--- Apolinário, que não era especialista
munido de canudo, tinha plena razão quando dizia da necessidade de apresentar
argumentos convincentes para cada uma de suas pesquisas nos âmbitos: científico
e literário. De fato, ostentava, meritoriamente, o título de polímata, e,
destarte, buscaria meios de adscrever ideias corroborativas, com mais acuidade,
contendo regiões de convergência colimatória pertencente aos seus díspares e
controversos arrazoamentos.
Nesse caso, o paciente iria à cata de
inusitadas pesquisas, com a intenção exclusiva de fundamentar-se, de modo mais
percuciente, nos resultados dos experimentos que realizara durante o período de
vida funcional no laboratório de investigações científicas.
Indubitavelmente, o paciente Apolinário,
portador de imane solércia, aparatava o lídimo desiderato de profligar,
concomitantemente, os dois especialistas; o otorrinolaringologista – Jacomedes;
e o radiologista – Nicanor. Ambos, por tempo indeterminado, ainda ressumbravam
desídias clamorosas em seus diagnósticos clínicos, sobremaneira os mostradores,
os quais vinham sob a forma estereotipada de laudo.
Dr. Jacomedes, num ademanes qualhiresco,
tomou para si o raio X da face, rapidamente; utilizando apenas as extremidades
dos dedos indicadores. Destarte, respirava de maneira rompante, a
magnificiência dos títulos de doutoramento e pós-doutoramento adquiridos no
decurso da vida; e, desse modo, atribuindo-se-lhe o espicioso assenhoreamento
de uma absoluta verdade inexistente. Então, como forma de embasamento maior
para os redarguimentos já ressumados, mandou descer, através de um controle
remoto, os sites produzidos recentemente pelos centros europeus de estudo
avançados sobre os sindrômicos heteróclitos das otorrilaringopatias.
Perante a imane cognoscibilidade científica,
Apolinário relutava em ratificar, amiúde, a omissão da hipertrofia dos cornetos
nasais, tendo por referência basilar e imprescindível, a imagem da primeira
radiografia facial, num interregno de quatro anos, precisamente, com relação a
mais recente, a qual demonstra a presença de uma crônica intumescência exacerbante
dessas estruturas anatômicas nasais.
Se houvesse adequação de resultados, o
segundo raio X da face refutaria, ou confirmaria, cabalmente, uma vez que
ocorreu um longo tratamento à base de medicamentos importados da França,
Inglaterra e Alemanha.
Desta feita, após um protraimento, regressa
ao consultório do Dr. Jacomedes, afirmando que a dispnéia o impedia de dormir,
já que não respirava em parte pelo nariz, devido a uma oclusão maior na secção
lateral da narina esquerda, sem que houvesse perplexidades sobre o sindrômico
atinente a um tipo de síncope respiratória agravante.
Decerto, o paciente Apolinário vinha lhe
propondo a ressecção de uma porciúncula área
afetada; isto, em função da rinite sazonal e vasomotora. Após ouvi-lo atentamente,
o Otorrino, de maneira abscôndita, não querendo cercear as observações do laudo
do raio X, assinalado em negrito, para que se destacasse do corpo redacional.
Deveras, o cliente indicou ao especialista
--- de nariz, ouvido e garganta ---, a possibilidade de cauterização dos polipos
nasais. De modo, corroborante, o seu desiderato imprescindível era o de
respirar melhor, mesmo que lhe custasse um comprometimento nas vias aéreas
inferiores, em vez da permanência do recrudescimento sintomatológico dos
cornetos nasais – muito hipertrofiados.
A proposição de Apolinário, ainda que não
fosse a mais eficiente de todas, seria a de efetuar a analogia de ambos os
laudos concernentes as radiografias da face – sendo que, entre a anterior e a
posterior --, sem margem de equívoco, existia um apreciável interregno de
quatro anos.
Ei-las: o raio X inicial dos seios da face
ressumbrava o seguinte: seios frontais assimétricos de transparência normal e
contornos regulares; etmóides transparentes com septos intercelulares conservados;
seios maxilares desenvolvidos, simétricos, de paredes íntegras e transparência
normal; septo nasal ósseo sem desvio significativo; elementos ósseos regionais
íntegros.
A radiografia posterior, depois de um
tratamento medicamentoso prolongado, ainda revelou adendos sindrômicos que
comprovam a continuidade exacerbante do quadro sintomatológico da rinite
vasomotora, sazonal e perene. Vejamo-la: seio frontal de contorno e
transparência normal; células etmoidais com transparências conservadas; seios
maxilares simétricos, paredes íntegras e de configurações normais; seio
esfenoidal com aspecto normal; hipertrofia dos cornetos nasais.
Para inferir, mesmo obedecendo a um
percentual de acertos, os erros podem estar localizados: no aparelho de raio X;
no ato de radiografar – sob responsabilidade do técnico em radiologia --; na
interpretação do próprio Radiologista; na especiosidade de instrução do Otorrino;
num distúrbio de retina, ainda despercebido, manifestado pelo laringologista.
Infelizmente, as imagens se digladiam nos
espaços entreabertos e herméticos, pois não responderam aos tratamentos
prolongados – tanto anterior quanto ao posterior. O Otorrino -- num ímpeto de
sanha simulacral – buscava a neutralização dos argumentos, já que a pretensão
do paciente – Apolinário, indubitavelmente, seria a de confrontar-se com as
imagens dos diagnósticos, e, em seguida expugná-las diante da principal
testemunha, que era o especialista no âmbito relacionado ao descomunal infenso
imaginético. Então, ila-se que o despenhadeiro vocabular se escancarou, e a
tríade teve a sorte divina de perpassar-lhe, numa afoiteza inopinada,
tangenciando apenas o eixo axial da polêmica acirrada, em estado de cabal
relevância quanto ao grau de historicidade literário-científica.
Wilson Cerveira
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