quarta-feira, 8 de maio de 2019

A ARTE DE EDUCAR DESEDUCANDO




     É um protótipo paradigma genealógico?!... Não, pois o exemplo é o maior das heranças existentes. Ele, o arquétipo, ocorre em diminutas posturas e comportamentos psicossomáticos personalizados. Somente o casal, o pai e a mãe, ambos podem expender uma etiqueta adequada. O ato de sentar corretamente na cadeira ou no sofá expressam um modelo para quem ainda se encontra nas primícias vitais. Se a criança observar tanto o pai quanto a quanto a mãe, ou, um deles, com uma postura bizarra; isto é, colocando os pés suspensos na cadeira ou no sofá; decerto, vai fazer o mesmo, seguindo uma orientação errada por parte de um dos seus genitores!...
     A etiqueta defeituosa vai, paulatinamente, afetando o comportamento da criança. Ela se acha dona por inteiro do objeto; tanto assim, que não senta, estira-se nele tomando todas as suas dimensões, e, concomitantemente, obiciando quem queira sentar ao seu lado. Será que isto que estou relatando faz parte de um tipo de deseducação usada nos dias hodiernos, estando em voga em diversos lares!...
     Ninguém consegue ressumbrar o que é direito e o que é errado, notadamente nestes nossos dias acrimoniosos!...
     Dizem que a criança precisa de espaço para mostrar as digressões do seu comportamento em casa, e, também, nos outros domicílios frequentados por ela. É premente que a criança comece a prestar a devida atenção com relação às atividades ou comportamentos errados! Há pessoas que não sabem sentar na cadeira corretamente. Deixam um espaço no meio das costas, preferindo projetar os pés para o chão, e, com isso atingindo sobremodo a coluna vertebral, defeituando-a desde o encetamento da vida.
     É, também, salutar verificar o hábito errôneo de escovar os dentes, ressumbrando, brevemente, as cáries, devido a desarte, que é a prova inconteste de não ter aprendido escovar os dentes corretamente.
     Uma série de erros foram sendo cumulados ao longo dos dias em que as crianças frequentavam os diferentes ambientes escolares. Todos pareciam ler pela mesma cartilha, repleta de equívocos irreparáveis!...
     No meu tempo de estudante, adentrava-se ao colégio na faixa etária de quatro anos. Chamava-se primeiro período do “Jardim de Infância”. Nesse interregno eram três fases, onde se ia aprendendo, pouco a pouco, as letras do alfabeto, assim como, os numerais de maior significado com relação as primeiras contagens. Saia-se, então, com o grau de doutor do “ABC”.
     E, no ano seguinte, enfrentava-se de imediato o primeiro ano do “Curso Primário”. E, somente, passava-se de um ano para o outro, caso fosse testemunhada a devida competência. Pois, a resultante exigia cabal conhecimento!... Para que cursássemos o Ginásio, tínhamos que nos submeter aos rigores do “Exame de Admissão”, requerendo conhecimentos de Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, Geografia e História.
     O exemplo pode ser a melhor ou a pior das heranças existentes na face do orbe. Quando o arquétipo é praticado sob o prisma da correção, torna-se o mais plausível de todos os paradigmas revelados conforme a perlustração reinante!... Hodiernamente, quer queiramos ou não, está em voga o tendencioso elemento gerador do mau exemplo. Assim sendo, ele perdura por tempo indeterminado em quase todos os âmbitos da malbaratada etiqueta ou polidez vigente neste planeta Terra!
     À guisa de tudo isto, a moda do deselegante se propaga mais rapidamente, visto que se localiza num pelotão de vanguarda. À cata de preservá-lo, afasta-se sobremaneira de retaguardista visão do direitismo recrudescente, o qual permeia os esfíngicos vazios da intersecção ora tendendo para os lados opostos de diagonais antinômicas. Decerto, fica-se aturdido nos meandros que sequenciam, diferenciando o bem do mal!...
     Desde então, não se sabe discernir o cognoscível da incógnita, uma vez que as diferenças são verossimilhantes. Parte-se para a abdução, e, depois de muito labutar, encontra-se a primeiríssima digressão. E, nesse caso, vai-se ao encontro do enigmatismo imponderável, onde o labiríntico faz uma tangencial com um outro latíbulo cabalístico, incorrendo-se em direitura ao despenhadeiro descomunal em todas as prováveis linhas trigonométricas.
     É paradoxal em todos os sentidos a difícil tarefa de doar bons exemplos! Dizem que a melhor herança é um bom arquétipo na hora de quaisquer correções!... Isso é, de fato, uma emblemática complexa em dias de hediondo hodiernismo. É salutar vaticinar as implexas implicações causadas por um sistema à beira do precipício educacional. Nesse caso, vislumbramos o deseducacional a proliferar em todas as partes do mundo, sem exceções plausíveis.
