Francieldo, em tempo algum,
nunca se sentira tão ocupado, como nestes recentes dias hodiernos! A sua
superocupação abrangia por completo as dicotomias: psíquica e somática. Nem com
a administração de medicamentos específicos – melhores indutores do sono – permanecia
sendo excruciado por uma insônia crônica e irredutível.
Herdara de ancestrais distantes, conforme
a própria genealogia. Geneticamente, com maior apropinquação, recordara-se do
seu avô, e, também, da senhora sua mãe, os quais enfrentaram esse estigma
malévolo desde a idade de dezoito anos! O seu avô Marivaldo dormia apenas três
horas em vinte quatro; enquanto a sua mãe – Anatércia – sem hesitação, acrescia
apenas sessenta minutos.
Reiterando, pode-se exarar que Francieldo
recebera a mais atroz de todas as heranças orgânicas. O sono é um grande
alimento, reconfortando o corpo quanto a reparação das energias perdidas no
somatório inclemente com relação aos sequencial das horas diuturnas. Percorrera
vários especialistas, mas, mesmo assim, continuava a padecer a excruciância, a
lancinância e a pungência da vigília torturante. Também, auxiliava-se com o uso
da maceração ou trituração de diversas folhas colhidas e cozidas pela sinhá
dona Ubaldina, especialista em tais chás!
Ela, também, entendia de benzimentos,
notadamente usando os galhos folhosos de arruda, emergindo-os num copo d’água,
e, consequentemente, borrifando-os da cabeça aos pés. Rezava, em seguida,
confronte aos santuários ou oratório, requestando a paz celestial. Assim sendo,
ia complementando os diversificados receituários que lhe eram repassados pelos
mais gabaritados médicos do sistema nervoso.
Elizeuda, Professora dos “Bons Tempos da
Escola Normal”, martirizava-se perante a superocupação psicológica e corporal.
Não deixava interregno mental para desagregar os inúmeros fundamentos das
múltiplas disciplinas. De todos, sabia o suficiente para propugnar os óbices
surdidos diariamente, neste ramerrão!
Em determinada manhã – tácita e macambúzia
– experimentara-se o superlotamento somático. Tanto assim, no sentido
ocupacional pleno, escarcelas e livros ocupavam os vãos articulatórios
superiores e inferiores dos seus membros. Se alguém tentasse vocacioná-la a uma
certa distância, não conseguiria ouvi-la de modo algum... Saltitava na
vertical, formando um plano cartesiano com o substrato.
A senhora dos seus sessenta anos,
indubitavelmente, aterrorizava todos os assistentes da sua singularíssima
pessoa, e, também construía o famoso sistema vetorial – com sentido e direção,
de conformidade com o referencial!
Elizeuda seria, de fato, a
representatividade máxima para os diferentes epígonos. Não compreendia a
estigmatização temporal, abrangendo horas, minutos e segundos...
As sensórias, de igual modo, podem se
encontrar ocupadas também. A gustação
com a salivação progressiva de uma
pastilha, a visão a aparatar as gotas
do colírio ‘Cristalin’; a olfação, de
permeio com a aspiração de um descongestionante nasal, para lenir a hipertrofia
dos cornetos nasais.
A audição,
bem tamponada de cerume, é obstaculada quanto a propagação sonora; ao passo que
o tato em seu amplo sentido, sendo
obiciado pelo ato de contactar com as superfícies rugosas e lisas. Caso
houvesse alguma anomalia, o tato seria capaz de mitigar as alterações
decorrentes dos diversos fluxos!
As criaturas, com raras ou raríssimas
exceções, sentem-se muito ocupadas; e, com isso não atendem praticamente a
ninguém, nem mesmo no momento da valetudinariedade! A cristandade dessas
pessoas servem só para si mesmas, e, dessa maneira, adentram ao estado mais
atroz, que é o egocentrismo!
