O aparente psicopata foi
sendo um perquiridor constante do comportamento do psiquiatra Eriberto, que, a
cada dia, despercebidamente, ia ofuscando a fulguração do seu próprio diploma
de graduação, e, também de tantos outros cursos de pós-graduamento. Noberto,
que de psicopata não ostentava nem os reticentes laivos, conseguiu com solércia
a consecução da chave do armário – localizado em local abscôndito -- e que
oferecia a ensancha, através da ressumbratória do criptograma, para o devido
acesso aos escaninhos labirínticos desse móvel secreto, pois tinha a convicção
de que o doutor de borla e capelo, na taciturnidade dos seus dias, demonstrasse
em sua hermética tacitez, por quanto tempo guardaria uma serie de sigilos
inconfessáveis.
Ninguém diria que o experto Noberto, aos
vinte cinco anos, era um ator de mão cheia, reunindo todas as qualidades
persuasivas capazes, igualmente, de perseverar sobre a importância do que fora
edificado à luz da Divina Providencia. E, desse modo, o enxerido senhor ia,
pouco a pouco, avançando em suas conquistas no que diz respeito aos
companheiros. Todos gostavam dele e, ao mesmo tempo, o consideravam um oráculo
– imprescindível nos casos de maior aflição vital. Esse sim, diziam todos
declaradamente, preenche os nossos requisitos de melhoria. Ensina-nos a arte da
pintura, da música, da dança etc; reanimando-nos gradativamente, eximindo as
probabilidades de recrudescimento das neuroses e psicoses exacerbantes!...
O Dr. Eriberto apresentava um
ensimesmamento que afugentava os clientes da casa de saúde. Atendia-os, à
socapa, através de uma janelinha superior contida no agrilhoamento circular da
janelinha aportinholada. Ouviam-se-lhes os relatos com apatia, como se tudo
aquilo fosse normoanormal ocorrer, principalmente em quem aparatasse deslibramentos
do ecológico, que são de natureza psicossomática.
O homem de branco que fazia confusão
fisionômica com o sujeito vestido de preto, ia perdendo a implexidade creditiva.
O diploma, que simbolizava o escudo de maior representatividade, obliterava-se
com o decorrer dos anos, nos quais se presenciava o quadro relativo ao
medramento progressivo da interveniência, sobretudo a que se atrelava aos
ergástulos das preocupações remissas com relação ao outro...
O circunspecto Noberto, estrênuo em suas
atitudes, passava noites sem dormir, com o objetivo de reexaminar acuradamente
o estado de hipnose dos seus parceiros de nosocômio; ou seja, os mesmos que
buscavam a devida terapia para lenir os transtornos referentes aos diversos
tipos de distonia cerebral.
Deveras, os medicamentos faziam-nos pegar
no sono por algumas horas, somente. Quando eles despertavam a indisposição era
grande, e continuavam a ostentar o mesmo nível de agressividade, sobremodo nos
átimos encetaciais de violento estremunhamento.
Noberto, ainda atordoado pelo descomunal
pesadelo que sofrera durante a noite inteira, assistia ao bruxulear da luz do
candeeiro, que emitia em meia penumbra uma auréola, abrangendo – de modo
indicativo – os números do calendário, precisamente o espaço de tempo em que
adentraria em sã-consciência, tendo por fulcro este recinto de insanidades
relativas!...
Não
se percebia o sibilar do vento, tampouco a sua destinação vetorializada, –
dizia o Noberto –, após ser reexaminado por si mesmo! Ele não passava de um
intruso detetive, com a finalidade de espionar o psiquiatra, acompanhando-lhe
todos os passos continuados, e, também, suas ações e reações desenvolvidas no
interior do manicômio. Ademais, demandaria o envidamento necessário, para que
ele obtivesse os resultados comportamentais que o caracterizariam, de igual
modo, extra-hospitalar.
Deveras, estava exercendo a ação de
enxerido, uma vez que não conseguira maquinar tudo que pretendia!... Gostaria
de alguma forma que fosse aclamado pela estrenuidade da pesquisa, embora se
tratasse de assunto cientifico, bastante controvertido no âmbito das variâncias
sindrômicas.
O simulacro prosseguia em estádio
refratário durante a primeira trimestralidade de internação. A tartufice, em
ritmo teatral, corroborava com o embaimento de um seriado de informações
espectrais quanto à perpetração de uma pseudoanamnese!
O senhor Noberto, aparentemente
normoanormal, precisaria cogitar uma maneira de entrar em contato com o seu
prontuário, a fim de que esquadrinhasse os apontamentos de tudo o que dissera
para o psiquiatra, informando as minudências de uma implexa parestesia (alucinações
sensoriais), que vinha sendo ressumada em seu hipotético combalimento
psicossomático.
Uma maneira – de total deselegância –
seria a de subornar o enfermeiro ou enfermeira-chefe, oferecendo-lhe certa
quantia em dinheiro, de tal forma que liberasse as prescrições medicamentosas,
minuciosamente, contendo a inscrição do laboratório que produziu essas fórmulas
químicas e as suas respectivas dosagens diárias. (Por quanto tempo ficaríamos a
inquirir sobre a eficácia do produto na classificação geral?) – se a referida
droga pertenceria ao de “marca”, ao “similar”, ou, por último, ao “genérico”.
