domingo, 24 de novembro de 2013

ESPECIOSO ARAUTO HODIERNO

     Ainda na soleira da casa onde morava por mais de três décadas, Hermenegildo, -- pós-doutorando em Ciências da Computação --, decodificava a mensagem escrita contida no basilar do estereótipo, remetendo-a para o espaço – via satélite, para que pudesse conectá-la com o som e com a imagem que a inoculou por um período de acuidade visual. Destarte, refocilou-lhe a raiz da permissibilidade, de maneira concomitante, readquirindo uma forma paradigmática contra as intempestivas reações – tanto positivas quanto negativas.
     Em todos os ramos da atividade humana, -- sem meticulosidades falaciosas --, o arauto  submeter-se-á ao emaranhamento da demudação abrupta, e ele assumirá, no devir das circunstâncias inopinadas, caracteres inerentes ao meio estático, precisamente no ponto de inserção, no qual a efígie – em seu grau de especulatoriedade máxima – está sendo cabalisticamente promanada.
     A especiosa proclamação, em algumas ensanchas, já se apresentava na condição de ilação peremptória, embaindo um tipo de embuste em que os preliantes ainda buscavam as consuetudinárias sindicâncias da leitura meditativa, visto que estivesse sob a semiótica de ângulos flabelares.
     Em sofisma de alta percuciência, o especioso pregão assomava – encapelado e de maneira embornal – exarando o seguinte conteudismo  tripudiante: “SORTUDO! VOCÊ ACABA DE GANHAR UM CARRO E UMA CASA TODA  MOBILIADA. SENDO ASSIM, NÃO LHE RESTA OUTRA OPÇÃO, A NÃO SER GOZAR DESSA SORTE NÃO ESPERADA, PROPORCIONADA PELOS BONS VENTO DO SEU HORÓSCOPO. REALMENTE, É A SUA ÚLTIMA CHANCE!
     Em todos os setores abrangentes quanto aos díspares profissionalismos, perquiria-se, custosamente, a real imagem da falácia contemporânea e sua capciosa dimensão reverberante. A princípio, requestava-se o labirinto elo impregnante inserido no vocativo de natureza dispersa, trazendo-o, de modo sub-reptício, para o grupo espectral da picardia reinante.
     Os anúncios eclodem com mirabolância, sem que se possa ter a imagem do que se poderia declinar como sendo de caráter lídimo e, de fato, não excrescente quanto ao compositório deambulante. E, ainda, remanesciam as apropinquações atinentes aos variegados âmbitos das virtualidades existentes nestes tempos acrimoniosos, onde as nequícias se alastram em todos os quadrantes do espaço.
     As mensagens surdem na premonitória orquestração do delírio, estando em meio às suas multiplicidades tergiversantes. Não se sabe, ao certo, quem ela é, e, também, de onde proviera. Geralmente, esse tipo de arauto tranquibérnico, numa sintomatologia impressionante, vem impregnado de embaimentos esfíngicos. Uma argamassa de pseudo-impressões variegantes compõe-na, por inteiro, em sua estrutura externa continental, -- que é uma lídima mixagem contendo informações de vários tempos, números, gêneros e pessoas.
     Os pregões irrompem, de modo aparatado ou em furna percuciente, emitindo apenas os criptogramas detonados, maviosamente, por uma série de sensores interpolados nos interregnos de uma fonte geratriz, com velocidade e aceleração ultrapassando aos limites de suportabilidade do operador mais eficiente.
     A imagem virtual, que é suscetível de exercer-se, conquanto não se encontre em exercício, representa algo que esteja como faculdade – mas sem efeito atual, potencial, possível. Em Física, essa efígie virtualística é vista na simbologia do foco de uma lente ou espelho, determinando a intersecção dos prolongamentos dos raios luminosos. Em se tratando de informática, o virtualismo imagético se predispõe para designar os dispositivos emulados ou simulados e, portanto, não-reais, tendo como paradigmas: memória virtual, realidade virtual etc.
     A virtualidade do delineamento, no inverso insólito de sua realidade plausível, ostenta, com certeza, uma força incoercitível em toda sua suntuosa grandeza de espacionalidade. O suscitar do desenho, através de raros efeitos produzidos por sensores, consegue dilacerar os pontos nevrálgicos das inúmeras barreiras obiciantes, projetando-se, por intermediação de satélites, de um continente a outro, com a mesma fulgurância contida em relevos primiciais – do ponto de origem ao ancoradouro final, numa visão generalizante de tudo o que se passará nas dimensões gravitacionais do planeta – Terra, que é o sustentáculo peremptório.
     O arauto, contido no escorço visual, aparata diversos tipos de sensores, em seus díspares graus de implexidade, servindo para dilucidar porciúnculas enigmáticas – de materiais enfurnados nas profundidades de mares e oceanos, por meio de dispositivos como radar, sonar, ecobatímetro etc.
     O sujeito tranquiberneiro evola um cabalístico arauto, representando um arquétipo de altíssima resolutividade evagatória, que é o ostentório significativo do próprio aparelho tecnologizado, -- numa dissonância de encontros, aflorando, posteriormente, em direção ao extrínseco – de modo esquipático, confutando o seu estado de ausência, malgrado esteja a redarguir os paroxismos palindrômicos de uma síndrome que comina, contundentemente, os especialistas de maior reputação no ramo da psiquiatria – a despeito de ser um questionamento de algum transtorno ainda não ressumbrado no implexo âmbito da rede neuronal!...

                                     Wilson Cerveira

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