sábado, 29 de dezembro de 2012

A TRAVESSIA E OS SÍMBOLOS NATALINOS -- PARTE III


   Elucubreis que, em 1959, numa tarde de sexta-feira do mês de março, houve na cidade de Alcântara do Maranhão, um segundo tufão, e, desta feita, como se fosse o rosnar repentino de loba faminta, tentando aniquilar, com a sua voracidade incontrolada, tudo o que conseguisse encontrar pela frente, até o pedestal de Nossa Senhora de Fátima, feito de concreto armado, estando situado no centro do “Largo da Igreja de Nossa Senhora do Carmo”. A coroa da santa, banhada a ouro, fora um presente dado pela senhora minha mãe – Nély Cerveira Marques --, para a escolhida mãe de Jesus Cristo, a santíssima Virgem Maria, que continuará sendo a sua maior devoção, rendendo-lhe sempre a mais justa de todas as homenagens, após ter sido curada de uma polineurite, que a deixou paraplégica por vários meses, após o meu nascimento.
   Novos telhados foram siderados, e algumas casas remanesceram em cabal excídio, depois de sofrerem o maior de todos os escombros, até então vislumbrados por um seleto grupo de uma sociedade, que também se tornou conivente com a ação destes proliferantes descalabros.
   Não olvideis que, em março de 1962, meia centúria prístina, ocorrera uma descomunal descarga de raios, que encetara por um seriado de relâmpagos, que foram devidamente observados por mim, desde o prostremeiro crepúsculo. O firmamento parecia piscar de instante a instante, de modo recrudescente. A partir de 19h ouviam-se os prelúdios de sutis estrugidos longínquos, advindos de um seriado prolongado de trovões à distância. Pouco a pouco, esses médios estampidos foram se aproximando cada vez mais!...
   A retumbância passou a ter um caráter de especioso medo, em detrimento do incisivo carmim atmosférico. O firmamento parecia traçar, geometricamente, as radiografias verossimilhantes, que se faziam descortinar, através de descargas elétricas consecutivas e interpenetrantes. Então, queirais entender que na exação de 20h30min, período em que a minha mãe, e, também professora primária, lutava para ensinar-me o método mais prático de como fazer uma conta de multiplicar cujo multiplicador apresenta três algarismos. Antes que a explicação chegasse ao seu final, fomos pegos de surpresa pelo ribombar estentório do trovão, uma vez que o raio já havia atravessado velozmente o espaço atmosférico. E, nesse caso, todas as alternativas estavam vencidas, e o único jeito era o de recolhermo-nos para debaixo da mesa.
   No dia seguinte, tivemos como comprovância a certeza de que a fagulha atmosférica caíra, lateralmente, em diagonal, na parede da casa contigua, cindindo-a externa e internamente, um pouco acima da linha onde estava cravado o anteparo do antigo rádio-mesa, objeto de grandiosíssima utilidade, pois retransmitia programas e novelas, mantendo os seus ouvintes bem informados.
   Foi a única vez que meu avô paterno – Marcial Ramalho Marques, apavorado diante do acontecimento atmosférico sinistro, resolveu fechar, com celeridade as portas da “Casa de Comércio”, e chegar mais cedo à casa residencial, pontualmente, isto é: às 9h:15min. Ao passo que, melhor dizendo, seu horário habitual pertencia ao interregno entre 22h: 30min às 23 horas. Depois dessa estarrecedora ocorrência nefasta, não lhe restaria outra providência, a fim de que pudesse sentir o refocilamento de uma solução apaziguadora.
   No dia seguinte, a Dona Lídia Gusmão, a mesma que ajudou a minha parteira Faustina, mostrou-nos a parede fendida em sentido diagonal, e nos disse, confidencialmente, o medo de morte que sentira naquele átimo onde vislumbrara um fogo abrupto tentando se alastrar velozmente. Até o presente instante, confesso-vos que guardo na memória, após 50 anos, aquela ressonância tonitroante, assim como o lampejo de uma enorme cratera de fogo exterminador.
   Saibais que, através do postremeiro reminiscente, a travessia deixou estigmas excruciantes, muito antes que adentrássemos ao barco – “São João da Barra” – do mestre Apolinário. Os sucedâneos vinham alternadamente se reiterando como se fossem provas cabais da própria existência lancinante. Os dias rubros, amealhados sob a luz de um sol canicular fenecente, vinham a desferir o rosicler macambúzio de todas as horas inumadas de profunda tristeza.
   Tomeis conhecimento prematuro que, numa manhã de agosto de 1964, posicionei-me no peitoril da janela do “Mirante”, e pude presenciar à retirada dos presos da “Penitenciária de Alcântara”. Foram recambiados para São Luís. Alguns já haviam perpetrado crimes hediondos; outros, no entanto, ainda planejavam praticar um maior número de assassinatos, porquanto suas penas não lhes valeram nenhum tipo de aprendizagem salutar, principalmente no que concernia ao estado degenerativo contido nas especiosas etiquetas.
   Peremptoriamente, no dia 30 de novembro de 1966, o vento batia com sibilação ímpar, açoitando a proa do barco, sempre buscando as imanes indiferenças reinantes em quaisquer partidas.
   Finalmente, tínhamos que repor os símbolos dos natais do prisco: a árvore-de-natal, o presépio do “Menino Jesus”, as cores, as músicas, os brinquedos etc.
   Havíamos sepultado, até então, todas as faixas etárias vitais: a puerícia, a puberdade, a adolescência, a maturidade, a mocidade plena, a pré-nescência (que é uma profunda visionária deste coma irredutível).
   Deixeis que eu me mantenha neste lugar ermo, no qual ainda reminiscencio os natais pretéritos, apoteotizados de onirismo alumbratório!...
   Não obicieis a minha visão, e façais com que eu enxergue, com clarividência, os símbolos natalinos dos natais somatorizados, passando pelas dimensões prolativas do hesterno, do hodierno e do crástino.

                                                  Wilson Cerveira

A TRAVESSIA E OS SÍMBOLOS NATALINOS -- PARTE II


   Tenteis depreender que a maioria dos meus brinquedos era de corda. E, ainda, reminiscencio os seguintes: um casal de bailarinos – Zeferino e Lidiana, após a aplicação da corda, saiam corredor adentro, e, às vezes, iam parar na soleira da cozinha; um verdureiro chamado Lerdônio, também exibia desenvoltura ao vocacionar os vegetais que conduzia naquela pequena carroceria lúdica; um peão musical, após ser bombeado por um cilindro de metal, tocava belas composições, enchendo o varandão de alacridades consecutivas etc.
   O meu avô tinha o vezo de adquirir esses artefatos de corda, sempre os comprando em triplicata, como se, antes da utilização, vaticinasse o sujeito a perda, a quebra, o estropiamento súbito. Mas, de qualquer forma, o senhor de cabelos encanecidos acostumou-me mal, pois eu sentiria alhures a lacuna impreenchível, de tudo o que perdesse no decurso impiedoso dos anos! Logo, sem pestanejar, o trauma instalar-se-ia, interminantemente, sob a condição patológica de um obsessivo e percuciente estigma. De fato, não encontraria comutações com relação a todos os agraciamentos, já que esses aparatos ressumavam óbices impérvios!
   E, antes de abandonar definitivamente a casa residencial, reexaminei as lembranças imorredouras contidas em todos os aposentos do casarão antigo, embora tenha as encontrado sob a obumbração de murmúrios redundantes de uma cabal solidão! Também, dessa mesmíssima maneira, encontrei os respectivos brinquedos, já dissecados pela ação deletéria do tempo, jazendo em estado de cominação, no qual as cabeças, braços e pernas se dispersavam em todos os recintos do vetusto sobradão!
    Saibais que os símbolos natalinos, indispensavelmente, eu os trazia na bagagem de mudança e na evagatória elucubrática. E, na ânsia de revê-los, descerrei a fita gomada que envolvia a abertura longitudinal da caixa de papelão. Após alguns minutos de trabalho, pude lobrigar o Papai-Noel de aljôfar, exatamente o mesmo que fora comprado para compor a minha primeira árvore-de-natal, armada em dezembro de 1954.
   Presumais que, somente em setembro de 1956, pude vislumbrar estas relíquias natalinas, notadamente no átimo em que ocorrera a protótipa cenestesia. E, no ano seguinte, precisamente numa manhã de abril de 1957, na condição de pavidez pueril, pude esconder-me no quarto de dormir do meu avô paterno, quando percebei o zumbido estrepitoso do tufão, isto é, um minifuracão a balouçar com rajadas fortíssimas de vento as janelas frontais e laterais do varandão, como se quisesse arrancá-las de vez. As telhas de muitos telhados voaram em serial debandado, já que não estavam presas nas pontas por alguma argamassa de cimento.
   Árvores, coqueiros, mangueiras, sapotilheiras, abacateiros, palmeiras, goiabeiras etc, todas essas plantações de maior porte sofreram o exício auspiciado pelo altíssimo furor do vento a varrer ruas e praças, fazendo com que os animais, de modo geral, rodassem, aleatoriamente, num descompasso a toda prova. Foram trinta minutos de agonia! Na soturnidade da noite densa, não se percebia a não ser o sibilar violentíssimo de um vento assobrador. Muitas pessoas ficaram cosidas à parede, com receio de que o teto desabasse em consequência da ação malévola do tenebroso tufão!...