De qualquer maneira, o capital estigmatizaria alguma primazia, visto que a
força pecuniária se sobrepõe aos riscos iminentes de um inopinado catastrofismo
atrelado ao orbe das instigadoras comercializações – (de importação ou de
exportação).
Quais seriam as provas necessárias – no
âmbito da plausibilidade – para que Noberto incriminasse o doutor psiquiatra –
Eriberto, fazendo com que ele passasse a se sentir mais na condição de
psicopata, do que da de graduado e especialista em doenças neuropsíquicas?!...
O pseudopsicopata careceria de ensachas em
átimos propícios, e, a partir desse interregno, demandaria a divagatória
ressumada por muitos comenos, consecutando ilações de premissas pristinas, mas
que estariam em percuciente latência proporcionada por um criptograma inumado
no decurso de várias centúrias de absoluto silêncio e de total solidão!
Noberto urrava bastante quanto pressentia
as passadas do médico no corredor do nosomanicômio, como se todos os sons
convergissem e ecoassem em ritmo de compasso, sobremodo no que tangia a escolha
dos ladrilhos que indicariam o espaço de angulação das pernas – recolhendo uma
e esticando a outra, de forma amainante, jamais transpondo os vértices das
denominadas estremaduras deletérias.
Após ter completado a trimestralidade,
Noberto ainda continuava a receber o frasco contendo os comprimidos embalados
em caixa de tarja preta, e não mais os tomava como antes. A enfermeira Joana
encontrava-se convicta de que ele estaria melhorando, conquanto nunca estivesse
apresentado na realidade os sintomas descritos por ele, de modo falacioso, e,
concomitantemente, sufragados pelo diagnóstico do psiquiatra, totalmente
equivocado; pois o combalimento surdia do psiquiatra, sem que tivesse gabarito
suficiente para disjungir os reais dos irreais, sem que a linha demarcatória
interferisse na sutil natureza e, também, de muito difícil grau de
perceptibilidade.
Eriberto ostentaria um arquivo secreto em
seu consultório, e, nela, nas apropinquações da escrivaninha, ele obteria o ato
de compulsar o material apropriado, com o propósito de dirimir perplexidades,
e, igualmente, novas hesitações, sobremodo com relação aos que buscariam o somatorial das filigranas de
maior ou menor complexidade – ascendente ou descendente – quanto ao vastíssimo orbe das incorrespondências,
sobremodo aqueles que estariam no fulcro ressumbratório dos prodrômicos hígidos.
Decerto, o Dr. Eriberto aparataria a
desvelação desse reconditismo prístino. Nesse caso, o especialista em
distúrbios do sistema nervoso, -- esse homem de pele e osso --, igual aos
demais seres viventes, não seria capaz de lobrigar as profilaxias necessárias e
prementes, obiciando, destarte, o advento de insólitas síndromes neurológicas!
O que mais desideraria o Noberto, --
dentre tantas divagações --, é que o
psiquiatra ostentasse também a sã-consciência de que, mesmo portando borla e
capelo no cimo da sua cátedra, estaria à
mercê das circunstâncias que o fariam vítima de uma valetudinariedade
psicopática. Desse modo, coalesceria em si as imagens concomitantes de médico e
paciente. E, a partir de então, ressudaria as premonições psicopatológicas
presentes no organismo do próprio alienista – como era, de fato, identificado
nos átimos priscos das primícias paroxísticas ocorrentes!...
O especioso psicopata, denominado de
Noberto, era um dissimulador de primeiríssima falácia. Realmente, o paciente
representava a própria dor, forjando-a extremamente – com soluções implexas e
vagidos intermitentes.
Porventura, não teria capacidade
suficiente para induzir, de maneira simultânea, vários indivíduos utilizando
sofismas verossimilhantes às suas próprias características. Primiciavam-se
ações e reações aplicadas no âmbito das aquisições deletérias. Deveras, o
Noberto era um sindromaturgo de causar invídia aos demais elementos do
simulacro espetacular.
Sem filoneísmos nem misoneísmo,
pontificava em frequências normo-normais contendo estremaduras que infringiam
os mais escalafobéticos comportamentos. Então, formara-se uma antinomia
confutando o “ser” de psiquiatra e o “estar” de psicopata. As suas direituras
etológicas estariam sendo padronizadas no extenso campo da normoanormalidade
reticente, sem que houvesse sequer o probabilismo de propugnar o estádio
simbolístico atrelado ao binômio: hígido-valetudinário!...
Num determinado dia, quiçá, de descomunal
ominosidades, adentrava na sala de consulta do médico-psiquiatra – Dr. Eriberto,
com cinco garoupas (cédulas de cem reais), e o pseudo cliente – Noberto, em
aparente estado de serenidade, requestava um neófito tipo de medicamento, o
mais caro de todos os demais produtos químicos importados diretamente das
suntuosas indústrias farmacêuticas do continente europeu.
A quem, de prontidão, ele conseguiria
atingir prototipamente?!... (porquanto as imagens coligidas se fundiram
plenamente, estando, de modo visceral, incorporadas num único quadrante!...).
Se o capcioso Noberto eliminasse alguns
estorvos psicológicos, conseguiria denodadamente extinguir, de modo
concomitante, a duplicidade dos ícones profligados através de uma colimada
investida letal!...
Wilson Cerveira
Belo trabalho meu amigo..
ResponderExcluirSatisfação em ler as suas obras
Ass. : Thalyson Campos