Hodiernamente, há vários subterfúgios tentando justificar a omissão do
ato de conduzir livros. Ei-los: mãos vazias facilitam a defesa de quem se vê
acuado por bandidos que surdem, abruptamente, de maneira arrostada. Também,
existem escusas relacionadas aos possíveis desvios da coluna vertebral.
Geralmente, surgem, com frequência, naqueles que não sabem equacionar o peso, e
resolvem aduzir a carga para um dos antebraços!
O
correto seria o seguinte: pesá-los antes de conduzi-los, com o intento de dividir
igualmente o peso correspondente ao conjunto de pequenos, médios e grandes
compêndios. E, é, por isso, sem hesitação, que o velho Aquiles, o mestre dos
mestres, ostentava uma balança própria para aferir esses volumes atinentes a
diferentes disciplinas.
Deveras, Aquiles atravessava as ruas e avenidas, portando de cinco a
oito livros nas laterais dos antebraços, com os cotovelos apoiados na região
superior dos hipocôndrios: direito e esquerdo, respectivamente. Desse modo, sem
perplexidade, ocupava ambas as mãos, e mantinha em posição correta os discos
vertebrais.
Neste
modernismo heteróclito, os aparelhos tecnológicos ocupam os espaços reservados
aos livros, absorvendo, milimetricamente, a contar das entrelinhas: cognosias
esparsas e informações diversificadas sobre determinados assuntos. Tanto assim,
sem dubiedade, o dispositivo móvel, a bem da verdade, deveria ser programado
para agir como receptor das sindicâncias basilares, assim como, de modo
contundente, as perquirições atinentes. Destarte, expungir-se-iam as
perscrutações perfunctórias!
A
princípio, o livro pesa no bolso daqueles que não ostentam afinidade em
adquiri-lo com o objetivo exclusivo de ler atenciosamente “página por página”,
para que possam emitir uma opinião abalizada do que fora assimilado no longo
decurso do tempo de estabelecida hermenêutica. Muitos somente leem, mas não se
expendem quanto ao ato de interpretar os parágrafos componentes do texto em
apreço.
As
máquinas, com seus modernicismos metamorfoseantes, adulteram de diversos modos
o que estava sendo aspirado pelos mais estudiosos discentes. Não conseguem
conciliar a leitura com a escrita, lacerando a libração necessária para uma proficiente
aprendizagem deletéria com relação aos malévolos sujeitos, quase todos
sacripantas, e despreparados para exercer as suas atividades docentes e
discentes.
Há
uma vacuidade com relação a existência mostruária dos livros. As bolsas estão
esvaziadas, ao passo que, sem maiores aparatos, os aparelhos eletrônicos se
multiplicam em notebooks e netbooks, e tantas outras parafernálias, as quais
tem por finalidade comutar a presença do livro. Esses instrumentos reúnem
informações generalizadas, mas, em tempo algum, nunca substituirão os próprios
canhenhos – muito mais simples – sem digressões correspondentes aos opúsculos.
A
própria biblioteca está munida de aparelhos de DVD e seus respectivos discos.
Vislumbram-se alguns livros didáticos já utilizados em anos pretéritos. O
manuseio é exíguo, sendo feito através da ação deletéria das traças!...
De
quem são espectros enfileirados nas estantes, ainda em caixas lacradas, com o
vetusto lacre vermelho, a exibir coletâneas recém-chegadas do estrangeiro,
trazendo a tiracolo inusitados exemplares científicos?!...
Essas
especiosidades eram engendradas pelo Nicoleide, sujeito que coligiu a
aglutinação nominal dos seus pais: a mãe, cognomina-se Leide; enquanto o pai,
bastante arguto, desde a infância, denominava-se de Nicolau.
Dr.
Nicoleide, na estremadura de sua solércia, enchia as caixas de livros usados;
ao passo que, no continente externo do papelão, aparatava dia, mês e ano,
recentemente, escritos com letras rúbidas e góticas, para que a conspicuidade
comprovasse uma veracidade falaciosa!...
Grampeadas, por ordem cronológica, estavam as notas fiscais
ob-reptícias, as quais expendiam os testemunhos de quem vislumbrou o ato
aquisitivo, pelo simples fato de ser um bibliófilo, ostentando dezenas e
dezenas de livros, quase todos os dias da semana, com raríssimas exceções.
Preferia alimentar o espírito ao corpo, numa coalescência harmônica e testemunhal!...
Os
livros, compêndios que exigem força para que sejam deslocados de um local para
outro, necessitam, estritamente, de inauditas perquirições cabais, quase sempre
editoriais, no exato átimo das reproduções desses manuais, que nos vem
dilucidando as mais apuradas e acendradas elucubrações percucientes!...
Wilson Cerveira
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