Vislumbrei-lhe a imagem desde o primeiro dia de aula:
01de março de 1967, no vetusto “Colégio Maristas”, ano em que cursávamos a 1ª
série do curso ginasial. Digo isto baseado na razão da herança quantitativa,
capítulo da genética que dilucida e corrobora a plausibilidade existente na
distinção dos extremos, tendo por parâmetro à altura do indivíduo. De fato, o
colega – Francisco Fernandes era o mais alto da turma “C”, com relação ao
somatorial de trinta alunos.
Aproximei-me
dele, na segunda semana de aula, e lhe fiz a seguinte perquirição: estás a
conhecer há quanto tempo este estabelecimento particular de ensino? --- De
imediato, sem hesitação, redarguiu-me que houvera adentrado ao Colégio
Maranhense dos Irmãos Maristas, em 1962, ano em que cursara o primeiro ano do
antigo “Curso Primário”. E, no decorrer de nossa dialética, disse-lhe que tinha
vindo de Alcântara, para submeter-me ao exame de admissão, já que eu não havia
cursado o “Primário” no Colégio Maranhense; e, sim, no “Inácio Raposo”, situado
em Alcântara – MA.
Os Irmãos
Maristas impuseram duas condições basilares e imprescindíveis para que o
discente se eximisse do velho exame de admissão ao antigo ginásio: uma, era de
ter feito o curso primário no próprio colégio religioso; a outra, de modo
indubitável, seria a acedência da aprovação por média, cujo valor numérico
correspondia a sete, obedecendo, desse modo, as normativas regimentais do
respectivo educandário cristão.
Outrossim,
fomos colegas da mesma turma, durante os sete anos que estudei no Colégio
Maristas, isto é, de 1967 até 1973. No decurso desse período, mostrava-se
sempre dentro das morigerações educativas, tanto como pessoa quanto na
qualidade de estudante, desses que cumpriam com os ditames escolares,
realizando os exercícios cognitivos impostos. Destarte, conseguia beneplácito
sob a insígnia de honra ao mérito, com direito ao usufruto de medalhas
condecorativas.
Em princípio,
pertencíamos a mesma equipe, e tínhamos por objetivo singular a organização
sistematizada dos assuntos a serem pesquisados. E, em adendo aos demais
apontamentos, dispúnhamos de fontes fidedignas, tais como: as consagradas
enciclopédias, uma vez que os meios cibernéticos não eram utilizados aqui, nas
escolas de São Luís do Maranhão, mormente nos nossos tempos de juventude
estudantil.
Vespertinamente, duas vezes na semana, de
modo amiúde, às terças e sextas-feiras pertencentes ao segundo semestre, entre
os meses de setembro a dezembro, eu passava pela residência do Francisco, visto
que, nesse interregno, ele já residia há bastante tempo na “Travessa da
Passagem”, no Centro Histórico de São Luís; enquanto a minha singularíssima
pessoa, recém-chegado de Alcântara, morava na Rua Basílio Franco de Sá, nº 142,
antigo “Beco do Burgo”, atinente ao tradicional arrebalde de São Pantaleão.
Antes que
saíssemos, -- dona Elvira --, a senhora sua mãe, servia-nos suco natural de
uvas, sempre buscando uma variedade díspar, com a finalidade de agradar as
nossas papilas gustativas.
É de bom
alvitre exarar o seguinte: sempre fomos bons companheiros, e nunca houve a
intervenção nefasta do desavir. Então, mantínhamos uma certa cordialidade,
através dos ensinamentos que nos foram ministrados na casa paterna.
Reencontramo-nos
após uma década de ausência, pois ele tinha saído para realizar residência médica
em oftalmologia; enquanto eu, já formado em Farmácia-Bioquímica, preparava-me
para fazer Pedagogia, e, posteriormente, Ciências Biológicas.
Dr. Francisco
Fernandes resolveu, em seguida, ficar, aproximadamente, cinco anos em
Imperatriz, e, somente depois veio fixar consultório oftalmológico na Rua dos
Afogados, em São Luís - MA, nas proximidades do meu novo endereço: na Rua de
São João, antiga Treze de Maio.
Eu, minha
mulher e minha filha passamos a ser seus clientes semestralmente. Atendia-nos
sempre, de modo donairoso, buscando vagamente algum assunto extra, o qual se
relacionava à época colegial, em que éramos felizes e não sabíamos.
Quando publicava
os meus livros, geralmente, fazia-se presente na ânsia de adquirir meu novo
compêndio. Caso não fosse por algum motivo superior, comprava-o no interior do
seu próprio consultório oftalmológico.
Finalmente,
quero vocacionar que desde o dia 06 de junho de 2012, atendendo aos desígnios
da Divina Providência, prestou-nos a cerimônia da eterna despedida, indo
estudar a geologia dos campos santos.
Wilson Cerveira