terça-feira, 31 de dezembro de 2013

DESIDERATO PROBATÓRIO

    Dra. Ortiega, ao redebuxar o seu sorriso esquálido, remanescente de um prístino longínquo, esquecera-se de lembrar o desiderato probatório, que fora uma férula extemporânea, após considerar-se sazonalizada nos pródromos fastigiosos de sua própria decrepitude.
     O tão decantado desiderato probatório atingia muito mais a Lídia, sua amiga de jardim, já que ambas cresceram juntas, alfabetizadas num único salão da casa de Dona Lucrécia. Nutriram-se da vã quimera de ver o suscitar da espontaneidade irmanada, como se o probatório representasse um equilíbrio basilar entre o que fora polemizado de maneira acirrada, assim como, sem pestanejar, a analogia do elucubratório em iminência!...
    Antes que a madidez aflore aos derredores túmidos e ignescentes da nau capitânea, Lídia suspirou, em plena vacuidade, as deblaterações que tomavam conta do corpo da experimentada Ortiega, uma baita psiquiatra do inquirido comportamento inumano, sobretudo nestes dias de inevolução ou involução ululante!
    A ânsia de palinodiar a ânsia sobeja, pronta para retumbar a casta das fruições reprimidas, tem obiciado as dilacerações das amarras cerceantes, que se cerram em círculos circunscritos concêntricos. E, como sopitação, evola o vórtice voraz que degringola as esquipáticas repressões psicossomáticas vigentes nestes dias agrurosos de um hodiernismo degenerescente!...
    Há ainda alentos nas paginas dos livros, quase todos, sem exceção, que facilitam os trabalhos dos que ostentam síndromes de dislexia, alexia, agrafia, abulia, aprosexia etc.
    Deveras, Ortiega, em sua palingenesia, não sabia precisar por onde escorria a luz da manhã, a mesma que desfigurara o vaticinador despenhadeiro das opressões sociais. E, envolta numa luz bruxuleante, vislumbrava clarões de pretéritos remanescidos nos aposentos da puerilidade indelével!...
    Ao passo que, sem titubear, Lídia hauria as febritações provindas dos termômetros cominuídos nos entrechos das labirínticas lateralidades genitais. E, por sobre as fruições imperiosas, assomava a madidez decorrente do roçagar espúrio, que fora anteparado pelas fímbrias encarquilhadas de uma epiderme em provectude.
    Muitas personas, em dias hodiernos, estão a requerer cilícios de vários tipos – do perfunctório ao percuciente. E, a princípio, os acúleos, quando imolados estritamente nas dimensões epidérmicas, produziam os efeitos desejados, uma vez que são perpetrados ao longo das fibras nervosas.
    Desencadeiam-se torturas espirituais, físicas e psicológicas. Assim sendo, é crudelíssimo conter a sanha equânime do desiderato probatório, porquanto venha a viajar a partir de uma espontaneidade benfazeja, nutrimentos adquirentes de blandícies afloradas na perfunctoriedade das células de revestimento, notadamente as de maior estesia.

    E, pelo fato, de não conter a célula perdulária, surgem, de abrupto, as aplicações simultâneas dos três cilícios exprobrantes, aparatando, cada um deles, uma plangência acomodativa nos olhares, e madidez nas cúspides da cálida nau capitânea.  

