sábado, 29 de junho de 2013

NORMOANORMALIDADES NA MÍDIA

      O ato de não se manter na mídia, em tempos de pretérito recente, era visto como sendo algo anormal; e, no hodierno, a mesma ação é lobrigada como sendo um procedimento de âmbito normal, uma vez que a superocupação – lídimo psicopatismo –impossibilita quaisquer arquétipos de manutenção comunicativa.
     A mídia é relegada, de maneira indubitável, em meio aos inúmeros artefatos tecnológicos. Especiosamente, vislumbra-se uma supersaturação dos condutos cibernéticos, pois todos, quase sem exceção, parecem estar obliterados diante de tantos imbróglios contextuais.
     Interneudo, cognome bizarro, era o Alexandrino, homem que demandava o perfil de voo, dando a pseudo-impressão de estar inserido no espaço aéreo das píncaras ondas comunicativas, se bem que estivesse com os pés arraigados nos interregnos gravitacionais do telúrico.
     As redes sociais exercem as funções basilares atinentes às necessidades egocêntricas. Os sujeitos se posicionam com o escopo de satisfazer, sob forma espectral, o seu próprio ícone. E, desse modo estrambótico, não redargúi a nenhum questionamento, dando sinal de ocupado, de ausente, de sempiterno, com visionária visibilidade, ficando entre as faixas dos espectros: invisível e visível!...
     Também, Leocardino reminiscenciava a pragmática da normoanormalidade atuante na mídia, nestes dias de desencontros consecutivos. Apresentou-nos, à sorrelfa, os seus objetos fantasmagóricos, enfileirados em três ambiências: os que eram, dificilmente, ligados à eletricidade; outros, que, embora funcionassem precariamente, jamais serviriam de estímulo para inusitadas destinações, afora o uso ramerreico do espanador, tirando-lhes as poeiras exacerbantes. Outrossim, existem aqueles que não possuem conteúdos, apenas continentes e demais aderências cabalísticas, que estão absconditadas em buçais de altíssima rotatividade presuntória!...
     Há, também, elementos interpolantes -- das mais variadas estratificações sociais – os quais requerem etiquetas, contendo todas as informações concernentes aos implexos mecanismos tecnológicos, conquanto ainda estejam distantes do poder aquisitivo desses suspirosos pretendentes.
     Em tempos de ondismos psicodélicos, o ciborgue, (indivíduo ao qual se adaptam dispositivos mecânicos que comandam suas funções fisiológicas vitais), apenas, se locupleta ao pronunciar o nome da marca do objeto que se acha em voga!... Se, ao regressar ao ponto de partida, encontrar vários impressos propagandistas, não hesita no sentido de trazê-los consigo, enriquecendo ainda mais o número recrudescente de perquirições auferidas.
     Saibais, decerto, que o símbolo integra o processo de comunicação presente no cotidiano das pessoas em diversos segmentos do conhecimento humano. Ele pode ser definido como um objeto físico a que se atribui uma significação, muitas vezes abstrata, por força da tradição ou da semelhança.
     A linguagem humana é repleta de simbologias. Algumas são reconhecidas internacionalmente, enquanto outras são entendidas dentro de um determinado grupo ou contexto. Destarte, a história nos ressumbra que todo o cosmos pode ser considerado um símbolo em potencial. Ila-se que, após elucubração, tudo o que nos apropínqua ou identifica; isto sim, sem perplexidade, readquire uma caracterização em ícone.  Assim, o homem transforma, inconscientemente, objetos ou formas em símbolos meritórios, atribuindo-lhes, assim, uma descomunal acepção psicológica.
    De acordo com Carl Jung, uma palavra ou imagem é simbólica quando implica alguma coisa além de seu significado imediato e manifesto. Esta imagem tem um aspecto “inconsciente”. Esta imagem tem um aspecto inconsciente mais amplo, que nunca é precisamente definido ou inteiramente elucidado. E nem sempre podemos ter esperanças de defini-lo ou explicá-lo. Quando a mente explora um símbolo, é conduzida a ideias que estão fora do alcance da nossa razão.
    Assim toda experiência contem um número indefinido de fatores desconhecidos, sem considerar o fato de que toda realidade concreta sempre tem alguns aspectos que ignoramos, uma vez que não conhecemos a natureza radical da matéria em si, esclarece Jung. Nesse caso, é de bom alvitre exarar que, de acordo com o psicanalista, existem acontecimentos de que não tomamos consciência e são absorvidos subliminarmente, sem que tenhamos consciência deste fato. As pessoas só os percebem por meio da intuição ou da reflexão. Entretanto, no devir, podem ressurgir sob forma onírica, ficando por longo tempo em estado de latência!...
    De fato, não se pode, hodiernamente, usar de tantas esquivanças com relação ao conjunto que integraliza a abrangência dos mais díspares meios de informação e comunicação (imprensa, rádio, televisão etc). A mídia, mesmo em estado estróina, representa cada um desses meios de comunicabilidade real ou fictícia. Também, é considerada como um imprescindível setor de uma agência de propaganda, que planeja e orienta a veiculação de cartazes, filmes, anúncios etc.
    Reitera-se que, faz séculos, depois da argila, do papiro e do pergaminho, a humanidade transmite conhecimento no papel. Dos livros manuscritos pelos monges medievais até a pagina enviada por fax, era sempre papel. Lentamente, escrita e leitura passaram a se dar através de telas de vidro – mais propriamente de cristal liquido, de diodos emissores de luz. Começaram a sair livros para leitura em palmtop, computador e em laptop. Depois, para surpresa geral, vieram os smartphones; cujas ferramentas mais recentes aparatam tela de superamoled full HD de “5”; 2 Gb de memória RAM, processador Exyos de até oito núcleos, câmera principal de 13 megapixels e câmera frontal de 2 megapixels e ainda a versão mais recente do sistema Android – a Jelly Bean fazem parte do inusitado smartphone, que exagera em altíssima tecnologia.
    Realmente, tudo pode ser considerado potencialmente um símbolo. Qualquer coisa que nos cerca pode adquirir um significado simbólico, como objetos construídos pelo homem, a natureza, assim como formas abstratas. Alguns símbolos são formados por iniciais de entidades ou por logotipos de produtos comerciais.
    Por fim, os tablets e os leitores eletrônicos, desses que acabam de chegar ao mercado brasileiro: Kobo, Kindle, Google Play. Outrossim, nos países ricos, a transição está avassaladora. Desde o ano pretérito, a Amazon, um mamute do varejo on-line, já vende mais livros digitais do que livros físicos no mercado americano.
    Na Inglaterra, a virada acontecera em prístino recente, em razão da acolhida estrondosa de Cinquenta Tons de Cinza, de E.L James, que vendeu dois milhões de exemplares eletrônicos em quatro meses. Na Alemanha, o ano fechou com a venda de 800.000 leitores eletrônicos e tablets, o triplo em relação a demanda anterior.
    Sob qualquer ângulo que se examine o cenário, é um momento histórico. Fazia mais de quatro milênios, desde que os gregos criaram as vogais – o “aleph” semítico era uma consoante que virou “alfa” dos gregos e depois o “a” do nosso alfabeto latino --, que o ato de ler e escrever não sofria tamanho impacto cognitivo. E, os mais recentes suspensórios tecnológicos, em tempos hodiernos, parecem recrudescer, cada vez mais, as probabilidades malogradas existentes na raiz basal da comum descomunibilidade reinante. E, assim sendo, havia mais de cinco séculos, desde os tipos móveis de Gutenberg, o livro não recebia intervenção tecnológica tão significativa.
    Nesta normoanormalidade midial, já existem “livros enriquecidos”, que trazem trilha sonora, vídeos e fotografias, novidades já disponíveis no Brasil. E, em se tratando da Inglaterra, a edição enriquecida de “Aventuras de Sherlock Holmes” emite sons – gritos, trovões, ventos uivantes – à medida que o leitor avança nas páginas. Tudo é adicionado automaticamente. Uma edição de “On the Road (Na estrada)”, clássico de Jack Kerouac, traz mapa, biografias, fotos e um áudio de quase dezessete minutos do autor lendo um trecho do livro, de origem até hoje desconhecida. É um aplicativo para tablet. Até os segredos da leitura, antes indevassáveis na mente do leitor, agora estão sendo revelados. Amazon, Apple e Google espiam o leitor a qualquer hora. Sabem quantas paginas foram lidas, o tempo consumido, os títulos preferidos.
  
