terça-feira, 8 de outubro de 2013

A RESSUMBRAÇÃO DO DESAPEGO EM DIAS HODIERNOS

     Ludemira, após noites de insônia macerante, deu luz ao candeeiro de porcelana, localizado, em apenso, no espaldar do largo tálamo, como se estivesse à cata de demanda dirimitiva quanto à probabilidade de perquirir as comutações constantes – em sua grande maioria – verificadas neste hodiernismo deformante e degenerescente, as quais aduzem ao desapego, que é uma das fontes primiciais do dessentimento humano.
     De fato, o interlocutor, em sua plenipotência, consegue intuir a carência de sentimentos existentes em milhões de pessoas, fazendo com que as criaturas, em suas raízes basilares de gradativos egocentrismos, busquem o banimento de apropinquação, mormente no que concerne aos seres humanos, que, numa atitude alardeante e inequívoca, vêm a ressumbrar o execrável sentimento do frígido desapego.
     A relação binominal – pessoa e objeto --  quando perscrutada em percuciência minucial, vai se expendendo paulatinamente, e, depois remanescerão os laivos do esburgamento sem limites, numa atitude de suspeita quanto a origem desse perfunctório aparato de compra e venda.
     A falta de convivência requesta uma obliteração em gradações – quase imperceptíveis --, num somatorial impreciso de um extenso tempo a ser transcorrido milenarmente. Também, a evolução infrene, que é proporcionada por uma tecnologia de alto risco, suscita vários paradigmas de desprendimento.
     O tempo, em sua transitoriedade rompante, requesta meios de interpelar as razões ululantes dos uivos, urros e rosnamentos. Em sua imagética especiosidade contribui, direta ou indiretamente, para as varreduras meândricas, de natureza inopinada, da ressumbratória atinente ao hiperbólico desapego denotado neste hodiernismo metamorfoseante!
     Para acompanhar os modelismos psicodélicos, inaugurados a cada dia, induzindo-nos a experimentar, de maneira esturdiante, o imane trinômio existencial: vivência, experimentação e sofrência!...
     A composição das urdiduras da abdução, em regra generalizante, é heteróclita em sua raiz de latência; pois, em direitura, expende – quase sempre -- o criptograma de uma inusitada nau esquipática e de altíssimo grau cabalístico.
     O ser inumano, no cerne da sua desumanidade, desvencilha-se até das implexas imanências existentes em si mesmo. Assim sendo, relega o prestimoso atendimento de uma porciúncula do ego expeditivo, remanescendo no cabal soçobro percuciente do seu absconditismo.
     Os membros e demais aparatos, contidos em seus variegados escaninhos, ainda permanecem por longo tempo no telúrico, posto que a minoria das estruturas anatômicas seja denominada de próteses de elevada comutabilidade, acirrando as mais esdrúxulas ensanchas de readaptação funcional.
     Os indivíduos mundanos, mirabolâncias quadráticas de açodamentos, sucumbem no ramerrão componente do estrutural, ainda que estejam arraigados nas imanências obstinantes – na intrinsicidade dos seus próprios objetos de uso exclusivamente pessoal.
     Hodiernamente, em plena inversão dos parâmetros regem o comportamento humano, as criaturas estão partindo de um ponto da linha imagética do intrínseco para o extrínseco, e não vice-versa, expressando, com rigor, os ditames que estabeleciam os basilares e imprescindíveis indicadores da sustentabilidade digladiadora!...
     Neste desapego progressivo e estroinado, não se consegue demarcar, com exação, as margens territoriais, não tendo outra derivada cerceativa e capaz de desestugar os passos de quem parte, ou, então, de quem chega como timoneiro da enigmática destinação, que é obra exclusiva da Divina Providência, se bem que não tenha eclodido das numerosas intersecções biológicas de origem!...

     A meândrica senda virtual cerra o escopo do descortino, numa antinomia que desobicia os óbices existentes nas bizarras probabilidades de lobrigamento, perpassando ao largo das estúrdias sendas feéricas!

                                    Wilson Cerveira

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