segunda-feira, 30 de setembro de 2013

APOLOGIA AO ERRO

    Dr. Laerth, após percuciente interregno de elucubração, estira as pernas e soergue os braços, aduzindo-os para os limites de extrapolamento máximo, uma vez que se encontra recolhido na concavidade da lona de uma vetusta cadeira preguiçosa, tendo como anteparo um travesseiro localizado na altura correspondente à linha sincipucial de sutura.
    Em direitura à casa de Lamiércia, sua antiga noiva de romance, o egrégio Laerth Carmesinus, numa atitude de quem anseia, com premência, a palingenesia, rebusca um pormenor do prisco, para inseri-lo, de modo interpelativo, no período em que cursava o consagrado “Curso Primário”.
    O provecto Carmesinus necessita de dois tempos díspares, para que possa cotejá-los quanto ao referencial do conhecimento. Desventuradamente, não há analogias entre ambos. E, no devir, a tridimensionalidade tomará caráter de maior interregnidade, pois os saberes possuirão embasamentos totalmente diferentes. No que diz respeito ao entendimento, não existirá liame de apropinquação, capaz de reger a desanalogia do desatrelamento entre o hesterno, o hodierno e o crástino.
    Neste hodiernismo metamorfoseador, manifestam-se ostensivamente os desincentivos primaciais deletérios, fazendo com que os falsos elogios cronifiquem o erro, no decurso temporal das desaprendizagens de inconcorrência!
    O ato de placitar o incorreto, em sua plenitude avassaladora, tem como escorço as partilhas de equivalência, sobremaneira as que estão atreladas aos vaticínios do devir.
    Hodiernamente, num descalabro a toda prova, fala-se do erro, com tanta ênfase, apontando-lhe todos os sindrômicos sinistros, como se estivéssemos prosternados – numa atitude de asceta – perante um insólito tipo de acerto! Em dias atuais, sobretudo em casos atinentes ao número de quesitos de um propalado concurso público, lobriga-se que a descomunal concorrência se preocupa com o número de questões erradas, dando a pseudo-impressão de que as certas, antigamente corretas, demudaram-se, de igual modo, alcançando o baixíssimo nivelamento dos erros considerados crassos.
    Hoje, a dimensão proporcionada pelo erro, sem parâmetro de equipolência, pontificou, altaneiramente, suscitando da antinomia entre a interpelação e o redarguimento. Então, está provada por todos os sistemas de cálculo, a real situação, que é de uma cizânia paradoxal. De tal modo, deblatera-se a frase: “exatamente errado”, dando a impressão de que houve a confirmação do acerto infringido, que é a solução ressumbrática do próprio erro, estando sob os efeitos nefastos de uma latência confrangida.
    Lamiércia, mesmo enfrentando as agruras do trabalho de artesã, acrescenta as prerrogativas dilucidatórias, ressumando a dilucidação seguinte: “comentários tomam proporções adimensionais, todas as vezes que os erros se proliferam ao longo da trajetória discursiva. Destarte, o erro, pouco a pouco, está sendo incorporado nos diferentes canais da ‘Mídia Propagandista, ’ aparatando características sorrelfas pertinentes a um ardiloso acerto, de capa dissimulatória, e, sendo, nesse caso, o ultimato quanto ao elucubratório e postremeiro átimo do polêmico comenos!...”
     Existem erros, nestes dias de evolução negativa, que passaram, com o prosseguimento gradativo dos anos, a serem acertos, e vice-versa. Tanto assim que, no final da década de mil novecentos e sessenta, se escrevêssemos a palavra “sobre”, teríamos, inelutavelmente, que usar o acento circunflexo na protótipa sílaba. Hoje, quando a digitamos, a partir de 1972 até os dias atuais de 2013, prescindimos a presença do acento.
     No término da década de setenta, as pornofonias e as pornografias eram vistas e sentidas como se fossem lídimas desonras para quem as escutasse. A sociedade as maculava como sendo laivos de opróbrio, isto é, ignomínias de banimento com relação ao convívio anterior. Ao passo que, hodiernamente, são aceitas na condição de ênfases vocacionais, que, na linguagem corriqueira, no sentido da hermenêutica, auxilia facilitando as apropinquações de pausas indicativas de verrena.
     Criaram-se, randomicamente, as leis de permissividade ignominiosa, legítimas imputações, em direitura ao pessoal familiar, identificando-as através de invectivas, consideradas aparentemente inócuas, tais como: avô- porrão, pai- porra e filho-porrinha, numa cabal homenagem degenerativa prestada nestes contristantes dias de torpe hodiernidade!...
     As possíveis respostas com relação às mensagens de congratulações, pêsames e tantas outras de maior importância, neste hodiernismo metamorfoseante, em tempos de mandriice e dessentimento. Esses reposteiros, de fato, tornaram-se indistintos, indiferentes, constando no somatorial de um prospecto agendário, abrangendo um amplo processo declinante da deseducação na educação brasileira. É a mais autêntica prova do relegamento direcionado à vacuidade existente nestes penumbrosos tempos sem registro, pois estamos a conviver, condicionalmente, com o encetamento de uma neófita geração do tipo ágrafa, que, no porvir, lavrará a ausência dos sinais convencionais da escrita.
     De igual maneira, a ad-rogação dos erros, de modo generalizado, é uma triste realidade. Há reiterações dessas cincadas, notadamente ao longo do tempo, fazendo com que esses equívocos sejam repensados como lídimos acertos. Um verossímil arquétipo reside no vocábulo aziago, sobremodo em sua ortoépia, onde a população insipiente prefere acentuar-lhe o “í”, demudando a supracitada palavra, infringindo a regra estabelecida, para, então, denominá-la de – “azíago”. Também, há outros erros que se consagraram com o tempo, que é o caso da expressão: “levêdo de cerveja”. Se a chamarmos de “lêvedo”, ainda que esteja absolutamente correta quanto à prosódia, passa para os ouvidos de quem a escuta, sobremaneira no que concerne ao vulgo, que, por muito tempo se adaptou com a pronúncia viciosa, uma imagem auditivamente errônea!

