segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

PRESCINDÍVEIS ELOGIOS

     Nos tempos de “Antanho”, a iniciativa de elogiar o sujeito, independentemente da faixa etária, constituía-se em algo estimulador e edificante em todas as acepções plausíveis.
     Hodiernamente, este hábito de aclamação tornou-se deletério em toda a sua extensão vernacular. Se assim o fizermos, estaremos procedendo de modo paradoxal, contestando todas as opiniões formuladas!
  Para que servem esses encômios – dos mais heteróclitos – uma vez que, indubitavelmente, quanto decifrados, não passam de ultrajes simulacrais! As pornografonias se constituem, em dias hodiernos, no cerne hermenêutico, formando apologias de contundente desfaçatez.
     Os especiosos panegíricos estão dispersos em quase todos os ambientes, de modo independente, não respeitando as mais requintadas etiquetas. Implantam-se sem obsecrar a devida vênia, pois ressumbram ares de tirania sem estremadura! ...
     Lembrar a efígie, quando determinada por certa distância, não equivale ressalva, visto que, em função do tempo decorrido, não registra expressão positiva, mas, sem hesitação plausível, corrobora com os referenciais relacionados aos prescindíveis elogios!
     Há negatividade premente com relação aos falaciosos panegíricos. Prestigiam, então, pessoas; tanto em fase de puerilidade, quanto em senescência – exortando uma diretriz ponderativa para mais ou para menos, adendando ao estado libratório das mais abstrusas antinomias crástinas do orbe.
     As psicologias errôneas dos dias hodiernos vêm acumulando sucessivamente elogios sem fundamentos, os quais só servem para desensinar o correto, e, de modo concomitante, sufragar os equívocos e más-formações nestes dias de crucialidade expiante.
     A criança, sem tomar conhecimento da garatuja impressa no papel, ainda é, de modo falacioso, encomiada no final da página, tal qual tivesse a perpetrar uma letra caligráfica, dessas que são usadas nas certidões fornecidas pelos cartórios mais rebuscados, do país inteiro, mormente neste rincão de tantas abrangências!
     Elogios para manter a desintegração do psicológico?!... Só, somente se, em caso de exício incontinenti, houver especiosidade regenerativa de uma degenerescência à sorrelfa, cabalmente abscôndita perante visões suscitadas a partir de probabilísticos visionários.
     Como são deletérios esses tartufos encômios, quase todos, sem exceção, encetados nas primícias dos rudimentares conhecimentos adquiridos a partir dos pródromos de adentramento, notadamente no jardim da infância querida!
     A criança pega o lápis, alongando-o nos últimos dedos da mão, e, depois de algum tempo, esboçando obiciamentos, escreve uma garatuja – das mais lôbregas! ... A professora, no desiderato de dar a falaciosa expressão de condescendência indevida, ainda consegue rubricar, com falcatrua o seguinte: “Parabéns, e que letra!”
     Naquela idade, o aluno não percebe os apodos que estão sendo dirigidos a ele! O certo, então, seria: “melhore a letra”; decerto, você vai longe quanto ao aspecto cartográfico, desde que preserve a obediência com relação ao formato normal da letra do alfabeto. E, destarte, nunca mais se poderia vislumbrar a veracidade das apologias. Todos esses panegíricos são de progressividade simulacral.
     Para que elogiar a própria demência, já que, por motivo implausível, estamos aderindo o excídio réprobo e cabal, principalmente o que vai se dispersando pelo orbe – sem discricionários de exclusão.
     Todos os tipos de “louvações” – sendo elas, de modo contundente, dirigidas aos diversos ramos da atividade humana – sem quaisquer exceções, servindo apenas para estiolar... De que forma, por mais controle pessoal, podemos transigir perante essas atitudes ignominiosas, sobremodo as que nos surdem, oprobriosamente, a partir de indivíduos considerados – maus caracteres – conquanto já deram prova cabal. São protervos, decerto, em tudo o que tentam ressumbrar...
     Pronunciam os anátemas, indiretamente, atingindo os colimadores errados, visto que, sem interpelação, esses elementos não podem declinar um só vetor resultante!
     A complexidade dos quadros, sem menção determinada, num cipoal sem limite; com certeza, estorvou o ponto mais nevrálgico, deixando-o na vacuidade negativa de todas as circunstâncias somatoriais!...




                                                   Wilson Cerveira


     

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O ATO DE LEMBRAR

   A cenestesia recrudesce em dias hodiernos. Sim, vive-se de vagas lembranças – laivos prescindíveis – em se tratando da fluição de atitudes, fatos e datas!
     Em virtude da proliferação exacerbada de informações, as reminiscências somente eclodem quando acirradas ao longo de suas projeções contidas nas colinearidades dos pensamentos! ...
     Quantas sendas, quantas! – genericamente, obiciam as trilhas que aduzem ao ato de deslembrar. Parece ser neologismo recente, caso não tenha outro que o comute, de maneira integral, sem a presença do enigmático conjunto vazio!
     A juventude estúrdia, em sua maioria, não deixaria jamais de fazer o contrário de todos os avessos, ressumando um orbe esfíngico, onde o próprio cabalístico – seu irmão gêmeo univitelino – medra em proporções descomunais.
     Não há imbróglio que justifique uma imane análise combinatória – sendo entre todas a mais complexa – porquanto existam veredas em circunstâncias de desleitura, ou, então, em desestudos! De fato, desaprendeu-se o quase nada que remanesceu em estado energumenismo, simbolizando os sujeitos mentecaptos...
     Em pleno porto, estamos agora, já que, com muita lepidez, perdemos a memória..., entretanto, ancoramos num local labiríntico, nunca dantes visto por algum fotógrafo ou cineasta veterano, acostumado às vicissitudes vitais! ...
     Até o presente ínterim, remanesce a cenestesia, que é a vaga lembrança, podendo não ostentar laivos de alguma reminiscência, desde que ela esteja em estado de latência ou percuciente letargia!...
     A História, disciplina palmar, é o esqueleto basilar imprescindível de toda uma cronologia. O tempo determina o fato – estabelecendo as estremaduras correlatas quanto ao ressumbratórios das essências atreladas aos episódios decorridos – aparatando suas causas e seus devidos efeitos e consequências.
     A senescência aduz-nos aos estigmas abscônditos. Às vezes, involuntariamente, necessitamos de espaços concernentes a dias sucessivos, meses, anos etc, para que, com justificadas razões, aquele pensamento aflore do mesmo modo, coligindo até o ponto nevrálgico das gêneses do vernáculo protótipo.
     Há síndromes, como a de Alzheimer, que vão, pouco a pouco, obliterando as noções idiossincrásicas. Os indivíduos vão-se deixando sucumbir, gradativamente, quando adentram ao olvidamento relacionado aos nomes dos seus ascendentes mais próximos! ...
     A linhagem de apropinquação não aparata laivos de determinismo quanto ao recrudescimento da síndrome paroxística palindrômica, mormente no que concerne aos pródromos das manifestações patológicas, dilucidadas, de forma abrupta, nos dias hodiernos, onde não se consegue harmonizar o conflito – por menor que ele seja em conteúdo! ...
     Regressando ao ato de lembrar, nada contradiz a veracidade existente no que se relaciona ao absconso, tendo-se por gênese as primícias das fases vitais e avitais, cabalmente desacompanhadas em seus pronunciamentos protótipos! ...
     É dentro da linha de normalidade aparente, sem digressões em curso, que se reminiscencia o sujeito incógnito. Outrossim, não podemos sofrer hesitamento, caso ele seja do mesmo clã ou nacionalidade. Destarte, o sujeito se metamorfoseia de tal jeito, remanescendo na quantificação de elemento preceptor; – a despeito de não gerar o mínimo necessário no que se refere ao aparato de uma efígie cabalística. E, assim, surde outro componente, – muito diferente do primeiro –, simbolizando as características heteróclitas de uma esfinge bizarra em todos os aspectos plausíveis e atinentes a uma porvindoura mácula perquiritiva dantesca, abrangendo todos os ressumbramentos temporais: hesterno, hodierno e crástino.
     Há atos de lembranças atinentes, de total degradância, que precisam ser rememorados. Ei-los: um ultraje, um perjúrio, uma ignomínia, uma ignávia estigmatizante!...
     Seria salutar palingenesiar apenas o regalo, os momentos de satisfação, em que a fruição imperasse!... Mas o ato de lembrar, caros leitores, independe de quaisquer circunstâncias – positivas ou negativas. Todas as experimentações, vivências e sofrências – sem exceção – ostentam suas lições de vida! A vida, nesse caso, seria um éden –em sua plenitude – se pudéssemos coligir somente boas notícias. Aprendamos as cognosias das más-notícias, conquanto tragam, de forma arraigada, entreveros, conflitos e vários paradigmas desarmônicos.
     O ato de lembrar a própria relembrança, desinumando-a em seu ponto nevrálgico de convergência divergente, tendo por referencial a própria penumbra! Os menos insipientes ininteligem as acepções que conduzem aos elusivos situacionais indeterminados em dispares implementações plausíveis quanto ao deslumbratório cabalístico em toda sua extensão...
     Velas ao derredor do moribundo – cercando-o completamente, estorvam as transgressões emergentes das cerceaduras. Não importa quem seja a pessoa do velado, visto que a decomposição orgânica é uma só, redundando em épulas sucessivas de putrefação orgânica, não remanescendo laivos resolutivos. Não há poder, pecúnia ou demais fortalezas que obiciem o surdimento de alguma esfíngica diferenciação. Todos nós, através do ato de lembrar, somos iguais quanto ao ato de putrefação!




