terça-feira, 29 de dezembro de 2015

UM OBSERVADOR COM OLHOS DE DETETIVE

  Um simples observador está longe de ser, mesmo em tempo crástino, um detetive. Falta-lhe uma visão geral em torno de tudo o que, possivelmente, ocorreria nesse ambiente. Não basta o aspecto fixador com relação a uma pessoa, um objeto ou, até então, um ponto verde perdido na extensibilidade do próprio quadro verde.
     O seu adentramento no ambiente merece sutileza. Ninguém precisa saber o instante em que, na aparência de um vulto cabalístico, tenta detectar a presença de algum intruso, malfeitor, ou elemento periculoso quanto à regência em voga.
     Se, linhas realmente, for um observador com olhos de detetive, ele ostentará um esgueiramento imperceptível, passando por entre as mesas, traçando diagonais, circunferenciais, tangenciais, perperpendiculares, ortogonais etc, num lídimo cruzamento, onde as posições vão se invertendo, pouco a pouco, sem que as outras pessoas percebam a presença do elemento perquiridor no ambiente em questão.
     Qualquer estrépito, por menor que seja, pode ser perigoso com referência à manutenção de percucientes observações a serem perpetradas no recinto. Tanto assim, que as frases desconcertantes devem surdir em momento adequado, evitando os estorvos da postremeira ensancha. Ao passo que os demais comenos devam ser analisados acuradamente, a fim de que possam ser ressumbradas as irregularidades presentes!... Os códigos assoberbam-se cada vez mais, enquanto não se pressagia a acepção feita por um insólito observador com olhos de detetive.
     Em princípio, esse homem, observador emérito, aparatará todas as condições de olhar com ambos os olhos, deslocando-os sob uma sorumbática visão de esconso, com a finalidade de observar os quatro cantos da sala, sem que as pessoas percebessem, mesmo que os demais ficassem à sorrelfa dos outros indivíduos, deixando-os volitivamente, como se nada estivesse ocorrendo naquele ambiente, onde os elementos se reuniam para beber e comer ao longo do dia mantendo a permanência dos hábitos – com parcimônia, ou prodigalidade, dependendo das educacionais lembranças e das diversas maneiras ostentadas pelas criaturas frugais.
     Nicolau, de fato, era muito mais sagaz, quando comparado ao seu colega, o perito Levegildo, que muito o influenciou na condição de ser um lídimo observador com olhos de detetive.
     O senhor Nicolau aparatava uma praticidade a toda prova.  Sempre  fora experto quanto ao ato de realizar as tarefas de manuseamento; ao passo que, sem tartamudeios, o Levegildo habilitava-se cada vez mais no que tange ao cognitivo teórico. Sabia organizar, com perfeccionismo, as logopeias, sobretudo as que requeriam um silogismo onde as premissas – menor e maior – se acoplavam no ponto inerente à basicidade do pensamento formulado.
     Um observador, com olhos de detetive, não deixa passar nada, absolutamente nada. Os seus apontamentos são minuciosos em todos os aspectos. Quaisquer movimentos são perceptíveis, conquanto o observado não saia do lugar em que ocupa. Os cruzamentos das pernas  e braços, ou suspensões verossimilhantes, são detectados pelo perito, em vigilância plena, no exato átimo em que a ação se principia, e muito antes que a sentença reacional se encerre no decorrer do parágrafo.
     Todos os objetos localizados sobre a mesa são dignos de muita atenção por parte do senhor detetive, uma vez que, sem suspeição, o sujeito observado está sendo aduzido à cata de adendos inusitados. Tanto assim, sem prolegômenos, que, à guisa, figurarão novas fisionomias. As novas técnicas utilizadas para os exercícios das cirurgias, notadamente os que refocilam as irregularidades presentes na pele do paciente, não remanescendo estigmas do prisco – recente ou distante – não importando a terminologia do sujeito ao longo da ação verbal expressa.

     Os criptogramas podem ser absconditados em pequenos lenços de papel. A criatura dissimula, nesse caso, uma cleptomania, e, desse modo, vai colocando uma série de guardanapos descartáveis no bolso do colete, e, no meio deles, à socapa, deposita as cabalísticas simbologias. Elas designam o itinerário a ser seguido, pois, sem ignávia, ostentam a chave especificando, de maneira concomitante, o ritual de abrir e fechar os cofres confidenciais. E, nesses artefatos de ferro consolidado, vão sendo ressumbrados todos os enigmas presenciados no decorrer das exposições com ressaibos de percuciente misticismo.

