sexta-feira, 30 de agosto de 2013

SIMULACROS DO MEFISTOFÉLICO


   
Santas Paulinas era o heterônimo de Perizeu, o homem que elucubrava o esfíngico, com o escopo de surdir, proliferativamente, a sua imagem, derivando-a, conforme as circunstâncias, como se as várias efígies fossem promanadas a partir de um serial de prismas díspares.
    Perizeu, de fato, era de uma polimatia impressionante! De maneira alumbrática, ergastulava o seu próprio ser, soçobrando-o no incognoscível. Nesse ínterim dedálico transfigurava-se numa luridez inumatória e num átimo cabalístico. Em noites de defecção soturna, lobrigavam-se visões espectrais a emanar eflúvios resultantes de épuras bacterianas jacentes. O ato de haurir, -- no vórtice cataclísmico--, gretava em direitura aos múltiplos direcionamentos vetoriais.
    Se alguém precisasse de um espírita, o polímata estaria aprestado, junto à cabeceira do tálamo, evocando os dogmas da doutrina do ínclito pai do “Espiritismo” – que é o conspícuo – Alan Kardec. Com as mãos postas sobre o sincipúcio do supliciado, rezava-lhe uma prece de paz anímica, indicando lenimento panacéico. Caso a pessoa se reanimasse, dar-lhe-ia um livro contando as prestimosidades consecutadas através dos exercícios das ciências espíritas.
          Em determinada madrugada, ouvira os gemidos altissonantes de uma vizinha, e, sem tartamudeios, fora atender-lhe solicitamente na condição de enfermeiro. Para tanto, indumentava-se de modo ebúrneo, com a finalidade de aplicar-lhe uma injeção por via intramuscular. No dia seguinte, punha-se na janela lateral da casa, onde habitava há muitos anos, a qual frontispiciava com a da vizinha – Carlitânia, a fim de perguntar-lhe se havia melhorado do distúrbio orgânico. E, dispensando sempre novos agrados, só se ouvia palavras de profunda gratidão, simbolizando o encetamento de uma inusitada amizade. Dessa maneira, sem maiores interpelativos, o seu grau de popularidade ia, pouco a pouco, neutralizando as mazelas da antipatia, sentimento despertado por aqueles que se nutriam, com voracidade, dos fluidos desairosos da invídia cronificada.
     O bruxo do conhecimento rendia-se às crendices de quaisquer etiologias, sobretudo às abusões mais distanciadas quanto ao tempo e seus respectivos locais de origem. Tudo o que se preconizava, por mais falacioso, servia-lhe de exortação. Deferenciava, com acuramento, aos pormenores dos fatos, rebuscando-os sob a forma de dissecação, sem que faltasse um único adendo salutar.
     O “Santas Paulinas” mexia em tudo. O sujeito era um lídimo factótum em todas as dimensões das cognosias. O placebo funcionava muito bem, mesmo dentro de sua inocuidade. Outrossim, pílulas de farinha surtiam efeitos desejados com relação a várias enfermidades. Representavam lídimas panacéias, pois curavam aparentemente todos os valetudinários, independendo dos males que os acometiam. A fórmula era sempre a mesma: farinha de trigo e alguns excipientes basilares imprescindíveis. E, desse jeito, o indivíduo, isto é, o tal bruxo da erudição – um veraz mágico – com relação ao saber tratar com as pessoas, exortando-as em períodos de cabal arrefecimento. E, destarte, conseguiria o beneplácito dessas criaturas, caso se candidatasse ao cargo de prefeito da cidade de Alcântara – MA. Os votos multiplicar-se-iam à medida que essas pílulas tomassem o direcionamento certo, chegando aos lugarejos mais distantes da sede.
    Usava de ardis sofisticados, transformando-os em plenos atos de dramaturgia impressionante, muito bem trabalhados. Quem o observasse de modo solícito, perceberia a suscetibilidade concernente a urdidura de suas inúmeras obras de arte. Os papéis simbolizavam o afeiçoado grau de afinidade para com as artes visuais, numa ascensão cabalística de primeiríssima grandeza!...
