sábado, 27 de outubro de 2012

A NORMALIDADE INEXISTE EM DIAS HODIERNOS


   Com a extinção da censura, houve o atassalhamento dos costumes sociais, e, também, a languidez das regras moralistas de conduta. E, dessa forma, o que era considerado anormal, mormente se houvesse transgressão de faixa etária estipulada com relação ao acesso a determinados ambientes, foi, gradativamente, se amoldando aos novos parâmetros de comportamento, e, depois de determinado tempo, incorporou-se como sendo a representatividade do plausível, ostentando todas as características do que se cognomina de normal, ainda que não o seja em sua totalidade psicossomática.
   A sociedade -- do espetáculo e do simulacro-- avoca para si todas as prerrogativas necessárias, abrangendo todos os sentidos e direções, e, concomitantemente, exime-se dos inúmeros interpelativos contundentes, abrindo ensanchas em pleno mar aberto, onde as águas revoltas desorientam os seus preceptores durante o curso extensional da trajetória procelosa.
   A parestesia é um tipo de desordem nervosa caracterizada por sensações anormais e alucinações sensoriais. De fato, é uma anomalia, se houver manifestação isolada. Mas, em se tratando do efeito resultante do uso de drogas, o circulo vicioso do fanatismo proporciona um número crescente de adeptos, aparatando altíssimo nível de dependência orgânica. Então, conforme o tipo de droga adotado pelo grupo social, deve-se prognosticar os meios de aderi-la dentro dos especiosos padrões de uma normalidade questionável e repleta de suspeições!...
   A mixagem virou moda, invadindo todos os quadrantes sensoriais. As imagens mixordiais – por completo --, reúnem um número somatorial de caracteres simultâneos. Isso demonstra, de modo inconteste, as próprias mutabilidades existentes nos estrambóticos comportamentos dos indivíduos, nestes dias excruciantes do reptativo hodierno. 
   Os sons representam mistifórios de vários ritmos coligidos, aduzindo a um estado de abstrusão mental compatível, desde que haja a utilização indiscriminada dos produtos químicos consumidos, que agem, siderativamente, sobre o sistema nervoso central, e, também, o periférico. Isto proporciona um clima enfático, estimulando o fanatismo crescente. E, de fato, estamos no mundo dos jogos enfurecidos, no qual se observa a partida do adversário, de maneira peremptória, para eliminar o outro. E, no momento em que estão desenvolvendo essas diversas modalidades esportivas, esses indivíduos ressumbram um descomunal grau de insânia. As fisionomias aparatam uma demudação percuciente, havendo uma série de disfunções concomitantes, numa cabal profligação homeostática, estropiando todas as sensórias pertinentes ao labiríntico aparato orgânico.
   Nos tempos de antanho, propalava-se, de modo falacioso, que o individuo inteligente ostentava os seguintes aspectos; olhos esbugalhados dançando nas órbitas, cabeçorra, hiperativo etc. Como se essas características fossem o suficiente para a dedução de uma hipotética análise irreal!...
   Hodiernamente, estamos diante do TDAH, nova sigla que fora dada para o Transtorno Concernente ao Déficit de Atenção e Hiperatividade. Realmente, as pessoas que desenvolvem este tipo de sindrômico, ficam à mercê dos impulsos, podendo falar e agir de modo temerário, sem que mensurem as consequências nefastas. Além do mais, essas criaturas exibem uma impaciência a toda prova. E, em estabelecidas circunstâncias, o humor se alterna frequentemente entre equilibrado, arrasado e eufórico. De fato, essas criaturas pouco conseguem influenciar essa labilidade. Também, esporadicamente, são capazes de controlar as emoções, e, desse modo, podem ocorrer diariamente paroxismos de sanha infrene, mesmo que estejam diante de situações reunindo motivos insignificantes.
   Pacientes portadoras de TDAH ressumam baixa tolerância ao estresse, e o quadro recrudesce porque, -- mesmo sem demandas extraordinárias --, eles têm a especiosa sensação de que tudo sempre está sobejando; e consequentemente, a pressão psíquica e a tensão aumentam de maneira exacerbada.
   A imprevisibilidade de comportamento costuma causar conflitos e comprometer relacionamentos. Não há comenos fortuitos, tanto em homens quanto em mulheres com TDAH. Ambos são percebidos pelos parceiros – como sendo pessoas repletas de suspeições; e, demonstrando quase em sua totalidade, serem criaturas pouco interessadas no que concerne ao oficio da manutenção do relacional.
   E, realmente, a maioria não consegue organizar a própria vida – a rotina pode, deveras, se tornar um descomunal caos; pois, esses indivíduos não sabem traçar uma direitura, e, tentam fazer tudo, simultaneamente, e, por fim, não conseguem chegar ao peremptório circunstancial de todas as ações perpetradas no ramerrão!...