                                                   Wilson Cerveira

sábado, 15 de dezembro de 2012

A TRAVESSIA E OS SÍMBOLOS NATALINOS -- PARTE I


   Saibais que sou impertérrito em exarar, com indelebilidade nostálgica, o quadragésimo sexto ano desta travessia, que ocorrera no dia 30 de novembro de 1966, -- de Alcântara para São Luís, realizada pelo barco “São João da Barra” – de cuja propriedade pertencia ao mestre – Apolinário, um dos marinheiros mais experimentados com relação aos perigos iminentes de um boqueirão a ostentar um vórtice perdurante.
    Compreendais que vinha em companhia de minha família, e, apresentava como desiderato fundamental a concorrência ao exame de admissão ao antigo ginásio, e cujo estabelecimento alvo era o vetusto Colégio Maranhense – dos Irmãos Maristas – situado na Rua Oswaldo Cruz, na antiga “Quinta do Barão”.
   Requesteis a acepção dessa apoteótica travessia, tendo por referencial basilar o tempo em que fora efetuada, consoante as sendas da esfíngica destinação. Decerto, tenhais os labirínticos átimos da candidez mádida, e vereis a demudência dos símbolos lúdicos, na tentativa onírica de reminiscenciar os aparatos dos lídimos ícones natalinos.
   Porventura, entendais que eu ostentava entre os dedos da mão direita os apetrechos imprescindíveis dos desenhos peremptórios: compasso, esquadro, transferidor e régua. E, em cabal boqueirão, nesse caso, façais os mais cabalísticos planos de épura, para que traceis as bissetrizes e as medianas destas figuras geométricas que palingenesiam as árvores-de-natal e os presépios do prisco, -- afirmações perpétuas de tudo o que se averossimilhava com relação às tradicionais festas dos adventos que se reiteram perenemente.
   Compreendais as perdas preciosas que incidiram sobre minha singularíssima pessoa, antes que me fossem infligidos os interregnos procelosos do turbulento trecho de mar, onde o vento bate fortíssimo na proa do barco, dando a especiosa ensancha de querer, inopinadamente, deixá-lo à deriva.
   Deixeis que eu enumere as funebridades que me consternaram, abrangendo um mistilíneo de puerícia e puberdade. Então, ei-las: em 27 de maio de 1960, presenciei, de modo enternecido, o trespassamento de minha avó materna – Maria das Dores Martins Cerveira.
   Depois, num compungencial de plangências, em julho de 1962, tive que assistir ao inumamento do meu avô materno – Pedro Leite Cerveira. Posteriormente, no ano seguinte, isto é: em 14 de março de 1963, pereceu o meu avô paterno – Marcial Ramalho Marques, que fora vítima de um fulminante infarto do miocárdio. Nesse período, era o prefeito da cidade de Alcântara, exercendo o seu segundo mandato, já que o primeiro dista do ano de 1950.
   Tenhais a certeza de que sempre me senti seguro ao lado do meu avô – Marcial Ramalho Marques. E, destarte, servindo-me de escudo, decerto, ninguém ousaria tocar-me o dedo. Tanto assim, apreciava-lhe a imagem varonil, descrevendo-a minuciosamente, sem que houvesse a mínima possibilidade de olvidamento quanto a morfologia pertinente ao arcabouço orgânico de seus aparatos de excentricidade comprobatória. De inopino, ei-lo a emergir de um caprichado terno de brim, num afogadilho de punhos e golas, aparatando uma atitude de quem se encontrava em estado de penitência prolongada. Na cintura, ostentava um cinturão apertadíssimo, cuja fivela remetia-o a um eixo de cilindro, determinando uma incorrência no postremeiro pertuito do tirame de couro legítimo. Na lateral direita do cós, trazia colado ao corpo – sem dele se apartar – um baita de um revólver de calibre – 38, do tipo cano longo. E, diante do devido comenos, num sequencial de fenecimentos, tive que inumar os resquícios da puerícia e as remanescências da puberdade no próprio telúrico natal, minutos antes da inesquecível travessia, numa orquestração merencória auspiciada por  um tristiíssimo som funéreo!...

                                      Wilson Cerveira

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

SÍMBOLOS PATOLÓGICOS



   São lobrigados pelos prazenteiros, e são objetos que requestam primazia, uma vez que aparatam altíssimo grau de aliciamento compulsivo e degenerescente. De fato, postulam um frenesi fanático infrene, independentemente dos demais fatores intervenientes.
   Os símbolos patológicos surdem no átimo em que a obcecação conflagrada ofusca os pontos vislumbratórios elucubráticos, existentes na tridimensionalidade do âmbito colimador. E, destarte, é de se supor que, após alcançarem o estado crônico da inveterabilidade, cheguem a relegar as necessidades freudianas basilares: fome, sede, sono e sexo; com vistas a fruir, de maneira premente e inconfutável, os desideratos voluptuosos do seu próprio fanatismo.
   Os ícones, em frêmitos, ostentam matéria, contendo massas e formas das mais metamorfoseantes. E, após os afiguramentos convincentes, tomam destinações tergiversantes com relação às sendas a serem percorridas. Nesse caso, não encontram parceiros prontos para a devida partilha, pois prescindem de quaisquer circunstâncias. Então, não vislumbram as urgentes necessidades dos estipêndios estabelecidos por leis trabalhistas e outros apetrechos regentes quanto ao imane consumismo presente no êmulo mercado de trabalho.
   Os símbolos patológicos irrompem isoladamente ou em conjunto. Quando se apresentam de modo unitário, podem ser vistos sob o impacto estrugido da rejeição. Caso estejam a formar uma coletividade, demonstram a direitura de aceitabilidade convincente, por parte de uma sociedade que os incorpora na qualidade de anódinos.
   As imagens podem, conquanto levógiras, receber a quantificação do aprazimento de uma modalidade especial de energia condensada. Desse modo, readquirem a pujança da permanecibilidade. Os jogos futebolísticos, notadamente as vulgarizadas “peladas” gratuitas, ressumbram a máxima agressividade pertinente a este círculo vicioso e interminável, sobremodo com relação ao hodiernismo deletério.
   Esses escorços mórbidos são praticados em todos os logradouros públicos. Armam-se  traves nas ruas principais, transversais, perpendiculares e colaterais.
   O cinismo valetudinário é tão grande, que os energúmenos ameaçam as laterais e os frontispícios das residências menos protegidas; ao passo que os mentecaptos afrontam os telhados das casas, sobrados e sobradões mais vetustos, e chegam a cominar os moradores, e, de modo reptatório, tendenciam implantar traves nas áreas superiores cobertas, em apenso, por esses recintos contíguos, parcialmente alpendrados.
    Os participantes dessas atividades lúdicas tresvairadas, decerto, demudam-se fisionomicamente, sobremaneira naqueles átimos onde estão a perpetrar as sanhas armazenadas em seus psiquismos malévolos. Assim sendo, as máquinas fotográficas digitais e as filmadoras de última geração, sem dubiedade, as registram, juntamente com os traços fenotípicos estropiados, – da maioria desses vesânicos --, sobremodo dos que padecem da síndrome do ócio pernicioso.
   Outra forma da simbologia patológica está centrada no uso indiscriminado e permissivo das drogas mais pesadas, as que causam uma percuciente dependência de natureza física e psíquica, concomitantemente.
   Essas criaturas enfermiças aparatam um quadro sintomatológico deletério. A cada instante, sem hesitação, sentem-se aliciadas pelas drogas, ressumando uma psicose obsessiva compulsiva, que somente terá cessação quando os organismos se encontrarem libertos desses grilhões, os quais são produzidos por substâncias químicas de alta toxicidade.
   Hodiernamente, há símbolos em todos os lugares e ambientes. Precisamos descobrir um meio contemporizador eficiente, do qual tenhamos o direito de, mesmo sendo de elevadíssima meticulosidade, saber, com sapiciência, conviver com as agruras proporcionadas, de fato, por esses sujeitos acrimoniosos, que trazem para si, isto é, de fora para dentro; e, de dentro para fora, não se podendo estimar o percentual exatório, embora saibamos que se apropinquem de modo inequacional!...

