segunda-feira, 25 de maio de 2020

FARMACÊUTICO DOS MAUS TEMPOS

            O senhor Chico Vara, alcunha que recebera nos tempos de adolescente. No entanto, o seu real nome é Capistrano dos Reis. Tivera um filho um filho cujo nome é Luecas Peixoto, embora fosse conhecido pelo epônimo de Luecas Ponderal. Desde o encetamento dos seus  estudos, o pai preferiu optar para que ele fosse algum dia -- Farmacêutico -- dos bons, sem que houvesse nenhuma  hesitação a tal respeito.
           O protótipo erro, geralmente de muitas famílias, é não deixarem que o filho opte pela carreira que desideraria  seguir. Outrossim, as consequências futuristas estão à espera do filho, e não dos pais. Se algo der errado, os genitores serão perenemente conivenciados -- desde o dia do mau agouro, o qual fizera tamanha arremetida no âmbito da área da saúde.
            Sabe-se, de antemão, que, hodiernamente, necessita-se de um capital de giro, para que haja a devida  manutenção compensatória com relação as primeiras investidas no campo farmacêutico. Os medicamentos recrudescem diariamente, de conformidade com o laboratórios que os manipulam. Se for de "marca", pior ainda. Mas a credibilidade não deixa de ficar um tanto abalada. Existem algumas dessas indústrias químicas de certa reputação, que o medicamento é cinco ou seis veze mais oneroso do que quaisquer laboratórios de menor expressividade com relação à produtividade da matéria prima necessária para a devida preparação farmacêutica, já que os insumos acresceram bastante no decorrer destes anos onde o capitalismo é desenfreado em todos os quatro cantos do exorbitante mercado financeiro.
          O que seria do Luecas Peixoto ou Luecas Ponderal?!... Felizmente, em meio a tantos desencontros, ostentava o nome atinente à ponderabilidade de situações inopinadas! Não poderia deixar-se sucumbir perante numeroso óbices reinantes.Caso contrário, soçobraria, melancolicamente, para nunca mais emergir  em concernência ao qualificativo funesto de farmacêutico dos maus tempos, constituindo as agonias provocadas pela arrecadação de muitas reptações no esdrúxulo e extorquidor setor das cruentas finanças de empréstimos a juros escorchantes!...  
            Capistrano dos Reis, também conhecido pelo epíteto de Chico Vara, aparatava uma pequena fazenda, e ainda alguma  ou diversas casas de aluguel, algumas já vendidas e outras para comercializar. Só dizia todos os dias, em voz altissonante, que o cara que é bom não precisa de recursos para se infiltrar no mercado do capitalismo desenfreado. A sua capacidade elucubrativa estaria acima de tudo. Esquecia, todavia, que os cérebros -- por melhor que sejam, aliás, até dos gênios, não ressumbram descomunal arraigamento impreenchível em todos os meandros, notadamente os existenciais!...
        Luecas Peixoto, que o mesmo Luecas Ponderal aparatava cizânia para com os demais membros de sua família. De fato, tinha razão cabal em detrimento das aleivosias que propagavam com relação a sua singularíssima pessoa. Somente, ostentava  a total convicção de que era filho legítimo de Capistrano dos Reis, que é apitetado por Chico Vara. Entretanto, a destinação não lhe dera o pai que almejaria ter; com a finalidade de ajudá-lo no sentido de incrementaar no imane cipoal de sua vida profissional de Farmacêutico labutante.
         Todavia, o experimentado, vivido e sofrido -- Luecas, com justa razão, aparatava percuciente orgulho de si mesmo, e jamais solicitaria ao referido pai auxílio financeiro, no caso de empréstimo bancário, para que pudesse montar condignamente o seu tão sonhado estabelecimento farmacêutico. Outrossim, sabia, de antemão, que a sua fazenda  estava sendo dilapidada, havendo escamoteações por parte de malfeitores da alta sociedade de São Luís do Maranhão, os quais esbulhavam o gado nas madrugadas soturnas! Cada ano que se passava, a fazenda ia ficando com um número menor de cabeças!...
             Possuía uma insanidade mental insofismável; pois, nunca pensara em beneficiar o próprio filho, uma vez que, preferia ser vítimas de assaltantes e ladrões. Quanto ao casario, nem se fala; aliás se observa o comportamento dos maus inquilinos. Pagam pouco e custam efetuar o devido pagamento. Dona Vitória, que deveria ter o nome de dona Derrota, recebera o encargo de ser a procuradora dos negócios. Cada mês era uma lídima exaustão para o seu porte físico franzino. De fato, o  nome dessa procurador das casas de aluguel era Vitória. No entanto, ela sofria mais derrotas que vitórias, já que os moradores ou inquilinos ostentavam caráter de facínoras em todos os âmbitos plausíveis!...
      Colocaram-lhe o epíteto de Chico Vara, em detrimento do que ele realizava diariamente. Quebrava mais varas, pois nunca aprendeu a carregá-las corretamente. Algumas conseguiam  ficar intactas, e outras não. Somente o fortuito saberia dilucidar tal comportamento artimanhoso, de quem não conhece as atividades atinentes de podar as árvores, impedindo que viesse atingir quaisquer dos seus colegas trabalhadores que faziam parte desse arrojo diário.
