sexta-feira, 10 de julho de 2015

NO HODIERNO, PREFERE-SE O ERRO AO ACERTO

      Esta centúria, cognominada de século vinte e um, tem sido estigmatizada pela presença constante dos mais heteróclitos tipos de erros. Tê-los sempre por perto, não importando o local, o momento e as circunstâncias em que vivemos neste ramerrão agruroso, torna-se execrável a assistência a que lhe damos. Da desatenção cabal até a probabilidade de suscitamento expurgatório, vistoriamos as devidas comutações propelentes em todos os sentidos e direções vetoriais.
      Há pequenos erros, assim como, -- na mais horrenda acepção --, equívocos graves ou gravíssimos. Outrossim, os diminutos equívocos são procurados no encetamento dos afazeres e das azáfamas, logo que elas tomam o ritmo de açodamento irrestrito. E, nesse ínterim, muitos optam pelo simulacro das superocupações – tanto física quanto mentalmente. Nesse caso, não há espaço de tempo suficiente, mesmo partindo da diluição dos segundos, para perceber-se o zumbido agudo de um inseto que nos atordoa a sensória acústica.
      Lamocito, sujeito impertinente desde os tempos áureos de mocidade, tem por vezo dar uma opinião paradoxal a respeito das anomalias comportamentais, as quais se fazem presentes no decorrer desses dias somatorizados e pertinentes a esta ígnea sarça de preocupações e aborrecimentos! Dizia ele, sem pestanejar, o seguinte: encontra-se no hoje, neste hodiernismo conspurcatório, mais quem nos agaste do que quem nos aprouve. Todas as ações  parecem se promiscuir através de enxerimentos causados por pessoas desenxabidas. E, dessa forma errônea, vai-se tentando piorar concomitantemente as criaturas e o mundo, ambos em seus diferentes quadrantes geográficos.
      A preocupação para com o outro, quando cobrada em dias hodiernos, torna-se algo interrogativo no sentido de acatamento pessoal. Parece mais um castigo advindo de um erro incerto quanto ao seu grau de exegese. Presume-se um tipo diferente de acerto, erradíssimo, comprometendo o contexto exarado em seus diversos estereótipos implícitos, abrangendo desde as bizarrias prístinas.
      Os erros têm convergido em nuances de acertos estúrdios, dando a falaciosa impressão de que algo vai aparatando o inverso dos inversos das díspares medalhas, num ouropel que ludibria o soerguimento da própria efígie esfíngica.
       Os erros são arquitetados com astúcia máxima, dando a fisionomia especiosa de sentenças anteparadas por códigos facínoras, superprotegendo os administradores poderosos que se autolocupletam à base de extorsões deblaterantes e repletas de blasonarias. E todas essas manifestações ficam em surdina, uma vez que o tal “Poder”, emanado através de leis federais, neutraliza as mais hediondas ações malévolas perpetradas por esses capadócios sacripantas que constituem os três corruptos e execrandos “Poderes Nacionais”.
       Há erros, nas intermediações absconsas, nos meandros existentes nas análises combinatórias. Desse modo, os adeptos dos sofismas ficam a calcular os medidores probabilísticos que compõem os seus diferentes arquétipos – sob formas matizadas de arranjos, combinações e permutações. O implexo é evidenciar a sucessão de erros conjugados que se somatorizam no decurso das linhas e colunas integrantes em direituras controversas.
       Não se pergunta mais – nem mesmo em exames – quantas questões tu acertaste, mas prefere-se inquirir sobre a quantidade de erros localizados nos numerosos quesitos do concurso. Elimina-se até o acerto, caso esteja ladeado por um exacerbado número de erros. As prevalências das armaduras equivocadas suplantam todos os expenderes das composições certerrôneas, tendo por ponto de fulcro as promiscuidades dimanadas a partir da própria vacuidade niilística.
      Há erros que não admitem pequenas amarras; pois, no caso, tendem a se complicar na impelência dos seus dissabores. Ficam, de fato, cronificados nos organismos, emitindo um emaranhado de raízes longas e ramificadas, alcançando uma percuciência proverbial. Sempre voltam em estabelecidas condições. Esses erros são denominados de inveterados devido à sua resiliência radicular.
      Enquanto outras erroneidades sobrevêm de ideias obsessivas, as quais se imprimem em mentes que se fixam em um só ponto, esquecendo completamente as outras características que permanecem ao derredor de quem demanda a polemização. Um simples lipoma no centro da testa pode causar um estado de tempestuosidade! ... Ao passo que os erros refratários ressurdem em períodos intermitentes. Em determinadas ocasiões, essas mesmas criaturas eximem-se de falhas; em outras ensanchas, essas infrações regressam quanto à prática de vários comenos menos exatoriais!...

                                     Wilson Cerveira


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