quarta-feira, 25 de março de 2015

INOPINADO CATASTROFISMO ORGÂNICO

     Como é indirimível encontrar o ressumbrático distúrbio atinente às causas de uma sindromia palindrômica concomitante. E tudo isso ocorrera imprevistamente no organismo do Eziodro, um tipo de pessoa esquipática, – decerto –, no que se refere ao ato de colecionar uma série de anomalias, coligindo-as para as mais diversas regiões do sistema psicossomático.
     Em principio, ninguém obtinha o vislumbre dos numerosos males que o atingiam à sorrelfa, fazendo com que ele se queixasse diuturnamente. Nicanor, velho poeta, que o conhecia melhor do que os demais; de fato, era, porventura, o único que aparatava sensibilidade suficiente, sobremodo quando o observava respirando mais pela boca – demonstradno determinada dispneia. Deveras, de maneira inquestionável, fora a gastrite – o protótipo paroxismo adquirido após ter completado a maioridade, exatamente na casa dos vinte anos.
     Nessa época, Eziodro recebera o indicativo encetatório contendo a prescrição da cimetidina. Com as novas descobertas, no campo da indústria farmacêutica, passou a usar ranitidina, encontrando-a opcionalmente como substancia pertinente ao grupo dos genéricos, similares e de marca, sendo estes postremeiros, com certeza, produzidos pelos caríssimos e extorquidores laboratórios da “marca patenteada” da indústria farmacêutica, e, de igual modo, a que esteja atrelada ao abastado capital de giro.
     Ambas as enfermidades surdiram em tempos simultâneos. Preliminarmente, houvera uma associação (rinite + sinusite), redundando o quadro da rinissinusopatia, sendo responsável direto pela sindromização dos condutos nasais – conforme diagnostico – estabelecendo um estado valetudinário do paciente.
     É de bom alvitre exarar que as vias aéreas superiores estavam comprometidas. Então, de modo assertivo, manifestava-se a hipertrofia dos cornetos nasais. E, caso o otorrinolaringologista fizesse uma ressecção parcial dessas estruturas anatômicas, não haveria como refutar que ele, o seu cliente de datas pristinas, respirasse melhor; mas, inauguraria uma senda para a vulnerabilidade pulmonar, podendo aduzi-la a um quadro de pneumonia – ou de outra patologia mencionada no âmbito em aberto, abrangendo outras patologias do sistema respiratório inferior.
     Senhor Jesus Cristo, filho de Deus Pai – “Todo Poderoso”, fazei com que ele depreenda o excruciamento de outro amigo seu, que é chamado de Pedrosa Lampadosa, que é um benfazejo espontâneo – de natureza própria e humanitária. Então, generoso Deus, diga-me, nesse caso, as razões que o fazem propugnar vários distúrbios orgânicos concomitantes?!...
     Em seguida, uma otite no ouvido médio, desenvolvendo uma micose perseverante, redundando em sintomatologia do aparelho respiratório por inteiro, sem que houvesse interregno ao longo dessa estrutura auditiva.
     Em decorrência, quase imperceptível, aflora isoladamente uma rinite vasomotora sazonal. De terapia cominatória para a ciência das vias aéreas superiores. As mudanças bruscas de temperatura servem para modificá-la cada vez, percuciando palindromia. Adindo aos fatores emocionais, perquire-se a reiterativa das intermitentes esternutações. Em outros comenos, nenhuma sanção aflora, e, em determinados átimos, perde-se de vista o sujeito portador de metamorfose declinante, tornando-o instável em toda sua trajetória demarcatorial.
