Marcial, indubitavelmente, jamais poderia deixar de ser o lídimo deus da guerra, na mitologia grega. De fato, o nome veio dar alforjamento à pessoa com características varonis desde o primeiro instante em que fora implantado no útero materno. A senhora sua mãe -- Dona Helionora, em confidência a uma amiga íntima, dizia que sentia o feto a bater-lhe com os pés -- numa atitude de quem se prepara para aplicar pontapés ( pontadas com as pontas de ambos os pés).
Realmente, sem outros adendos, este seria o futuro homem, que recebera o nome: na pia batismal -- Marcial Ramalho Marques. Desde logo, do parto até agora, propugnava-se em tudo o que fazia, sem que retirasse sequer todas as medidas vitais. A sua determinação começara quando dera os seus primogênitos passos pueris.
Quem o admirasse a certa distância tinha a impressão de que marchava em direitura ao protótipo clamor bélico estabelecido pela tropa vanguardista. Avançar sempre, sem recuar, foi o seu lema desde o vislumbrar ao expungir o facho da luz direcional de combate. Tudo era como se fosse um esquadrão à espera do infenso! Desde cedo na vida deitava-se ao chão, e atirava inicialmente com a sua baladeira certeira no alvo em que planejara a detonação perfeita, sem erro e sob medida milimétrica corroborativa!...
Aprendera a arte de bom colimador sem que marcasse com antecedência a direção e o sentido do projétil. Parece que trouxera no gene a frase: " Sou o marinheiro da destinação". E, deveras, sem demais alternativas, ia acertando os caminhos que conduzem ao ato de reptação de um guerreiro providente.
Também, na montaria de animais de pequeno, médio ou grande porte, abrangendo o burro, o boi, o cavalo, o camelo, a girafa, o elefante etc. Subia no dorso desses animais utilizando-se de uma arrancada correta para perpetrar um único pinote no local onde deveria se posicionar!...
Ascendia à região dorsal desses bichos, portando calção, bermuda até o terno de brim completo, com sapatos metidos nas respectivas galochas. Desde o verão, passando pelo inverno e se estendendo às demais estações do ano. Destarte, Marcial não dava nunca o tempo por perdido!
Não escolhia a roupa de cavaleiro, e vestia qualquer uma com a mesma facilidade de sempre! E com a arma pronta à altura da cinta. Se surgisse quaisquer imbróglios estava preparado para responder de imediato, sem perda de tempo. Outrossim, passava de um animal para outro, sem que tocasse os pés no chão. E, com o decurso do tempo, ia se tornando exímio tanto na montaria quanto na precisão do ato de atirar com parcimônia máxima reservada a cada cartucho de balas. Não fazia prospectivas, pois acertava o alvo de uma só vez!...
Não partia à procura do claro nem do escuro, o que apontasse seria bem sucedido! Ia ganhando admiradores por onde passava. Todos eram unânimes quando diziam: Este senhor nasceu com esta predestinação. As suas veredas já estavam traçadas, bastando apenas serem percorridas com esmero ao longo da trajetória!...
Marcial Ramalho Marques sabia ser gentil com seus animais de montaria. Ele mesmo colocava comida nas cocheiras, e vocacionava os bichos através de um estalido nos dedos! De imediato, eles se aproximavam da ração. E quanto mais esperava, surprendia-os levando os focinhos em direitura aos alimentos. E, assim que começavam a comer a comer, ele ia passando os dedos da mão, carinhosamente, nas laterais de suas barrigas, num gesto de intimidade e afeição. Dessa maneira, conseguia domar a bicharada. Quando ele se aproximava, eles pressentiam estar na hora da comida e da ternura oferecida, de modo blandicioso. Assim, adquiria certa afabilidade quanto ao trato de cada animal! Todos os bichos, sem exceção, eram reunidos diariamente no pátio de sua casa residencial. Lá, eles saciavam a fome, que é o direito à nutrição vital. Igualmente, uma vez por semana, ele banhava esses burros, bois, cavalos etc. Era um verdadeiro frescor para aquelas peles grossas e repletas de bochornal acumulado no decurso dos dias.
Na hora da montaria, os aprestamentos estavam sendo realizados, de maneira concomitante, para que o vetusto homem, seu domador, se predispusesse sobre eles. Antes de mais nada, recolhia seus respectivos "petromax", para colocar querosene em cada bojo. Assim que os enchia, ia bombeando cada candeeiro, e dando luz a cada camisinha contida no aparato envidraçado!