                                         Wilson Cerveira

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A SÍNDROME DA PESSOA EMBUÇALADA


  Realmente, é uma baita síndrome – de natureza psicológica – que está grassando na sociedade dos dias hodiernos. Deveras, esse sintomatológico intempestivo abrange a má pessoa, que é um conjunto universo; assim como, para melhor representatividade, ela costuma exibir os pródromos pertinentes ao mau amigo, ou, má amiga, ambos recrudescentes, simbolizando lídimos subconjuntos desse inusitado modelo patológico.
    A descartabilidade humana já se faz presente neste obumbrar de crepúsculo do espécime inumano. O gládio do bem não consegue profligar as ribombásticas detonações deflagradas pelo império – incontido e cominador – do malévolo.
    A deletação da persona dar-se-á, paulatinamente, buscando desde as células componentes da camada mais superficial da epiderme, com o objetivo de chegar, de maneira proficiente, à intimidade das que se embuçalam no umbrático da descomunal ribanceira. Destarte, nenhum arremedo tecnológico impedirá o encarquilhamento progressivo e irremediável, uma vez que o tempo é inexorável em toda a sua trajetória. A direitura é uma só, sem tartamudeios procrastinativos.
    O solapamento enfatiza a especiosidade sinistra, a qual vem sempre singrando em águas revoltas, como se fosse uma procela invertida, reconduzindo para o interior da barca os remanescentes caracteres inumanos existentes no gládio reptador, que é travado diuturnamente pelos seres vivos, nesta desolação excruciante do tenebroso telúrico!...
    A síndrome da pessoa embuçalada requer um atestado psiquiátrico a cada vinte e quatro horas. De fato, as pessoas demudam-se como se fossem ecdises sucessivas, sem planos plausíveis de reabilitação. Apresentam-se como sendo estereótipos de insidiosos amigos encapsulados, numa tentativa nefasta ostentando uma tirania de comutação constante!...
    A impressão deixada dá-nos a entender, à luz da Divina Providência e da Ciência, que é um tipo de paroxismo avassalador, atingindo a criatura humana acerbamente, fazendo com que ela se torne irreconhecível, diante dos fartos recursos tecnológicos.
   Latinídia, em toda a sua rompância hiperbólica, ainda dispunha de tempo suficiente para grunhir e sentir-se de tal maneira, de modo desabrido, como se fora a própria imagem do cordeiro, que também era cordato, portando um lídimo aspecto de criatura ordeira, e sem inóculo periférico --, impossibilitando a probabilística do contamínio recrudescente.
    Eutérbia, a despeito de ostentar um heteróclito tipo de esquizofrenia, portava-se dentro dos limites da normoanormalidade social. As suas demudações davam-se apenas no adstrito intervalo compreendido entre quatro paredes. Ao sair de casa, por incrível que pareça, a sinhá não deixava vazar nenhum sinal ou sintoma, com indicação de mente fendida. Pelo contrário, analisava acuradamente os distúrbios de comportamento que se lhe apresentavam as díspares silhuetas passantes, quando as lobrigava praticando ações malévolas com relação ao meio ambiente.
    Decerto, o implexo seria a ressudação da síndrome psíquica; ou, então, o aparente retorno ao estado de pseudonormalidade. E, destarte, Licute aparatava ser um desses personagens imprevisíveis; pois, -- somente ele --, em cabal prestimosidade, divulgava as notícias dos jornais circulantes na capital. Memorizava-as por inteiro, da primeira a derradeira página, aditando, também, todos os anúncios e propagandas.
    Lordélia, malgrado a contenção de algumas atitudes desairosas quanto ao seu bizarro comportamento, não deixava de expressar os seus dons de exímia trompetista. Igualmente, quem a visse carpindo a sua imane conturbação prístina, jamais diria estar diante de uma instrumentalista fulgurante, mesmo apresentando fases de instabilidade comportamental, distando desde o período pueril!...
                                            Wilson Cerveira   

