quinta-feira, 28 de novembro de 2019

ATITUDES DESVAIRADAS I

        Kalimiosto ostentava por prazer mórbido a seguinte direitura:prestar a máxima atenção quando passava por sua casa, tangenciando a porta, e , depois, ia se abduzindo ao longo do largo que a margeava de ponta a ponta. Era uma fixação insólita -- um lídimo desvairio!... Seus olhos perlustravam os passantes -- indo dos pés a cabeça! Gereba, violonista dos bons, era o apelido de José Curselino. Então, Curselino andava, diuturnamente, acompanhado pelo seu violão. Por onde se dirigia, sempre o conduzia. Para ele, sem hesitação, era um lídimo prazer em fazê-lo pelas ruas de São Luís do Maranhão. Mas, com relação ao senhor Kalimiosto, um baita de um psicopata -- isto não passava de uma aporrinhação em mais alto grau, pois transferia tudo aquilo para si, numa atitude repelente e de mau gosto peremptório. De fato, esse senhor -- de aspecto sorumbático -- aparatava uma uma desempatia descontroladíssima. Não se punha no lugar do outro; pelo contrário, o outro é que tinha de se colocar no lugar dele. O patologismo agia de modo reptativo e sufocante  em todos os aspectos vislumbrados ao logo da trajetória valetudinária.
        Em junho de 1925, especificamente no dia 17 de julho, comemorava-se o tal badalado e estróina vitalício do senhorzinho Kalimiosto, um doente mental muito implexo, que desafiava a própria área da psiquiatria, ramo da ciência mental que ainda se digladiava para ressumbrar determinados comportamentos cabalísticos.Tanto assim, que não sabia dilucidar os motivos aparatosos injustificáveis que conduziam uma pessoa, seja ela quem fosse, a ter rejeição cabal pela outra, independente de quaisquer circunstâncias plausíveis, somente pala simples e improcedente aparência física. Isto levaria o indivíduo psicopata a eliminar o outro, o qual não sabia a sua devida procedência, pois lobrigou-o pela primeiríssima vez!...
        O tempo de espera aparata suas ciladas e ardis, já que não aguarda por muito, para que o caso emerja de modo inopinado. O dia do tão recantado aniversário do Kalimiosto apropinquava-se cada vez mais. Não haveria procrastinação por mais de setenta e duas horas. Os quitutes seriam conduzidos de mão em mão, até a sua residência, localizada no Portal dos Apicuns, uma vez que, sem titubeação, era a primeira de todas, portando o número 1 no pórtico superior. A casa era lobrigada desde ao longe, visto que se posicionava bem de esquina. Os seus parceiros, ou até mesmo comparsas é que tomavam a deliberação de conduzir as diversas iguarias de pratos!... Também, responsabilizavam-se pela bebidas -- das mais variadas -- não esquecendo jamais de levar no mínimo uma grade de cachaça, portando no rótulo a palavra "Pitu". Era um aniversário prolongadíssimo, terminando, exageradamente, no terceiro dia de farra intensa!... Ninguém, nunca, em tempo algum conseguiria fazer a deglutição, sem que houvesse a respectiva degustação de quem aprecia o sabor cálido ou ardente do álcool Nesse momento de prazenteio orgânico, os hepatócitos do figado não mediam esforços para combater as inúmeras hidroxilas, evitando, destarte, a decretação de cirrose pela glândula hepática.
        Nada incomodaria os numerosos garçons que foram contratados pelos convivas, pois o anfitrião, de maneira antagônica e heteróclita, não gastava um tostão do seu bolso! Os convidados participavam integralmente de todas os dispêndios, acrescendo além do mais, o furto perpetrado pelos diversificados penetras deseducados, ostentando caras totalmente desconhecidas, perante todos aqueles elementos conhecidos há muitos anos. O Kalimiosto, desde a mocidade, dependurava-se nos ombros calejados dos amigos e pseudo-amigos, quando se encontrava em ambiente festivo. Arrumava um jeito todo matreiro de escafeder-se das desproporcionais despesas executadas durante os átimos de pândega ou patuscada!...
      De fato, chegou o dia do aniversário do senhorzinho Kalimiosto. Posicionou-se  na soleira da porta para receber os convivas. Todos iam chegando portando um prato na mão direita, assim como, uma garrafa na mão esquerda. O cumprimento era feito através de uma inclinação com a cabeça até atingir a base do pescoço. Cerimoniosamente, o ruflar das roupas de linho engomadas e dos sapatos  de pelica com salto proeminente. Antes de tudo, imperava um silêncio, quase sepulcral, visto que o gramofone estava a tocar baixo. A algaravia, que é uma fala ou escrita árabe, muito comum em pândegas dessa natureza. Então, esta linguagem muito confusa, incompreensível, fazia parte integrante do ambiente patusco.
        Naquela ensancha, ninguém evagara a durabilidade daquele natalício! Na cachimônia sincipucial do anfitrião solerte e estróina em todos os sentidos e direções plausíveis! -- Kalimiosto previa, sem hesitação, que aquela festança hiperbólica permaneceria durante setenta e duas horas -- três dias -- que é o passamento total de uma anestesia geral. Como se diz na gíria, rolaria tudo, menos do que se possa divagar no momento de declinar os feitores da maledicência. Sim, de maneira cabal, era uma fuzarca intensa e completa, abrangendo todas as possíveis luxúrias. Cigarros, charutos e cachimbos encetavam suas fumaças em diversas linhas vetoriais, dando a nítida impressão de um arco-íris entreaberto. Alguns tragavam quase  de uma só vez, eliminando uma chaminé espessa de fumo; outros, menos deseducados e sôfregos,  iam eliminando filetes de fumo crestado -- o qual se encaminhava em direitura à rótula da janela semiaberta para o lado esquerdo. Destarte, a nuvem de fumos divergentes, sem perplexidade, tomava conta do espaço aéreo, fazendo um labiríntico ziguezague em todas as direções e sentidos!...
     Para acrescer ainda mais, as garrafas contendo álcool iam sendo abertas, pois a necessidade de beber -- por parte dos convivas aumentava com o passar efêmero ou  fugaz das horas. Alguns tomavam as suas talagadas de cachaça em copo branco; enquanto outros utilizavam o próprio gargalo da garrafa. Não sei como continham a respiração numa regulação deglutatória do tipo degustativa! Os tambores rufavam em cada canto das salas do casario antigo. Buscavam ritmos diversos, alcançando o cadenciado do candoblé. E, com isso, buscavam as nossas origens -- um tanto olvidadas no subconsciente de todos os presentes naquela natividade reiterativa.
        O que estava faltando era o emérito violonista cognomina de Jereba, cujo nome lídimo era José Curselino -- o grande Curselino das noitadas de boêmia!  Deveras, esse grupo era partidário do hedonismo, que é uma doutrina egoísta que preconiza a valorização do usufruto do prazer imediato, não importando as consequências, mesmo em detrimento de outrem.