    Zirzeão, recebera duas concessões: uma carta de alforria e um indulto; pois fora escravo e prisioneiro – num somatorial líbrado --, ostentando sempre uma resistência aos excruciamentos expiados durante um interregno de, aproximadamente, meia centúria. Decerto, passara por vários holocaustos – numa propugnação de padecimentos comutativos. Aprendera, em companhia do Santas Paulinas, a representar muito bem, não perdendo pontos para dramaturgos famosos. A dedicação diuturna fazia-o cada vez mais perfeccionista quanto aos exercícios de carpimento e plangenciação. Simulacrava um delíquio derradeiro, dando a impressão de ser o postremeiro recurso telúrico, antes que houvesse a fúnebre manifestação das épulas bacterianas em processo açodado de deliquescência avassaladora.
    O estupendo Zirzeão sentia o esqueleto na mais requintada ratificação, denotando o peso dos anos no estentor de confrangência. Os exercícios teriam que aparatar recrudescimento constante, sendo ainda ligados à propriedade de imanência – uma constância intrínseca e alto arraigamento material!...
    Perizeu, esquipaticamente, parece ter dimanado das cinzas infectantes, já que, de maneira postremeira, demonstrava certo grau de exaustão. Fazia exercícios para reforçar a capacidade respiratória em pleno estado de exaustoramento. A musculatura e os nervos ainda respondiam com regularidade as singrações vigentes em todos os quadrantes corporais.
    Quem o visse a ensaiar no pátio do manicômio ficaria com a ideia de que, possivelmente, houvera acontecido um instante de inopinamento a toda prova de justiça mirabolante!
    Perizeu chorava e deblaterava com harmonia, e, a partir desse ínterim, passamos a perquiri-lo de perto, na auscultação ressumbratória do seu talento fulgurante.
    Santas Paulinas, que era o apelido de Perizeu, sobressaia muito mais quanto à divulgação exequida nos meios de ascendência publicitária. Dominava as malignidades do próprio Satanás, no momento em que exequia os rituais de magia negra. Locupletava o salão de velas pretas, antes que adentrasse ao ataque de catalepsia. Apresentava um ataúde, e, envolto ao corpo, um círculo labiríntico de um lúgubre silêncio sepulcral... Ao redor do esquife, sob o anteparo do catafalco, se faziam presentes as carpideiras, os sinos de dobres fúnebres e o planger merencório dos saxofones valsificantes!
    Perizeu, também, acumulava, -- tal qual Merlim (personagem volúvel e proteiforme, encarnação avant la lettre de uma  fantasmagoria barroca que procura aprender, no impossível presente da escrita, a passagem e a anamorfose das coisas e dos seres --, equivale a escrever sobre um objeto sempre em fuga, sobre um não-objeto que condena inevitavelmente a análise – presa num diabólico jogo de espelhos – a defrontar-se com um impasse. Merlim revela-se então como um significante flutuante à dimensão do próprio desejo, inesgotável por excelência, e cujo objeto se retira precisamente no momento em que pensamos, à semelhança de Tântalo, estar prestes a capturá-lo), os papéis de adivinho, profeta, mágico ou homem selvagem, o bruxo desmultiplicava as suas funções narrativas e simbólicas escapando, numa perturbante ambiguidade, a uma classificação tipológica que teríamos de esboçar em vão. Todavia, foi inegável que é na sua qualidade de mágico que passou à posteridade, sendo também enquanto tal que detém os poderes mais inquietantes. Liberto da temporalidade e do peso da gravidade, desloca-se sem qualquer dificuldade no espaço e torna o tempo imutável ou absolutamente reversível assumindo indiferentemente o rosto de uma criança, de um velho, de um jovem criado, de um valetudinário, de um horrível pastor ou de um ceifador.