                                   Wilson Cerveira 

ABTRUSOS NÍVEIS REINANTES DA DESEDUCAÇÃO

    Em plena hodiernidade tecnológica, o “SER”, em cabal dessentimento, sucumbe, prematuramente, em tudo o que recebera nos pródromos da sua formação, tanto como pessoa, quanto na qualidade de profissional.
    A deseducação, desenvolvida ao longo dos vários anos, estorva a probabilidade de percepção atinente ao incorrespondente. Experimenta-se a resposta – positiva ou negativa –, normal ou anormal, mandando-lhe um convite de lançamento de um livro. E, a partir desse novo experimento, fica-se a anotar as variâncias constantes dos diferentes níveis de deseducação, podendo ser reversíveis ou irreversíveis.
    As pessoas de maior notoriedade, em sentido de escol, passam a ser os alvos do sistema de colimação, diuturnamente monitorizado. Existem cidadãos que ostentam variabilidade quanto ao nível representativo de sua idiossincrásica condição de inumanidade aquisitória. Chegam a rejeitar o invite escrito, galhardamente confeccionado, como se estivesse diante de um artefato de periclitância comprobatória.
    Em sua grande maioria, a população, abrangendo todos os níveis e dispares estratificações sociais, responde, irrestritamente, pelas ações educativas especiosas, sobremodo as que ostentam ações e reações desabridas, sendo atreladas a um tipo de insolência maior, que é o boçalismo máximo.
   O sujeito, independente da sua desnudez, ou grau de encapamento, pode redarguir de tal forma, dando o testemunho cabal de sua crassa insipiência.
    O indivíduo, cheio de ondismos imprevisíveis, programa-se e reprograma-se de varias formas ardilosas, com o propósito de ofender o que, galhardamente, o convidou a participar de um evento multimacetado e de altíssimo nível cultural.
    A trinômia: inconstância, dessentimento e deslembrança, toda ela reunida no cerne, pode, de igual modo, aparatar a lidimidade repulsiva dos sentimentos de natureza não humana, redundando na proporcionalidade degenerativa do ego, em seu simbolismo despersonificativo percuciente.
    Você, de maneira surpreendente, poderá ter diante de si a representatividade de um infenso gratuito, à medida que lhe oferece o produto eficaz, conquanto na substância de marca, apontando-lhe, diante dos olhos esgueirados, o real sentido vetorial do colimador estigmatizante.
     O abrupto pode ser eclodido através da premência de mentes mórbidas em fortuidade, as quais tem por etiologia – o “decerto” de recompor e reimplantar o liame neurológico, através das reações mais cruentas – onde as estruturas servem muito como ponto de analogia para cominações remanescentes de ideias exaradas erroneamente.
    Não importa ter os nomes das pessoas que jamais conheceríamos quanto ao suscitamento de metamorfismos decorrentes de suas hesitantes personalidades, uma vez que são indivíduos altamente deseducados, desprovidos de quaisquer sentimentos de qualificação humanitária, se bem que se considerem o escol de uma sociedade em defecção progressiva!...


