sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O MUNDO DA IMAGEM IMPERIOSA


  O binômio, -- capital e poder --, ambos podem produzir a imagem desde o ponto do seu encetamento até a linha de convergência sazonal, e que, sem procrastinações, tende a declinar em direção ao eixo inumatório da senescência.
   Durante a turbulenta trajetória da imagem imperiosa, o que permanece é a metáfora de um caudaloso rio portando um número exacerbado de afluências e defluências. E, -- essa visão onírica --, por onde perpassa, estando em vórtice diagonal ou em sorvedouro ortogonal, termina recebendo as influências da lua nova; das marés vazantes e das intempestivas remanescências d’água!... Ainda evolam do abrupto os temporais cataclísmicos ostentando relâmpagos, trovões etc. Após o cessar das intempéries convulsas, assomará um Sol canicular como testemunha homenageante dos diferentes tipos de peles ressequidas, fazendo com que o melanoma assuma a função de galardão funesto.
   O que soçobrou, decretando descomunal catástrofe, foi a efígie cominuída em função de proliferantes gládios propugnatórios. Posteriormente, sem ressaibos, urge restaurá-la por etapa, perlustrando cada região constituinte, não deixando escapar as mais labirínticas minudências.
   De repente, vamos resgatá-la do obscurantismo, incorporando-a na condição radicular do factual imprescindível, tentando anodiar o embuçalamento que a asfixiou no fastígio. Após várias azáfamas, conseguiu-se expurgar, com fremência, as lutuosas camadas lodaçais que a cingiam cabalmente.
   A mídia, através dos seus paroxismos sensacionalistas, singra a imagem restaurada, independente das direções e sentidos vetoriais factícios.
   No mundo extorquidor da mídia, em que o teleguiamento se constitui um modelo de empresa patrocinadora da imagem, não se pode esperar outro tipo de antídoto – a não ser o refestelamento do ícone sucumbido. Assim sendo, a força do capital é tão avassaladora em sua ação tirânica, quase mortal, que chega a tal ponto de demarcar somente as sendas menos abrolhosas, expurgando-se-lhes os escólios presentes e repletos de permeios meândricos.
   Se for uma ação unidirecional, atingindo apenas a imagem do politicalho; decerto, não conseguiremos detectar as espurcícias pertinentes; já que a tecnologia empregada – através de dublagens e montagens mirabolantes – deleta as excrescências e abjeções nela contidas.
   Nesse caso, surdem as compungências inopinadas, e, surpreendentemente, o esquife será ovacionado calorosamente, dando a especiosa impressão de que o defunto rediviveria diante de tantas agruras sofridas.
   Se a imagem for intemerata, não tenhamos hesitação em declarar, de viva voz, a sideração que tem por cognome a insolvência. Dessa forma insustentável, deteriora-se gravemente a imagem já corrompida, deixando-a em estado de deplorável coinquinação.
    Caso pertença aos três podres poderes, a imagem da perpétua corrupção não será jamais julgada com isenção de ânimos, uma vez que se encontra anteparada por uma série de leis inequânimes, as quais demandam efetuações de proporcionalidades concernentes às devidas graduações vigentes. Então, a impunidade incursionará em mar aberto, transpondo todos os âmbitos de violentas marés, em que a permissividade de compelência é, de fato, abusiva e execrável!...
   Hodiernamente, falta o sopesamento, com o intento de atribuir uma avaliação pseudo-imputativa. Mas, em se tratando de futebol, o investimento, dependendo do auspiciador, é altíssimo. Em consequência, a velha imagem abominável do pexote se desfaz, de modo colapsal, dando ensejos consecutivos a possíveis tresvarios, amplamente sufragados por uma sociedade tartufa, impelida por ardis de pinacular criminalidade, e que vive sob a ação sórdida e imperiosa do simulacro espetacular, abrangendo, destarte, todas as contundentes e diversificadas atividades humanas realizadas nestes interregnos cruentos e fastidiosos, onde os vocábulos exprimem os seus zênites antinômicos e de magnânima retumbância.

                                               Wilson Cerveira

Um comentário:

  1. Anônimo8/10/12

    Realmente a mídia tem o poder de produzir na sociedade contemporânea a experiência da presença real do falso absoluto. As eleições são um exemplo disso. A super mídia produz de forma massiva uma série de candidatos maquiados de modernidade, mas que não passam de semi-analfabetos travestido de doutores. E esse espetáculo bizarro é financiado pelo binômio poder x capital que mencionaste em teu texto.
    Um abraço do amigo Carlos Henriques Guimarães Medeiros.

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