     A grande maioria da população, assim como, em decorrência do tempo de uso e desuso, tomando por basilar referencial este hodiernismo degradante, em que as pessoas, com certeza, são capazes de transformar erros em acertos, e vice-versa, numa interminável polêmica acirrada!...

                                        Wilson Cerveira

sábado, 21 de setembro de 2013

O ESPECIALISTA EM SUA CÁTEDRA DE PÓS-DOUTORAMENTO

     Rivaldi, a princípio, ficou aturdido quando – de esconso – vislumbrou o perfil do Dr. Resmurato, o especialista dos especialistas, envergando o consagrado traje doutoral, aparatando capelo e borlas, além do brilhante anel de doutoríssimo. E, por um instante de síncope, sentiu-se prosternado ante aquela imagem a insuflar em todos os quadrantes o fastígio da sapiência no ramo da ortopedia. Tinha diante de si, envolto num pesadelo incomum, a palavra abalizada e o parecer irrefutável de quem outorga e lavra o laudo, dando-lhe provas corroborativas e inconfutáveis perante as esferas administrativas e a opinião pública, revalidando-o de modo peremptório. 
     De fato, o paciente tivera outra impressão quando cerrara os sobrolhos sobre a pessoa do Dr. Resmurato, o mais  renomado Médico do esqueleto humano, sobremodo em se tratando das proliferantes e meândricas anomalias intrínsecas, as quais obiciam um discernimento dilucidatório. Pelo contrário, o reputado homem, atrelado ao âmbito científico, estaria a carecer de dados clínicos para compor a anamnese, e somente o paciente ajudá-lo-ia nessa difícil tarefa. Nesse caso, apenas a simplicidade pode determinar o sucesso quanto à demanda dos esquadrinhamentos científicos.
     É ressumbrável a parceria existente entre ambos, com o fito de recompor, de modo acepilhado, o diagnóstico clínico do paciente, ajudando-o quanto ao enumeramento dos sintomatológicos palindrômicos. Os adendos sindrômicos remanesceriam como sendo os pormenores expendidos no rodapé da postremeira página de anotações.
     Ao ritmar da vênia nímia, Dr. Resmurato redargüia convincentemente aos interpelatórios do seu cliente. E, desse modo, o contexto estaria  consubstanciado, e o médico especialista, -- numa atenção a toda prova --, coseria  os ouvidos nas apropinquações dos lábios do Rivaldi, para que pudesse escutar-lhe o pontificar do assunto, -- em direitura ao seu cerne basilar --, apontando-lhe todas as anomalias verificadas no seqüenciar de vértebras desalinhadas, conforme os testemunhos das radiografias, tomografias, densitometrias ósseas e ressonâncias magnéticas, estando as essenciais minudências, de maneira abrangente, exaradas nos respectivos laudos, -- como  basilar condição imprescindível ao encetamento primordial, no que tange aos procedimentos necessários quanto aos mecanismos de anteparação de inusitadas excrescências.
     Estes osteófitos, doutor, servem para exacerbar a dorsalgia ao longo do eixo vertebral. Como é de seu inteiro conhecimento, meu prezadíssimo pós-doutor, estas estruturas são verossimilhantes quanto à lidimidade morfológica, dando aspectos reais de agulhas ósseas que se apropinquaram das emaranhadas ramificações nervosas. E, se nos voltássemos para o vulgo, seriam denominados de bicos de papagaio. Assim sendo, ele nos dava a impressão de que havia regressado à escola dos seus tempos de adolescência, a fim de prestar a devida dissertação, estando novamente em presença de um olhar de soslaio – percuciente e inquisitorial – verossimilhante ao do insigne mestre – Dr. Esternalício, um egrégio perito no ramo das Ciências Biológicas.
