A memória parece ter precatado – com todo esmero,
– primaziando as minudências –, a Dalvina, governanta do Internato pertencente
ao Velho Marista; e, também, as solércias do Ambrósio – o neófito dentre os
internos daquele ano inolvidável de 1950, que marcara a metade da centúria do
século XX.
Eutérbio, após o decorrer
de sessenta e quatro anos, ainda apresentava higidez neuronal suficiente; e,
desse modo, podia rever o cenário dos seus tempos de estudante.
Dalvina, a calipígea negra
de azeviche, colimava sempre, – sem dubiedade –, os variegados comportamentos
heteróclitos dos discentes internos naquele educandário religioso. A cada dia,
ao longo de alguns anos, foi redobrando as sensórias atinentes ao ato de
prestar a máxima atenção – nas pessoas e nos caracteres divergentes e
alternativos. Realmente, a Dalvina, sem ser a exceção de vários ícones,
demandava para si a fenomenologia da averiguação pormenorizada.
A governanta premoniciava
um átimo estrambótico, quando partiu em direitura a descomunal bandeja de cinco
dúzias de copos. Apenas um, dentre os demais, tinha uma rubrica no fundo e com
tampa no diâmetro superior, portando alguns pertuitos que dariam acesso a
determinados microrganismos!... Ao inclinar o copo, os seus olhos
perlustradores se depararam com a esfíngica marca d’água, a qual estava sendo
indicada por meio de um estigma prisco de, aproximadamente, dois centímetros, e
que transcrevia, de modo diagonal, a mesma linha marcatriz, que se apropinquava
da metade inferior e superior do anteparo referencial, traçado e referendado
por muitos experimentadores de observância percuciente, notadamente no âmbito
empírico.
Deveras, a Dalvina nascera
com a capacidade de observar, atentamente, tudo o que os outros não seriam
capazes de examinar com minudências extremas. Descobriria, caso fosse
necessário, um ponto perdido no verde; e, somente ela detectaria, mesmo estando
na ausência do aparelho que transforma onda hertziana em sinais perceptíveis.
Todos poderiam,
aleatoriamente, cominuir o continente e o conteúdo, menos a marca d’água
impressa na afiguração de quem a observou, de modo acurado, fazendo com que
remanescesse sob forma de estigma indelével. Estaria, de alguma forma,
elucubrando uma parcela da própria palingenesia. Ninguém, naquele átimo, a
alcançaria quanto ao ato de revelar minúcias; pois, todos estes parâmetros
encontrar-se-iam no intrínseco do sujeito oculto; e, assim sendo, o cabalístico
criptograma, sem maiores tartamudos, jamais obteria divulgação necessária, para
que pudesse emergir à socapa do labiríntico alumbramento.
Eutérbio tinha, diante de
si, todo o material necessário para ser um reputado cientista, mas nunca o
seria; pois, faltava-lhe o que há de mais precioso, que é a observação atenta e
prolongada. Igualmente, a maioria das pessoas sofre no ato em que ostentam
algum grau de aprosexia. Ao passo que, em determinadas circunstâncias, adirem a
abulia ao seu sindrômico, recrudescendo, cada vez mais, as suas abstrusas
palindromias!...
A governanta orientava as
demais mucamas, buscando sempre o exame pormenorizado, em pausas prolongadas,
do que percebia através do aguçamento somatorial do seu sistema sensorial. Não
se atrevia a dizer alguma coisa, temerariamente. Destarte, repulsava a resipiscência,
que é o ato de arrepender-se com a finalidade de demandar a senda correta.
De fato, se a Dalvina não
conseguisse absorver os princípios basilares da educação; pois, nesse caso, não
facilitariam o enveredar na trilha cabalística de todos os labores. Esses
fatores éticos independem do grau de instrução observado em cada individuo. São
tendências natas, e que, conforme o ambiente, são acepilhadas no decurso dos
probatórios vitais, tendo por base a recorrência obstinada quanto ao
esgueiramento das possíveis armas biológicas...
Wilson Cerveira
A ciência precisa realmente de observadores pacientes e perseverantes, pois só assim é possível se chegar a conclusões que não deixem margens para dúvidas ou erros. Há uma grande necessidade de pessoas com esse perfil em nosso país. Daí estarmos atrás de outras nações em termos científicos.
ResponderExcluirComentário acima postado por Luís Carvalho
ExcluirA ciência precisa realmente de observadores pacientes e perseverantes, pois só assim é possível se chegar a conclusões que não deixem margens para dúvidas ou erros. Há uma grande necessidade de pessoas com esse perfil em nosso país. Daí estarmos atrás de outras nações em termos científicos.
ResponderExcluirLuís Carvalho.