terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O PSIQUIATRA E O PSICOPATA -- PARTE I

     De modo iracundo, o impaciente Noberto recrudescia os estrugimentos aplicados nas aldrabas da porta principal do “Manicômio – Santo Antônio”!...--- Sim, era o sinal desesperador de quem queria adentrar, e ser imediatamente atendido pelo psiquiatra de plantão, que era o Dr. Eriberto. (Outrossim, as desinências nominais coincidiam, e ambos adotavam na intimidade caseira – as duas postremeira sílabas do vocábulo, e eram, então, chamados de “Berto”).
     Em se tratando de coincidência, não havia estremaduras suficientes para a distinção de tantos outros caracteres afins entre o cliente e o médico especialista em doenças do sistema nervoso.
     O psiquiatra Eriberto e o cliente Noberto guardavam entre si inúmeros caracteres, abrangendo os espirituais, psicossomáticos, sociais, etológicos. Quem os perlustrasse, em cada ponto referencial, haveria de ficar com a impressão de que eles seriam irmãos univitelinos.
     A presença de ambos complicou ainda mais o comportamento dos que já se encontravam internados na casa de saúde, especialmente com relação àqueles que precisavam mitigar as suas disfunções mentais.
     A coincidência portava um arquétipo de âmbito reiterativo em todas as dimensões dos possíveis surdimentos no recinto nosocomial. Entretanto, cliente e médico adentravam doze e meia do mesmo dia; o primeiro, indubitavelmente, clamando lenimento; o segundo, na qualidade de diagnosticador das causas adutoras, obsecrava meios que amainassem as sintomatologias ignotas de uma esfíngica neuropsicopatia.
     Ambos vestiam camisas especiais com afogadilhos encerrando as cúspides das longas mangas – sem excedência milimétrica no que concernia a vários empeçamentos constituídos ao longo das trajetórias ínvias, exacerbando ainda mais os heteróclitos óbices das operações abstratas, cujas manifestações ressumbráticas estivessem voltadas para quaisquer manifestações, inclusive as ablutivas.
      Eram apenas as sutis verossimilhanças que se dispersavam nos evagatórios delimitativos, marcando áreas de reversibilidade cumplicial – entre o psiquiatra e o psicopata.
     Felizmente, doutor Psiquiatra, -- disse Noberto--, nós não somos nem parentes longínquos!... Somente nossos organismos dispõem de um sinergismo a toda prova, notadamente no que tange aos neurônios cerebrais.
     Proliferavam-se as palindromias das abstrusas psicopatias; já que os indivíduos com distúrbios mentais não lobrigavam probabilidades de alguma terapia amainante. Os internos começaram a vislumbrar a imagem – em duplicata – do doutor psiquiatra, sendo uma na sala de consultas; enquanto a outra, por incrível que pareça, estava sendo projetada no meio do recinto onde se congregavam os doentes com algum tipo ou vários de distúrbios psíquicos, recrudescendo as sindromias já existentes.
     A algaraviada estúrdia de normais aparentes, seminormais, normoanormais, normalíssimos, anormais, anômalos, esquipáticos etc, prosseguia obedecendo a retumbância acústica – hiperperceptiva – das deblaterações que se estenderiam em torno da impaciência dos próprios pacientes.
     Os normoanormais seriam capazes de detectar a inexistência de cinestesia quanto à probabilística de duplicidade de uma imagem refletida de modo espectral. De fato, não se tratava de uma fantasmagoria, mas de duas pessoas portando caracteres fenotípicos verossímeis!...
     Decerto, a população do manicômio, precisaria expurgar a imagem revestida de branco; e, desse modo, acolheria o ícone embuçalado de preto. Realmente, a efigie que vivia em meio à turba revolta, valia muito mais em termos referentes aos variegados aspectos de natureza terapêutica. Tanto assim, que o psiquiatra Eriberto não ostentaria a condição de estar somatorizando apaziguamentos com relação aos clientes que demonstravam desequilíbrios maiores que os demais, e que estariam sendo acumulados sob a tutela de linhas gerais de apreciação etológica, – e, também, de estrutura circunstancial verificável e comprobatória!