     Rivaldi, apesar de ter ao seu redor uma montanha de tempos sepultados, não conseguia afastar-se do passado e render-lhe o que ainda remanesce de mais sublime: “o eterno culto de gratidão”. Nessa ensancha, de circunspecto silêncio confidencial, as bocas sem lábios prostrar-se-iam no intrínseco esfíngico dos sepulcros lacrados, numa atitude de quem reverenciou o prístino, de forma meditativa, e aprendeu salutares lições!
     O especialíssimo especialista, ao reexaminar o seu próprio laudo, numa vetusta manhã, -- de sol canicular --, estarreceu-se perante a ilação diagnóstica. Verificou, através de analogias radiográficas, as verossimilhanças com ao laudo do paciente, precisamente o que estava sendo reexaminado por ele, obedecendo a mesma equiparação cronológica.
     Na ante-sala, Rivaldi, cosido à parede, entre um cicio e outro, ainda pôde escutar o relato da paciente Elízia, que discorria a um especialista, situado ao seu lado, a etiologia dos paroxismos palindrômicos, tendo por encetamento basilar a região cervical, causando-lhe uma constante cervicalgia, abrangendo, também, várias algesias sinestésicas, assim como, uma dorsalgia no decurso do tempo, em detrimento do somatorial das  inúmeras anomalias ressudadas no eixo vertebral, no enveredar desta fase prodrômica de provectude.
     Há tantos outros arquétipos que integram o teste reptador do especialista. Nesse caso, ele, o doutoríssimo, é o próprio paciente, ostentando todas as carências orgânicas, e que se colocou na condição infensa, -- em pleno gládio --, propugnando uma das patologias atinentes à sua enfatuada especialidade médica. É  uma reptação impertinente a exarar o seguinte: “Cura-te a ti mesmo, já que te achas dono de uma verdade científica amplamente mutável, no decorrer das experimentações substituíveis e das mais inusitadas tecnologias concernentes ao hodierno e ao devir.
     O especialista especialíssimo tem por propendência o beneplácito, máxime no que concernia ao ato de resistir ao máximo o grau de rejeição estabelecida. E, por ilação, teremos o flabelo indicativo das mais diversificantes especialidades existentes no atroz mercado de trabalho.
     Com altivez, disse, então, o personagem protagonista: “tenho por desiderato precípuo ajudá-lo na composição da anamnese”. Doutor, há muito tempo, sem estigmas prístinos, declarou o cliente: “meu organismo ressumbra paroxismos palindrômicos ao longo do eixo vertebral”. O encetamento desse transtorno, altamente excruciante, deu-se na região cervical. Assim sendo, a cervicalgia vem recrudescendo paulatinamente. No hodierno, a dorsalgia é uma evidência ululante. Também, em dias recentes, Rivaldi aparata uma bursite trocantérica, com algesia sinestésica percuciente.
     O especialista, escudado em seu título de pós-doutoramento, encontra-se estribado quanto aos argumentos formulado, demandando redarguimentos plausíveis e convincentes no que diz respeito ao ressumbratório dos caracteres somatorizados ao longo do tempo de desvelamento.
     O reputado especialista estava diante de si mesmo, em presença de um espelho testemunhal, onde havia o ressumar de um ângulo hermético, no qual a imagem produzida é vista, de modo amplo, em detrimento da auto-especialização. Dependendo das circunstâncias carenciais de determinada região, chega-se a um ponto antinômico, tendo como resultante a desespecialização do aclamado homem especialista.