     Aplica-se a tricotomia do volitivo. Escolhe-se a senda mais orientada em todos os aspectos humanos. Ressumbram-se desejos ocultos, e não satisfeitos quanto à direitura dos obiciados desideratos. Não se sabe a flexão das aceitabilidades dissolutas – em trâmites legais de postura educacional.
     Antigamente, as pornofonias eram castigadas conforme os números emitidos pelas crianças, pubescentes, adolescentes e jovens; sobremaneira a faixa etária estabelecida. As pessoas que estivessem em fase de senescência progressiva, ostentavam suas liberdades!
     Outrossim, o jovem  escutava as pornofonias promanadas da boca de pessoa mais senescente; mas, não podia reiterá-la de forma alguma. Se houvesse tal descalabro, decretava-se o desrespeito em mais elevado grau. O mau exemplo do adulto era aceito como forma de extravasamento momentâneo de uma aporrinhação!... Casso fosse o jovem que emitisse algum vocábulo que se apropinquasse da terminologia pornofônica; ele seria imediatamente objurgado.
     Etologicamente, fica-se sem compreender a permissividade da implexa arte de educar deseducando, independente de quaisquer idoneidades! Em se tratando de vícios, os mais provectos tinham todas as primazias; desobedecendo desse modo a ética do paradigma parametral.
     A censura era estabelecida para aqueles que ainda não haviam alcançado a emancipação cabal. Esse tipo de arquétipo é, nesse caso, condenado por quase todas as pessoas sensatas, notadamente em dias hodiernos. Não se pode cobrar do adolescente um bom exemplo, já que se ressumbra um mau paradigma. Nessa época a idade falava pela censura sem cabimento. O pai fumava em presença do filho, conquanto o jovem herdeiro não deveria fazer uso do tabaco em presença do seu vetusto pai.
     Nas escolas as pornofonias e pornografias eram exprobradas com castigos merecedores. O aluno deveria, no mínimo, escrever em cinco folhas de papel almaço: no anverso e verso seguinte: ‘Não deverei pronunciar palavras obscenas, principalmente se estiver em presença de pessoas idôneas e senescentes’. Todos os discentes sabiam dessa regra, e se a infringissem, de quando em quando, tinham por finalidade infligida, redundando na cominação dos seus próprios familiares, responsáveis diretos pelas normas educativas a serem estabelecidas, também, em presença de todos que ministravam os regimentos escolares dos tempos pretéritos.
     A despeito das pornofonias serem mais afrontadoras, pois eram escritas nas paredes, portas, janelas e quadros negros das diferentes turmas. Essas infrações eram recebidas através de sanções mais percucientes. O aluno ou grupo de alunos eram observados por todos os docentes. Após alguns dias, revelavam-se os discentes deseducados. Logo, o corpo docente marcava uma reunião com os pais, professores e esses salazes alunos, a fim de que os educasse, enquanto remanescia um pouco de tempo suficiente para com aquela respectiva faixa etária vital.
     Como também em muitos casos, era complicadíssimo banir os vícios! Eles tornavam os seus consumidores em escravos. O hábito de fumar é um arquétipo palmar em toda extensão orgânica, sobretudo em se tratando do aparelho ou sistema respiratório. No passado ninguém ligava para os danos que podiam ser causados pelos cigarros, charutos e cachimbos. Talvez não houvesse uma estatística segura com relação aos dependentes dessas drogas inalantes!
     Além do mais, o pai dava mau exemplo fumando em presença do filho – não se importando com a idade dos seus descendentes: dos mais novos até os que aparatavam uma faixa etária maior. Caso contrário, isto é, havia impossibilidade do filho, em quaisquer idades – solteiro ou casado – fumar em presença do pai. A mãe do jovem parecia mais maleável! Vinha, nesse caso, o velho refrão: ‘Eu, quando jovem, ou adulto, não fumava em presença do senhor meu pai, e, por que tentas fumar em minha presença?’
     Em função disso, a falta de respeito campeia em dias hodiernos. Todos querem mostrar masculinidade e independência financeira, malgrado não as possuam!... O mercado de trabalho está transbordando de desempregados, não importando os cursos que tenham realizado ao longo dos anos de vivência, experimentação e sofrência!
     Ambos, pais e filhos, não deveriam fumar em presença do outro; para que não houvesse protesto quanto ao ato de dar mau exemplo. Fica-se sem entender esta antinomia, visto que o mais vetusto seria sempre o paradigma do mais novo. O velho pai arruma ludibriosa justificativa dizendo que fuma devido ter independência financeira. Desse modo, o dito fica pelo não dito, e ambos fumam, às vezes, num absconditismo repleto de erros contumazes!...



                                                Wilson Cerveira

   
    

    

    





























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