                                                    Wilson Cerveira 

       


domingo, 23 de junho de 2013

O CASTIGO DA PEÇONHA NO INÓCULO

    Há frases pandas, enfunadas – lídimos relicários – no mais acendrado fastígio (abrangendo o continente e o conteúdo), gerando acepilhadas logopéias, onde o sentimento perflui os vasos de pequeno, médio e grosso calibre, quando neles veiculam sangue venoso e arterial, contendo percentuais significativos de carboxi-hemoglobina e oxi-hemoglobina.
    A rejeição tem a sua etiologia descrita, principalmente quando se trata de um determinado comportamento esquipático, em que, na trajetória, -- mesmo em absoluto silencio sepulcral – pode conter as centelhas de uma vetusta sanha infrene, tendo por colimador imprescindível o extermínio fulminante. E, de fato, a ilação dar-se-á, sem perplexidade, no átimo exatório e determinante da extrema necessidade de vindita com relação ao companheiro infenso!...
   A nau capitânea, por mais redundante, prossegue na expectativa de ressurgimento da madidez do sêmen, como se o corpo de sazonalidade fosse todo um deserto – sem oásis – à espera angustiante de uma chuva bastante postergada.
    O desiderato da reminiscência está à mercê das circunstancias, porquanto emerge do inóculo hermético, com finalidade precípua de remanescer absconditado na peçonha, ou, então, se afasta da virulência, à sorrelfa, para sopitar, desesperadamente, tendo por basicidade a resina renitente do suplício estentórico e interminável.
    É de natureza ambígua esse descomunal escarmento, já que não se sabe, com certeza, a direitura a ser tomada pelo elemento transitório, sobremodo quando demanda – por desprazer desditoso – o seu inferno astral, escolhendo a peçonha objurgatória ou o inóculo, cabalmente, soçobrado.
    Às vezes, por infortúnio da sina, a penitência da peçonha, no inóculo, atinge somente um dos digladiadores atinentes ao desiderato. Ao passo que, sem dilucidações plausíveis, o outro, -- que é o maior causador da tumefação deflagratória dos anexos prepuciais, exime-se da sua conivente imputabilidade.
    Não se concebe a senda real da destinação do fluxo, podendo partir da peçonha para o inóculo, ou, vice-versa, egressando da imersão, para – em direitura – chegar à essência da substancia tóxica. Dessa forma, a morte colapsal do ser está, geralmente, presa a dois ergástulos – um, indicando emersão; o outro, submersão!...
    O cautério da peçonha pode ocorrer na extrinsicidade do contamínio, sendo labirínticas as encruzilhadas das horizontalidades e verticalidades a serem referendadas como pontos basilares de partida ou de chegada. E, nessa hesitação constante, não seremos capazes de localizar, com exatitude, o imprescindível ancoradouro.
    Quem tangencia algum ponto cabalístico existente na trajetória, jamais pode se esquivar dele. A obsessão contumaz passa a comandar todos os impulsos – tanto os externos quanto os internos, determinando um cipoal de amarras inacabáveis.
    É, realmente, algo viscoso e virulento, tomando conta de todas as probabilísticas proporcionais vigentes. Neste caso, não se percebe a dimensão do masmorral. E, quanto ao desiderato de eclodir do ponto em que fora encontrado, redimensiona-se a inusitada paragem das reticências de intersecção curvilínea.
    Não há mistifório pior do que o que fora extralocalizado, tendo por colimador centros fugazes, estabelecendo, em outras condições antagônicas, a reversibilidade dos comportamentos periféricos.
    A perfunctoriedade se faz presente à medida que outros fatores redargúem, expressivamente, o mais alto rigor de profligação, sobretudo em se tratando da impossibilidade de reagir a óbices impertérritos; também, na similitude pinacular atinente a meros átimos fortuitos.
     Deveras, não se continha diante do mastro, onde estava sentada a belíssima-- Espanca, que era a esperança meteórica da lidima presença – dissera, em cabal tacitez, o exímio analista – Saturnino.
    Sem maiores alardeamentos, a soturnidade não permitia que Espanca vislumbrasse a caixa cabalística, que era uma reptação à sua própria existência, pois ressumbraria as raízes amaríssimas do padecimento contristador, banindo-lhe as probabilidades de dormitar em um interregno estabelecido.