O ególatra é um lidimo e repugnável câncer
social. Ele, o demônio deletério, portador do ‘eu exclusivo’, não se incomoda
nem com os sofrimentos da senhora sua mãe. Tudo que lhe sai da boca diariamente
representa um imane simulacro de uma farsa execrável. O egocentrismo deveria
ser considerado um crime inafiançável em todos os quadrantes da vida em
suspensão metafórica.
Se alguém necessita de sangue para salvar
a vida, ele nega com desfaçatez, embora o seu sangue seja inteiramente
compatível. Prefere a morte do irmão. Ele só se importaria se fosse consigo
mesmo. Caso contrário faz ouvido de mercador e ostenta uma indiferença
insólita. Se a lei existisse de forma lícita, ele estaria atrás das grades, as
descomunais ignomínias que perpetra todos os dias! O catastrófico sujeito é tão
hecatômbico que expurga o remanescente alimento do prato, ao invés de dar aos
animais sem dono, que enfrentam o drama da fome desesperadora...
Em que pese ou não, ególatras não causaram
mal algum às criaturas de Deus; eles, também, deixam muito a desejar quanto ao
ato de serem prestativas para com os outros! Sempre mostram de uma forma ou de
outra, que se encontram abarrotadas psicossomaticamente em todas as direções e
sentidos pertencentes ao plano vetorial.
As pessoas comportam-se de maneira mais
heteróclita possível. Caso estejam sentadas à mesa; e sejam interrogadas por
algum motivo; fazem um sinal com dedo colado à boca – dizendo que, no momento,
não podem responder devido a porção de comida contida no orifício da
mastigação. Para tudo, arruma-se um motivo para olvidar, e não redarguir a
perquirição feita anteriormente!
Se quiser exarar alguma coisa, antes de
fechar a porta do sanitário, não consegue devido a micção prolongada. E, caso
sinta, também, a vontade dejetória, a qual se delonga por tempo postergado.
Então, a síndrome da superocupação torna-se insuportável em todos os sentidos e
direções plausíveis.
Fica-se estupefato perante tanta
mirabolância ocorrida no decurso inexorável do tempo protraído. Doravante
fica-se sabendo das impossibilidades de perpetrar determinadas prolações... O
átimo, com certeza, é um enigma temporal, visto que suas necessidades
ratificadas ou corroboradas por todos aqueles que desideram alcançar os
diversos pontos volitivos.
Há, também, pessoas que tomam dez ou mais
remédios por dia. Não há horário suficiente para a manutenção da hipnose. Isto
recrudesce ainda mais a superocupação em todos os plausíveis quadrantes vitais.
Conheço casos de escrever as medicações, por ordem numa folha de papel; assim
como, marcar toda a cronologia nos despertares do celular!
Esses pacientes vêm mantendo essa
metodologia através de décadas consecutivas. Não sentem mais o pesadelo do
sono, pois despertam quase naturalmente, sem que se sintam estremunhados. Dessa
forma, vão se deixando conduzir pelas extremas necessidades de fazer uso
intermitente e somatorial dos medicamentos prescritos com o passar fugaz do
tempo, abrangendo horas, minutos e segundos...
Com o decorrer das consultas, passando por
vários especialistas, remanescem o recrudescimento das dosagens mais a inclusão
de novos medicamentos. Assim sendo, as superocupações vão sendo acrescidas vertiginosamente.
Além os de via oral, têm-se os intramusculares, endovenosos e tópicos. Estes
últimos, geralmente, estão inclusos os remédios cognominados cremes, pomadas
etc.
Todas essas drogas acham-se organizadas em
cada espaço do armarinho e das estantes embutidas. Caso falte a luz
inopinadamente, não será difícil de identifica-los por hierarquia, já que são
lhes falta agrupamento, indicação para cada síndrome contumaz, com caráter
reiterativo.
Muito implexo é montar – em plena síndrome
da superocupação psicossomática II – este quadro dilucidativo com relação ao
etológico orgânico. A maioria não entende a importância de imane hierarquia
medicamentosa! Saibais que a superioridade abrange a matemática dos elementos
disciplinados e com educação de primeiríssima grandeza no âmbito cabal das
variegadas sintomatologias!...