                         Wilson Cerveira

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

DEGRADAÇÃO EDUCACIONAL

      É sorumbático lobrigar o que está ocorrendo nos dias hodiernos, mormente no âmbito da educação brasileira! Há decerto, uma regressão progressiva nas comutações sucessivas perpetradas na epitetada “Lei de Diretrizes e Bases”. Os estatutos, com seus regimentos e regulamentos heteróclitos, são altamente infensos aos docentes, e de ampla permissibilidade com relação a atuação do corpo discente.
      Destarte, os docentes, independentemente, das disciplinas ministradas, foram se deixando combalir, de modo vertiginoso, inumando o senhorio que aparatavam nas salas de aulas, quando exerciam o capitólico e imprescindível domínio de “sala de aula”.
     Os alunos, numa inversão aviltante dos valores, passaram a dominar os professores, mormente os incipientes, e estes, de maneira tripudiante, colocaram-se no lugar de ouvintes, desses que não mais escutam as normativas inimplausíveis de uma educação sucumbida, inexistente na vastidão cada vez mais ampliada da incognosia generalizada.
     Todas as regras foram sendo estioladas em todos os sentidos e direções. A desobediência quanto ao cumprimento dos horários foi, pouco a pouco, sendo debilitada, adentrando em um estado de mórbido cumprimento...
     O(a) aluno(a) adentra em sua respectiva turma – a qualquer momento – sem que solicite a devida vênia. Deveras, os que entram e saem, sem assentimento, dispersam ainda mais a diminuta atenção remanescente. Do meio para o fim – de cada horário – medra uma cabal desatenção.
     Há lidimas facções implantadas nos interiores dos educandários. Elas são responsáveis, diretamente, pelo clima de anarquia, há muito gerado no interior das salas de aula. Uns tratam da narcotização; outros, mais ousados, cuidam do assédio sexual; alguns buscam as mais esdrúxulas tatuagens existentes, automutilações etc. Há, também, aqueles que perpetram cominações frequentes, e, estão sempre à cata de instrumentos bélicos – capazes de realizar severas depredações – atingindo, de maneira concomitante, pessoas, objetos e o próprio meio ambiente – atingindo a flora e a fauna, ambas já ameaçadas de conflagrações consecutivas ao longo do tempo decorrido.
     Destarte, Periseu, apanhou a corrente e se trancafiou, numa escola idiossincrásica!... Os recintos escolares tornaram-se concentrações arquitetadas para campo de batalhas. São bem poucos os que se inspiram na Divina Providência! A maldade invade os pontos nevrálgicos, com extrema facilidade, permitindo as ações de deletérias percucientes!
     Não possamos olvidar os maníacos da bola. Preferem afastar as carteiras, e, no lugar delas, implantar as traves nas paredes do fundo da classe, onde o comprimento é um pouco maior. O ribombar da pelota na parede da sala de aula, em prostremeira insistência, define o grau da desorganização vivida pelo sistema escolar nestes cruentos dias hodiernos. As reformas são aniquiladoras em todas as metas estabelecidas, tentando arguir os mais diferentes conteúdos – rotulados no intrínseco abscôndito dos díspares continentes!
     De súbito, lobriga-se ao derredor do recinto colegial – como encetamento de uma deflagração – uma turma de elementos estroinados, malgrado pudessem ser caracterizados parcialmente pelo fundamento que ostentado portanto pelas respectivas siglas do mencionado educandário “Santo Antônio”.
     Quem os observasse a uma certa distância, guardaria consigo a impressão de que eles estariam exercendo a função de guardas e vigilantes, com o propósito de preservar, de maneira escarnecedora, a estrutura íntegra de uma escola de outrora, que perdera as suas reais características...
     Pelo contrário, o que observávamos naquele ínterim, quase recôndito, era simplesmente uma visão especiosa, repleta de meandros em todos os sentidos e direções plausíveis, sem que houvesse probabilidade quanto ao ressurgimento do vetor resultante!...
     Paus, pedaços de caixas, cacetes de todos os tamanhos, foices, machados, enxadas etc; naquele comenos, serviriam para implementar a imagem do Centro Educacional – em atividade nestes dias de complexa e abstrusa realidade esquipática. Destarte, dispúnhamos de operários competentes, pois manipulariam com eficiência aqueles dardos disponíveis...
     O continente do colégio de segundo grau estava com as suas estruturas externas totalmente depredadas. O exício progride em dias hodiernos, estigmatizando todo um grupo que sente a necessidade de auxiliar, na base da anarquia, todo o sistema degradativo existente nesta falhíssima e cincada educação brasileira.
     Não se observam preservações do conteúdo nem do continente dos prédios que se destinam aos estudos basilares das primícias erudicionais. Todas as precariedades – do possível ao impossível – estão presentes nos recintos escolares dos dias hodiernos. Nada satisfaz – do possível ao impossível – as carências básicas. Do concreto ao abstrato, e, vice-versa, tudo ia se metamorfoseando em fantasmagorias heteróclitas. As pessoas, com fardas e livros, pareciam espectros estudantis. Deveras, esses elementos não passariam nos inquéritos das delegacias, pois a maioria ostentava registro pericial de algum tipo de delito perpetrado.