        Jereba ao adentrar no  casarão do Kalimiosto, foi, de logo, dedilhando as cordas do violão, buscando o compasso harmonioso do parabéns a você! Todos os que se reuniam em torno do anfitrião, indubitavelmente, ficaram álacres, menos o patológico Kalimiosto. A protótipa tentativa que lhe veio à memória foi de cunho iconoclasta . Não mais queria vê-lo em companhia daquele empecilho, que nada mais era do que o próprio violão do Curselino. O que  poderia redundar, uma vez que, sem hesitação, ambos localizavam-se em ângulos diagonais. Jereba estava nas proximidades da janela, enquanto o senhorzinho maligno se posicionara na lateral da porta que  dava acesso ao terraço, que ficava em pleno descampado da rua que o tangenciava por todos os lados!... 
       Kalimiosto era partidário, também da iconoclastia, que significa a destruição dos ícones, ou seja, uma pessoa iconoclasta é aquela que desmascara heróis e nomes consagrados. Um grande exemplo de iconoclastia foi a semana de arte moderna de 1922. É, igualmente, uma doutrina que se opõe ao culto das imagens pela igreja.
           Senhor Kalimiosto -- o grande psicopata -- solicita a presença do Jereba para junto de si, numa aparente e dissimulada atitude de amizade!... José Curselino, ou, simplesmente, Curselino apropinqua-se do anfitrião, num comportamento de docilidade. Aliás, deveria ser o contrário! O senhorzinho vesano trouxe para junto dos seus membros inferiores um banquinho; e, nele pôs os seus pés. Em seguida, pediu o violão do Curselino para colocar logo abaixo dos seus calcanhares, a fim de que desse retidão ao curso da panturrilha. Sequencialmente, vocacionou os fotógrafos, e, logo após, deprecou aos presentes que cantassem em coro o parabéns a você! O vozerão aumentava ainda mais pelo número proliferativo de participantes! Os mais senescentes ostentavam uma voz mais lânguida e de timbre menor. Ao passo que, sem dubiedade, os mais novos aparatavam toda uma potência na voz, sobressaindo ainda mais a sonoridade do tão conhecido congratulatório. Mandou que repetissem três vezes. E, na terceira, começou a bater com os calcanhares nas cordas que se localizavam no circular do violão. Pouco a pouco, foi levantando as pernas e batendo com mais força no violão -- até cominuí-lo totalmente.
             Assim  sendo, José Curselino partiu em direção ao destruidor, num ímpeto extremo de raiva incontida. A multidão segurou os membros inferiores do violonista Curselino, e bradava de modo altissonante: respeitem a senectude deste senhor Kalimiosto, pois ele não sabia o grande mal que estava causando para aquele que ele considerava seu amigo!... O José ainda alcançou a ponta da gravata do desvairado! Tentava enforcá-lo vagarosamente, pois ele jamais iria pagar-lhe o imane prejuízo! O Jereba fazia do seu violão o viver diário, cobrando gorjetas a quem o pedisse para tocar uma música antiga -- assoalhada no subconsciente tal qual  jazigo! Era o seu ganha pão, pois não tinha outro trabalho, e não sabia quaisquer outras coisas, a não ser tocar violão a quem o solicitasse. As cordas do seu violão falavam plangentemente a mais merencória de todas as melodias ouvidas nas diversas de rádio.
        O violonista -- José Curselino, conquanto não tivesse tendências, adentrou a um estado de depressão nervosa. Foi, diretamente ao psiquiatra, e este lhe receitou remédios, tais como Esc(escitalopram), Amytril, Rivotril --2,5mg/ml. Estabeleceu a tabela de horários, e requereu que regressasse ao consultório antes que completasse trinta dias!
        E, sem hesitação, ele voltou ao consultório médico, requisitando outros remédios, principalmente os que o conduzissem ao estado de letargia prolongada!...
          Kalimiosto, produto de uma insânia hereditária, estrugia, de dentro do banheiro, as seguintes palavras, aliás, frases como esta:  "Eu quis te libertar deste teu violão, um lídimo empecilho, o qual vinha te mantendo no egocentro de uma soledade diuturna! Tu não conseguias andar livremente, oscilando os braços e movimentando-os, com eximição da cintura escapular. Com certeza, trazias os nervos, notadamente os que dão acesso ao pescoço em imane tenacidade. Chegaria a um determinado -- não sei quando, que apresentaria rigidez em toda essa musculatura superior, afetando de modo eximitório os deslocamentos dos membros superiores!...
    José Curselino, o grande Jereba, ouvia, com ódio intenso, essas expressões promanadas através de lições reditas pelo estúrdio implantado nas percuciências do cérebro, atinente ao degenerado Kalimiosto -- um baita de um psicopata -- posto em estado de liberdade -- sem a mínima condição de fazê-lo, pois representava uma cominação para a própria sociedade de consumo exprobratório!
          Jereba foi, novamente ao recinto do Psiquiatra Lameu, e disse-lhe o seguinte: doutor, eu não me dei bem com o Esc(escitalopram) nem com o Amytril (amitriptilina). O único que me faz, ainda dormir ao menos duas horas em vinte e quatro, foi o Rivotril gotas -- 2,5mg/ml. Desideraria de que o senhor comutasse os dois primeiros. Essa permutação, sumamente necessária, vai me ajudar a dormir um pouco mais -- ao menos quatro horas em vinte e quatro!...
     Kalimiosto resolveu transferir-se de casa, deixando uma placa indicatória: " Estou viajando para atender as necessidades prementes do meu filho, residente no Rio de Janeiro."
         O provecto senhor, juntamente com os demais alcoólatras, transferiram-se para um bar, situado na Rua Joaquim Távora, também chamada de Rua de Nazaré. Lá permaneceram por mais três dias, enchendo, cada vez mais, o bar de garrafas vazias, as quais se amontoavam nas paredes laterais. Ele lobrigava, de quando em quando, sem saber como sair desse descomunal dispêndio exorbitante. A tentativa dele era a de inverter os papéis -- passando de anfitrião para conviva. Desse modo, eximir-se- ia de quaisquer faturas, indistintamente da quantidade de líquidos alcoólicos ingeridos. Naquele  comenos, todos estavam além de bêbados, numa anormalidade cambaleante! João Menestrel era o mais lúcido de todos, embora já houvesse consumido, aproximadamente, duas grades de cerveja da marca "Antártica", isoladamente...
           De repente, num suspiro profundo, Kalimiosto vai até o portão que dá acesso à Rua de Nazaré. Por coincidência, o carteiro passa gritando pelas entregas urgentes de correspondências. Uma delas, sem que o carteiro lha entregasse, saiu sorrateiramente do seu próprio bolso esquerdo, pertencente ao terno de linho branco. E, em prantos copiosos, com voz sôfrega, e tremendo dos pés à cabeça, adentra outra vez ao tradicional bar do Narciso, e, desta feita, exclamando em voz altissonante, e, também, soluçando aflitivamente: Vocês não sabem a dimensão da catástrofe que ocorrera comigo, agora mesmo: "Meu filho, único herdeiro, fora estraçalhado por um trem, quando tentava atravessar-lhe o trilho!... Todos vieram lhe dar pêsames, e o convocaram para ir em direitura a casa onde morava por mais de meia centúria!....

