sexta-feira, 1 de maio de 2015

TRESVARIOS DE UMA PERSONALIDADE PSICOPATA

       Desde garoto, Idelbrando, o filho de dona Eridiana, despertava interesse recrudescente sobre a altura dos edifícios. Deitado no quintal da casa onde nascera, e em continuava a morar até o hodierno, perlustrava esses diversos arranha-céus com o auxílio das lentes de um potente binóculo, objeto de sua tia avó – Tércia.
     Desideraria, caso a sorte o valhacoutasse, implantar o símbolo incandescente das arquiteturas regentes dessas novas construções. As diferenças quanto aos variegados níveis aduzem planos bilaterais das diversificadas simetrias geométricas. De quando em vez, fugindo dos pontos de intersecção oclusiva em direitura ao ato de chegada, para que pudesse dar acesso cabal ao cerramento das assimetrias!...
     Sem que soubesse de onde viera a origem prodrômica paroxística, surdiu-lhe a acrofobia. Síndrome que iria acompanhá-lo durante o decorrer existencial. Expiava um enigmático cerceamento cominatório. Até que ponto é admissível convergir tantas mazelas para um só corpo, notadamente quando se somatorizam de modo simultâneo?!...
     Idelbrando estaria acorrentado ao telúrico, uma vez que buscava instrumentos de visão à distancia, muito mais tecnologizados, com capacidade de ressumar minudências acerca das alturas dos prédios; assim como, a complexidade de suas linhas de arquitetura, – da mais simples a mais complexa, em se tratando dos adendos atinentes às suas diversas opulências, – com características pertinentes às extensibilidades das áreas disponibilizadas aos aeroplanos e aeronaves (tanto no ato de aterrissar quanto no decolar), abrangendo os espaços intermediários de intersecção contendo dupla plausibilidade.
     Diante destas coibições, Idelbrando ia se deixando sucumbir, através dos delírios oníricos e das sincopes alucinatórias que o faziam, de modo salutar, a acatar, de modo inconsciente, a obliteração do ideal. Sabe-se o valor inestimável, desde os primórdios, que a fé e o ideal representam na qualidade imprescindível de serem, também, o oxigênio vital da inspiração e do entusiasmo, e que brotam em borbotões de embevecidos átimos abruptos e de insólita rompância!...
     Precisar-se-ia, com certa urgência, eleger um sujeito espectral – consoante o desiderato do mirabolante Idelbrando – portador do brilhante titulo de “Arquiteto”; isto é, da melhor estirpe possível; conquanto não passasse de um simples desenhista. Decerto, manipulava em papel vegetal os diversos tipos de planta, tais como: a de situação, a baixa e os demais escorços que caracterizariam a edificação dos prédios e das demais construções – excedendo ao limite normativo dos trinta andares.
     Liscavo ostentava algum receio grave ante os destroços de sua acrofobia exacerbante. Também, contrataria o Ronaldi, o grande personagem, capaz de jugular as alturas insuportáveis e seus dispares transectos, exibindo ascensões externas e internas, com aeronaves multimodeladores.
     Ronaldi era, também, profissional do engodo medido e das mirabolâncias insólitas. Tanto assim, no melhor sentido, ia recebendo quantias esportulares em negociações prevalecentes de barganhas e benesses.
     Nesse caso, ele evagaria percucientemente, para que pudesse exercer as suas perpetrações capadócias, – com variâncias específicas e inespecíficas, sem que notasse a trajetória abstrata da linha imaginária, onde terminaria – caso fosse plausível – a aparente normoanormalidade (dois eixos que variam entre o desvario extremo e a mínima estúrdia, em que ambos seriam ressumbrados por todos que os observassem, com esmero, no decurso inclemente dos tempos comandados pela complexidade patológica hodierna). E, desse modo, não há pontos tangenciais para verificações sutis das regras concernentes ao vulnerável estado de aplicação do binômio: “polidez e etiqueta”.
     Idelbrando, rumando para a casa dos quarenta anos, se metamorfoseia de tal maneira, dificultando-lhe a identificação por parte dos que o conhecem desde o estádio de puerilidade. Aprestou-se, com recato, para que conseguisse implantar-lhe, aliás, em sua singularíssima pessoa, os estigmas definitivos do ignotismo de perempção.
     Não poderia ser piloto nem de teco-teco, mesmo que se encontrasse em voo rasante. A acrofobia, realmente, o bania do que mais ansiava – residir no décimo terceiro andar de um edifício, cuja arquitetura pudesse assentir a implantação de um pequeno espaço, para a acomodação e pouso das pequenas aeronaves: teco-tecos, helicópteros etc.
     O acrófobo sofria em silêncio, dissimulando as suas frustrações. Elegeu dois outros personagens, ‘X’ e ‘Y’; os quais iriam comutá-lo em momentos de certa gravidade patenteada, plenamente, quanto ao altíssimo risco de vida neste nosso vastíssimo telúrico.


                     Wilson Cerveira

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