domingo, 24 de novembro de 2013

SINESTESIA EM CAMPO ABERTO

     Dr. Lídio Camosinis, em seu microscopismo de visão europeia especializada, jamais pensara dimensionar a lancinância, a que é dispersa no macrocosmo das estesias mais percucientes, onde não se sabe avaliar as estremaduras dos pontos nevrálgicos suportáveis com relação aos díspares graus de variância extrapolante.
     Antes de quaisquer prontidões, -- corroborava em seus testemunhos --, temos que reexaminar no mapa do corpo os referenciais dos pontos nevrálgicos mais contundentes, principalmente os que servem de transecto aos demais marcadores sinestésicos. E, destarte, esses vetores oscilam, constantemente, apontando muitas direções e sentidos contrários e meândricos. Nesse caso, há obiciamento localizado mostrando a fonte protótipa quanto ao nevralgismo irradiado, partindo de um mensurativo intersecto.
     Diante dos olhos perscrutadores e esfíngicos, forma-se um dédalo de sensações antinômicas, banindo, cada vez mais, o especialista pertinente ao estudo que concerne a reestruturação da origem propulsora das dores promanadas em círculos de uma cabalística indecifrável!...
     Pode haver mais de uma fonte – quase imperceptível – a emanar reflexos desconcertantes quanto ao encetamento dos locais estratégicos do considerável somático. Então, os demarcadores excitatórios, com propensão relativa ao emaranhado expressivo, resultante idealizada, como se fosse uma provável irreversibilidade parcial, mas de caráter, posteriormente, reversível!...
     A presença dos aparelhos captadores das incitações edematosas, partindo das ramificações nervosas de muitos feixes fibro-musculares, representa um grande avanço tecnológico, capaz de dirimir as hesitações de todos estes especialistas em dor, sobretudo os reumatologistas e ortopedistas que assistiam o paciente Joeldo, após apresentar percucientes paroxismos palindrômicos, provenientes, concomitantemente, de uma lancinante tendinite e, também, de uma excruciante bursite trocantérica.
     Joeldo, em meio à orquestração ululante de dores dispersas ao longo da fibra axial, não continha a meandricidade dos espasmos recalcitrantes. Ei-los, então, a bailar, de modo pungente, dando a impressão de ser a postremeira prova de uma existência castigada, conquanto não se soubesse a origem de descomunal desconforto questionante.
     Após minuciosos exames, verificou-se que o paciente Joeldo Licurgo, em que pese não transportar fardos, apresentava a síndrome da lancinância generalizante, numa dispersão, ocupando todos os quadrantes demarcatórios e anatômicos do somático, independentemente dos basilares pontos de excruciamento máximo, onde os picos pungentes chegam aos píncaros de um nevralgismo insuportável!...
     De fato, Licurgo, dentro de sua insipiência, não sabia que o tendão é um feixe fibroso – ou cordão – situado  na extremidade dos músculos, e que serve para ligá-los aos ossos, às aponeuroses ou à pele. E, infelizmente, as circunstâncias lhe são adversas, num bruxuleio que o encarcera cabalmente, conquanto não tenha condições plausíveis de perceber a desabridez dolorosa da realidade circunscrevente.
     Os tendões comprometeram-se em série, provocando inúmeros paroxismos palindrômicos, estabelecendo tendinites em vários locais do  corpo. E, para complicar as recrudescências das sinestesias recorrentes, surgiu-lhe – conforme resultado de ressonância magnética – a presença de algumas microfibrilas invertidas em determinados tendões situados nas costas, obiciando-lhes os relaxamentos atinentes aos diversos  segmentos da musculatura, diuturnamente sob tensão – de natureza mórbida.

     Os remédios à base de substâncias corticoides não conseguiam sopitar as dores sinestésicas singrantes, passando por pontos meândricos, e, simultaneamente, debuxando interseções contidas em raízes nevrálgicas, e que estejam a circunspectar uma esfinge de abstratismos localizantes em espaços escancarados, e de dificílima ilação diagnóstica, sobretudo nestes dias de heteróclito hodiernismo!