                                 Wilson Cerveira

sábado, 1 de dezembro de 2012

ELOGIOS METAMORFOSEADORES DEGENERESCENTES


     Desde os tempos de antanho, perquirem-se acuradamente as causas geratrizes responsáveis pelas falsas apologias que aduzem aos diversos tipos de louvores falaciosos, os quais sempre foram cultivados pela sociedade do simulacro e do espetáculo.
   A criança, quando começa a sentar, é aplaudida – mesmo sem motivo – antes que, por coincidência fortuita, comece a brincar com os excrementos sobejantes contidos nas laterais da própria fralda em desalinho!... Caso ela nasça ostentando um diâmetro craniano descomunal, além de exibir mega-olhos no interior das órbitas oculares frementes, passará a ser cognominada, de modo factício, de criatura prodígia, sem que o seja na raiz basilar da comprovância cientifica da excepcional genialidade!   E, quando adentram aos recintos escolares, são recebidas como se fossem pessoas ágeis e habilidosas, ainda que, de maneira abscôndita, aparatem a síndrome, hodiernamente, denominada de DAH (Déficit de Atenção e Hiperatividade).
   As fases vitais do desenvolvimento vão se sucedendo, e tudo o que o sujeito faz, por pior que seja, parece ter uma configuração diferente quanto ao ato de embair as mais argutas atenções colimadoras. Se ele buscasse a velocidade extrapolante, seria aclamado de mestre na arte de dirigir, se bem que o faça de maneira perversa e criminosa.
   Caso participe de negociatas sub-reptícias, envolvendo dirigentes facínoras e classes governantes réprobas; o sujeito referendado, e sem meticulosidades, é recebido com protocolares ovações lisonjeiras e regimentais. Assim sendo, esses elementos sacripantas têm sido estribados, tripudialmente, por leis perdurantes, tendenciosas e hediondas.
   O filhão, cabalmente degenerado, saúda o seu próprio velhão, apontando-lhe uma baita pistola automática, e , em seguida, pressionando-a sobre a primeira vértebra cervical, precisamente naquele homem alcunhado de pai-porra!... E, nestes tempos de oprobridade ignominiosa, todas as ações neuropsíquicas são afiguradas como sendo inusitados paradigmas – de implante degenerativo, dando o pseudo-aparato de uma especiosidade estigmatizante!
   Tendo por anteparo os retábulos e os dosséis, onde ficam reconditadas as malévolas criaturas, as que são lídimos santimônios de altíssima periculosidade. Tentam ostentar sustentabilidades na fomentação de atos de cabal extorsão, e que são perpetrados com requintes de percuciente nequícia!...  
   Formular uma imagem mirabolante, com suscetibilidade de se fazer impingir pelo elemento-atendente, totalmente enigmatizado, é necessária, já que as atitudes são cominatórias e de virtual estado execratório.
   Hodiernamente, urge empregar os diferentes modelos de encômios metamorfoseadores e degenerescentes, com a finalidade exclusivista de tentar o resgate, mesmo que esteja sob a mira da hediondez praticada por sicários pertencentes ao sistema acoplador da mais heteróclita barbárie esturdiante.
   Imagens sobrepostas posicionam-se para dar ênfase cumulativa ao protótipo ícone, uma vez que se resume somente em um buçal especioso, em cabal vacuidade. Destarte, estes ostentórios comportamentais corroboram no sentido de ascender a imagem sucumbente, e, de modo simultâneo, denegrir o caráter de quem, sem escrúpulos, quer rutilar de maneira arrivista.
   De súbito, fico surpreso, ao deparar-me com imagens que se descortinam abruptamente, no exato átimo em que há vislumbramento frenético das aberrantes probabilidades insurgentes!... E, com desfaçatez, tentam demudar-se objetando a virtual condição de serem aceitas, de quaisquer jeitos, mesmo estando sob a afiguração declinante de pessoas vencidas e degeneradas!...
   Por ilação peremptória, estes ícones demonstram a representatividade sintomatológica dos vazios, dos obscuros e dos insignificantes; embora a mídia os tenha no patamar do engalanamento labiríntico, como se fossem brilhantes de fulgurância ardilosa!...