     Em complementação às mazelas priscas, surgira a efigie lúdica do Teobaldo, demonstrando através de uma mielograma – um organismo combalido psicossamaticamente por uma mielodisplasia. São casos que ocorrem acidentalmente, sobretudo em indivíduos que se apropinquam da casa dos sessenta anos. E, de forma vertiginosa, vai restringindo o numero de trombócitos ou plaquetas, deixando-as abaixo de seu limite mínimo inferior.
     Então, após essa nova inserção, Querlúcio, irrompeu uma obstrução nasal, sempre intermitente, declarando uma rinite severa com hipertrofia cabal do sistema respiratório, sobremodo dos cornetos nasais edematosos, sobretudo nos pertuitos das fossas nasais.
     Depois de algum tempo, sem a existência de novos personagens, para que pudessem compartilhar os pormenores das mazelas ressurgidas, Querlúcio ostentava outro tipo de distúrbio denominado de discinesia intestinal, a obstaculante dificuldade de dejetar as demais fezes residuais. Ele precisava, aproximadamente de 30 a 60 min, para evacuar por completo o volume da massa fecal acumulada no intestino grosso. Caso não quisesse aguardar por esse interregno temporal, viria de duas a três vezes ao sanitário, de modo aporrinhante, com o propósito de eliminar as remanescências do fecaloma ou coprólito, bolo fecal que ficaria armazenado no intestino, por algum tempo, causando uma série de complicações intestinais.
     O mesmíssimo Querlúcio, sem hesitação, dirigiu-se a outro especialista, e este dissera que ele estava apresentando certa opacidade no cristalino, tanto a lente do lado esquerdo quanto a que pertence ao direito; a primeira, um pouco mais prejudicada em função do esforço de fixação produzido pelo uso prolongado de lupas e microscópios instalados no imenso laboratório de pesquisas do “Centro Hospitalar de Nossa Senhora da Vitória, localizado em Londres, capital da Inglaterra”.
     Para complementar o quadro merencório, surgira inúmeras hemorroidas em torno da cavidade anal. Como se não bastasse o grau de crucificação, prorrompera numa veia de grosso calibre, estando situada transversalmente à patela; enquanto as duas outras, também de espesso diâmetro avantajado, posicionavam-se nas laterais de ambas as coxas.
     Como demonstração visual, teria  que se submeter ao doppler, para que pudesse delimitar as diferentes áreas, estabelecendo os trechos que poderiam ser solucionados à laser, através de ressecção ou, até mesmo, pelo mecanismo de punção!... Nesse caso, é difícil depreender o que ocorrera durante o período de internação nosocomial.
     Em quase penumbra, em meio a uma luz bruxuleante, os personagens que sofreram simultaneamente a ação de várias patologias – obiciando os movimentos e as más circulações reinantes – obiciando os movimentos e as más circulações reinantes – não se deixando vencer pelas discinesia e discrasias presentes no decurso somatorial de todos os órgãos e sistemas vigentes no decurso somatorial de todos os órgãos e sistemas vigorantes.
     Senhor Deus, “Pai das Providências Divinas das causas impossíveis”, fazei com que essas criaturas tenham o que ainda se chama de paz, já que não mereceriam desproporcional excruciamentos, mesmo após a realização dessas acrimônias ignominiosas, sistematicamente abomináveis!
     Por que tantas agruras, meu Senhor Jesus Cristo, a atingir, de modo concomitante, estas poucas criaturas, notadamente as únicas que são abnegadas com relação ao aprestamento das generosas obras de reedificação do ser humano, que, em dias hodiernos, vive a experimentar as expiações de um percuciente exício. E a senescência auxilia bastante quanto ao adentramento desse quadro de variegadas patologias, ostentando um caráter percuciente e palindrômico em diversas regiões da topografia anatômica humana.