    Perizeu, situado nos limiares entre a gnose a ficção, entre a teatralidade lúdica de um sujeito que se compraz ao assistir, em cabal melancolia, ao espetáculo de si mesmo, e, de igual modo, a dimensão de um saber oculto por detrás do invólucro da palavra e do corpo, Perizeu, - análogo a Merlim, não podia deixar de aparecer como uma personagem extremamente dúbia aos olhos da Igreja e do público.  

                                            Wilson Cerveira 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A FARSA DOS ANÉIS

     Nos tempos de antanho, buscavam-se, com dificuldade redobrada, os anéis. Tanto assim, gladiavam-se perante o enfrentamento de uma descomunal distância. De igual maneira, partia-se para outro continente – na escolha seleta de um país consagrado – onde estavam situadas as universidades de portentosa honorabilidade.
     Os anéis seriam vários, tendo cada um a sua importância, assim como, o devido local de especificidade, conforme o dimensional morfológico de cada dedo. Para que coubessem em seus acoplamentos, de modo ajustado, os dedos teriam que passar pelas diferentes pontuações do anel padrão, estabelecendo as díspares diferenças entre as múltiplas medidas e respectivas oscilações, aparatando meândricas derivadas.
     Na época em que foram elucubrados, esses círculos anulares ostentavam um valor econômico crescente e um apego sentimental inefável. Ao passo que, no hodierno, ficam trancafiados nos limiares dos confinamentos financeiros atinentes às Caixas Econômicas e aos Bancos do Brasil.
     Em tempos prístinos, onde as alianças resplandeciam, -- em pleno revérbero--, ablacionavam-se apenas os dígitos, mas remanesciam os anéis, cada qual exprimindo a sua função basilar – devidamente determinada no tangenciar da geratriz de praticidade.
     Cada anel expressava uma sentença em particular, -- num direcionamento tutelar de muitos meandros. O implexo, em sua percuciência, era dirimir os pontos sinuosos e interseccionais, sobremodo os que davam acesso aos ressumbratórios de provimento.
     Há, em dias hodiernos, outros anéis cabalísticos que possibilitam várias comutações assinalantes, partindo da simples permutação de uma análise combinatória, passando, socapamente, pelas duplicidades do reverso – em direitura ao indicador pejorativo – ademanes que caracterizam o phalo --, sempre ladeado por dois suspensórios ocupando os quadrantes que dão acesso ao projecional relativo ao plano de épura.
     As variâncias qualitativas dos materiais que tangenciam os variegados padrões – desde  os anéis de latão, de bronze, de zinco, de alumínio, de prata etc, -- os quais perpassam pelos matizes desfechados na redundância das ligas metálicas, até alcançar os ouropéis, -- especiosos ouros de fantasia. Outrossim, todos esses modelos não são bem vistos pelos larápios, em virtude da vil pecúnia estipulada pelos respectivos arquétipos, comercializados nas casas onde o dourado é forjado, com exclusiva intenção de impressionar a retina!...
     Existem pessoas – que portam ouro legítimo –, chamando as atenções ao derredor de si mesmas, sobremodo no expender dos dedos distendidos sobre a mesa, como se fossem negociar os demais quilates ressumbrados na arquitetura qualitativa das substâncias componentes.
     Entre gregos e romanos, no mais altissonante vocativo, o direito de usar o “anel” era concedido apenas aos cidadãos beneméritos, o metal empregado era o ferro. Aristóteles mencionou o fato dos cartagineses oferecerem anéis aos seus oficiais a cada vitória alcançada, reforçando aí a imagem de nobreza que cerca o Anel desde os tempos mais antigos.
