terça-feira, 24 de janeiro de 2017

NÃO ME MATES!

    Era madrugada, tempo cerrado de nuvens acumuladas – repletas de chuvas ainda contidas – quando se ouviu, de modo abrupto a voz trêmula de dona Helena, a mais senescente do Caminho da Boiada, notadamente quanto à arte de aprestar um dos melhores mocotores – sobremodo nos dias de sábado! E, então, bradava a plenos pulmões: “Não me mates!” – dizia ela, sem pestanejar...
     A multidão, somatorizando os moradores das casas contíguas, todos, sem exceção, puseram-se em pé, nas soleiras das portas de suas respectivas residências, que ficavam cercadas pelos pares de umbrais!...
     Todos estavam atentos, somente com os ouvidos concentrados na expressão: “Não me mates!” Esta frase parecia estar sendo promanada dos lábios de quem entende a maneira pela qual se forma o imperativo negativo dos verbos, sobremaneira quando estão inseridos em expressões como esta, que obsecram a própria preservação da vida.
     Pobre Helena, dona dos mocotós, não havia cursado os três últimos anos do vetusto ensino primariano!... De quando em quando, a alumbrática Providência Divina, em sua essência maior, fazia-lhe efluviar dos lábios frases corretas – sufragadas pelos eminentes gramáticos deste País, até então, cognominado de Brasil – mesmo soçobrando em opróbrios consecutórios.
     A finalidade deste artigo, sem perplexidades, é dilucidar a lídima tradução da frase, porquanto esteja em sua acepção figurada. Nesse comenos, estava entregue aos acuramentos blandiciosos de um phalo, de médio a grande porte, a ostentar os exercícios varonis de sua própria espécie humana. Decerto, estaria a aparatar os paroxismos de sua ninfomania exacerbada.
     Malgrado as ninfas sejam insaciáveis, costumam exibir esses tipos heteróclitos de comportamento, que redundam, inopinadamente, em estrugidos estentóricos.
     É rico aquele que sabe controlar seus desejos, restringindo seus díspares graus de saciedade. De fato, o clímax recíproco, ao alcançar os píncaros de níveis mais elevados, impetra observações aguçadas!
     O casal não se mantinha através de pecúnias, barganhas e benesses, visto que buscavam as lubricidades culminantes! As abordagens psicossomáticas ressumbram os seus díspares meios de acomodação. A própria inópia, que é a maior abdução entre os casais, sempre obiciou no que concerne à cata de adendos terapêuticos neutralizantes, estando presentes nos interstícios teciduais orgânicos.
     Parece estarmos perante ao delusório, uma vez que, em tempo determinado, os estigmas da lascívia estabelecem a comutação de muitas carências coligidas, visto que, sem hesitação aparente, comutam as probabilísticas proliferativas das imprescindíveis necessidades básicas: sede, fome, sono e sexo! E, destarte, o sexo, jamais ficaria excluído do grupo das premências basilares!...
     Urge não soer – de si – o abduzimento do imprescindível. As faixas etárias, nos meandros ou coleantes de suas anomalias, são contumazes no pontuamento de suas sendas exatoriais. Descrevem-nas sob a forma cabalística. Há muito essa ritualística foi considerada um vurmo ou sânie cominadora. Quem a perpetrasse, na ausência dos direitos lícitos, estaria sujeito a um tipo de condenação procrastinatória... Deveras, a veracidade encontra-se arraigada nos entremeios ou permeios das circunstâncias orgânicas com relação às demais!...



                                                                         Wilson Cerveira                       

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