     Devido a minha incapacidade de depreender pequenas particularidades, levai consigo as chagas e os vurmos do meu sorumbático clamor, antes que a sua face perdesse, definitivamente, a boca, a mesma que ilustrara os empeceres sofridos pelos menos privilegiados, numa ascendente trajetória labiríntica, onde a descensão figuraria mais do que a empresa dos onirismos delirantes, a qual fora estabelecida pela infinita vacuidade do tempo!...

                                            Wilson Cerveira

quinta-feira, 19 de março de 2015

A VOLUBILIDADE É UMA CONSTANTE EM DIAS HODIERNOS

      Este assunto parece ser paradoxal em seu continente, mas é de uma legitimidade senhorial abrangedora no que concerne aos demais referenciais atinentes ao fulcro, de natureza antinômica. E, desse modo tão estrambótico, a proliferação de sinonímias, em quase todos os quadrantes do orbe, ressumbraria, decerto, à medida que fosse possível, o quanto de inconstância há em exteriores e interiores de pessoas e de objetos, não importando o inexorável tempo de consumo em que essas matérias – vivas ou brutas – estejam sendo expendidas a um maior número de perquirições minuciosas.
     As pessoas que assinam um documento em cartório, mesmo estando em presença de várias testemunhas e testemunhos, podem, de modo colapsal, confutar através de inusitados esquadrinhamentos especiosos, corroborando com tudo o que elas disseram pristinamente. E, destarte, dependendo do respaldo codificado; e, em seguida, decodificado, a criatura pode conseguir esgueirar-se à sorrelfa com relação aos estados labirínticos, cuja necessidade basilar é a retransmissão concomitante dos mesmíssimos arautos, sobressaindo-os sob a condição de retoricidade para quaisquer aprendizados, se bem que ainda se apresentem sob formas esculturais de inusitadas aprendizagens!...
      Os trabalhos, os compromissos, as carteiras assinadas, genericamente com o propósito de preencher as mórbidas regras do surrupiador mercado de trabalho, terão que ser repassadas por um processo – quase abrupto – expendendo neófitos humores contendo etologias diversificadas.
     O garfo, o estúrdio objeto de dentes anômalos, foi o mesmo que o auxiliou a conduzir uma fatia de cenoura à boca; mas, com exceção, ele mesmo, minutos depois, realizou uma ação contrária, – de natureza deletéria –, e que desta feita, perfurou-lhe, adrede, o véu palatino – numa atitude grotesca, a qual reassume organicamente a sensação de dor e sangramento –, redundando como efeito de protraimento ao estado de imediatismo revogatório posterior –, desfazendo o protótipo da necessidade premente quanto ao ato de aduzir o alimento em direitura aos órgãos atinentes à mecânica do sistema digestório...
     A faca, companheira imprescindível do garfo, colaborou com o companheiro Camisolo, quando assim o quis, para que trinchasse um diminuto pedaço de fígado bovino. Em seguida, a mesmíssima arma branca puncionaria a falange do seu dedo indicador, fazendo com que houvesse a probabilidade existencial de laivos rubros, com certeza, oriundos de um possível estado hemorrágico.
     Qual a razão plausível para tão imane volubilidade?!... Será possível que ainda é o mesmo pintor, – sujeito de um heteroclitismo exacerbante –, que passou a manhã inteira com os olhos fixos numa tela barroca contendo um aspecto bizarro; e, ao entardecer, sem que houvesse motivo justificável, mudaria repentinamente de ideia, não mais querendo pintar outro quadro de aspecto verossimilhante.
     Conquanto a inconstância estigmatizadora existente nos dias hodiernos, Esculápio rodopiava em plena inércia, ainda prosseguindo no sentido de encontrar os meios adequados para o estudo da geologia do telúrico. Nesse caso, as diferenças se fazem presentes no rotatorial circunscrito dos pontos delimitantes, sobremaneira os que ressudam os volúveis metamorfismos reversos e irreversíveis!...
     O inumano vai, de maneira paulatina, desencapelando hierarquicamente, como se houvesse um sequencial de psicossomatismo, partindo do extrínseco para o intrínseco, e vice-versa. De fato, o ressumbratório apontava os trechos criptográficos e ininteligíveis dos percursos correlacionados aos etológicos éticos.
     O aparatado “ser” expunge de si os vários egos auto-agonizantes, e, no encetamento de um prelúdio de um crástino deletério! E bastaria não protrair o desiderato iminente de uma ígnea lascívia esbravejante em todos os sentidos e direções psicossomáticas, redimensionando os eixos do plano cartesiano corporal – num suspirar de entrecortados vagidos – como se estivéssemos perante a um maestro, altamente potencializado em sua regência!...
     Não há conexões neuronais que façam com que o perfeccionismo mantenha a palingenesia, nem tampouco esses emaranhados sejam capazes de induzir em direitura aos âmbitos variegados, abrangendo os âmbitos de uma concupiscência lídima, sem retrocedência no que tange aos conglomerados exacerbantes de cincadas e assertivas convincentes – de modo reiterativo – onde os erros suplantam os acertos, sobremaneira nestes dias de hodierna crúcia!...
     Destarte, não se inaugura mais uma nova época de porte alvissareiro, mas de deambulação sorumbática, tendo por lema: “a deseducação na educação brasileira”. E, de modo perplexo, fica-se sem saber as causas lídimas dos imanes transformismos ocorrentes! Consequentemente, procuram-se outros métodos substitutivos, sendo todos atinentes ao processo comutativo de uma volubilidade a toda prova de contestação, pois esses preceptores perderam definitivamente o fulcro basilar de muitas experimentações inexauríveis!...
     Dizem, aleatoriamente, que os elementos decodificativos contidos nesses proliferantes aplicativos, servem para recrudescer as comutações concernentes aos assuntos de maior  complexidade e relevância na vastíssima seara das cognoscibilidades científicas!
     A volubilidade tornar-se-á adimensional em todos os quadrantes; e, enigmaticamente, iremos, em princípio, perecer, tendo ao nosso redor os objetos eletrônicos desligados, de modo adrede e patológico, à curta, média e longa distância, sem que o orbe orquestral perceba que estamos a conviver com um novo estádio esquipático: o que cognominaremos de extramanicomial em todos os sentidos e direções vetoriais, partindo do ponto de latência até a horizontalidade da reta de jazimento...