    No ano de 330 D.C, no período do imperador Valentiniano, anéis eram pendurados sobre uma mesa que continha o alfabeto. Ao tocar em determinadas letras, eles revelavam o nome daquele que conspirava contra o imperador.
    Mas – além de bonito e esotérico – anel mostrou-se uma peça de grande utilidade ao homem. Lembremo-nos do Anel de Sinete, geralmente herdado. Seus símbolos heráldicos possibilitam a autenticação de documentos importantes, além de reivindicar propriedades. Em muitos desses anéis, os brasões têm símbolos que remetem à honra, fidelidade, firmeza e tantos outros referenciais.
    O anel como símbolo de noivado e matrimônio surgiu entre os gregos e romanos, importado do costume hindu de usar um anel de casamento. A cultura romana acreditava que pelo quarto dedo da mão esquerda passava uma veia que estava diretamente ligada ao coração, por isso este foi o dedo escolhido para o uso da aliança, costume que perdura até os nossos dias. A partir do século IX, a Igreja Cristã adotou a aliança como símbolo de fidelidade entre os cônjuges. Na mitologia japonesa, os anéis eram usados em todos os dedos. Outra particularidade sobre os anéis é que ele só podem ser tirados dos membros após sua morte.
    Reis usam anéis ou sinetes, sendo valorizados por arqueólogos em museus, que são frequentemente associados a civilizações como a romana e a grega, e eram usados apenas pelas maiores castas como reis e imperadores. Os sinetes anéis eram os mais populares dos sinetes, tendo na maioria das vezes um brasão, que foi entalhado em metal ou pedra preciosa. Os mais usados eram feitos de ouro ou de ágata. Era uma tradição nobre na Europa, existindo na Alemanha, Itália e Inglaterra, e indicava quando uma pessoa estava casada. Hodiernamente, para atender falacioso puritanismo – em seu ponto de fastígio – as mãos de algumas senhoras ficam a levitar em meio ao espaço, com os dedos da esquerda escancarados, numa demonstração especiosa de serem, possivelmente, donas de corpos e territórios demandados por espectros animais!...
    O anel é um significativo símbolo distintório, numa tentativa de diferenciação entre as várias categorias existentes em seus respectivos graus de hierarquia. Podemos ilustrar esta lidimidade exarando que o anel de sinete do papa é cognominado “Anel do Pescador”, sendo usado desde o século XIII.
    De igual modo, o anel de formatura é caracterizado pelos emblemas nas laterais e a pedra central de cor. Na colação de grau, o anel marca a consagração de uma etapa, a reptação superada, a exequibilidade de um devaneio e a representabilidade da profissão.
     Tudo foi feito com ofertas do povo, “correntes, braceletes, anéis, brincos e colares.” Números 31:50,52,54. Como o povo está vendo muito bem, se Deus aceitou que a obra do santuário fosse revestida com o ouro das jóias das filhas de Sião, é porque não contraria a palavra de Deus em nada; no entanto, é a cachimônia de certos doutrinadores, indubitavelmente, é que é a principal responsável por certa abstrusão quanto ao uso dos anéis. Assim sendo, o uso de jóias – de modo geral – na comunidade judaica era, e ainda é comum, e não vemos proibição da parte dos profetas e de Jesus Cristo. Os apóstolos, também, não coibiram, recomendaram apenas ponderação. “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo Jesus Cristo a principal pedra da esquina.” Efésios 2:20

