Hodiernamente, numa comutação de valores
personificativos, as criaturas se preparam, de modo tendencioso, para não
cumprir com o que fora dito e firmado em cartório e em presença de várias
testemunhas reunidas.
Em tempos de crúcia premente, o vocábulo
“não” se tornou insustentável no que concerne ao ato repressivo de sua raiz
basilar; e não, abruptamente, passou a ser ovacionado na postremeira ensancha,
por mais que seja a lídima acepção miracular de sua própria redundância
peremptorial.
As influencias do orbe, em generalizante
premissa, fazem com que as pessoas ressumbrem uma demudação esquipática,
embaindo-se, pouco a pouco, em metamorfismos deliquescentes, partindo do
preceptor imanente, numa abrangência
tridimensional: o físico, o psicológico e o espiritual.
Os humanos, sentindo o carencial de uma
reeducação sentimental, confutam a própria raiz basilar formacional, e, de modo
torpe e protervo, proclamam a deseducação hodierna como uma forma empenhada,
buscando, quase sempre, a manutenção das plausíveis medidas geratrizes e
objurgatórias reinantes!...
Os seres viventes, em dias hodiernos,
demandam a abdução, cada vez maior, de suas origens controvertidas. Tanto
assim, depois de muito estudo analítico sobre as derivadas do comportamento, que
se atribuiu um ponto limítrofe para conter a sanha das exegeses acirradas!...
Os indivíduos, aturdidamente, seriam
capazes de açambarcar buçais díspares e estúrdios, a fim de que pudessem
dissimular existências crástinas, contidas nos espectros – tangíveis ou
intangíveis – atinentes às percepções extrassensoriais.
Os personagens que habitam o orbe, nestes
agrurosos dias hodiernos, são lídimos proteus, mudando facilmente de opinião,
de hábitos, de sistema. Tem-se, em principio, por alusão a Proteu, um dos
deuses da “Mitologia Grega” o qual mudava de forma e figura à vontade.
O que mais prevalece é o arcabouço,
servindo de aparato protetório a outros ícones, peças absconditadas nas lâminas
em série, componentes de um álbum computacional, ainda que não lobriguemos o
desiderato de desvelar as suas inúmeras minudências secretas.
Neste mostruário de retratos, em quase
penumbra, ainda vislumbramos as reminiscentes efígies das vetustas bonecas de
pano e de porcelana. Realmente, encontramos na superfície dos seus corpos
lassos, laivos de prístinos inumados pelo tempo de inopinada procrastinidade.
Vivemos, merencoriamente, no abstratismo
de um orbe protético, ostentando prova refutatória ao natural, já que a prótese
requer a substituição de um órgão ou de uma parte dele, por outra parte ou
órgão artificial, que é o comutativo ou sucedâneo de uma porção que fora
dilacerada.
Os seres, que chamamos de humanos, têm
perdido a identidade, parcial ou totalmente. Inconformam-se em ter a mesma
todos os dias. Também, inquietam-se em ser a mesma criatura, no exato átimo em
que alvorece o dia seguinte. Buscam, também, com sofreguidão, a sua
identificação espiritual, fundando novos templos, se bem que Deus seja
onipresente, onisciente e onipotente, independente da apostasia, ou adesão, que
fora realizada.
De fato, a desidentidade está em voga e
com muitos ondismos, neste imane orbe de sofrências prolatadas. O
artificialismo exacerba-se a cada dia, com os préstimos das cirurgias de
reparação epidérmica. Moldam-se novas bocas, narizes, testas, olhos coloridos,
sobrolhos suspensos, orelhas pitorescas etc. E, após esses transformismos
físicos, dificulta-se cada vez mais o trabalho perpetrado pela polícia
especializada. Os erros e os crimes se proliferam desde os facínoras
pertencentes aos “Três Podres Poderes” até as mais diversas estratificações
sociais.
O psicológico das pessoas
está em delíquio sucedâneo. Hoje, em estado de neurose; amanhã, em mórbido
estado de avassalamento psicótico – numa intermitência questionável --, pois a
redundância incorre em direitura ao sindrômico da neurose obsessiva compulsiva
e tantos outros rótulos portando transtornos de natureza delírio-alucinatória.
E, desse modo heteróclito, problematiza-se a psiquiatria vulnerável, assim
como, sem pestanejar, os seus especialistas de borla e capelo, com pós-
doutoramentos nos países mais progressistas do continente europeu.
O espiritual, sucumbido em face ao
decréscimo de fé no Criador – Pai Celeste e Todo Poderoso – contribui para que
percamos a volição de permanecer sob a tutela atinente ao mesmíssimo dogma
doutrinal. Novas igrejas são fundadas,
com o propósito de atender a insatisfação dos que buscam uma paz interior
impossível, já que o problema não está na escolha da religião estabelecida
pelos homens, mas na luta aguerrida e constante em manter a fé e fazê-la
incrementar cada vez mais, banindo a probabilidade de quaisquer falências
concernentes ao humano, nestes dias de acrimonioso hodiernismo, em que a
descaracterização do ser pensante progride em âmbito infrene.
Wilson Cerveira
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