                                              Wilson Cerveira

quarta-feira, 11 de março de 2015

UM SUJEITO MAL ENCARADO

     Na década de mil novecentos e setenta, nos três primeiros anos, eu cursava o antigo “Científico” no “Colégio dos Irmãos Maristas”. E, nesse tempo, para curiosidade dos meus anos de mocidade, vocacionou-me com atenção o anúncio que vinha sendo reiterado no rodapé da página de rosto do Jornal Pequeno. Se não me delude a memória, reitero-o com as mesmas palavras. Ei-lo, então: “Procura-se, com certa urgência, um eficiente cobrador, desses que exercem determinada pressão e medo, ambos agindo de modo incisivo sobre a imagem conspurcativa do devedor”. Na sob linha, com letras em negrito, prosseguia a exaração seguinte:  - quem souber do paradeiro desse tipo solerte de pessoa, informe-o açodadamente ao advogado Carmelindus Calietus, que há muito o procura na cidade de São Luís do Maranhão, desde o dia em que viera da Itália.
     Quem o trouxer a tiracolo, indubitavelmente, será muito bem recompensado; pois, com certeza, estaria ressarcindo de alguma forma plausível um prejuízo exacerbante, e, de maneira simultânea, acumulado no decurso temporal dos anos de uma exaustão procrastinatória!
     Laurieto que, apesar da provectude, ainda deambulava pelas ruas ludovicenses, ostentava o desiderato relacionado ao preenchimento das três lacunas ocupacionais: a idade, a aposentadoria compulsória, adindo também a parca pecúnia recebida, não só por ele, mas pela maioria da população de trabalhadores diuturnos, que ainda estão estritamente vinculados aos descomunais descontos mensais repassados para os cofres extorquidores do INSS (INSTITUTO NACIONAL DE SEGURIDADE SOCIAL). Esse dito órgão, melhor dizendo, vem sofrendo as influências malévolas dos governantes facínoras e de seus comparsas -- respectivos sujeitos ardilosos – tanto os corruptos como aqueles que se acham na condição de corruptores inveterados!...
     Eliozodo, o cobrador de pálpebras decaídas sobre ambos os olhos, fora apresentado ao advogado Calietus pelo servidor Laurieto, que, indiretamente, necessitava de abarganhar estabelecida pecúnia, a ser paga mensalmente, de maneira parcelada, pelo advogado, e, desse modo justificaria o seu árduo trabalho de cobrador de aluguéis, batendo de porta em porta. Sabia como bater, sem fazer alarmes, e obedecia a hora certa, longe do estremunhamento do devedor. Às vezes, sem perplexidade, se absconditava nos cantos das ruas que faziam obliquidade com a respectiva rua do devedor, e não lhe dava a mínima chance de não ser visto; e, que, destarte, evitaria o pagamento a ser efetuado no dia que constara na cláusula do contrato verbalizado cartorialmente. Os mais resvaladiços devedores eram vigiados por ele na porta do Banco, exatamente no período destinado ao pagamento do funcionalismo público e das demais autarquias...
     Zodo, como era conhecido pelos mais íntimos, aparatava um aspecto físico externo de sujeito mal encarado; pois, na penumbra – quase noite – seria capaz de estarrecer até a presença da senhora sua mãe. Nascera feio, de uma feiura medonha, que seria capaz de provocar fobia na própria penumbra que fechava a postremeira luz do dia, dando-lhe um aspecto penumbroso para uma asfixia noctâmbula, logo no adentramento da perpetua agonia, facultando uma execração máxima sem empatia meritória.