                                              Wilson Cerveira

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

MESTRES E DOUTORES SEM LIVROS

     Hodiernamente, há vários subterfúgios tentando justificar a omissão do ato de conduzir livros. Ei-los: mãos vazias facilitam a defesa de quem se vê acuado por bandidos que surdem, abruptamente, de maneira arrostada. Também, existem escusas relacionadas aos possíveis desvios da coluna vertebral. Geralmente, surgem, com frequência, naqueles que não sabem equacionar o peso, e resolvem aduzir a carga para um dos antebraços!
     O correto seria o seguinte: pesá-los antes de conduzi-los, com o intento de dividir igualmente o peso correspondente ao conjunto de pequenos, médios e grandes compêndios. E, é, por isso, sem hesitação, que o velho Aquiles, o mestre dos mestres, ostentava uma balança própria para aferir esses volumes atinentes a diferentes disciplinas.
     Deveras, Aquiles atravessava as ruas e avenidas, portando de cinco a oito livros nas laterais dos antebraços, com os cotovelos apoiados na região superior dos hipocôndrios: direito e esquerdo, respectivamente. Desse modo, sem perplexidade, ocupava ambas as mãos, e mantinha em posição correta os discos vertebrais.
     Neste modernismo heteróclito, os aparelhos tecnológicos ocupam os espaços reservados aos livros, absorvendo, milimetricamente, a contar das entrelinhas: cognosias esparsas e informações diversificadas sobre determinados assuntos. Tanto assim, sem dubiedade, o dispositivo móvel, a bem da verdade, deveria ser programado para agir como receptor das sindicâncias basilares, assim como, de modo contundente, as perquirições atinentes. Destarte, expungir-se-iam as perscrutações perfunctórias!
     A princípio, o livro pesa no bolso daqueles que não ostentam afinidade em adquiri-lo com o objetivo exclusivo de ler atenciosamente “página por página”, para que possam emitir uma opinião abalizada do que fora assimilado no longo decurso do tempo de estabelecida hermenêutica. Muitos somente leem, mas não se expendem quanto ao ato de interpretar os parágrafos componentes do texto em apreço.
     As máquinas, com seus modernicismos metamorfoseantes, adulteram de diversos modos o que estava sendo aspirado pelos mais estudiosos discentes. Não conseguem conciliar a leitura com a escrita, lacerando a libração necessária para uma proficiente aprendizagem deletéria com relação aos malévolos sujeitos, quase todos sacripantas, e despreparados para exercer as suas atividades docentes e discentes.
     Há uma vacuidade com relação a existência mostruária dos livros. As bolsas estão esvaziadas, ao passo que, sem maiores aparatos, os aparelhos eletrônicos se multiplicam em notebooks e netbooks, e tantas outras parafernálias, as quais tem por finalidade comutar a presença do livro. Esses instrumentos reúnem informações generalizadas, mas, em tempo algum, nunca substituirão os próprios canhenhos – muito mais simples – sem digressões correspondentes aos opúsculos.
     A própria biblioteca está munida de aparelhos de DVD e seus respectivos discos. Vislumbram-se alguns livros didáticos já utilizados em anos pretéritos. O manuseio é exíguo, sendo feito através da ação deletéria das traças!...
     De quem são espectros enfileirados nas estantes, ainda em caixas lacradas, com o vetusto lacre vermelho, a exibir coletâneas recém-chegadas do estrangeiro, trazendo a tiracolo inusitados exemplares científicos?!...
     Essas especiosidades eram engendradas pelo Nicoleide, sujeito que coligiu a aglutinação nominal dos seus pais: a mãe, cognomina-se Leide; enquanto o pai, bastante arguto, desde a infância, denominava-se de Nicolau.
     Dr. Nicoleide, na estremadura de sua solércia, enchia as caixas de livros usados; ao passo que, no continente externo do papelão, aparatava dia, mês e ano, recentemente, escritos com letras rúbidas e góticas, para que a conspicuidade comprovasse uma veracidade falaciosa!...
     Grampeadas, por ordem cronológica, estavam as notas fiscais ob-reptícias, as quais expendiam os testemunhos de quem vislumbrou o ato aquisitivo, pelo simples fato de ser um bibliófilo, ostentando dezenas e dezenas de livros, quase todos os dias da semana, com raríssimas exceções. Preferia alimentar o espírito ao corpo, numa coalescência harmônica e testemunhal!...
      Os livros, compêndios que exigem força para que sejam deslocados de um local para outro, necessitam, estritamente, de inauditas perquirições cabais, quase sempre editoriais, no exato átimo das reproduções desses manuais, que nos vem dilucidando as mais apuradas e acendradas elucubrações percucientes!...




                                                  Wilson Cerveira


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

MESTRES E DOUTORES SEM CULTURA GERAL - PARTE II

   Em que pese a desarticulação do basilar, abrangendo uma série de conhecimentos gerais, surdiu o estiolamento do que a antiga Professora Normalista do vetusto “Curso Primário” preconizava com veemência. Educava os seus alunos, de tal maneira, para que eles não se prendessem a uma determinada matéria. Quando se pode deixar uma herança bem melhor de que qualquer outra já divulgada em termos midiais.
    Como se vai adquirir conhecimentos gerais variegados, após o distanciamento da base respaldativa. Tudo se aprende, com mais pujança, nas primícias da vida. E, a educação, quando auferida, ostenta – por pináculo inexpugnável – as mais sólidas erudições que nos eram repassadas nos pródromos da formação escolar.
     Na Escola Tradicional, cujo sistema de ensino, – de  proficiência comprovada, – ressumava os alicerces de uma aprendizagem perdurante; porquanto a exação, diuturna e assistencial, exigia do discente o cumprimento integral das obrigações colegiais, independente de quaisquer afinidades individuais conforme o despertar da tendência intelectiva.
     Todas as disciplinas eram cobradas em tempo integral, não oportunizando primazias para assumir outras digressões. De fato, a cultura geral provinha do ponto de encetamento. O despertar da necessidade variegada do saber, deveras, incitava o alunado com relação a grandiosa precisão de prestação das lições – de segunda a sexta-feira – sem interregnos de latência procrastinatória.
     Não adianta, decerto, a inoculação percuciente de conhecimentos abrangentes, a partir dos comenos que se priorizaram com referência ao restricional – do particular cognitivo, cognominando-o de especialização em determinado ramo da poligrafia.
     Para que, em determinado espaço temporal, isso pudesse acontecer deveras, seria preciso adquirir o basilar das demais disciplinas. Realmente, a aluno da área da saúde, necessitaria de implementos que facilitassem o seu entendimento matemático, mormente em presença de uma equação diferencial – em ritmo de uma integralização solidificante – que se direcionasse mais aos técnicos a quaisquer outros funcionários.
     Por que digressionar em busca de inusitadas cognosias – um tanto afastadas do colimador exponencial?!...  E, então,esta geração, cujo conhecimento é vulnerável – desde  as primazias, jamais poderia aparatar melhores caracteres, porquanto a base fora obliterada desde tempos priscos!....
      Quem fomentava o basilar era a Professora Normalista, uma lidima heroína! De tudo sabia um pouco; tanto assim, que, arrostadamente, sem hesitação ia passando e repassando para as gerações futuras a fortaleza de sua aprendizagem, alicerçada com tenacidade, sobrevinda, gradualmente, quando infligida pelos educandários sufragados, mormente com a presença imprescindível da mestra de todos os tempos, a qual fazia e reiterava em suas idiossincrasias, as mesmas funções ressumbradas  por todo um corpo docente, capaz de responder a todas as perguntas que lhe fossem formuladas, independentemente da especificidade da matéria ministrada.
      Todos os que aprenderam com essas magnânimas mestras, decerto, aduzirão essas cognosias até o postremeiro átimo existencial. Deveras, essas preceptoras do saber simbolizavam lídimos arquétipos, e transcreviam as suas heranças paradigmáticas para as gerações subsequentes. Ensinavam todas as disciplinas, tais como: Português (Linguagem), Matemática (Aritmética), Conhecimentos Gerais (História e Geografia) e Ciências Naturais, instruindo, com basicidade sólida, todos os seus epígonos, independendo de quaisquer outros recursos ou referenciais familiares.
     Em determinadas circunstâncias, coligiam num único salão as cinco turmas do vetusto Primário – sendo quatro nas laterais e uma no centro, que era, justamente, o quinto ano. Indo a cada grupo ministrar a sequência dos conhecimentos e, também, com especificidade, os diferentes capítulos das matérias ministradas.
      Após algum interregno, vinha tomando as lições e recolhendo os exercícios propostos. Os que ostentavam mais atenção, decerto, ressumavam as maiores notas, justificando a ausência de um imane transtorno mental, evidenciado em dias hodiernos, que é a aprosexia (mórbida falta de atenção).
      Também, na ausência patológica da abulia, ressudavam uma volição ascensorial, ensanchando todos aqueles que disputavam díspares interesses com relação ao grau assimilatório de inusitadas erudições.
       Outrora, dispunha-se do livro da Prof. Margarida Thompson, com a sua linguagem dilucidatória em todos os âmbitos prodrômicos da polimatia humana. Ajudava-nos, além da mestra de saber versátil; também, preceptora de primeiríssima grandeza, a dissipar-nos as perplexidades acumuladas no decurso inclemente do tempo inexorável!
      Quanto ao livro de aritmética, jamais poderíamos obliterar o Carlos Galante, Cecil Thieré, e, por último, o Benedito Castrucci. Todos eram eficientes, tanto assim, sem dubiedade, um complementava e basificava o que o outro dizia, sem que necessitasse de um cerceamento atinente ao grau de evolução do conhecimento humano, abrangendo as diferentes disciplinas ministradas.
      Esses parcos livros, pertencentes ao encetamento escolar, emprestavam-nos toda a basicidade necessária, para que jamais esquecêssemos as histórias que nos trariam reminiscências imprescindíveis com relação ao evolucionismo poligráfico.
      A “Cultura Geral” tem que ser cultivada desde as primícias erudicionais. Sem base prodrômica, não adiantaria tentar transpor óbices recrudescentes do saber, uma vez que, indubitavelmente, os concorrentes preparados auferirão as vagas disponíveis para os cargos, anteriormente, disponibilizados pelos editais dos díspares concursos públicos.



