Dois psiquiatras plantonistas foram algemados por dois
psicopatas que os deixaram no interior das próprias salas de seus consultórios,
estando situadas no respectivo manicômio, no qual revezavam atendimentos mais prementes
àqueles que careciam de psicotrópicos mais fortes, mormente no que tange aos
percentuais de concentrações estabelecidas nos receituários.
Nestes
compartimentos restritos dos hospitais, lobrigam-se junto à parede uma pequena
cama móvel, com dobradiças bilaterais, facilitando, desse modo, a abertura e o
fechamento dos respectivos beliches.
Os doutores em
psiquiatria, notadamente os plantonistas – Gumesino e Guilhermino –, ambos
necessitavam também de uma medicação que os induzisse ao sono. Logicamente,
para que não houvesse ressumbramento do silêncio da confissão, mandavam buscar
esses barbitúricos em países estrangeiros. Os seus pacientes não conseguiriam ler
os bulários, visto que os caracteres gráficos implicavam conhecimentos dos
idiomas: chinês e japonês. O risco seria bem menor, pois, decerto, naquele
manicômio, mal sabiam ler e escrever o vernáculo “Português”, assim como
algumas frases comezinhas em idiomas neolatinos, tais como: francês, italiano,
espanhol, castelhano etc.
Os esquipáticos,
também, ressumam lampejos ao seu derredor e dentro de si mesmos, numa tentativa
intermediária, à qual estaremos direcionados com atitudes de normoanormalidade,
que é uma variância entre o normal e o anormal, com relação a relatos atinentes
aos díspares comportamentos aparatados, mormente em circunstâncias de
descomunal adversidade.
Nada impediria
que os insanos do Manicômio Santo Antônio, em determinado átimo de lucidez,
fossem à cata de inusitados adendos que, em analogia, com percuciente cunho
gnóstico, confrontar-se-iam com elementos de alta capacidade de raciocínio;
porém, aparatando as minudências de um perscrutar impressionante oscilando
entre o bem-querer e o malquerer. Várias noites de insônia renitente foram-lhes
impostas por aqueles implexos comportamentos advindos de suas próprias índoles
malfazejas.
Todos esses
sujeitos disturbiantes e portadores de proliferantes sindrômicos, ainda aduzem
os mais experientes requintes quanto ao âmbito vaticinatório. Todos podem
melhorar temporariamente. Uma pianista, com problemas disfuncionais do sistema
nervoso, poderia tocar os grandes clássicos, sem hesitação, com veemência!
Decerto, era
pianista de mão cheia, pois entendia as partituras dos mais conceituados
clássicos. Tocava-os divinamente bem, dedilhando as teclas maviosamente, como
se fosse sempre mostrar extrema habilidade – acelerava as teclas do vetusto
piano; e, posteriormente, em surdina, desacelerava pouco a pouco, para então,
voltar a exprimir a sua maestria diante do maestro de Bologna – cidade italiana
de altíssimo recurso quanto as apropinquações inseridas nos diversos aparelhos
eletrônicos – da derradeira geração.
Realmente, os
dois psiquiatras tomavam altas dosagens de remédio controlado. As concentrações
eram além do suporte normal do organismo. Para neutralizar e anteparar os
hepatócitos fazia uso diário de Xantinon, Metiocolin B12, alcachofra (redução
de colesterol e triglicerídeos). A manutenção é basilar, assim como, sem expiar
algo hesitante, a abstenção de determinadas substâncias ricas em gordura,
verdadeiras toxinas para o sangue circulante.
Izídio,
segundo a avó Lucrécia, era chegado a esses devaneios, que mais pareciam
delírios-alucinatórios percucientes e de caráter irreversível, no que tange a
improbabilidade de regresso a um denominador comum.
Gumesino e
Guilhermino não escolheriam pacientes – desse tipo -- para clinicar, de modo
falacioso, suas próprias anomalias evidenciadas em trechos onde os neurônios não
conseguiam realizar uma autêntica sinapse, fazendo com que a acetilcolina
falhasse em especificados trechos encontrados no intrínseco dos mais variegados
comportamentos mentais, estando alterados para mais ou para menos.
Se esses
remédios, tomados apenas à noite, teriam a intenção de privar os impulsos,
repuxos etc, que lhe vinham à tona, produzindo a falaciosa necessidade de
náusea. Somente algum cientista, -- dedicado ao implexo ramo da psiquiatria, --
seria capaz de dilucidar.