    No interior dessa caixa esfíngica, havia a umbria fenotípica de outra criatura – a própria Cabala, que era a sua maior concorrente. Sim, era uma linda mulher (trazendo um tipo fatal de manobra secreta) e quase tão bela quanto a mais venusta das deusas. Seus olhos eram azuis como o mais límpido céu e de sua boca vermelha e úmida partia um hálito fresco e perfumado. Sua pele era macia como o mais bonito dos veludos, e, recobrindo-a por inteiro, havia ainda uma delicada penugem, que lembrava em tudo a maciez da casca do pêssego. Seus membros, por sua vez, eram delicadamente proporcionados, tendo sido exilada deles à força, em proveito da graça. À frente do peito da deslumbrante criatura, lobrigavam-se dois pomos, os quais ostentavam leveza – ao toque, ao mesmo tempo macios e firmes, coroando-os ainda, num requinte de perfeição, com duas delicadas protuberâncias, que recordavam duas pequenas cerejas.
    Suas curvas eram perfeitas. De cada flanco do corpo desciam duas linhas curvas voltadas para dentro, expandindo-se somente à altura da cintura para dar lugar a um estonteante panorama, tendo ao centro um triângulo hermético, que guardava dentro de si todos os segredos da vida e de sua procriação.
    Amiúde, a extasiante Cabala hesitou se abria ou não a fantástica caixa. Mas, depois, depositando o precioso objeto ao lado do travesseiro, adormeceu percucientemente. E, então, sonhou que dentro dela saíam, como por mágica, cavalos alados da cor do mar e aves luminosas de diversos tons esmeraldinos. Dos bicos prateados das gigantescas aves, com certeza, originava-se uma canção de magnífica beleza, que a enterneceu até o âmago mais profundo da alma. Homens e mulheres amplexavam-se desnudos, em pleno ar, ao som desta cantiga inebriante, misturando-se àquelas criaturas -- de tal modo, que pareciam ter asas como elas.
    Despertando com aquele devaneio mirífico, Cabala estendeu a mão imediatamente para o seu presente. Não podendo mais conter o seu desejo, ergueu a tampa numa volúpia insana de curiosidade que lhe pôs na espinha um arrepio gelado.
     Nem bem ergueu um pouquinho a tampa dourada, Cabala sentiu-a ser arrebatada das mãos, caindo ao chão, longe da cama. Assustada, ainda assim, manteve o objeto preso entre as mãos. Então, ela viu escafeder de dentro da caixa algo a principio sem forma. Parecia que todos os ventos do mundo se escapavam desordenadamente dali, na pressa da fuga. Incontinenti, um deles tomou a forma de uma caveira volátil, parecendo toda feita de cristal e de vento. Tomando uma dimensão estarrecedora, o escanifrado anatômico apropinquou seu rosto rútilo da face da pobre moça, que fremia de medo. Podia sentir na fisionomia o bafo mortalmente gelado que passava por entre os dentes de gelo, completamente arreganhados, do horrendo esqueleto.   
    Por alguns instantes, aquele espectro macabro a examinou com suas órbitas vazias, esquadrinhando-a sempre com seu bizarro sorriso de vidro. Depois seus maxilares bateram reiteradas vezes, um de encontro ao outro, aumentando cada vez mais o ritmo a um ponto tal que ela somente podia lobrigar aquelas fileiras diáfanas de dentes, martelando-se uns aos outros,  e parecendo inelutável que se fariam em pedaços diante de seus olhos atônitos.
     Algo parecido a uma gargalhada escapava por entre os rápidos intervalos das batidas dos maxilares, que ela não sabia precisar se era uma risada de escárnio ou um lamento de dor. E, destarte, Cabala estava prestes a desmaiar, quando o esqueleto foi se tornando gasoso outra vez, transformando-se num grande e gélido vapor que fugiu pela janela do quarto, perdendo-se no mundo.
    Depois surgiram vários rostos deformados, cobertos de pústulas, que se erguiam da caixa como se fossem o retrato horrendo da enfermidade sinistra. Depois de assoprarem sobre seu rosto o bafo doentio das febres renitentes, arremessaram-se também pela janela atrás das primeiras, finalmente libertas. Dentre os fantasmas que escaparam da caixa cabalística, Cabala teve o desgosto de ver personificados todos os vícios que viriam a acometer no futuro a alma humana.