     Senhores, vós que sois os pós-doutores, -- a “Ciência” não vaticinaria jamais a existência do espécime cognominado Noberto, um baita de um psicopata – declarara o Doutor Eriberto --, esgueirando-se de quaisquer que fossem os estereótipos de arrostamento. Se bem que o intruso desenvolveria, posteriormente, criatividades que seriam capazes de vocacionar a devida atenção dos que ressumbravam o binômio: aprosexia e abulia; e, também, se encontrassem em fases alternadas de depressão e ansiedade. Suas divagatórias formas de confeccionar inusitados cariótipos; de certo, aparatariam as genialidades submersas nas raízes recônditas dos genes – unidades microcromossomiais.
     Deveras, o neófito cliente do manicômio afigurava-se como sendo figura de relevo, pois todos seguiam suas exortações. Ninguém – mais do que ele – sabia responder as consequências advindas de numerosas reações geradas no extrínseco e no intrínseco das díspares situações forjadas. Em virtude da descomunal igualdade física, fazia-se passar, despercebidamente, como se fora a transcrição lidima do Dr. Eriberto.
     Berto, como era conhecido pelos demais colegas, – alguns em estado valetudinário, – não despertaria em época alguma outra imagem – a não ser a que se formasse a partir de raríssimas forças pujantes. De antemão, suscitaria um orbe de ensejos paradigmatizantes que o aduziriam ao regalo de si mesmo e dos seus colegas de manicômio.
     Devanearia no dia em que implantasse o oblívio do psiquiatra, de modo que a obliteração surdisse no decurso de vários anos, reconduzindo a efígie de branco ao inumamento paulatino, visto que, -- de alguma forma --, estaria impregnada de pontos nevrálgicos de rejeição orgânica.
     Todos os distônicos foram se impressionando, de modo repudiante, com a musicalidade proporcionada pelas picadas pungitivas das agulhas de injeção. Em peroração, é plausível exarar que as aplicações parenteriais produzem resultados mais rápidos e eficazes.
     O desiderato de Noberto residia no ato de expugnar os rastros deixados pelo psiquiatra – Eriberto, que, quase o tempo inteiro, trabalhava com a finalidade de ser um arquétipo de uma geratriz marcadora, que, sem perplexidade, apenas se relacionasse ao fato corroborativo e inerente ao mecanismo de indução hipnótica.
     O arguto Noberto, o mais inteligente do grupo, isto é, -- o mais genial --, não hesitou em alvitrar vários trabalhos ocupacionais que auxiliariam a mitigação dos padecimentos sintomatológicos, que eram compartilhados com os demais internos do nosocômio (uma casa de saúde diferente, sendo especializada em disfunções do sistema neurológico). Nesse recinto, desenvolviam-se diversas atividades eficientes quanto à importância da afetividade como meio terapêutico exercido entre aqueles que aparatavam transtornos de comportamentos, não importando a etiologia e o grau da neuropsicopatia!...
     O Dr. Bulário, epíteto forjado pelos maledicentes, entendia somente da prescrição dos mesmos medicamentos, portadores dos mesmos princípios ativos, ostentando nomes marca distintos, de acordo com os laboratórios de maior credibilidade no mercado da indústria farmacêutica.
     A cada dia do viver-sofrer (uma excruciância sem estremaduras), o Dr. Eriberto não se dava conta de que estava servindo de cobaia, sobremaneira no que concernia ao somatorial de perquirições perpetradas pelo sagaz Noberto, símbolo garbo de um autêntico autodidata, o qual se doou de corpo e alma, com o intuito exclusivo de inteligir os mais abstrusos comportamentos. Destarte, de modo acepilhado, ia apascentando aos seus colegas de manicômio as insólitas técnicas de compor os quadros de pintura em seus bosquejos gerais, para, em seguida, esbatê-los paulatinamente – como se nada houvesse acontecido em delineamentos priscos – modificando-os à sorrelfa – consoante ao afiguramento de imprecisões psicomotoras do paciente, no átimo em que estivesse diante de sua tela, tentando manuseá-la mediante os impulsos rompantes do seu mecanismo mental!...
     O preceptor Noberto começou a reestudar os meios de montar um sistema sufragatório, com o propósito de proscrever as más índoles – sobremodo os tartufos educadores – lídimos embusteiros – sem que apresentassem a mínima condição de ministrar os principais conteúdos, cujos continentes valiam sofisticamente muito mais, tampouco a presença reparadora dos que emanavam laivos inerentes a condutas frívolas, que só se deixariam ressumar no decurso exatorial e inexorável do tempo decorrido!...


                                 Wilson Cerveira

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