                              Wilson Cerveira 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

ENTRE O BRILHANTISMO E A SÍNDROME CEREBRAL


     Perquire-se há muito tempo, sem cerceamentos, o que vem a ser genialidade, e, ainda, não se detectou o lídimo vetorial resultante, capaz de dilucidar a implexidade desta imane síndrome fulgurante.
     A genialidade atende as demandas atinentes aos maus gênios, aos bons gênios; aos gênios do bem, e, também, aos gênios do mal. E, sendo assim, a prodigiosidade máxima transcende aos limites de quaisquer normalidades. Deveras, ressuma o que se denomina de “transtorno de desenvolvimento”. É, de fato, a síndrome salutar dos gênios!... Não é uma patologia propícia, mas uma extra normalidade plausível!...
     Os gênios, de modo geral, estão nas estremaduras propinquatórias da síndrome do transtorno do desenvolvimento. Então, esta fenomenologia rutilante da mente incrementa-se em direção ao construtor, e, de igual modo, com relação ao destruidor peremptório. E, comprovadamente, a inteligência aguçadíssima, transpondo todas as estremaduras da hiper-capacidade, tem as cifras indicatrizes dos itinerários impérvios, capazes de ressumbrar os enigmas postremeiros do elucubrático.
     Segundo Temple, Einstein (1879 a 1950) só aprendeu a falar aos três anos e não manifestou nenhum sinal de genialidade na infância. Como muitas crianças autistas, era hábil em decifrar charadas e quebra-cabeças. Ele próprio admitiu: “Algumas vezes pergunto a mim mesmo: Como pude ter sido o único a desenvolver a teoria da relatividade? A razão, segundo creio, é que um adulto normal jamais pararia para pensar a respeito de problemas de espaço e tempo”.
     Esporadicamente, transtornos do desenvolvimento são acolitados de senso estético acendrado, capacidade de fazer cálculos complicados e memória colossal. Isto se deu com o americano Leslie Lemke que, aos dezesseis anos, tocou com perfeição o concerto nº 1 para piano de Tchaikovsky, depois de ouvi-lo uma única vez em um filme que passou na televisão. Ele nunca tinha tido aulas de piano, é cego e aprendeu a andar apenas aos quinze anos, pois teve paralisia cerebral. Aos sessenta anos, toca vários estilos musicais no instrumento e faz concertos nos Estados Unidos e na Europa, nos quais improvisa e executa algumas composições próprias.
     Morto em 2006, o escocês Richard Wawro, diagnosticado com altísmo, surpreendeu um professor de arte com os desenhos que fazia quando ainda era criança. Reconhecido por vários críticos de arte, é descrito como artista que reúne “a precisão de um mecânico e a percepção de um poeta”.
     Por fim, o americano Kim Peek inspirou o personagem interpretado por Dustin Hoffman no filme Rain Man (1988). Ele memorizou mais de doze mil livros entre a Bíblia e toda a obra de William Shakespeare. Era capaz de ler duas páginas de um livro ao mesmo tempo, uma com cada olho, e reter todas as informações. Também, conseguia dizer o dia da semana em que qualquer pessoa nasceu com base na data de nascimento, e sabia os títulos de milhares de peças de música clássica -- além do nome do compositor e a sua data de nascimento. Tinha dificuldades motoras e dependia de ajuda para tomar banho e fazer suas necessidades básicas até a sua morte, em 2009, aos 59 anos.
     Lemke, Wawro e Peek são casos de síndrome de savant, uma rara e intrigante combinação de deficiência e brilhantismo intelectual relacionada a transtornos de desenvolvimento. E, nesse casso, exames com neuro-imagens mostram que a síndrome está atrelada a alterações no hemisfério esquerdo cérebro. Mesmo assim, sabe-se pouco sobre a síndrome de savant, apesar de alguns casos aparecerem na literatura científica desde o século XVIII.  Em 1789, o médico americano Benjamim Rush descreveu a incrível habilidade de cálculo de Thomas Fuller, um rapaz com deficiência mental que nunca havia tido aulas de matemática. Quando perguntaram a ele quantos segundo um homem teria vivido ao completar 70 anos, 17 dias e 12 horas de vida,  ele deu a resposta correta de 2.210.500.800 em um minuto e meio, levando em conta 17anos bissextos. Um século depois, o médico John Langdon Down, conhecido por identificar a síndrome que leva seu sobrenome, descreveu 10 casos de savants ao longo de três décadas em que trabalhou em um centro psiquiátrico em Londres.
É de bom alvitre exarar que, como o autismo, a síndrome de savant é cinco vezes mais frequente em homens. Pode ter origem genética ou ser adquirido algum dano cerebral ou doença que atinge o órgão, como encefalite. As faculdades despertadas são, em sua maior parte, muito específicas e correspondem a áreas do hemisfério direito associadas a habilidades simbólicas, artísticas, visuais e motoras. Por isso, a maioria deles se destaca na música, arte, formas de cálculo e atividades que demandam aptidões mecânicas e especiais. Em contraste, apresentam deficiência nas capacidades ligadas ao hemisfério esquerdo, mais sequenciais, lógicas e simbólicas, como a linguagem e a especialização da fala.
     Pode-se, no entanto, corroborar que savants com aptidões musicais como Lemke, conseguem distinguir sons com perfeição e tocam instrumentos com facilidade impressionante. Alguns são capazes de criar composições complexas. Por algum motivo, a genialidade musical vem muitas vezes acompanhada de cegueira e deficiência mental. Um dos mais conhecidos savants foi Blind Tom (“Cego Tom”) Bethune, que viveu de 1849 a 1908. Naquela época, chegou a ser referido como “a oitava maravilha do mundo”. Embora não falasse mais que umas poucas palavras, era capaz de tocar muito bem mais de 7(sete) mil peças para piano, inclusive várias de suas próprias obras, algumas delas gravadas pelo músico John Davis e lançadas em CD.
     Os autistas visuais savant, por sua vez, dominam formas artísticas, embora geralmente se expressem por meio  de desenhos e esculturas. O americano Alonzo Clemons, por exemplo, consegue esculpir, em menos de 20 minutos, réplicas de cera de animais que vê na TV. Seus modeles são exatos em pormenores e proporções. Também, por arquétipo, temos a americana Ellen Boudreaux, cega, que pode se orientar em florestas densas e outros espaços que não conhece, sem que bata em objetos. Ela tem percepção perfeita da passagem , conquanto não tenha acesso a um relógio, mesmo em braile. Essa  habilidade se desenvolveu no dia em que sua mãe a deixou ouvir o serviço de hora  certa por telefone. Depois de escutar por certo tempo a voz gravada dizer a hora e os segundos. Ellen, aparentemente, acertou seu relógio interno. Desde então, é capaz de dizer a hora com precisão de segundo, não importando a estação do ano.
     Em alguns casos analisados, o conhecimento sindrômico dos savants está relacionado a uma memória, especiosamente, ilimitada, baseada na reiteração habitual. Às vezes, o armazenamento de informações, entretanto, não é acompanhado da compreensão do conteúdo. Alguns dos primeiros observadores chamaram esse fenômeno, oportunamente, de “memória sem reconhecimento”. Já Down usava a expressão “aderência verbal” para caracterizá-lo. Um de seus pacientes era um menino que leu nada menos que os seis volumes que compõem a obra História do declínio e queda do Império Romano, de Edward Gibbon ---, ele conseguia  recitá-los de trás para frente, palavra por palavra, posto que fizesse isso ser ter qualquer compreensão do que se tratava.
     Finalmente, estamos diante de uma estarrecedora narrativa, onde temos a ensancha de contemplar a infinitude existente neste orbe enigmático, que fica situado nas estremaduras do brilhantismo e da síndrome do transtorno do desenvolvimento.

                                                  Wilson Cerveira

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

BOCAS QUE BEIJAM E ESCARRAM CONCOMITANTEMENTE!...


   Dr. Esculápio, denominado de o doutoríssimo, testemunhara a corroborativa reinante quanto à existência da inversão dos prognósticos e diagnósticos clínicos, notadamente nesta ultra modernidade esquipática.
   No decurso do tempo inclemente, a insanidade, presente nos manicômios do orbe, chegou ao fastígio hodiérnico apresentando certo grau de estabilidade; ao passo que, -- do lado de fora dos manicômios --, a vesânia progride em mar aberto, quase em estado absoluto de infrenidade, estabelecendo uma característica marcante de uma cabal instabilidade em cada átimo ressumbrado.
  O hodiernismo faz com que as pessoas se demudem randomicamente, e, após, metamorfoses degenerativas, sucumbam em pleno estado de irreversibilidade, -- numa ressumação inequívoca e extra manicomial!...
  As criaturas, quiçá, em dias hodiernos, buscam recantos simulacrais, sobremaneira quanto ao posicionamento em ladeiras íngremes, onde se latibulam os mais excêntricos buçais. Depois, aparatando reações anódinas, cumprimentam-se vestidas em suas fantasias carnavalescas, como se estivessem no pináculo colimador das degenerescências sociais.
   Hoje, após minuciosas inquirições, a boca se submete a um plano de simetria determinante, realizando, com simultaneidade, a dupla ação de beijar e escarrar concomitantemente, segundo o parecer do Mestre – Ergostino.
   Indivíduos que estavam fora da Casa de Orates, sofreram um total olvidamento, e não se lembraram de cogitar que os seus devidos lugares, no ápice vigente, convergiam para o interior do nosocômio especializado para o tratamento dos distúrbios psiciossomaticos.
    Porquanto, os que estão além dos muros dos manicômios, não tenham a percepção da triste realidade desses hospícios, e que, também, sejam incapazes de reconhecer os níveis crescentes e decrescentes de suas conturbantes disfunções de natureza neuropsíquica.
   Dr. Esculápio dilucida, por exemplo, que o local onde Gárdne vive é um centro para tratamento de distúrbios do desenvolvimento, e não um hospital para doentes psiquiátricos.
   Gárdne era fascinado por números, e tinha extrema facilidade com eles. De fato, ostentava a habilidade de calcular o resultado de equações rápida e corretamente, sem usar papel ou lápis. Sua poderosíssima memória era capaz de recordar uma tabela de trinta e seis números que lhe foi dada para estudar durante dois minutos. E, em quarenta e três segundos, o mencionado rapaz reproduziu a tabela com os números exatamente nas mesmas posições.
   A sequencia em que Gár memoriza a lista telefônica, enquanto passa os olhos pelas paginas da letra “G”, e depois surpreende a garçonete ao ler o nome dela no crachá e dizer em seguida o endereço e o número do telefone da sua casa. Isto tudo é impressionante no que concerne ao método similar dos tipos de leitura, assim como, sem perplexidade, a sua ingente capacidade de memorizar enciclopédias.
   Realmente, existem bocas e cérebros treinados para efetuar as numerosas ordens de comando neuronal. Atualmente, sem receio de cincar, a Ciência aparata as condições favoráveis para que o cérebro seja maior e com mais neurônios.
   Finalmente, aflora a transmissão bem-sucedida, já que o cérebro humano tem aproximadamente 100 bilhões de células neurais, conectadas por inimagináveis 100 trilhões de sinapses. Assim sendo, as mutações genéticas influem diretamente nos “códigos” que determinam a função das proteínas no sistema nervoso – o que se manifestará pela alteração da atividade cerebral. Essas estruturas são decisivas na formação das sinapses, que são os pontos de conexão entre os neurônios, responsáveis pela transmissão de informações no cérebro.