A população do
manicômio Santo Antônio agrilhoou-os com a finalidade de verificar se esses
especialistas em doenças mentais seriam portadores, também, de outras
patologias ainda não ressumbradas pelo vasto âmbito científico.
Decerto, sem
dubiedade aparatada, ambos traziam no abscôndito de suas indumentárias duas
armas antagônicas: uma pistola ponto 40 (de preferência do Gumesino); ao passo
que, sem hesitação, o Guilhermino priorizava um belíssimo punhal ostentando os
brasões do Império. A lâmina resseccionaria qualquer jugular, determinando o
perecimento da vítima por exaurimento completo do sangue.
Se ambos os
psicopatas não tivessem tido o presságio de agrilhoá-los – de uma vez por todas
– a população do manicômio Santo Antônio sucumbiria na madrugada do dia
seguinte.
Esses dois nequícios
profissionais da psiquiatria não se aprestavam para reduzir os diversos números
de clientes, ostentando disfunções mentais. Pelo contrário, eles pensavam em
restringir os loucos, aqueles que não prodromizavam reações; de fato,
nefelibatavam, em demasia mas que, despercebidamente, já se encontravam em
recrudescência quanto aos síndrômicos oriundos de palindromias irreversíveis.
Hodiernamente, é mais coalescente profligar a barreira dos psiquiatras
psicopatas, evitando que eles causem a eliminação em massa dos seus clientes.
Até o presente átimo, a ciência prossegue impotente –em todo seu horizonte –não
ressumbrando os parâmetros correlacionados aos paroxismos tangíveis e
intangíveis, e que são incapazes de estabelecer os sindrômicos inopinados
das mais heteróclitas psicopatias, pois estão a depender de cada organismo.
Essas neuropsicopatias ressumam anomalias incognoscíveis, abrangendo até os
meandros das evoluções cientificas, ainda não determinadas pelas derivações
ostentadas através das labirínticas complexidades dos neurônios cerebrais.
Ninguém
precisaria lobrigar a bruxuleante luz, visto que a estremunhação havia passado
ao largo, deixando todas as circunstâncias em aberto. De fato, os psiquiatras
eram mais psicopatas, -- caso fizéssemos referência a todos os outros doentes
mentais que os circundavam, adendando, também, os mais dissimulados; isto é, a
maioria dos vesânicos que se encontravam lá – do lado de fora – ressudando impossibilidades
de adentramento, de modo abrupto, no precinto manicomial.
Como é implexo
caracterizar a insânia, abrangendo, todos os seus sindrômicos. Há variâncias no
intrínseco mental dos seus quadros sintomatológicos. Os pacientes, após os
paroxismos acometidos, divergem bastante. A moca, ainda em estúrdia, não
ostenta verossimilhanças que recordem as esquipatias repentinas. Ela, quando em
crise, detesta ouvir os clássicos, assim como, em estabelecido ínterim, execra
o ato de dedilhar as teclas do piano de cauda. Sempre o fez com maestria!
Minutos depois, era o seu irmão, um guapo rapaz, que reencapava os discos de
vinil, ressudando um psicopatismo súbito. Logo que recobravam as disfunções
neurológicas, regressavam os vetoriais dos seus desideratos em latência
mórbida.
Deveras, não
se pode, com exação, precisar quem é o mentecapto, porquanto os pródromos de
determinadas neuropsicopatias ressumam instabilidades – ora com sinais de
normalidade, ora com sintomas que oscilam entre um comportamento normoanormal,
suscetível de variegações imprecisas!
O diagnóstico, por mais que a anamnese seja
perquirida, torna-se algo complexo quanto ao seu encerramento. Não há
posicionamentos resolvidos nem palavras definitivas para vários distúrbios
psicossomáticos. Desse modo, a angústia relacionada ao inexequível se converte
em algo inefável...
Os atestados
psiquiátricos ficam invalidados com o decorrer mínimo do tempo. Não se sabe até
em que átimo, comprovadamente, terão o seu valimento. O que havia sido dito,
intempestivamente, poder-se-ia reverter de modo cabal, suscitando inusitadas
condições palinódicas. Então,
deletar-se-ia o que fora anelo no prisco, para, nesse caso, fazê-lo
palingenésico em toda a sua natureza de expectação!...
Wilson Cerveira
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