                                                                Wilson Cerveira           
             
            
                
                           
          
         
              

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

MANUTENÇÃO VOCABULAR

          Como é implexo dimanar à cata da lídima palavra latente no subconsciente. Reminiscencio em cabal letargia os vocábulos inumados nos escaninhos enigmáticos de uma mente estertorada de preocupações e aborrecimentos diuturnos. Então, rememorizo em plena latência as implexidades encontradas no ramerrão existencial, representando também, os intrincados questionamentos intrínsecos.
           Preciso urgentemente da ajuda da Divina Providência; pois, como hei de lembrar os nomes perdidos nos escaninhos labirínticos da mente humana? Sim, dessa forma, ninguém obtém o redarguimento deste interrogatório esfíngico. Então, neste ínterim, afloram os enigmáticos externos que remanesceram submersos nas digressões existenciais contidas nas percuciências da memória.
            Reitero, de uma vez por todas, ao exarar que a rejeição é o pior tipo de todos  os acabrunhamentos reinantes nos diverso padrões regimentais!
     Qual a derivada benéfica, favorável ou propícia? Nenhuma das três irmãs verossimilhantes poderia acompanhar-me, para que eu possa atravessar este despenhadeiro ou abismo ou precipício? Neste comenos ou nesta ensancha, não consigo aclarar a memória, após ter sofrido o delíquio ou a síncope da obnubilação!... Deveras, a princípio, nada poderíamos perpetrar quanto ao  deletério ou prejudicial ou nocivo abalo sofrido por uma memória, a qual tenta exumar os vocábulos inumados ao longo do tempo de vivência, experimentação e sofrência diuturna!...
            Vê-se, então, a imagem sofrida do Jeremias, quase que debruçado aos pés da cruz, obsecrando ou suplicando a derradeira ensancha quanto ao ato de recordar em cada passo o olvidamento, capa ou invólucro das postremeiras palavras soçobradas com a aplicação de uma imane latência ou adormecimento por tempo indeterminado em quase todos os quadrantes vitalizados, ainda antes que viéssemos a padecer -- perante  o excruciamento peremptório de todas as mazelas coligidas!...
           Busca-se, neste ínterim, um meio de como proceder, para que não percamos, com o passar fugaz do tempo, os radicais, as raízes, os prefixos -- gregos e latinos -- assim como os sufixos assimilados obrigatoriamente. E, destarte, surde uma outra integral -- a semântica -- muito mais complexa do que toda a etimologia coligada. Decerto, o significado de cada vocábulo aparata n-termos sinonímicos, ao passo que, em se tratando de etimologia, como fora dito anteriormente, ostenta apenas: prefixo, radical e sufixo.
      Através dos tempos, os vocábulos sofrem percucientes variações de natureza semântica! Se bem que não queiramos exprobrar no final de cada análise filológica, jamais poderíamos confutar a escrita, a fonética e seu respectivo significado com o decorrer cronológico. Isso tudo é para evitar o anacronismo(sistema contrário aos usos e costumes de uma  época). Há palavras que se deixam sepultar, sucumbindo em total arcaísmo! (palavra, expressão sintática ou acepção que deixou de ser usada na norma atual de uma língua). Outrossim, em linguagens especiais, é comum a sobrevivência de algumas formas arcaicas. Por exemplo, na linguagem forense, na linguagem regional, entre  locutores de idade avançada; também, podem ser utilizadas como recurso para recriar a atmosfera de uma época -- "Romance Histórico". Sendo, igualmente, o modo de falar ou de escrever antiquado, por gosto ou imitação; tendência para empregar vocábulos ou expressões arcaicas. Como exemplo salutar, temos a palavra -- estugar, cujo significado é açodar, pressurar, apressar etc.
        Haja vista, para melhor dilucidar, temos vocábulos que permanecem em cabal latência, por um tempo imane no subconsciente, sem que exista uma maneira de afloramento mais lépido. Então, haveremos de esperar as providências de Deus, para que nos ajude a elucidar tais termos, tais como: felonia, epígono etc.
     São terminologias, quase sem motivo, que nos vêm de repente à mente. Exemplifiquemo-las: jucundo, álacre, gáudio, gládio, excepcional, formidável, esbulhar, esburgar, esburnir, espoliar, escamotear, empalmar etc.
         Jucundo, por incrível possa parecer, dá-nos a falsa ideia de pensar, que é uma palavra que exprime sinal de tristeza. Pelo contrário, jucundo tem acepção de jovial, alegre, contente etc. O som do vocábulo poderá expressar algo, mas há a predominância antinômica -- tanto assim, que o triste quanto ao ato de pronunciar, passa a ser alegre na escrita. Agora, neste ínterim, ostentamos a propugnação do digladiar das apropinquações; enquanto gáudio -- na qualidade de júbilo; ao passo que o vocábulo gládio aparata luta, batalha, combate entre duas ou mais pessoas, independentemente de quaisquer relações. Demonstra-se, igualmente, o espólio -- no sentido de herança; conquanto o espoliar significa subtração, roubo, furto de alguma pecúnia exposta ou expendida em favor de alguém que se julga ser dono daquilo que a ele jamais pertencerá. Entretanto, para reiterar o que fora dito anteriormente, temos a trilogia: esbulho, escamoteação e o empalmar, simbolizando uma retirada de alguma coisa furtivamente, cuja acepção parece ser, e o é: furto, pequeno roubo etc.
               Como é contristador chegarmos a um tempo hermético pela sua própria natureza, significando o termo olvidamento. Não olvidemos de que toda herança consta, de modo indissolúvel, no subconsciente, traduzindo uma nota máxima com relação ao percentual de certeza, ostentando a própria razão existencial vocabular.
             Há entreveros descomunais e insólitos entre as expressões de cada vocábulo; pois, temos uma dualidade: etimologia e semântica. A primeira, sem hesitação, tem acepção estática; enquanto a segunda, sem perplexidade, expende uma estruturação plenamente dinâmica. Esse dinamismo chega a ser sobejo, notadamente nas palavras que exprimem uma ideia divergente, consoante a frase a ser burilada à luz da escrita.
               Peçamos a Deus, todos os dias, que não nos deixe incapazes de reconhecer as terminologias existentes entre as palavras, principalmente constando de  algo meritório.
               A semântica se expande em diversos grupos: sinônimos, antônimos, homônimos, parônimos, e tantas outras derivadas.
            Há antônimos que se manifestam de tal forma; assim como, em se tratando de parônimos; e, também, com referência aos homônimos homógrafos e heterógrafos. Há, de tal modo, a polissemia -- em se tratando de termos que apresentam diferentes significados: manga fruta, manga de camisa, manga de candeeiro, e, igualmente, manga do verbo mangar -- caçoar, zombar, apodar,etc.
               De fato, há transformações do mesmo vocábulo, encapando-se em vários véus, deixando-nos sempre hesitantes ao longo das pesquisas e fontes, anteriormente ressumbradas!...
              Há palavras que ficam inumadas na mente humana, por tempo indeterminado. Não a procuremos. A lassidão tomará conta do tempo de espera. Quanto mais aflição, pior se torna o afloramento vocabular. Tenhamos fé, fé lídima em Jesus Cristo -- Deus Pai, Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, Deus Misericordioso, Deus Todo Poderoso, tende piedade de nós e do mundo inteiro!...
                Existem palavras cuja semântica se altera com o decurso do tempo inexorável!... A palavra formidável, em época prístina, era usada como forma de indicar o terrível, o desagradável! Hodiernamente, essa  mesma palavra significa o contrário: -- algo extraordinário, insólito, excepcional etc. Com relação  a palavra supracitada, que é "excepcional" -- fora no prisco -- algo verodissimilhante  à palavra formidável; hoje, significando as pessoas portadoras de algum distúrbio mental!
                 Podemos reiterar a ilação de que a semântica, realmente, é dinâmica em todos os seus aspectos : intrínsecos e extrínsecos. Enquanto a etimologia é, de fato, estática quanto aos seus radicais, prefixos e sufixos gregos e latinos. A palavra epígono é igual a discípulo; enquanto o vocábulo felonia tem a acepção de traição, de maldade, de raiva etc.
                 
               

                                                                                                      Wilson Cerveira




             



                                                

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

A PRESENÇA DA VISITA AUSENTE!



        Hodiernamente, com a propugnação de uma imane antítese, vislumbram-se matizes ou nuances nunca dantes lobrigadas. A cadeira, mesmo vazia, reúne a personificação de quem se faria presente naquele momento, em que medram todos todos os vazios espaços de vácuos  inexistentes!...

        Por que razões implantou-se o lembrar de ausências cumulativas? Desde quando, congregam-se pessoas inexistentes para participar de uma  presença enigmática contida, cabalisticamente, durante a misteriosa visita ausente!

     Quais os motivos que o aduzem, de modo inescrupuloso  a esses tipos visitas implantados em diversas regiões do orbe? E dessa maneira, sem motivos  plausíveis, determinam-se os vestígios de aparatos inefáveis! E, de pouco a pouco, vão-se adaptando a estilos de esdrúxulos comportamentos presentes em todos os quadrantes deste plano de épuras consecutivas.

      Alguém pergunta a respeito do ato de visitar pessoas, aparentemente abstratas, quando testadas em contestações lucrativas! E, dessa forma, estabelecem-se as ordens a serem executadas durante o revisitar diário. As circunstâncias, em pontos dispersos, estabelecem os diversos pontos dos contatos presentes nas ausências prolongadas!

        Segue-se a partir de hoje a prevalência ostentada pelo antônimo em dias hodiernos. Quando se diz: obrigado pela não visita! Agradeço as suas ingentilezas para  com a minha singularíssima pessoa! Mais uma vez, sem hesitação, prova-se a prioridade do antônimo com relação ao sinônimo, neste hodiernismo em que vivemos acompanhados pelos nossos sofrimentos!...

        Deveras, sem perplexidade, ressumamos no interlocutor os prelúdios deixados nas vacuidades  existenciais. Então, fala-se sobre a pessoa visitante, de tal modo, como se ela houvesse postado por escrito no templário vital. As características são todas coligidas, facilitando o reconhecimento  de cada componente grupal. Pleiteava-se o lado antigo, em face das anomalias remanescidas em cada senda. Também, buscava-se a fisionomia infensa como se fora o estopim do postremeiro gládio! Então, perante os recursos tecnológicos, tais como: backup, facebook etc, demanda-se ainda a identidade de um possível ciborgue, -- que é um organismo cibernético; ser humano biônico; meio humano, meio máquina; a permutar as cadeiras aparatadas pelo vazio expendido através de uma provável presença de uma visita sempre ausente!...

     Em quais circunstâncias, por mais descabidas, presenciamos o estar presente?!... Quando a visita enfarta em meio caminho, não chegando a ultrapassar a soleira da porta que dá acesso à varanda do casarão cediço, que é ostentado por uma fileira ou aglomerado de casas.

