sábado, 10 de setembro de 2022

A SÍNDROME DA SUPEROCUPAÇÃO PSICOSSOMÁTICA II

 

      Francieldo, em tempo algum, nunca se sentira tão ocupado, como nestes recentes dias hodiernos! A sua superocupação abrangia por completo as dicotomias: psíquica e somática. Nem com a administração de medicamentos específicos – melhores indutores do sono – permanecia sendo excruciado por uma insônia crônica e irredutível.

     Herdara de ancestrais distantes, conforme a própria genealogia. Geneticamente, com maior apropinquação, recordara-se do seu avô, e, também, da senhora sua mãe, os quais enfrentaram esse estigma malévolo desde a idade de dezoito anos! O seu avô Marivaldo dormia apenas três horas em vinte quatro; enquanto a sua mãe – Anatércia – sem hesitação, acrescia apenas sessenta minutos.

     Reiterando, pode-se exarar que Francieldo recebera a mais atroz de todas as heranças orgânicas. O sono é um grande alimento, reconfortando o corpo quanto a reparação das energias perdidas no somatório inclemente com relação aos sequencial das horas diuturnas. Percorrera vários especialistas, mas, mesmo assim, continuava a padecer a excruciância, a lancinância e a pungência da vigília torturante. Também, auxiliava-se com o uso da maceração ou trituração de diversas folhas colhidas e cozidas pela sinhá dona Ubaldina, especialista em tais chás!

     Ela, também, entendia de benzimentos, notadamente usando os galhos folhosos de arruda, emergindo-os num copo d’água, e, consequentemente, borrifando-os da cabeça aos pés. Rezava, em seguida, confronte aos santuários ou oratório, requestando a paz celestial. Assim sendo, ia complementando os diversificados receituários que lhe eram repassados pelos mais gabaritados médicos do sistema nervoso.

     Elizeuda, Professora dos “Bons Tempos da Escola Normal”, martirizava-se perante a superocupação psicológica e corporal. Não deixava interregno mental para desagregar os inúmeros fundamentos das múltiplas disciplinas. De todos, sabia o suficiente para propugnar os óbices surdidos diariamente, neste ramerrão!

     Em determinada manhã – tácita e macambúzia – experimentara-se o superlotamento somático. Tanto assim, no sentido ocupacional pleno, escarcelas e livros ocupavam os vãos articulatórios superiores e inferiores dos seus membros. Se alguém tentasse vocacioná-la a uma certa distância, não conseguiria ouvi-la de modo algum... Saltitava na vertical, formando um plano cartesiano com o substrato.

     A senhora dos seus sessenta anos, indubitavelmente, aterrorizava todos os assistentes da sua singularíssima pessoa, e, também construía o famoso sistema vetorial – com sentido e direção, de conformidade com o referencial!

     Elizeuda seria, de fato, a representatividade máxima para os diferentes epígonos. Não compreendia a estigmatização temporal, abrangendo horas, minutos e segundos...

     As sensórias, de igual modo, podem se encontrar ocupadas também. A gustação com a salivação progressiva de uma pastilha, a visão a aparatar as gotas do colírio ‘Cristalin’; a olfação, de permeio com a aspiração de um descongestionante nasal, para lenir a hipertrofia dos cornetos nasais.

     A audição, bem tamponada de cerume, é obstaculada quanto a propagação sonora; ao passo que o tato em seu amplo sentido, sendo obiciado pelo ato de contactar com as superfícies rugosas e lisas. Caso houvesse alguma anomalia, o tato seria capaz de mitigar as alterações decorrentes dos diversos fluxos! 

     As criaturas, com raras ou raríssimas exceções, sentem-se muito ocupadas; e, com isso não atendem praticamente a ninguém, nem mesmo no momento da valetudinariedade! A cristandade dessas pessoas servem só para si mesmas, e, dessa maneira, adentram ao estado mais atroz, que é o egocentrismo!