Na montaria, ele ascendia ao dorso do animal, portando um facheiro de luz abundante. Esses bichos, por demais afeitos ao dono, permitiam que ele os governasse somente com uma mão, pois a outra se encontrava com o estabelecido petromax. Desse modo, produzia iluminação para o itinerário a ser percorrido!...
Nos finais de tarde, no encetamento da noite, os animais descansavam à sombra dos arvoredos. Um zéfiro fino, frio e transparente refrescava-lhes as peles impregnadas de calor, em função da faina diária. Este tipo de lazer tornava-se imprescindível diariamente. Caso contrário, não suportariam a luta, pois carregavam cargas pesadas e pessoas nos seus respectivos dorsos. Também, a refrigeração, com ventiladores e outros aparelhos, restaurava-lhes a rubidez que traziam em suas peles crestadas de sol canicular.
Marcial encomendara os bois e cavalos aos cuidados do Domingos, que muito entendia quanto à de aprestar esses bichos, para que o mínimo necessário fosse perpetrado, visando o custeio do dono e suas despesas para com os demais clientes. De quando em quando, parava e os hidratava. "Segundo a lenda, eles não eram como os antigos burros de Lisboa, os quais carregavam vinho o dia todo, e bebiam água à noite, com o propósito de não morrerem desidratados". No dia seguinte, estavam todos preparados para seguir caminho, portando as cargas, e, com isso, fazendo o transporte para seus destinos previamente determinados. Uns iam para uma distância menor, enquanto outros -- mais sacrificados partiam em direitura a um lugar bem mais afastado. Mesmo assim, sem perplexidade, aguentavam a trajetória de modo seguro, chegando aos seus lugares de entrega. Domingo, nesse caso, fazia a função de tropeiro -- mais do que necessário -- tanto assim, que trazia consigo a importância financeira de cada cliente, para que prestasse conta ao dono -- o senecto -- Marcial Ramalho Marques.
O adestramento da bicharada fora feita toda na cidade de Pinheiro--MA. O deslocamento dos bichos dava-se diretamente nas cidades próximas, notadamente as que faziam circunvizinhança. Em alguns casos, partiam para localidades mais afastadas da cidade. O trajeto podia alcança, no máximo, três dias de retirada. Logo, ao chegarem permaneciam descansando mais dois dias, tempo mínimo necessário para que regressassem ao ponto de origem. Dessa forma, preenchiam as carências financeiras do proprietário. Outrossim, Domingos era o principal cabeça, com o objetivo de que tudo desse certo, e ele se mantivesse no trabalho por muitos e muitos anos!...
Marcial Ramalho Marques sabia ser gentil com seus animais de montaria. Ele mesmo colocava comida nas cocheiras, e vocacionava os bichos através de um estalido nos dedos! De imediato, eles se aproximavam da ração. E quanto mais esperava, surprendia-os levando os focinhos em direitura aos alimentos. E, assim que começavam a comer a comer, ele ia passando os dedos da mão, carinhosamente, nas laterais de suas barrigas, num gesto de intimidade e afeição. Dessa maneira, conseguia domar a bicharada. Quando ele se aproximava, eles pressentiam estar na hora da comida e da ternura oferecida, de modo blandicioso. Assim, adquiria certa afabilidade quanto ao trato de cada animal! Todos os bichos, sem exceção, eram reunidos diariamente no pátio de sua casa residencial. Lá, eles saciavam a fome, que é o direito à nutrição vital. Igualmente, uma vez por semana, ele banhava esses burros, bois, cavalos etc. Era um verdadeiro frescor para aquelas peles grossas e repletas de bochornal acumulado no decurso dos dias.
Na hora da montaria, os aprestamentos estavam sendo realizados, de maneira concomitante, para que o vetusto homem, seu domador, se predispusesse sobre eles. Antes de mais nada, recolhia seus respectivos "petromax", para colocar querosene em cada bojo. Assim que os enchia, ia bombeando cada candeeiro, e dando luz a cada camisinha contida no aparato envidraçado!
Na montaria, ele ascendia ao dorso do animal, portando um facheiro de luz abundante. Esses bichos, por demais afeitos ao dono, permitiam que ele os governasse somente com uma mão, pois a outra se encontrava com o estabelecido petromax. Desse modo, produzia iluminação para o itinerário a ser percorrido!...