                                           Wilson Cerveira

AD-ROGADA PSICOLOGIA ESCOLAR ERRÔNEA

  Nos tempos de “Antanho”, na rigidez dos métodos da Escola Régia, obedeciam-se às regras do comportamento do aluno, desde o seu trajeto de casa até a escola, e vice-versa. Durante este interregno de tempo, a família exercia a sua voz de comando, independente de quaisquer outras circunstâncias que, no caso, poderiam advir repentinamente.
     Não havia acompanhantes e más índoles. Sem coleguismos adquiridos dentro e fora do ambiente escolar. Nesse tempo prisco, decerto, não se cobravam pedágios de passagem. Os riscos de contaminação eram bem menores e as digressões do comportamento humano não alcançavam proporções consideráveis.
     Quando fizermos uma analogia com os tempos hodiernos, não teremos inusitada vislumbração. Também, sem precisar fazer a ressumbração de algum esburnimento, detectar-se-ão vários subterfúgios deletérios. Desde os pregressos contatos viciosos até os que são cognominados de livre arbítrio. À margem das sendas meândricas, independente do lado – esquerdo ou direito – oferecem-se os mais diversificados tipos de drogas: lícitas e ilícitas.
     Deveras, o orbe vai se demudando, de modo degradante, sem suspeitar os limites dos que almejam alcançar alguma meta presente na rota das direituras previamente vislumbradas na qualidade de erro.
     Aplaudem-se as garatujas dos alunos, sobretudo nos pródromo escolares, como se os mestres fossem resolver os traumas, ou, então, evitá-los de modo profilático. Os discentes partem da ideia de aceitação, e dessa forma, não irão à cata de adendos para melhorar suas cacografias. Destarte, inumam o vocábulo “caligrafia”, porquanto jamais conhecerão a escrita bela. Com certeza, a grafologia aliada à grafotecnia, ambas servirão de penhor, justificando por todos os meios a escrita, visto que as letras são marcas da personalidade – diz calmamente a professora Judite. Com o estugamento abrupto, os aspectos literais vão se tornando ininteligíveis em todos os quadrantes minuciosos do amplo âmbito grafotécnico. Os alunos, com as páginas quase soltas, vão servindo de exemplo de maus tratos. Dobram-lhes as páginas, no sentido de frugalizar o espaço compreendido bilateralmente. A lógica manda um recado salutar, exarando as ensanchas de absorção do que se denomina de útil e progressivo.
     O centro de interesse passou a ser o erro perpetrado pelo próprio aluno, banindo por completo o senhorio do “Mestre”, notadamente no que se refere ao acerto, estabelecendo uma margem diferencial recrudescente. E, nesse caso, Paulo brada a Sérgio, de modo incessante, as questões erradas, primaziando-as com relação as corretas. Uma miragem ressumará erros em sequência, visto que a intenção, sem tartamudeios, é a de indicar o número de quesitos incorretos.
     Parece-nos, de maneira especiosa, a aclamação da psicologia do errôneo, porquanto, em dias hodiernos, não se computa mais o direito de acertar, mas, em sua cabal aparência, os deveres relacionados ao ato de desestudar (vai-se  desaprendendo o que se havia aprendido). Prova-se, por todos os meios, que a base é frágil – em todos os prismas  generalizantes – mesmo que se tenha de expurgar o inexpugnável. O âmbito cognitivo sucumbe a cada ano, de tal modo que não se percebe as sutis direituras do soçobramento.
     O discente não se preocupa com os afazeres da escola, desde que, sem destinação específica, busca outros meios de entretenimento. Um deles é a jogatina diária, recurso que o aduz ao fanatismo, constituindo um círculo vicioso agrilhoado, não deixando espaço para o divagatório. A mente assoberbar-se cada vez mais, acumulando várias tipologias derivativas.
      O professor dirige-se ao quadro de pincel, em plena vacuidade, já que o aprendiz está a manusear outro modelo de aplicativo, totalmente diferente do assunto abordado para o restante da turma, que também padece em função do binômio patológico: aprosexia e abulia. Não há como condená-los, visto que, sem hesitação, não respondem aos estímulos sensoriais de uma aprendizagem insalutar.
     O discente, de modo agruroso, arroga-se o senhor absoluto de todos os direitos contidos nos estatutos apaniguadores de jovens adolescentes, os quais buscam prerrogativas para os seus atos irresponsáveis; e, desse modo, olvidam os seus basilares deveres quanto aos exercícios e demais tarefas escolares.


