quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O SUJEITO MARCA D'ÁGUA


     A memória parece ter precatado – com todo esmero, – primaziando as minudências –, a Dalvina, governanta do Internato pertencente ao Velho Marista; e, também, as solércias do Ambrósio – o neófito dentre os internos daquele ano inolvidável de 1950, que marcara a metade da centúria do século XX.
     Eutérbio, após o decorrer de sessenta e quatro anos, ainda apresentava higidez neuronal suficiente; e, desse modo, podia rever o cenário dos seus tempos de estudante.
     Dalvina, a calipígea negra de azeviche, colimava sempre, – sem dubiedade –, os variegados comportamentos heteróclitos dos discentes internos naquele educandário religioso. A cada dia, ao longo de alguns anos, foi redobrando as sensórias atinentes ao ato de prestar a máxima atenção – nas pessoas e nos caracteres divergentes e alternativos. Realmente, a Dalvina, sem ser a exceção de vários ícones, demandava para si a fenomenologia da averiguação pormenorizada.
     A governanta premoniciava um átimo estrambótico, quando partiu em direitura a descomunal bandeja de cinco dúzias de copos. Apenas um, dentre os demais, tinha uma rubrica no fundo e com tampa no diâmetro superior, portando alguns pertuitos que dariam acesso a determinados microrganismos!... Ao inclinar o copo, os seus olhos perlustradores se depararam com a esfíngica marca d’água, a qual estava sendo indicada por meio de um estigma prisco de, aproximadamente, dois centímetros, e que transcrevia, de modo diagonal, a mesma linha marcatriz, que se apropinquava da metade inferior e superior do anteparo referencial, traçado e referendado por muitos experimentadores de observância percuciente, notadamente no âmbito empírico.
     Deveras, a Dalvina nascera com a capacidade de observar, atentamente, tudo o que os outros não seriam capazes de examinar com minudências extremas. Descobriria, caso fosse necessário, um ponto perdido no verde; e, somente ela detectaria, mesmo estando na ausência do aparelho que transforma onda hertziana em sinais perceptíveis.
     Todos poderiam, aleatoriamente, cominuir o continente e o conteúdo, menos a marca d’água impressa na afiguração de quem a observou, de modo acurado, fazendo com que remanescesse sob forma de estigma indelével. Estaria, de alguma forma, elucubrando uma parcela da própria palingenesia. Ninguém, naquele átimo, a alcançaria quanto ao ato de revelar minúcias; pois, todos estes parâmetros encontrar-se-iam no intrínseco do sujeito oculto; e, assim sendo, o cabalístico criptograma, sem maiores tartamudos, jamais obteria divulgação necessária, para que pudesse emergir à socapa do labiríntico alumbramento.
      Eutérbio tinha, diante de si, todo o material necessário para ser um reputado cientista, mas nunca o seria; pois, faltava-lhe o que há de mais precioso, que é a observação atenta e prolongada. Igualmente, a maioria das pessoas sofre no ato em que ostentam algum grau de aprosexia. Ao passo que, em determinadas circunstâncias, adirem a abulia ao seu sindrômico, recrudescendo, cada vez mais, as suas abstrusas palindromias!...
     A governanta orientava as demais mucamas, buscando sempre o exame pormenorizado, em pausas prolongadas, do que percebia através do aguçamento somatorial do seu sistema sensorial. Não se atrevia a dizer alguma coisa, temerariamente. Destarte, repulsava a resipiscência, que é o ato de arrepender-se com a finalidade de demandar a senda correta.

    De fato, se a Dalvina não conseguisse absorver os princípios basilares da educação; pois, nesse caso, não facilitariam o enveredar na trilha cabalística de todos os labores. Esses fatores éticos independem do grau de instrução observado em cada individuo. São tendências natas, e que, conforme o ambiente, são acepilhadas no decurso dos probatórios vitais, tendo por base a recorrência obstinada quanto ao esgueiramento das possíveis armas biológicas...

                                            Wilson Cerveira

3 comentários:

  1. Anônimo21/8/14

    A ciência precisa realmente de observadores pacientes e perseverantes, pois só assim é possível se chegar a conclusões que não deixem margens para dúvidas ou erros. Há uma grande necessidade de pessoas com esse perfil em nosso país. Daí estarmos atrás de outras nações em termos científicos.

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    1. Anônimo21/8/14

      Comentário acima postado por Luís Carvalho

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  2. Anônimo21/8/14

    A ciência precisa realmente de observadores pacientes e perseverantes, pois só assim é possível se chegar a conclusões que não deixem margens para dúvidas ou erros. Há uma grande necessidade de pessoas com esse perfil em nosso país. Daí estarmos atrás de outras nações em termos científicos.
    Luís Carvalho.

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