     Os que os perlustravam tinham, de imediato, a falaciosa impressão de que estavam a vislumbrar o próprio energúmeno, sobremodo em dias de sanha percuciente. Parece-me que vivia banido de todos e do próprio orbe, imensidão que o condenava, peremptoriamente, na condição de feiura portadora de uma altíssima rejeição quanto ao formato de sua genética teratológica.
     Com o decurso inclemente dos anos, ninguém apresentaria carência sedutora de apropinquar-se dele, notadamente no que concerne ao ato de querê-lo na circunstancia experimental de companheiro, amigo, amante etc. A sua monstruosidade física, alarmaria a sua própria sombra, à medida que a logica efigie se projetasse longitudinalmente no chão, como se quisesse tamponar os pertuito somatoriais da casa onde morava, cujo assoalho estava todo carcomido, dando a especiosa miragem de um casco de jabuti, amplamente cominuido no basilar de seu antebraço indumentário!...
     Quando o Dr. Carmelindus Calietus examinara minuciosamente o cobrador mais rigoroso que até o momento se conhecera, -- não só em São Luís --, mas em todo o Estado do Maranhão, ficou pasmo ao perlustrá-lo pela prototíssima vez. Os seus olhos aparatavam as pálpebras decaídas, e devido essa anomalia, ostentava uma visão restritiva, a que vai do joelho aos pés. Para que pudesse enxergar os membros superiores do cliente, teria, no mínimo, de posicionar-se em decúbito ventral, prosternando-se aos seus pés, numa atitude de quem obsecra remissão pelas cincadas perpetradas, assim como no dever da aplicação de uma possível resipiscência!...
     O contrário, porventura, seria mais plausível; pois quem deveria permanecer em decúbito ventral seria o devedor, clamando-lhe clemência e fleugma quanto ao ressarcimento imediato da dívida a ser prementemente resgatada até o final das vinte e quatro horas do postremeiro dia do aprazamento do aluguel que fora estipulado em cartório com presença de várias testemunhas e testemunhos!... 
     Realmente, Eliozodo, o cobrador irreverente, não pedia vênia para adentrar aos ambientes de maior perigo de vida. Tinha porte de arma, e desde a sua adolescência aprendera a atirar com precisão milimétrica, -- um atirador de elite que seria capaz de dividir, anatomicamente, uma mosca ao meio, de modo simétrico, separando com exação os membros inferiores dos superiores.
     Zodo, como era cognominado pelos mais íntimos, não passava de um monstrengo com aparência verossimilhante ao Quasímodo – protagonista do “Corcunda de Notre Dame”—de Victor Hugo. Deveras, causava impressão fatídica de repulsa a quem, de surpresa, o via pela protótipa vez. O sujeito devedor pensava logo ser ele, sem a mínima hesitação, um baita matador de aluguel, desses sicários que estendem o corpo da vítima na horizontalidade da peremptória inumação irreversível!...
     Não era um mau caráter, mas simplesmente um cobrador de aluguel eficiente, fazendo com que a adrenalina do devedor recrudescesse; pois, o submetia a um estado de aflição, sobremodo quando estava ao seu lado, na iminência de receber o aluguel da respectiva propriedade, independendo de ser casa térrea, sobrado, terreno, sítio, chácara, fazenda, áreas de criação e plantio etc.