     A imane primazia das grandes especializações, em suas acepções capitólicas, o pós-doutoríssimo assina, com solércia esfíngica, o seu próprio laudo condenatório, antes que tenha, indubitavelmente, de enfrentar a geologia dos campos santos, para que possa partilhar – em cabal putrefação – das épulas bacterianas!

                                                 Wilson Cerveira

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

PALINÓDICA FRUIÇÃO

      Carmolécia, após fruição espasmódica e percuciente, aparatava solércia quanto ao ato de partilhar em parceria. Dardejava o eleito, menoscabando-o com o infligir escarmentoso de silêncios pétreos, dando a pseudo-impressão de ser ele o seu algoz – tipo de exterminador inexpugnável – diante dos perlustradores olhares de êmulos deletérios – lídimos sociopatas agindo em dias de hediondas crucias!...
     Deveras, a formosa criatura não se premoniciava como sepulcro caiado, conquanto remanescesse a greta da sanha vúrmica, com a qual o partilhador, em cabal benevolência, amainaria o seu estado de díscolo imanente – num  adentramento em direitura ao intrínseco do inóculo, e, também, de periculosa infectabilidade.
     O que exortaria tal etologia heteróclita, caso não fossem os eferentes da componência, assim como: a descendência, o phalo emético (em borbotão onanísmico), as simulacridades palindrômicas e palinódicas dos ineficazes códigos matrimoniais --, de vetustez derrogativa e inumatória --, facultando os perjúrios promanados, diuturnamente, em cabal obliteração correlata a inúmeros preceitos soçobrados no prístino; e, por vetor ilativo, dimanará em direção ao prisco espúrio, após período de esclerosamento sopitante. E, então, haverá a propulsão abrupta conflagrada, assim como, -- alhures – surdirá uma lâmina de aço cortante a decretar sangria de uma possível jugular ablacionada criminosamente.
     Hodiernamente existe, em presença do reverso insaciatório da comunhão, a detonação recíproca dos cônjuges, licitamente outorgados para os exercícios dos experimentadores, sobremaneira os que pertençam ao intercurso do inoculatório, sendo de ímpetos prementes! Ao passo que, em detrimento do salutar, a felonia sobejará no devir procrastinatório, em valimento do vivificante, como oponente exortativo, com o escopo de requestar uma exequível libração copulatória de um espécime acrobático.
     Gaturamo, amigo íntimo de Carmolécia, jamais pensara ser o confidente escolhido quanto ao desvelamento do presumível e inviolado sigilo – de foro visceral, o qual vinha criptogramatizado em relicário esconso. Ei-lo, em sua essência cernial inconfutável: “ Disseram para ambos, sem requestação do silêncio da confissão, que a sazonalidade é encetada no limiar da exação vital, e que é ressumbrada pelos bizarros comportamentos dos indivíduos, ao completarem suas faixas etárias correspondentes aos excruciamentos de quatro decênios; e, também, corroboraram ao alvitrar, sem maiores hesitações, que o passional não sobrepujaria a casa dos quarenta anos. Ambas as hipóteses são abusões que estão arraigadas no subconsciente dos que, ainda, participam, com plangência merencória, do nostálgico cerimonial relacionado ao passadismo! Em antítese palinodial, Carmolécia transuda, em toda a perfunctoriedade epidérmica, a imane passionalidade que a arrebatou desde o dia em que confessara a sedução voraz e aliciadora, que a conduzia freneticamente, colocando-a sobre  a arquitetura de acalanto dos membros superiores do Dioclécio. Desde, então, não queria expiar os empeceres forjados pelas fruições abruptas. Não há como libertar-se dos agrilhoamentos suscitados ante a sanha de arrebentação súbita, notadamente a que ostenta os palindromismos dos desvairos cenestésicos. Estes paroxismos são verossimilhantes ao escarcéu, todas as vezes que adentram, de modo estrugido, ao ínterim absconso da vacuidade promitente, logo após o perpetrar do remanso de abdução.