                                                         Wilson Cerveira



sábado, 15 de junho de 2013

NÃO PONHA ILUSÕES NA SÂNIE

    A entrada prematura na escola, com o escopo de conseguir mais socialização, é algo polemico e insolucionável. Em detrimento do construído, o aluno sai da fase inicial da etapa I, sem saber colocar a pasta de dente na escova, e, também, a importância de uma escovação correta!
     Destarte, os seus materiais se multiplicam e se deterioram antes do tempo limite; enquanto a aprendizagem, que é o fator qualificador, fica restrita ao âmbito da irrelevância. Mesmo assim, sem merecimentos, recebe aplausos perante a não progressividade instrutiva. Sem pensar nas consequências desairosas, o sistema impinge a aprovação, e os mestres obedecem aos trâmites ilícitos das diretrizes educacionais vigentes.
    Ingressa, em seguida, no encetamento da etapa II, portando mais instrumentais no faustoso campo dos recursos, embora o discente não esteja sendo embasado, de modo suficiente, para receber os conhecimentos do devir, os quais exigem mais atenção quanto aos díspares graus de complexidade, discernimento e sensatez.
    Em todas as etapas do ensino, os erros vão se reiterando sistematicamente, como se fossem óbices necessários para porvindouros entendimentos. Esse tipo de repetição renitente vocaciona a probabilidade de não colocar, de jeito randômico, ilusões na sânie!...
    É supérfluo exarar que essa omissão de elucidamento teórico não significa, em hipótese alguma, que o assunto esteja cabalmente à margem dos esforços correntes de pesquisa em aprendizado; nenhum dos estudos pode evitar essa questão teórica central. No entanto, a relação entre aprendizado e desenvolvimento permanece -- do ponto de vista metodológico -- obscura, uma vez que pesquisas concretas sobre o problema dessa relação fundamental incorporam postulados, premissas e soluções exóticas, numa tentativa insólita de equacionar parcialmente o imane paradoxo.
    O aluno conclui o antigo “Jardim de Infância” – ostentando o grau de doutor do “ABC”, sem que demonstre aptidões concernentes aos desideratos consubstanciosos do saber primicial – da mais alta relevância basilar! Ao contrario, não aparata o conteúdo do pretérito erudicional, ressumbrando mesmo – sem tardança – uma desproporcionalidade de materiais solicitados. Entretanto, em sua maioria, não foram manipulados convenientemente, para que pudessem colaborar no momento da fixação de novos conhecimentos, sobretudo os que remanesceram à mercê de inusitadas aquisições.
    E o aluno, ao terminar a primeira fase do “Ensino Fundamental”, sente-se fragilizado nestes nossos dias hodiernos, caso tenha que se submeter a diversas provas atinentes aos conhecimentos adquiridos em cada área, somatorizando a argamassa das cognosias acumuladas. Mas, se o capital a ser oferecido superar os prejuízos do sistema educacional, a situação meramente se reverterá em ampla área do saber, cobrindo, de modo falacioso, todas as deficiências cronificadas do discente.
    Ninguém, no entanto, será capaz de mensurar e corroborar o numero de vezes em que as aparências especiosas se fizeram presentes ao longo do processo intrincado: ensino-aprendizagem.
    O descompromisso da aprovação gera o não estudo. E, a partir desse ponto nevrálgico, -- sem muitas hesitações --, vão surgindo as indisciplinas correlatas -- em ampla extensão -- e em todas as direções e sentidos vetoriais plausíveis.
    Sem amarras, sem disciplinas, sem castigos e sem cobranças gerais, o sistema de ensino vai esmaecendo a olhos vistos, de modo paulatino, não oferecendo o caráter da sustentabilidade basilar imprescindível!...
    Por falta de retornos às lições, parcialmente assimiladas, começa-se a desaprender o que fora aprendido em tempo recente. E, depois, -- entre os colegas de turma --, há contundências ribombásticas, como se os estudantes não houvessem participado das numerosas fases desse estupendo círculo vicioso, no qual a aprendizagem está sendo, cada vez mais, vilipendiada e tratada na condição conspurcatória de uma subserviência a toda prova.
    Entre mandos e desmandos, as escolas vão sucumbindo, pois estão atreladas a um sistema pernicioso de ensino – de alta periculosidade quanto ao ato de ministrá-lo insabiamente. E, desse modo, a libertinagem é implantada através do escancaro grotesco das diretrizes educacionais vigorantes.
    E, se não houver suspiros, a probabilidade de ocorrer o trágico-cômico, propendendo para a derivada de limite zero, que é experimentada pelas circunstâncias excruciantes, as quais, milimetricamente, estão em percuciente simbiose com os percalços do viver-sofrer!...
    A historia natural da operação com signos exara o seguinte: conquanto o aspecto indireto das operações psicológicas constitua uma característica essencial dos processos mentais superiores, seria um grande erro, como já assinalei em relação ao inicio da fala, acreditar que as operações indiretas surjam como ilação de uma lógica pura. Realmente, não são forjadas tampouco ressumbradas pela criança na forma de um súbito rasgo de discernimento e sensatez, ou, nesse caso, de uma adivinhação rápida como um raio.
    A criança não deduz, de forma súbita e irrevogável, a relação entre o signo e o método de usá-lo. Tampouco ela desenvolve intuitivamente uma atitude abstrata, originada, por assim dizer, “das profundezas da mente da própria criança”. Esse ponto de vista metafórico, segundo o qual esquemas psicológicos inerentes existem anteriormente a qualquer experiência, induzindo inevitavelmente a uma concepção apriorística das funções psicológicas com grau de suporte!
    Se incluirmos essa historia das funções psicológicas superiores como um fator de desenvolvimento psicológico, certamente chegaremos a uma nova concepção sobre o próprio processo geral de desenvolvimento. Podem-se distinguir, dentre de um processo geral de desenvolvimento, duas linhas qualitativamente diferentes de desenvolvimento, diferindo quanto à sua origem um lado, os processos elementares, que são de origem biológica; de outro, as funções psicológicas superiores, e origem sócio-cultural. A história do comportamento da criança nasce do entrelaçamento dessas duas linhas. A história do desenvolvimento das funções psicológicas superiores seria impossível sem um estudo de sua pré-história, de suas raízes biológicas e de seu arranjo orgânico. As raízes do desenvolvimento de duas formas fundamentais, culturais, de comportamento surgem durante a infância: o uso de instrumentos e a fala humana. Isso, por si só, coloca a infância no centro da pré-história do desenvolvimento cultural.
    A potencialidade para as operações complexas com signos já existe nos estágios mais prematuros do desenvolvimento individual. Entretanto, as observações ressudam que entre o encetamento e os níveis superiores, podem existir muitos sistemas psicológicos de transição. Na história do comportamento, esses sistemas de transição estão entre o biologicamente dado e o culturalmente adquirido. Referimo-nos a esse processo como a história natural do signo. Também, é de bom alvitre exarar que o outro paradigma experimental, criado para estudar o processo imediato de memorização, nos dá a ensancha de examinar essa história natural do signo.
    Devo mencionar ainda que a adição de figuras como instrumentos auxiliares à memorização não facilita o processo de lembranças concernentes a adultos. A causa disso é diretamente oposta às razões das ineficiências dos instrumentos auxiliares para a mnemônica em crianças severamente retardadas.