           Deveras, Capistrano dos Reis não se distanciava dos seus negócios, se bem que não soubesse os gerir quanto ao que se chama de produtividade própria. Ia aos poucos, perdendo tudo o que  lhe pertencia. Não pedia auxílio para o seu filho. Preferia fazer de modo que ninguém soubesse. Terminava, então, perpetrando mau negócio!...
         Luecas Peixoto, conhecido no seu arrebalde por Luecas Ponderal, acabara de concluir o doutorado referente ao Curso de Farmácia. É de bom alvitre exarar que não possuía rendimentos suficientes para montar uma simples botica, como se dizia antigamente, muito menos um laboratório com todos os seus aparatos tecnológicos. Após afastar-se do doutoramento, teria que procurar um serviço -- de qualquer maneira, já que ultrapassava, e muito, a maioridade. Além do mais, a lei obriga a ajudar o filho, até o ponto  em que este complete a devida emancipação. Depois de tanta demanda, e com o auxílio da Divina Providência, ele conseguiu um trabalho, ainda que a remuneração não fosse compensatória. 
             De modo  parcimonioso, guardava um pouco da pecúnia que recebia mensalmente. E, dessa maneira elucubrava os possíveis meandros a serem propugnados com denodo. Escorchava-se todo, a fim de que remanescesse um oitavo dessa exígua quantia. Como poderia sentir-se bem diante de tanta preocupação e muitos aborrecimentos?!... Não havia outra maneira, decerto, a não ser deprecar os préstimos da Divina Providência.
          De antemão, vislumbrou um anúncio de medicamentos com preços accessíveis, uma vez que, sem sombra de dúvidas, o prazo de prescrição duraria apenas doze meses, a contar do limite da respectiva aquisição por parte de demandante. Poderia seu -- ou não -- um bom negócio para quem entende as regras da comercialização!...
           Qual tipo de elucubração pode ser gerada sem um pequeno capital de giro?!... As comutações medicamentosas tornam-se difíceis, porquanto a capitalização do orbe hodierno requer essa pauta imprescindível. Mesmo assim, com muita dificuldade, partiu para experimentar uma vetusta  tática, em cabal obsoletismo.
            Luecas Peixoto, conhecidíssimo pelo cognome de Luecas Ponderal, deveria adquirir no mercado de medicamentos, notadamente os remédios mais demandados. Esses seriam colocados nas fileiras da frente de cada prateleira, com  seus respectivos distintivos. Anti-inflamatórios, analgésicos, antipiréticos, antibióticos, psicotrópicos etc. Os dois postremeiros exigiriam do Ponderal, de maneira indubitável maior diligência, visto que teria que pagar alguns profissionais da sua área de saúde, principalmente médicos, embora não fossem especialistas, para que lhe dessem, através  de receituários de controle especial -- os mais requisitados pela  população. Destarte, teria que lutar acirradamente, já que, em virtude da demanda, precisariam prescrever alguns  dos mais relevantes medicamentos existentes no variegado mercado farmacêutico.
            As caixas com medicamentos ocupariam as prateleiras em ordenação frontal e subsequente. Essas todas conteriam medicamentos. Seriam lacradas e com data de validade distanciada da expiração. Ao passo que, em função da carência do capital, as demais caixas, apresentar-se-iam totalmente  vazias, sendo colocadas na retaguarda das prateleiras dos renques posteriores. Ninguém entraria para balouçar uma pequena rocha em cada uma delas, evitando, desse modo a derrocada proporcionada pelo vento impetuoso!... Que sorte teria, meu Deus, pois era pobre, e, sendo assim, carente de recursos de primeiríssima  grandeza!...

                

               


                 
                
             

3 comentários:

  1. Que bom poder retornar à leitura das letras do amigo Wilson Cerveira Marques.

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  2. Julio Cesar Azevedo12/6/20

    Diante do exposto,entendo que o pai poderia está testando o filho p superar adversidades e ser capaz de superar.Seria um grande aprendizado,seria uma história de superação e de grande aprendizado.É de bom alvitre sinalizar p reflexão.Parabéns pela desenvoltura do relato,boa criatividade e como sempre o português recatado a nível dos exímios escritores.


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  3. Julio Cesar Azevedo10/7/20

    Amigo,colega e conterrâneo,Wilson Cerveira Marques!produzir um artigo que evoca alguém que partiu p a eternidade,mas deixou legados,que jamais serão extinguidos de nossa memória,é demonstrar:reconhecimento,correção e autenticidade.
    Conheci,Dadá,pessoa sorridente,solicita e receptiva,com uma aura,que emanava uma luz de paz e bem.Acredito,que em nossa caminhada,convivemos c pessoas angelicais,que são enviadas por Deus c missões determinadas.Vc,poeta singular,retroage no tempo,descrevendo c real maestria uma das importantes páginas de sua história de vida.
    Parabéns,belo artigo!

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