                                   Wilson Cerveira

sábado, 7 de dezembro de 2013

A DESCARACTERIZAÇÃO DO HUMANO EM DIAS DE ACRIMONIOSO HODIERNISMO


    Hodiernamente, numa comutação de valores personificativos, as criaturas se preparam, de modo tendencioso, para não cumprir com o que fora dito e firmado em cartório e em presença de várias testemunhas reunidas.
    Em tempos de crúcia premente, o vocábulo “não” se tornou insustentável no que concerne ao ato repressivo de sua raiz basilar; e não, abruptamente, passou a ser ovacionado na postremeira ensancha, por mais que seja a lídima acepção miracular de sua própria redundância peremptorial.
    As influencias do orbe, em generalizante premissa, fazem com que as pessoas ressumbrem uma demudação esquipática, embaindo-se, pouco a pouco, em metamorfismos deliquescentes, partindo do preceptor  imanente, numa abrangência tridimensional: o físico, o psicológico e o espiritual.
    Os humanos, sentindo o carencial de uma reeducação sentimental, confutam a própria raiz basilar formacional, e, de modo torpe e protervo, proclamam a deseducação hodierna como uma forma empenhada, buscando, quase sempre, a manutenção das plausíveis medidas geratrizes e objurgatórias reinantes!...
   Os seres viventes, em dias hodiernos, demandam a abdução, cada vez maior, de suas origens controvertidas. Tanto assim, depois de muito estudo analítico sobre as derivadas do comportamento, que se atribuiu um ponto limítrofe para conter a sanha das exegeses acirradas!...
    Os indivíduos, aturdidamente, seriam capazes de açambarcar buçais díspares e estúrdios, a fim de que pudessem dissimular existências crástinas, contidas nos espectros – tangíveis ou intangíveis – atinentes às percepções extrassensoriais.
     Os personagens que habitam o orbe, nestes agrurosos dias hodiernos, são lídimos proteus, mudando facilmente de opinião, de hábitos, de sistema. Tem-se, em principio, por alusão a Proteu, um dos deuses da “Mitologia Grega” o qual mudava de forma e figura à vontade.
     O que mais prevalece é o arcabouço, servindo de aparato protetório a outros ícones, peças absconditadas nas lâminas em série, componentes de um álbum computacional, ainda que não lobriguemos o desiderato de desvelar as suas inúmeras minudências secretas.
     Neste mostruário de retratos, em quase penumbra, ainda vislumbramos as reminiscentes efígies das vetustas bonecas de pano e de porcelana. Realmente, encontramos na superfície dos seus corpos lassos, laivos de prístinos inumados pelo tempo de inopinada procrastinidade.
     Vivemos, merencoriamente, no abstratismo de um orbe protético, ostentando prova refutatória ao natural, já que a prótese requer a substituição de um órgão ou de uma parte dele, por outra parte ou órgão artificial, que é o comutativo ou sucedâneo de uma porção que fora dilacerada.
     Os seres, que chamamos de humanos, têm perdido a identidade, parcial ou totalmente. Inconformam-se em ter a mesma todos os dias. Também, inquietam-se em ser a mesma criatura, no exato átimo em que alvorece o dia seguinte. Buscam, também, com sofreguidão, a sua identificação espiritual, fundando novos templos, se bem que Deus seja onipresente, onisciente e onipotente, independente da apostasia, ou adesão, que fora realizada.
     De fato, a desidentidade está em voga e com muitos ondismos, neste imane orbe de sofrências prolatadas. O artificialismo exacerba-se a cada dia, com os préstimos das cirurgias de reparação epidérmica. Moldam-se novas bocas, narizes, testas, olhos coloridos, sobrolhos suspensos, orelhas pitorescas etc. E, após esses transformismos físicos, dificulta-se cada vez mais o trabalho perpetrado pela polícia especializada. Os erros e os crimes se proliferam desde os facínoras pertencentes aos “Três Podres Poderes” até as mais diversas estratificações sociais.
O psicológico das pessoas está em delíquio sucedâneo. Hoje, em estado de neurose; amanhã, em mórbido estado de avassalamento psicótico – numa intermitência questionável --, pois a redundância incorre em direitura ao sindrômico da neurose obsessiva compulsiva e tantos outros rótulos portando transtornos de natureza delírio-alucinatória. E, desse modo heteróclito, problematiza-se a psiquiatria vulnerável, assim como, sem pestanejar, os seus especialistas de borla e capelo, com pós- doutoramentos nos países mais progressistas do continente europeu.

     O espiritual, sucumbido em face ao decréscimo de fé no Criador – Pai Celeste e Todo Poderoso – contribui para que percamos a volição de permanecer sob a tutela atinente ao mesmíssimo dogma doutrinal. Novas  igrejas são fundadas, com o propósito de atender a insatisfação dos que buscam uma paz interior impossível, já que o problema não está na escolha da religião estabelecida pelos homens, mas na luta aguerrida e constante em manter a fé e fazê-la incrementar cada vez mais, banindo a probabilidade de quaisquer falências concernentes ao humano, nestes dias de acrimonioso hodiernismo, em que a descaracterização do ser pensante progride em âmbito infrene.

