Um simples
observador está longe de ser, mesmo em tempo crástino, um detetive. Falta-lhe
uma visão geral em torno de tudo o que, possivelmente, ocorreria nesse
ambiente. Não basta o aspecto fixador com relação a uma pessoa, um objeto ou,
até então, um ponto verde perdido na extensibilidade do próprio quadro verde.
O seu adentramento no ambiente merece
sutileza. Ninguém precisa saber o instante em que, na aparência de um vulto
cabalístico, tenta detectar a presença de algum intruso, malfeitor, ou elemento
periculoso quanto à regência em voga.
Se, linhas realmente, for um observador
com olhos de detetive, ele ostentará um esgueiramento imperceptível, passando
por entre as mesas, traçando diagonais, circunferenciais, tangenciais,
perperpendiculares, ortogonais etc, num lídimo cruzamento, onde as posições vão
se invertendo, pouco a pouco, sem que as outras pessoas percebam a presença do
elemento perquiridor no ambiente em questão.
Qualquer estrépito, por menor que seja,
pode ser perigoso com referência à manutenção de percucientes observações a
serem perpetradas no recinto. Tanto assim, que as frases desconcertantes devem
surdir em momento adequado, evitando os estorvos da postremeira ensancha. Ao
passo que os demais comenos devam ser analisados acuradamente, a fim de que
possam ser ressumbradas as irregularidades presentes!... Os códigos
assoberbam-se cada vez mais, enquanto não se pressagia a acepção feita por um
insólito observador com olhos de detetive.
Em princípio, esse homem, observador
emérito, aparatará todas as condições de olhar com ambos os olhos,
deslocando-os sob uma sorumbática visão de esconso, com a finalidade de
observar os quatro cantos da sala, sem que as pessoas percebessem, mesmo que os
demais ficassem à sorrelfa dos outros indivíduos, deixando-os volitivamente,
como se nada estivesse ocorrendo naquele ambiente, onde os elementos se reuniam
para beber e comer ao longo do dia mantendo a permanência dos hábitos – com
parcimônia, ou prodigalidade, dependendo das educacionais lembranças e das
diversas maneiras ostentadas pelas criaturas frugais.
Nicolau, de fato, era muito mais sagaz,
quando comparado ao seu colega, o perito Levegildo, que muito o influenciou na
condição de ser um lídimo observador com olhos de detetive.
O senhor Nicolau aparatava uma praticidade
a toda prova. Sempre fora experto quanto ao ato de realizar as
tarefas de manuseamento; ao passo que, sem tartamudeios, o Levegildo
habilitava-se cada vez mais no que tange ao cognitivo teórico. Sabia organizar,
com perfeccionismo, as logopeias, sobretudo as que requeriam um silogismo onde
as premissas – menor e maior – se acoplavam no ponto inerente à basicidade do
pensamento formulado.
Um observador, com olhos de detetive, não
deixa passar nada, absolutamente nada. Os seus apontamentos são minuciosos em
todos os aspectos. Quaisquer movimentos são perceptíveis, conquanto o observado
não saia do lugar em que ocupa. Os cruzamentos das pernas e braços, ou suspensões verossimilhantes, são
detectados pelo perito, em vigilância plena, no exato átimo em que a ação se
principia, e muito antes que a sentença reacional se encerre no decorrer do
parágrafo.
Todos os objetos localizados sobre a mesa
são dignos de muita atenção por parte do senhor detetive, uma vez que, sem
suspeição, o sujeito observado está sendo aduzido à cata de adendos inusitados.
Tanto assim, sem prolegômenos, que, à guisa, figurarão novas fisionomias. As
novas técnicas utilizadas para os exercícios das cirurgias, notadamente os que
refocilam as irregularidades presentes na pele do paciente, não remanescendo
estigmas do prisco – recente ou distante – não importando a terminologia do
sujeito ao longo da ação verbal expressa.
Os criptogramas podem ser absconditados em
pequenos lenços de papel. A criatura dissimula, nesse caso, uma cleptomania, e,
desse modo, vai colocando uma série de guardanapos descartáveis no bolso do
colete, e, no meio deles, à socapa, deposita as cabalísticas simbologias. Elas
designam o itinerário a ser seguido, pois, sem ignávia, ostentam a chave
especificando, de maneira concomitante, o ritual de abrir e fechar os cofres
confidenciais. E, nesses artefatos de ferro consolidado, vão sendo ressumbrados
todos os enigmas presenciados no decorrer das exposições com ressaibos de
percuciente misticismo.
Wilson Cerveira
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