        A ausência, quando analisada pelo ponto de vista hodierno, é mais que uma presença; pois, em si mesma, congrega os elementos abstratos. Desse modo, não se pode mensurar o percentual anódino de uma lídima valetudinariedade. Nem a empatia, em sua percuciência individual, é capaz de redarguir aos questionamentos formulados durante a trajetória a ser percorrida pelos condutores peregrinos. E, destarte, cerra-se o invólucro de vacuidades prístinas!...

      Nada mais resta e nem esforço se haverá de fazer para que se torne realidade a tal presença da visita ausente! E, isso, em dias hodiernos, não se constitui quebra-cabeça de estrutura simplesmente labiríntica ou esfíngica.

       Jamais poderemos denegá-la quanto ao ato de perpetrar o que se quer exarar de modo cabal. Hoje, os aparatos tecnológicos fazem às vezes de,  em  quase todas as circunstâncias plausíveis! Para tanto, é preciso emparelhar cada peça, para que sejam redistribuídas as funções devidas em cada caso analisado espontaneamente. 

         Agora sim, temos uma saída comutativa  a que chamamos de meios personificados de imagens sucumbidas ao longo de meia centúria. Ninguém imaginava ser assim, já que temos um grupo de companheiros de trabalho, os quais estão diuturnamente  ligados e interligados!...

         Vamos preencher os vazios existenciais dessas ausências contumazes ao longo do seu eixo referencial -- assoberbado de peças de altíssima cibernética. Nesse caso, habituou-se realizar esse culto sem que houvesse determinação do postremeiro herdeiro!

         Assim sendo, somos afeitos a preservar as amizades. Lá deixamos as nossas lídimas lembranças imorredouras! E, desse modo, o salão se engalanou em todos os lugares  meditabundos, em que a obnubilação toma  conta de todos os elementos, deixando-os esquálidos em suas diversas dimensões equacionais! Também, percebe-se o sono incontido de uma pessoa preparada para receber as mais diferentes ondas eólicas!...

     Sob a égide da Divina Providência, podemos preparar os devidos lugares. Serão preenchidos por especialidades da mais opulenta tecnologia. Dessa forma, indiscutivelmente, não haverá lacunas ou omissões presentes. E, desse jeito, reconstruímos, de modo áspero, a presença da tal visita ausente!...
    Agora, desengalanam-se os assentos demarcados, ficando apenas os objetos tecnológicos necessários, para que haja, donairosamente, requestando o respectivo redarguimento premente!

        Assim sendo, escutam-se os requestamentos de vários anos!  Áudios, Vídeos etc, foram montados em cada espaço vazio. As pessoas não estiveram presentes, mas enviaram-lhes os cubos cibernéticos.

          Tudo, nesse caso, se transformou em objetos tecnológicos -- da recente e rebuscada tecnologia hodierna, sendo implantada ao longo do eixo do orbe.

          Deveras, é dessa maneira que perlustramos os devidos alvores, independentemente, quer sejam comercializados -- sob a égide da Divina Providência. Nesse caso, tudo começa a se mover, de maneira lenta, tanto para a direita quanto para a esquerda, indo e voltando calmamente para o centro principal da transmissibilidade evidente em todos os seus aspectos reais!...

                                                        São Luís,MA, 16 de outubro de 2019.

                                                                                         Wilson Cerveira

        

          


                    
          
         

        
             





















DESFILE DA PROMISCUIDADE

       Arregimenta-se, prototipamente, a tropa militar em  coluna de primeiríssima ordem, para que sirva de arquétipo com relação a uma cabal altivez patriótica. Do lado oposto, ordena-se o pelotão de alunos de uma escola, com exclusividade quanto à manutenção do garbo nacionalista. Desta forma, promana-se a verve do amor para com a pátria, dissimuladamente. Esta sempre foi a nossa falaciosa história. Éramos de menor  idade, e movidos pelos hinos e demais manifestações, íamos inflando o peito de júbilo -- diante de fatos burlescos, os quais não foram narrados de modo completo, mesmo estando à margem de uma estória capciosa sob todos os pontos plausíveis de vista.

       Realmente, este recinto colegial fora o meu encetamento na vida de alunos que se postavam em posição de sentido, no momento em que escutávamos o "Hino Nacional", e assistíamos ao hasteamento da "Bandeira do Brasil"!..., que é uma peça de tecido, geralmente presa na ponta superior de um mastro, com cores diversas e outros símbolos, usada como representação, duma facção, dum grupo, duma nação ou dum  país. E, quando estivermos enfastiados com o vocábulo bandeira, podemos investi-lo  na condição de sinonímias, tais como: estandarte, lábaro, pavilhão, pendão, vexilo etc.
    
    Nesse período de meninice, trazíamos no intrínseco as ideias avulsas de entretenimentos revolucionários. A pátria, berço dos que nela  nasceram, representava o símbolo de honradez inexpugnável perante tantos outros países ostentadores de etnias cabalísticas. Assim sendo, o esfíngico aparata as suas diversas nuances ou matizes, variegações multidisciplinares. Deveras, desfilávamos pelas ruas da cidade de São Luís do Maranhão!... Cada estabelecimento de ensino pleiteava  o primeiro lugar, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto...

       Gerávamos, de maneira inopinada, o gáudio a percorrer toda a nossa circulação sanguínea, ao passo e descompasso do hormônio adrenalina!... Dessa forma, os  corações jovens justificavam o ribombar de uma saudável taquicardia, que era apropriada àquele átimo de lídima comoção reptativa!

         Lembramos o rataplã de um instrumento musical do tipo membrafone, consistindo de uma membrana esticada sobre um tubo ou caixa de ressonância que pode ser de vários formatos! Também, temos os toques das cornetas que auxiliam os tarós e os surdos, marcando e evoluindo gradativamente a cadência, a harmonia e o ritmo musical estabelecido pelo conjunto!

         Eis um dia de ritmo patriótico que se foi postar no hesterno, desprezando  as fugazes remanescências do hodierno; e, também sem que houvesse resquícios de vaticínios dirigidos a um crástino inexistente em sua máxima plenitude! E, deste modo, iríamos colocando em seus respectivos álbuns de retrato, as reminiscências inolvidáveis de um prístino tempo..., e assim sendo, celebraríamos, mesmo contristados, os comenos álacres, debruçados nos priscos bancos escolares do vetusto Antanho. O tempo  de preparação para o desfile era de um mês integralmente. Começávamos no dia cinco de agosto, e íamos terminar no dia oito de setembro. Atravessávamos todas as fundamentais datas festivas: no dia 25 de agosto, naquele tempo, hoje em cabal estado de putrefação, reverenciávamos o Duque de Caxias, patrono do Exército Nacional! Logo, em seguido, partíamos em direitura ao dia cinco de setembro, onde desfilávamos para contingenciar o dia da raça. Dois dias, após o mencionado anteriormente, deparávamos o sete de setembro, que o dia da proclamada Independência do Brasil, relembrando a pátria, a obsoleta pátria querida!... E no dia seguinte, para espantalho de todos nós, vinha o dia oito de setembro em que se comemora o aniversário da cidade de São Luís do Maranhão!

      Não se ouvem mais os lídimos rufares dos tambores nem tampouco os acordes metálicos das cornetas! Os sons dimanados não se parecem com hinos patrióticos. A mixórdia sonora reúne uma imane ritmia de toques gerais, lembrando mais a imiscuição de notas diversas!... Parece mais um  carnaval sem máscaras -- este desfile que não mais o vemos, que é o propalado  "Desfile da Promiscuidade".

        Concernente aos trajes adequados para enfrentar uma passarela engalanada, temos a certeza de que fardas não existem mais!..., pode-se corroborar sobre a imiscuidade existente nestes nossos cruentos dias de hodiernidade obnubilada plenamente. Sim, são dias de sarça ardente, pois o fulgor foi expungido, remanescendo apenas as cinzas de um hesterno distante.

      Os pelotões hodiernos descaracterizam-se de modo cabal; pois, é uma mistura explosiva de alunos pertencentes a diferentes escolas! Esses discentes aparatam uma promíscua estação de variegações em cabal despautério!... É como se os estabelecimentos de ensino se fundissem num só! Então, perdeu-se o que havia de mais digno -- que era a identidade particular de cada escola. Deveras são grupos que se juntam para ressumbrar a degenerescência humana em todos os ângulos plausíveis -- quer sejam possíveis  ou impossíveis!...

         Dá-nos a impressão de uma festa de Momo, arrumada na postremeira hora, onde não se ouvem mais os ritmos  patrióticos dos pelotões de outrora, os quais desfilavam  com garbo juvenil, quando promanavam as suas lídimas individualidades de um soer constante e intransferível em todos os espaços  existentes e inexistentes!

