segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

PRESCINDÍVEIS ELOGIOS

     Nos tempos de “Antanho”, a iniciativa de elogiar o sujeito, independentemente da faixa etária, constituía-se em algo estimulador e edificante em todas as acepções plausíveis.
     Hodiernamente, este hábito de aclamação tornou-se deletério em toda a sua extensão vernacular. Se assim o fizermos, estaremos procedendo de modo paradoxal, contestando todas as opiniões formuladas!
  Para que servem esses encômios – dos mais heteróclitos – uma vez que, indubitavelmente, quanto decifrados, não passam de ultrajes simulacrais! As pornografonias se constituem, em dias hodiernos, no cerne hermenêutico, formando apologias de contundente desfaçatez.
     Os especiosos panegíricos estão dispersos em quase todos os ambientes, de modo independente, não respeitando as mais requintadas etiquetas. Implantam-se sem obsecrar a devida vênia, pois ressumbram ares de tirania sem estremadura! ...
     Lembrar a efígie, quando determinada por certa distância, não equivale ressalva, visto que, em função do tempo decorrido, não registra expressão positiva, mas, sem hesitação plausível, corrobora com os referenciais relacionados aos prescindíveis elogios!
     Há negatividade premente com relação aos falaciosos panegíricos. Prestigiam, então, pessoas; tanto em fase de puerilidade, quanto em senescência – exortando uma diretriz ponderativa para mais ou para menos, adendando ao estado libratório das mais abstrusas antinomias crástinas do orbe.
     As psicologias errôneas dos dias hodiernos vêm acumulando sucessivamente elogios sem fundamentos, os quais só servem para desensinar o correto, e, de modo concomitante, sufragar os equívocos e más-formações nestes dias de crucialidade expiante.
     A criança, sem tomar conhecimento da garatuja impressa no papel, ainda é, de modo falacioso, encomiada no final da página, tal qual tivesse a perpetrar uma letra caligráfica, dessas que são usadas nas certidões fornecidas pelos cartórios mais rebuscados, do país inteiro, mormente neste rincão de tantas abrangências!
     Elogios para manter a desintegração do psicológico?!... Só, somente se, em caso de exício incontinenti, houver especiosidade regenerativa de uma degenerescência à sorrelfa, cabalmente abscôndita perante visões suscitadas a partir de probabilísticos visionários.
     Como são deletérios esses tartufos encômios, quase todos, sem exceção, encetados nas primícias dos rudimentares conhecimentos adquiridos a partir dos pródromos de adentramento, notadamente no jardim da infância querida!
     A criança pega o lápis, alongando-o nos últimos dedos da mão, e, depois de algum tempo, esboçando obiciamentos, escreve uma garatuja – das mais lôbregas! ... A professora, no desiderato de dar a falaciosa expressão de condescendência indevida, ainda consegue rubricar, com falcatrua o seguinte: “Parabéns, e que letra!”
     Naquela idade, o aluno não percebe os apodos que estão sendo dirigidos a ele! O certo, então, seria: “melhore a letra”; decerto, você vai longe quanto ao aspecto cartográfico, desde que preserve a obediência com relação ao formato normal da letra do alfabeto. E, destarte, nunca mais se poderia vislumbrar a veracidade das apologias. Todos esses panegíricos são de progressividade simulacral.
     Para que elogiar a própria demência, já que, por motivo implausível, estamos aderindo o excídio réprobo e cabal, principalmente o que vai se dispersando pelo orbe – sem discricionários de exclusão.
     Todos os tipos de “louvações” – sendo elas, de modo contundente, dirigidas aos diversos ramos da atividade humana – sem quaisquer exceções, servindo apenas para estiolar... De que forma, por mais controle pessoal, podemos transigir perante essas atitudes ignominiosas, sobremodo as que nos surdem, oprobriosamente, a partir de indivíduos considerados – maus caracteres – conquanto já deram prova cabal. São protervos, decerto, em tudo o que tentam ressumbrar...
     Pronunciam os anátemas, indiretamente, atingindo os colimadores errados, visto que, sem interpelação, esses elementos não podem declinar um só vetor resultante!
     A complexidade dos quadros, sem menção determinada, num cipoal sem limite; com certeza, estorvou o ponto mais nevrálgico, deixando-o na vacuidade negativa de todas as circunstâncias somatoriais!...




