Somente Deus, o Altíssimo, que rege tudo neste mundo, poderia vaticinar o meu nascimento, o local e a data em que se daria. E foi assim, na casa da Rua das Mercês, confronte a Ilha de Nossa Senhora do Livramento. Em meio as pessoas residentes naquele casarão, estava uma criatura toda especial -- a qual jamais poderia estar ausente, e que tinha o nome registrado em Cartório, sendo, então, chamada de Margarida Silva, afilhada de Batismo do meu avô -- Marcial Ramalho Marques.
Margarida Silva, que recebera a carinhosa alcunha de Dadá, veio das baixadas dos campos de Pinheiro, em companhia do meu avô, após várias obsecrações feitas por ele à senhora sua mãe. Dona Esmeraldina relutava para que ela não viesse, pois, com a idade de oito anos apenas, ia lhe fazer imane falta. Das filhas, apesar de pequena, era a que mais obedecia. Partia sempre em quaisquer direituras para o local em que fora mandada. Destarte, fazia todo serviço, menos a comida, e ainda cuidava das plantas e da bicharada situada no quintal de baixo, nas proximidades do poço de lavar as inúmeras peças de roupa.
Não seria esta a primeiríssima vez que dona Esmeraldina recebera tal requestação por parte do meu avô. E esta senhora sempre dizia o seguinte: compadre, tenha calma, há tempo para tudo debaixo dos céus, como diz o eclesiastes. Se ela não for desta feita, decerto, seguirá quando houver uma próxima oportunidade. Mesmo assim, o idôneo Marcial, perante toda inaceitabilidade, passava nervosamente a mão na calva, e dava um pinote de cabal impaciência! Queria, em plena surdina, organizar todos os meios possíveis para que ela partisse em sua companhia, ainda hoje, 27 de setembro de 1927. Tanto assim, que Pinheiro poderia ser comutada por Alcântara, a fim de que facilitasse a vida do provecto comerciante da cidade de Alcântara -- MA.
O seu padrinho Marcial Ramalho Marques, agoniado como sempre o fora, rumou em direitura ao comércio, com finalidade de adquirir- lhe várias peças de roupa. E, para tanto, teria que comprar uma mala. E, dessa forma, alojaria toda essa indumentária. Ao adentrar à casa da comadre Esmeraldina, com certeza, ressumbrar-lhe-ia os vestidos bonitos que houvera conseguido nas lojas de artigos finos.
Todos esses artefatos encheram os olhos da pobre garota. Deste modo, não havia outra alternativa, a não ser seguir viagem em direção a cidade de Alcântara do Maranhão. Desta feita, estaria muito bem acompanhada, pois o seu padrinho de Batismo representava a sua estirpe paterna. De fato, a senhora sua mãe estava colocando a querida filha -- Margarida Silva, cognominada posteriormente de Dadá, e, de modo indubitável em boas mãos. O padrinho dar-lhe- ia a melhor destinação possível. Se bem que fosse um pouco recalcitrante, obedecia as ordens do seu tutor -- Marcial Ramalho Marques.
Ao chegar a cidade de Alcântara- MA, vindo sob a custódia do seu padrinho de Batismo, não demorou tanto a se acostumar com os novos hábitos, principalmente os caseiros. Fora logo advertida do seguinte modo: aqui, fique sabendo, não se anda sozinha pelas ruas desta cidade histórica, tal qual você fazia nos campos da Baixada de Pinheiro - MA. Lá, minha filha do coração, o ermo comanda a soturnidade das noites!... Aqui, de quando em quando, há sempre algumas pessoas a perambular pelas ruas, becos e travessas. E, através das venezianas semicerradas, olhos perlustram os passantes -- como se estivessem em prontidão guarnitiva. Os boatos correm lá fora, lepidamente,sem óbices de maiores entremeios. Deus nos livre das línguas tenebrosas e reptativas deste invidioso povo alcantarense!...
Margarida, decerto, era o nome que meu avô a chamava quando queria que ela fizesse alguma coisa para ele. E, tudo isso, ocorria açodadamente, porquanto não esperava por muito tempo. Se não encontrasse o objeto perdido, ficaria desesperado. Margarida, minha filha, localiza essa droga seja como for. Estou ficando irado cada vez mais. Ela se abaixava e punha a mão, o antebraço e o braço debaixo de cada móvel do quarto e da sala. Às vezes caia sem querer, e ele próprio chutava para o fundo dessas cômodas, camiseiros e guarda-roupas. De fato, após muita demanda e azáfama, terminava por encontrar o objeto desaparecido. E, finalmente, ele dizia: " Somente você é capaz de achar as minhas parafernálias".