                                   Wilson Cerveira

O INUMATÓRIO RECIDIVANTE


     Hodiernamente, por nequícia, inumam-se o físico, o psicológico e o espiritual, sem que se busquem justificativas plausíveis para dilucidar as razões heteróclitas dessa etologia de natureza, recrudescentemente, onírica.
     O prazer mórbido de sucumbir a imagem rompante – antes  mesmo do seu protótipo surgimento – simboliza uma energia deliqüescente, que é dimanada a partir dos delíquios enigmáticos, os quais, em sua razão de corroborativa biológica, tentam incrementar o sentimento – por demais patológico – da egolatria grassante, nestes tempos ígneos e de cabal iniqüidade mental.
     Os objetos, artes de uma tecnologia comprometida e comprometedora, servem para o exercício de enfatuados inoculatórios recidivantes, com escopo de perpetrar a deposição de números criptogramáticos, senhas, cartões magnéticos e demais aparatos propendentes. Eles, também, acumulam os dísticos diferenciais das redes – modelares sepulcrais – ostentando  os mais cabalísticos meios, lídimos reconduzintes, para a recomposição dos artigos que farão parte integral da presença, dos que a memória jamais olvidará em sua essência de perene porvir, que é a antítese despautérica existente nos meandros das ideias de contumácia descomunicabilidade.
     Os sepultamentos rotineiros e exacerbantes contendo  informações acumuladas, em suas generalidades amplamente diversificadas, que instigam a comutação constante de dados expositores, aparatando novidades efêmeras permutáveis, nas quais as etiquetas fornecem marcas de inusitados preceptores.
     As pessoas, de modo geral, metamorfoseam-se durante o exercitar de descomunais refregas, sobremaneira nestes dias de percuciente crúcia, verazes arraigamentos atinentes aos soçobros existenciais – aparatadores de distúrbios proliferantes!
     Os simulacros podem ser representados pelos vários aparelhos de tecnologia recente. Dessa forma, sem hesitações temerárias, haverá o probabilismo de muitas inumações sucessivas, -- numa prova insofismável de expungência, abrangendo, concomitantemente, vários caracteres atuantes: parcial, reversível, irreversível, fatal etc.
     As  predisposições genéticas, espontaneamente eclodidas no genoma de uma  geração conflitante, onde os traumas e decepções estigmatizam os preliantes da refrega, não lhes oportunizando destinação diferente, pois esses seres receberiam o respaldo dos mais estúrdios artefatos, que provêm de uma cibernética dualística quanto aos meios de peremptório vaticínio.
     As criaturas se submetem às ablações de extensas áreas de superfícies epidérmicas, mormente as que sofreram engelhamentos, ostentando recrudescência da flacidez dos diferentes tônus musculares e tecidos de preenchimento neuro-esquelético.
     Esses espectros, revestidos por uma substância verossimilhante ao estrutural de carne e osso, representam lídimas vacuidades sentimentais, quando respiram o respiram o pó cronificado e remanescente das catacumbas em aberto, num resfolegar regressivo quanto ao ponto funesto dos cinéreos etológicos e obscuros!...
     Lajedos de blaterações em asfixia, em seus respectivos quadrantes de épura, demandam as mais inusitadas crucias – férulas de um devir expungitório --, oriundos concretos pertinentes a um postergar crucial itinerante, em que vetustas teorias são afixadas – quase sempre – nos cérebros das escolaridades!...
     Ninguém conseguiu, através da miragem, ablacionar a prisca visão obumbrada, para que haja condições de lobrigamentos reparatoriais de premência!... Em pleno balido ostentórico, num insopitável suplementar de provas cabais, vê-se a extrema necessidade de requerência do imprescindível, facultando ensanchas de exequibilidades meritórias.
     O inumatório recidivante abrange toda uma descartabilidade, não importando a direitura dos vetoriais – onde direções e sentidos são, assimetricamente, a simbologia de uma pseudo-anti-imagem invertida. E, assim sendo, a reversibilidade auscultativa se recomporá em direção dicotômica angulatória, prestes a estribar os fardos agrurosos das divergentes sendas meândricas.

     Os estados inumatórios recidivantes propendem para o sucumbimento, redobrando máximo, numa tentativa de coalescer o coercível, mesmo estando em presença de comenos latibulares. Por ilação, ante a pressurosa labuta, suscitam os fúlgidos átimos de uma palingenesia salutar, com o escopo de amainar as imanes dores sincipuciais, sobretudo onde o ramerrão existencial é ressumbrado sob a óptica de uma pungência reiterativa elucubrática.

