segunda-feira, 10 de setembro de 2018

DOUTOR DISSE


  
     Eis o tempo da sanha espumante, e com o desiderato de editar normas confessionais! Após tanta ira acumulada através do decurso inclemente dos anos recolhidos nos sepulcros vazios de uma existência consumada!...
     Minha avó – Ana, polidamente, reiterava, em suas conversas realizadas durante os períodos das refeições, a frase lapidar, estimulante, confidedigna – “Doutor Disse” – como se quisesse arguir a lídima verdade provinda de tempos priscos, em cuja memória latejam na vacuidade os sorumbáticos delíquios!...
     A frase vivia solta, dando a impressão de uma dosagem de spray da moda, sendo a voga lucrativa e volátil! E, desta feita, a desfaçatez de estímulos a serem exarados do recôncavo! Desta forma, decerto, o que saísse da boca de um médico, quer queiramos ou não, já infundia o cunho apoplético de muitas verdades coligidas – por meio de axiomas – já bem elaboradas. Não surgiriam, desta face, desconfianças, depois do ato de reiterá-las. Era um lacre, um lidimo lacre, para quaisquer estados valetudinários, tentando persuadir as ações perpetradas por aqueles que buscam a manutenção dos pensamentos, frases e arautos lapidares em todos os sentidos vetoriais!...
     Toda história era entrecortada por inúmeros gases abdominais, estando em processo de eliminação constante! Outrossim, naquelas madrugadas de vento frio, provindo do sul, e que pusera outra vez o colar cervical de quatro dedos de largura, a afagar-lhe por uma ensancha ou comenos ou átimo, notadamente, notas musicais alucinatórias, surdidas por intermédio de sons concretizantes, surdidos por intermédio de sucessivos teclados de um vetusto piano de calda.
     Ninguém, com o seu porte, conseguiria proceder de modo diferente, já que, o piano, de quatro decênios, emitisse ainda as notas mais complicadas, estando sendo levadas através do ajudante, afundando de leve as teclas do mensuroso aparelho sonoro, para, em seguida, fruir os toques precisos de uma balada antiga e sofrida!...
     Nesse tempo de antanho, decerto, tudo o que ocorria ficava por conta do chamado “doutor disse”. Talvez, buscasse uma corroboração tanto para hesitações quanto aquilo que se referiria a erros! O bastante era ter o diploma de doutor, seja qual fosse, afixado na parede de um dos compartimentos da casa. Para conseguir um doutorado tinha por obrigação partir para o “Continente Europeu”! Após o grau de doutoramento, regressava à “Terra Natal”, para permanecer como eterno residente, embora jamais exercesse a profissão de Médico, Engenheiro etc.
    O que importava naquele ínterim eram as letras douradas de um “DOUTOR” – com todas as letras maiúsculas. As bochechas enchiam-se de ar, para que pudesse expirar com sofreguidão a frase mais usada pelas bocas pequenas: “Doutor disse!” E, não se comentava mais nada, malgrado não houvesse a devida ratificação. E, em que pese outras conotações, nada se refutava em referência ao que fora incrementado.
     Também, não se confutaria quaisquer circunstâncias que pudessem ultrajar a pessoa que a protelasse!... O tempo era curtíssimo, e a sentença oferecia o caráter irrefutável do cognominado exaramento, já pronunciado no decorrer do espaço temporal: “Doutor disse”, e, por pior que fosse, a oração passaria a ter o estado da infabilidade!
     A epopeica transformação desses elementos ocorrerá no “Campo do Botafogo do Anil”, onde eles se apresentam bem vestidos e com todos os aparatos simplificados. As inversões tornam-se realidade no ponto fastigioso dos seus afazeres diuturnos.
    Laboram planos contendo os vasos que servirão de base pericial para a detectação parcial das doenças. Após a chegada no simples torrão natal, trazendo consigo o material desejado, a fim de que possamos recorrer em tempo hábil.
     Para que, então, serem tipos que se sobressaem diante dos simulares existenciais!... É preciso revê-los, calmamente, para então, sondar-lhe as imprevisões surdidas ao longo dos relatos, não mais sustentáveis com relação aos indivíduos enternecedores.
     Assim sendo, apega-se ao eixo da sensibilidade. Neste comenos, ficam apenas com seus diplomas de doutorado! Não enxergam as suas profissões; pois, ficam apenas com o título comedido pela notável “Universidade Europeia”.

                                    Wilson Cerveira

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