Quando aportou em Alcântara-MA, a pequena Margarida Silva, de apenas oito anos de idade, já sabia fazer muitas tarefas caseiras. Citemo-las: arroz, feijão, macarrão, descamação de peixes e suas respectivas aberturas. Também, sabia matar galináceos e, posteriormente, abri-los anatomicamente, seccionando todos os seus componentes internos: fígado, moela, coração, asas, coxas, peito etc. Aprendera desde cedo com a senhora sua mãe -- dona Esmeraldina. A culinária era o seu maior dom, embora escrevesse com dificuldade o seu próprio nome. Educava as suas filhas utilizando-se da "Cadeira de Prendas". Todas elas -- da menor a maior eram prendadas, pois a mãe as ensinava a fazer todas as cousas necessárias à sobrevivência de uma casa, sem que lhe faltasse alguma iguaria!...
Dona Esmeraldina, a mãe de Margarida Silva, a quem chamei de Dadá, sabia de tudo um pouco, em que pese o seu apedeutismo. Também, teve a destreza de ensinar para a pequena Margarida, de tão-somente oito primaveras, a implexa atividade de fazer rendas, bordados, tricô, croché etc. A pequena Dadá, decerto, conseguiu assimilar apenas o abecedário; e, quanto ao remanescente fora deixado para desenvolver em Alcântara -- MA.
Deus, com seu poder infinito, abençoou a pequena Margarida Silva, a quem eu dera, posteriormente, o nome dileto de Dadá. É de bom alvitre exarar que a Proteção Divina e a sorte a bafejaram, abrindo-lhes as percalciosas veredas existenciais. Igualmente, a sua madrinha de Batismo, que era a minha avó paterna -- Ana Guimarães Marques, muito a ajudou, pois, entendia bastante a matéria relacionada a trabalhos manuais. E, desse modo, foi graduando em série o que seria estudado por ordem sequencial. Pegou inicialmente a almofada, os alfinetes e os famosos bilros. Sobre a almofada constituída por enxertos de fazenda, sendo recoberta por uma pequena lona, fixou uma placa de papelão resiliente. Nela, indubitavelmente, enfiaria os diversos alfinetes entremeados com as respectivas linhas, as quais sustentariam os ditos bilros, de madeira leve e com uma espessa dilatação nas extremidades. Esses elementos ou pauzinhos eram trabalhados com as mãos, arremessando-os de um lado para outro, num trocadilho de uma dança enigmática e impressionante. As linhas seriam novamente pontuadas com as comutações constantes dos alfinetes aprisionados às devidas pontuações da linhas, que, passo a passo, iriam confeccionado com maestria os diferentes tipos de renda. O conjunto de bilros ficavam atrelados as linhas que perpassavam os alfinetes, os quais são permutados conforme o bailado desses palitos de certa espessura. Outrossim, quanto aos demais trabalhos manuais, com certeza, seriam ministrados ao longo do tempo, calmamente, para que ela, a pequena aprendiz, conseguisse absorver o pitoresco trabalho!...
Não seria esta a primeiríssima vez que dona Esmeraldina recebera tal requestação por parte do meu avô. E esta senhora sempre dizia o seguinte: compadre, tenha calma, há tempo para tudo debaixo dos céus, como diz o eclesiastes. Se ela não for desta feita, decerto, seguirá quando houver uma próxima oportunidade. Mesmo assim, o idôneo Marcial, perante toda inaceitabilidade, passava nervosamente a mão na calva, e dava um pinote de cabal impaciência! Queria, em plena surdina, organizar todos os meios possíveis para que ela partisse em sua companhia, ainda hoje, 27 de setembro de 1927. Tanto assim, que Pinheiro poderia ser comutada por Alcântara, a fim de que facilitasse a vida do provecto comerciante da cidade de Alcântara -- MA.
O seu padrinho Marcial Ramalho Marques, agoniado como sempre o fora, rumou em direitura ao comércio, com finalidade de adquirir- lhe várias peças de roupa. E, para tanto, teria que comprar uma mala. E, dessa forma, alojaria toda essa indumentária. Ao adentrar à casa da comadre Esmeraldina, com certeza, ressumbrar-lhe-ia os vestidos bonitos que houvera conseguido nas lojas de artigos finos.
Todos esses artefatos encheram os olhos da pobre garota. Deste modo, não havia outra alternativa, a não ser seguir viagem em direção a cidade de Alcântara do Maranhão. Desta feita, estaria muito bem acompanhada, pois o seu padrinho de Batismo representava a sua estirpe paterna. De fato, a senhora sua mãe estava colocando a querida filha -- Margarida Silva, cognominada posteriormente de Dadá, e, de modo indubitável em boas mãos. O padrinho dar-lhe- ia a melhor destinação possível. Se bem que fosse um pouco recalcitrante, obedecia as ordens do seu tutor -- Marcial Ramalho Marques.
