A princípio, aprendia-se o
cumprimento dos horários concernentes à entrada e saída do ambiente escolar,
não podendo jamais transgredir – para mais ou para menos – o que o tempo havia
assinalado de modo exatório. Para tanto, havia uma caderneta especial, com a
finalidade precípua de exarar as infrações dos retardatários e dos que se
escafediam nos interregnos dos horários de recreio. Essas denúncias de
descumprimento eram rubricadas pelos pais ou responsáveis desses alunos,
através dos seus vistos e de suas respectivas estigmatizações.
Outro ponto basilar – de
caráter referencial – estaria atrelado ao ato de assunção dos horários
estabelecidos para as diversas disciplinas, os quais seriam inquiridos no
decurso exprobratório do ano letivo. Respeitava-se a cronologia de cinquenta
minutos – no projeto “hora aula”, como se apenas o tempo, o inexorável período
alegado – em sua regência maior – representasse o maior divisor das matérias
relacionadas a uma percuciente erudição.
Então, os aprendizes iam,
pouco a pouco, recebendo e assimilando, construtivamente, os ensinamentos
contidos nas geratrizes basilares das responsabilidades assumidas literalmente,
e, com o proposito de edificá-los no transcorrer dos anos atrelados aos ditames
das aprendizagens somatorizadas.
Somente no recinto colegial,
conseguia-se equacionar a implexidade existente naquele ínterim cognoscível,
visando à divisão integral do tempo, e, dessa forma, não restringiria a
cronologia atinente às matérias de menor preferencia, em que pese os graus
diferenciais de suas importâncias. E, melhor dizendo, essa proeza só se obtém
na instituição de ensino, porquanto não conseguiríamos fazê-lo de modo
uniforme, sem que houvesse a mínima propendência quanto a este possível tipo de
escolha curricular.
Em função dessa razão temporal, de permeio
imprescindível, sentia-se a imane dificuldade quanto à defecção dos díspares
meios de experimentação, estando todos direcionados aos estabelecimentos de
altíssima qualificação, sendo primazias dos vetustos, com exclusividade, para
os discentes – de outras plagas – que ostentavam combalidos conhecimentos
relacionados aos ramos das diversas disciplinas, independentemente de serem
básicas ou não, mas que influenciavam de modo contundente, sobremaneira os
fluxogramas de quaisquer testes seletivos de aproveitamento escolar do
prístino.
A escola tradicional,
inquisitorialmente consubstanciada, não se prestava a trabalhos supostos nem
arranjos redundantes de notas atribuídas a seus educandos. Não havia mixórdias
intermediárias. As avaliações prendiam-se apenas em provas mensais: primeira
semana do mês, na metade da quinzena e no final de cada período de trinta dias.
Além disso, havia os testes relâmpagos, programados para o final de cada aula,
que eram aplicados nos dias em que os alunos estavam mais desatentos e
impulsivos. As notas se dispunham sob a tutela da média aritmética: somavam-se
os números obtidos e, em seguida, dividia-se a quantidade geral pelo número
respectivo das aferições realizadas. A média resultante não sofria alteração
apropinquativa, e os mestres deixavam-na integral: 6,8(seis e oito décimos) ou,
então: 60,88(sessenta e oitenta oito centésimos). Caso não obtivesse os pontos
necessários, o discípulo ficaria reprovado pela carência de somente hum décimo
ou hum centésimo. Nesse caso, havia tremores e medos premonitórios e postremos,
sem apelativos tergiversantes. A ilação poderia ser fatal, beneficiando a
pessoa do aprendiz, sobretudo em porvindouro longínquo, sem reflexos
evagatórios assinalantes.
A quantificação do
conhecimento pronunciava-se em dimensão maior, -- ressumando um tipo de
concurso que visava uma análise individual, mantenedora do próprio escolar,
ascendendo-lhe a possibilidade de incrementar as erudições pretéritas – em
terreno solidificante do saber.
O senhorio se fazia sentir
desde um simples olhar do mestre. Os discentes flexionavam-se para
cumprimentá-lo, facilitando, sobremodo, a transcrição de inusitados
apontamentos imprescindíveis. A autoridade professoral denotava a apreciação
cautelosa dos seus alunos, sobremodo no que concernia ao aspecto de
obedecer-lhe os itinerários dos assuntos abordados durante as diversas aulas
expositivas.
Os despertadores e as sinetas assomavam no
ângulo superior das cátedras, servindo para medir o tempo das arguições
dissertativas, obiciando infringimentos de quem não havia aprendido
corretamente a lição, e, também, aprestado os deveres de casa e suas várias
implicações no âmbito da cognosia. E, destarte, os preceptores buscavam novas
direituras ilustrativas, e, ainda, se lembrariam dos que necessitam de neófitos
ensinamentos, sobrevindos de alguma formulação de um possível estribamento
salvaguardado.
Aprendiam-se verbos
regulares, irregulares, anômalos, defectivos e abundantes, aplicando-se o
método da palmatória ou da régua, -- a todo aluno que não se preparasse para
competir com os demais, errando, sistematicamente, os verbos sorteados para
aquele acontecimento gramatical, abrangendo uma das classes de palavras
variáveis.
Destarte, aportava-se,
também, em direitura inversa, aos umbrais da aritmética, usando a mesma
metodologia. Dependendo do nível de aprendizagem, buscava-se uma das quatro
operações como referência ao entrevero algarítmico. Os que acertavam iam
castigando, com reguadas na palma da mão, aqueles que não fixavam os resultados
das contas formuladas: adição, subtração, multiplicação e divisão.
Na escola tradicional,
obedecendo ao compasso sequencial de aproveitamento cognitivo, tinha-se – por
encetamento – a tarefa chamada de “Cópia”, aonde você ia transcrevendo as
palavras do texto – de modo fac-símile – observando, com rigor, as letras
componentes das sílabas que formavam as suas grafias. O aplicatório durava os
dois semestres do primeiro ano do antigo “Curso Primário”.
No segundo ano primário, a
evolução do saber permitia que fôssemos mais longe, alcançando o estágio do
“Ditado”, aonde íamos tomando o hábito de prestar a devida atenção na pronúncia
das palavras, a fim de que as repassássemos para o canhenho. Esta nova fase
exigia, além da visão e do tato, a audição como fator complementar da neófita
instrução.
Ao adentrarmos à série
seguinte, o ritual do “Ditado” reiterava-se na tentativa de consolidar saberes
anteriores e posteriores. E, quando saíamos do terceiro ano, já estávamos
aprestados para galgar as sendas da “Redação”, requerendo, através de
formulações divagatórias implexas, a aplicabilidade do tirocínio e da
coordenação do pensamento, para que arquitetássemos a montagem sequencial das
frases que comporiam os parágrafos e textos atinentes ao assunto abordado com
certo grau de aclaramento, podendo – ou não – ser de caráter minucioso.
Wilson Cerveira
Nenhum comentário:
Postar um comentário