                                                            Wilson Cerveira


terça-feira, 18 de outubro de 2016

MESTRES E DOUTORES SEM CULTURA GERAL

    Se, hodiernamente, é paradoxo com referência ao ato de exarar a lídima verdade, não a podemos inumar, por vontade própria, a existência da “Cultura Geral”, nos célebres e inolvidáveis tempos de Antanho, o Mestre dos mestres, que ainda tive a ensancha de testemunhar nos meus tempos de mocidade!...
     Lauriela, conhecida na intimidade por Maricotinha, não ostentava a engabelação dos que aparatam uma especiosa polimatia. De fato, a senhorinha fora Professora Normalista da protótipa turma da “Escola Normal”. Deveras, nessa década capitólica dos anos quarenta, – cravados no memorial indelével do século XX, exatorialmente assinalada, com ênfase, nos ressumbratórios do encetamento palingenésico dos anos de mil novecentos e quarenta.
     Professora Maricotinha, chamada pelo pessoal do interior, não relegava os apetrechos utilizados no decurso da exposição das várias disciplinas – por ela ministradas. Quadro desarmável, aparatando um cavalete que o sustentava na região posterior como se fosse um esquadro triangular que o orientava, acuradamente, descrevendo a forma que o afixava no terço médio da parede, evocando um trapézio apoiado sob a colimação de um compasso semiaberto nos ladeamentos suplementares. Além disso, ressumava o material didático e disciplinar, com o intuito de manter, também, os diversos arquétipos utilizados nos átimos necessários ao ato de infligir os cautérios prementes.
   Estas normativas auxiliariam na manutenção do seu comportamento, de modo imprescindível, em sala de aula, aduzindo-o para o meio exterior – demonstrado pelo corporativismo de uma sociedade consumativa, mormente quanto ao gládio emaranhado do concorridíssimo – “Mercado de Trabalho”, – nestes dias hodiernos –, regidos  pelas mais fatídicas acrimônias e agruras obstinativas, ocupando todos os espaços traçados na divagação dissecativa dos trechos enciclopédicos compulsados ou esquadrinhados com expressiva minuciosidade.
     Realmente, a professora “Normalista”, em sua potestade eruditiva, buscava sempre a diversificação do conhecimento. Com certeza, predispunha-se a estudar, diuturnamente, as diferentes matérias – Português, Matemática, Ciências e Conhecimentos Gerais (História e Geografia).
     Utilizava-se no prístino a elucubração dos recursos apresentados pelos próprios professores ou mestres – sem que se dispusesse dos recursos tecnológicos, hodiernamente, ostentados no decurso explanativo das aulas teórico-práticas.
          A exausta professora do antigo “Curso Primário”, de modo acurado, estava sempre à cata de adendos ilustrativos para abrilhantar suas aulas. Fazia de cera, gesso, cartolina e demais aparatos, afinal, todo o material de que precisava para dilucidar as perplexidades geradas pelas aulas expositivas, abrangendo, somatorialmente, a Linguagem, Aritmética, Ciências e Conhecimentos Gerais (História e Geografia).
     Petronílio, o vizinho mais consciencioso, dizia para sua companheira Laércia, geralmente em linguagem confidencial, o seguinte: “Nunca conheci quem tivesse mais paciência com seus discentes, sem exceções, do que a ilustre Professora – Lauriela, epitetada de Maricotinha, mormente entre os amigos e, também, no ambiente familiar. Como é difícil suportar tanta algaravia em meio à tentativa de manutenção do educacional, exigido durante a ministração das aulas atinentes aos diferentes conteúdos da grade curricular do vetusto e saudosista – “Curso Primário”.
       De fato, a professora Normalista ostentava uma função polivalente, e, destarte, ressumbrava uma versatilidade a toda prova. Ela atendia as necessidades de uma clientela diversificada com relação a vários pontos de vista: assimilação dos díspares conteúdos ensinados por uma única mestra, excluindo quaisquer probabilidades concernentes aos atos de repulsa, pois, sem hesitação, tinham diante de si uma única educadora, com capacidade de ensinar-lhes várias disciplinas cujos conteúdos divergiam bastante. Deveras, haveria necessidade premente de portar uma cultura geral bem dilatada quanto ao âmbito do saber amplo, polimatizado, sem cerceamentos!
     Termina-se o “Ensino Médio”, sem que saibamos as preceptoras de suas destinações. Não é permitido o cincar reiterativo de mestres e doutores. A maioria opta pela letra disforme, pelas siglas e pelos criptogramas; já que, sem hesitação, dizem estar na era da cibernética avançada, sem estremaduras. Tentam justificar, de maneira falaciosa, a origem das escritas errôneas, imprecisas, em linha geral ininteligíveis; ao passo que, em caráter geral, sem lamentações, pois advieram das objurgações impostas pelo seu ex-professor.
     A partir dessa condição, o aluno poderia, com o decorrer do tempo escarmentoso, chegar ao ponto circunstancial de epígono. Dignificou-se o discente, em função da solidez demonstrada pela eficiência de poucos educadores nestes hodiernos dias agrurosos.
       De que maneira, mesmo sofrendo as influências nefastas das digressões, poderíamos auferir alguns estudiosos, com exceções assinaladas, portando em todos os ramos do saber, um pouco, sequer, de cultura geral. É, portanto necessário o conhecimento do encetamento basilar, para que, em termos de aprendizagem, possamos percucientar as díspares gradações eruditas já assimiladas durante a experimentação de novas erudições inteiramente úteis no depreender geral que estão à cata de inusitados adendos científicos e filosóficos, numa abrangência infinita. Aprendais a partir da premência de absorver novos conhecimentos, que, no crástino apropinquado, servirão para dimanar as amplitudes das inusitadas culturas!...
       Para que consigamos “Conhecimentos Gerais”, não importa nem deve haver quaisquer demarcações do tempo. O ato de estudar passará a ser contínuo, em quaisquer átimos diuturnos e noturnos. As perplexidades deverão ser dirimidas em quaisquer átimos de apreensiva depredação – de natureza exprobrativa. Fujamo-nos das extorsões produzidas pelos três conspurcativos poderes, onde um apoia o outro, no que concerne as dilucidatórias dos imanes óbices dispersos nos meandros dos comenos mais implexos – em meio aos revoluteios das sendas mais distributiva com relação ao ato espontâneo e volitivo de aprender as matérias, independentemente das necessidades de uso diário.
      Não se preocupava – o Dr. Licomedes – com a restrição das necessidades do ramerrão, mas trazia para si a cultura dos grandes clássicos, notadamente uma visão cabal sobre o orbe e sua desenvoltura prospectiva com relação ao que se denomina porvindouro!...