                                        Wilson Cerveira


SENTIMENTO PASSIONAL

    Donde promana “Éolo”, com a sanha aterrorizante?!... Vem de longínquas plagas, varrendo mares e continentes! Ninguém é capaz de ressumbrar a etiologia desse sentimento voraz – de caráter passional. Não há como expender justificativas plausíveis, posto que estejamos perante desideratos inexpugnáveis!...
    Conquanto busquemos a etimologia vocabular do radical “pathus”, em sua essência basilar, significando doença; e, no caso do ego, um transtorno psicológico labiríntico e de natureza enigmática. Não existem meios de conter o seu assomamento abrupto, uma vez que procede como se fosse uma loba faminta, ostentando o fastígio da voracidade infrene.
    Deveras, o sentimento passional não oferece resistência ao protagonista da ação verbal, por mais que apresente um cerne refratário, repleto de numerosas amarras respaldantes. Assim, as cercanias avançam, açodadamente, em direção à nau capitânea, em cabal estado de ignescência lúbrica!...
    Esse tipo bizarro de sentimento – de dificílimo controle – aduz a veredas cabalísticas e suspensas, onde a esfinge redesenha a potencialidade do exequível probabilístico. E, quando a síndrome palindrômica, nesse ínterim, se abate sobre o expugnado, exiciando-o peremptoriamente; é preciso obsecrar a égide da Divina Providência, sobremaneira no que tange ao hediondo despenhadeiro que se apropínqua e se apodera, aos poucos, de sua matéria em combalimento retrogradante.
    O passionalismo, na mais acendrada acepção, sempre fora desbravador em toda sua percuciência perquiridora. É, de fato, um exército psicológico determinista e comprometedor quanto ao ato de arrasar ou ser arrasado, mesmo estando em campo minado, no qual o entrevero infenso – em plena refrega, demande um comportamento nefando – aparatando um gládio pinacular de cabal jugulamento!
    Expender a exação do lídimo desiderato, antes que seja tarde; neste dia, onde, nem tudo o que reluz é ouro; e o fatídico aparate a prova maior da cominuição dos ossos, resultante sinistra de um sentimento passional!...
    E, em plena soturnidade, reassoma a frase pranteal: - Onde estais que não redarguis ao pungente vocativo do teu mestre e analista das variâncias do comportamento humano, -- Dr. Cursier.
    Para que as obliterações fossem contidas, houve uma proposição enigmática. Neste átimo, vamos confabular – em pleno silencio – para avaliar o quanto de ininteligível mantemos sob forma de protraimento, -- dissera o preeminente psicólogo.
    O sentimento – que tem tendência ao patológico – surde, abruptamente, e toma multidirecionalidades no que concerne ao alvo de propelência. E, nesse ínterim, predestina-se o passional em sanha infrene, ora ascendendo o eixo das ordenadas e abscissas, ora retrogradando nos pontos de vórtices invertidos nas trajetórias de ignescências sentimentais patológicas.
    Geralmente, o sentimento passional é um ato de desespero unilateral. De modo indubitável, um dos envolventes, -- o mais obsedado --, dará cabo ao próprio viver atormentado!...
    Perácio e Gertrudes já se conheciam há bastante tempo. Ambos haviam fechado contrato com outros pares, constituindo grupos de análises combinatórias complexas e díspares. De igual maneira, é de bom alvitre exarar que este tipo de sentimento, -- antinômico e heteróclito --, lacera com iracúndia os ditames e os selos de uma convivência social de cunho especioso!
    Perácio, o sofredor inveterado, recebia os fluxos nefastos de uma paixão conflagratória de percuciente repercussão, que, na tentativa de hálito mantenedor, respirava o remanescente oxigênio haurido pelas lobas – em estado vesânico – quando experimentavam a sanha dos mais compulsivos desejos infrenes.
    Gertrudes, após ser ciliciada pelo ex-marido Jerônimo, estava a desvencilhar-se das amarras escarmentosas e demais desilusões, produtos resultantes dos desencontros remanescidos, através de vivências tediosas, e que ocorreram inexplicavelmente em seu primeiro matrimônio.
     O estonteante Perácio, o maior experimentador das farsas humanas, surpreendera-se quando a viu indiferente naquela tarde de sábado, no derradeiro crepúsculo do mês de setembro, quando ele contraíra as raias insanas cruéis da paixão! Tal qual contamínio grassador, não mais conseguia desligar-se mentalmente da senhorinha – Gertrudes. E, a partir daquele instante, não conseguia mais esquecê-la por um segundo, pois a sua imagem estava sempre presente em seu subconsciente estertorado.