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O SUJEITO IMAGÉTICO


   Laurinídio contracenava quando se propunha a ser o próprio sujeito absconditado por detrás da sua heteróclita imagem, tendo como demonstrativo o referido aparelho eletrônico; e, dessa forma, buscava acessos mirabolantes, decessos, omissões, panes, cincadas cabalísticas etc, para justificar as suas incúrias programadas, e, também, no sentido de não ter o prazer de reescrever os erros de sempre; e, de imediato, incorreria na imprecisão praticada pelo interlocutor.
    Nesse caso, o elemento poderia exprimir os seguintes impressionismos rompantes: atrabilharismo tartufo; bravateamento telepático; metamorfose fônica; desnudez catártica; polução quíntupla; eximição do átimo pertinente ao estádio deflagratório de torpedos etc.
    Após a produção da imagem, o corpo vai, pouco a pouco, se desprendendo das numerosas ligações flagelares que o prendem ao hermético sistema expiatório, e que podem ser geradas durante o interregno de vários atendimentos emergenciais.
    A imagem, senhores, -- segundo o Laurinídio --, pode servir de ponte escravizadora com relação ao sujeito que a gerou, caso ele utilize os recursos aflorados pela mais requintada tecnologia hodierna.
    O sujeito imagético simboliza a própria descomunicação, um paradoxo vivenciado em plena era da comunicação. E, sendo assim, abscondita taciturnamente os sistemas computadorizados, reduzindo-lhes as capacidades quantificadoras: -- fonológica e gráfica.
    Lizeudra, por mais que tentasse refutar os perigos da imagem, no exato átimo em que ela se tornaria especiosamente corrompida, jamais prosseguiria na laboração de reeditá-la sempre, dando ensejo reiterativo ao espectro mirabolante de quem fingiu atender as consecutivas ligações que recaíram no aparelho celular, após vários vocativos, deixando com que elas fenecessem no intrínseco mecanismo do instrumento receptor, situado no recôncavo da palma da mão!...
   A partir desse indivíduo, totalmente embuçalado, remanescerá uma nova imagem, produto da vacuidade, se estiver em decrescência progressiva. Além do mais, essa aparatosa figura ressumará retoques de artificialismos proporcionados pela ostentação hiperbólica da fantasmagoria – em propendência quanto ao probabilístico adentramento cibernético.
   O elemento, em tela, sofrerá demudações psicodélicas irreconhecíveis, mesmo estando em contato com o telespectador – por via do eletronismo satélite reinante.
   A alta tecnologia facilita todos os tipos e subtipos de embustes, tais como: respostas automáticas de ausência; perfil invisível unilateral; suposta ocupação de quem já se encontra na internet, com entrada franca para a intermente vertiginosa!...
    Quando o sujeito, a despeito de ser um larapio, um cretino, um facínora, pertence aos três corruptos poderes, a imagem manter-se-á sob o buçal esfíngico da pseudo-integração – em cabal abjeção – tendo por égide um conjunto de leis que facultam a proliferante perpetração de delitos, auspiciando exacerbadamente a inequanimidade avassaladora.
    O sujeito imagético entornou-se em direção ao aparelho computadorizado, e, em determinado átimo, conseguirá refazer o antinômico momento de tudo quanto houvera elucubrado. E, ao ser inquirido com veemência, ele é capaz de corroborar a presença contumaz de uma tresloucada cincada, de modo coincidente, no exatíssimo ínterim de alguma emissão premente!...
    Finalmente, para contristamento da assistência que o aplaude, Laurinídio reassomou ao estúdio de suas evagações prístinas, e, nele, encontrou estilhaços dispersos, reunindo um pouco de tudo quanto perdera, depois de priscos gládios intermitentes, contendo as horripilantes fragmentações de vidas pretéritas. De fato, sem hesitações, este sujeito imagético continuará buscando as desintegrações das formas imperfeitas!... Ainda tentava, também, em seus psicodelismos aberrantes, realizar o reencontro dos fios partidos, isto é, de uma comunicação vazada, que se utilizava de todos os meios operativos existentes!...