Ao chegar a cidade de Alcântara- MA, vindo sob a custódia do seu padrinho de Batismo, não demorou tanto a se acostumar com os novos hábitos, principalmente os caseiros. Fora logo advertida do seguinte modo: aqui, fique sabendo, não se anda sozinha pelas ruas desta cidade histórica, tal qual você fazia nos campos da Baixada de Pinheiro - MA. Lá, minha filha do coração, o ermo comanda a soturnidade das noites!... Aqui, de quando em quando, há sempre algumas pessoas a perambular pelas ruas, becos e travessas. E, através das venezianas semicerradas, olhos perlustram os passantes -- como se estivessem em prontidão guarnitiva. Os boatos correm lá fora, lepidamente,sem óbices de maiores entremeios. Deus nos livre das línguas tenebrosas e reptativas deste invidioso povo alcantarense!...
Margarida, decerto, era o nome que meu avô a chamava quando queria que ela fizesse alguma coisa para ele. E, tudo isso, ocorria açodadamente, porquanto não esperava por muito tempo. Se não encontrasse o objeto perdido, ficaria desesperado. Margarida, minha filha, localiza essa droga seja como for. Estou ficando irado cada vez mais. Ela se abaixava e punha a mão, o antebraço e o braço debaixo de cada móvel do quarto e da sala. Às vezes caia sem querer, e ele próprio chutava para o fundo dessas cômodas, camiseiros e guarda-roupas. De fato, após muita demanda e azáfama, terminava por encontrar o objeto desaparecido. E, finalmente, ele dizia: " Somente você é capaz de achar as minhas parafernálias".
Quando aportou em Alcântara-MA, a pequena Margarida Silva, de apenas oito anos de idade, já sabia fazer muitas tarefas caseiras. Citemo-las: arroz, feijão, macarrão, descamação de peixes e suas respectivas aberturas. Também, sabia matar galináceos e, posteriormente, abri-los anatomicamente, seccionando todos os seus componentes internos: fígado, moela, coração, asas, coxas, peito etc. Aprendera desde cedo com a senhora sua mãe -- dona Esmeraldina. A culinária era o seu maior dom, embora escrevesse com dificuldade o seu próprio nome. Educava as suas filhas utilizando-se da "Cadeira de Prendas". Todas elas -- da menor a maior eram prendadas, pois a mãe as ensinava a fazer todas as cousas necessárias à sobrevivência de uma casa, sem que lhe faltasse alguma iguaria!...
Dona Esmeraldina, a mãe de Margarida Silva, a quem chamei de Dadá, sabia de tudo um pouco, em que pese o seu apedeutismo. Também, teve a destreza de ensinar para a pequena Margarida, de tão-somente oito primaveras, a implexa atividade de fazer rendas, bordados, tricô, croché etc. A pequena Dadá, decerto, conseguiu assimilar apenas o abecedário; e, quanto ao remanescente fora deixado para desenvolver em Alcântara -- MA.
Deus, com seu poder infinito, abençoou a pequena Margarida Silva, a quem eu dera, posteriormente, o nome dileto de Dadá. É de bom alvitre exarar que a Proteção Divina e a sorte a bafejaram, abrindo-lhes as percalciosas veredas existenciais. Igualmente, a sua madrinha de Batismo, que era a minha avó paterna -- Ana Guimarães Marques, muito a ajudou, pois, entendia bastante a matéria relacionada a trabalhos manuais. E, desse modo, foi graduando em série o que seria estudado por ordem sequencial. Pegou inicialmente a almofada, os alfinetes e os famosos bilros. Sobre a almofada constituída por enxertos de fazenda, sendo recoberta por uma pequena lona, fixou uma placa de papelão resiliente. Nela, indubitavelmente, enfiaria os diversos alfinetes entremeados com as respectivas linhas, as quais sustentariam os ditos bilros, de madeira leve e com uma espessa dilatação nas extremidades. Esses elementos ou pauzinhos eram trabalhados com as mãos, arremessando-os de um lado para outro, num trocadilho de uma dança enigmática e impressionante. As linhas seriam novamente pontuadas com as comutações constantes dos alfinetes aprisionados às devidas pontuações da linhas, que, passo a passo, iriam confeccionado com maestria os diferentes tipos de renda. O conjunto de bilros ficavam atrelados as linhas que perpassavam os alfinetes, os quais são permutados conforme o bailado desses palitos de certa espessura. Outrossim, quanto aos demais trabalhos manuais, com certeza, seriam ministrados ao longo do tempo, calmamente, para que ela, a pequena aprendiz, conseguisse absorver o pitoresco trabalho!...