    O corpo da senhorinha Gertrudes estava tomado por inúmeras equimoses. Mesmo diante das torturas enfrentadas, o seu corpo exalava arrebatamentos! Não havia como deter as propelências dos sentimentos lancinantes. Deveras, ela egressava de um casamento impactual, que ainda ressumava os lídimos estigmas psicossomáticos. Havia, também, lacerações dos anexos da sua genitália externa. Igualmente, optara erroneamente ao escolher Jerônimo – na qualidade de seu protótipo marido. Realmente, esse sujeito alardeava bastante a desabridez, notadamente nos momentos em que a ginástica copulatória acrobática se fazia necessária. Somente assim, conseguia fruir, em pleno balido, a ereção máxima do phalo incandescente.
    A senhora Gertrudes pronunciara, de maneira tácita, a palavra amor, aleatoriamente, como se ainda estivesse assistindo ao estado de madidez do monte-de-vênus. E, ainda, mantinha o vocábulo amor, em êxtase cabal, como se fora a solução plausível para o amainamento dos mais contundentes sentimentos de deflagração!...
    Perácio, após varias devassas sentimentais, começou a persuadir-se de que era amado, carinhosamente, por Gertrudes. E, assim sendo, não titubeou em comutar São Luís pelo Rio de Janeiro, pois queria acompanhá-la, embora deixasse o seu emprego de engenharia sucumbir no boléu da salsugem. Assim sendo, ao chegar na “Cidade Maravilhosa”, não conseguiu pôr as mãos sobre o ombro da amada – Gertrudes; muito menos andar de mãos dadas, braços entrelaçados, envolvendo-lhe a cintura... Todas as vezes que surgia uma ensancha de aproximação epidérmica, ela procurava se abster das blandícies oferecidas pelo enamorado. Destarte, o ribombástico Perácio, -- o grande apaixonado--, continha o seu clamor desesperado, proveniente de uma paixão ardente, a qual, sem a mínima condição de pulso, excedia a mera probabilidade de contenção. A cada instante, o personagem se via mais afastado da realidade mundana. Dava a impressão de que ele estava ali, naquele restaurante, usufruindo apenas a qualificação de gaiato. Em determinado átimo, ressumbrou um comportamento de quem estava alucinado diante de uma situação psicológica insuportável!
    Infelizmente, Gertrudes não fora educada nem tampouco apresentava inclinações genéticas suficientes, com o escopo de perscrutar, acuradamente, pessoas sensíveis e chegadas ao pranto copioso. Quantas vezes!... Muitas foram as lágrimas derramadas pelo Perácio. Verteu-as, galhardamente, de modo tácito, recolhendo-as no rosário recôndito do seu acendrado sentimentalismo. Talvez, buscasse, de uma forma ou de outra, evasão ao estado aflitivo que o atormentava diuturnamente. Nesse caso, a sua preocupação estava centrada no sentimento passional, o qual o adquirira, de maneira randômica, com propendências ao que se denomina de proibido!...
    Perácio tornou-se o principal alvo do sentimento mais arrasador, e que sempre reinou no orbe, que é a paixão e seus arrebatamentos!... Esse sentimento, de fato, não ostenta limites; pelo contrario, cega todas as possibilidades de saída, uma vez que a obsessão-- por ele gerada-- é grave, gravíssima, em todos os quadrantes elucubráticos vislumbratórios.
     Gertrudes parecia indiferente às atitudes do Perácio, durante a sua estada no Rio de Janeiro. Ela, sem titubear, tomava para si o dessentimento soturno. Ninguém mais o queria, nesse ínterim, já que se sentia combalido ante os percalços que enfrentara ao longo dos anos.
    Para matar-lhe todas as vontades, desfilou em sua frente, de modo desabrido, com o Temístocles. Decerto, fora uma maneira rústica de torturá-lo ainda mais, convidando-o, indiretamente, para o chamado – “voo do suicida” – um soçobro fatal no âmbito do enigma desesperador, perdendo, concomitantemente, o corpo e a alma.
    Deveras, Perácio não esperou por mais tempo, visto que não aguentava mais as acrimônias proporcionadas pela Gertrudes. E, pouco a pouco, ele fora se debilitando, e, ao voltar para o seu apartamento, a ideia fixa de morte o perseguia, deixando-o totalmente transtornado. Um minuto antes da tragédia, lobrigou a presença do seu irmão – Antônio, próximo à janela, e, para surpreendê-lo, de modo estarrecedor, deu o pulo lacratório, impulsionando violentamente o corpo, que se encontrava no vigésimo andar do Edifício Copacabana, em direção ao solo. O impacto foi tão grande, em sua dimensão, que transfixou o joelho na extensão do tórax, aparecendo-lhe nas costas!...