                                                Wilson Cerveira

                                     

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O CILICIAR DE PREMÊNCIA

    Culebra, entre um ofego e outro, interpelou-se, plangentemente, como quem buscava, de maneira esfíngica, a chave ressumbratória do meândrico criptograma. E, num esparrame, surdiu-lhe à baila o seguinte perquirir: Como devo, nesse caso, proceder ante a adustão que ignesce a cúspide da nau capitânea, em cabal estado de confrangência?!...
     Dominique recebe uma invectiva da companheira Culebra, no exatório átimo em que reminiscenciava o látego, ou, então, causando-lhe a promanência prolativa. Ei-la: remanesceste sob a égide de uma dissensão em exérese?!...
     -- O senhor liliputiano redarguiu-lhe através do serial dos cilícios!... Nesse caso, a gnose ressuma o símbolo do azorrague, quando se ressuda como aplacador dos macrolábios?! Também, o cautério dos microlábios, dando sequência à ablação do capuz cuspídico da procelótica nau capitânea. Igualmente, teríamos o tricotomiar cálido das sarças componentes do monte-de-vênus. Por fim, a extirpação dos pedículos contidos nos interstícios basais da região clitorídica, precisamente os que estão situados na cúspide empedernida. E, de modo igual, existe a probabilidade das pungências percucientes da região pigeal.
       As outras sensórias, em estado exordial e sob o jugo das papilas gustativas, ficam a assistir tresloucadamente a coreografia bisonha das prelibações. E, a partir daí, teremos um dispositivo capaz de aferir as desconformes diferenças de resposta com relação aos demais órgãos reguladores dos estímulos psicossomáticos.
    Há meândricas tergiversões, tais como: a omissão da ânsia – mesmo estando presente – e que se forma no limiar da fruição insopitável – na restritiva condição hesitante de um possível ósculo! E, dessa forma, não conseguindo reprimi-lo através de degustações sucessivas e paulatinas!... Na escolha do açaimo intermediante, vislumbram-se as quantificações dos nutrientes que devem ser conduzidos à boca. Isto também é uma prova inconteste do ciliciar de premência, e que requesta um fruir infrene, em cabal surdina, sujeitando-se aos acordes lancinantes dos aparatos supliciais, os quais são promovidos pelas veemências lasciviais das frinchas gênitas orquestrantes, e, também, na tessitura de variegadas intumescências.
    Como inumar os volitivos que afloram, tendo por base a imanência percuciente?!..., e que obicia, de modo recalcitrante, o primogênito passo para a transcendência, que é uma necessidade imprescindível para os manes de perpetuidade consagratória – numa ressumbrática pertinente ao estado de estesia perene.
    De súbito, eclodiu o tricilício, o que fora lobrigado desde o cerne, dispersando quantitativamente o martírio, projetando-o para a direitura condicionada aos dimensionais atinentes, assim como para o excruciamento humano-inumano. E, realmente, atribuindo para cada espaço uma ação e uma reação, igual e contrária, com verossimilhança aos “Princípios Newtonianos”, quando inseridos sobre o esqueleto, o qual se cominuirá gradativamente, caso se contraponha ao vetor regente do eixo gravitacional.
    O triciliciar terá como referência o plano de épura, prendendo-se a uma convexidade de base côncava, onde as duas premências sofrem intersticiais conexões. E, numa tentativa de laceração presumida, o cimo libertar-se-á do ponto basilar do calabouço, no átimo em que é singrado pela plenipotência da nau capitânea!...
    As estremaduras fruitivas extrapolam espontaneamente, independendo do estado volitivo – numa gradação oscilatória estupefata – em que a pessoa abscondita a própria efígie, na exação do ínterim, onde elucubra alumbraticamente a projeção esquálida da contra-imagem espúria. A partir desse esconso, no cerne puntual do pináculo, -- de portentoso nevralgismo, surdiu o extra-cilício premente, com o escopo de recorrer aos meandros, sobremodo os que são ressumados nos interstícios intrínsecos das estruturas somáticas. E, em cabal êxtase, mesmo diante do refratário, há um roçagar luxuriante irreprimível, no qual teremos como ilativo a fornicação orquestrada de balidos, gemidos suspirantes, estrugidos agudos, estentóricos gravíssimos e deblaterações plangentes do ato inoculatório, tanto o ascensório quanto o descensório, demandando sempre a madidez das superfícies áridas, mormente as que concernem aos dédalos macrolabiais de uma fastigiosa turgescência.
    Mesmo obedecendo ao ritual de extirpação dos aparatos gênitos, Eufraziana não sustinha os aguçantes ímpetos advindos de um tresloucado estado de lubricidade recrudescente!...

   De fato, ela não podia confutar para si mesma a polução e o onanismo que a agrediam prazerosamente, causando-lhe um rocio permanente nas regiões contíguas aos exuberantes aparatos pigeanos. Essas diminutas lufadas seriam, em circunstâncias depoentes, um testemunho irrefutável, uma vez que, em arrebatamento subital, não poderiam – em tempo algum – corresponder aos anseios intermitentes de quem, por acaso, ainda suspirasse a necessidade improcrastinável da devida terapia, que era o símbolo de uma fórmula cabalística e condicional, para que, no encetamento, houvesse a ablação plausível dos alardeatórios gênitos basilares!...