                                                                          Wilson Cerveira

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A PROJETADA IMAGEM DA EXTORSÃO

    -- De onde promana a má projeção da imagem extorsiva?!... É de implexo depreender, porquanto suas percuciências de absconditismos estão arraigados nas fraudulentas leis brasileiras – dimanadas somatorialmente pelos três corruptos poderes: “Executivo, Legislativo e Judiciário”.
     Realmente as leis aparatam várias tricotomias digressivas, ora tentando o compulsar do fragilismo daqueles que não ostentam representativa alguma. Assim sendo, o tal voto, de especiosidade democrática, serve apenas para perpetrar a ensancha aventiva de pô-los no “poder”, ou, então, recolocá-los, de modo comutativo, imprimindo os mesmos caracteres degenerativos.
     Quem delas é senhor, consegue digressionar as sendas de proliferantes âmbitos. Com o poder e a riqueza – medrando aqui no telúrico – edifica-se com relação aos outros o maior de todos os infernos. De fato, eles aprenderam a nos conhecer, através dos nossos fragilismos!... Não temos lastros suficientes para bancar as patuscadas e as pândegas, as quais ostentam somatoriais exuberantes de pecúnia – que são extorquidas, com desfaçatez, dos cofres públicos. Esses engodos vão se multiplicando a cada ramerrão; e só se tornarão escandalosos, mesmo, após terem aparatado vultos astronômicos, sem que possam ser reconditados!...
     Os sujeitos, detentores de “Poderes”, periculosamente, corruptos, dimanam as diversas modalidades de infringir as díspares engabelações, acumuladas de falácias quanto ao nível de deleteriedade.
     Surde a conspurcativa imagem, através da coalescência dos elos persuasivos, emanados de leis permissivas provindas das imunidades ostentadas por aqueles que regem as corrupções e demais atos extorsivos – grassando por todas as regiões, estados e municípios deste Brasil, altamente degradado, cujo aviltamento denigre a própria pátria, deixando-a à mercê de marginais políticos e de políticos marginais em todos os pontos de vista, abrangendo um imane espaço de percuciente proliferação constante e contínua!...
     Esses facínoras, anônimos, infensos e nefandos – estão superprotegidos em suas funções executivas, legislativas e judiciarias. Quaisquer cincadas perpetradas por eles, decerto, dispõem de todos os aparatos de defesa, capazes de confrontar com veemência quaisquer que sejam as extorsões ou crimes hediondos!...
     São eximidos de imputabilidades, de impostos e de outras despesas pessoais. As verbas que lhe são confiadas, com absoluta primazia, servem apenas para seus interesses de ordem política. Os gabinetes ad-rogam um número extrapolante de adeptos. Ao passo que, em se tratando de negócios pessoais, a pecúnia não será dilapidada; pelo contrário, depositar-se-á na conta beneficiária da própria família; e, cada vez mais, sem hesitação, somatorizando o capital acumulado por vários tempos.
     Caso haja denúncia posterior, não se sabe o que fazer, pois, as frinchas da legislação respaldam-nos de maneira oniforme. As impugnações surgem do nada, infringindo todos os ditames expendidos no decurso das margens e cerceamentos estabelecidos para cada caso de natureza particular.




quinta-feira, 8 de setembro de 2016

CARACTERES ESCATOLÓGICOS

   Quem são esses abruptos que perpassam à margem dos ínfimos, das marginalidades, dos párias, das escorias e escroques inescrupulosos?!... Decerto, esses caracteres degenerativos ressumbravam em tempos prístinos – regentes e príncipes desta nossa história – repleta cabalmente de falaciosos caracteres escatológicos, que se tornaram incognoscíveis com o decurso inexorável do tempo – profligador infenso – de elevadíssimo poder de desmoronamento irreversível.
     Dona Caliene, persona de priscos longínquos, ao visitar-me aqui na chácara, tocou-me sutilmente na cintura escapular, para exarar-me o seguinte: Não elucubrei, e jamais saberia vaticinar, os postremeiros presságios desta humanidade, repleta de dessensibilizações e dessentimentos, que partem célere, em direitura às malévolas e intransigentes pegadas do velho marinheiro da destinação, que é um náufrago à demanda de uma coroa de areia, para que lhe servisse de ancoradouro, desde que os bancos de areia sempre guardaram entre si distâncias estabelecidas – conforme o trecho de mar, notadamente o que está sendo singrado em toda a sua extensão – sob a orientação das linhas horizontais ou transversais, assim como, sem perplexidade, a do eixo vertical, fazendo surdir, por premência decartiana, o eixo ortogonal, no qual poderemos determinar as estremaduras: ascendente e descente dos díspares eixos, quer sejam para cima ou para baixo; também como, da direita para a esquerda, ou vice-versa, solucionando a negativa e a positividade de ambos os tracejamentos descritos em quaisquer direcionamentos previamente traçados.
     Nos caracteres demudáveis, decerto, poderíamos reconhecer e acompanhar as nuances ocorrentes com o decorrer paulatino do tempo, que é, indubitavelmente, um aniquilador inexorável!... Destrói, como loba faminta, a própria oxidação do ferro e de todos os elementos existentes na natureza, independente da importância que ostente com relação ao relacionamento dos elementos químicos que fazem parte integral do questionável telúrico!...
     Os caracteres escatológicos não ressumam estigmas de identidade. Ao surdirem, vão, pouco a pouco expungindo as imperceptíveis marcas remanescidas através de observações vislumbradas em graves lentes de aumento.
     As obliterações seguem em sequência gradacional, como se estivesse a obedecer o ritmo deletério do tempo. Com o transcorrer dos dias, horas, minutos e segundo – a deleção vai se completando por inteiro – deixando uma vacuidade impreenchível em todas as direções e sentidos. O álbum temporal deleta vagarosamente todos os caracteres remanescidos nos arquivos mais acurados.
     As imagens promadas de díspares lembranças, – sem que se saiba precisar o átimo temporal ocorrente –, ressudam o mesmo enigmatismo inserido nas vetustas folhas de pergaminho – sem que os palimpsestos revelem os sigilos impressos no decorrer fugaz de todas as reminiscências coligidas ao longo do tempo de espera, malgrado não aparate os hieróglifos assinalados pelos historiadores, lídimos sujeitos compulsadores, em outros tempos de imane longinquidade!...
      Não se sabe a etiologia do enigma temporal!... Todos eclodiram, prototipamente, de caracteres diferenciais. Logo após, por meio de gradações espontâneas, uma cicatriz traduzível foi obiciando a devassa de tantas outras – sobremaneira as que se fizeram reconditadas nos retilíneos das raízes mais caquéticas...
     O apocalipse considera-os como sendo os encetamentos indicacionais do escatológico. A humanidade terá, indubitavelmente, a sua peroração. Nada ficará em latência exordial. Amanhã, decerto, virão outras efígies de menor ou maior complexidade!
     Ila-se, finalmente, em direitura ao que fora estimado preteritamente. Nesse caso, a incognoscível estigmatização, o crástino, em decorrência dessas numerosas delações comutativas. Então, a incognoscibilidade estará ocupando o interior e o exterior. Não haverá mais condições de distinguir o útil ao agradável, e vice-versa!
     As identidades deixarão de existir, pois, em todas as áreas do conhecimento humano, não se saberá de onde devamos principiar, uma vez que, sem perplexidade, as marcas reconhecedoras obliteram-se, vagarosamente, com a efemeridade das ações e práticas perpetradas nos interregnos dos ramerrões.
     De fato, será uma promiscuidade avassaladora, pois, no escatológico, de forma indubitável, a irreconhecibilidade abrangerá tudo e todos, e ficar-se-á numa situação – das mais implexas – não ocorrendo nenhum registro factual ou, então, de esboço fisionômico determinante. As imprevisões e as descomunais dúvidas tomarão conta de todos os espaços e entrelinhas, fazendo com que os interlocutores e seus aparatos fiquem à mercê do cabal enigmatismo!...