                                               Wilson Cerveira

sábado, 1 de junho de 2013

OS METAMORFISMOS DO HUMANO


     Quiçá, o comportamento humano queira dar o devido acompanhamento ao grotesco evolucionismo, sobremodo o que esteja relacionado ao tecnológico. E, destarte, o ser, pouco a pouco, em cada ramerrão existencial, vai perdendo as suas reais características primitivas, numa degenerescência a toda prova. E, em função disso, a volubilidade de reações comportamentais – internas e externas --, progride em antíteses, numa retrogradação paulatina.
     Inaugurando uma nova moda, o ser assomou, de repente, diante das circunstâncias benéficas, aparatando as glândulas torácicas protraídas, exacerbadamente, numa corroboração cabal de uma experimentada liberdade individual.
     Hodiernamente, a conturbação do ser, por mais que se contenha, é tão grave, gravíssima, que o José da Graça – “o pérola negra”--, sofrera uma abrupta síncope, e, logo depois, ainda aturdido, fora depositar a garoupa pecuniária sobre o sincipúcio proeminente do Orixá de Galeno, que era o seu maior aliado, e, também, preceptor dos fluidos propícios e promanadores de uma corrente espiritual benfazeja.
     Houve por parte do chamado “pérola negra”, adesão do conteúdo examinado pormenorizadamente; mas, de modo cabalístico, ocorrera repulsa do continente que lhe fora ofertado como forma donairosa de dádiva exortativa. E, então, de maneira sobeja, quisera ostentar o simulacro pundonoroso, para ratificar o seu posicionamento de autoridade inexpugnável!
     Perante as inúmeras circunstâncias infensas, os metamorfismos do humano têm se proliferado a cada dia, num total conflito de pusilanimidades, no qual ainda se alvitra a possibilidade de harmonização da cizânia, também deflagrada com ímpetos de sanha infrene!...
     As fisionomias do hoje carream subterfúgios inopinados; e, concomitantemente, exprimem admissão e rejeição! Não sabemos, ao certo, se o enigmático sinal de identificação expressa alacridade ou lancinância, haja vista a intensidade com que dimanam a partir do acaso.
     Jamais ressumbraremos o elucubrático metafísico; pois, ainda, remanesce, em plena latência, a expectativa alvissareira de uma esfíngica glândula protraída, quando ostentava a gradação de lubricidade zênite; ou, então, a resultante peremptória de uma resiliência nunca dantes lobrigada!
     Quem diria que os metamorfismos do humano aduzissem, indiscriminadamente, aos diversos arquétipos de modismos e ondismos!... Realmente, os desideratos lídimos estão sendo ergastulados por via enigmática, antes de se deixarem brotar do intrínseco, pois, ainda, permanecem excruciados psicossomaticamente, de maneira prematura e abrupta.
     O ato de pedir desculpas, após longo tempo de procrastinação, porventura seja um arquétipo de fruição pessoal recrudescente. De fato, as metamorfoses humanas impressionam e chegam a transpor todos os limites de suporte concernentes aos graus de variância e aceitabilidade da própria degenerescência.
     Doutor Cursier, renomado especialista em psicologia do comportamento, recebe em seu consultório, diariamente, muitos clientes que apresentam metamorfoses heteróclitas. Sentem a extrema necessidade de nuances fenotípicas quanto ao aspecto fisionômico, atendendo a tridimensionalidade do dia. Parecem se reinaugurar a cada turno, estabelecendo novos matizes para ambos os meios: interno e externo.
     Julieta, a sua paciente decana, exibe a estrambótica síndrome da épura invertida. Há premonições de soçobro em seu corpo, porquanto recebe a influencia das forças antagônicas, sendo que a centrípeta se dirige para o centro da linha trajetorial; enquanto a centrífuga busca a periferia do plano linear, determinando um antagonismo basilar e imprescindível.
     Laércia enfatiza o amor e o relacionamento em dias hodiernos. Alardeia ser uma temática de retumbância social nesta atualidade abstrusa. Os relacionamentos ressumbram sendas labirínticas! E a senhorinha de vinte e três anos, em pleno fastígio da mocidade, parece albergar, para dentro de si, toda a solidão que há no imenso orbe.
     Schopenhauer definiu o amor como a manifestação de um desejo inconsciente de perpetuar a espécie. Pois, conscientemente, ninguém suportaria carregar o fardo pesado da “vontade de vida”. Para o egrégio filósofo, todas as juras de amor não passam de um artifício natural para garantir a sobrevivência da espécie.
