Por ordem das propelências projetivas,
vocacionam-se as duas imanes tergiversações: culpas e desculpas. Durante uma
nova crise sutil, o remorso de não ter assumido o ato, o mesmo que rutilou
naquelas interregnidades, suspiros de eterno viver, ressumando o assomamento de
uma canoa motorizada, na qual as criaturas têm os seus momentos
sintomatológicos, e podem contactar com seus delírios alucinatórios.
João José não erra nunca, apenas transfere
para o outro as traumáticas e projecionais culpas atinentes a todos os seus
fracassos vitais. Marieta, porém, é diferente, pois se desculpa diante do que
fez de errado, mas, em tempo algum, sentiu-se conivente perante os transtornos
evidenciados para com terceiros, vítimas de suas negligências no trânsito.
Os comportamentos contrastantes evoluem a
cada dia, acompanhando os heteróclitos sentimentos contraditórios. Há casos em
que o individuo, em analise, somente é capaz de pagar o que ficara devendo, se
a pessoa a quem ele deve, vier acolitada por outra, notadamente do sexo oposto.
Assim sendo, o encalistramento, em presença de terceiros, impele-a ao ato de
adimplimento compulsório.
Hodiernamente, a inercia de pronunciar o
vocábulo, por inteiro, com todos os afixos, faz com que a tropa de
desestudantes – praticamente a maioria – estrangule-o usando os artifícios de aférese
ou, então, da apócope. Dessa forma, o termo fica apenas com o seu cerne
desvelado, que é o seu respectivo radical, podendo de quaisquer origens e
idiomas ascendentes!
O abominar sobre algo, em sua essência
paradoxal, está a encargo de quem aprova ou reprova. Uma atitude, ora aceita,
ora condenada, dependendo do que a pronuncie. A mesma palavra que fere, às
vezes, está a depender dos lábios que a proferem, independente do clima que se
constitui no interior ou no exterior das pessoas indicadas ou desindicadas para
tal assunto de ordem educacional.
Exarar que gosta antes da prelibação, e,
após a consecutória lascívia, refutar o quanto havia de fruição no interregno,
mostra a existência de uma palinódia patológica, justificando apenas a rejeição
ao invite de permanência diuturna.
A pior fissura pode estar na comissura de
quem prioriza em plano de épura estabelecido para aquele lugar de implexo
acesso regenerativo. Piora-se por não cumprir a finalidade reciproca do que
está sendo perseguido reciprocamente, partindo em direitura com relação a um
centro gravitacional estipulativo e inconfessionável.
Ao chamar pelo nome completo – Maria
Prolina dos Reis Firmino, pensa-se no correto, conquanto seja o secretário
Pires Consuelo, que, já nos acenou dizendo do trauma que sofrera desde o
instante em que ele morrera para o referencial telúrico.
Mesmo em sala de aula, desculpa-se dizendo
que é demais, e, após listas visuais, chama os alunos tendo por referencial as
suas numerações em vez de ordenação completa dos seus respectivos nomes
extraída das certidões de nascimento. Igualmente, o ato de nominar inteiramente
a pessoa, dá-nos a impressão de que é um vocativo expresso por um delegado ou
pelo próprio juiz.
Que tipo de cristão sou eu, disse Petrúcio,
que inverto a cada dia os sentimentos, refutando-os como se fosse um meio
pertencente à terapia panacéica. É necessário que nos reparemos a cada
instante, a fim de não incorrermos em erros contumazes, advindos de um prisco
estigmatizado por traumas consecutivos e perdurantes.
Que ruas são estas, com toponímias
contrastantes?!... A Rua dos Remédios, por incrível que pareça, não tem farmácia;
a do Passeio, de modo controverso, serve de corredor, para não sermos assaltados
na esquina; na Praça da Alegria, se chora de solidão e tristeza; na Praça da
Misericórdia, não se dá esmola; na Praça da Saudade, constrói-se a “Passarela
do Carnaval da Cidade de São Luís – MA”. E tudo vai se conduzindo na
orquestração desabrida dos sentimentos paradoxais.
O sujeito de cútis branca, insolentemente,
é denominado de “Bruno”; a pessoa que não manqueja um só instante é chamada de
Cláudia; a criatura rústica, por natureza, ela é denominada de Urbano, e assim
vão se constituindo todos os escândalos de uma sociedade sem visão, sem fumos
de fidalguia, tampouco raciocínio de caráter percuciente. Finalmente, lavra-se
o binômio – Amor e Desamor –, como forma de ocultar o sentimento palinódico de
uma mente em estado de estertoramento progressivo.
Wilson Cerveira
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