      Hoje, as fardas de gala ficaram penduradas nas cruzetas dos diferentes guarda- roupas. Os sapatos para os respectivos mistifórios se revestiram de mofo, em virtude de não terem sido usados por muitos anos cumulativos. Então, o chinelo japonesa remanesceu em cada pé. A calça comprida fora comutada pela bermuda colada até nos joelhos, com zipe de descida e subida frouxamente! Mais além, promiscuindo-se aos poucos, surde o pelotão dos calções de banho -- como se o desfile fosse realizado nas praias ludovicenses, estando em direitura ao rumor das ondas que vem e que vão, consecutivamente. Existem também pelotões de índios desnudos!... Outrossim, o estandarte fica enrolado debaixo do braço, na condição de desodorante da modernicidade ou modernidade heteróclita e repleta de antinomias abstrusas.

        O ritmo da marcha ficou caracterizado como sendo um carnaval desestruturado e, cabalmente, fora de época. Os hinos patrióticos foram comutados por trechos dispersos de músicas carnavalescas, cujas letras não valem sequer um comentário coerente! Os erros prosseguem em seus cânticos lânguidos! Desse modo, os participantes não necessitam mais de assistentes; pois, todos, sem exceção, perderam as identidades e os padrões que dão ensejo àquilo que se denominou no pretérito -- de desfile patriótico. Hodiernamente, temos uma promiscuição perfeita, olvidando-se , totalmente, o que se fazia no prístino!... 



        
         
         

       


       

terça-feira, 10 de setembro de 2019

PRAZER PATOLÓGICO

        Esmerindo expungia a remanescência da volúpia do aborrecimento, no exato átimo em que entrava em contato com o prazer que lhe fazia bem; malgrado fosse cabalmente deletério para  si mesmo, e, também, no que concerne a sua própria família acompanhada por vários netos de diferentes faixas etárias.
      Doutor Luzerna compulsou as diferentes nuances do comportamento de Esmerindo. Ao término de tantas pesquisas, chegou a contactar as seguintes ilações: visão, audição, olfato, paladar e tato. O seu prístino cliente expendia somente o regalo do seu prazer patológico. Se estivesse portando o microfone -- uma espécie de tubo cilíndrico -- amarrado  por um cordão, descendo até a altura do esterno torácico. Assim sendo, realizava através de cada sensória a sua permanência definitiva naquela função que não lhe restituía  sequer o bem que praticara assiduamente. Difundia conhecimentos variados por meio daquele fone, que era o seu objeto de natureza mórbida. Deveras, conquanto reconditava a valetudinariedade , exibia para si mesmo a fruição que sentia quando degustava as palavras emitidas sonoramente. Também, associava aos demais órgãos dos sentidos. Aquele objeto, acima descrito, completava -- a cada passo -- os desideratos intrínsecos; e, com a sensória aguçada, ia olfatando os fluidos  promanados!...
      Quem o visse na rua, jamais evagara ser ele o mesmo homem de cabelos encanecidos, e sempre se queixando das suas parcas condições financeiras!...
       As sensórias do Esmerindo não eram utilizadas coligidamente. Preferia perpetrar o seu instinto do prazer mais que patológico, fazendo auto-fruição de cada uma delas,  num interregno imane do devido órgão sensorial.
    Se fôssemos ordenar o sequencial de ação sensória, não saberíamos precisar a orquestração da mais importante no conjunto harmônico de seus deleites fruitórios. Quiçá, pensara no pronunciamento de um maestro perplexo, não sabendo ao certo a lateralidade mais correta em direitura ao âmago regencial dos instrumentos...
       A lascívia mórbida do microfone, sem hesitação, somente  exercia a lubricidade se estivesse com o microfone cilíndrico pendurado ao bel prazer do seu longo e estreito pescoço. Se surgisse colado ao esqueleto do radialista, o valor tornava-se ofuscante de tal maneira -- que realizaria a analgesia  de todo o seu sistema nervoso central e periférico!
       Ninguém até hoje ostenta um comportamento verossimilhante a este homem, cujo heterônimo era Esmeridão. Sendo assim, ele esperava o átimo, a ensancha, o comenos -- para que alguém lhe pusesse o microfone, cerimoniosamente, pendurado ao seu pescoço através  de um calibroso cordão. Esquecia qualquer pecúnia necessária ao sustento diário de sua família e de uns agregados netos, nascidos por meio de uma prenhez da orfandade!... O que importava para ele, única e exclusivamente, era o seu deleite valetudinário!
       Conquanto seu corpo exibia uma estrutura constituída  de pele e ossos aflorantes à superfície epidérmica; ia morrendo pelo orbe afora, com o objetivo de locupletar a carência mórbida, a que determinava o andar em direção a emissora da extorsão cabal. Nunca lhe atribuíram, mesmo por clemência, qualquer ganho --  por mais somítico que pudesse aparatar diante dos inúmeros olhos de invídia crônica e fatídica!...
       Ninguém sabia ao certo o diagnóstico delineado pelo Dr. Luzerna, um dos luminares da Psiquiatria em dias hodiernos. O que mudou, de fato, neste círculo vicioso contínuo foi o próprio tempo oscilatório, abrangendo o trinômio de sua expansibilidade: hesterno, hodierno, crástino.
       Até então,pensava-se que ele, de imediato, fosse chamá-lo. Esmerindo não passa nada bem com relação a síndrome delírio alucinatória que o acometera todas as vezes que o psiquiatra tenta marcar o respectivo dia de sua visita!...
    Mas, desfeita,  a primeira imagem onírica, ainda pôde vislumbrar, através de percucientes levantamentos psicanalíticos, distúrbios etológicos do Esmerindo.
       Ei-los, arrostadamente, -- frente a frente, para que possamos aquilatar as diferenças existentes com relação ao dissimulado comportamento humano, que sofrera afloo em todos os minúsculos questionamentos de um diálogo aberto.
      Ambos assentaram-se de modo frontal, para que, em todo caso, chegassem a um diagnóstico convincente. O médico -- Dr. Luzerna,  com  respaldo, dissera de antemão: "O meu cliente -- Esmerindo -- ressumbra uma psicopatia de natureza obsessiva e compulsiva!...
      Nada está concluído em termos de mente humana; pois, o inacabado estimula o desiderato para prosseguir senda adentro. O que é insânia, hoje, pode ser no porvir um tipo de espairecimento para a terapia de uma outra anomalia verossimilhante!...
       Deveras o prazerismo patológico pode encetar de dentro da casa. Após, alguns meses de, de intensa demanda; -- pode ser restaurado parcialmente e ganhar ruma a fora. Não há mais estremaduras que lhe queiram tolher os movimentos desarmônicos das atitudes combalidas...
       Esmerindo, durante este comenos, prosseguiu em tácito silêncio!... Enquanto, o  Dr. Luzerna providenciava acender o  seu cachimbo, veio-lhe à mente que, apesar de ser o psiquiatra afamado, "não deixava ensancha", para que fosse perturbado por uma série de ideias e pensamentos obsessivos. De fato, considerava-se um psiquiatra psicopata; conquanto, a declinação lhe abstraísse a clientela! A  verdade, pouquíssima dita nos dias hodiernos, transformar-se-ia numa espécie de sânie inevitável em todos os sentidos e direções plausíveis e plangentes...
       O que mais ocorre no orbe é o título de DOUTOR, malgrado  seja um visual vocativo, trazendo no seu intrínseco as lidimidades  que não podem ser declinadas durante o exercício tal profissão... A equivalência disfuncional entre paciente e o profissional rompem qualquer linha de sutura. Realmente, ele tornar-se-ia incompatibilizado quanto ao ato de exercer a sua profissão de médico psiquiatra, após doutorados e pós-doutoramentos!...
       
