De súbito,
para estupefação de todos nós seus alunos, assomou à soleira da porta a imagem
imponente do mestre em Língua Portuguesa – Ir. Luciano, portando uma sotaina
negra, a inspirar o máximo de austeridade. Ainda no ângulo médio do
frontispício retangular dos umbrais, podíamos vislumbrar-lhe os sobrolhos
sobrecarregados de angústias prístinas, como se viesse trazendo consigo, nos
abscônditos do intrínseco, os gravíssimos problemas do orbe. Naquele ínterim de
investidura magisterial, quiçá, preludiasse o que, realmente, teria de
expressar naquela outra ensancha, antes mesmo que adentrasse definitivamente à
sala de aula, para que pudesse deblaterar, com fremência, as seguintes
palavras: beócio, onagro e cavalgadura. Em seguida, ao transpor o limiar de
estremadura, dirigiu os vocábulos
supracitados, de chofre, sob a ferrenha forma de equivalência biunívoca, para
três colegas nossos pertencentes à turma Maristiana, ímpar, do reminiscencial
ano nostálgico de 1968, exprimindo-se, desabridamente, do seguinte modo: tu,
que estás sentado aqui, na vanguarda, és simplesmente uma cavalgadura; esse
ali, que se posicionou no renque intermediário, representa um baita de um
onagro; enquanto aquele outro, localizado na retaguarda, dá-me a impressão
especiosa de ser um lídimo e inquestionável beócio.
Deveras, algo se fazia necessário com
premência, para mitigar as acrimônias acirradas proporcionadas pela Língua de
Luiz Vaz de Camões. No entanto, o preceptor requisitou os seguintes aprestos:
um dicionário do Idioma Português, de preferência o do Silveira Bueno; uma
gramática da Língua Portuguesa, tendo por primazia a que era do ínclito ---
Domingos Paschoal Cegalla; ademais, como adendo, requestava um pequeno
cronômetro ou relógio despertador, com alarme indicativo de somente um minuto,
que era o prazo máximo, sem hesitação, estabelecido para responder a um dos
sinônimos suscitados. Caso contrário, a caneta de rabo de tartaruga, na qual
havia um porquito, mergulhado numa solução aquosa, fazia-o descer desesperadamente,
decretando declínio de pontos na média mensal.
Após a descrição sumária dos resignados, não
havia outra impressão, que fosse menos engabeladora, para tal justificativa, a não
ser uma prática emergente, que decorrera de uma objurgatória imerecida, uma vez
que, partindo do silogismo menor, estávamos no primeiro dia de aula, e, ainda
sob suspeição das porvindouras exações do lente, o qual exigia rigorosamente o
essencial para a aquisição de uma nova parcela
cognitiva. De fato, as premissas do mestre – Ir. Luciano, sem
perplexidade, e de maneira plausível, eram outras bem diferentes das que já
tinham sido elucubradas anteriormente. Sim, estávamos perante inusitados
vocábulos, tendo por parâmetro, basilar e imprescindível, aquela frontispícia
amostragem significativa, para com todos os âmbitos analisados de maneira
acurada.
Então, os sinônimos, em profusão,
proliferar-se-iam, de tal forma, anuindo ao modo discricionário. Deveras, o
vernáculo ressumbraria uma esplendência de ascensão positiva nos estudos.
Destarte, lembrar-me-ia o desaire pelo qual foi inoculada a aterrorizante
infensidade, logo, demonstrada, quando o mestre se deparou com o acervo de
termos pronunciados erroneamente pela maioria dos discentes maristianos; ou
escrita, igualmente, de modo incorreto, instigando suspeições com relação ao
denodado ato da respeitabilidade eruditiva, ressumbrando, decerto, o inverso,
que é o fragilismo dos deficientes conhecimentos adquiridos em anos pretéritos.
Se no ato da leitura, o aluno pronunciasse
uma palavra cujo acento não recaísse na sílaba escolhida através dos critérios
do próprio idioma, o preclaro ministrador das lições gramaticais, com certeza,
vocacionaria o arguido, titulando-o pelo nome que fora escrito ou pronunciado
cincadamente, obedecendo aos severos caprichos de um interregno de trinta ou
mais dias de excruciante expiação.
Os principais erros
detectados pelo lente, se alguma outra tibieza, seriam: prosódicos,
ortográficos, etimológicos, semânticos, e demais aparatos e afloramentos de
procedência linguística. Assim sendo, íamos, pouco a pouco, melhorando nossas
erudições, assim como os demais ostentórios de origem vernacular. Sendo assim,
íamos a miudamente reparando os graus relativos ao conjunto de nossas insipiências,
na convicção de termos assimilado a lidimidade dessas novíssimas terminologias.
Quantas e
quantas vezes, nossos colegas, em sua totalidade expressiva, integrados ao
mesmo grupo de estudo, sentiam-se fragilizados diante das reutilizações dos
motejos sobejantes. Desse modo, vaticinaríamos uma gramática mais interessante,
induzindo-nos a uma sutileza de possíveis acertos conjugatórios revigorantes em
ambos os âmbitos --- literário e científico.
WILSON CERVEIRA
IR. LUCIANO, MAIS CONHECIDO COM BAT MASTESON, POR ANDAR DE BATINA PRETA E SUA CELEBRE BENGALA, ENSINAVA INGLES, INCLUSIVE ERA O TESOUREIRO DO COLEGIO. OS NOSSOS PROFESSORES DE PORTUGUÊS...IR. AMORIM E O PROF. JOSE LUIS, SE ESTIVER ERRADO ME CORRIGA...BINE
ResponderExcluirPosso dizer o seguinte sobre eu mesma...português não é meu forte,acho uma língua rica em demasia pra meu parco saber,na verdade me dá preguiça mesmo,tanta informação,ignorância minha na verdade ou falta de dom para entende-la.Admiro pessoas cultas como vc,porém jamais poderia dedicar-me a educação ou a comentários sobre esse tipo de assunto,por falta de compromisso com a literatura e com as letras corretas.Minha linguagem é mais visual que escrita meu forte são as tintas,elas me falam muito mais que palavras.E se na minha época tivesse tido assim mestres tão rígidos,não sei se sucumbiria ou se aprenderia mais o português correto,porém bastante difícil e para mim um pouco enfadonho.Mas admiro mesmo a sua reserva cultural,vc é um grande literato,um grande pensador e um zelador carinhoso dessa nossa língua mãe,só não consigo acompanhar,por falta quase total de cultura e tempo.Persevere ,continue,seja o guardião da nossa língua,mesmo que nos dias de hoje,para os nossos contemporâneos,sua linguagem seja quase estrangeira.Um português sublimemente escrito,conservado por poucos como você,falado e escrito com tanto requinte,cuidado e carinho.Parabéns seus textos são muito ricos e reconhecidamente vc é um ótimo escritor,pena nos tempos de hoje um tanto incompreensível,talvez pela pobreza dos tempos de hoje aonde as escolas ensinam tão pouco ou quase nada e os mestres em nada se comparam aos da época que você relembra de seus tempos.Hoje,tem que se ficar satisfeitos, com o pouco que nossos despreparados mestres modernos se dignam passar as essas gerações pouco exigentes em termos de linguagem.Um abraço da amiga Analou.
ResponderExcluirO texto é lindo e muito rico.Parabéns por tanta dedicação a Língua Portuguesa e que a cada dia sua inspiração às letras cresça ainda mais.Um abraço de sua eterna aluna Sândala
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