                                         Wilson Cerveira          

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

TRABALHOSA OCIOSIDADE

     Maricélia dos Penduricalhos – “de máxima especiosidade” – ressumava uma constante ocupação falaciosa. Quem diria que, mesmo ostentando o passo estugado e ações açodadas, ela, sem perplexidade, viesse a ludibriar os mais solertes indivíduos. Os que se apropinquavam dessa criatura percebiam a recrudescência dos seus sistemas sensoriais e demais anexos.
     Nesse caso, transpirava, além das estremaduras, e aparatava uma respiração ofegante, também exacerbações e arritmias cardíacas acompanhadas – de pressurações descompassadas – ora para mais, ora para menos, sempre que se pudesse avaliar as intermitências verificadas em díspares interregnos.
     Em verdade, essa mocetona propugnava o seu bem estar, notadamente quando se encontrava ladeada por uma população de pacóvios e de lorpas reiterativos!
     Maricélia dos Anjos, ou dos Penduricalhos, – como era conhecida pelos mais íntimos, – chamava a devida atenção das pessoas, mormente nos locais onde costumava ir com mais frequência. Infeliz daquele indivíduo que chegasse no salão de beleza, “minutos depois”, pois, perderia todo o seu tempo. De imediato, haveria exiguidade quanto ao número de manicures e pedicures.
     Urge distinguir o vocacional de Dona Penduricalhos! Ei-lo: duas manicures e duas pedicures estariam ocupadas com seus membros superiores e inferiores: mão direita e esquerda; pé direito e esquerdo, respectivamente.
     O salão de Seu Ptolomeu, avaro desde a protótipa infância, não contratava mais de quatro funcionários, exatamente o número solicitado, concomitantemente, por Dona Maricélia. De fato, os clientes estariam na expectativa de sua chegada. Caso, ainda, ela não tivesse adentrado ao salão de beleza, decerto, estaria nas apropinquações do vidro transparente do salão; ou, possivelmente, já se encontraria no interior do recinto.
     Caso contrário, os frequentadores perderiam a manhã toda, ou mesmo, o dia inteiro, confinados no interior do recinto. Penduricalhos não prescindia a presença de uma das atendentes; pois, queria todas ao redor de si, dando a falaciosa impressão de que se achava toda ocupada – ocupadíssima – por meio da utilização de outras mãos.
     Morbidamente, ela se julgava superocupada, enquanto a veracidade fosse cabalmente antinômica em todos os sentidos e direções plausíveis, sobremaneira em se tratando de síndromes minuciosas – de caráter permanente e percuciente – em todos os quadrantes pormenorizados desde o encetar prodrômico da vida escolar estudantil.
     Por desventura dos frequentadores da casa de embelezamento, era a única que aparatava maiores recursos tecnológicos, mesmo ostentando um número restrito de operários. As manicures e as pedicures eram polivalentes. Realmente, essas criaturas entendiam de tudo um pouco, sem que houvesse parcimônia significativa quanto ao número de tarefas realizadas de modo lesto, sem que existissem adentramentos quanto ao número de execuções perpetradas.
     Reitero em dizer que todas eram polivalentes, pois sabiam executar as tarefas diversificadas: cabelos, sobrancelhas, axilas, região inguinal e, também, a aparagem dos tricomas que se formam nas laterais dos grandes glúteos, monte de Vênus etc.
     Essa senhora se considera “normal”, mas, sem perplexidade, é patológica, mesmo abrangendo vários âmbitos do bizarro e degenerescente comportamento humano. Esses arquétipos, em seu maior número, representam os modelos mais conspurcativos destes agrurosos ou acrimoniosos dias hodiernos!...                                     
     Nada realiza para si própria, e é incapaz de ressumbrar qualquer ação ou reação que a identifique em algum ponto nevrálgico de exótica etologia, mesmo que contenha caracteres de excentricidades recrudescentes. Em sua residência de veraneio há mucamas para a perpetração específica de cada atividade individualizada.
     Marieta e Laculina cuidam de Maricélia dos Penduricalhos e da sua descomunal banheira, contendo a água de banho cheiroso, deixada dentro de um imane recipiente de porcelana, exposto ao rocio da noite brumosa.
     Quem a encontra nos becos e ruelas, tem a impressão de que esta senhora – cognominada de Penduricalhos – queixa-se, hipocondriacamente, de que trabalha bastante, se bem que, sem dubiedade, a realidade é cabalmente díspar: – Os que trabalham e cuidam do seu corpo – da cabeça aos pés – são outras pessoas, independentemente do sexo, – responsáveis por ela em todos os sentidos, já que aparatam assinaturas  em suas devidas carteiras de trabalho, ostentando todos os direitos e deveres dos trabalhadores. Essas cuidadoras e cuidadores cumprem os horários integralmente, revezando com relação aos três turnos – matutino, vespertino e noturno, com rodízio permanente diuturnamente. Esses trabalhadores têm direito a repouso e férias remuneradas!...
     Nalicoli, empregada dos tempos de Antanho, bateu-nos ao portal, quase em prantos, requerendo uma ensancha de serviço, porquanto, há seis meses, estava desempregada, recebendo apenas o pecúlio inerente aos exonerados, – sem  justa causa – ,  consoante as vulneráveis e inequânimes leis trabalhistas, – de um país que se chama Brasil – onde moram os mais facínoras administradores públicos, assim como, sem hesitação, as leis mais tendenciosas, mormente com finalidade precípua para apaziguar políticos bandidos, bandidos políticos!...
     Sinhazinha Maricélia carecia com certa urgência – indubitavelmente, que alguém lhe desse, compassadamente, comida na boca, infligindo-lhe, com ritmo e vagar, as colheradas diretamente no aparelho bucal.
     Maricélia dos Penduricalhos, em cabal silencio sepulcral, deixou-se ficar no interior do recinto – como se estivesse morta –, e nada pudesse redarguir naquele ínterim atinente a um pronunciamento exíguo. A mucama – Nalicélia – batia, mais uma vez, com estentorismo, na aldraba da porta principal, mormente a que dava acesso ao salão notorial de visitas – ostentando tapetes persas e candelabros italianos – de opulência incontestável!...
     Desideraria, segundo a madame, que essas criaturas lha fizessem massagens no corpo inteiro, porquanto padecia, de modo lancinante, ressumbrando as seguintes patologias: fibromialgia, cervicopatia, presença de osteofitoses e outras anomalias no eixo vertebral  etc.
      -- Patroa, a sua solicitação, quase plangente, enche-nos de uma clemência de atendimento invulgar e insofismável em todos os aspectos plausíveis.
     Que chovam os trompetes, os trombones de vara, os saxofones e outros tantos instrumentos musicais – não olvidando o piano e o violino, que são os mais harmoniosos de todos os instrumentos que nós conhecemos.
     A quantia que a senhora nos oferece, com toda generosidade, dá-nos, especiosamente, a sensação primitiva de morrer em decorrência da falta de assentimento do lídimo sentimento.  Então, desidero a minha imediata dispensa. Passe bem! Muito obrigada pela oportunidade não consignada!...  



                                                                       Wilson Cerveira

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

REPTAÇÕES DE MARIA QUITÉRIA

 Precisamente, no dia 04 de setembro de 1980, eu ia subindo os aclives da Rua dos Afogados, em companhia de minha tia de segundo grau – Maria Quitéria Cerveira. De repente, de modo sutil, toca-me na ossatura superior da cintura escapular do braço esquerdo, como se quisesse fazer-me alguma perquirição colapsal. E, para não tardar-lhe o ponto nevrálgico da própria ansiedade, deixei-a liberta, pronta para fazê-la com toda a premência do orbe.
     Meu sobrinho, diga-me se nesta rua, nestas intermediações, temos algum consultório oftalmológico? Já que não esteja enxergando dentro dos padrões da acuidade visual plausível, precisaria ser atendida por um oftalmologista competente, capaz de sanar esta síndrome paroxística palindrômica a que me acometera, notadamente o olho esquerdo.
     Tia, conheço um tal de Walterlino Crucilíneo. Pelo nome, temerariamente, parece não entender patavina. Segundo um velho adágio, não devamos analisar uma criatura pelos seus caracteres fenotípicos tampouco compulsando a onomástica. Um sujeito de sobrecenho cerrado, pode ostentar um coração dócil!
     Inopinadamente, paramos confronte ao portão do seu prédio, caracterizado por uma placa grande, com letras góticas, altamente vocacionais.
     Ao cumprimentar com a mão esquerda o Oftalmologista Walterlino Crucilíneo; sem que deixasse escapar as raízes da sua proposição, inquiriu-lhe a probabilidade de escutar-lhe, com minudências, a dissecação anatômica de todos os elementos componentes da estrutura visual.
     O tal oftalmologista perguntou-lhe: o que a senhora deseja? Em princípio, para encetamento de uma posterior consulta, desideraria dar-lhe uma aula de anatomia, uma dissecação minuciosa sobre o globo ocular, conquanto vislumbre o seu diploma de graduação e outros cursos de pós-graduação afixados aqui na parede do seu gabinete de atendimentos – prescrições, receituário e requisições são laboradas nessa pequena escrivaninha de sua propriedade particular, em anexo ao ambiente de trabalho. Caso o senhor se sinta dono absoluto da verdade cientifica, solicito-lhe, de imediato, a minha cédula de cem cruzeiros, a qual repassei diretamente, e o senhor enfurnou-a na gaveta superior do cofre de parede. Não tardemos quanto à solução de adesão, ou rejeição, à proposta que lhe fizera, quando ergui o pé na soleira da porta, transpondo os umbrais dos aposentos que aduzem os pacientes a chegarem a esta cadeira apropriada e cercada de objetos que especulam as diferentes deficiências visuais.
      Venerável senhora enfermeira do “Ana Neri” – Maria Quitéria Cerveira, digo-lhe, de antemão, que jamais houvera me prostrado aos pés de quem quer que seja!... A idade, quanto mais avançada, adquire as suas primazias, em que pese os estorvos presentes em diferentes circunstancias heteróclitas.
     Em decorrência dessa aula, antes da consulta, teria que despachar os cinco outros clientes, dando sequência aos posteriores atendimentos.
     De fato, a aula duraria no mínimo cinquenta minutos. Possivelmente reminiscenciaria as perguntas atinentes ao velho sistema de sabatinamento. Deveras, noventa minutos de exposições e questionamentos mais trinta minutos de consulta oftalmológica, teríamos um somatorial cabal de duas horas. Realmente, havia aberto uma exceção – dessas que se costuma perpetrar – uma durante a vida, e a outra, somente em homenagem póstuma.
     Maria Quitéria, a mais preparada enfermeira do Instituto Ana Neri, era de um brilhantismo ímpar. Impressionava quaisquer especialistas. Ostentava uma memória fotográfica em todos os setores atinentes às diversas secções de mais percuciente anatomia topográfica. Minudencias ocupavam os escaninhos indeléveis da memória daquela mencionada senhora, conhecida através do contubérnio – com a denominação de “Dona Cotinha”.
     A enfermeira, quando acurada cognitivamente, podia sobrepujar quaisquer das especialidades médicas. A única coisa que difere é a titulação – que é expressa em papel pergaminho – com registro estabelecido consoante a lei regimentar vigente.
     Em detrimento do esforço praticado, o indivíduo estudioso passaria a expiar um pouco de tudo o que jamais perpetrara. Nesse caso o autodidata perde pontos em todas as disciplinas regulamentadas nos respectivos estatutos. E, por ilação incontinente; o concorrente é, então, excruciado nas diferentes regências da grade curricular.