       
       
       
        

       




       

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

ÓDIO SEM MOTIVO


     
     Doutor Calístenes, em companhia de suas duas bengalas, acabara de atravessar a “Praça dos Prazeres”. Porventura, uma região de sua mente ia obliterando o estado de perclusão. Nessa ensancha, pensaria que, possivelmente, expiasse as limitações do seu próprio corpo. Desde então, a partir dos quarenta, ficara a depender de um par desses artefatos, os quais serviriam para impulsioná-lo em direitura à vanguarda. Também, não perdera o hábito de ler quaisquer notícias, mesmo que o papel divulgatório estivesse no chão. Com que sacrifício arrostava as dificuldades oferecidas pelo ramerrão existencial. Há poucos dias, lera o artigo que falava do ódio improcedente. Mais tarde, tornou a lê-lo, com acuramento, uma vez que, decerto, a memória ia expungindo, pouco a pouco, redundando no olvido sempre presente.
     Hoje mesmo, de maneira inopinada, Ladislau veio-lhe fazer uma visita amistosa. Após prolongado silêncio, dirigiu a palavra ao Dr. Calístenes. De fato, o referido médico psiquiatra era um leitor assíduo de vários psicanalistas. Destarte, fundamentava-se quanto à discussão do mais bárbaro psicopatismo reinante. Também, há anomalias mentais diversificadas. Não se pode, peremptoriamente, determinar qual é a pior de todas, pois a extensibilidade é progressiva e comutativa.
     Deveras, na concepção de ambos, Eletério era um tipo heteróclito, com predisposição ao mais grave descontrole mental. Qual seria o mesmo, -- perguntar-se-iam, já que existem muitas barbáries, as quais se dispersam por todo o orbe. A criminalidade é um desvairo impressionante, independentemente de quaisquer linhas de transmissão.
     Dr. Calístenes depreendia a disfunção gerada pelo arguto e arredio senhor das estúrdias, que era um homem dedicado apenas aos hábitos diários ocorrentes na própria casa, onde morava, perfazendo um interregno de tempo correspondente a seis decênios. Assim, processava-se a vida do caseiro – Eletério. Então, o próprio psiquiatra e psicanalista recordava-se de que o caseiro fora o assassino atroz – do homem que o protegia. Mesmo sendo rapazola de pouco tempo, perlustrava-se que ele se enchia de raiva incomum, quando contemplava uma fisionomia execrável em toda sua concepção de vida humana. Quase todos nós, íamos acompanhando os passos etológicos – de natureza patológica – relacionados ao âmbito de valetudinariedade que o acometera abruptamente!...  De quem herdara imane rejeição? – Decerto , pertenceria à raiz paterna ou  materna, e, talvez, ambas contribuíssem para que  ele odiasse, gratuitamente, pessoas que ostentavam traços fisionômicos que lhe causavam extrema e intransigente ojeriza.
     O sujeito Eletério passara trinta anos recolhido na cadeia pública da cidade de Alcântara do Maranhão. Nesse caso, ele estava a expiar o crime que perpetrara contra o seu próprio pai adotivo e patrão – Elisidério. De fato, o impostor ou implicante resolvera dar cabo à existência continuada do patrão, matando-o com foice, para, em seguida, cominuí- lo. Colocando os seus fragmentos dentro de um cofo! Posteriormente, arremessou em direção à descomunal sarça, tendo, antes de tudo, amarrado o aparato com vários cordões de barbante!...
     Ao receber o propalado indulto, que é o tal ato de clemência governamental, concedendo desculpa ou remissão parcial – pelo ato perpetrado criminalmente, Eletério prosseguia paranoica no que se refere a efígie enigmática. Absconditava-se em sarças para observar acuradamente, de modo hiper-obsessivo, a passagem perfunctória de um certo número de transeuntes, durante aquelas manhãs de percuciente hesitação, em que as pessoas se deslocavam em direitura à Avenida dos Consolos, a qual passava no centro dessas duas sarças de fogo cálido!...
     A sua rejeição quanto ao rosto pertencia a um determinado grupo de infensos gratuitos, ou seja, ascendentes de várias gerações!... Algumas delas lembravam algumas verossimilhanças de um grau de parentesco bem distante, ultrapassando a vigésima camada genealógica; conquanto não houvesse nada que corroborasse geneticamente. Outras, em número mais restrito, aparatavam as imagens execráveis que o perseguiam diuturnamente, aduzindo-o ao estado de vigília patológica...
      Eletério, há muito, decerto, não aparecia em público, para que não fosse reconhecido, e, a posteriori, morto. Há meia centúria, sem perplexidade, os crimes hediondos permaneciam intactos na mente, sobretudo em concernência ao grau de afinidade amistosa...
O seu pai adotivo e patrão – Elisidério, com máxima convicção, ainda possuía alguns parentes bilaterais, formando um eixo dicotômico expressivo. E, também, a sua efígie ficasse a pulular diuturnamente, e remanescesse à cata de algum outro, que viesse tomar-lhe as devidas perquirições supracitadas...
     As suas premonições ressumbravam uma bala perdida vindo, paulatinamente, atingir-lhe a cabeça ou o tórax – com destinação ao órgão cardíaco. Naquele momento em diante, expungir-se-iam, de maneira peremptória, os seus caracteres físicos. Ninguém da família do perecido redarguiria a este arquétipo humano!... Todos encontravam-se predestinados e com o direito de exarar os auxílios prestados através de uma cadeia de terceiros... Todos, sem exceção, regiam com maestria a sua delirante orquestra, uma vez que o maestro, coluna vertebral de toda a arte sinfônica, garantiria as minudências do ato mantenedor e harmônico dos belíssimos clássicos...
     Eletério cismou com o Ladislau, amigo íntimo do Dr. Calístenes, quando dissera de modo altissonante: “Este sujeito, cujo nome de Batismo, fora registrado em cartório com as letras de Elisidério, seria capaz de cometer outro trucidamento. Desta feita, com as características de um baita estroina, que procurava alguém, somente pelo bel prazer de matar, sem que houvesse motivo algum!...
     De nada mesmo, adiantariam as mesuras, os bons tratamentos, uma boa oferta em pecúnia, e tudo mais!... A psicopatia obsessiva compulsiva não permitiria tal procedimento. Matar-se-iam os homens, sem motivo e sem razão alguma!... Simplesmente por uma rejeição patológica com relação aos seus laivos fisionômicos, os quais ressumam sempre inocuidade cabal.
     O psicopata – o mais perigoso de todos – é aquele que mata a pessoa sem reconhecê-la e sem apreciar-lhe as numerosas virtudes que ela aparata no seu intrínseco!
     Desse modo, o inexplicável e o ininteligível, ambos ficam por conta do fragilismo da própria psiquiatria nos dias hodiernos. Esse ramo importantíssimo da Ciência – neste somatorial de redes neuronais – fica a dever revelações mais contundentes, e capazes de mitigar as perturbações mentais que acalentam os neuropatas, deixando-lhe uma porção infinita de meandros interligadores, propugnando as teorias dos mais ferrenhos, sobremodo os que não querem reconhecer essa descomunal vacuidade, abrindo espontaneamente a palma da mão, para a execução solene da melancólica música da férula!...
                                                      

                                                                        Wilson Cerveira

    