                          Wilson Cerveira

SENTIMENTOS PARADOXAIS


    Por ordem das propelências projetivas, vocacionam-se as duas imanes tergiversações: culpas e desculpas. Durante uma nova crise sutil, o remorso de não ter assumido o ato, o mesmo que rutilou naquelas interregnidades, suspiros de eterno viver, ressumando o assomamento de uma canoa motorizada, na qual as criaturas têm os seus momentos sintomatológicos, e podem contactar com seus delírios alucinatórios.
   João José não erra nunca, apenas transfere para o outro as traumáticas e projecionais culpas atinentes a todos os seus fracassos vitais. Marieta, porém, é diferente, pois se desculpa diante do que fez de errado, mas, em tempo algum, sentiu-se conivente perante os transtornos evidenciados para com terceiros, vítimas de suas negligências no trânsito.
    Os comportamentos contrastantes evoluem a cada dia, acompanhando os heteróclitos sentimentos contraditórios. Há casos em que o individuo, em analise, somente é capaz de pagar o que ficara devendo, se a pessoa a quem ele deve, vier acolitada por outra, notadamente do sexo oposto. Assim sendo, o encalistramento, em presença de terceiros, impele-a ao ato de adimplimento compulsório.
    Hodiernamente, a inercia de pronunciar o vocábulo, por inteiro, com todos os afixos, faz com que a tropa de desestudantes – praticamente a maioria – estrangule-o usando os artifícios de aférese ou, então, da apócope. Dessa forma, o termo fica apenas com o seu cerne desvelado, que é o seu respectivo radical, podendo de quaisquer origens e idiomas ascendentes!
    O abominar sobre algo, em sua essência paradoxal, está a encargo de quem aprova ou reprova. Uma atitude, ora aceita, ora condenada, dependendo do que a pronuncie. A mesma palavra que fere, às vezes, está a depender dos lábios que a proferem, independente do clima que se constitui no interior ou no exterior das pessoas indicadas ou desindicadas para tal assunto de ordem educacional.
    Exarar que gosta antes da prelibação, e, após a consecutória lascívia, refutar o quanto havia de fruição no interregno, mostra a existência de uma palinódia patológica, justificando apenas a rejeição ao invite de permanência diuturna.
    A pior fissura pode estar na comissura de quem prioriza em plano de épura estabelecido para aquele lugar de implexo acesso regenerativo. Piora-se por não cumprir a finalidade reciproca do que está sendo perseguido reciprocamente, partindo em direitura com relação a um centro gravitacional estipulativo e inconfessionável.
    Ao chamar pelo nome completo – Maria Prolina dos Reis Firmino, pensa-se no correto, conquanto seja o secretário Pires Consuelo, que, já nos acenou dizendo do trauma que sofrera desde o instante em que ele morrera para o referencial telúrico.
    Mesmo em sala de aula, desculpa-se dizendo que é demais, e, após listas visuais, chama os alunos tendo por referencial as suas numerações em vez de ordenação completa dos seus respectivos nomes extraída das certidões de nascimento. Igualmente, o ato de nominar inteiramente a pessoa, dá-nos a impressão de que é um vocativo expresso por um delegado ou pelo próprio juiz.
    Que tipo de cristão sou eu, disse Petrúcio, que inverto a cada dia os sentimentos, refutando-os como se fosse um meio pertencente à terapia panacéica. É necessário que nos reparemos a cada instante, a fim de não incorrermos em erros contumazes, advindos de um prisco estigmatizado por traumas consecutivos e perdurantes.
    Que ruas são estas, com toponímias contrastantes?!... A Rua dos Remédios, por incrível que pareça, não tem farmácia; a do Passeio, de modo controverso, serve de corredor, para não sermos assaltados na esquina; na Praça da Alegria, se chora de solidão e tristeza; na Praça da Misericórdia, não se dá esmola; na Praça da Saudade, constrói-se a “Passarela do Carnaval da Cidade de São Luís – MA”. E tudo vai se conduzindo na orquestração desabrida dos sentimentos paradoxais.

    O sujeito de cútis branca, insolentemente, é denominado de “Bruno”; a pessoa que não manqueja um só instante é chamada de Cláudia; a criatura rústica, por natureza, ela é denominada de Urbano, e assim vão se constituindo todos os escândalos de uma sociedade sem visão, sem fumos de fidalguia, tampouco raciocínio de caráter percuciente. Finalmente, lavra-se o binômio – Amor e Desamor –, como forma de ocultar o sentimento palinódico de uma mente em estado de estertoramento progressivo.

                          Wilson Cerveira