Este texto cujas palavras
foram presumidas no adequamento do suscetível, ainda se encontra absconditado
nas soturnidades labirínticas do subconsciente estertorado, como se estivesse
no aguardo protraído de um tempo indeterminado, onde dias e noites se
estropiaram perante a transfiguração de todos os ponteiros cronológicos.
Pedro Paulino, metido em seu arcabouço
metálico, pôde repassar a sua polimatia de primeiríssima magnificência,
ostentada através de um inusitado método de representar as diferentes
sinonímias, pouco vistas no ramerrão, inoculando-as paulatinamente no linguajar
dos neófitos aprendizes. Uma simples trilogia semântica seria o suficiente para
caracterizar o grau de evolução das demais turmas subsequentes.
A arguição começaria randomicamente, sem
que pudesse vislumbrar a quem incorrera o encetar direcional de três neófitos
termos. Um deles, sem hesitação preliminar, seria a expressão: sujeito onagro;
elemento beócio; magérrima cavalgadura!...
O mais tranquilo individuo, de maneira
especiosa, não daria a depreender o heteróclito atípico de uma possível arrebentação
holística, sendo a que se processara em cabal olvidamento referente ao
variegados arranjos combinatórios, arraigados, sem exceção, às questões
estritamente correlacionadas ao binômio: etimologia e semântica.
De fato, tivessem de escutar, com atenção
redobrada, a reiteração obsessiva – de elevadíssima compulsão – dos vocábulos
priscos, mormente aqueles que foram aprendidos desde o jardim da infância, uma
vez que todos ressumbrariam as primícias dos balbuciares, contendo o recrudescimento
de sucessivos erros prístinos, evidenciados ao longo do tempo de percuciência
vernacular inumatória.
Realmente, estamos perante a díspares
agregados, cujos componentes são despreparados; pois, todos perpetrariam os
vários tipos de solecismos existentes. As pessoas de casa, em sua maioria,
corroborariam quanto ao tempo de dilação, sobretudo no que se referisse ao
conviver das inúmeras grafias estropiantes em suas respectivas unidades
linguísticas: fonética, morfologia e sintaxe.
A principal exação era a presença
constante do dicionário: pequeno, médio ou grande. Os compêndios pequenos
deixavam muito a desejar quanto à coarctação terminológica a ser perquirida
durante o interregno de cinquenta minutos de aula dedicada aos estudos
pormenorizados da Língua Portuguesa. Então, o ato de compulsar páginas de
dicionário representava o regalo maior quanto ao corretismo sinonímico
necessário, no ressumar das variâncias semânticas observadas no decorrer das
centúrias, ressumando, também, novos horizontes da cognoscibilidade abrangente
e intelectualizada.
Vinha, decerto, – o preceptor -,
preconizando, após uma instantânea parada na soleira da porta, a prolação de
três novos elementos silábicos, apontando um sistema que traduzisse uma
correspondência biunívoca para os alunos situados em referenciais dispares,
estando situados no próprio salão que delimitava uma área do recinto escolar.
Aprisionado à sua sotaina preta, havia um despertador, pontualmente integrado
na precisa marcação de um minuto, que simbolizava o tempo de espera desejável,
para que se aferisse o erro ou o acerto perpetrado pelos discentes.
José Maria fora, então, o primeiro a ser
inquirido durante aquele protótipo ínterim de aula salutar. Nesse caso, no
final de cada ano, teríamos uma coletânea de comutações constantes,
locupletando a polimatia já adquirida em períodos prístinos – não estabelecidos
– dando apenas a falaciosa impressão – notadamente para os alunos de erudição
restrita, estabelecendo um embasamento menor com relação ao suporte redacional
de inusitadas aplicações linguísticas.
Elisberto, nome que jamais poderia ser
olvidado, fizera componência integralizante dessa turma ímpar de alunos do vetusto
“Maristas” – aquele mesmo que remanesceu saudosamente na reminiscência do ano
de 1968. E o tempo, deletério em sua ação de veloz incúria, apropinqua-se,
hodiernamente, de meia-centúria.
Com o decorrer das décadas, a memória nem
sempre reproduz o que se desideraria recordar. Às vezes, a exumação da
expressão vocabular impetra um número copioso de dias. E, após tanto gládio
mental, quando não se esperava mais, surde a ferro o que se gostaria de nunca
esquecer. Foi assim que, depois de uma semana de espera, se recompôs o conteúdo
atrelado à mente; e, caso não mais retornasse, surgiria, afinal, as locuções:
“à guisa” (ao modo de; à feição de; ao jeito de); à cata (à procura, à demanda)
etc; as quais já estavam inumadas no subconsciente do Elisberto durante um
protraído período de latência!...
Wilson Cerveira
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