Em Alcântara – MA
só havia um Diquinho, com caracteres inalteráveis, e estando ele predisposto a
exequir vários afazeres, em diferentes períodos do ano, e, de modo
concomitante, a ressumbrar múltiplas propriedades. Ei-lo, então, sempre
presente durante a queimação das palhinhas do velho presépio, tendo por data o
dia seis de janeiro – Dia dos Santos Reis – também cognominado de Epifania.
Rezava-se o epinício, praticamente em latim, desiderando saciamento aos que
estavam envolvidos com outras azáfamas – tais como: o chocolate, o chá, o café,
e outras iguarias, dependendo do volitivo dilucidado pelas suas primazias
alimentares (adindo bolos de mandioca, batata doce, de goma e tapioca), ficando
à disposição de todos os participantes da celebração religiosa.
Durante os festejos do Divino Espírito
Santo, o seu comportamento ia mudando, pouco a pouco, adequando-se aos rituais
ressumados, geralmente nas primeiras semanas do mês de maio. Tínhamos a
quinta-feira (levantamento do mastro, carregado por centenas de fieis, também
dos que tinham assumido a responsabilidade atinente ao pagamento da promessa).
Nesse interim, existem as visitas às casas dos festeiros da imperatriz ou do
imperador, sendo algo alternadamente realizado desde o período em que começara
a ser celebrada todos os anos, obedecendo a um período correspondente a maio
até o início de junho, podendo haver variabilidades mediante o ano em apreço.
Tudo se tornava solene, abrangendo como no postremeiro domingo, que era
dedicado com exclusividade maior e fervorosa quanto aos diversos cerimoniais
praticados nos salões ataviado, aprestados unicamente às celebrações álacres do
Divino Espírito Santo.
De
quando em quando, jugulava os paroxismos palindrômicos atrelados aos vaticínios
que tivera desde a puerilidade: anunciar a destinação peremptória dos que se denominaram
com expressividade erudita –- os redundantes meios hediondos do escatológico.
Todo final do ano, numa atitude de quem se submete aos sintomas do quadro
delírio-alucinatório, reiterava com palavras sinônimas a mesmíssima tautologia
ou palilogia.
O leigo professor sentia-se em posição de
refestelamento quando lhe era atribuída a capital função de representante de um
magnífico cerimonial. Parecia outra pessoa, após o envergamento indumentário,
em razão das diversas peças que lhe serviam de adendo. O fraque descia-lhe até
às panturrilhas, enquanto a murça absconditava-se-lhe a calva; e, ele, então,
se aprestava para monitorar-se à altura doas orelhas com aros bilaterais
portando lentes de cor cinza. Por dentro, acima da camisa de mangas compridas,
portando abotoaduras, e, posteriormente, assomava-se um colete contendo botões
dourados que se estendiam, galhardamente, cerrando o decurso longitudinal do
aparato torácico.
Como companheiro de viagem não havia outra
criatura que fosse igual a ele. Sabia acompanhar todas as faixas etárias. Dava
conselhos quanto à manutenção do sistema disciplinar. Baniria as probabilidades
que aduzissem a algum tipo de temeridade abrupta. Sabia apreciar as molduras
resultantes das tauxias auferidas com esmero.
Os seus passos, antigamente estugados,
eram contados milimetricamente, e os olhos perlustravam as minudências das
fechaduras ensambladas nas fímbrias da madeira. De fato, era uma aprendizagem
adquirida em cada viagem, encerrando um curso de coligidas polimatias.
Aprendia-se com ele a eficiência ostentada por um experimentador provecto, que
sabia preencher todos os sentidos e direções plausíveis no âmbito da direitura
aparatada pela cognoscibilidade irrestrita.
Wilson Cerveira
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