De modo iracundo, o impaciente Noberto
recrudescia os estrugimentos aplicados nas aldrabas da porta principal do
“Manicômio – Santo Antônio”!...--- Sim, era o sinal desesperador de quem queria
adentrar, e ser imediatamente atendido pelo psiquiatra de plantão, que era o
Dr. Eriberto. (Outrossim, as desinências nominais coincidiam, e ambos adotavam
na intimidade caseira – as duas postremeira sílabas do vocábulo, e eram, então,
chamados de “Berto”).
Em se tratando de coincidência, não havia
estremaduras suficientes para a distinção de tantos outros caracteres afins entre
o cliente e o médico especialista em doenças do sistema nervoso.
O psiquiatra Eriberto e o cliente Noberto
guardavam entre si inúmeros caracteres, abrangendo os espirituais,
psicossomáticos, sociais, etológicos. Quem os perlustrasse, em cada ponto
referencial, haveria de ficar com a impressão de que eles seriam irmãos
univitelinos.
A presença de ambos complicou ainda mais o
comportamento dos que já se encontravam internados na casa de saúde,
especialmente com relação àqueles que precisavam mitigar as suas disfunções
mentais.
A coincidência portava um arquétipo de
âmbito reiterativo em todas as dimensões dos possíveis surdimentos no recinto
nosocomial. Entretanto, cliente e médico adentravam doze e meia do mesmo dia; o
primeiro, indubitavelmente, clamando lenimento; o segundo, na qualidade de
diagnosticador das causas adutoras, obsecrava meios que amainassem as sintomatologias
ignotas de uma esfíngica neuropsicopatia.
Ambos vestiam camisas especiais com afogadilhos
encerrando as cúspides das longas mangas – sem excedência milimétrica no que
concernia a vários empeçamentos constituídos ao longo das trajetórias ínvias,
exacerbando ainda mais os heteróclitos óbices das operações abstratas, cujas
manifestações ressumbráticas estivessem voltadas para quaisquer manifestações,
inclusive as ablutivas.
Eram apenas as sutis verossimilhanças que
se dispersavam nos evagatórios delimitativos, marcando áreas de reversibilidade
cumplicial – entre o psiquiatra e o psicopata.
Felizmente, doutor Psiquiatra, -- disse Noberto--,
nós não somos nem parentes longínquos!... Somente nossos organismos dispõem de um
sinergismo a toda prova, notadamente no que tange aos neurônios cerebrais.
Proliferavam-se as palindromias das
abstrusas psicopatias; já que os indivíduos com distúrbios mentais não
lobrigavam probabilidades de alguma terapia amainante. Os internos começaram a
vislumbrar a imagem – em duplicata – do doutor psiquiatra, sendo uma na sala de
consultas; enquanto a outra, por incrível que pareça, estava sendo projetada no
meio do recinto onde se congregavam os doentes com algum tipo ou vários de
distúrbios psíquicos, recrudescendo as sindromias já existentes.
A algaraviada estúrdia de normais
aparentes, seminormais, normoanormais, normalíssimos, anormais, anômalos,
esquipáticos etc, prosseguia obedecendo a retumbância acústica –
hiperperceptiva – das deblaterações que se estenderiam em torno da impaciência
dos próprios pacientes.
Os normoanormais seriam capazes de
detectar a inexistência de cinestesia quanto à probabilística de duplicidade de
uma imagem refletida de modo espectral. De fato, não se tratava de uma
fantasmagoria, mas de duas pessoas portando caracteres fenotípicos
verossímeis!...
Decerto, a população do manicômio,
precisaria expurgar a imagem revestida de branco; e, desse modo, acolheria o
ícone embuçalado de preto. Realmente, a efigie que vivia em meio à turba
revolta, valia muito mais em termos referentes aos variegados aspectos de
natureza terapêutica. Tanto assim, que o psiquiatra Eriberto não ostentaria a
condição de estar somatorizando apaziguamentos com relação aos clientes que
demonstravam desequilíbrios maiores que os demais, e que estariam sendo
acumulados sob a tutela de linhas gerais de apreciação etológica, – e, também,
de estrutura circunstancial verificável e comprobatória!