     Expurga, criatura, dos pés as sandálias – de maneira inopinada – para  que não venhas a resvalar em função do esparzimento da madidez da feracidade, que promanará das próprias gônadas, num absconditismo percuciente de um uníssono borbotão!...
     O arguto Gaturamo, em determinadas circunstâncias, aparatava estabelecido desiderato, sempre que confutava a susceptibilidade exarada, em caso postremeiro, onde a confluência era contristada unilateralmente. Em plena fruição, com todos os testemunhos pristinatizados, o intimorato a compelia, de maneira voraz, a revogar todas as ratificações priscas.
     Carmolécia, num percuciente ar de soledade, ausculta com o ouvido direito o tórax de Gaturamo – um lídimo delírio personificado – para  que pudesse perceber os sussurros dimanados dos seus lábios, no momento em que ambos confessavam a descomunal dimensão do fruir que sentiam reciprocamente. Refocilavam-se ante o excídio que se instaurara em suas vacuidades sensitivas, como se fora a representatividade da postremeira necessidade de premência. Em continuidade ao diálogo encetado, disse-lhe Gaturamo, em voz de pranto emergente: tu, criatura de Deus, não imaginas o quanto me pungencia este teu sepulcral silêncio pétreo, notadamente no átimo em que luto herculeamente para recompor a tua efígie esfíngica! Carmolécia, por coincidência, em cabal soturnidade, vaticinava as sílabas remanescentes dos derradeiros vocábulos que ainda reverberavam, espasmodicamente, pelo ambiente contíguo, e que emanaram dos lábios do seu preceptor, a partir dos longínquos priscos de perpetuidade!...
     Finalmente, sem outras prolações, Carmolécia reminiscência Horácio e sua perenidade: “Existe mesmo uma metáfora animal para descrever a sanha sobeja do sexo oposto, cotejada a um polvo que carcome os seus próprios tentáculos.”
     Diante de certo número de fragmentos, alvitra, em silêncio confidencial, as lascívias inerentes ao estádio fruitório. Trata-se, segundo o parecer de Gaturamo, de amor abarganhado e cheio de benesses, a depender do grau de dissimulação lúbrica compulsiva.
     De repente, para estupefação dos circunstantes, Carmolécia, -- em atitude retratatória, envereda em sentido inverso, e, concomitantemente, numa retrocessão, expunge, com os lábios de outra boca, os esputamentos que haviam sido remanescidos nas trilhas cabalísticas das meândricas fruições intrínsecas!

     Algures e alhures, formam-se, nesse caso, dédalos de inexpugnabilidade imunitória, isto é, um espécime de mecanismo fulcral, no qual a personagem inuma os alardeamentos provindos da feracidade, numa ostentação de comportamento heteróclito, repudiando os ímpetos infrenes de uma libido reprimida, desde as raízes basilares do encetamento. Mesmo assim, o gérmen do aprazimento não obedece aos cerceamentos das normativas cartoriais e das farisaicas etiquetas sociais, e parte sem visor, na orquestração dos frêmitos inergastuláveis, os quais, infrenemente, partem em direitura ao ângulo do borbotar do cálido sêmen!...

                             Wilson Cerveira