Desde garoto,
Idelbrando, o filho de dona Eridiana, despertava interesse recrudescente sobre
a altura dos edifícios. Deitado no quintal da casa onde nascera, e em continuava
a morar até o hodierno, perlustrava esses diversos arranha-céus com o auxílio
das lentes de um potente binóculo, objeto de sua tia avó – Tércia.
Desideraria, caso a sorte o valhacoutasse,
implantar o símbolo incandescente das arquiteturas regentes dessas novas
construções. As diferenças quanto aos variegados níveis aduzem planos
bilaterais das diversificadas simetrias geométricas. De quando em vez, fugindo
dos pontos de intersecção oclusiva em direitura ao ato de chegada, para que
pudesse dar acesso cabal ao cerramento das assimetrias!...
Sem que soubesse de onde viera a origem
prodrômica paroxística, surdiu-lhe a acrofobia. Síndrome que iria acompanhá-lo
durante o decorrer existencial. Expiava um enigmático cerceamento cominatório.
Até que ponto é admissível convergir tantas mazelas para um só corpo, notadamente
quando se somatorizam de modo simultâneo?!...
Idelbrando estaria acorrentado ao
telúrico, uma vez que buscava instrumentos de visão à distancia, muito mais
tecnologizados, com capacidade de ressumar minudências acerca das alturas dos
prédios; assim como, a complexidade de suas linhas de arquitetura, – da mais
simples a mais complexa, em se tratando dos adendos atinentes às suas diversas
opulências, – com características pertinentes às extensibilidades das áreas
disponibilizadas aos aeroplanos e aeronaves (tanto no ato de aterrissar quanto
no decolar), abrangendo os espaços intermediários de intersecção contendo dupla
plausibilidade.
Diante destas coibições, Idelbrando ia se
deixando sucumbir, através dos delírios oníricos e das sincopes alucinatórias
que o faziam, de modo salutar, a acatar, de modo inconsciente, a obliteração do
ideal. Sabe-se o valor inestimável, desde os primórdios, que a fé e o ideal
representam na qualidade imprescindível de serem, também, o oxigênio vital da
inspiração e do entusiasmo, e que brotam em borbotões de embevecidos átimos
abruptos e de insólita rompância!...
Precisar-se-ia, com certa urgência, eleger
um sujeito espectral – consoante o desiderato do mirabolante Idelbrando –
portador do brilhante titulo de “Arquiteto”; isto é, da melhor estirpe
possível; conquanto não passasse de um simples desenhista. Decerto, manipulava
em papel vegetal os diversos tipos de planta, tais como: a de situação, a baixa
e os demais escorços que caracterizariam a edificação dos prédios e das demais
construções – excedendo ao limite normativo dos trinta andares.
Liscavo ostentava algum receio grave ante
os destroços de sua acrofobia exacerbante. Também, contrataria o Ronaldi, o grande
personagem, capaz de jugular as alturas insuportáveis e seus dispares
transectos, exibindo ascensões externas e internas, com aeronaves
multimodeladores.
Ronaldi era, também, profissional do
engodo medido e das mirabolâncias insólitas. Tanto assim, no melhor sentido, ia
recebendo quantias esportulares em negociações prevalecentes de barganhas e
benesses.
Nesse caso, ele evagaria percucientemente,
para que pudesse exercer as suas perpetrações capadócias, – com variâncias
específicas e inespecíficas, sem que notasse a trajetória abstrata da linha
imaginária, onde terminaria – caso fosse plausível – a aparente
normoanormalidade (dois eixos que variam entre o desvario extremo e a mínima
estúrdia, em que ambos seriam ressumbrados por todos que os observassem, com
esmero, no decurso inclemente dos tempos comandados pela complexidade
patológica hodierna). E, desse modo, não há pontos tangenciais para verificações
sutis das regras concernentes ao vulnerável estado de aplicação do binômio:
“polidez e etiqueta”.
Idelbrando, rumando para a casa dos
quarenta anos, se metamorfoseia de tal maneira, dificultando-lhe a
identificação por parte dos que o conhecem desde o estádio de puerilidade.
Aprestou-se, com recato, para que conseguisse implantar-lhe, aliás, em sua
singularíssima pessoa, os estigmas definitivos do ignotismo de perempção.
Não poderia ser piloto nem de teco-teco,
mesmo que se encontrasse em voo rasante. A acrofobia, realmente, o bania do que
mais ansiava – residir no décimo terceiro andar de um edifício, cuja
arquitetura pudesse assentir a implantação de um pequeno espaço, para a
acomodação e pouso das pequenas aeronaves: teco-tecos, helicópteros etc.
O acrófobo sofria em silêncio,
dissimulando as suas frustrações. Elegeu dois outros personagens, ‘X’ e ‘Y’; os
quais iriam comutá-lo em momentos de certa gravidade patenteada, plenamente,
quanto ao altíssimo risco de vida neste nosso vastíssimo telúrico.
Wilson Cerveira
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