                                                   Wilson Cerveira


     

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O ATO DE LEMBRAR

   A cenestesia recrudesce em dias hodiernos. Sim, vive-se de vagas lembranças – laivos prescindíveis – em se tratando da fluição de atitudes, fatos e datas!
     Em virtude da proliferação exacerbada de informações, as reminiscências somente eclodem quando acirradas ao longo de suas projeções contidas nas colinearidades dos pensamentos! ...
     Quantas sendas, quantas! – genericamente, obiciam as trilhas que aduzem ao ato de deslembrar. Parece ser neologismo recente, caso não tenha outro que o comute, de maneira integral, sem a presença do enigmático conjunto vazio!
     A juventude estúrdia, em sua maioria, não deixaria jamais de fazer o contrário de todos os avessos, ressumando um orbe esfíngico, onde o próprio cabalístico – seu irmão gêmeo univitelino – medra em proporções descomunais.
     Não há imbróglio que justifique uma imane análise combinatória – sendo entre todas a mais complexa – porquanto existam veredas em circunstâncias de desleitura, ou, então, em desestudos! De fato, desaprendeu-se o quase nada que remanesceu em estado energumenismo, simbolizando os sujeitos mentecaptos...
     Em pleno porto, estamos agora, já que, com muita lepidez, perdemos a memória..., entretanto, ancoramos num local labiríntico, nunca dantes visto por algum fotógrafo ou cineasta veterano, acostumado às vicissitudes vitais! ...
     Até o presente ínterim, remanesce a cenestesia, que é a vaga lembrança, podendo não ostentar laivos de alguma reminiscência, desde que ela esteja em estado de latência ou percuciente letargia!...
     A História, disciplina palmar, é o esqueleto basilar imprescindível de toda uma cronologia. O tempo determina o fato – estabelecendo as estremaduras correlatas quanto ao ressumbratórios das essências atreladas aos episódios decorridos – aparatando suas causas e seus devidos efeitos e consequências.
     A senescência aduz-nos aos estigmas abscônditos. Às vezes, involuntariamente, necessitamos de espaços concernentes a dias sucessivos, meses, anos etc, para que, com justificadas razões, aquele pensamento aflore do mesmo modo, coligindo até o ponto nevrálgico das gêneses do vernáculo protótipo.
     Há síndromes, como a de Alzheimer, que vão, pouco a pouco, obliterando as noções idiossincrásicas. Os indivíduos vão-se deixando sucumbir, gradativamente, quando adentram ao olvidamento relacionado aos nomes dos seus ascendentes mais próximos! ...
     A linhagem de apropinquação não aparata laivos de determinismo quanto ao recrudescimento da síndrome paroxística palindrômica, mormente no que concerne aos pródromos das manifestações patológicas, dilucidadas, de forma abrupta, nos dias hodiernos, onde não se consegue harmonizar o conflito – por menor que ele seja em conteúdo! ...
     Regressando ao ato de lembrar, nada contradiz a veracidade existente no que se relaciona ao absconso, tendo-se por gênese as primícias das fases vitais e avitais, cabalmente desacompanhadas em seus pronunciamentos protótipos! ...
     É dentro da linha de normalidade aparente, sem digressões em curso, que se reminiscencia o sujeito incógnito. Outrossim, não podemos sofrer hesitamento, caso ele seja do mesmo clã ou nacionalidade. Destarte, o sujeito se metamorfoseia de tal jeito, remanescendo na quantificação de elemento preceptor; – a despeito de não gerar o mínimo necessário no que se refere ao aparato de uma efígie cabalística. E, assim, surde outro componente, – muito diferente do primeiro –, simbolizando as características heteróclitas de uma esfinge bizarra em todos os aspectos plausíveis e atinentes a uma porvindoura mácula perquiritiva dantesca, abrangendo todos os ressumbramentos temporais: hesterno, hodierno e crástino.
     Há atos de lembranças atinentes, de total degradância, que precisam ser rememorados. Ei-los: um ultraje, um perjúrio, uma ignomínia, uma ignávia estigmatizante!...
     Seria salutar palingenesiar apenas o regalo, os momentos de satisfação, em que a fruição imperasse!... Mas o ato de lembrar, caros leitores, independe de quaisquer circunstâncias – positivas ou negativas. Todas as experimentações, vivências e sofrências – sem exceção – ostentam suas lições de vida! A vida, nesse caso, seria um éden –em sua plenitude – se pudéssemos coligir somente boas notícias. Aprendamos as cognosias das más-notícias, conquanto tragam, de forma arraigada, entreveros, conflitos e vários paradigmas desarmônicos.
     O ato de lembrar a própria relembrança, desinumando-a em seu ponto nevrálgico de convergência divergente, tendo por referencial a própria penumbra! Os menos insipientes ininteligem as acepções que conduzem aos elusivos situacionais indeterminados em dispares implementações plausíveis quanto ao deslumbratório cabalístico em toda sua extensão...
     Velas ao derredor do moribundo – cercando-o completamente, estorvam as transgressões emergentes das cerceaduras. Não importa quem seja a pessoa do velado, visto que a decomposição orgânica é uma só, redundando em épulas sucessivas de putrefação orgânica, não remanescendo laivos resolutivos. Não há poder, pecúnia ou demais fortalezas que obiciem o surdimento de alguma esfíngica diferenciação. Todos nós, através do ato de lembrar, somos iguais quanto ao ato de putrefação!




                         Wilson Cerveira