sábado, 7 de dezembro de 2013

A DESCARACTERIZAÇÃO DO HUMANO EM DIAS DE ACRIMONIOSO HODIERNISMO


    Hodiernamente, numa comutação de valores personificativos, as criaturas se preparam, de modo tendencioso, para não cumprir com o que fora dito e firmado em cartório e em presença de várias testemunhas reunidas.
    Em tempos de crúcia premente, o vocábulo “não” se tornou insustentável no que concerne ao ato repressivo de sua raiz basilar; e não, abruptamente, passou a ser ovacionado na postremeira ensancha, por mais que seja a lídima acepção miracular de sua própria redundância peremptorial.
    As influencias do orbe, em generalizante premissa, fazem com que as pessoas ressumbrem uma demudação esquipática, embaindo-se, pouco a pouco, em metamorfismos deliquescentes, partindo do preceptor  imanente, numa abrangência tridimensional: o físico, o psicológico e o espiritual.
    Os humanos, sentindo o carencial de uma reeducação sentimental, confutam a própria raiz basilar formacional, e, de modo torpe e protervo, proclamam a deseducação hodierna como uma forma empenhada, buscando, quase sempre, a manutenção das plausíveis medidas geratrizes e objurgatórias reinantes!...
   Os seres viventes, em dias hodiernos, demandam a abdução, cada vez maior, de suas origens controvertidas. Tanto assim, depois de muito estudo analítico sobre as derivadas do comportamento, que se atribuiu um ponto limítrofe para conter a sanha das exegeses acirradas!...
    Os indivíduos, aturdidamente, seriam capazes de açambarcar buçais díspares e estúrdios, a fim de que pudessem dissimular existências crástinas, contidas nos espectros – tangíveis ou intangíveis – atinentes às percepções extrassensoriais.
     Os personagens que habitam o orbe, nestes agrurosos dias hodiernos, são lídimos proteus, mudando facilmente de opinião, de hábitos, de sistema. Tem-se, em principio, por alusão a Proteu, um dos deuses da “Mitologia Grega” o qual mudava de forma e figura à vontade.
     O que mais prevalece é o arcabouço, servindo de aparato protetório a outros ícones, peças absconditadas nas lâminas em série, componentes de um álbum computacional, ainda que não lobriguemos o desiderato de desvelar as suas inúmeras minudências secretas.
     Neste mostruário de retratos, em quase penumbra, ainda vislumbramos as reminiscentes efígies das vetustas bonecas de pano e de porcelana. Realmente, encontramos na superfície dos seus corpos lassos, laivos de prístinos inumados pelo tempo de inopinada procrastinidade.
     Vivemos, merencoriamente, no abstratismo de um orbe protético, ostentando prova refutatória ao natural, já que a prótese requer a substituição de um órgão ou de uma parte dele, por outra parte ou órgão artificial, que é o comutativo ou sucedâneo de uma porção que fora dilacerada.
     Os seres, que chamamos de humanos, têm perdido a identidade, parcial ou totalmente. Inconformam-se em ter a mesma todos os dias. Também, inquietam-se em ser a mesma criatura, no exato átimo em que alvorece o dia seguinte. Buscam, também, com sofreguidão, a sua identificação espiritual, fundando novos templos, se bem que Deus seja onipresente, onisciente e onipotente, independente da apostasia, ou adesão, que fora realizada.
     De fato, a desidentidade está em voga e com muitos ondismos, neste imane orbe de sofrências prolatadas. O artificialismo exacerba-se a cada dia, com os préstimos das cirurgias de reparação epidérmica. Moldam-se novas bocas, narizes, testas, olhos coloridos, sobrolhos suspensos, orelhas pitorescas etc. E, após esses transformismos físicos, dificulta-se cada vez mais o trabalho perpetrado pela polícia especializada. Os erros e os crimes se proliferam desde os facínoras pertencentes aos “Três Podres Poderes” até as mais diversas estratificações sociais.
O psicológico das pessoas está em delíquio sucedâneo. Hoje, em estado de neurose; amanhã, em mórbido estado de avassalamento psicótico – numa intermitência questionável --, pois a redundância incorre em direitura ao sindrômico da neurose obsessiva compulsiva e tantos outros rótulos portando transtornos de natureza delírio-alucinatória. E, desse modo heteróclito, problematiza-se a psiquiatria vulnerável, assim como, sem pestanejar, os seus especialistas de borla e capelo, com pós- doutoramentos nos países mais progressistas do continente europeu.

     O espiritual, sucumbido em face ao decréscimo de fé no Criador – Pai Celeste e Todo Poderoso – contribui para que percamos a volição de permanecer sob a tutela atinente ao mesmíssimo dogma doutrinal. Novas  igrejas são fundadas, com o propósito de atender a insatisfação dos que buscam uma paz interior impossível, já que o problema não está na escolha da religião estabelecida pelos homens, mas na luta aguerrida e constante em manter a fé e fazê-la incrementar cada vez mais, banindo a probabilidade de quaisquer falências concernentes ao humano, nestes dias de acrimonioso hodiernismo, em que a descaracterização do ser pensante progride em âmbito infrene.

                          Wilson Cerveira

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