                                                                          Wilson Cerveira   

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

UM SONHO DE MORTE

     Atravessar o mar – num singrar das águas da “Baía de São Marcos” – ora vindo para São Luís, ora indo em direitura à sua Terra Natal – Alcântara, Heidimar fora, dessa forma, o marinheiro da destinação que ele próprio traçara ao longo dos anos!...
     A Providência Divina não permitira que ele fosse tragado por uma dessas ondas que surdem, de modo abrupto, no percurso das travessias perigosas – num pasmo de um boqueirão aberto em cabal abismo!
     Geralmente, durante trinta dias, Heidimar passava vinte e sete dias em Alcântara, e, apenas três dias, permanecia em São Luís do Maranhão. De fato, aprendera com os nossos ancestrais a lição de radicar-se na gleba que o vira nascer, não aderindo a deletéria ideia de abandoná-la no decurso temporal – como muitos o fazem no ramerrão existencial!
     Palmilhou por longo tempo sobre as pedras desalinhadas do calçamento, ascendendo e descendendo a “Ladeira do Jacaré”, indo em direção ao “Porto do Jacaré”. Só em andar por essas pedras em total desalinho o andante alcantarense estaria na iminência de ser excruciado por um resvalo, que o aduziria ao chão, fatalmente, com uma probabilidade de cominuições do esqueleto ósseo.
     Isso não lhe expungia o desiderato que nutria por Alcântara, berço natal dos seus devaneios acendrados. A população alcantarense, em sua maioria não ostentava, de modo avassalador, o abjeto sentimento de invídia, mormente em se tratando do que era alheio, -- de modo geral –, mas com o objetivo de assenhorear-se (lídimos usurpadores das propriedades de pessoas estranhas).
     Heidimar, em suas expressões somíticas, não deixava ressumbrar a herança que recebera do seu avô Antonino da Silva Guimarães. Nesse caso, se meu bisavô tivesse consciência dos seus energúmenos descendentes, talvez não se atrevesse quanto ao ato de adquirir várias propriedades: sobrados, casas térreas (pequenas, médias e grandes), terras, terrenos etc.
     Quem diria que o próprio Heidimar, algum dia na vida, se apaixonasse por minha tia Terezinha Cerveira Muniz!... Nesse tempo, o ato de ser homossexual dissimulado não era aceito pela sociedade machista do final da década de quarenta do século XX. Simbolizava, destarte, um estigma de proporções descomunais. E, sendo assim, representaria o ícone peremptório de uma ferradura quente a encostar na pele do animal, e cuja cicatriz permaneceria para sempre.
     Este fora um dos motivos do término do namoro, segundo as más línguas das pessoas tacanhas de uma Alcântara em exício, afora os aparatos que usara no momento em que acompanhava uma das procissões da Igreja do Carmo – em Alcântara do Maranhão. Ao passar rente à janela da casa do meu avô materno – Pedro Cerveira, Heidimar ostentava as sobrancelhas tiradas, os lábios rubinados, almofadinhas nas laterais de ambos os quadris, dando-lhe um aspecto de quem costuma portar glúteos volumosos – de uma mulher de nádegas avantajadas!...
     Desde aquele átimo, em que a minha tia, sua namorada de algum tempo, presenciara descomunal degradação moral, despachou-o de uma vez por todas!... Ele, o próprio Dima, como era chamado no contubérnio, encenou chiliques diversificados. Carpiu, por longo tempo, ressumbrando convulsões especiosas – exibindo olhos cerrados – como se fosse uma premonição de morte iminente. Foram solicitadas duas enfermeiras, amplamente gabaritadas, para massagear-lhe os membros superiores e inferiores.
     De fato, o infeliz namorado, sem perplexidade, pranteava ostensivamente, num ato de desespero incontrolável. Deveras, o mocetão Dima prometia a si mesmo embarcar no dia seguinte para São Luís, com a finalidade de atirar-se debaixo do primeiro carro que passasse, porventura nas apropinquações que margeiam a vetusta – “Rampa Campos Melo”.
     O seu estado de histeria, com paroxismos palindrômicos heteróclitos, metia pena aos assistentes que se aproximavam dele, fechando-lhe num círculo concêntrico e hermético, e, desse modo, deixando-o como se fora o centro basilar de todas as atenções; pois, o guapo rapaz necessitava de acuramentos prementes. Então, sem remediar, precisaria ser internado na “Colônia Nina Rodrigues”. Lá, com certeza, seria ablandiciado pelo eletrochoque e várias outras aplicações medicamentosas. Todos nós, amigos e inimigos, queríamos vê-lo vivo – banido de um vetusto e possível sonho de morte!...
     Após quinze dias de internação no nosocômio do “Monte Castelo”, recebera alta. Logo, sem perplexidade, rumara em direitura ao “Cais da Sagração”, já que a canoa do mestre Guribu, ancorada junto ao cais, esperava somente pela sua deliberação. Mantinha-se estático e totalmente inerme – antes que pusesse o pé no interior do madeirame da pequena canoa. O velho marinheiro acendeu um sorriso imiscuído ao laivo de fumaça do toco de charuto – localizado no canto da boca! Felizmente, a embarcação ia, pouco a pouco, se afastando dos aclives e declives da ladeira do porto – numa expressão plangente de adeus – em todas as direções e sentidos...
     O energúmeno do Heidimar, em plena ignição da fase de mocidade, não pensava em outra coisa, malgrado fosse um devaneio estúrdio, aduzia sempre consigo o volitivo de embarcar novamente para o continente europeu, a fim de perpetrar o seu obcecado desiderato, que era o de desfilar em salão reservado, notadamente, para as moças lésbicas, as que ficam confinadas em recinto apropriado, exibindo as minudências dos díspares aparatos. Os modelos se alternam em suas apresentações, agradando ou desagradando a gregos e troianos.
     Não passava mais de seis meses em continente europeu, em face do temor que aparatava com relação aos castigos impingidos pelo meu avô – Marcial Ramalho Marques. O seu austero pai não lhe dispensava os maus procedimentos. Nesse tempo, o homossexualismo simbolizava o maior de todos os estigmas coligidos. Ninguém desideraria ter um filho efeminado, ressumbrando caracteres de moça maquiada e almofadinha – da cabeça aos pés! O velho comerciante, meu avô querido, jamais o penitenciara. O decano Ramalho Marques sentia-se macho da cabeça aos pés. Não admitia meios termos, tais como dedos abertos e mãos escancaradas, perninha retrocruzadas, punhos quebrados e demais ademanes suspeitos!... Lá fora, em continente distante, fazia, decerto, de modo extrapolante, todos os tipos ignominiosos de salacidades. A Europa permitia-lhe tal comportamento procaz, e, com certeza, essas más notícias, sem hesitação, nunca chegariam aqui. Nesse tempo, estávamos em 1950, metade correspondente à centúria do século XX. A mídia submergia em tenebrosidades inerentes às desinformações. Os continentes pareciam reconditados quanto ao transmitir de suas variegadas e alvissareiras mensagens.