                                                            Wilson Cerveira

terça-feira, 6 de agosto de 2013

A INOPINADA REGENERAÇÃO DE UM TAL SICÁRIO

     Setembrino Zaracuzzo, sem que vaticinasse o seu fadário, fora o nome que recebera na pia batismal, conforme certidão de nascimento exarada em cartório. O protótipo vocábulo sugerira o mês em que houvera nascido em uma pequena cidade da Itália.
     O encetamento de suas ações assassinas foi protelado por algum tempo. No hodierno, o prazer mórbido de matar, que é uma sensação patológica e exortativa, visto que é uma ação ressumbrada através de um desiderato maculado por atrocidades praticadas pelo tal sicário!...
     A primogênita pessoa, de caráter generosíssimo, a que ele resolveu exterminar, com requintes de máxima hediondez, foi a de seu patrão e pai adotivo – Nicomedes, engenheiro graduado pela academia militar das “Agulhas Negras”. De fato, fora a mesma persona grata, exatamente a que o resgatou do interior de um dos aparelhos sanitários do “Bar Copacabana”, na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro, com indicação de tempo relacionado aos meados do século XX.
     Em princípio, o sujeito de má índole, -- o tal Zaracuzzo --, representava a lídima efígie teratogênica, com capacidade atroz de escalavrar a sua reverenciada mãe, caso a lobrigasse naquela ensancha de ódio infrene. 
     A partir daquele ínterim, em que assassinara cruelmente o homem que lhe protegia e proporcionava somente benfeitorias, poderia trucidar qualquer “ser” que atravessasse o seu impérvio itinerário, não importando o grau de sentimentalismo que unia a ambos, independentemente da existência ou não do parentesco de primeira, segundo, terceira, quarta, quinta, sexta, sétima, oitava, nona, décima escala etc.
     Também, a quantidade de dinheiro a ser recebida pelo protérvio matador profissional, estatuía o tipo de crime a ser perpetrado. O mais oneroso dos delitos seria, provavelmente, o do esfolamento completo, sequenciado pela  dissecação das vísceras e de todos os órgãos – sobremaneira os que seriam cremados e reconditados em terrenos repletos de sarças ígneas.
     O cilício, decerto, representava o castigo de primazia; pois, fazia-o como penitência ao horrendo parricida. Todo o dia ocorria no mínimo uma sessão, para que pudesse expiar os estigmas da nequicidade perpetrada, já que era decorrente de um desvairo súbito e inelucidável. Assim, sem razões plausíveis, eclodiu-lhe, de modo arrostado, a rejeição da imagem do homem generoso – seu conspícuo apaniguador – desde o instante em que o resgatou, quase morto, do desvão do vaso sanitário que antepara as dejeções diuturnas, e, destarte, ostentando, de modo simples, uma condição abjeta de escória!...
     As suas mais esdrúxulas auto-torturas iam recrudescendo com o passar do tempo, porquanto sofrera cominação por parte das leis inequânimes e réprobas, as quais são laboradas pela execrabilidade imanente dos iníquos e asquerosos doutores  da toga macabra.
     Assim, sem apelativos, o facínora Elesbão instituiu por conta própria uma nova lei – a pena de suplício, e, na omissão ominosa, infligiu-lhe, de modo ensimesmático, um escarmento probatório – requestando uma remissão do horrendo crime consecutado no prístino amaríssimo, equivalendo a um interregno imane de meia-centúria  de ratificações infalíveis!
     No seu septuagésimo natalício, em plena senectude, depois de cinco decênios, onde há exacerbação de vários crimes abomináveis, em que o sicário recebe do mandante Elisberto, a mais alvissareira proposta, visando, com exclusividade, o ceifamento de mais uma vida, e, desta feita, tratava-se do diplomata aposentado – dr. Jordeíldo Bargalhos, bastante reputado no extenso âmbito jornalístico. Doutoríssimo, como era cognominado na intimidade amistosa, exercera diversos cargos dignitários. Ademais, como completude intelectual, aparatava ser um polímata de altíssima envergadura.
     Ilou-se de que haveria de expiar, com percuciência acrimoniosa, as filigranas do imane nequicial que exequira contra a pessoa do seu maior amigo, abrangendo todos os tempos vetustos. Assim sendo, não gostaria que o revisse na dimensão incomum de uma esfinge elucubrática, e que seria projetada, de maneira meticulosa, no intrínseco arcabouço espectral de outra persona enigmática!...
     Num alumbramento insólito, resolvera desistir perante o postremeiro compromisso de morte a ser pressagiado, colimando a probabilidade de mais um ato executório!... Quando descortinou a fisionomia da próxima vítima, recolocou, pela primeiríssima vez, a arma na cintura; logo, sem hesitação, não seria ele o temerário, capaz de tirar a vida de uma pessoa que, segundo os seus vaticínios vislumbratórios, ultrapassara a casa dos cem anos, estando na iminência  de morte natural apropinquativa.    
                                       
