Cadê o “Momo”?!... – o rei
do carnaval de antanho – personificando a própria festa da carne lascivial, e
que, de maneira surpreendente, adentra a um estádio valetudinário precoce,
estigmatizando as antinomias abstrusas e heteróclitas de um cabal
combalimentos?!... Em se tratando do “Rei do Carnaval”, é mais comezinho
localizá-lo em local impróprio, bem distante da sua condição de entronização,
que é o cerne dos prístinos salões momescos.
Para tristura de cunho percuciente, foram
ressumados em uma determinada rua deserta os hálitos das obsoletas esbórnias,
celebradas, euforicamente, com a presença de confetes, serpentinas,
lança-perfumes importados, simbolizando o somatorial de sensórias promíscuas e
repletas de produtos narcotizantes.
Havia, decerto, nas décadas priscas o
promanar do clima carnavalesco!... O ar, deveras, ficava impregnado diante das
alacridades momescas. Assim sendo, confeccionava-se desde a máscara até chegar
ao perfil da mascarada, uma mulher de ancas avantajadas, e que vestia uma
indumentária de forma sacular com estamparias aberrantes!...
O ritmo hilariante era o de brincar de
fofão, diuturnamente, para que ninguém o reconhecesse durante as suas andanças
cambaleantes pelas principais ruas da cidade de “Torvelinhos”. E, no decorrer
das madrugadas chuvosas, o Rei Momo, sem hesitação de maior monta, participava
integralmente dos tradicionais bailes de máscara, onde os sexos ficavam
ocultados debaixo dos longos macacões – com aspecto que recordava um chambre fundilhado
portando mangas largas e compridas.
Hodiernamente, não se podia mais manter a
consagração dos vetustos “bigorrilhos”, pois seria uma excêntrica deambulação
exterminativa, em que os facínoras estariam ali, formando grupos promíscuos
reconditando vários tipos de pistolas automáticas de alta precisão!... Por
final, em plena tartamudez, cominuir-se-ia o “Momo” – de modo energúmeno – remanescendo
sob a forma de uma espectral poeira cósmica!
Inumou-se a efígie do tal “Momo”,
esquartejando-o através dos itinerários do passado, dando-nos a especiosa
impressão de um Judas Iscariotes. Nestes dias de sarça ígnea, extorquiram-lhe
até o trono, -- todo engalanado --, que recebia as cabeças inebriantes, estando
todas prontas para saracotear com jocosidades desenvoltas as implosões
comemorativas com relação ao impressionante festival da carne – o nosso
tradicional e inviolável carnaval – que, pouco a pouco, adentrava ao período
jugulatório de uma provável obliteração efetuada com o decurso desses
estropiamentos ocorridos sequencialmente, nestas duas protótipas décadas do
século XXI.
Com procacidade reiterativa, os maus
elementos tentavam deludir, -- com propagandas de cabal desfaçatez --, a continuidade
de um teratológico “MOMO”, que feneceu, à sorrelfa, prematuramente, -- faz
alguns anos --, antes mesmo que as marchinhas e os frevos pernambucanos
encetassem os epinícios preludiais de um carnaval fantasmagórico e festejado
com pândegas, tomando conta do espaço das mais importantes avenidas, as quais
integram o desfile opulento das mais concorridas escolas de samba da cidade do
Rio de Janeiro e demais capitais!...
Lá, no grande RJ, sim, corre-se
indubitavelmente todo tipo de risco sobre risco, abrangendo desde as armas
brancas aos explosivos randômicos. E, de repente, poder-se-ia, em caso de
incúria, ser surpreendido por uma bala perdida, indo, sorrateiramente,
alojar-se indevidamente na caixa craniana ou no tórax do homem de bem, e que,
às vezes, já houvera transfixado as estruturas internas, sendo o crime
perpetrado por um bandido de altíssima periculosidade!...
Até os bichanos ficariam desesperados
diante de tanta algaravia, -- sem precedentes --, pois, também, esses
irracionais já experimentaram o pavor dos aviões arremessando focos luminosos
direcionados, com o objetivo de localizar ou afugentar os réprobos sujeitos, os
quais se manifestaram por meio da perpetração de percucientes criminalidades,
adrede, consecutadas; em virtude das impunidades reinantes, e que são
proporcionadas pelo exacerbantíssimo dos crimes hediondos, adrede, praticados
pelos facínoras dispersos em todas as cidades brasileiras, além de albergar o
orbe; excluindo, como dissera outrora, uma pequena parcela da humanidade – a
quem se denomina de pátria!...