                                       Wilson Cerveira

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A RESPEITOSA ESCOLA TRADICIONAL

    Decerto, soçobra em percuciente letargia, banida do tempo, a Escola Régia da cidade de Alcântara do Maranhão. A imane vacuidade preencheu-lhe todos os espaços, remanescendo apenas a recrudescência cabalar de uma voz estentórica, podendo retumbar em tessituras deblaterizantes, blateradoras e vociferais. E, desse modo, meio bisonho, fundamentalizavam-se as raízes arraigadas em longetudinalidade, o atrelar do basilar fulcro do sentimento patriótico: forjado ou espontâneo, com abrangência na sua extensibilidade analítica.
     Dessa forma, incutia-se no aluno as honrarias reverenciais à família. E, também, a exortar a pessoa do professor, colocando-a em primeiríssimo plano, com todas as deferências.
     Encarar a disciplina, estabelecendo ordens no decurso de sua assimilação. Refocilar sempre as bases primárias, mantenedoras de outras aplicabilidades posteriores, para que não houvesse declínio quanto ao grau de sapiência.
     Sabia integralizar o tempo, emprestando, dessa forma, caráter exatorial para cada disciplina ministrada, sem que existisse a tal ultrapassagem de um segundo sequer na escala cronométrica. E, assim, não haveria interregnos entre as matérias lecionadas. Sendo assim, o ritmo sequencial era rigorosamente obedecido, mesmo que a ressumbração delimitasse alguma preferência por parte de determinados discentes.
     Os castigos, sem exceção, eram infligidos na hora precisa e de conformidade com a transgressão perpetrada em cada normativa contida no regimento escolar dos tempos de Antanho.
     As notas apresentavam caracteres reais em todos os parâmetros estabelecidos quanto às técnicas e métodos avaliativos. Tanto assim, sem hesitação exatorial, os pontos amiudavam-se de tal maneira, milimetricamente, pormenorizando os décimos, centésimos e milésimos.  Caso houvesse carência de um indicativo, numérico minucioso, a aferição seria realizada no término de cada aula independente da disciplina! ...
     De fato a aferição seria interrompida por tempo indeterminado, e o discente ficava prejudicado no que diz respeito à passagem ascensional do ano letivo.
     As cadernetas simbolizavam a vida do estudante, tanto a pregressa quanto a progressiva, globalizando todos os seus itinerários etológicos e assimilatórios. Não era uma só caderneta; pelo contrário, tínhamos três, sendo que, cada uma delas ostentava a sua razão de ser. Uma, a mais espessa, destinava-se às anotações do comportamento do aluno, contudo todas as minudências peripeciais ocorridas, diariamente, sobretudo no período concernente ao ato de ministração das respectivas disciplinas escolares.
     Os inspetores de sala de aula auxiliavam sobremaneira a manutenção comportamental dos alunos. Ninguém, caso atrevesse a algum tipo de estropício, deixaria de ser cominado, deveras, de conformidade com os rigores regimentais da famosa escola tradicional, sobremodo quanto ao ato de transmitir conhecimentos basilares e imprescindíveis para o prosseguimento de estudos, muito necessários para o possível e probabilístico ingresso no mercado de trabalho, já bastante saturado nestes nossos dias hodiernos.
     Nessa época, de castigos e penitências, o professor entregaria o peralta do aprendiz para o inspetor; e, este sabia infligir a objurgatória necessária para cada desvairo praticado pelo aluno infrator. Realmente, os escarmentos eram de uma pungência insólita. Os alunos daquele vetusto tempo da férula, tremiam na base, pois a velha cafua lhes esperava repleta de várias modalidades ciliciais, ostentando em todos os sentidos e direções os seus esdrúxulos objetos de tortura.
     Nesse interregno, a turma, no intuito de eximir-se do cautério, ficava à cata de recursos para a assimilação de uma inusitada aprendizagem muito necessária ao refocilamento das matérias do currículo colegial.

     De fato, nesse tempo do ensino austero, aprendia-se muito mais, sobretudo o que era de mais salutar para a vida do educando, no preciso átimo em que se tornava egresso com relação às lides estudantis. De quaisquer modos, formava-se uma base sólida, de modo geral, abrangendo todas as disciplinas, para que os neófitos adquirissem novas erudições, sobremaneira, sem quaisquer perplexidades, com o intuito de vencer a descomunal concorrência, totalmente desleal quanto à disputa de uma vaga em concurso público. Nestes dias de acrimônia expurgatória, as provas são elaboradas com o propósito de eliminar as pretensões dos candidatos. Se houver, por acaso, erro no primeiro quesito, as questões subsequentes vão sendo revogadas. O objetivo maior é o de refutar, na peroração, o que fora dito no pródromos; para tanto, com muita magia, vislumbra-se a ensancha de assimilação, que é a mais inexpugnável, para, em seguida, ir extirpando do texto as ideias perfunctoriais, não remanescendo sequer os labirintos das ideologias mais percucientes! ... 

                                           Wilson Cerveira