Senhores, vós que sois os pós-doutores, --
a “Ciência” não vaticinaria jamais a existência do espécime cognominado Noberto,
um baita de um psicopata – declarara o Doutor Eriberto --, esgueirando-se de
quaisquer que fossem os estereótipos de arrostamento. Se bem que o intruso
desenvolveria, posteriormente, criatividades que seriam capazes de vocacionar a
devida atenção dos que ressumbravam o binômio: aprosexia e abulia; e, também,
se encontrassem em fases alternadas de depressão e ansiedade. Suas divagatórias
formas de confeccionar inusitados cariótipos; de certo, aparatariam as
genialidades submersas nas raízes recônditas dos genes – unidades
microcromossomiais.
Deveras, o neófito cliente do manicômio
afigurava-se como sendo figura de relevo, pois todos seguiam suas exortações.
Ninguém – mais do que ele – sabia responder as consequências advindas de numerosas
reações geradas no extrínseco e no intrínseco das díspares situações forjadas.
Em virtude da descomunal igualdade física, fazia-se passar, despercebidamente,
como se fora a transcrição lidima do Dr. Eriberto.
Berto, como era conhecido pelos demais
colegas, – alguns em estado valetudinário, – não despertaria em época alguma
outra imagem – a não ser a que se formasse a partir de raríssimas forças
pujantes. De antemão, suscitaria um orbe de ensejos paradigmatizantes que o
aduziriam ao regalo de si mesmo e dos seus colegas de manicômio.
Devanearia no dia em que implantasse o
oblívio do psiquiatra, de modo que a obliteração surdisse no decurso de vários
anos, reconduzindo a efígie de branco ao inumamento paulatino, visto que, -- de
alguma forma --, estaria impregnada de pontos nevrálgicos de rejeição orgânica.
Todos os distônicos foram se
impressionando, de modo repudiante, com a musicalidade proporcionada pelas
picadas pungitivas das agulhas de injeção. Em peroração, é plausível exarar que
as aplicações parenteriais produzem resultados mais rápidos e eficazes.
O desiderato de Noberto residia no ato de
expugnar os rastros deixados pelo psiquiatra – Eriberto, que, quase o tempo
inteiro, trabalhava com a finalidade de ser um arquétipo de uma geratriz
marcadora, que, sem perplexidade, apenas se relacionasse ao fato corroborativo
e inerente ao mecanismo de indução hipnótica.
O arguto Noberto, o mais inteligente do
grupo, isto é, -- o mais genial --, não hesitou em alvitrar vários trabalhos
ocupacionais que auxiliariam a mitigação dos padecimentos sintomatológicos, que
eram compartilhados com os demais internos do nosocômio (uma casa de saúde
diferente, sendo especializada em disfunções do sistema neurológico). Nesse
recinto, desenvolviam-se diversas atividades eficientes quanto à importância da
afetividade como meio terapêutico exercido entre aqueles que aparatavam
transtornos de comportamentos, não importando a etiologia e o grau da
neuropsicopatia!...
O Dr. Bulário, epíteto forjado pelos
maledicentes, entendia somente da prescrição dos mesmos medicamentos,
portadores dos mesmos princípios ativos, ostentando nomes marca distintos, de
acordo com os laboratórios de maior credibilidade no mercado da indústria
farmacêutica.
A cada dia do viver-sofrer (uma
excruciância sem estremaduras), o Dr. Eriberto não se dava conta de que estava
servindo de cobaia, sobremaneira no que concernia ao somatorial de perquirições
perpetradas pelo sagaz Noberto, símbolo garbo de um autêntico autodidata, o
qual se doou de corpo e alma, com o intuito exclusivo de inteligir os mais
abstrusos comportamentos. Destarte, de modo acepilhado, ia apascentando aos
seus colegas de manicômio as insólitas técnicas de compor os quadros de pintura
em seus bosquejos gerais, para, em seguida, esbatê-los paulatinamente – como se
nada houvesse acontecido em delineamentos priscos – modificando-os à sorrelfa –
consoante ao afiguramento de imprecisões psicomotoras do paciente, no átimo em
que estivesse diante de sua tela, tentando manuseá-la mediante os impulsos
rompantes do seu mecanismo mental!...
O preceptor Noberto começou a reestudar os
meios de montar um sistema sufragatório, com o propósito de proscrever as más
índoles – sobremodo os tartufos educadores – lídimos embusteiros – sem que
apresentassem a mínima condição de ministrar os principais conteúdos, cujos
continentes valiam sofisticamente muito mais, tampouco a presença reparadora
dos que emanavam laivos inerentes a condutas frívolas, que só se deixariam
ressumar no decurso exatorial e inexorável do tempo decorrido!...
Wilson Cerveira
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