                                   Wilson Cerveira

sábado, 10 de novembro de 2012

A PALINDRÔMICA SÍNDROME



   Gerasiana ressumbrava a síndrome da palinódia, que é a recidiva regressiva, ou então, a retratação de tudo o que fora dito intempestivamente.  De fato, a energia libinal percorria-lhe os interstísticios dos órgãos genitálicos, todas às vezes que imputava assacadilhas, e, posteriormente, usava o recurso da retratação.
   Geralmente, esse tipo de pessoa sente um desejo mórbido, no exato momento em que está praticando o devido aviltamento do sujeito cognoscível, aduzindo-o a uma condição percuciente de extrema abjeção. E a partir desse comenos abrupto, impunha-lhe o cerceamento cabal, que era a maneira escorçada do constrangimento constante, sem que houvesse o mínimo direito à defesa, à fuga e ao estado epinicial de liberdade!...
    A sua amiga tartufa – Elebástena –duas décadas de provectude vanguardista, achava que o ato de ver uma pessoa consecutivas vezes, obedecendo a um interregno considerável de tempo, como se fosse algo que lhe proporcionasse uma margem de segurança irrestrita, mormente no que concernia ao conhecimento essencial das causas e efeitos da referida benevolência.
   A benemérita criatura não atentou para o fato de termos indicadores elevados de criminalidade, gerados no aconchego dos lares, onde as pessoas parecem comungar, lado a lado, as várias etapas vitais de imunidade embuçalada, estando sob a forma de uma esquizofrenia insólita.
   Eletério, mais decrépito do que a sua mulher – Gerasiana --, não elucubrou a probabilidade de estar ladeado por dois binômios: a palinódia e a palindrômica síndrome. E, deveras, o tipo do sujeito palindrômico, acima descrito, era heteróclito em sua dimensão – de maior ou de menor abrangência. Conseguia incrementar reiterações horárias e anti-horárias, sendo progressivas, ou, então, regressivas, independendo das abstrusões comportamentais manifestadas no decurso vital de vivências prolongadas, experimentações e sofrências.      
   O seu desiderato, decerto, era o de partilhar as mazelas mórbidas do próprio caráter degenerescente e réprobo, sobremodo no que se lhe propusera exequir, acuradamente, no ramerrão existencial.
   A palindrômica síndrome somente ressumava valimento, se estivesse exercendo o seu real paroxismo, quando superabundavam os proliferantes caracteres especiosos existentes nas entranhas dos distúrbios orgânicos incógnitos.
   À sorrelfa, a prelibação tornava-se incongruente, sobretudo em se tratando do vagir existente em quase toda a extensão inquisitorial jacente. E, de fato, existia o alumbramento abrupto de todas as circunstâncias vislumbradas nos desvãos das ensanchas  em suspeição!...
   O mais implexo de todas as adversidades coligadas – de modo torniquete, estaria no ato tripudiante de fixar o pé no chão, e, depois, aguentar o peso descomunal da própria catástrofe conflagrada.
   Indubitavelmente, ela lho disse, na soleira do sobrado, o seguinte: aí não adentrarei, pois não fui convidada para participar de tal evento, que é o de caráter phaloinoculatório premente.
   Então, a grosso modo, ela se engalanara para o encetamento da autorretratação. Dessa forma bisonha, estaria a prestar um desserviço cabal, por mais que tentasse justificar a sua real presença no seio da família, que é uma instituição insolvente, contendo perjúrio e outras execrações. Dessa feita, à guisa, sem pensar em maiores considerações, ela promanava o rocio tépido que lhe vinha vindo vagarosamente – até tomar conta de todo o espaço relacionado ao comprimento e largura da ilharga!...
    Ila-se que, na medicina clássica, a palavra síndrome é usada para designar um conjunto de sintomas que, conquanto se manifestem de maneira epidemiológica, podem variar na intensidade – e se expressam de forma individual e analítica.

                                       Wilson Cerveira 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

PSICOLÓGICO EM CONFLITO


    A psicologia do comportamento ostenta: uma aparente normalidade capciosa; um jeito de comportar-se como normal, conquanto tenha ideias que extrapolem os limites plausíveis da própria insânia; ocultamento do grau de voracidade infrene da libido, aparatando apenas uma demonstração inequívoca do simulacro filantrópico etc.
   O elemento experimenta a lancinância de uma participação conflituosa, transferindo-a sempre para o outro, que é o representante-cerne da imputação aleivosa. Dessa forma, não há tempo suficiente para expurgar o conteúdo deletério, que é o gerador inequânime de todos os crimes perpetrados a favor do psicológico em conflito, lobrigado ao longo de várias centúrias!...
   As ocorrências proporcionadas -- pelo psicológico em conflito – são as seguintes: o ato de reinventar e reinventariar novas imagens – polutas ou impolutas; ser bastante ousado em confessar a verdade; ir em perseguição ao turbilhão da descomunal farsa montada, onde vislumbraremos o gládio entre o irreal e o virtual, após a confecção do invite gráfico.
   O psicológico em conflito faz surdir um tipo abstruso de sujeito tecnológico, que se apresenta com quatro celulares, cada um com três chips, dizendo que esta se sentindo apto para atender quaisquer telefonemas, ainda que provenham de recantos longínquos e abscônditos. Então, esses aparelhos de telefonia celular, às vezes, simbolizam buçais em cabal vacuidade hodierna.
   O hecatômbico surge de qualquer modo, e sempre mostra a face tenebrosa do impacto causado pela emoção negativa. E, dessa forma bisonha, ainda vislumbramos as fisionomias esquálidas; os rostos deformados e as faces encarquilhadas pela prematura senescência exicial!...
   Não hesitemos em exarar, epistemologicamente, que o homem hodierno é produto do psicológico em conflito, lidima forma de cizânia, que o aduz a um estado de mutabilidade consignatória.
   O sujeito, quando atinge ao fastígio da desarmonia, é capaz de criar e recriar a própria imagem sucumbida, assumindo ser-lhe o âmago refutatório com relação aos preceitos e preconceitos coligidos em total abominação.
   O psicológico em conflito ressumbra a desnudez de um ego em estado de percuciente asfixia – tal qual o soçobro de milhões de neurônios em plena provectude avassaladora!...
   A ausência da carteira de reservista, adquirida na faixa etária dos dezoito anos, acarretou uma obsessão de cronicidade excruciante, desde que o sujeito apoplético chegou ao período consumatório pertinente ao sexagenário.
   A labilidade é resultante inconteste do imenso conflito que, quando gerado a partir do caos da insanidade corroborativa, irá evoluindo até alcançar o píncaro da total deliquescência siderante!...
   O psicológico em conflito, ao atingir o seu zênite ígneo, requesta a incineração do indivíduo, mesmo que ainda esteja exercendo o seu estado corpóreo de salutar sobrevivência irrestrita.
   Quando o sujeito determinista passa pelo plano de simetria, pensa-se que ele ainda tenha reais condições de exibir os dois lados acessoriais à linha mediana. Se lhe fizermos o rebatimento de épura, abrangendo os quatro quadrantes, vê-lo-emos nas ensanchas que darão acesso as agruras da ribanceira.
   O sujeito tartufo enfrenta as acrimônias do psicológico em conflito, refutando a existência de tinta para imprimir a folha de ponto dos funcionários. Nesse caso incomum, talvez seja uma maneira ardilosa para fulminar, peremptoriamente, o sujeito psicopatológico.