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

DESEDUCAÇÃO JUSTIFICADA




     Petronílio e Josefa tinham dois casais de filhos: dois meninos e duas meninas. Tanto as meninos quanto as meninas eram gêmeos univitelinos. Esses de crianças desenvoltas foram observando a deseducação ostentada pelos pais. Desde o assento na poltrona até os últimos pormenores!... Os pais davam sempre maus exemplos. Do sentar ao deitar aparatavam defeitos inaceitáveis, os quais, no porvir, iriam prejudicar os filhos.
     Petronílio sentava-se no sofá como se quisesse cair. Por trás do seu corpo, passaria um violão ou um violoncelo. O cóccix seria, no caso, o osso de amparo, remanescendo uma curvatura descomunal, abrangendo as demais regiões da coluna vertebral: cervical, dorsal, lombar e coccigeana.
      A mãe – dona  Josefa --, repetia, integralmente, o comportamento do marido, colocando sempre o cóccix como referência. Os filhos, também, começaram a reiterar o mesmíssimo comportamento defeituoso. Então, todos passaram a usar o cóccix – como o osso de referência, decerto, para anteparar os seus corpos no ato de sentar-se. As curvaturas aparatavam a mesma analogia. Irregularidades essas que iriam refletir, de modo mais recrudescente nestas crianças: Ladileu, Catileu, Ladiléa e Catiléa.
     Os demais hábitos aparatados pelos pais das quatro crianças, sem perplexidade, ostentavam graves comprometimentos. Um deles era o de meter indicador no nariz para remover o cerume acumulado. Após esta falta de higiene, Petronílio e Josefa não lavavam as mãos com sabão! Também, enfiavam os dedos da mão entre os dedos do pé, como se quisessem se safar de alguns pruridos mitóticos. Logo em seguida, sem higienização, pegavam os pratos e os talheres. Destarte, entornavam comida nos recipientes da mesa, exatamente, onde faziam as refeições. Além do mais, abandonavam a faca e o garfo, e, também a colher, indo comer com as próprias mãos sujas de impurezas. Dessa forma, adquiriam verminoses de diversos tipos; assim como, protozoários parasitas diversificados.
     Como é péssimo ter um casal de exemplos perniciosos! As crianças iam seguindo as mesmas mazelas repassadas por pessoas adultas, providas de cabal deseducação! A pior de todas as heranças é um mau exemplo, que é oriundo no encetamento vital. Essa má herança vai se difundindo aos poucos, contaminando todos aqueles que as assistem no limiar da vida. É tal qual uma epidemia sem freios, que se dissemina por todos os quadrantes ladeados à vida de cada criança, buscando sempre uma insensatez com percucientes estigmas!...
     Geralmente, filhos de pais capitalizados têm o suplantar de suas ações deseducacionais, com certeza, como se estivessem na prática do espairecimento de suas ações jocosas! Quando saem em correria, sempre serão chamados de atletas, e nunca, em tempo algum, receberão o cognome de ladrões!...
     Os pais utilizam seus aparelhos sanitários, de modo bisonho, acocorando-se sobre eles. Num descuido de uma porta entreaberta, lobrigam esses posicionamentos corporais – plantando  os calcanhares no lugar do assento. Dejetam como se fossem animais irracionais! Destarte, sem perplexidade, temos uma amostra deseducacional, que se tornou justificada devido ter como exemplo protótipo – os próprios pais.  E, dessa forma, indubitavelmente, ambos reforçam essa prática esdrúxula, deselegante e deletéria – sob todos os pontos de vista. De modo verossimilhante, a pior ou a melhor das heranças são os exemplos que nos são repassados pelos nossos ascendentes.
     Educação é um conjunto harmônico de regras. Em dias hodiernos, numa inversão cabal de valores malogrados – o erro passou a ser acerto; enquanto o correto tomou a configuração de errado!
     Difícil é compreender esse psicologismo patológico, uma vez que, em cada comenos, há um ressumbramento de natureza abstrusa, heteróclita e antinômica. Realmente, o menino ou menina saem de casa, em direitura à escola, aduzindo todos esses estigmas. Adentra ao colégio, e, pouco a pouco, vai desenvolvendo os maus hábitos trazidos do ambiente familiar, no qual, em sua totalidade, são vislumbrados os péssimos exemplos oriundos da maldita herança paterna!
     De repente, nada mais que de repente, Ladileu e Catileu (ambos gostavam de jogar bola); enquanto, sem hesitação, Ladiléa e Catiléa (ambas apreciavam o ato de brincar com as mais requintadas bonecas eletrônicas). O casal Petronílio e Josefa olvidavam o rebuscamento existente numa época em que a tecnologia mandava, através dos seus repimpados recursos, de ponta a ponta, nos esfíngicos meandros de uma “Era Cibernética”.
     Prematuramente, as crianças avançavam o curso dessa parafernália tecnológica..., pois iam revelando os intrincados mecanismos presentes nesses brinquedos ostentadores da mais proeminente arrancada do labiríntico orbe dos brinquedos deslumbrantes!...
     Sim, não tenhamos nenhum arquétipo de perplexidade, em exarar que elas riem e chorem ao mesmo tempo, simbolizando a unificação da vida com a morte. Afinal, sem dubiedade, partem em direitura a inusitados artifícios eletrônicos, os que ressumbram a manipulação harmônica de todos os aparatos interligados por meio de uma imane tecnologia reinante. Os pés acabam por se movimentar livremente, acompanhando o cadenciamento dos membros superiores – formando, dessa maneira, um só arquivo funcional reinante.
     As atitudes dos pais ficavam à cata daquela condição de ser humano. Ressumbraram-lhes os perfis desses ciborgues altamente expressivos. Orientam todos os seus comportamentos – do mesmo modo – cabendo entre os espaços imanes. Outrossim, discentes e docentes ficam perplexos; pois, eles têm diante de si a imagem extenuada de um ciborgue: organismo cibernético, ser humano biônico: meio humano, meio máquina. Destarte, vamos caminhando numa vereda comutável em todos os sentidos e direções existentes!
     Em casa, as crianças continuam a receber o mesmo fluxo negativo. Banheiros com portas abertas. Os pais acham que devam desvendar, prematuramente, os enigmáticos melindres corporais. Desse modo protervo, pais e filhos acabam banhando juntos. O desnudamento é copioso, em sua totalidade, sem que percebam a doação da má herança do pior exemplo. Pois, não adianta precocidade, uma vez que, sem dubiedade, a vida vai sendo ressumada conforme o tempo de crescimento contínuo. Salacidades são meios deseducacionais perigosíssimos!... E é de bom alvitre declinar o seguinte: cada coisa tem o seu devido tempo!
     A voz a ser retumbada é uma só: quero vê-los a estudar diariamente, marcando, no mínimo, uma hora para cada disciplina, e que sejam mantidas de acordo com suas prioridades emergenciais, em que concerne aos mais diversificados e implexos concursos públicos.
     Petronílio e Josefa têm uma loja variegada com relação aos mais esdrúxulos artigos e especiarias. É um comércio que vende um pouco de tudo! Ressalte-se que o bombom ioiô está presente, sendo amarrado por um elástico, facilitando a jocosidade de quem o impulsiona para frente e para trás, num ir e vir constante, e que, de maneira concomitante, disputa com o colega...
     Todos os colegiais queriam comprá-lo, como se fosse algo sumamente necessário e imprescindível com referência ao que devamos participar. Lá, também, tem balões, pipas, fogos artificiais e tantas outras especiarias ostentatórias. Então, não percamos a ensancha, pois, a vida é curta e surpreendente. Quando pensamos que estamos aqui, estaremos, decerto, lá; bem longe, buscando sempre um equilíbrio para viver sob a égide alumbrática da “Divina Providência”.


                                                                  
                                                                  Wilson Cerveira Marques                           

    




