Ainda escuto, como se
houvesse parado o tempo ao meu redor, a vibração do meu celular – que ocorrera
às 9h 45min 2s do dia 11 de maio de 2012 --, precisamente localizado no ângulo superior
do bolso esquerdo da calça. Incontinenti, examinei o mostruário do aparelho, e
deparei-me com o nome de minha mulher – Maria do Socorro. Logo que toquei no
botão de liberação sonora, assoumou-me-lhe a voz; e, então, pude escutá-la em
confissão, desde o encetamento, imprimindo uma maior ressonância de timbre ao
instrumento de comunicação. Destarte, disse-me, com oscilação vocálica, que
sentia lancinante dor no olho esquerdo, e que ia, pouco a pouco, perdendo a
acuidade visual da respectiva visão cuja aparência era menos comprometedora!...
Este fato traumático sucedera 48 horas, depois do tempo mínimo da operação
realizada no olho direito, notadamente no dia 09 de maio do ano em curso.
Em princípio, uma arrebatadora onda de atonismo
obiciou-me a capacidade de raciocínio, mas, mesmo assim, sob a luz da Divina
Providência, mantive a homeostasia orgânica, e, resolutamente pedi a ela que se
vestisse, de modo açodado, para que pudéssemos nos encontrar nos vestíbulo da
Clínica Ocular. Naquele átimo premente, não existia outro itinerário a seguir,
a não ser o que representava a refocilização do dispêndio perpetrado em dosagem
duplicacional.
Ao chegar ao salão principal da clínica de
olhos, Socorro já sentia uma premente necessidade de emetizar. Logo, sem
procastínios, foi atendida pelas auxiliares do médico oftalmologista --- Dr.
Anselmo Filho.
Ao tentar medir a pressão intra-ocular,
por motivos justificáveis, veio-nos ao encontro em estado de estupefação
inédita. O aparelho, de alta tecnologia e precisão, não conseguia precisar o
valor, dando a pseudo-impressão de que estava com defeito. Minutos depois, com
a administração do colírio pilocarpina, houve alguma condição de registrar a
pressão intra-ocular, a qual já expressava uma numeração que aproximava de “50”,
que é uma das características basilares de um glaucoma agudo. E, pela
intercessão de Nossa Senhora de Fátima, continuou a enxergar um pouco, já que
havia prosseguimento das sucessivas instilações de pilocarpina, obedecendo a um
intervalo mínimo de 15 minutos entre uma e outra aplicação; e, depois
obedecendo uma variância de 30 minutos. Concomitantemente, foram utilizados
três tubos de manitol, um em casa soro fisiológico, com o escopo de baixar a altíssima
pressão intra-ocular, que, ainda permanecia ostentando um valor elevadíssimo de
pronto alerta.
Ficamos – eu e minha esposa Maria do
Socorro Araújo Cerveira Marques, durante o dia todo, no espaço restritivo de um
prolongamento do salão da Clínica Ocular, após a prescrição do receituário
contendo o número de vezes correspondentes às respectivas reiterações de
substâncias medicamentosas necessárias para o ressumbramento minoritário do
sindrômico.
Nos pródromos da noite, sobretudo no
cerramento da postremeira porção crepuscular a ser presenciada o horizonte distante;
Maria do Socorro foi conduzida à ante-sala do centro cirúrgico, para que
recebesse os aprestamentos exigidos no momento do pré operatório. Nesse interregno,
eu havia vocacionado a nossa filha Gláucya Cerveira, para fazer-me companhia,
sobremodo neste final prolativo a que nos submetemos durante 24 horas
ininterruptas, enfrentando a ambivalência do psicológico, onde o nervosismo
imperava em todos os sentidos e direções da vastidão orgânica.
Pensava comigo, na quietude da sala sobre
a incomensurável força do milagre operado por Deus, sob a intercessão de Nossa
Senhora de Fátima, para que continuasse sempre a enxergar, uma vez que teve
tudo para contrair uma cegueira.
Ao sair da sala de cirurgia, fazendo o
deslocamento em sentido inverso, deparou-nos ainda em posição estática, numa
sintomatologia de percuciente angústia.
Finalmente, vislumbramos a efígie de Maria
do Socorro, que trazia um tampão no olho esquerdo. A partir desse reencontro no
corredor da casa de saúde – de natureza particular, declarou-nos que havia
anestesia ao redor de toda a região de todo o olho operado, reforçando ainda
mais as outras substâncias colocadas diretamente no soro.
O oftalmologista – Dr. Anselmo Filho --,
confidenciou-nos de que estava perante a um caso inédito, já que, no interregno
de 25 anos, nunca se deparara com um desconumal comportamento orgânico do tipo
surpreendente.
Posteriormente, solicitou regresso da
paciente no sábado, -- dia 12 de maio de 2012, no expediente matutino; data
esta que precedia as celebrações solenes: da Mãe Santíssima, e da mãe terrena.
No domingo, pudemos agradecer a Deus e a
Nossa Senhora de Fátima pelas inúmeras graças concedidas, pois aconteceu a presença
do sobrenatural, que é a permanência da visão, reitero, em meio a um paroxismo
extremo de glaucoma agudo.
Wilson Cerveira