                                           Wilson Cerveira     

sábado, 27 de outubro de 2012

A NORMALIDADE INEXISTE EM DIAS HODIERNOS


   Com a extinção da censura, houve o atassalhamento dos costumes sociais, e, também, a languidez das regras moralistas de conduta. E, dessa forma, o que era considerado anormal, mormente se houvesse transgressão de faixa etária estipulada com relação ao acesso a determinados ambientes, foi, gradativamente, se amoldando aos novos parâmetros de comportamento, e, depois de determinado tempo, incorporou-se como sendo a representatividade do plausível, ostentando todas as características do que se cognomina de normal, ainda que não o seja em sua totalidade psicossomática.
   A sociedade -- do espetáculo e do simulacro-- avoca para si todas as prerrogativas necessárias, abrangendo todos os sentidos e direções, e, concomitantemente, exime-se dos inúmeros interpelativos contundentes, abrindo ensanchas em pleno mar aberto, onde as águas revoltas desorientam os seus preceptores durante o curso extensional da trajetória procelosa.
   A parestesia é um tipo de desordem nervosa caracterizada por sensações anormais e alucinações sensoriais. De fato, é uma anomalia, se houver manifestação isolada. Mas, em se tratando do efeito resultante do uso de drogas, o circulo vicioso do fanatismo proporciona um número crescente de adeptos, aparatando altíssimo nível de dependência orgânica. Então, conforme o tipo de droga adotado pelo grupo social, deve-se prognosticar os meios de aderi-la dentro dos especiosos padrões de uma normalidade questionável e repleta de suspeições!...
   A mixagem virou moda, invadindo todos os quadrantes sensoriais. As imagens mixordiais – por completo --, reúnem um número somatorial de caracteres simultâneos. Isso demonstra, de modo inconteste, as próprias mutabilidades existentes nos estrambóticos comportamentos dos indivíduos, nestes dias excruciantes do reptativo hodierno. 
   Os sons representam mistifórios de vários ritmos coligidos, aduzindo a um estado de abstrusão mental compatível, desde que haja a utilização indiscriminada dos produtos químicos consumidos, que agem, siderativamente, sobre o sistema nervoso central, e, também, o periférico. Isto proporciona um clima enfático, estimulando o fanatismo crescente. E, de fato, estamos no mundo dos jogos enfurecidos, no qual se observa a partida do adversário, de maneira peremptória, para eliminar o outro. E, no momento em que estão desenvolvendo essas diversas modalidades esportivas, esses indivíduos ressumbram um descomunal grau de insânia. As fisionomias aparatam uma demudação percuciente, havendo uma série de disfunções concomitantes, numa cabal profligação homeostática, estropiando todas as sensórias pertinentes ao labiríntico aparato orgânico.
   Nos tempos de antanho, propalava-se, de modo falacioso, que o individuo inteligente ostentava os seguintes aspectos; olhos esbugalhados dançando nas órbitas, cabeçorra, hiperativo etc. Como se essas características fossem o suficiente para a dedução de uma hipotética análise irreal!...
   Hodiernamente, estamos diante do TDAH, nova sigla que fora dada para o Transtorno Concernente ao Déficit de Atenção e Hiperatividade. Realmente, as pessoas que desenvolvem este tipo de sindrômico, ficam à mercê dos impulsos, podendo falar e agir de modo temerário, sem que mensurem as consequências nefastas. Além do mais, essas criaturas exibem uma impaciência a toda prova. E, em estabelecidas circunstâncias, o humor se alterna frequentemente entre equilibrado, arrasado e eufórico. De fato, essas criaturas pouco conseguem influenciar essa labilidade. Também, esporadicamente, são capazes de controlar as emoções, e, desse modo, podem ocorrer diariamente paroxismos de sanha infrene, mesmo que estejam diante de situações reunindo motivos insignificantes.
   Pacientes portadoras de TDAH ressumam baixa tolerância ao estresse, e o quadro recrudesce porque, -- mesmo sem demandas extraordinárias --, eles têm a especiosa sensação de que tudo sempre está sobejando; e consequentemente, a pressão psíquica e a tensão aumentam de maneira exacerbada.
   A imprevisibilidade de comportamento costuma causar conflitos e comprometer relacionamentos. Não há comenos fortuitos, tanto em homens quanto em mulheres com TDAH. Ambos são percebidos pelos parceiros – como sendo pessoas repletas de suspeições; e, demonstrando quase em sua totalidade, serem criaturas pouco interessadas no que concerne ao oficio da manutenção do relacional.
   E, realmente, a maioria não consegue organizar a própria vida – a rotina pode, deveras, se tornar um descomunal caos; pois, esses indivíduos não sabem traçar uma direitura, e, tentam fazer tudo, simultaneamente, e, por fim, não conseguem chegar ao peremptório circunstancial de todas as ações perpetradas no ramerrão!...

                                         Wilson Cerveira

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A SÍNDROME DA PESSOA EMBUÇALADA