Nos finais de tarde, no encetamento da noite, os animais descansavam à sombra dos arvoredos. Um zéfiro fino, frio e transparente refrescava-lhes as peles impregnadas de calor, em função da faina diária. Este tipo de lazer tornava-se imprescindível diariamente. Caso contrário, não suportariam a luta, pois carregavam cargas pesadas e pessoas nos seus respectivos dorsos. Também, a refrigeração, com ventiladores e outros aparelhos, restaurava-lhes a rubidez que traziam em suas peles crestadas de sol canicular.
Marcial encomendara os bois e cavalos aos cuidados do Domingos, que muito entendia quanto à de aprestar esses bichos, para que o mínimo necessário fosse perpetrado, visando o custeio do dono e suas despesas para com os demais clientes. De quando em quando, parava e os hidratava. "Segundo a lenda, eles não eram como os antigos burros de Lisboa, os quais carregavam vinho o dia todo, e bebiam água à noite, com o propósito de não morrerem desidratados". No dia seguinte, estavam todos preparados para seguir caminho, portando as cargas, e, com isso, fazendo o transporte para seus destinos previamente determinados. Uns iam para uma distância menor, enquanto outros -- mais sacrificados partiam em direitura a um lugar bem mais afastado. Mesmo assim, sem perplexidade, aguentavam a trajetória de modo seguro, chegando aos seus lugares de entrega. Domingo, nesse caso, fazia a função de tropeiro -- mais do que necessário -- tanto assim, que trazia consigo a importância financeira de cada cliente, para que prestasse conta ao dono -- o senecto -- Marcial Ramalho Marques.
O adestramento da bicharada fora feita toda na cidade de Pinheiro--MA. O deslocamento dos bichos dava-se diretamente nas cidades próximas, notadamente as que faziam circunvizinhança. Em alguns casos, partiam para localidades mais afastadas da cidade. O trajeto podia alcança, no máximo, três dias de retirada. Logo, ao chegarem permaneciam descansando mais dois dias, tempo mínimo necessário para que regressassem ao ponto de origem. Dessa forma, preenchiam as carências financeiras do proprietário. Outrossim, Domingos era o principal cabeça, com o objetivo de que tudo desse certo, e ele se mantivesse no trabalho por muitos e muitos anos!...
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirPrezado Prof. Wilson Cerveira,
ResponderExcluirPeço licença para escrever-lhe, mesmo sem o conhecer pessoalmente. Chamo-me Renata e sou esposa do bisneto de Rosita Cerveira Marques. Gostaria de confirmar se vocês pertencem à mesma família, pois tudo indica que sim.
Encontrei o seu blogue quando pesquisava autores alcantarenses para um projeto do IFMA Campus Alcântara, onde leciono a disciplina de Língua Portuguesa.
O meu objetivo inicial era somente encontrar um autor de romances, natural de Alcântara e que tratasse da cidade nos seus livros, para trabalhar os textos com os alunos e, posteriormente, marcar um momento presencial em que o autor pudesse, porventura, conversar com esses estudantes sobre suas obras.
No entanto, chamaram-me a atenção os seus sobrenomes, que eu sabia serem os mesmos da avó do meu esposo, a sra. Enilde Marques Amorim. Ela sempre narra várias memórias interessantes da família Cerveira Marques, da sua mãe professora e da Escola Primária que frequentou. Aproveito o ensejo para dizer quão valorosas são as memórias que o senhor registra no seu blogue. Assim, além de encontrar um romancista alcantarense, creio que descobri alguém da família do meu esposo!
Desta forma, se o senhor tiver interesse na divulgação de seus romances entre o público estudantil do IFMA Campus Alcântara, seria um grande prazer para mim descobrir como ter acesso a eles e lê-los em sala de aula. Dos seus livros, infelizmente vi somente as capas e os resumos que o senhor disponibilizou no seu blogue.
Neste momento, com a pandemia que estamos vivenciando, é impossível marcar um encontro presencial, mas podemos ir acertando algumas informações por este meio virtual.
Desde já agradeço a atenção e fico aguardando sua resposta. Meu e-mail é renata.ribeiro@hotmail.com
Respeitosamente,
-
Renata Ribeiro Lima
Correção: renata.ribeiro90@hotmail.com
Excluir