, a abstenção de determinadas substâncias ricas em gordura, verdadeiras toxinas para o sangue circulante.
      Izídio, segundo a avó Lucrécia, era chegado a esses devaneios, que mais pareciam delírios-alucinatórios percucientes e de caráter irreversível, no que tange a improbabilidade de regresso a um denominador comum.
     Gumesino e Guilhermino não escolheriam pacientes – desse tipo -- para clinicar, de modo falacioso, suas próprias anomalias evidenciadas em trechos onde os neurônios não conseguiam realizar uma autêntica sinapse, fazendo com que a acetilcolina falhasse em especificados trechos encontrados no intrínseco dos mais variegados comportamentos mentais, estando alterados para mais ou para menos.
     Se esses remédios, tomados apenas à noite, teriam a intenção de privar os impulsos, repuxos etc, que lhe vinham à tona, produzindo a falaciosa necessidade de náusea. Somente algum cientista, -- dedicado ao implexo ramo da psiquiatria, -- seria capaz de dilucidar.
     A população do manicômio Santo Antônio agrilhoou-os com a finalidade de verificar se esses especialistas em doenças mentais seriam portadores, também, de outras patologias ainda não ressumbradas pelo vasto âmbito científico.
      Decerto, sem dubiedade aparatada, ambos traziam no abscôndito de suas indumentárias duas armas antagônicas: uma pistola ponto 40 (de preferência do Gumesino); ao passo que, sem hesitação, o Guilhermino priorizava um belíssimo punhal ostentando os brasões do Império. A lâmina resseccionaria qualquer jugular, determinando o perecimento da vítima por exaurimento completo do sangue.
     Se ambos os psicopatas não tivessem tido o presságio de agrilhoá-los – de uma vez por todas – a população do manicômio Santo Antônio sucumbiria na madrugada do dia seguinte.
     Esses dois nequícios profissionais da psiquiatria não se aprestavam para reduzir os diversos números de clientes, ostentando disfunções mentais. Pelo contrário, eles pensavam em restringir os loucos, aqueles que não prodromizavam reações; de fato, nefelibatavam, em demasia mas que, despercebidamente, já se encontravam em recrudescência quanto aos síndrômicos oriundos de palindromias irreversíveis.
      Hodiernamente, é mais coalescente profligar a barreira dos psiquiatras psicopatas, evitando que eles causem a eliminação em massa dos seus clientes. Até o presente átimo, a ciência prossegue impotente –em todo seu horizonte –não ressumbrando os parâmetros correlacionados aos paroxismos tangíveis e intangíveis, e que são incapazes de estabelecer os sindrômicos   inopinados das mais heteróclitas psicopatias, pois estão a depender de cada organismo. Essas neuropsicopatias ressumam  anomalias incognoscíveis, abrangendo até os meandros das evoluções cientificas, ainda não determinadas pelas derivações ostentadas através das labirínticas complexidades dos neurônios cerebrais.
      Ninguém precisaria lobrigar a bruxuleante luz, visto que a estremunhação havia passado ao largo, deixando todas as circunstâncias em aberto. De fato, os psiquiatras eram mais psicopatas, -- caso fizéssemos referência a todos os outros doentes mentais que os circundavam, adendando, também, os mais dissimulados; isto é, a maioria dos vesânicos que se encontravam lá – do lado de fora – ressudando impossibilidades de adentramento, de modo abrupto, no precinto manicomial.
     Como é implexo caracterizar a insânia, abrangendo, todos os seus sindrômicos. Há variâncias no intrínseco mental dos seus quadros sintomatológicos. Os pacientes, após os paroxismos acometidos, divergem bastante. A moca, ainda em estúrdia, não ostenta verossimilhanças que recordem as esquipatias repentinas. Ela, quando em crise, detesta ouvir os clássicos, assim como, em estabelecido ínterim, execra o ato de dedilhar as teclas do piano de cauda. Sempre o fez com maestria! Minutos depois, era o seu irmão, um guapo rapaz, que reencapava os discos de vinil, ressudando um psicopatismo súbito. Logo que recobravam as disfunções neurológicas, regressavam os vetoriais dos seus desideratos em latência mórbida.
     Deveras, não se pode, com exação, precisar quem é o mentecapto, porquanto os pródromos de determinadas neuropsicopatias ressumam instabilidades – ora com sinais de normalidade, ora com sintomas que oscilam entre um comportamento normoanormal, suscetível de variegações imprecisas!
     O diagnóstico, por mais que a anamnese seja perquirida, torna-se algo complexo quanto ao seu encerramento. Não há posicionamentos resolvidos nem palavras definitivas para vários distúrbios psicossomáticos. Desse modo, a angústia relacionada ao inexequível se converte em algo inefável...
     Os atestados psiquiátricos ficam invalidados com o decorrer mínimo do tempo. Não se sabe até em que átimo, comprovadamente, terão o seu valimento. O que havia sido dito, intempestivamente, poder-se-ia reverter de modo cabal, suscitando inusitadas condições palinódicas.  Então, deletar-se-ia o que fora anelo no prisco, para, nesse caso, fazê-lo palingenésico em toda a sua natureza de expectação!...

                           Wilson Cerveira