quinta-feira, 18 de junho de 2015

ABRUPTO INUMAMENTO VOCABULAR

    Este texto cujas palavras foram presumidas no adequamento do suscetível, ainda se encontra absconditado nas soturnidades labirínticas do subconsciente estertorado, como se estivesse no aguardo protraído de um tempo indeterminado, onde dias e noites se estropiaram perante a transfiguração de todos os ponteiros cronológicos.
     Pedro Paulino, metido em seu arcabouço metálico, pôde repassar a sua polimatia de primeiríssima magnificência, ostentada através de um inusitado método de representar as diferentes sinonímias, pouco vistas no ramerrão, inoculando-as paulatinamente no linguajar dos neófitos aprendizes. Uma simples trilogia semântica seria o suficiente para caracterizar o grau de evolução das demais turmas subsequentes.
      A arguição começaria randomicamente, sem que pudesse vislumbrar a quem incorrera o encetar direcional de três neófitos termos. Um deles, sem hesitação preliminar, seria a expressão: sujeito onagro; elemento beócio; magérrima cavalgadura!...
     O mais tranquilo individuo, de maneira especiosa, não daria a depreender o heteróclito atípico de uma possível arrebentação holística, sendo a que se processara em cabal olvidamento referente ao variegados arranjos combinatórios, arraigados, sem exceção, às questões estritamente correlacionadas ao binômio: etimologia e semântica.
      De fato, tivessem de escutar, com atenção redobrada, a reiteração obsessiva – de elevadíssima compulsão – dos vocábulos priscos, mormente aqueles que foram aprendidos desde o jardim da infância, uma vez que todos ressumbrariam as primícias dos balbuciares, contendo o recrudescimento de sucessivos erros prístinos, evidenciados ao longo do tempo de percuciência vernacular inumatória.
       Realmente, estamos perante a díspares agregados, cujos componentes são despreparados; pois, todos perpetrariam os vários tipos de solecismos existentes. As pessoas de casa, em sua maioria, corroborariam quanto ao tempo de dilação, sobretudo no que se referisse ao conviver das inúmeras grafias estropiantes em suas respectivas unidades linguísticas: fonética, morfologia e sintaxe.
      A principal exação era a presença constante do dicionário: pequeno, médio ou grande. Os compêndios pequenos deixavam muito a desejar quanto à coarctação terminológica a ser perquirida durante o interregno de cinquenta minutos de aula dedicada aos estudos pormenorizados da Língua Portuguesa. Então, o ato de compulsar páginas de dicionário representava o regalo maior quanto ao corretismo sinonímico necessário, no ressumar das variâncias semânticas observadas no decorrer das centúrias, ressumando, também, novos horizontes da cognoscibilidade abrangente e intelectualizada.
      Vinha, decerto, – o preceptor -, preconizando, após uma instantânea parada na soleira da porta, a prolação de três novos elementos silábicos, apontando um sistema que traduzisse uma correspondência biunívoca para os alunos situados em referenciais dispares, estando situados no próprio salão que delimitava uma área do recinto escolar. Aprisionado à sua sotaina preta, havia um despertador, pontualmente integrado na precisa marcação de um minuto, que simbolizava o tempo de espera desejável, para que se aferisse o erro ou o acerto perpetrado pelos discentes.
      José Maria fora, então, o primeiro a ser inquirido durante aquele protótipo ínterim de aula salutar. Nesse caso, no final de cada ano, teríamos uma coletânea de comutações constantes, locupletando a polimatia já adquirida em períodos prístinos – não estabelecidos – dando apenas a falaciosa impressão – notadamente para os alunos de erudição restrita, estabelecendo um embasamento menor com relação ao suporte redacional de inusitadas aplicações linguísticas.
      Elisberto, nome que jamais poderia ser olvidado, fizera componência integralizante dessa turma ímpar de alunos do vetusto “Maristas” – aquele mesmo que remanesceu saudosamente na reminiscência do ano de 1968. E o tempo, deletério em sua ação de veloz incúria, apropinqua-se, hodiernamente, de meia-centúria.
      Com o decorrer das décadas, a memória nem sempre reproduz o que se desideraria recordar. Às vezes, a exumação da expressão vocabular impetra um número copioso de dias. E, após tanto gládio mental, quando não se esperava mais, surde a ferro o que se gostaria de nunca esquecer. Foi assim que, depois de uma semana de espera, se recompôs o conteúdo atrelado à mente; e, caso não mais retornasse, surgiria, afinal, as locuções: “à guisa” (ao modo de; à feição de; ao jeito de); à cata (à procura, à demanda) etc; as quais já estavam inumadas no subconsciente do Elisberto durante um protraído período de latência!...


                  Wilson Cerveira

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