                                      Wilson Cerveira

ESPECIOSO ARAUTO HODIERNO

     Ainda na soleira da casa onde morava por mais de três décadas, Hermenegildo, -- pós-doutorando em Ciências da Computação --, decodificava a mensagem escrita contida no basilar do estereótipo, remetendo-a para o espaço – via satélite, para que pudesse conectá-la com o som e com a imagem que a inoculou por um período de acuidade visual. Destarte, refocilou-lhe a raiz da permissibilidade, de maneira concomitante, readquirindo uma forma paradigmática contra as intempestivas reações – tanto positivas quanto negativas.
     Em todos os ramos da atividade humana, -- sem meticulosidades falaciosas --, o arauto  submeter-se-á ao emaranhamento da demudação abrupta, e ele assumirá, no devir das circunstâncias inopinadas, caracteres inerentes ao meio estático, precisamente no ponto de inserção, no qual a efígie – em seu grau de especulatoriedade máxima – está sendo cabalisticamente promanada.
     A especiosa proclamação, em algumas ensanchas, já se apresentava na condição de ilação peremptória, embaindo um tipo de embuste em que os preliantes ainda buscavam as consuetudinárias sindicâncias da leitura meditativa, visto que estivesse sob a semiótica de ângulos flabelares.
     Em sofisma de alta percuciência, o especioso pregão assomava – encapelado e de maneira embornal – exarando o seguinte conteudismo  tripudiante: “SORTUDO! VOCÊ ACABA DE GANHAR UM CARRO E UMA CASA TODA  MOBILIADA. SENDO ASSIM, NÃO LHE RESTA OUTRA OPÇÃO, A NÃO SER GOZAR DESSA SORTE NÃO ESPERADA, PROPORCIONADA PELOS BONS VENTO DO SEU HORÓSCOPO. REALMENTE, É A SUA ÚLTIMA CHANCE!
     Em todos os setores abrangentes quanto aos díspares profissionalismos, perquiria-se, custosamente, a real imagem da falácia contemporânea e sua capciosa dimensão reverberante. A princípio, requestava-se o labirinto elo impregnante inserido no vocativo de natureza dispersa, trazendo-o, de modo sub-reptício, para o grupo espectral da picardia reinante.
     Os anúncios eclodem com mirabolância, sem que se possa ter a imagem do que se poderia declinar como sendo de caráter lídimo e, de fato, não excrescente quanto ao compositório deambulante. E, ainda, remanesciam as apropinquações atinentes aos variegados âmbitos das virtualidades existentes nestes tempos acrimoniosos, onde as nequícias se alastram em todos os quadrantes do espaço.
     As mensagens surdem na premonitória orquestração do delírio, estando em meio às suas multiplicidades tergiversantes. Não se sabe, ao certo, quem ela é, e, também, de onde proviera. Geralmente, esse tipo de arauto tranquibérnico, numa sintomatologia impressionante, vem impregnado de embaimentos esfíngicos. Uma argamassa de pseudo-impressões variegantes compõe-na, por inteiro, em sua estrutura externa continental, -- que é uma lídima mixagem contendo informações de vários tempos, números, gêneros e pessoas.
     Os pregões irrompem, de modo aparatado ou em furna percuciente, emitindo apenas os criptogramas detonados, maviosamente, por uma série de sensores interpolados nos interregnos de uma fonte geratriz, com velocidade e aceleração ultrapassando aos limites de suportabilidade do operador mais eficiente.
     A imagem virtual, que é suscetível de exercer-se, conquanto não se encontre em exercício, representa algo que esteja como faculdade – mas sem efeito atual, potencial, possível. Em Física, essa efígie virtualística é vista na simbologia do foco de uma lente ou espelho, determinando a intersecção dos prolongamentos dos raios luminosos. Em se tratando de informática, o virtualismo imagético se predispõe para designar os dispositivos emulados ou simulados e, portanto, não-reais, tendo como paradigmas: memória virtual, realidade virtual etc.
     A virtualidade do delineamento, no inverso insólito de sua realidade plausível, ostenta, com certeza, uma força incoercitível em toda sua suntuosa grandeza de espacionalidade. O suscitar do desenho, através de raros efeitos produzidos por sensores, consegue dilacerar os pontos nevrálgicos das inúmeras barreiras obiciantes, projetando-se, por intermediação de satélites, de um continente a outro, com a mesma fulgurância contida em relevos primiciais – do ponto de origem ao ancoradouro final, numa visão generalizante de tudo o que se passará nas dimensões gravitacionais do planeta – Terra, que é o sustentáculo peremptório.
     O arauto, contido no escorço visual, aparata diversos tipos de sensores, em seus díspares graus de implexidade, servindo para dilucidar porciúnculas enigmáticas – de materiais enfurnados nas profundidades de mares e oceanos, por meio de dispositivos como radar, sonar, ecobatímetro etc.
     O sujeito tranquiberneiro evola um cabalístico arauto, representando um arquétipo de altíssima resolutividade evagatória, que é o ostentório significativo do próprio aparelho tecnologizado, -- numa dissonância de encontros, aflorando, posteriormente, em direção ao extrínseco – de modo esquipático, confutando o seu estado de ausência, malgrado esteja a redarguir os paroxismos palindrômicos de uma síndrome que comina, contundentemente, os especialistas de maior reputação no ramo da psiquiatria – a despeito de ser um questionamento de algum transtorno ainda não ressumbrado no implexo âmbito da rede neuronal!...

                                     Wilson Cerveira