quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

CARACTERES DEMUDÁVEIS

     Por que as pessoas que fazem parte integrante deste nosso hodiernismo, bastante heteróclito, ostentam caracteres demudáveis no decorrer das suas próprias existências?!...
     Eliseu, que jamais fora estroina, encontra-se estupefato perante os comportamentos estúrdios da raça humana, mormente em dias de descomunal e agrurosa egocentricidade. De fato, esta é a prova maior dessa imensa falta de correspondência! E, como peroração, diz-se o seguinte: educadamente, aguardamos, caso possível, seu pronunciamento, após longa tentativas...
     Sem muitas procrastinações, Eliseu Cascudo resolvera escrever uma missiva para o casal: - Umberto e Leticiana, uma dupla esquipática, ainda não examinada por nenhum outro psiquiatra psicopata. Ambos permaneciam a infernizar a vida de quem quer que seja, através do diálogo e da propositura cognominada harmonia do conflito.
     “É inacreditável que vocês, sem motivo plausível, tenham se comportado de uma maneira inelucidável. Seria salutar que ambos se redimissem perante as descomunais omissões perpetradas para com os amigos de datas pristinas!”
     Umberto e Leticiana eram imagens invertidas e errôneas de si mesmos. O casal ostentava sindrômicos verossimilhantes em todos os pontos de anamnese: recrudescentes, paroxísticos, palindrômicos e demais referenciais sintomatológicos.
     Neste exótico hodiernismo, as pessoas, de modo generalizado, usam a acuidade da sensória visual, e se esquecem de aplicar a acuidade sensorial do tato. Deveras, as gerações porvindouras serão ágrafas, já que ressumbram aguçados laivos de não responder as mensagens que lhes são remetidas. Resignam-se diante das provocações vocabulares, mas refutam o ato de redarguimento ao que está sendo polemizado.
     Suponhamos que haja a seguinte instigação nos interlúdios confabulatórios: “Qual a razão heteróclita de não responderes Donairosamente, os meios deslumbrantes arautos, escrito em escorreito vernáculo?!...” Ainda como peroração: “Educadamente, pela postremeira ensancha, ficarei no aguardo de profligação convincente”. De repente, surde a frase relacionada à psicótica superocupação, – onde o interlocutor dissera: “o dia foi muito corrido, e não deu tempo de raciocinar as devidas respostas! E, desse modo, tenta persuadir o ouvinte, através da sua própria perseverança, reposicionando-o na linha ortogonal do parâmetro cognominado direitura.
      Para expender os aparatos compulsivos, o Joselino enviou ao seu amigo Raniel o seguinte texto: “Rani, elucubro, antinomicamente, pois, a despeito de ter o dobro de tua idade, responder-te-ia, de modo incontinente, e não quando pudesse!... Não te esqueças de meditar, antes que exponhas a frase no papel. Educadamente, seria salutar a tua retratação. Acabaste suscetibilizando o amigo, que tem por parâmetro basilar o hesterno, passando pelo hodierno; e, partindo em direitura ao crástino. Delicadamente, requesto retorquimento persuasivo. Qualquer pronunciamento podes me mandar a qualquer ínterim do dia, que logo te responderei, antes que raia a madrugada do dia seguinte”.
     ... A amizade, quando lidima, tem caráter de eternidade! O lidimo sentimento promana da espontaneidade!...
     Está provadíssimo que o sujeito de mau caráter se ausenta quando recebe o seguinte comunicado: “Após cirurgia, aguardaria a visita do amigo.” Desta feita, de maneira donairosa, comprarias o meu livro de dezembro de 2015, intitulado: “Ninguém chega ao estado de miséria por ter comprado um livro!” Aguardo, com fineza, a devida resposta. Esperá-lo-ia às sete e trinta de sexta-feira. Aguardo corroboração do amigo de tempos priscos!”
     As digressões perpetradas são muitas. Pergunta-se sobre determinado assunto, e o interlocutor, perversamente, tergiversa, e reinicia outro parágrafo, cabalmente divergente do eixo discursivo protótipo. Quer escafeder-se de quaisquer compromissos. Além disso, oculta endereço residencial e quaisquer outros possíveis favores, que, ele, na condição de ególatra, divaga dentro do seu círculo vicioso de psicopata social, com falsa aparência de normoanormalidade!...
     O analista Ernestino sentiu-se impulsionado quanto ao ato de vocacionar cinco exponenciais psiquiatras, advindos de países diferentes, localizados em distintos e distantes continentes, pois pretenderiam perquiri-los consoante as diversas formas possíveis!
     Logo que os psiquiatras adentraram ao salão principal do manicômio, onde estavam posicionados os casais que apresentavam maiores repulsividades, tiveram mais algumas reações imprevisíveis. Essas pessoas, aparentemente normais, não se reconheciam mais. A agressividade tomou a direitura de suas ações malévolas; e, a partir, de então, passaram a se comunicar através dos sons onomatopeicos das armas brancas e de fogo, perdendo cabalmente o educacional adquirido por intermédio de frivolidades presentes no contubérnio!...
     As amizades pretéritas iam, pouco a pouco, sofrendo brutais degenerescências. Nem os psiquiatras que se tornaram psicopatas – mesmo os que estavam agrilhoados nos espaldares das cadeiras contíguas nos paredões circulares do imane manicômio – conseguiam aparatar reações compatíveis com as suas devidas sazonalidades...
     Nem fora nem dentro, as criaturas se identificavam com os pródromos indicadores das disfunções ocorridas na intrinsidade das personagens reinantes. Os que haviam corroborado com os princípios das lidimas perquirições, – principalmente as imprescindíveis e irrefutáveis veracidades, essas criaturas metamorfoseavam-se de forma palinódica. As palavras não aparatavam o tempo concernente aos seus respectivos registros!
     De repente, o livro dedicado aos nascidos – mormente em seus registros implacáveis – transformara-se em livro cujos signatários pareciam ter sido inundados no decorrer de alguns dias... O escrivão cometia todo tipo de falcatrua – dizia dona Gertrudes, a dona do imenso casarão ocupando as sequências laterais de quatro ruas transversais com relação aos eixos posicionais.
     As carteiras de identidade e demais documentações haviam sido falsificadas com perfeccionismo de quem ostenta a confecção verossimilhante dos caracteres dissociados. O sistema digital acepilha muito mais os espúrios, pois aquiesce as ciladas remanescidas das agruras pessoais e das acrimônias coletivas, independendo do colimador e da sua área de ação, investindo-as em todas as direções e sentidos do complexo de linhas vetoriais vigentes...

                                                          Wilson Cerveira

Nenhum comentário:

Postar um comentário