     No Brasil, as famílias, em pleno machismo, execravam os seus descendentes amulherados. Deveras, eles sofriam os preconceitos de uma sociedade machista, tendo por centro basilar a repulsão das diversificadas maneiras de apresentar-se em público, sem que houvesse recrudescimentos sobre os modos de comportar-se nos mais variados planos – vertical, horizontal, inclinado, em decúbito ventral, dorsal, ressupino etc. Cada passo, em quaisquer sentidos trajetoriais, tinha uma conotação própria, somatorizando um conjunto de desajustes consecutivos e desarranjos persecutórios.
     Após percorrer vários países estrangeiros – não somente aprendendo diversos idiomas, – mas em tudo que se possa evagar de mais bizarro--, resolve voltar ao rincão alcantarense. Nesse caso, naquele ínterim, ele aventava certa azáfama, ressumando uma insaciedade a toda prova! Ia trilhando os pontos nevrálgicos da senda exótica, à qual tivera a devida solicitude de traçar-lhes os íngremes e os meândricos que aduzem ao despenhadeiro ignoto. Desde então, mesmo acordado, um sonho de morte o perseguia – do extrínseco para o intrínseco, e vice-versa. Numa dessas madrugadas, nas quais as guilhotinas suportam o açoite estrepitoso do vento forte, fortíssimo, dando a impressão de querer-lhes as devidas sucumbências extirpativas, numa degradação cabal de um percuciente excídio!...
      Ainda aturdido, não obstante caminhasse sobre o desalinho das pedras que recobrem, espaçadamente, a ladeira da praia que vai dar acesso ao “Porto do Jacaré”; Heidimar esculpira a sua própria palingenesia, exarando o desiderato de vir a ser inumado no mesmo chão que lhe servira de substrato – desde aquele dia em que dera as primiciais passadas, agarrado na saia da senhora sua mãe – onde ambos tentavam, um voltado para o outro – quase em trambolhões – atravessar em diagonal a praça situada no extenso “Largo da Matriz”.
     Deveras, sem questionamentos a posteriori, rumara sempre em direitura aos pródromos inexpugnáveis da eterna puerilidade. Como é intrincado presumir – desde a prematura faixa etária – o que ocorrerá em crástino longínquo – sem colimador capaz de apontar os alvos certeiros, não remanescendo sequer as lacunas dos impérvios itinerários!
     Nem as sibilas mais solertes saberiam os paradeiros dos seus oráculos! Todos os vaticínios ficariam obiciados perante o langoroso olhar de esconso. O prantear tornar-se-ia constante em todas as vertentes geométricas. Ninguém mesmo teria a condição pressagial de olvidar os percalços existentes nas coleantes veredas, em que o meandrismo impera em múltiplos vetores, tangenciando os ínvios atalhos e os impérvios criptogramas sepulcrais!...
     Havia, decerto, incompatibilidades temperamentais entre meu avô – Marcial Ramalho Marques – homem de caráter machista – e a pessoa do seu filho – Heidimar Guimarães Marques – sujeito efeminado por inteiro, sem que ressumbrasse laivos de uma presumida masculinidade. Ambos não tinham a mínima afinidade, pois eram dois opostos que se baniam em cabal ramerrão.
     O pai Marcial, o deus da guerra, estava sempre pronto – em quaisque momentos – para chamar-lhe a atenção, exprobrando-o rispidamente. No pensar de Ramalho Marques: “homem, de fato, não abria os dedos.” Mesmo pegando uma xicara de café, tinha por obrigação recolher os demais dedos, cerrando-os no aconchego da palma da mão. Deveras, ambas as mãos estariam posicionadas sob a forma inteiriça de um brutal soco. Tanto assim, sem pestanejar, que, em sua casa de comercio, treinava as articulações seccionais das falanges, infligindo uma série de cascudos consecutivos no madeirame do balcão. Os seus dedos ostentavam grossura e esfolamento.
     Heidimar fora, então, trabalhar nas Missões Canadenses. Em casos de reorganização do francês para o português, ressumava sagacidade, pois entendia bastante acerca das técnicas de conversão, pois, aprendera, com o passar do tempo, absorver as lições que lhe eram dadas pela Irmã Luíza Tereza. As missões tinham por basilar centro a cidade de Alcântara do Maranhão; porém, sem perplexidade, estendia-se a vários interiores, mormente aqueles que admitissem seu modo de agir e catequizar a maioria da população. Talvez, o mais difícil de tudo isto fosse habilitar-se no idioma Francês.
     Assim sendo, investiu bastante quanto a essa prestimosa ajuda que recebera – dos trinta aos cinquenta anos de idade. Os encargos que lhe foram confiados desde o encetamento, até o átimo de combalimento, sempre foram cumpridos integralmente. A durabilidade depende do conservador e de seus séquitos. Sabemos, de antemão, que uma missão ostenta óbices durante o seu percurso ao largo tenebroso do telúrico.
     Parecia clamor de vaticínio em sua vida, a existência constante de um vetusto sonho de morte. Sonhara, ainda acordado, que a sua tia Procória da Silva Guimarães Sobrinha, conhecida familiarmente por Bembém, estaria a um passo da eternidade. Ouvira-lhe o vocativo, amiúde, desiderando a presença dos sobrinhos ao redor do seu leito de morte. E, deveras, esse devaneio transformara-se em realidade. Ela, minutos antes de dar o prostremeiro suspiro vital, pronunciou em voz alta: Meu Pai!..., e olhando de soslaio, conseguiu vislumbrar as imagens de ambos os sobrinhos.
     Bembém falecera devido a carência de maiores acuramentos. Tinha por habito dormir na própria cadeira, ao derredor da mesa, onde fazia as refeições, principalmente no período noturno. De modo inopinado, tombou da cadeira, vindo a bater com a lateral do corpo, sobremodo com o rosto, aparatando equimoses pela face e demais regiões do corpo. Caso não fosse esse acontecimento, chegaria à casa dos nonagenários, uma vez que, sem hesitação prolatória, ostentava esse tempo vital. Sua tia Procória ultrapassou a faixa etária das nove décadas. Não seria bizarrice alguma, por parte dos seus familiares, reiterar os atavismos registrados em diferentes tempos.
     Desta feita, Heidimar fora nomeado para ocupar a função de restaurador do “Museu de Alcântara”. De fato, sem hesitação, auferira tamanha façanha. Para tanto, transferiu muitas relíquias da família Guimaraes, repassando-as para o museu, uma vez que, a referida casa de recordação, indubitavelmente, demonstrava uma vacuidade de 90%. Apenas dez peças compunham os arquivamentos do pretérito. Fê-lo, adrede, acompanhando o transitar do tempo. Pouco a pouco, os espaços vazios foram se preenchendo. Realmente, gostava do que fazia!... Ultrapassou as oito décadas, tempo suficiente para que solicitasse sua aposentadoria. A decrepitude fora tomando conta de si mesmo, sem que quisesse se entregar!...

     A pneumonia surpreendera-o, recrudescendo ainda mais o seu enfisema pulmonar. Nesse caso, houve necessidade premente de hospitalização. Nesse interregno, Socorro, minha esposa, sonhara com o meu pai, pedindo-lhe que fosse até onde ele, conduzindo um ramalhete, com a finalidade de perpetrar o atavio do ambiente no qual ele se encontrava – Socorrão I, no centro da cidade de São Luís. Na semana seguinte, ele expirava, no dia 13 de junho – Dia de Santo Antonio, e, dessa forma, comprovou-se a temática de um “sonho de morte”.

                                                       Wilson Cerveira