                                                 Wilson Cerveira



quarta-feira, 4 de março de 2015

PREMATURAS CINZAS DE MOMO

     Cadê o “Momo”?!... – o rei do carnaval de antanho – personificando a própria festa da carne lascivial, e que, de maneira surpreendente, adentra a um estádio valetudinário precoce, estigmatizando as antinomias abstrusas e heteróclitas de um cabal combalimentos?!... Em se tratando do “Rei do Carnaval”, é mais comezinho localizá-lo em local impróprio, bem distante da sua condição de entronização, que é o cerne dos prístinos salões momescos.
     Para tristura de cunho percuciente, foram ressumados em uma determinada rua deserta os hálitos das obsoletas esbórnias, celebradas, euforicamente, com a presença de confetes, serpentinas, lança-perfumes importados, simbolizando o somatorial de sensórias promíscuas e repletas de produtos narcotizantes.
     Havia, decerto, nas décadas priscas o promanar do clima carnavalesco!... O ar, deveras, ficava impregnado diante das alacridades momescas. Assim sendo, confeccionava-se desde a máscara até chegar ao perfil da mascarada, uma mulher de ancas avantajadas, e que vestia uma indumentária de forma sacular com estamparias aberrantes!...
     O ritmo hilariante era o de brincar de fofão, diuturnamente, para que ninguém o reconhecesse durante as suas andanças cambaleantes pelas principais ruas da cidade de “Torvelinhos”. E, no decorrer das madrugadas chuvosas, o Rei Momo, sem hesitação de maior monta, participava integralmente dos tradicionais bailes de máscara, onde os sexos ficavam ocultados debaixo dos longos macacões – com aspecto que recordava um chambre fundilhado portando mangas largas e compridas.
     Hodiernamente, não se podia mais manter a consagração dos vetustos “bigorrilhos”, pois seria uma excêntrica deambulação exterminativa, em que os facínoras estariam ali, formando grupos promíscuos reconditando vários tipos de pistolas automáticas de alta precisão!... Por final, em plena tartamudez, cominuir-se-ia o “Momo” – de modo energúmeno – remanescendo sob a forma de uma espectral poeira cósmica!
     Inumou-se a efígie do tal “Momo”, esquartejando-o através dos itinerários do passado, dando-nos a especiosa impressão de um Judas Iscariotes. Nestes dias de sarça ígnea, extorquiram-lhe até o trono, -- todo engalanado --, que recebia as cabeças inebriantes, estando todas prontas para saracotear com jocosidades desenvoltas as implosões comemorativas com relação ao impressionante festival da carne – o nosso tradicional e inviolável carnaval – que, pouco a pouco, adentrava ao período jugulatório de uma provável obliteração efetuada com o decurso desses estropiamentos ocorridos sequencialmente, nestas duas protótipas décadas do século XXI.
     Com procacidade reiterativa, os maus elementos tentavam deludir, -- com propagandas de cabal desfaçatez --, a continuidade de um teratológico “MOMO”, que feneceu, à sorrelfa, prematuramente, -- faz alguns anos --, antes mesmo que as marchinhas e os frevos pernambucanos encetassem os epinícios preludiais de um carnaval fantasmagórico e festejado com pândegas, tomando conta do espaço das mais importantes avenidas, as quais integram o desfile opulento das mais concorridas escolas de samba da cidade do Rio de Janeiro e demais capitais!...
     Lá, no grande RJ, sim, corre-se indubitavelmente todo tipo de risco sobre risco, abrangendo desde as armas brancas aos explosivos randômicos. E, de repente, poder-se-ia, em caso de incúria, ser surpreendido por uma bala perdida, indo, sorrateiramente, alojar-se indevidamente na caixa craniana ou no tórax do homem de bem, e que, às vezes, já houvera transfixado as estruturas internas, sendo o crime perpetrado por um bandido de altíssima periculosidade!...
     Até os bichanos ficariam desesperados diante de tanta algaravia, -- sem precedentes --, pois, também, esses irracionais já experimentaram o pavor dos aviões arremessando focos luminosos direcionados, com o objetivo de localizar ou afugentar os réprobos sujeitos, os quais se manifestaram por meio da perpetração de percucientes criminalidades, adrede, consecutadas; em virtude das impunidades reinantes, e que são proporcionadas pelo exacerbantíssimo dos crimes hediondos, adrede, praticados pelos facínoras dispersos em todas as cidades brasileiras, além de albergar o orbe; excluindo, como dissera outrora, uma pequena parcela da humanidade – a quem se denomina de pátria!...