     Em toda a sua obra, a visão de Arthur Schopenhauer (1788-1860) sobre o que seria a sabedoria foge, basicamente, tanto da busca pelo prazer, da afirmação da vontade – supostamente contemplada numa existência inflamada e, normalmente, apenas no discurso livre --, quanto da demanda pela felicidade que dependeria decisivamente de um amor, de um laço com o outro. O interno, uma espécie de autossuficiência, a tranquilidade, e a volta para o ser são as chaves para o filósofo alemão.
     Acerca do livro “O Mundo como Vontade e Representação”, Schopenhauer define o conceito de vontade, fundamental para a compreensão de seu sistema: uma força metafísica que atinge, está presente em todos os seres vivos, rege o mundo e controla o homem, que não é, assim, guiado pela razão. Nessa linha, “nós não queremos uma coisa porque encontramos motivo para ela, encontramos motivo para ela porque a queremos”. O intelecto, em geral, trabalharia para a vontade, seria um escravo dela. Daí, resultaria a dificuldade exorbitante de se possuir considerável domínio sobre si mesmo.
     Em sintonia com todos esses pontos, há de se lembrar que, para o pensador alemão, qualquer desejo, -- não excluído --, seja o de relacionamento efêmero, de satisfazer impulsos imediatamente, ou o da edificação de laços mais duradouros, nasce da falta, e, a partir do momento no qual é concretizado, perde o seu valor.
     Para Schopenhauer, a vida oscila, como pêndulo, da direita para a esquerda, do sofrimento para o aborrecimento: estes são os dois elementos de que ela é feita, em suma. A falta geraria dor e desejo; este, à medida que é alcançado, não satisfaria de modo consistente, duradouro, dando lugar ao tédio, que, para Schopenhauer, é ainda pior para o homem do que o estado de ansiedade e sofrimento da falta, quando se quer algo que não se possui. “E a realização nunca satisfaz; nada é tão fatal para um ideal do que a sua realização”. E, além disso, a paixão satisfeita leva com mais frequência à infelicidade do que à felicidade. Porque suas exigências muitas vezes conflitam tanto com o bem-estar pessoal do interessado, que o prejudicam.
     Se a companhia de um ente querido, de um parceiro, não é direta e expressamente despida de qualquer valor para Schopenhauer, no seu pensamento, enxergamo-nos em um posicionamento totalmente distante – difícil conceber separação, incompatibilidade maiores... – e em incontáveis acepções, oposto aos disseminados, expressos no senso comum, no ramo da autoajuda, no cinema em geral. O amor, não apenas pelo fato de ser visto como uma máscara criada pelo desejo de preservar a espécie, no sentido decantado, na sétima arte, nas ruas. E, destarte, é desmistificado, até por ser colocado nesses espaços, como salvação, como ponte direta para a felicidade, sem a contextualização devida do papel da autossuficiência e de outras complexidades.
     Severiano parece divergir inteiramente com relação ao artigo que aborda as contundências marcantes do comportamento humano, quanto experimenta, de modo mais acentuado, a sensação mantenedora quanto ao hábito de morder a parte lateral da língua, dando a impressão real do sobejamento com referência ao configurismo assumido pelo tamanho.
      Ermiliana foi a cliente, talvez a mais simples, a ad-rogar o infenso nefando, testando, de qualquer forma, a sua capacidade de perdoar as tenebrosas ofensas. E, nesse caso, não soubera exarar – por mais que quisesse – de onde viera descomunal tendência para a indulgência, sobretudo, em se tratando de casos horripilantes, ressumbrando, desse modo, as mais hediondas barbáries.

     É insofismável corroborar que os metamorfismos do humano não podem transcender as cláusulas regentes do enorme sentimento de demanda, que é o amor. E, assim sendo, André Comte-Sponville diz o seguinte: “O amor não é o contrário da solidão. É solidão compartilhada, habitada, iluminada – e, às vezes, ensombrecida – pela solidão do outro. O amor é a solidão sempre; não que toda solidão seja amante, longe disso, mas porque todo amor é solitário. Ninguém pode amar em nosso lugar, nem em nós, nem como nós”.

                                     Wilson Cerveira