Nos carnavais pretéritos existem batalhas
de flores, ou, então, de confetes, dispersando-os por todo o salão festivo,
deixando-o plenamente exornado!... A brincadeira continuava pelas ruas da
cidade, e consistia basicamente num pomposo passeio realizado por carruagens ou
automóveis engalanados, que transportavam grupos de pessoas fantasiadas. Ao se
cruzarem, os foliões lançavam uns sobre os outros, pequenos buquês de flores,
confetes ou serpentinas procurando copiar os modos civilizados do carnaval de
Nice.
A inauguração, no Rio de Janeiro, do eixo
da Avenida Central --- Avenida Beira-Mar, em 1906, daria grande impulso às
diferentes brincadeiras que buscavam ocupar o novo espaço urbano construído
para o usufruto da burguesia.
O projeto de um carnaval sofisticado e
exclusivo da elite; porém, acabara esbarrando no proverbial escárnio das
precoces cinzas, as quais dariam um toque de porvindouro inumamento ao galhardo
espairecimento dos salões ataviados de confetes e serpentinas!...
O carnaval do prístino era o período
conhecido pela quantidade de festas de toda sorte de estilos, principalmente
bailes de máscaras, desfiles de samba e folia de rua. Todas essas mixagens
sonoras são exuberantes quanto ao sexo, drogas e diversos tipos de
fantasmagorias!...
Ao passo que, sem hesitação corroborativa,
eram os correspondentes períodos de festas profanas, em todas as regiões onde
eram comemoradas, e que se iniciavam, geralmente, no dia de Reis ou Epifania, e
se estendiam até quarta-feira de cinzas, dia em que encetavam os jejuns
quaresmais.
Os três dias imediatamente anteriores à
quarta-feira de cinzas, dedicados a díspares sortes de diversas folias, --
folguedos populares --, com disfarces variegados e máscaras de todos os
modelos, abrangendo desde os mais simples aos mais esdrúxulos, aduzindo a um
estúrdio apoplético de confusões, trapalhadas e desordens!...
Entrudo pode ser definido como uma série
de jogos e brincadeiras populares, introduzidas no Brasil pelos portugueses no
século XVI, que também foram associadas no carnaval brasileiro. Pode ser
considerado como a fase de gestação do carnaval popular de rua. A etiologia do
vocábulo em referência está atrelada aos bonecos gigantes feitos de madeira e
tecido, que faziam parte destas brincadeiras carnavalescas portuguesas no
período final da Idade Média ( por volta da centúria XV).
No Rio de Janeiro do século XVII o
“Entrudo”, na máxima acepção, simbolizava estas brincadeiras da época momesca,
e que eram muito comuns. Existiam vários tipos de brincadeiras e jogos que
variavam de bairro para bairro. Já no séc. XVIII, os entrudos passaram a ser um
pouco mais organizados e podiam ser divididos em dois tipos: Entrudo Familiar e
Entrudo Popular.
Eram jocosidades e ludos mais moderados, em
todos os aspectos plausíveis, com objetivo de entretenimento social. Ocorriam
geralmente nas casas de famílias ricas dos centros urbanos. Numa das mais
populares brincadeiras, os moços da época faziam uma espécie de guerra com
limões. O jogo não era violento e não tinha por finalidade machucar, mas apenas
estabelecer laços de amizade.
Os entrudos populares ocorriam nas ruas
das cidades, principalmente nos bairros mais populares. Quase sempre, sucediam
lídimas guerrilhas de ovos, água suja, urina, frutas podres, etc. Tinham um
caráter agressivo e despudorado.
O debilitamento da tradição carnavalesca
deu-se a partir de meados do séc. XIX. Os maiores coniventes foram os próprios
governantes e autoridades, que, de pouco a pouco, à socapa, foram obliterando
as reais características populares, qualificando-as como insolentes e
deletérias aos morigerados comportamentos sociais. Em várias cidades, o entrudo
popular foi proibido; porém, somente nos protótipos anos do séc. XX que ele
perdeu a sua legítima pujança! Embora não se ouça mais falar em entrudo, em
muitas regiões do Brasil ainda são comuns, na época do Carnaval, as guerras de
água e frutas podres, sobretudo entre crianças e jovens de regiões mais pobres.
Por curiosidade, podemos citar que numa
pequena cidade localizada no interior do Tocantins, -- apesar da expunção do
entrudo --, ainda existe o jorro d’água, auspiciado por pesadas mangueiras, com
participação coletiva de crianças, jovens, adultos e idosos. E, desse modo
merencório, temos apenas o reminiscencial penumbroso daquilo que se chamou no
passado de verdadeiro carnaval!...
Wilson Cerveira
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