                                            Wilson Cerveira

A IMANE LATÊNCIA DO SENTIMENTO PROTRAÍDO

    A princípio, o sentimento assoma no vurmo do frêmito. E, em seguida, vai, paulatinamente, percorrendo as ínvias sendas dos arcabouços: anatômico e fisiológico. As reações eferentes tomam novos vetoriais com relação às reações aferentes. Quem se contunde, adrede, é o sujeito que nutre as lancinâncias aferidas a partir da pressuposta colocação oracional – sub-repticiamente prolatada.
    O retraimento da compelência lascivial ocorre em detrimento da homeostase dos sistemas orgânicos. E, então, os pontos de maior nevralgia vão sucumbindo, gradativamente, nos respectivos níveis de suas energias de ativação. Ademais, todos nós temos inscrita no inconsciente uma tragédia que ignoramos e que recuamos com horror, conforme o parecer do psicanalista – Freud. E, assim sendo, como espectadores de uma tragédia grega, além do horror, sentimos o prazer estético que advém da encenação teatral.
    O impacto gerado pelo reprimido exprobra em nome da família, da crença, dos regimentos ou estatutos sociais, perjúrios, falcatruas, impressos documentais estabelecidos em cartórios, tais como: certidões, contratos de casamento e outros adendos preconceituais normativos.
    O ocultismo é a raiz obscura desse tipo heteróclito de sentimento. Na maioria das vezes, ele é refratário no que consiste, em tese, a sua transferência da data. É sempre procrastinado, esperando o postremeiro comenos. E, quando promana – em derradeira instancia – continua a aparatar vida meteórica latencial (de natureza palindrômica ou recidival).
    Por que desarticular os movimentos motores da mandíbula, mesmo tendo consciência da frase omitida durante a formação de uma logopéia, após ter sido cogitada por dilações consecutivas, há muito reiteradas?!...
     -- Qual a razão aparente de não assumir o que fora dito espontaneamente? – Que motivo aduziu a uma possível palinódia, de natureza especiosa, já que não existem normativas estabelecendo as trilhas de um desiderato prístino?!...
    Em se tratando de volitivos, as causas estão distanciadas de seus basilares prismas, pois aparatam falácias de diversas etiologias. De fato, dentro do ocultismo há postergações sucessivas do suscetível, evitando com isso uma probabilística ressumbratória. Caso haja assomamento, decerto, promanará uma retratação inopinada, -- numa tentativa vã --, mas insofismável, e com a finalidade de elucubrar o acirramento lúbrico. E, em demasia, todas as confutações serão exequidas, numa experimentação frustrante de absconditar a madidez dos lábios aflorantes – sem dimensões reais de abrangência das diversas áreas contíguas e grassantes, -- tendo por instrumentos de referência os diferentes vetores contendo direções e sentidos plausíveis.
     Na compelência luxuriosa, o prazer advém do gozo obtido por satisfazer o desejo proibido. Nesse caso, o espectador pode fruir sentado em sua cadeira na plateia, de modo inconsciente, realizando -- através do eleito -- aquilo que lhe parece inexequível. Isto é a ilação do que se denomina de catarse dos desejos inconscientes. Nesse caso, o efeito fatídico é deflagrado no espectador, sobretudo quando experimenta, em apropinquações sincrônicas, -- prazer e dor, gozo e culpa, horror e entusiasmo. Nessa estrutura primitiva do desejo inconsciente: o filho mata o pai para ter acesso à mãe, e é escarmentado com o autocegamento e o exílio.