                                  Wilson Cerveira

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O MUNDO DA IMAGEM IMPERIOSA


  O binômio, -- capital e poder --, ambos podem produzir a imagem desde o ponto do seu encetamento até a linha de convergência sazonal, e que, sem procrastinações, tende a declinar em direção ao eixo inumatório da senescência.
   Durante a turbulenta trajetória da imagem imperiosa, o que permanece é a metáfora de um caudaloso rio portando um número exacerbado de afluências e defluências. E, -- essa visão onírica --, por onde perpassa, estando em vórtice diagonal ou em sorvedouro ortogonal, termina recebendo as influências da lua nova; das marés vazantes e das intempestivas remanescências d’água!... Ainda evolam do abrupto os temporais cataclísmicos ostentando relâmpagos, trovões etc. Após o cessar das intempéries convulsas, assomará um Sol canicular como testemunha homenageante dos diferentes tipos de peles ressequidas, fazendo com que o melanoma assuma a função de galardão funesto.
   O que soçobrou, decretando descomunal catástrofe, foi a efígie cominuída em função de proliferantes gládios propugnatórios. Posteriormente, sem ressaibos, urge restaurá-la por etapa, perlustrando cada região constituinte, não deixando escapar as mais labirínticas minudências.
   De repente, vamos resgatá-la do obscurantismo, incorporando-a na condição radicular do factual imprescindível, tentando anodiar o embuçalamento que a asfixiou no fastígio. Após várias azáfamas, conseguiu-se expurgar, com fremência, as lutuosas camadas lodaçais que a cingiam cabalmente.
   A mídia, através dos seus paroxismos sensacionalistas, singra a imagem restaurada, independente das direções e sentidos vetoriais factícios.
   No mundo extorquidor da mídia, em que o teleguiamento se constitui um modelo de empresa patrocinadora da imagem, não se pode esperar outro tipo de antídoto – a não ser o refestelamento do ícone sucumbido. Assim sendo, a força do capital é tão avassaladora em sua ação tirânica, quase mortal, que chega a tal ponto de demarcar somente as sendas menos abrolhosas, expurgando-se-lhes os escólios presentes e repletos de permeios meândricos.
   Se for uma ação unidirecional, atingindo apenas a imagem do politicalho; decerto, não conseguiremos detectar as espurcícias pertinentes; já que a tecnologia empregada – através de dublagens e montagens mirabolantes – deleta as excrescências e abjeções nela contidas.
   Nesse caso, surdem as compungências inopinadas, e, surpreendentemente, o esquife será ovacionado calorosamente, dando a especiosa impressão de que o defunto rediviveria diante de tantas agruras sofridas.
   Se a imagem for intemerata, não tenhamos hesitação em declarar, de viva voz, a sideração que tem por cognome a insolvência. Dessa forma insustentável, deteriora-se gravemente a imagem já corrompida, deixando-a em estado de deplorável coinquinação.
    Caso pertença aos três podres poderes, a imagem da perpétua corrupção não será jamais julgada com isenção de ânimos, uma vez que se encontra anteparada por uma série de leis inequânimes, as quais demandam efetuações de proporcionalidades concernentes às devidas graduações vigentes. Então, a impunidade incursionará em mar aberto, transpondo todos os âmbitos de violentas marés, em que a permissividade de compelência é, de fato, abusiva e execrável!...
   Hodiernamente, falta o sopesamento, com o intento de atribuir uma avaliação pseudo-imputativa. Mas, em se tratando de futebol, o investimento, dependendo do auspiciador, é altíssimo. Em consequência, a velha imagem abominável do pexote se desfaz, de modo colapsal, dando ensejos consecutivos a possíveis tresvarios, amplamente sufragados por uma sociedade tartufa, impelida por ardis de pinacular criminalidade, e que vive sob a ação sórdida e imperiosa do simulacro espetacular, abrangendo, destarte, todas as contundentes e diversificadas atividades humanas realizadas nestes interregnos cruentos e fastidiosos, onde os vocábulos exprimem os seus zênites antinômicos e de magnânima retumbância.

                                               Wilson Cerveira