     O ególatra é um lidimo e repugnável câncer social. Ele, o demônio deletério, portador do ‘eu exclusivo’, não se incomoda nem com os sofrimentos da senhora sua mãe. Tudo que lhe sai da boca diariamente representa um imane simulacro de uma farsa execrável. O egocentrismo deveria ser considerado um crime inafiançável em todos os quadrantes da vida em suspensão metafórica.

     Se alguém necessita de sangue para salvar a vida, ele nega com desfaçatez, embora o seu sangue seja inteiramente compatível. Prefere a morte do irmão. Ele só se importaria se fosse consigo mesmo. Caso contrário faz ouvido de mercador e ostenta uma indiferença insólita. Se a lei existisse de forma lícita, ele estaria atrás das grades, as descomunais ignomínias que perpetra todos os dias! O catastrófico sujeito é tão hecatômbico que expurga o remanescente alimento do prato, ao invés de dar aos animais sem dono, que enfrentam o drama da fome desesperadora...

     Em que pese ou não, ególatras não causaram mal algum às criaturas de Deus; eles, também, deixam muito a desejar quanto ao ato de serem prestativas para com os outros! Sempre mostram de uma forma ou de outra, que se encontram abarrotadas psicossomaticamente em todas as direções e sentidos pertencentes ao plano vetorial.

     As pessoas comportam-se de maneira mais heteróclita possível. Caso estejam sentadas à mesa; e sejam interrogadas por algum motivo; fazem um sinal com dedo colado à boca – dizendo que, no momento, não podem responder devido a porção de comida contida no orifício da mastigação. Para tudo, arruma-se um motivo para olvidar, e não redarguir a perquirição feita anteriormente!

     Se quiser exarar alguma coisa, antes de fechar a porta do sanitário, não consegue devido a micção prolongada. E, caso sinta, também, a vontade dejetória, a qual se delonga por tempo postergado. Então, a síndrome da superocupação torna-se insuportável em todos os sentidos e direções plausíveis.

     Fica-se estupefato perante tanta mirabolância ocorrida no decurso inexorável do tempo protraído. Doravante fica-se sabendo das impossibilidades de perpetrar determinadas prolações... O átimo, com certeza, é um enigma temporal, visto que suas necessidades ratificadas ou corroboradas por todos aqueles que desideram alcançar os diversos pontos volitivos.

     Há, também, pessoas que tomam dez ou mais remédios por dia. Não há horário suficiente para a manutenção da hipnose. Isto recrudesce ainda mais a superocupação em todos os plausíveis quadrantes vitais. Conheço casos de escrever as medicações, por ordem numa folha de papel; assim como, marcar toda a cronologia nos despertares do celular!

     Esses pacientes vêm mantendo essa metodologia através de décadas consecutivas. Não sentem mais o pesadelo do sono, pois despertam quase naturalmente, sem que se sintam estremunhados. Dessa forma, vão se deixando conduzir pelas extremas necessidades de fazer uso intermitente e somatorial dos medicamentos prescritos com o passar fugaz do tempo, abrangendo horas, minutos e segundos...

     Com o decorrer das consultas, passando por vários especialistas, remanescem o recrudescimento das dosagens mais a inclusão de novos medicamentos. Assim sendo, as superocupações vão sendo acrescidas vertiginosamente. Além os de via oral, têm-se os intramusculares, endovenosos e tópicos. Estes últimos, geralmente, estão inclusos os remédios cognominados cremes, pomadas etc.

     Todas essas drogas acham-se organizadas em cada espaço do armarinho e das estantes embutidas. Caso falte a luz inopinadamente, não será difícil de identifica-los por hierarquia, já que são lhes falta agrupamento, indicação para cada síndrome contumaz, com caráter reiterativo.

     Muito implexo é montar – em plena síndrome da superocupação psicossomática II – este quadro dilucidativo com relação ao etológico orgânico. A maioria não entende a importância de imane hierarquia medicamentosa! Saibais que a superioridade abrange a matemática dos elementos disciplinados e com educação de primeiríssima grandeza no âmbito cabal das variegadas sintomatologias!...

 

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