     Eluriano procedeu, ou foi agido, por todo esse saber do qual não sabe. Esse saber não sabido é o estigma do saber do “Inconsciente”, do qual o sujeito se defende, e essa rutilante defesa é o que se chama de recalque.
    Consoante, -- o pensador --, são três as paixões fundamentais do homem: o amor, o ódio e a ignorância. Eluriano, o energúmeno, é possuído pelos três ou mais! Destarte, o não querer saber é a pior delas e aduz ao sujeito o seu próprio sucumbimento. Ele prossegue e ressumbra que é o próprio triplo equívoco, em suas três dimensões: ao nascer, ao matar e ao casar!...
      Mas, em se tratando da charada da esfinge, o que está em evidência é a questão inerente ao anelo do outro. De onde eu vim? Como vim parar aqui neste mundo? – Eluriano interroga e prossegue exarando o seguinte: Meus pais me quiseram? Desejaram que eu viesse? Acolheram-me? O outro me deseja? Será que meus pais me desejaram? Qual o meu lugar no desejo do outro? Tenho algum lugar nesse ambiente? Afinal, sou filho do Amor, do Acaso ou da Morte?
     O protraimento é uma questão de prolação reticencial do sentimento absconditado no decurso do tempo de espera, sem que seja evolada a fruição desiderata em quaisquer desses átimos abruptos!...
     O provecto Eluriano tivera inúmeros pesadelos, e, num desses momentos de cabal funebridade, encontrou no caminho a “morte”, debruçada, miseravelmente, sob a carcaça apodrecida de um antigo cipreste. Que figura lastimável apresentava, então! Escutando seu pranto, lhe disse: “Megera traiçoeira, que choradeira toda é esta?” Ao erguer sua espectral cachimônia, de modo paulatino, lobriguei a existência de pranto copioso a descer de suas duas órbitas vazias. Seu sorriso desdenhoso de partida, que dizem eterno, me pareceu apenas o esgar grotesco das faces golpeadas pela desgraça! “De súbito, também pressentia que chegava para si o postremeiro suspiro!” “A morte, arrostadamente, consigo mesma!...” Eis ao que meus olhos incrédulos estavam assistindo! Ao lado dela, sob um monte de folhas perecidas, vi negrejar a nesga adunca de sua outrora e tão esperada foice. Que lástima! Agora, ali, estava convertida num pedaço inútil de ferro carcomido, que um juntador de trastes atirou para a carroça, ostentando um sacrílego bocejo de tédio suicida! Quando me voltei para essa megera execrável das gentes, acreditei-a, então, finalmente acabada. Sua face, sempre sadiamente pálida, agora trazia a lividez espectral dos mortos.
     Para que concretizasse a sua plena mortificação, -- Eluriano --, de repente, estava sob o jugo inclemente de uma terrível e insuportável sede. Ele, sem poder dobrar o corpo, abaixou a cabeça para beber um pouco de líquido refrescante, pois a água estava quase na linha de sua boca. Esse precioso produto das reações químicas, contudo, instantaneamente, lhe desceu até os pés, ao menor movimento do pescoço. Depois, tomado por uma fome devastadora, estendeu  o braço para alcançar os deliciosos frutos que pendiam das árvores ao redor. Porém, quando quase tinha um deles nas mãos, um forte vento ergueu a rama para o alto, tornando o fruto inatingível aos seus curtos braços. Deste modo nequicial, Eluriano foi galardoado, alcançando a imortalidade em completa tortura a que fora submetido ao chegar aos labirintos ígneos do inferno!...

                                             Wilson Cerveira