segunda-feira, 21 de outubro de 2019

DESFILE DA PROMISCUIDADE

       Arregimenta-se, prototipamente, a tropa militar em  coluna de primeiríssima ordem, para que sirva de arquétipo com relação a uma cabal altivez patriótica. Do lado oposto, ordena-se o pelotão de alunos de uma escola, com exclusividade quanto à manutenção do garbo nacionalista. Desta forma, promana-se a verve do amor para com a pátria, dissimuladamente. Esta sempre foi a nossa falaciosa história. Éramos de menor  idade, e movidos pelos hinos e demais manifestações, íamos inflando o peito de júbilo -- diante de fatos burlescos, os quais não foram narrados de modo completo, mesmo estando à margem de uma estória capciosa sob todos os pontos plausíveis de vista.

       Realmente, este recinto colegial fora o meu encetamento na vida de alunos que se postavam em posição de sentido, no momento em que escutávamos o "Hino Nacional", e assistíamos ao hasteamento da "Bandeira do Brasil"!..., que é uma peça de tecido, geralmente presa na ponta superior de um mastro, com cores diversas e outros símbolos, usada como representação, duma facção, dum grupo, duma nação ou dum  país. E, quando estivermos enfastiados com o vocábulo bandeira, podemos investi-lo  na condição de sinonímias, tais como: estandarte, lábaro, pavilhão, pendão, vexilo etc.
    
    Nesse período de meninice, trazíamos no intrínseco as ideias avulsas de entretenimentos revolucionários. A pátria, berço dos que nela  nasceram, representava o símbolo de honradez inexpugnável perante tantos outros países ostentadores de etnias cabalísticas. Assim sendo, o esfíngico aparata as suas diversas nuances ou matizes, variegações multidisciplinares. Deveras, desfilávamos pelas ruas da cidade de São Luís do Maranhão!... Cada estabelecimento de ensino pleiteava  o primeiro lugar, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto...

       Gerávamos, de maneira inopinada, o gáudio a percorrer toda a nossa circulação sanguínea, ao passo e descompasso do hormônio adrenalina!... Dessa forma, os  corações jovens justificavam o ribombar de uma saudável taquicardia, que era apropriada àquele átimo de lídima comoção reptativa!

         Lembramos o rataplã de um instrumento musical do tipo membrafone, consistindo de uma membrana esticada sobre um tubo ou caixa de ressonância que pode ser de vários formatos! Também, temos os toques das cornetas que auxiliam os tarós e os surdos, marcando e evoluindo gradativamente a cadência, a harmonia e o ritmo musical estabelecido pelo conjunto!

         Eis um dia de ritmo patriótico que se foi postar no hesterno, desprezando  as fugazes remanescências do hodierno; e, também sem que houvesse resquícios de vaticínios dirigidos a um crástino inexistente em sua máxima plenitude! E, deste modo, iríamos colocando em seus respectivos álbuns de retrato, as reminiscências inolvidáveis de um prístino tempo..., e assim sendo, celebraríamos, mesmo contristados, os comenos álacres, debruçados nos priscos bancos escolares do vetusto Antanho. O tempo  de preparação para o desfile era de um mês integralmente. Começávamos no dia cinco de agosto, e íamos terminar no dia oito de setembro. Atravessávamos todas as fundamentais datas festivas: no dia 25 de agosto, naquele tempo, hoje em cabal estado de putrefação, reverenciávamos o Duque de Caxias, patrono do Exército Nacional! Logo, em seguido, partíamos em direitura ao dia cinco de setembro, onde desfilávamos para contingenciar o dia da raça. Dois dias, após o mencionado anteriormente, deparávamos o sete de setembro, que o dia da proclamada Independência do Brasil, relembrando a pátria, a obsoleta pátria querida!... E no dia seguinte, para espantalho de todos nós, vinha o dia oito de setembro em que se comemora o aniversário da cidade de São Luís do Maranhão!

      Não se ouvem mais os lídimos rufares dos tambores nem tampouco os acordes metálicos das cornetas! Os sons dimanados não se parecem com hinos patrióticos. A mixórdia sonora reúne uma imane ritmia de toques gerais, lembrando mais a imiscuição de notas diversas!... Parece mais um  carnaval sem máscaras -- este desfile que não mais o vemos, que é o propalado  "Desfile da Promiscuidade".

        Concernente aos trajes adequados para enfrentar uma passarela engalanada, temos a certeza de que fardas não existem mais!..., pode-se corroborar sobre a imiscuidade existente nestes nossos cruentos dias de hodiernidade obnubilada plenamente. Sim, são dias de sarça ardente, pois o fulgor foi expungido, remanescendo apenas as cinzas de um hesterno distante.

      Os pelotões hodiernos descaracterizam-se de modo cabal; pois, é uma mistura explosiva de alunos pertencentes a diferentes escolas! Esses discentes aparatam uma promíscua estação de variegações em cabal despautério!... É como se os estabelecimentos de ensino se fundissem num só! Então, perdeu-se o que havia de mais digno -- que era a identidade particular de cada escola. Deveras são grupos que se juntam para ressumbrar a degenerescência humana em todos os ângulos plausíveis -- quer sejam possíveis  ou impossíveis!...

         Dá-nos a impressão de uma festa de Momo, arrumada na postremeira hora, onde não se ouvem mais os ritmos  patrióticos dos pelotões de outrora, os quais desfilavam  com garbo juvenil, quando promanavam as suas lídimas individualidades de um soer constante e intransferível em todos os espaços  existentes e inexistentes!

      Hoje, as fardas de gala ficaram penduradas nas cruzetas dos diferentes guarda- roupas. Os sapatos para os respectivos mistifórios se revestiram de mofo, em virtude de não terem sido usados por muitos anos cumulativos. Então, o chinelo japonesa remanesceu em cada pé. A calça comprida fora comutada pela bermuda colada até nos joelhos, com zipe de descida e subida frouxamente! Mais além, promiscuindo-se aos poucos, surde o pelotão dos calções de banho -- como se o desfile fosse realizado nas praias ludovicenses, estando em direitura ao rumor das ondas que vem e que vão, consecutivamente. Existem também pelotões de índios desnudos!... Outrossim, o estandarte fica enrolado debaixo do braço, na condição de desodorante da modernicidade ou modernidade heteróclita e repleta de antinomias abstrusas.

        O ritmo da marcha ficou caracterizado como sendo um carnaval desestruturado e, cabalmente, fora de época. Os hinos patrióticos foram comutados por trechos dispersos de músicas carnavalescas, cujas letras não valem sequer um comentário coerente! Os erros prosseguem em seus cânticos lânguidos! Desse modo, os participantes não necessitam mais de assistentes; pois, todos, sem exceção, perderam as identidades e os padrões que dão ensejo àquilo que se denominou no pretérito -- de desfile patriótico. Hodiernamente, temos uma promiscuição perfeita, olvidando-se , totalmente, o que se fazia no prístino!... 



        
         
         

       


       

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