  Realmente, é uma baita síndrome – de natureza psicológica – que está grassando na sociedade dos dias hodiernos. Deveras, esse sintomatológico intempestivo abrange a má pessoa, que é um conjunto universo; assim como, para melhor representatividade, ela costuma exibir os pródromos pertinentes ao mau amigo, ou, má amiga, ambos recrudescentes, simbolizando lídimos subconjuntos desse inusitado modelo patológico.
    A descartabilidade humana já se faz presente neste obumbrar de crepúsculo do espécime inumano. O gládio do bem não consegue profligar as ribombásticas detonações deflagradas pelo império – incontido e cominador – do malévolo.
    A deletação da persona dar-se-á, paulatinamente, buscando desde as células componentes da camada mais superficial da epiderme, com o objetivo de chegar, de maneira proficiente, à intimidade das que se embuçalam no umbrático da descomunal ribanceira. Destarte, nenhum arremedo tecnológico impedirá o encarquilhamento progressivo e irremediável, uma vez que o tempo é inexorável em toda a sua trajetória. A direitura é uma só, sem tartamudeios procrastinativos.
    O solapamento enfatiza a especiosidade sinistra, a qual vem sempre singrando em águas revoltas, como se fosse uma procela invertida, reconduzindo para o interior da barca os remanescentes caracteres inumanos existentes no gládio reptador, que é travado diuturnamente pelos seres vivos, nesta desolação excruciante do tenebroso telúrico!...
    A síndrome da pessoa embuçalada requer um atestado psiquiátrico a cada vinte e quatro horas. De fato, as pessoas demudam-se como se fossem ecdises sucessivas, sem planos plausíveis de reabilitação. Apresentam-se como sendo estereótipos de insidiosos amigos encapsulados, numa tentativa nefasta ostentando uma tirania de comutação constante!...
    A impressão deixada dá-nos a entender, à luz da Divina Providência e da Ciência, que é um tipo de paroxismo avassalador, atingindo a criatura humana acerbamente, fazendo com que ela se torne irreconhecível, diante dos fartos recursos tecnológicos.
   Latinídia, em toda a sua rompância hiperbólica, ainda dispunha de tempo suficiente para grunhir e sentir-se de tal maneira, de modo desabrido, como se fora a própria imagem do cordeiro, que também era cordato, portando um lídimo aspecto de criatura ordeira, e sem inóculo periférico --, impossibilitando a probabilística do contamínio recrudescente.
    Eutérbia, a despeito de ostentar um heteróclito tipo de esquizofrenia, portava-se dentro dos limites da normoanormalidade social. As suas demudações davam-se apenas no adstrito intervalo compreendido entre quatro paredes. Ao sair de casa, por incrível que pareça, a sinhá não deixava vazar nenhum sinal ou sintoma, com indicação de mente fendida. Pelo contrário, analisava acuradamente os distúrbios de comportamento que se lhe apresentavam as díspares silhuetas passantes, quando as lobrigava praticando ações malévolas com relação ao meio ambiente.
    Decerto, o implexo seria a ressudação da síndrome psíquica; ou, então, o aparente retorno ao estado de pseudonormalidade. E, destarte, Licute aparatava ser um desses personagens imprevisíveis; pois, -- somente ele --, em cabal prestimosidade, divulgava as notícias dos jornais circulantes na capital. Memorizava-as por inteiro, da primeira a derradeira página, aditando, também, todos os anúncios e propagandas.
    Lordélia, malgrado a contenção de algumas atitudes desairosas quanto ao seu bizarro comportamento, não deixava de expressar os seus dons de exímia trompetista. Igualmente, quem a visse carpindo a sua imane conturbação prístina, jamais diria estar diante de uma instrumentalista fulgurante, mesmo apresentando fases de instabilidade comportamental, distando desde o período pueril!...
                                            Wilson Cerveira   

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O SUJEITO IMAGÉTICO


   Laurinídio contracenava quando se propunha a ser o próprio sujeito absconditado por detrás da sua heteróclita imagem, tendo como demonstrativo o referido aparelho eletrônico; e, dessa forma, buscava acessos mirabolantes, decessos, omissões, panes, cincadas cabalísticas etc, para justificar as suas incúrias programadas, e, também, no sentido de não ter o prazer de reescrever os erros de sempre; e, de imediato, incorreria na imprecisão praticada pelo interlocutor.
    Nesse caso, o elemento poderia exprimir os seguintes impressionismos rompantes: atrabilharismo tartufo; bravateamento telepático; metamorfose fônica; desnudez catártica; polução quíntupla; eximição do átimo pertinente ao estádio deflagratório de torpedos etc.
    Após a produção da imagem, o corpo vai, pouco a pouco, se desprendendo das numerosas ligações flagelares que o prendem ao hermético sistema expiatório, e que podem ser geradas durante o interregno de vários atendimentos emergenciais.
    A imagem, senhores, -- segundo o Laurinídio --, pode servir de ponte escravizadora com relação ao sujeito que a gerou, caso ele utilize os recursos aflorados pela mais requintada tecnologia hodierna.
    O sujeito imagético simboliza a própria descomunicação, um paradoxo vivenciado em plena era da comunicação. E, sendo assim, abscondita taciturnamente os sistemas computadorizados, reduzindo-lhes as capacidades quantificadoras: -- fonológica e gráfica.
    Lizeudra, por mais que tentasse refutar os perigos da imagem, no exato átimo em que ela se tornaria especiosamente corrompida, jamais prosseguiria na laboração de reeditá-la sempre, dando ensejo reiterativo ao espectro mirabolante de quem fingiu atender as consecutivas ligações que recaíram no aparelho celular, após vários vocativos, deixando com que elas fenecessem no intrínseco mecanismo do instrumento receptor, situado no recôncavo da palma da mão!...
   A partir desse indivíduo, totalmente embuçalado, remanescerá uma nova imagem, produto da vacuidade, se estiver em decrescência progressiva. Além do mais, essa aparatosa figura ressumará retoques de artificialismos proporcionados pela ostentação hiperbólica da fantasmagoria – em propendência quanto ao probabilístico adentramento cibernético.
   O elemento, em tela, sofrerá demudações psicodélicas irreconhecíveis, mesmo estando em contato com o telespectador – por via do eletronismo satélite reinante.
   A alta tecnologia facilita todos os tipos e subtipos de embustes, tais como: respostas automáticas de ausência; perfil invisível unilateral; suposta ocupação de quem já se encontra na internet, com entrada franca para a intermente vertiginosa!...
    Quando o sujeito, a despeito de ser um larapio, um cretino, um facínora, pertence aos três corruptos poderes, a imagem manter-se-á sob o buçal esfíngico da pseudo-integração – em cabal abjeção – tendo por égide um conjunto de leis que facultam a proliferante perpetração de delitos, auspiciando exacerbadamente a inequanimidade avassaladora.
    O sujeito imagético entornou-se em direção ao aparelho computadorizado, e, em determinado átimo, conseguirá refazer o antinômico momento de tudo quanto houvera elucubrado. E, ao ser inquirido com veemência, ele é capaz de corroborar a presença contumaz de uma tresloucada cincada, de modo coincidente, no exatíssimo ínterim de alguma emissão premente!...
    Finalmente, para contristamento da assistência que o aplaude, Laurinídio reassomou ao estúdio de suas evagações prístinas, e, nele, encontrou estilhaços dispersos, reunindo um pouco de tudo quanto perdera, depois de priscos gládios intermitentes, contendo as horripilantes fragmentações de vidas pretéritas. De fato, sem hesitações, este sujeito imagético continuará buscando as desintegrações das formas imperfeitas!... Ainda tentava, também, em seus psicodelismos aberrantes, realizar o reencontro dos fios partidos, isto é, de uma comunicação vazada, que se utilizava de todos os meios operativos existentes!...