terça-feira, 30 de julho de 2019

DESEDUCAÇÃO PATOLÓGICA




     Ninguém, sequer, divagara o comportamento do pós-doutor – Ligério Ariendas. Quando o viram pela primogênita vez, ele já havia ultrapassado a casa dos sessenta anos. Em verdade, ele residia na Dinamarca desde o período em que nascera, e, aos quatro anos, fora colocado no “Jardim de Infância”, designação para os três períodos iniciais da vida escolar. Somente a sua professora – dona Litizuana saberia caracterizar-lhe o etológico.  Algumas fotografias tiradas no jardim dinamarquês podem ressumbrar o seu perfil.
     Vivia mais tempo em pé, afastando-se um pouco do assento. Algo heteróclito, antinômico e abstruso! Alguma coisa o impedia de sentar-se. E, em determinado dia, o vigilante da escola – o senhor Egberto – apropinquando-se do menino, surpreendeu-se quando o observou colocando palitos de dente, em ambos os bolsos traseiros da calça azul, a que fazia parte do uniforme, seu vestuário predileto.
     Que patologia seria essa, que há muito vinha se arrastando à sorrelfa, e que não chegou a ser analisada à luz da psicanálise pelo Dr. Freud nem por Dr. Jung. Ambos divergiam em suas opiniões, mas tornaram-se os luminares da psicanálise!...
      Tudo tem por encetamento o período pueril, e é como uma roda gigante que se fecha paulatinamente, indo acoplar-se no interregno cognominado senescência. Os dois icebergs encontram-se, miraculosamente, na fase peremptória e de peroração do crástino vital!
     Para compreender melhor esta derivação deseducacional, seria salutar inserir o parágrafo da “consciência”, segundo Jung: ‘A consciência tem como núcleo o “eu”, sendo o sistema que mantém o contato do sujeito com o mundo interior em processos psíquicos internos, e exterior, o ambiente, a sociedade’. Para Wurzba, a consciência tem como principal reconhecer o mundo exterior por meio da porta dos sentidos, como a traduzir criativamente o mundo interior para a realidade vizinha.
     Dessa forma, os sentidos permitem perceber que algo existe fora de nós, que será identificado pelo processo perceptivo e que em seguida será avaliado positiva ou negativamente, ou seja, lhe será atribuído um valor.
     Outrossim, o inconsciente pessoal carrega nossas percepções subliminares após o nascimento, nossos complexos e desejos pessoais, compondo a camada mais superficial dos conteúdos, na qual a separação com o consciente não possui rigidez.
     E, de forma abrangente, como define Wurzba, são conteúdos que perderam a energia psíquica e caíram assim, no esquecimento, e aqueles conteúdos que foram percebidos pelos órgãos dos sentidos, mas não foram retidos pela consciência. Ou seja, todos os conteúdos que passaram pela consciência, retidos ou não. No entanto, eles podem irromper na consciência por meio de lembranças, sonhos e fantasias.
     Decerto, devamos providenciar uma genealogia, para que ressumbremos os membros de cada geração, em sequência até a décima, tanto do lado paterno quanto do materno. Não adianta tantas procrastinações, haja vista a complexidade existente com relação ao ascendente, que dera origem a imane anomalia presente na descendência desse menino!!! Os palitos situados nos bolsos direito e esquerdo da calça – em sua posição traseira! É alarmante assistir ao tal distúrbio, desde a fase da puerilidade comprovada.
     Após vários dias de protraimentos advindos de muitos cruzamentos entre ascendentes de ambos os lados, descobriu-se, então, em surpreendente comenos temporal, que era atinente ao seu decavô materno. Sendo que, desta feita, tinha a natureza maligna, malgrado não o fizesse desde o encetamento. Ligério Ariendas tinha por predileção patológica, indubitavelmente, espetar as nádegas dos colegas que ficavam localizados na parte posterior dianteira, tomando por referencial o assento no qual se punha sentado durante o período letivo.
     O tempo, de súbito, submergia na efemeridade! E, nada mais do que de repente, chegou ao cargo de Gestor da escola onde estudara – do jardim ao terceiro ano científico. No entanto, não preferia ficar somente no âmbito educacional! Nutria, dentro de si, a vocação correlacionada à área da saúde, notadamente, a médica. A partir daí, aprofundar-se-ia em estudar, de antemão, a sua disfunção orgânica patológica.
     Carvalho pontua que Jung acreditava que todo mundo teria um pouco da característica das múltiplas personalidades presentes nos esquizofrênicos, entretanto, na maioria das pessoas elas eram organizadas pelo ego, o centro da nossa identidade. Essas múltiplas personalidades, Jung chamou de complexos, e estariam localizados no inconsciente pessoal.
     Jung considerou que o ser humano nasce inconsciente e traz com ele conteúdos herdados de seus ancestrais. Também, considerou o inconsciente coletivo como sendo um grande divisor de águas em seu trabalho. Formado pelas camadas mais percucientes do inconsciente, o coletivo seria composto pelos elementos denominados de arquétipos ou imagens primordiais, núcleos que são passados de geração em geração de forma psicobiológica. No caso, a criança nasce com padrões de comportamentos herdados da humanidade.
     De certa forma, a pessoa não se lembrará destas imagens conscientemente até que tenha necessidade de reagir da mesma forma com a qual os ancestrais precisaram agir. Nestas situações, são comuns reações de “como consegui fazer isso?” ou “nem sabia que era capaz de fazer isso”.
     Reitero que, conforme opinião de Carvalho, não há nada de místico ou esotérico e não é como se todo mundo estivesse ligado por uma espécie de energia cósmica, ainda que muitas pessoas acreditem nisso; mas como se houvesse uma camada geral do inconsciente. “É como o código genético, digamos assim: cada um tem o seu, mas também há o genoma humano, que é composto por todas as combinações possíveis de DNA. Isso seria o inconsciente coletivo”, elucida.
 
     Com denodo a todo custo, o moço Ligério Ariendas obteve nota suficiente para passar no vestibular de Medicina. Nesse caso, com certeza, seria um dia médico de alguma clínica particular, ou, então montaria seu consultório, conforme desejo de seu pai – Erialto --, nos baixos de um vetusto sobrado, que herdara do seu bisavô, e que completaria três centúrias, pois fora comprado anteriormente pelo seu pentavô – Ararildo --, sujeito de grandes negócios para o seu tempo. E, em se tratando de tempos hesternos, porventura, não seríamos mais cousa nenhuma, apenas um simples contador do tempo fugaz, que passa no sentido colapsal de sermos inumados – após cabal inermidade de nossos membros superiores e inferiores!...
     Os arquétipos são o assunto norteador de Carl Jung, assim como o inconsciente. E, destarte, como define a psicanalista Andréa Ledislau, de forma geral, paradigmas ou imagens primordiais são traços do inconsciente coletivo que não são observáveis em si, somente podemos percebê-los por meio das imagens que estes proporcionam. Contudo, representam disposição viva e inconsciente de formas ou ideias em sentido platônico que, instintivamente, formam e influenciam seu pensar, sentir e agir – explica o psicanalista. É importante ressalvar que por comporem o inconsciente coletivo, estas formas e ideias são herdadas por meio da evolução da espécie e seu acesso é indireto, através de devaneios, por exemplo. Estes são reiterados coletivamente em todas as culturas e em todos os tempos. A experiênciada morte é arquetípica, por exemplo; do amor também, da maternagem, da paternagem. Cada cultura criará suas próprias imagens para dar conta desses experimentos, e aí o exemplo seria o que há de comum em todas elas, sem conter suas especificidades, dilucida o .psicólogo junguiano e coordenador de grupos de estudo sobre psicologia analítica – Pedro Teixeira Carvalho.
     Dr. Ligério Ariendas, após ter concluído o Curso de Medicina, continua utilizando o mesmo ato de furar!... Trocou apenas o objeto, que era o palito, e, agora, passou a ser a agulha. Tanto aplica injeção em si como também nas pessoas que vão ao seu consultório. Prefere prescrever a medicação por via parenteral – intramuscular, endovenosa etc. O seu efeito é mais emergente, agindo em todo o organismo por meio da corrente sanguínea. É muito mais eficaz do que qualquer medicação por via oral!...
     Todas as nossas reações são de prototipismo basilar. Ao sairmos do útero materno, independentemente de quaisquer circunstaâncias, trazemos as informações genéticas contidas no DNA dos nossos genes.
      A complexidadeestá em desvendar todo o intrínseco, já que, em postremeira análise, somos um somatório implexo de enigmas genéticos. Há genes recessivos que permanecem milhares de centúrias em   latência! Quando se manifestam tendem para o salutar ou, então inclinam-se para a deleteriedade.
     Fora o Diretor do hospital, sem hesitação, que determinara expressamente, que todos os que estavam nas respectivas áreas direitas, receberiam seus alimentos por via parenteral. As agulhas se, já se faziam presentes. Desde já, Ligério Ariendas, recordou-se do seu tempo de menino brejeiro! Furava o seu colega da frente com um dos palitos de dente, ou de outro modo, a si próprio, projetando as impressões dos dedos do pé e da mão!!!
     Dr. Ariendas adendava mais um curso de nível superior ou vários cursos de pequena monta; entretanto, continuava espetando os seus companheiros de classe, numa jocosidade a toda prova!
     Pretendia adotar o baixo preço da consulta, visto que o salário mínimo era miserável, já que os tais presidentes de repúblicas os adotava, com desfaçatez, para matar a população por falta de nutrientes essenciais!... A via parenteral, como é sabido, atua mais brevemente e com mais eficácia. Ele, então, portador do Curso de Enfermagem, após ter se laureado em Medicina, obiciaria quaisquer reclamações e punições, já que pertencia ao curso assistencial de Enfermagem.
     E, destarte, ele mesmo aplicaria as injeções que prescrevia aos seus pacientes. Nada custaria, e os pacientes teriam a convicção que estavam sendo bem aplicadas as ampolas por ele receitadas. E, desse modo, ia revendo e vivenciando as jocosidades do período de criancice, satisfazendo, sobremaneira todo o seu ego, com bastante vacuidade exercida pelas horas, minutos e segundos decorridos.
      Assim sendo, a sua clientela ia acrescendo com o passar dos anos, uma vez que, sem exceção, todos nutriam preferência por ele. Igualmente fizera o curso de acupuntura. Na condição de encetamento, os pacientes punham-se em decúbito ventral, enquanto o dr. Ariendas iria distribuindo as agulhas na região dorsal, constituindo todos os acupontos capazes de mitigar as terríveis dores que sacrificavam os seus pacientes. Todo esse serviço ele prestava com a satisfação de servir; pois, de mercenário não herdara absolutamente patavina.




                                                                               Wilson Cerveira