     Nos carnavais pretéritos existem batalhas de flores, ou, então, de confetes, dispersando-os por todo o salão festivo, deixando-o plenamente exornado!... A brincadeira continuava pelas ruas da cidade, e consistia basicamente num pomposo passeio realizado por carruagens ou automóveis engalanados, que transportavam grupos de pessoas fantasiadas. Ao se cruzarem, os foliões lançavam uns sobre os outros, pequenos buquês de flores, confetes ou serpentinas procurando copiar os modos civilizados do carnaval de Nice.
     A inauguração, no Rio de Janeiro, do eixo da Avenida Central --- Avenida Beira-Mar, em 1906, daria grande impulso às diferentes brincadeiras que buscavam ocupar o novo espaço urbano construído para o usufruto da burguesia.
     O projeto de um carnaval sofisticado e exclusivo da elite; porém, acabara esbarrando no proverbial escárnio das precoces cinzas, as quais dariam um toque de porvindouro inumamento ao galhardo espairecimento dos salões ataviados de confetes e serpentinas!...
     O carnaval do prístino era o período conhecido pela quantidade de festas de toda sorte de estilos, principalmente bailes de máscaras, desfiles de samba e folia de rua. Todas essas mixagens sonoras são exuberantes quanto ao sexo, drogas e diversos tipos de fantasmagorias!...
     Ao passo que, sem hesitação corroborativa, eram os correspondentes períodos de festas profanas, em todas as regiões onde eram comemoradas, e que se iniciavam, geralmente, no dia de Reis ou Epifania, e se estendiam até quarta-feira de cinzas, dia em que encetavam os jejuns quaresmais.
     Os três dias imediatamente anteriores à quarta-feira de cinzas, dedicados a díspares sortes de diversas folias, -- folguedos populares --, com disfarces variegados e máscaras de todos os modelos, abrangendo desde os mais simples aos mais esdrúxulos, aduzindo a um estúrdio apoplético de confusões, trapalhadas e desordens!...
     Entrudo pode ser definido como uma série de jogos e brincadeiras populares, introduzidas no Brasil pelos portugueses no século XVI, que também foram associadas no carnaval brasileiro. Pode ser considerado como a fase de gestação do carnaval popular de rua. A etiologia do vocábulo em referência está atrelada aos bonecos gigantes feitos de madeira e tecido, que faziam parte destas brincadeiras carnavalescas portuguesas no período final da Idade Média ( por volta da centúria XV).
     No Rio de Janeiro do século XVII o “Entrudo”, na máxima acepção, simbolizava estas brincadeiras da época momesca, e que eram muito comuns. Existiam vários tipos de brincadeiras e jogos que variavam de bairro para bairro. Já no séc. XVIII, os entrudos passaram a ser um pouco mais organizados e podiam ser divididos em dois tipos: Entrudo Familiar e Entrudo Popular.
      Eram jocosidades e ludos mais moderados, em todos os aspectos plausíveis, com objetivo de entretenimento social. Ocorriam geralmente nas casas de famílias ricas dos centros urbanos. Numa das mais populares brincadeiras, os moços da época faziam uma espécie de guerra com limões. O jogo não era violento e não tinha por finalidade machucar, mas apenas estabelecer laços de amizade.
     Os entrudos populares ocorriam nas ruas das cidades, principalmente nos bairros mais populares. Quase sempre, sucediam lídimas guerrilhas de ovos, água suja, urina, frutas podres, etc. Tinham um caráter agressivo e despudorado.
     O debilitamento da tradição carnavalesca deu-se a partir de meados do séc. XIX. Os maiores coniventes foram os próprios governantes e autoridades, que, de pouco a pouco, à socapa, foram obliterando as reais características populares, qualificando-as como insolentes e deletérias aos morigerados comportamentos sociais. Em várias cidades, o entrudo popular foi proibido; porém, somente nos protótipos anos do séc. XX que ele perdeu a sua legítima pujança! Embora não se ouça mais falar em entrudo, em muitas regiões do Brasil ainda são comuns, na época do Carnaval, as guerras de água e frutas podres, sobretudo entre crianças e jovens de regiões mais pobres.
     Por curiosidade, podemos citar que numa pequena cidade localizada no interior do Tocantins, -- apesar da expunção do entrudo --, ainda existe o jorro d’água, auspiciado por pesadas mangueiras, com participação coletiva de crianças, jovens, adultos e idosos. E, desse modo merencório, temos apenas o reminiscencial penumbroso daquilo que se chamou no passado de verdadeiro carnaval!...


                                                          Wilson Cerveira