                                  Wilson Cerveira

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O MUNDO DA IMAGEM IMPERIOSA


  O binômio, -- capital e poder --, ambos podem produzir a imagem desde o ponto do seu encetamento até a linha de convergência sazonal, e que, sem procrastinações, tende a declinar em direção ao eixo inumatório da senescência.
   Durante a turbulenta trajetória da imagem imperiosa, o que permanece é a metáfora de um caudaloso rio portando um número exacerbado de afluências e defluências. E, -- essa visão onírica --, por onde perpassa, estando em vórtice diagonal ou em sorvedouro ortogonal, termina recebendo as influências da lua nova; das marés vazantes e das intempestivas remanescências d’água!... Ainda evolam do abrupto os temporais cataclísmicos ostentando relâmpagos, trovões etc. Após o cessar das intempéries convulsas, assomará um Sol canicular como testemunha homenageante dos diferentes tipos de peles ressequidas, fazendo com que o melanoma assuma a função de galardão funesto.
   O que soçobrou, decretando descomunal catástrofe, foi a efígie cominuída em função de proliferantes gládios propugnatórios. Posteriormente, sem ressaibos, urge restaurá-la por etapa, perlustrando cada região constituinte, não deixando escapar as mais labirínticas minudências.
   De repente, vamos resgatá-la do obscurantismo, incorporando-a na condição radicular do factual imprescindível, tentando anodiar o embuçalamento que a asfixiou no fastígio. Após várias azáfamas, conseguiu-se expurgar, com fremência, as lutuosas camadas lodaçais que a cingiam cabalmente.
   A mídia, através dos seus paroxismos sensacionalistas, singra a imagem restaurada, independente das direções e sentidos vetoriais factícios.
   No mundo extorquidor da mídia, em que o teleguiamento se constitui um modelo de empresa patrocinadora da imagem, não se pode esperar outro tipo de antídoto – a não ser o refestelamento do ícone sucumbido. Assim sendo, a força do capital é tão avassaladora em sua ação tirânica, quase mortal, que chega a tal ponto de demarcar somente as sendas menos abrolhosas, expurgando-se-lhes os escólios presentes e repletos de permeios meândricos.
   Se for uma ação unidirecional, atingindo apenas a imagem do politicalho; decerto, não conseguiremos detectar as espurcícias pertinentes; já que a tecnologia empregada – através de dublagens e montagens mirabolantes – deleta as excrescências e abjeções nela contidas.
   Nesse caso, surdem as compungências inopinadas, e, surpreendentemente, o esquife será ovacionado calorosamente, dando a especiosa impressão de que o defunto rediviveria diante de tantas agruras sofridas.
   Se a imagem for intemerata, não tenhamos hesitação em declarar, de viva voz, a sideração que tem por cognome a insolvência. Dessa forma insustentável, deteriora-se gravemente a imagem já corrompida, deixando-a em estado de deplorável coinquinação.
    Caso pertença aos três podres poderes, a imagem da perpétua corrupção não será jamais julgada com isenção de ânimos, uma vez que se encontra anteparada por uma série de leis inequânimes, as quais demandam efetuações de proporcionalidades concernentes às devidas graduações vigentes. Então, a impunidade incursionará em mar aberto, transpondo todos os âmbitos de violentas marés, em que a permissividade de compelência é, de fato, abusiva e execrável!...
   Hodiernamente, falta o sopesamento, com o intento de atribuir uma avaliação pseudo-imputativa. Mas, em se tratando de futebol, o investimento, dependendo do auspiciador, é altíssimo. Em consequência, a velha imagem abominável do pexote se desfaz, de modo colapsal, dando ensejos consecutivos a possíveis tresvarios, amplamente sufragados por uma sociedade tartufa, impelida por ardis de pinacular criminalidade, e que vive sob a ação sórdida e imperiosa do simulacro espetacular, abrangendo, destarte, todas as contundentes e diversificadas atividades humanas realizadas nestes interregnos cruentos e fastidiosos, onde os vocábulos exprimem os seus zênites antinômicos e de magnânima retumbância.

                                               Wilson Cerveira

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A SÍNDROME DA SUPEROCUPAÇÃO


    A percuciência patológica recrudesce, paulatinamente, os rigorosos estigmas proporcionados pela hiperocupação. Adiante, sem explicações plausíveis, eclodem outras marcas a partir dos diversos pontos nevrálgicos atinentes ao adimensional fastígio vicioso. E, quando se aborda sobre as consequências deletérias contidas nas cicatrizes da superocupação, os indivíduos ainda ostentam alguma aparência dissimulada de uma possível normoanormalidade.
    Na síndrome horripilante da superocupação, os sintomas, de modo comprobatório e irrefutável, exacerbam-se, sutilmente, e podemos detectar os seguintes transtornos comportamentais: em princípio, o individuo elucubra encontrar-se sempre ocupado, embora esteja sem realizar patavina; e o nada, mesmo na vacuidade, passa a ter alguma acepção, causando certa preocupação gramatical. E, a partir daí, teremos um pronome indefinido, dissílabo, paroxítona, tendo a sua semântica atrelada a “coisa alguma”. Na inversão barbarizante, terá alguma coisa a fazer, se bem que não realize nenhuma atividade vultosa.
    Malgrado aos afazeres, Leonora sente-se sempre muito ocupada, notadamente quando se acha trancafiada em seu quarto, diante de um baita espelho de seis faces projetivas. E, destarte, espera por vários momentos sequenciais: desde o realinhamento dos cabelos, passando pelos sobrolhos espessos, indo direção aos cílios dos olhos. Todo este aparato citado, sem tartamudeios, fica a depender de toda uma maquiagem nova, com a presença de outras mixagens mirabolantes a serem posteriormente adicionadas. Tudo isto seria feito com o auxílio de outras mãos; entretanto, a coquete prosseguia acossada perante a obsessão concernente ao estado mórbido de super-atarefamento, que era o simbolismo deflagratório e incontestável do próprio distúrbio!...
    O sindrômico da superocupação pode transpor as estremaduras da própria anormalidade, quando vivida sob as injunções intervenientes e ligadas por intermédio de fatores anormalíssimos. A pessoa em total descompensação psíquica, pode incluir as necessidades fisiológicas – basilares e imprescindíveis – como sendo uma ocupação extra, distanciada do âmago relacionado ao cabal domínio; e que as substâncias, na condição de substitutas, deveriam ser vocacionadas para interagir com o visceral, em se tratando do mecanismo orgânico metabólico, envolvendo, respectivamente, o anabolismo e o catabolismo.
    Os micrômegas, que se imaginam delusoriamente tão ocupados, sendo vítimas de pesadelos, não conseguem sair de um pequeno espaço de inserção pertencente ao eixo gravitacional, onde estão há muito situados, impossibilitando com isso o contato com os aparelhos eletrônicos. Nesse espaço adstrito, eles tangenciam verticalmente – através da ordenada – o plano horizontal do substrato, que é representado pela abscissa. 
    Assim sendo, as criaturas demonstram, por meio de meneios mistilínicos, que estão exercendo, com proficiência, a hiperfunção ergométrica em seus próprios corpos, encerrados hermeticamente no gráfico linear da lídima representatividade. Nesse caso, esses corpos que se acham sempre atarefados, costumam oscilar de baixo para cima e vice-versa, – ostentando os braços suspensos – como se pretendessem desairragamento com relação ao eixo gravitacional, partindo em seguida para o espaço levitacional.
     As laterais dos corpos não perderiam os movimentos pendulares dos próprios eixos, se bem que permanecessem no deslocamento balanceado – da esquerda para a direita, e vice-versa.
    Doravante, nesta progressividade das azáfamas consecutivas, a hiper-síndrome da superocupação chegará aos limites máximos demonstrados por derivadas que tendam aos mesmos pontos de congruência. E, quando isso ocorrer, voltar-se-á ao quadro do cataclismo impenitente, no qual a adustão do desvairo não exime os imane denodo perpetrado pelo ocupante, no que concerne ao átimo de uma ressumbradora palindromia.
    A insânia determinará o grau de paroxismo do sonambulismo, sobremaneira aquele em que a pessoa se levanta, se veste, e, lentamente, procura ocupar as dimensões atinentes aos membros superiores: mãos, antebraços, braços etc.
    De repente, sob a orquestração de um brado desvairante, teremos que assistir estarrecidos aos sinais e sintomas de uma estúrdia iminente, em que os pontos nevrálgicos e suscetíveis, ainda não plenamente comprometidos, vociferarão: “Estamos no zênite da especiosa ocupação, mesmo expiando a ausência total de quaisquer manifestações reinantes quanto ao ascensional do psicossomatismo, mormente o que está localizado no cerne do âmbito da vitalidade orgânica”.
    Neste comenos, Petrusco demanda os préstimos da sua mulher – Lierda. “Apesar do meu aniversário” – dizia ele – ser no “Dia das Comunicações”, prefiro não atender as inúmeras ligações telefônicas. Deixei-as, segundo Petrusco, ao encargo da minha companheira, mesmo dando a entender que foram, deveras, ultrapassadas todas as transigências plausíveis e não plausíveis da normoanormalidade – de caráter anormalíssimo – onde a ocupação passou a ser um lídimo desvario!...
    Porventura, exista alguém que saiba corroborar o tipo de moda, ou mania, que tem por hábito perambular, aleatoriamente, nos acrimoniosos dias hodiernos?!... Sendo, então, de complexa justificativa a ideia de estar sempre ocupado --- como  se fosse a efígie estropiada do factótum; e, pelo contrário, sem nada praticar de relevância, o sujeito vai adquirindo, de modo gradativo, uma heteróclita forma espectral que, sem testemunhas e testemunhos, embuçala o cotejamento aparatado pelas mais esdrúxulas circunstâncias infensas!...                 

                                  Wilson Cerveira