Dr. Laerth, após percuciente interregno de
elucubração, estira as pernas e soergue os braços, aduzindo-os para os limites
de extrapolamento máximo, uma vez que se encontra recolhido na concavidade da
lona de uma vetusta cadeira preguiçosa, tendo como anteparo um travesseiro
localizado na altura correspondente à linha sincipucial de sutura.
Em direitura à casa de Lamiércia, sua
antiga noiva de romance, o egrégio Laerth Carmesinus, numa atitude de quem
anseia, com premência, a palingenesia, rebusca um pormenor do prisco, para
inseri-lo, de modo interpelativo, no período em que cursava o consagrado “Curso
Primário”.
O provecto Carmesinus necessita de dois
tempos díspares, para que possa cotejá-los quanto ao referencial do
conhecimento. Desventuradamente, não há analogias entre ambos. E, no devir, a
tridimensionalidade tomará caráter de maior interregnidade, pois os saberes
possuirão embasamentos totalmente diferentes. No que diz respeito ao
entendimento, não existirá liame de apropinquação, capaz de reger a desanalogia
do desatrelamento entre o hesterno, o hodierno e o crástino.
Neste hodiernismo metamorfoseador,
manifestam-se ostensivamente os desincentivos primaciais deletérios, fazendo
com que os falsos elogios cronifiquem o erro, no decurso temporal das
desaprendizagens de inconcorrência!
O ato de placitar o incorreto, em sua
plenitude avassaladora, tem como escorço as partilhas de equivalência,
sobremaneira as que estão atreladas aos vaticínios do devir.
Hodiernamente, num descalabro a toda prova,
fala-se do erro, com tanta ênfase, apontando-lhe todos os sindrômicos
sinistros, como se estivéssemos prosternados – numa atitude de asceta – perante
um insólito tipo de acerto! Em dias atuais, sobretudo em casos atinentes ao número
de quesitos de um propalado concurso público, lobriga-se que a descomunal
concorrência se preocupa com o número de questões erradas, dando a
pseudo-impressão de que as certas, antigamente corretas, demudaram-se, de igual
modo, alcançando o baixíssimo nivelamento dos erros considerados crassos.
Hoje, a dimensão proporcionada pelo erro,
sem parâmetro de equipolência, pontificou, altaneiramente, suscitando da
antinomia entre a interpelação e o redarguimento. Então, está provada por todos
os sistemas de cálculo, a real situação, que é de uma cizânia paradoxal. De tal
modo, deblatera-se a frase: “exatamente errado”, dando a impressão de que houve
a confirmação do acerto infringido, que é a solução ressumbrática do próprio
erro, estando sob os efeitos nefastos de uma latência confrangida.
Lamiércia, mesmo enfrentando as agruras do
trabalho de artesã, acrescenta as prerrogativas dilucidatórias, ressumando a
dilucidação seguinte: “comentários tomam proporções adimensionais, todas as
vezes que os erros se proliferam ao longo da trajetória discursiva. Destarte, o
erro, pouco a pouco, está sendo incorporado nos diferentes canais da ‘Mídia Propagandista,
’ aparatando características sorrelfas pertinentes a um ardiloso acerto, de
capa dissimulatória, e, sendo, nesse caso, o ultimato quanto ao elucubratório e
postremeiro átimo do polêmico comenos!...”
Existem erros, nestes dias de evolução
negativa, que passaram, com o prosseguimento gradativo dos anos, a serem
acertos, e vice-versa. Tanto assim que, no final da década de mil novecentos e
sessenta, se escrevêssemos a palavra “sobre”, teríamos, inelutavelmente, que
usar o acento circunflexo na protótipa sílaba. Hoje, quando a digitamos, a
partir de 1972 até os dias atuais de 2013, prescindimos a presença do acento.
No término da década de setenta, as
pornofonias e as pornografias eram vistas e sentidas como se fossem lídimas
desonras para quem as escutasse. A sociedade as maculava como sendo laivos de
opróbrio, isto é, ignomínias de banimento com relação ao convívio anterior. Ao
passo que, hodiernamente, são aceitas na condição de ênfases vocacionais, que,
na linguagem corriqueira, no sentido da hermenêutica, auxilia facilitando as
apropinquações de pausas indicativas de verrena.
Criaram-se, randomicamente, as leis de
permissividade ignominiosa, legítimas imputações, em direitura ao pessoal
familiar, identificando-as através de invectivas, consideradas aparentemente
inócuas, tais como: avô- porrão, pai- porra e filho-porrinha, numa cabal
homenagem degenerativa prestada nestes contristantes dias de torpe
hodiernidade!...
As possíveis respostas com relação às
mensagens de congratulações, pêsames e tantas outras de maior importância,
neste hodiernismo metamorfoseante, em tempos de mandriice e dessentimento. Esses
reposteiros, de fato, tornaram-se indistintos, indiferentes, constando no
somatorial de um prospecto agendário, abrangendo um amplo processo declinante
da deseducação na educação brasileira. É a mais autêntica prova do relegamento
direcionado à vacuidade existente nestes penumbrosos tempos sem registro, pois
estamos a conviver, condicionalmente, com o encetamento de uma neófita geração
do tipo ágrafa, que, no porvir, lavrará a ausência dos sinais convencionais da
escrita.
De igual maneira, a ad-rogação dos erros,
de modo generalizado, é uma triste realidade. Há reiterações dessas cincadas,
notadamente ao longo do tempo, fazendo com que esses equívocos sejam repensados
como lídimos acertos. Um verossímil arquétipo reside no vocábulo aziago,
sobremodo em sua ortoépia, onde a população insipiente prefere acentuar-lhe o
“í”, demudando a supracitada palavra, infringindo a regra estabelecida, para,
então, denominá-la de – “azíago”. Também, há outros erros que se consagraram
com o tempo, que é o caso da expressão: “levêdo de cerveja”. Se a chamarmos de
“lêvedo”, ainda que esteja absolutamente correta quanto à prosódia, passa para
os ouvidos de quem a escuta, sobremaneira no que concerne ao vulgo, que, por
muito tempo se adaptou com a pronúncia viciosa, uma imagem auditivamente
errônea!
A grande maioria da população, assim como,
em decorrência do tempo de uso e desuso, tomando por basilar referencial este
hodiernismo degradante, em que as pessoas, com certeza, são capazes de
transformar erros em acertos, e vice-versa, numa interminável polêmica acirrada!...
Wilson Cerveira